Notas iniciais
Esse site é morto, então se você gosta dessa história por favor considere ler e apoiá-la no wattpad https://www.wattpad.com/story/211121743-incubus-love Psalm 13:5 But I trust in your unfailing love; my heart rejoices in your salvation. Capa: @ Ice_Cracker0v0 | 얼음

Fazia alguns dias que a convivência entre os dois estava mais suportável. Depois do desabafo, parecia que toneladas haviam deixado as costas de Sanji e o corpo dele estava bem mais leve. Mas não estavam resolvidos ainda.

Sanji sentia que Zoro ainda estava amargurado com suas atitudes e ele tinha todos os motivos para isso. Ambos apenas estavam sendo educados com a presença do outro, falano apenas o necessário e nada mais. O demônio agora dormia diariamente na cama junto ao padre, mas nada acontecia, eles apenas... Dormiam.

Muitas vezes Sanji sequer dormia, já que costumava passar horas admirando o humano e sorrindo de forma apaixonada. Aquela calmaria era confortável e com o tempo Sanji até mesmo começou a se atrever mais do que deveria, chegando a dar beijos na bochecha do padre antes dele sair de casa e por mais que fizesse uma expressão confusa, Zoro nunca o negou.

Naquele momento, Zoro estava no quarto esperando o íncubo sair do banho. Não sabia porque havia começado a ter esse costume, quando poderia simplesmente deitar e dormir, mas ele preferia esperá-lo para dormirem na mesma hora. Era prova do quanto havia se tornado mais tolerante à presença de Sanji que agora passasse muito mais tempo com ele do que afastado, como estava fazendo anteriormente. Só ficava na igreja o tempo necessário e não mais evitava o loiro pela casa, chegando até mesmo a dar preferência aos cômodos em que ele estava.

Sanji acabava de sair do banho, usando o roupão que havia comprado há mais de um ano e ainda estava guardado naquela casa. Ele sorriu ao ver o moreno ainda acordado, não só isso, os pés dele estavam no chão enquanto se sentava na cama, vestindo apenas a costumeira camiseta branca e uma cueca. Mas não foi nisso que os olhos azuis focaram e sim nos pés do moreno. Mais especificamente em seu calcanhar. Antes de perceber, o íncubo havia se ajoelhado no chão como se precisasse olhar mais de perto para confirmar o que enxergava.

— Ainda está aqui... — Sanji comentou sutilmente, o sorriso apaixonado iluminando mais o seu rosto bonito. Sem conseguir conter os sentimentos, ele tocou na aliança presa na tornozeleira, sentindo a jóia que haviam trocado no dia de seu suposto casamento.

— É... — Zoro assentiu. Nem ele sabia porque ainda estava usando aquilo. Na verdade, mesmo em todo aquele tempo de espera e angústia, ele nunca havia cogitado a possibilidade de remover o objeto do seu corpo, nem mesmo uma única vez.

O loiro parecia hipnotizado pelo brilho da jóia e Zoro mal percebeu quando ele removeu o objeto dourado, fazendo menção de colocá-lo no dedo de Zoro. O padre estendeu a mão, confuso, mas a aliança voltou sobrenaturalmente a ser um anel na mesma hora em que Sanji começou a colocá-la em seu dedo.

— Eu nunca tinha percebido que o nome mudou. — Zoro disse ao observar o interior do objeto, onde o nome de Sanji estava gravado. Ele lembrava de ter visto seu próprio nome ali quando aquele anel ainda era do loiro.

Sanji sorriu com aquelas palavras. Havia mudado sem que o loiro desejasse isso, apenas para que sua brincadeira de casamento se tornasse real. Delicadamente segurou a mão do moreno e beijou o dedo com a aliança ainda ajoelhado no chão, como se estivesse tentando provar sua devoção ao padre.

— Sabe, você me fez realmente feliz naquela época. — A voz do íncubo havia se tornado mais baixa e seu olhar vacilou por um instante. Ele suspirou e se levantou para sentar na cama ao lado do outro. — E mesmo sendo apenas de mentira, eu gostei de me casar com você.

Falou sincero e olhou para o teto, se perdendo no tom claro da tinta que pintava as paredes. Havia muito a se falar e sem dúvidas nenhum dos dois desejava ter aquela conversa de novo. Poderia deixar de lado e fingir que nada havia acontecido, que ele não quebrou uma promessa e sumiu sem deixar indícios de que algum dia voltaria. Mas provavelmente assim nenhum dos dois conseguiria agir normalmente.

— Desculpe te abandonar daquela forma. — Sanji falou ainda evitando olhar para o lado, mesmo que seu braço sutilmente encostasse no do moreno. — Eu sei que minhas promessas podem parecer vazias e que eu sempre vou embora, mas eu não quero que isso aconteça outra vez. Eu quero ficar ao seu lado, porque não consigo mais ver sentido em um mundo em que você não exista.

O padre sentiu seus olhos traiçoeiros arderem com a declaração súbita de Sanji. Com a implicação de tudo que ele dizia, que deveria ser pesado, mas parecia leve como uma pluma caindo sobre os ouvidos de Zoro. Na verdade, parecia mais que um peso astronômico estava sendo levantado do seu peito, que ele finalmente podia respirar como devia. E ele fez justamente isso, levou para dentro uma golfada de ar e encheu os pulmões com o frescor de Sanji recém-banhado ao seu lado.

— Você está errado. — Zoro disse e notou quando olhou de soslaio o semblante de Sanji congelar com as suas palavras, como se tivesse medo da rejeição ou da repreensão que viriam em seguida, embora não fosse nem perto da intenção de Zoro. — Nunca foi de mentira.

Zoro colocou sua mão bronzeada acima da mão pálida de Sanji e a apertou forte. Não tão forte para machucar as mãos do cozinheiro, mas o suficiente para enfatizar o que dizia. Era óbvio que havia sido real. E nada tinha a ver com uma aliança ou um vestido. Muito menos a falta de uma cerimônia formal. Zoro já havia celebrado um número suficiente delas para saber que nada daquilo era o que fazia um casamento. Mas eles tinham sempre aquela mania de diminuir tudo que passavam juntos como uma brincadeira.

— Eu sei que você não achava isso. Mesmo sempre tentando me provocar como o diabinho que você é. — Literalmente. — E eu não sou sonso o suficiente pra negar que o único motivo de você ter aparecido vestido para casar comigo é porque era o que eu queria.

Sanji arregalou os olhos ao processar aquelas palavras. A informação de que Zoro queria casar com ele o causava muitos sentimentos diferentes, mas o principal deles sem dúvida era a felicidade. Ele jurou que não ia chorar como um fraco emotivo, infelizmente já era muito tarde e mais uma vez estava se derramando em lágrimas. Havia corrompido o humano e deveria se sentir mal por isso, ele era um padre que devotou toda sua vida a igreja, e ao aparecer em sua vida sem dúvidas estragou tudo. E mesmo assim se fosse para sentir aquele calor agradável no peito, faria tudo de novo, não importasse quantas vezes fossem necessárias.

— Eu quero poder te amar sem culpa. — Ele disse com um sorriso amoroso ao se virar para o moreno e tocar gentilmente seu rosto. Os dedos contornando os traços que sempre achou atraentes naquele homem, diferente de qualquer outro. Não existia mais ninguém que Sanji desejava estar ao lado. — Prometo nunca mais ir embora.

Zoro capturou os lábios que sorriam radiantes para ele, só para ele, como sempre foi. Ele guardaria aquela promessa em seu coração e confiaria em Sanji mais uma vez.

Talvez ele estivesse louco, talvez se entregar novamente ao íncubo não fosse a ideia mais sensata que já teve, mas ele precisava tentar. E tentar com Sanji era a coisa mais fácil do mundo, não havia esforço algum em beijá-lo, em senti-lo novamente tão próximo de si como se fossem um só.

Era fácil se afogar naquele beijo, no sabor do qual sentia tanta falta. Fácil percorrer suas mãos calejadas pelo corpo de Sanji, real em carne e osso, que estava ali depois de tanto tempo. Fácil se perder na suavidade com que estavam fazendo tudo, mesmo com toda a abstinência, não estavam apressados nem tratavam aquilo com afobação. Se beijavam calma e ternamente, como se ainda estivessem trocando palavras bonitas, talvez aquelas que eram muito exageradas para dizer, mas seus lábios pressionados um no outro diriam por eles.

Ambos deixaram seus corpos caírem na cama em sintonia, virados um para o outro sem quebrar o beijo que parecia ainda mais lento depois que deitaram na cama. Zoro sentia a língua fina acariciando seus lábios, sua própria língua, não desajeitadamente, mas com propósito e com carinho, afagando cada centímetro da sua boca. Sanji tinha sabor de tabaco humano pelo qual ele havia tomado gosto, mas não era acre, era suave como uma nota de fundo. Zoro tentou se lembrar da primeira vez em que fizeram isso, em que Sanji o beijou e parecia tão diferente. Antes movido à luxúria, agora... Amor.

Sanji se deixou levar enquanto levava o moreno junto a ele. Acariciando o corpo maior, ao mesmo tempo que todo o seu era acariciado. Com carinho, paixão, amor. Ele sorriu bobo em meio ao beijo e ouviu o outro resmungando baixinho, o que só o fez rir da revolta alheia. Zoro era tão fofo quanto se lembrava.

Suas mãos percorriam o peitoral bronzeado ao invadir a camiseta, sentindo os músculos bem trabalhados, o calor que sempre o enlouquecia. Diferente do normal, não se permitiria ficar desesperado de forma alguma. Nem mesmo seus dedos tocavam o outro corpo com luxúria, estava tão calmo que com certeza ficariam horas ali se amando.

E foi exatamente o que aconteceu. Os dois perderam a noção do tempo, passando horas a se beijar, fazendo amor. Os corpos colados, suados e mesmo assim não se desesperavam, estavam mais calmos do que nunca. Em algum momento Sanji havia se colocado por cima do corpo maior e atrevidamente passou a se esfregar contra ele. Por mais inocente que fossem os toques, ambos estavam excitados e com a permissão ele preparou demoradamente o amado, sorrindo ao vê-lo reagir quase como na primeira vez que havia feito aquilo. Zoro era lindo e Sanji estava perdidamente apaixonado por ele.

— Posso te amar, Zoro? — Sanji perguntou baixinho ao afastar levemente os lábios e tocar o rosto moreno com a mão que não usava em seu interior.

— Eu te amo. — Zoro ignorou completamente a pergunta de Sanji. Era o que gritava em sua mente e acabou transbordando em palavras. Porque ele amava aquele demônio idiota. Mesmo quando ele era tão cafona desse jeito, mesmo quando torrava sua paciência, mesmo quando tudo era difícil. Amar Sanji era fácil.

Ainda mais fácil era se entregar a ele, aos seus toques e desejos. De forma que antes talvez considerasse desonrosa e vergonhosa, mas há muito tempo não tinha esse tipo de pensamento.

Sanji arregalou os olhos surpreso ao ouvir aquela declaração. Era a primeira vez que Zoro dizia aquelas palavras que ele achou que nunca seria permitido ouvir. Chegava a machucar seu coração de tão bem que se sentia. Sanji abriu um enorme sorriso e imediatamente caiu em cima de seu amado, entorpecido em seu carinho e amor. Ele nunca achou que poderia sentir algo assim, muito menos que alguém um dia se sentiria dessa forma por ele, mas estava realmente feliz em ouvir. Talvez ele tenha começado a vergonhosamente se declarar várias vezes em meio ao beijo, àquele ato de completo amor.

Ao ter Sanji dentro de si novamente e lembrar da primeira vez que aquilo aconteceu, o padre pensou em quanto tempo fazia que aqueles sentimentos haviam florescido dentro do seu peito, quanto tempo fazia que estar à vontade com Sanji era apenas natural. Tempo o suficiente para não se lembrar como era antes, concluiu, enquanto não se esforçava para conter os gemidos a cada vez que era preenchido lenta e profundamente, de novo e de novo e de novo.

Foi a única vez naquele dia que viu o demônio próximo de se desesperar. Mas não de necessidade e perversão, Sanji parecia extasiado de algo muito mais terno. Ele abraçava Zoro com força como se estivesse dizendo que cumpriria sua promessa, que nunca mais iria soltá-lo. Sussurrava ao seu ouvido palavras melosas e incoerentes que faziam o padre se desconcertar mais do que as investidas que recebia. Nunca esperaria ouvir de um íncubo as palavras fazer amor, mas Zoro pensou que talvez nada pudesse descrever melhor aquele ato.

— Faz tanto tempo que eu não faço isso que é melhor do que eu lembrava. — Sanji afirmou enquanto se movimentava suavemente no interior do maior, os corpos tão colados que poderiam se fundir. Era realmente boa aquela sensação.

— Achei que era isso que você estava fazendo enquanto estava fora. — Zoro disse tentando não soar amargo.

— Eu só queria te provocar. Não me deitei com mais ninguém. — Ele deu a certeza em palavras gentis e amorosas, confirmando seus sentimentos ao selar os lábios na testa suada do moreno.

Zoro tinha imaginado que deveria ser só uma brincadeira de mau gosto do demônio, mas ouvir aquelas palavras o deixavam estranhamente aliviado. Talvez porque no fundo ainda teve um pouco de medo de que não fosse diferente dos milhares de humanos com quem Sanji havia transado ao longo dos seus milênios de existência.

Suas mãos haviam se enlaçado sem notarem. Sanji queria senti-lo por completo, então roubou sua energia sexual e era diferente de todas as outras vezes. Mesmo quando transava com Zoro antes não se comparava a como era naquele momento. Era deliciosa e ele poderia se viciar mais naquele humano que amava e que o amava. Sempre que sua mente lembrava dessa informação ele ficava meio besta e com a declaração do padre pairando sua mente ele se enterrou em uma estocada profunda e gemeu o nome dele bem baixinho em seu ouvido, enquanto o preenchia com seu líquido abundante.

Zoro ainda durou um pouco mais que Sanji, mas não muito. Enquanto o loiro ainda estava encaixado dentro dele, amolecido e morto, mas ainda o tocando e o ajudando a atingir seu próprio clímax enquanto o beijava ternamente.

— Então você só estava com fome esse tempo todo? — Zoro indagou observando o íncubo que parecia tão satisfeito quanto alguém no deserto depois de encontrar um oásis.

— Lembra daquele íncubo que apareceu para você fingindo ser eu? — O loiro perguntou e quando Zoro balançou positivamente a cabeça ele continuou. — Acho que eu teria morrido sem alimento, então ele praticamente me obrigava a sugar a energia enquanto ele fodia um humano.

Ao mesmo tempo em que Zoro pareceu gostar de sua resposta, ele também pareceu não gostar nadinha, fazendo o íncubo rir baixinho e se aninhar no corpo maior, extremamente manhoso.

— Cook, vou deixar a igreja. — Então Zoro falou sério e repentinamente.

Sanji não ficou surpreso com aquela afirmação. Na verdade, seu coração se encheu de alegria e ele apenas se moveu um pouco para alcançar os lábios do quase ex-padre e beijá-lo breve e ternamente, enquanto sorria amoroso e reagia completamente diferente de quando descobriu por acidente que Zoro planejava aquilo. Muita coisa havia mudado e levando em consideração o andar da carruagem, essa era a decisão mais sensata a se fazer e Sanji a aceitaria de bom grado.

— Tudo bem.