Notas iniciais
Guide me in your truth and teach me, for you are the God my Savior and my hope is in you all day long. Psalm 25:5-15 Capa: Pixiv ID: 39397432 | マーマレード Faz 200 anos que não posto aqui porque esse site é morto. Se alguém tem interesse real em nos apoiar, considere ler e votar nessa história no wattpad: https://www.wattpad.com/story/211121743-incubus-love

Zoro não conseguia mais sair para a igreja. Não porque tivesse algum tipo de pudor ou receio por tudo que havia feito, era só que seu cérebro imbecil havia resolvido esperar por Sanji em casa enquanto o loiro não voltava. E ele também não conseguia mandar sua carta de resignação, porque seria obrigado a se mudar para outro lugar. E ele precisava ficar bem ali, no mesmo lugar onde o loiro o deixou.

Porque Sanji tinha que voltar. Ele simplesmente tinha que. Apesar de Zoro ter escutado bem as palavras melancólicas que saíram daqueles lábios, seu coração teimoso não queria acreditar. Não queria aceitar que Sanji tivesse feito isso de novo por algum motivo que ele sequer compreendia.

Então ele esperou. Dias que viraram semanas, semanas que viraram meses. E ele se sentia ridículo. Humilhado pelo seu próprio comportamento patético. Porque ele já havia passado por isso, e continuava fazendo a mesma coisa.

Havia dias em que ele passava vinte e quatro horas treinando, usando como combustível sua raiva de si mesmo, por ter se deixado enganar duas vezes pela mesma pessoa. Deixado que Sanji tivesse se enfiado daquele jeito na sua casa, na sua cama e, pior ainda, no seu coração.

Havia outros em que ele se perguntava se não havia sido tudo apenas uma alucinação sua. Se ele não havia imaginado um íncubo chamado Sanji. Nesses dias, Zoro tentava imaginá-lo de novo e provar que era tudo uma loucura sua ou talvez trazê-lo de volta. Vê-lo nitidamente em sua mente enquanto fechava os olhos. Seus cabelos dourados, seu sorriso emoldurado por lábios tão lindos, sua voz. Ele percebia que jamais poderia ter sido imaginação sua. Porque não era a mesma coisa, nem de longe. Por mais que pudesse lembrar exatamente como ele era, imaginá-lo nunca seria o suficiente.

Era real. Tão real quanto a aliança sendo usada como pingente da pulseira que adornava seu tornozelo. E Zoro não conseguia esquecer.

E havia dias em que Zoro apenas pura e simplesmente sentia falta dele. Em que ele esquecia o quanto Sanji o havia magoado, esquecia seu orgulho, esquecia de tudo. Ele só queria vê-lo de novo, queria que ele voltasse.

Esses eram os piores dias. Dias em que ele comia qualquer porcaria na cozinha e se lembrava exatamente de como era tê-lo cozinhando ali, como a casa estava sempre cheia de vida, da fumaça das panelas, do cheiro dos temperos. Zoro ia pra sala e ocupava apenas o seu lado do sofá, como se estivesse esperando que o loiro fosse chegar a qualquer momento, se sentando do outro lado e se aproximando dele gradativamente, até que estivessem tão colados como se estivessem sentados no mesmo lugar.

Às vezes ele queria fingir que podia senti-lo. A cabeça deitada no lado dele do sofá, como se ainda conseguisse sentir seu cheiro, embora fizesse tanto tempo que era literalmente impossível, as mãos tocando a si mesmo mais delicadamente do que faria quando estava sozinho, mimetizando os toques de Sanji. Passeando pelo seu peito como o loiro gostava de fazer, embora Zoro nunca fizesse isso. Circundando seus mamilos com carinho, com o amor que Sanji usava todas as vezes, o amor que Zoro tinha certeza que estava lá e que nunca poderia ser falso.

Zoro não ligava em se tornar um fraco por completo, em se rebaixar até o fundo do poço, então suas mãos desceram pelo seu corpo e tocaram a si mesmo com uma delicadeza que de nada adiantou, porque doía fazer aquilo.

Doía querê-lo ali, doía ainda desejá-lo. A cada movimento da sua mão ele se frustrava mais por não parecer com o que ele queria, mas cada vez que sentia mais prazer sua mente se afogava um pouco mais na falsa sensação. Os olhos fechados o mais apertado que podia, como se fosse quebrar o encanto se ele os abrisse um pouco e percebesse que era tudo ilusão da sua mente fraca, e ele não queria perceber.

Sanji...

Sem olhar para trás, Sanji havia partido. Abandonando tudo que havia construído com o padre. A amizade, a relação, o amor. Ele estava confuso e não sabia lidar com sentimentos mundanos. Ele era um demônio, uma criatura que existia para brincar com os humanos, se aproveitar deles e acabou se deixando levar por uma brincadeira. Ele não conseguia aceitar os sentimentos de Zoro, e muito menos seus próprios sentimentos.

Por mais que não fizesse sentido, ele amava o humano, mesmo supostamente não sendo capaz de sentir aquilo. E isso deveria quebrar todas as regras do inferno. Então ele foi embora e não pretendia nunca mais retornar. Ele tentou se isolar de todos, mas Kid não permitiu que ele ficasse agindo como um estúpido e praticamente o arrastou pela orelha de volta para a superfície. Sanji nunca gostou de ficar naquele lugar tenebroso, e ninguém melhor do que seu amigo para saber disso.

Mas ele não sentia mais vontade de fazer nada. Sua cabeça estava em outro lugar. Seus pensamentos eram sempre direcionados ao padre e tudo que ele mais desejava era voltar para a casa dele... Que durante tanto tempo foi a casa deles. Era tudo uma brincadeira, uma ilusão que não existia mais. Humanos eram tão apegados ao sentimento que chamavam de amor que deveria ser algo bom, te fazendo se sentir bem, mas tudo que ele sentia era dor, um amargor desagradável.

Com o passar das semanas seu corpo se tornava cada vez mais fraco. Não havia se alimentado desde a última vez em que fez amor com Zoro e nem mesmo sentia vontade. Provavelmente acabaria morrendo ou qualquer coisa do tipo, ele nem mesmo tinha como saber. Não faria diferença também, sem Zoro ele já se sentia morto. Recentemente seu amigo estava cada vez mais ausente, pelo que haviam conversado, ele estava se encontrando com frequência com um mesmo humano e por isso não percebeu como Sanji cada vez estava mais fraco. Claro que quando notou, o obrigou a se alimentar e como Sanji se negou a ter qualquer tipo de relação com um humano, o forçou a roubar o prazer que seu humano sentia enquanto estavam fodendo. O loiro sequer apareceu diante aquele humano, mas acabou aceitando o alimento. Não era nem de perto parecido com o sabor delicioso de Zoro.

Desde que voltou ao mundo humano, ele estava usando o mesmo corpo que sempre aparecia para o padre, como se o desejo daquele homem fosse tão forte que conseguia afetá-lo em qualquer ponto do mundo que fosse, ou talvez fosse apenas Sanji que desejava ter aquele corpo. Ele estava perdido, vagando diariamente pelas ruas sem ter vontade de mais nada, sem conseguir enxergar um futuro em que Zoro não estivesse ao seu lado.

Demorou meses para que Sanji acabasse, por coincidência, na casa que morou durante tanto tempo. Suas pernas o levaram até ali, ou talvez Zoro tenha o obrigado a voltar. Mas ele não queria ser visto, então apareceu na frente do padre sem realmente aparecer. Estava invisível. Ele não conseguiu evitar um enorme sorriso ao vê-lo, Zoro continuava o mesmo, tão lindo quanto se lembrava, talvez até mais. E ele estava fazendo algo que Sanji nunca tinha visto e isso o fez se sentir um tanto culpado. Ele atiçou o padre até que ele cedesse aos instintos e o fodesse, mas Zoro jamais faria sozinho. Era sua culpa por ter ido embora, deixado aquele homem ter que resolver suas próprias necessidades sexuais.

Sanji o observou em silêncio, cedendo ao desejo ao vê-lo tão desesperado por um orgasmo. O corpo moreno chegava a brilhar devido ao suor que pintava a pele da qual tantas vezes Sanji abusou. Era muita tentação. A expressão dele era perfeita e ele não resistiu em se aproximar e beijá-lo. Os lábios pressionando os do moreno com força, mesmo que o outro não pudesse sentir. Queria tê-lo de volta, poder amá-lo como desejava. E mesmo que não pudesse ter Zoro completamente, ainda o tocou. Uma das mãos segurou com firmeza um dos ombros largos e o apertou como se não quisesse nunca mais soltá-lo. A outra mão percorreu o peitoral forte, dedilhando a pele quente e a deslizando pelo abdômen, direcionando-a até o pau duro que Zoro quase esfolava. E Sanji apertou em sua mão a mão morena, ajudando-o a se tocar, ditando o ritmo sutilmente para que Zoro não percebesse que estava ali. Sua língua era passada pelos lábios carnudos e isso machucava, lembrando-se de todos os beijos que haviam trocado naquele sofá, desde o primeiro até o último.

Zoro continuava ignorante à sua presença. Não podia senti-lo, não sabia que o estava observando, tocando e o ajudando daquela forma. Mas ele continuava imaginando Sanji em sua mente enquanto performava aquele ato lascivo e deixava sua dignidade escorrer pelo ralo.

Atrás das suas pálpebras só devia haver escuridão, entretanto ele enxergava dourado, como os cabelos dele, azul, como os olhos dele, branco, tal qual sua pele de marfim e rosa que manchava o branco da pele nas mais belas tonalidades.

Sanji era lindo quando estava corado. Por excitação, como era mais comum, por fadiga ou até mesmo vergonha, a visão era sempre fabulosa. E Zoro havia perdido as contas de quantas vezes estiveram juntos naquele sofá, de quantas vezes Sanji disse que não conseguiria esperar até chegarem no quarto e o deflorou ali mesmo.

Das vezes em que apenas assistiram alguma coisa comportados. Das vezes em que Sanji dormiu com a cabeça no seu colo enquanto Zoro afagava as madeixas loiras e prestava mais atenção nelas do que na televisão à sua frente.

Às vezes era um martírio se recordar tão bem de Sanji. Naquele momento, todavia, se lembrar tão precisamente o fazia esquecer do que realmente estava fazendo. Esquecer que era sua própria mão que estava estimulando seu corpo, esquecer que ele havia sido abandonado há tantos meses pela única pessoa que ousou amar na vida. Aquilo devia bastar, se ao menos por meros minutos pudesse ser feliz.

— Sanji... — Era a única coisa que escapava de seus lábios. Sem permissão, é claro, mas Zoro já não estava em condições de permitir ou negar qualquer coisa. A única coisa que importava era o prazer que sentia enquanto pensava nele.

Era uma tortura para Sanji observá-lo. Sentir o corpo que amava tão próximo, ao mesmo tempo em que parecia estar mais distante do que nunca. Os olhos do demônio estavam marejados, Sanji estava sem rumo na vida, como se tudo que importasse fosse retirado à força dele. Talvez nos meses que passaram juntos, Zoro acabou se tornando seu mundo e agora que havia o perdido para sempre, não existia mais ponto em viver.

Sanji derramou suas lágrimas no rosto do padre, ou assim achou, percebendo que o outro também chorava enquanto gemia seu nome. Parecia doloroso e isso só fazia o íncubo desejar confortar aquele homem. Queria poder amá-lo e esquecer de todo resto. Mas ele não podia, ou pelo menos achava que não. Humanos eram apenas alimento e seria assim que o trataria. Quando Zoro gozou, o demônio tomou todo seu prazer como alimento e partiu antes que cometesse alguma besteira incorrigível. Há meses que Sanji não sentia tanto prazer ao se alimentar. Possivelmente era apenas por ser o prazer do moreno, mas era incomparável. Zoro sempre teria um gosto melhor do que de qualquer um, não importa quem fosse.

O homem de cabelos verdes continuou deitado após isso, imóvel e ofegante. Com os olhos ainda fechados e a mente completamente embaralhada, Zoro não se sentia nem um pouco melhor que antes. Por mais que tentasse, o alívio momentâneo que aquele ato proporcionava não era o suficiente, era mecânico e falso como tentar sentir o perfume de flores de plástico.

Zoro sabia que era apenas abrir os olhos e tudo em seu mundo se desbotaria em cinza novamente. Sabia que era desonroso e patético, que havia sucumbido à maior forma de fraqueza existente ao tentar suprir sua falta daquela forma. Mas ele precisava daquilo, dizia a si mesmo, precisava do seu placebo para se sentir melhor, por mais decadente que fosse.

Aquela foi a primeira vez que se masturbou desde que começou o sacerdócio, sempre preocupado demais com seu autocontrole para fazê-lo antes. Isso não importava mais.