Notas iniciais
Matthew 5:6 Blessed are those who hunger and thirst for righteousness, for they will be filled. Capa: @ zs_kimkage

Horas depois Sanji acordou se sentindo estranho e não entendendo onde estava e o que havia acontecido. Estava em um corpo humano, o que normalmente não acontecia ao acordar, só entendeu o que se passava e lembrou de tudo ao ouvir um ronco vindo de baixo de seu corpo. Ele sorriu e levantou o olhar, vendo o rosto tranquilo do moreno e uma camada de saliva caída em seu peito, provavelmente aquilo chegou até seu cabelo dourado. Passou alguns minutos apenas observando-o em silêncio até se levantar e sair.

Zoro acordou sozinho na cama tentando se situar e lembrar exatamente o que estava fazendo antes de dormir. Pela luz que entrava na janela já deveria ser muito tarde, não que ele não costumasse cochilar em horários estranhos. Quando lembrou que antes estava com Sanji e agora estava sozinho, o estômago do moreno se revirou por completo. Todo seu corpo gelou com a similaridade daquela situação, consumido por um pânico momentâneo até sentir um leve aroma que entrava pela porta do quarto.

Colocou um short qualquer e se levantou, se deparando com o crucifixo jogado no chão e apanhou o objeto para apoiá-lo no criado mudo com cuidado. Sentia-se idiota por culpabilizar algo inanimado por suas falhas, como se a cruz tivesse machucado Sanji de propósito. Zoro saiu do quarto tentando seguir aquele cheiro delicioso que fazia seu estômago protestar de fome.

Quando conseguiu achar a fonte, teve que esfregar os olhos para ver se estava enxergando direito. Sanji estava de costas para a porta, fumando e cozinhando muito concentrado ainda vestindo seu suéter branco e um estranho avental rosa. A luz que entrava no ambiente o iluminava como um holofote, como se ele estivesse num palco, os cabelos dourados cintilavam com os raios luminosos e Zoro achou que poderia perder a visão do seu único olho bom, tamanho era o brilho que irradiava do loiro naquele momento.

— Ei, Kokku... — Zoro disse o abraçando apertado por trás e inalando o cheiro gostoso do que quer que fosse que Sanji preparava, para então logo em seguida afundar a cabeça em sua nuca cheirosa. — Eu te chamo de Kokku, mas fazia muito tempo que não cozinhava...

Ele realmente havia esquecido como o corpo de Sanji cheirava bem, mesmo que estivesse fumando, mais até do que a própria comida, então apenas continuou cheirando os fios loiros e a pele branca como um animal curioso. Estava tão satisfeito por tê-lo de volta que começava a agir bobamente sem perceber.

Sanji havia, claro, ido cozinhar algo para Zoro comer. Dormir ao lado dele o deixou de bom humor e queria fazer algo para agradecer, ser útil, não apenas um peso nas costas do moreno. Zoro e ele não eram nada, nem amigos, nem namorados ou qualquer outra coisa, não possuíam um relacionamento. Mesmo assim, mesmo sabendo de tudo isso, o marimo ainda o tratou de forma tão gentil mais cedo, acolhendo-o e cuidando de si, ficando preocupado no momento que a cruz feriu tão profundamente suas costas.

Quando levantou, o loiro colocou a mão por cima do ferimento e sentiu ele bem presente ali, mas não se importava, sua mente distorceu completamente a situação o fazendo pensar que carregar aquilo em seu corpo era um privilégio, que Zoro fez para marcá-lo como seu. Era uma ideia estúpida e idiota, mas era o mínimo que poderia ter daquele homem. Zoro não era nada além de seu alimento.

Continuou com o pensamento enquanto preparava um almoço reforçado. Desde a primeira vez que cozinhou, Sanji acabou pegando um amor pela coisa que não sabia como explicar, o mesmo valia para o cigarro. Mas, diferente do fumo, ele nunca mais teve oportunidade de mexer em panelas e no fogo, apenas pôde pesquisar em livros sobre o assunto e agora, mais do que da primeira vez, se sentia especialista. Por estar empolgado, acabou preparando um banquete que dava para bem mais que apenas duas pessoas.

Assim que sentiu os braços fortes envolvendo seu corpo, Sanji engoliu a seco, ficando um tanto sem ar. Era tão bom aquele toque, sentia-se tão bem. Fechou os olhos, deitou a cabeça para trás apoiando-a no ombro largo e sorriu apaixonado, o toque era acolhedor. Colocou as mãos por cima das do moreno em sua cintura, e entrelaçou vergonhosamente seus dedos, corando com o ato. Zoro o fazia sentir coisas que não entendia ou tinha conhecimento. Sanji pensou que talvez eles pudessem se tornar algo a mais…

— Hungry, tiger? — Sanji virou o rosto e beijou a bochecha do moreno carinhosamente, fazendo uma brincadeira que já tinha visto em algum lugar, só não se lembrava onde.

— Muito. — Zoro respondeu, não se arriscando a falar inglês depois que já foi ridicularizado uma vez por sua pronúncia japonesa. — Acho que você cozinhou para umas dez pessoas. — Zoro falou em tom de brincadeira, olhando a quantidade colossal de comida e as inúmeras panelas, notando também que o forno estava ligado. Pelo menos teria comida de sobra nos próximos dias.

— Desculpe... — Sanji respondeu baixo, achando que o moreno não havia gostado de seu exagero e falta de controle ao cozinhar, ficou cabisbaixo apenas por um segundo até perceber que era só uma brincadeira. Ele era um demônio, não sabia quando os humanos estavam brincando, especialmente Zoro com aquele péssimo senso de humor. Zoro estava grudado em suas costas como um bicho preguiça, não que estivesse atrapalhando já que Sanji era bem forte para carregá-lo.

Mesmo que Sanji estivesse se movendo para lá e para cá, Zoro não estava nem um pouco inclinado a soltá-lo para deixar o loiro cozinhar em paz, ao invés disso apenas continuou abraçando o corpo do loiro, se movendo conforme ele se movia. Ele notou que Sanji estava um pouco mais alto do que se lembrava, além de mais musculoso, como já havia percebido.

— Você mudou. — Zoro disse depois de passar mais um tempo enterrado na pele dele. — Sua altura, seu corpo… Seu rosto.

— Mudei? — O loiro perguntou confuso e olhou seu reflexo em uma das panelas, não notando nada realmente diferente. Na verdade, ele não se lembrava muito bem de suas próprias características para confirmar se havia alguma mudança, parecia fazer tanto tempo que não usava aquele disfarce. Inseguro, ele parou o que fazia e virou-se para o maior, mostrando o tronco com o avental rosa escrito "Kiss the cook". — Te desagrada?

A voz baixa demonstrava toda sua insegurança. Por não conseguir entender a mente de Zoro, sempre achava que tudo que fazia, vestia ou como se parecia não o agradavam o suficiente para deixá-lo em transe. Apesar de que não era bem isso que andava desejando. Ele pegou as mãos do outro e as levou até seu peitoral, fechando as mãos por cima das dele, fazendo com que apertasse o volume e assim notar que realmente estava maior ali... Provavelmente suas coxas e bunda também estavam mais avantajadas, sem contar nos músculos. Estava mais velho? Pensando bem, ao olhar no espelho antes, notou mais pelos faciais que o normal.

— Não. — Zoro poderia apenas ter ficado calado ou desconversado para não precisar responder algo desse tipo. Mas o tom que o loiro usava, tão diferente de quando estava o provocando, parecia tão inseguro que Zoro não conseguiu deixar de responder com firmeza. Queria dar a segurança que ele não tinha, de alguma forma preencher os buracos de confiança naquela voz falha.

Zoro sentia o corpo de Sanji por baixo do suéter e não era nada desagradável, como poderia? Era Sanji. Ele levou a mão até o rosto delicado do loiro e tocou suavemente a barba em seu queixo com o polegar, era bem diferente dos pequenos fios que havia ali antes. A franja em seu rosto também estava ao contrário. Zoro só havia notado isso porque agora seu olho funcional conseguia encarar diretamente o lindo orbe azul descoberto de Sanji, quando anteriormente a franja ficava daquele lado. A mão que antes estava no queixo se aproximou da cortina dourada e afastou os cabelos do olho direito de Sanji, deixando seu rosto assimétrico inteiro visível.

O toque de Zoro era agradável, parecia querer conhecer e explorar seu novo corpo e Sanji estava mais que disposto a deixá-lo tocar seu corpo da forma que desejava. Não entendeu o motivo de ter puxado sua franja, por se olhar sempre nos espelhos o loiro não conseguia notar que estava com a franja para o outro lado e que suas sobrancelhas eram anormais e desproporcionais, não que ele se importasse. Aquela era a aparência que mais agradava o moreno, então era aquela que mais desejava vestir. Não entendia as atitudes do maior, mas não precisava, estava gostando de ser tocado por ele de forma tão gentil.

— Só queria ver se ainda era igual. — Zoro disse, se sentindo um pouco bobo por seus gestos, mas confirmou o que queria, Sanji ainda era igualzinho a como se lembrava, os mesmos olhos azuis profundos e os mesmos caracóis acima deles.

Zoro desviou o olhar daquele azul até o rosa do avental que o loiro usava, percebendo a frase descontraída bordada na frente. Ele passou de novo a mão pelo peitoral de Sanji, dessa vez pelas letras que formavam as palavras convidativas.

— Não é uma má ideia. — Falou segundos antes de capturar os lábios rosados de Sanji num beijo que ele próprio já havia esquecido como era bom. Sem usar a língua, apenas movimentava lentamente os lábios grossos na boca mais fina de Sanji, sentindo os pelos do cavanhaque roçarem em seu próprio queixo de leve.

Se existia uma coisa que Sanji amava mais que sexo, era sexo com Zoro. Mas, havia uma coisa que ele amava ainda mais e esta era ser beijado por Zoro. Era uma sensação indescritível, deliciosa, intensa... Ele não entendia e não sabia explicar, apenas sabia que era o ato mais perfeito que teve o prazer de experimentar. O mais estranho era que por mais prazeroso que fosse, beijos normalmente não estavam inclusos na lista de coisas que alimentam um íncubo, então nada daquilo parecia fazer sentido.

Mas era real. E ele amava com todas as forças. Então, sem se conter, o loiro se entregou a seu ato preferido, àquele beijo delicioso e perfeito. O gosto daquela boca era alucinante e mal estava sentindo a língua dele, era tão calmo e gentil, bem diferente das vezes em que estavam fodendo desesperadamente. Havia uma ternura e amor inexplicáveis. Foi impossível evitar a excitação.

— Zoro... — Sanji chamou com a voz baixa, apoiando as mãos no peitoral do maior e o empurrando levemente para trás, não como forma de recusá-lo, apenas para poder olhar naquele olhar esverdeado que tanto amava. Ele queria mais daquele homem, embriagar-se com cada toque, cada beijo direcionado apenas a sua pessoa. Queria ser de Zoro e que ele fosse dele. — Como pode um simples beijo ser tão bom?

— Não sei… Nunca fiz isso antes. — Zoro respondeu encarando os olhos de cílios loiros não entendendo muito a pergunta do outro. Ele achava todos os beijos com Sanji fantásticos, mesmo no começo quando ele os odiava um pouco. Mas não saberia dizer se era porque gostava de beijos em geral ou apenas dos de Sanji, já que nunca havia provado outros antes.

Sanji arregalou os olhos surpreso ao receber a nova informação. Poderia ser óbvio, afinal, Zoro era um padre, mas o surpreendeu de uma forma inexplicável. Aquilo significava que era o primeiro daquele homem em todos os sentidos e isso o deixava de uma forma estranhamente feliz, tanto que ele sequer conseguia disfarçar o enorme sorriso, talvez um tanto vitorioso, durante o resto do tempo preparando o almoço. Havia não só roubado a virgindade do moreno como também seu primeiro beijo. Sentia um calor desconhecido em seu peito naquele momento.

Depois, Zoro deixou Sanji terminar de preparar a comida em paz, ou quase, e ambos desfrutaram daquela refeição gloriosa. O padre estava muito desconfiado do fato do loiro ter dito que aquela era apenas a segunda vez que cozinhava, porque a comida certamente estava boa demais para ser o caso. Zoro havia passado anos morando sozinho e o máximo que conseguiu foi ser um absoluto desastre na maioria das coisas simples que tentava preparar. Talvez fosse algum outro poder esquisito de demônio. De qualquer forma não iria encher a bola dele comentando algo do tipo, ele já estava convencido demais.

A comida acabou realmente sendo muita, como previsto, e Sanji organizou tudo em sua geladeira enquanto o moreno lavava a louça. Aquela com certeza era a parte mais sem graça da refeição e Zoro pensou que se o outro conseguia fazer ingredientes aparecerem e criar clones, talvez qualquer dia devesse perguntar se ele não tinha alguma mágica para que os pratos se lavassem sozinhos também.

Mas, de um modo geral, o padre não tinha do que reclamar. Terminou logo os pratos e foram deitar na cama, seu estômago forrado e satisfeito depois daquela refeição reforçada. Zoro pensou um pouco sobre estar satisfeito e se lembrou de algo enquanto estavam na cama. Embora Sanji tivesse almoçado com ele, não sabia se aquilo adiantava alguma coisa em termos de saciar a fome do outro, mas provavelmente não. Devido à sua natureza, era outro tipo de coisa que alimentava o íncubo.

— Ei. — Ele disse chamando a atenção do loiro que parecia entretido acariciando seus fios verdes. — Você… Tá com fome?

A resposta óbvia deveria ser que estava satisfeito depois daquele delicioso banquete, mas a verdade é que não estava. Durante todo o tempo longe de Zoro, parecia que se alimentava e no mesmo dia já sentia fome outra vez, então a frequência acabou sendo bem maior do que de costume. Talvez por ter se acostumado com o gosto do moreno, ou por ter se viciado, Sanji era o que menos entendia, mas percebeu que para se saciar, apenas se fosse com o padre.

— Muita... — Sanji disse, condenando-se por deixar escapar a verdade. Queria dizer que só um pouco e quando viu, já tinha saído. Ele suspirou e olhou para baixo, vendo o moreno lindo com a cabeça apoiada em seu colo, parecendo um gato manhoso. Extremamente fofo. Sorriu de leve e desceu as mãos delicadas do cabelo verde até os lábios, tocando-o levemente e sentindo as texturas. Ele amava tanto aquela boca que poderia morrer a cada beijo que davam.

— Então... — Zoro falou entre beijos que dava nos dedos de unhas afiadas de Sanji. — Me deixa ajudar.

Sanji praticamente se desesperou ao ouvir isso, como se fosse natural se tornar ofegante só com três palavras. Sua boca ficou seca e só molhou outra vez ao ter a língua quente e molhada do outro e a saliva deliciosa a invadindo já que Zoro se demorou apenas mais alguns segundos beijando os dedos magros antes de levantar do colo dele e substituir os dedos pelos lábios rosados com gosto de cigarro.

— Não para de me beijar, ok? — Zoro disse antes de aprofundar o beijo. Era assim que ele queria que fosse, queria estar o tempo inteiro conectado com ele, beijando aquela boca até que ambos precisassem interromper para gemer de todo seu prazer.

Claro, era mais fácil na teoria do que na prática, mas Zoro não estava se importando com detalhes. E, pelo entusiasmo com que era correspondido, Sanji também não parecia se importar.

O loiro imediatamente passou os braços pelo pescoço grosso e o puxou em sua direção, beijando-o em transe. Era tão bom. O beijo era perfeito e só com aquilo ele já conseguia roubar o prazer de Zoro, percebendo que o moreno sentia tanto prazer quanto ele, ou até mais, quando estavam juntos.

Zoro sempre tivera a impressão de ser devorado quando o beijava e, naquele momento, não era diferente. Sanji estava com mais gosto de cigarro em sua boca do que nunca e parecia tão bom na sua saliva que fazia Zoro achar que poderia se viciar no fumo apenas se continuasse a beijá-lo.

O padre tateou o corpo que conhecia com a palma das mãos, mas que ao mesmo tempo estava levemente diferente, e começou a apalpar tudo que conseguia. Sentiu o volume ainda pequeno na bermuda de Sanji e deslizou a mão repetidamente naquela área. Tocava tudo por cima da roupa até sua entrada, passando a mão pelo períneo sensível e sentindo o volume acima crescer cada vez mais. Quando sentiu Sanji molhado mesmo através da roupa achou que era o suficiente.

Eram raras as suas oportunidades de despir o loiro e gostaria de fazê-lo com mais calma, mas Zoro tinha pressa e Sanji tinha fome, então o moreno apenas tentou se livrar depressa daquela parte de baixo inconveniente sem interromper seu beijo. Uma de suas mãos procurava a do loiro, enquanto sua outra mão estava tentando tirar a peça do corpo de Sanji, bastante trêmula. Em qualquer outro momento, Zoro teria se amaldiçoado por tal fraqueza, mas não poderia se importar menos.

Suas línguas ávidas se esfregavam desesperadamente, deixando o loiro excitado com o contato, aquele corpo sensível era o melhor de todos. Seus mamilos começaram a crescer e se tornarem ainda mais sensíveis, cada toque, cada beijo era extasiante, Sanji precisava daquele homem. Ao sentir a mão apalpando seu pequeno volume, ele curvou as costas e as mãos ficaram trêmulas enquanto apertavam os fios curtos e verdes na nuca sensível, obrigando-o a se agarrar ainda mais e gemer no primeiro contato, mesmo assim não se distraiu do beijo, gemendo na boca do moreno e imediatamente voltando a penetrar a língua bifurcada na boquinha safada que o devorava gostoso.

O loiro sentia sua entrada larga se lubrificando aos montes, tornando-o completamente melado e escorregadio, era vergonhoso o quanto estava excitado apenas com alguns toques, ter Zoro tomando iniciativa e o atacando era a melhor sensação de todas, ele queria aquele homem, precisava dele.

— Zoro... — Sanji abriu os olhos em um gemido necessitado e entregue no meio do beijo e viu o moreno focado no que fazia, em dar prazer para ele. Os olhos azuis brilhavam e estavam nublados de prazer, aquela era a melhor visão que já teve.

Cada vez mais o demônio ficava excitado e desesperado por aqueles toques, ter a roupa arrancada daquela forma só o excitava mais, Zoro o desejava verdadeiramente, seu corpo, seus beijos, seus toques, não era só por ser um íncubo, Zoro queria Sanji por ele ser quem era, percebeu tudo isso apenas por sentir a mão do outro tremendo em contato com a sua. Droga, estava tão entregue àquele homem que faria qualquer coisa por ele, mesmo que custasse sua própria “vida”.

Tentar meter enquanto estava ocupado beijando o loiro era um pouco trabalhoso a princípio para Zoro. Mas apenas seguiu seus instintos, se direcionando para onde estava mais quente e molhado que em qualquer outro lugar e logo estava inteiramente dentro do menor, preenchendo Sanji por completo.

Era milhões de vezes melhor do que havia sido mais cedo, Zoro nem conseguiria descrever se quisesse, nem tinha neurônios suficientes para aquilo. Não era apenas o prazer do interior de Sanji, embora ele fosse delicioso e o pressionasse exatamente do jeito que ele gostava. Mas, ele também podia sentir a respiração descompassada de Sanji em seu rosto a cada estocada lenta e intensa, seu coração batendo através dos peitorais colados de ambos, exatamente no mesmo ritmo que o seu.

O loiro gemia tanto entre os beijos que era até difícil continuar o ato, mas Zoro não desistiria daquela boca, continuaria o beijando através de seus gemidos, sugando seus lábios, saboreando o gosto da sua boca. A saliva transbordava da boca de Sanji enquanto ele gemia e Zoro coletava o que podia com a língua, engolindo o líquido quente com prazer.

O plano era não parar de beijar os lábios grossos nunca e seria perfeito se Sanji conseguisse, mas com tanto prazer sendo exalado do maior estava sendo bem difícil. Sanji tentava com todas suas forças usar seu cérebro para manter-se são e não parar de mover os lábios ou a língua, mas a cada estocada, cada pequeno fio de prazer ele perdia o controle e gemia manhoso em desespero, era muito bom, não havia nem como comparar o gosto de Zoro com o gosto de qualquer outro... E não estava falando apenas de sua energia sexual. O marimo era incrível em seus toques, o gosto da boca dele era o melhor que já havia provado, a língua fazia o íncubo delirar, era tudo muito perfeito. E talvez, melhor do que tudo isso junto, fosse ouvir o coração dele batendo tão alto que poderia ser ouvido mesmo se não estivessem tão próximos.

Uma das mãos de Zoro foi até a garganta de Sanji, sentindo seu pomo de adão e apertando suavemente o local enquanto continuava a estocar ritmicamente e beijar o loiro. Não apertava o suficiente para deixá-lo sem ar ou machucá-lo, apenas o necessário para sentir as vibrações da voz de Sanji na palma de sua mão. Queria senti-lo por completo.

Sanji gostava de ser tratado daquela forma, parecia até que ele estava sendo enxergado como alguém, não apenas como um buraco ou um corpo para o humano aproveitar até despejar todo seu prazer. Cada toque de Zoro o fazia sentir que era exatamente o oposto do que sempre foi com todo mundo, de que ele estava o enxergando de verdade e era vergonhoso o quanto ele gostava de tudo aquilo. Sanji confirmou que Zoro não estava o vendo como um recipiente quando sentiu a mão grande em sua garganta e sua respiração continuou normal, tão diferente de tantas vezes em que salvou alguma mulher que seria atacada na rua e tomou seu lugar, sofrendo o ataque no lugar delas, ficando inconsciente…

Sem perceber, Sanji começou a chorar, as sensações eram todas muito intensas para aguentar e ele deveria odiar aquele corpo humano que o deixava tão sensível, mas estava cada vez mais gostando de se portar e agir como um, era tão vergonhoso antes, agora nem tanto...

Em pouco tempo, Zoro sentiu o rosto molhado, o gosto salgado das lágrimas que se misturavam à saliva doce de Sanji, e quis interromper o beijo para perguntar se estava tudo bem com o outro, mas Sanji não deixou que se afastasse nem por um segundo. Quando Zoro se inclinou um pouco o loiro agarrou sua nuca com desespero, quase como se dependesse daquele beijo para continuar vivo e Zoro não o contrariou. Talvez também se sentisse assim. Talvez com ele se sentisse vivo de verdade.

Claro que Sanji não deixaria Zoro se afastar nem por um segundo, iria agarrá-lo e fazê-lo seu para sempre. As pernas se enroscaram nas costas do maior e suas mãos prenderam com mais força sua nuca. Ele continuou chorando, mas não ligava, o beijo não seria interrompido, os corpos não seriam afastados.

A nova posição fazia a ereção ser esfregada intensamente contra o corpo do maior e poderia ser torturante se Zoro não soubesse exatamente como investir. Talvez aquela não foi a melhor de suas ideias, porque o prazer estava muito grande e ele não conseguiria aguentar se conter. As mãos deslizaram para as costas do moreno e sem pensar muito no meio de seu orgasmo as unhas entraram profundamente naquele local e pela primeira vez ele afastou os lábios, não conseguindo se concentrar em nada além do próprio prazer.

Seu interior estava se contraindo centenas de vezes, estimulando com vontade o membro do padre, mesmo que estivesse fazendo aquilo inconscientemente. Ainda estava chorando, as sensações eram muito perfeitas e ele não tinha nenhum controle de seu próprio corpo. O prazer de Zoro era imenso e ele também estava fazendo com que o seu próprio fosse tão imenso quanto.

Zoro gostaria de se controlar e continuar naquela posição para sempre. Mesmo depois de sentir os jatos quentes do orgasmo de Sanji sobre seu peito, mesmo que fosse difícil beijá-lo enquanto ele tentava gemer incoerentemente. Mas não havia esquecido do seu objetivo principal, alimentar Sanji.

E pensar em alimentá-lo com todo seu prazer o fazia se entregar àquilo, às sensações da sua pele em contato com a de Sanji, às contrações que sentia naquele interior tão quente. Seu orgasmo o atingiu como uma onda deliciosa que o envolvia completamente e arrastava qualquer outro pensamento da sua cabeça para longe.

Sanji estava hipnotizado com a demonstração erótica que Zoro lhe proporcionava. Sua garganta secou completamente, enquanto seus olhos azuis não conseguiram desviar o olhar por nenhum instante. O moreno estava se entregando ao prazer de forma tão incomum que tinha a certeza de que era a primeira vez que agia dessa forma. E era lindo. Os gemidos esbanjavam prazer, o rosto avermelhado o deixava ainda mais erótico, a respiração ofegante, o peitoral aumentando cada vez que puxava o ar... Não existia nenhuma visão mais perfeita que aquela e Sanji desejou admirá-la mais vezes.

O loiro ouviu um coração batendo em desespero e desejou que fosse o seu. O que sentiu com aquela visão era sem explicações, fazendo-o até mesmo se distrair do enorme prazer que devorava. Cada gota daquela energia o deixava fora de si e sem dúvidas era melhor do que em todas as outras vezes. Aquele homem o deixava tão confuso, não conseguia compreender como podia, depois de tantos encontros, se tornar mais delicioso a cada vez.

Necessitou tocá-lo. Estava com o rosto corado e uma expressão satisfeita, mas parecia nunca ser o bastante. Não era do sexo, não era do prazer, ele só precisava ter suas mãos deslizando pela linda pele morena, tocando-o cada vez mais e sempre como se fosse a primeira vez.

Zoro não sabia quando havia parado de beijar o loiro, talvez tivesse gemido mais do que o planejado, soltando sua voz sem qualquer controle. O rosto de Sanji ainda estava abaixo do seu e ele respirava tão ofegante quanto Zoro. O padre beijou seu rosto molhado algumas vezes antes de se retirar do corpo menor e erguer o corpo para observá-lo melhor.

— Eu te machuquei de novo? — Ele disse observando as lágrimas que manchavam o rosto bonito e os olhos azuis que se afogavam nelas.

Sanji sorriu timidamente, passando as mãos leve e lentamente pelo pescoço grosso, sentindo a pele quente queimando seus dedos. Não existia nenhuma palavra que pudesse descrever tudo aquilo além de perfeição.

— Não... — O íncubo balançou negativamente a cabeça enquanto mostrava o belo sorriso. Ele tocou o rosto bronzeado com todo carinho que um demônio já havia demonstrado. — Foi perfeito.

Sentia vergonha por admitir aquilo e era algo que normalmente não conseguia sentir. Era um monstro, não deveria ter sentimentos e sem dúvidas não possuía nenhum, Sanji estava certo disso... Mas o que vivia com Zoro o fazia questionar seriamente se aquilo era realmente verdade. Desde o começo o padre despertou um interesse estranho nele e cada vez que se conheciam mais aquele interesse aumentava e o confundia.

Sabia que grande culpa de tudo isso era devido a casca falsamente humana em que o outro insistia em fazê-lo usar e por ser tão fraco, não conseguia controlar os poderes e acabava sendo iludido por sentimentos que não eram dele e sim apenas do receptáculo. No entanto, talvez não fosse tão ruim assim se aproveitar daqueles sentimentos mais um pouco.