Notas iniciais
Esse site é morto, então se você gosta dessa história por favor considere ler e apoiá-la no wattpad https://www.wattpad.com/story/211121743-incubus-love A gente postou ela pela primeira vez em Outubro de 2019 pro Halloween e aconteceu muita muita merda eu repostei isso aqui tantas vezes que até dá raiva. Yet when I hoped for good, evil came; when I looked for light, then came darkness. Job 30:26 Capa: @zs_kimkage | きむ Capa do cap: Pixiv ID = 13966605 | みはね

A vida de Zoro voltava aos poucos ao que era quando nunca havia conhecido Sanji. Quando costumava ser apenas um padre numa paróquia de uma pequena vila pacata e sua única preocupação era treinar e ficar forte o suficiente para atingir seu único objetivo. Uma vida tranquila que nunca incomodou Zoro.

Mas que agora parecia insuportavelmente solitária.

Quando ia ao mercado, às vezes alguém perguntava de sua "prima", Zoro desconversava ou fingia que nem tinha ouvido. Mas aquela era uma das únicas evidências concretas de que o tempo que passou com Sanji não era apenas um delírio da sua mente, de que há muito tempo eles costumavam fazer compras juntos. Parecia uma outra vida, uma realidade distante e paralela. Zoro fazia isso sozinho agora, assim como tudo. Acordava sozinho, comia sozinho e ia dormir sozinho.

Zoro nunca teve muita necessidade de desabafar, uma vez que era um homem de poucas palavras, mas acabou cedendo e ligando para sua irmã pela primeira vez em muitos anos. Geralmente preferia trocar cartas com ela, mensagens curtas e práticas que envolviam o interesse em comum dos dois e raramente qualquer outra coisa que não isso.

Mas esse não era um assunto que pudesse escrever sobre, mesmo se quisesse. Também acabou descobrindo que mal conseguia falar sobre isso. Sua irmã o provocou por ligar para ela, que estava do outro lado do mundo onde era madrugada, apenas para ficar mudo e não saber o que falar. Zoro sabia que na verdade ela estava preocupada com suas ações estranhas.

Eu amo alguém. Foi o que ele disse, e conseguia imaginar o rosto surpreso de Kuina pelo telefone há tantos quilômetros de distância.

Mas ela não perguntou nada e ele não conseguiu falar mais do que isso. Talvez só essas palavras já fossem o suficiente.

Amar alguém era o que tinha feito sua vida mudar e ganhar cor.

E foi a raíz de todo o mal, a sua ruína.

Sanji não fazia ideia de quanto tempo havia se passado desde que resolveu deixar tudo para trás e abandonar a única pessoa que conseguiu amar em seus incontáveis anos de vida. Não seria surpresa caso já tivesse passado um ano ou mais.

Foram poucas as vezes que retornou na casa de Zoro, como se mesmo o abandonando, ainda queria se certificar de que ele estava bem. Era meio estúpido esse pensamento. Ainda assim, não conseguia deixar o que viveram para trás. Em sua última visita, quase cedeu e apareceu para o humano ao vê-lo segurando a aliança que deveria ser só uma brincadeira, uma provocação, mas se tornou algo real. Precisou se conter muito ou nada faria sentido.

Sanji precisava se entender, se descobrir, então ele largou tudo e saiu pelo mundo, buscando se encontrar, compreender sua existência, seus sentimentos.

Talvez ele tenha pegado essa ideia em algum filme que assistiu quando estava morando com Zoro, em algum dia que o padre estava praticamente jogado em cima de seu corpo, dormindo confortavelmente, como se estar ao lado de um demônio o fizesse se sentir seguro. No entanto, essa viagem de autoconhecimento não funcionou muito bem durante um tempo. Até um dia se encontrar com Robin. Assim como Sanji, ela também era um demônio, uma Súcubo. A razão de existência dela, deveria ser o mesmo que a dele e durante muito tempo Sanji a idolatrou, como se fosse alguém superior, quase como uma entidade preciosa.

Mas diferente do íncubo, não estava sozinha. Suas belas mãos seguravam as mãozinhas de duas crianças muito parecidas com ela e atrás de sua deusa, havia um humano de aparência muito peculiar, que segurava um bebê no colo.

Sanji não entendeu o motivo de ter começado a chorar tão vergonhosamente no meio da multidão que estava naquela feira. A bela deusa acabou o notando e o acolheu em seus delicados braços, da mesma forma que havia feito tantas vezes no passado quando ainda estavam no inferno.

A vida que ela tinha agora era exatamente a vida que Sanji desejou ter com Zoro, a vida que ele pensou que não seria possível pelas barreiras que os impediam.

Demorou para ele compreender e aceitar que seus sentimentos eram reais e puros, que os de Zoro eram verdadeiros e direcionados unicamente ao demônio Sanji, não a sua aparência.

Talvez, se nunca tivesse encontrado Robin, teria desistido e descartado todo o amor que estava sufocado em seu peito. Mas Sanji sabia que vagar pelo mundo sem rumo não fazia mais sentido, o único lugar que pertencia era naquela casa, ao lado do padre.

Nada mais importaria se estivesse com ele e até se sentia estúpido por não compreender algo tão óbvio. Até mesmo Kid, que sempre afirmou apenas brincar e usar os humanos como bem entendia, percebeu que havia algo a mais entre ele e aquele humano que sempre visitava. Enquanto Sanji negou o óbvio e tentou acabar com a confusão em sua mente, sendo que só precisava aceitar seu próprio amor, aceitar que alguém poderia amá-lo.

Depois de alguns dias vendo como era agradável a convivência na casa de Robin, rodeado de crianças de cabelos azuis e pretos, ele resolveu voltar para o país em que Zoro se encontrava.

Assim que invadiu a casa do padre, notou que este estava quase saindo, então ainda invisível ele se agarrou em suas costas e o abraçou bem forte, aos poucos se tornando tocável e aparecendo de fato para o humano.

— Padre... — Sanji sussurrou com o rosto enfiado na nuca do padre e um enorme sorriso nos lábios, como se depois de tanto tempo estivesse finalmente podendo sentir o real calor que desejou durante todos os meses longe.

Dizer que Zoro havia se assustado com o corpo do demônio ter se materializado tão repentinamente era um eufemismo. Se Sanji não estivesse agarrando seu corpo tão apertado provavelmente teria caído com o choque, por mais que já soubesse exatamente quem era. Ele precisou de alguns segundos para ter certeza de que não era um sonho ou uma alucinação como tantas outras vezes, mas aquele toque era inconfundível, sua imaginação jamais conseguiu ser tão verossímil.

— Você... — O rosto de Zoro se iluminou por um instante, como se apenas naquele segundo as nuvens negras de tristeza que cobriam seu rosto tivessem se aberto.

Foi realmente só por um momento, porque logo seu rosto se fechou novamente, tão não-convidativo quanto antes, blindado por uma cortina de apatia. O padre tentou se soltar do demônio com rispidez, com intenção de sair de casa embora o loiro o segurasse impedindo.

— Não vai, padre.

— Uau... — A ironia naquele gesto era tanta que se Zoro tivesse um pingo de senso de humor naquele momento, talvez risse da sua própria desgraça. Ele não tinha, e ele não riria. — Depois de sumir por meses, mais de um ano...

— É que eu... — Sanji começou e pensou que talvez não fosse uma boa ideia falar a verdade. Além disso, ele não gostava daquela expressão de Zoro, de vê-lo todo para baixo e triste, como se Sanji tivesse feito algo errado... Bom, ele fez, mas não queria vê-lo carrancudo depois de tanto tempo

— Onde você estava? — Zoro perguntou secamente.

— Transando com outras pessoas pelo mundo afora, coisa de íncubo, você entende, né? — Foi a resolução perfeita que encontrou para provocar o moreno. O sorriso em seu rosto era provocante e afiado, mesmo que fosse visível em seu olhar que era uma mentira. Ele só esperou pela revolta do outro, por ele puto, assim como ficou da outra vez e o jogou na cama, fodendo-o até não conseguir mais. Ou quase isso.

Infelizmente, não enxergou nada disso no rosto daquele homem.

— Hm. — Foi tudo que Zoro se limitou a responder.

Se tivesse sobrado qualquer resquício de emoção em Zoro, ele teria se irritado com a afirmação. Teria tido ciúmes ou raiva do íncubo. Mas nada disso iria acontecer.

Não havia como quebrar seu coração ainda mais do que já estava e Zoro continuava inexpressivo. Seu estado apático o impedindo de esboçar qualquer reação.

Nem importava a ele se era verdade ou não. Se Sanji realmente havia rodado o mundo dando para qualquer humano que aparecesse ou se tudo fosse uma brincadeira de mal gosto. Das duas formas significava que ele não se importava com Zoro, seu sorriso provocativo era quase uma ofensa para o padre, que observava o demônio pisotear seus sentimentos sem nenhuma dó ou culpa, depois de tê-lo abandonado por tanto tempo sem sequer uma explicação decente.

Sanji estava confuso. Não deveria ser assim. Não era essa a reação que o íncubo esperava. Zoro deveria agir como sempre, brigar com ele, resmungar como um chato sem senso de humor, mas ele parecia realmente machucado com suas palavras e cada vez mais Sanji se sentia culpado.

Então o viu apenas se virar de costas e seguir o rumo que estava indo antes de Sanji chegar e atrapalhá-lo. Mesmo que o demônio ainda tenha tentado ao longe balbuciar novamente as palavras para que não fosse. Não é como se ele merecesse que Zoro ficasse.