Incubus Love
19 Devilish Wife
Notas iniciais
Nos últimos tempos, as visitas do íncubo estavam sendo cada vez mais frequentes. No começo, era uma vez por mês, que se passou a uma a cada semana, para depois de a cada quatro ou três dias, dois... E, finalmente, Sanji estava indo visitar Zoro todos os dias sem falta.
Não por seu apetite sexual ter aumentado, afinal, seria impossível que aumentasse algo que já era infinito, e sim por ele unicamente gostar de passar tempo com o padre. Zoro era a criatura mais irritante de todo o universo. Ele era burro, rude, feio, insuportável, detestável e todos os outros elogios que pudesse pensar, e mesmo assim diariamente voltava lá para vê-lo, sempre ficando por horas, mesmo que não se relacionassem sexualmente. Era agradável.
Outro fato engraçado que havia mudado bastante era a roupa que aparecia para o moreno. Era notável o quanto o outro estava se tornando mais... Fetichista, talvez? Se no início o humano desejava que ele surgisse com um simples kimono, atualmente o desejo havia evoluído até para uma fantasia de diabinho erótico, por exemplo. Sanji sempre soube que Zoro era um padre safado, mas cada vez mais ele ficava à vontade para demonstrar seus verdadeiros desejos.
Mas, honestamente, era a primeira vez que Sanji aparecia vestido dessa forma. Fazia alguns minutos que estava parado na frente do espelho de corpo inteiro se admirando. Estava em seu corpo masculino, mas a roupa que trajava era feminina. Um vestido de noiva, com direito a véu e grinalda. Mas não uma fantasia sexy ou erótica, era realmente só um vestido de casamento que o deixava estonteante, pronto para subir ao altar. Seu rosto queimou com o pensamento dele e Zoro em um altar, casando na frente de um padre. Irônico, parecia uma piada de mal gosto. Talvez estava assim só pelo moreno sentir tesão nesse tipo de roupa e desejasse fodê-lo vestido dessa forma, o que honestamente, não era má ideia.
Sanji saiu do quarto e desceu até a sala, encontrando o humano mais delicioso de todos usando um óculos, o que o deixava ainda mais gostoso, e lendo a bíblia. Ironia fazia parte da vida deles mesmo. Ao se aproximar mais, pôde notar que estava usando um bonito terno, tão diferente da batina que sempre deixava o loirinho de pau duro, mas vê-lo todo social talvez tenha feito seu pau levantar também.
— Sentiu minha falta, marimo? — Sanji perguntou com o sorriso mais lindo e encantador de todos, iluminando o ambiente quase vazio de seu humano preferido ao aparecer em sua frente trajando o belo vestido de noiva bem marcado em seu corpo esguio.
— Falta de quê? Você vem aqui todo dia, Kokku. — Zoro falou sem desviar o olhar da página do livro, num tom bem-humorado. O que era raro, já que qualquer coisa que falava mais se assemelhava a um grunhido do que à fala humana. Mas, talvez apenas estivesse ficando menos rabugento com a idade, o que pela lógica deveria ser o contrário. Zoro só estivera de bom humor nos últimos tempos.
Quando finalmente terminou de ler o versículo em que estava, se certificando de que não tinha falado nada errado mais cedo, olhou na direção de Sanji e suas sobrancelhas quase escaparam de seu rosto de tão alto que foram parar em sua testa. Aquilo... Era apenas por ter visto algo semelhante naquele dia, óbvio.
Naquela manhã, Zoro celebrou um casamento simples na capela. Não costumava realizar tanto essa parte da sua atividade como padre, a vila era bastante pequena e nem costumavam acontecer tantos casamentos assim, ainda mais naquela capela tão humilde. Mesmo assim, tirou seu terno do armário e fez o que devia fazer, abençoando os noivos jovens e felizes.
No entanto, por mais que sua mente arranjasse desculpas, insistindo que aquela roupa apenas ficou marcada em sua memória visual, o que Zoro não queria admitir era que em certo momento, mesmo que brevemente, seus pensamentos flertaram com a ideia de ver Sanji vestido daquela forma. Ele não sabia o porquê, e não pensou nada pecaminoso naquela hora nem nada do tipo, ele apenas... Apenas imaginou como Sanji ficaria vestido de branco daquela forma. Angelical. Foi o adjetivo que sua mente automaticamente atribuiu, não se importando com a ironia da coisa.
Zoro ficou olhando para Sanji ali ao seu lado, o sorriso perfeito e caloroso em seus lábios apenas reforçava a descrição que havia pensado para ele, e o véu emoldurava seu rosto bonito como algo sagrado e puro. Zoro estava desconcertado com aquilo. Com seus desejos e pensamentos estranhos. Aquilo era cem vezes pior que qualquer roupa pervertida que o loiro já tivesse vestido em sua presença. Como se pensar nele de forma casta fosse ainda mais pecaminoso, fosse estar ainda mais perdido por ele.
Então, tentando afastar os sentimentos puros, ele fez o contrário. Notando que o loiro já parecia estar bastante excitado, como se alguma vez não estivesse, Zoro apenas levantou e impôs seu corpo musculoso no corpo magro e menor até atingirem uma das paredes da sala.
— Você faz ideia do quão lindo está? — Zoro falou na curva de seu pescoço, se condenando no mesmo segundo. Não conseguia dizer nada além disso. Se abrisse mais a boca talvez falasse que Sanji estava perfeito e impecável. Que patético.
As mãos trataram de logo levantar o vestido longo, não achando nada que o cobrisse por baixo além da cinta-liga que prendia suas meias. Aparentemente seu desejo não era assim tão puro quanto pensava. O que apenas fez com que quisesse afirmar ainda mais aquilo, não perdendo tempo em desfazer a calça com pressa, abaixando minimamente a cueca apenas para libertar sua ereção e se enterrar urgentemente naquele buraquinho melado que já tinha seu formato de tão acostumado a ele.
Sanji não se deu conta de como acabou contra a parede, foi tão rápido que ele sequer teve tempo para pensar sobre. E da mesma forma rápida que foi ele ser prensado ali, foi para sentir Zoro o penetrando, fazendo-o gemer manhoso, deliciado com a invasão tão repentina. Então ele se empinou, arrebitando sua bundinha linda, curvando o corpo e apoiando as mãos na parede. O padre parecia totalmente necessitado dele, a forma que o invadia era deliciosa como sempre, mas algo parecia estar dando um prazer a mais na situação. Estavam vestidos de noivos, como se tivessem casado e agora estavam desfrutando de sua lua de mel. Era lindo. Queria não ter pensamentos românticos, mas sempre teve uma queda por essas coisas, por mais que ali fosse apenas uma agradável ilusão.
Ele precisou se focar nesses pensamentos para não dar importância ao real problema. As palavras de Zoro. Ele havia dito que Sanji estava lindo e o demônio só conseguiu corar vergonhosamente, sentindo emoções que não compreendia. Durante todo o ato as palavras se repetiram em sua cabeça. Ele fechou os olhos para aproveitar cada invasão perfeita e tentou se focar naquilo, seria bem simples se o moreno não estivesse diferente das outras vezes. A forma que ele o tocava, como beijava sua nuca tão apaixonadamente, como sua mão segurava seu queixo e os dedos penetravam sua boca, como ele puxava a cinta liga e estalava em sua pele branca. Sempre tão prazeroso. O íncubo achou que enlouqueceria a cada novo toque. Sua boca chupava um dos dedos, enquanto sua bundinha investia levemente para trás a cada estocada, estava delirando. Seus gemidos estavam mais altos que nunca e nem fazia sentido por não estarem transando tão intensamente. Era lento, gentil, calmo, suave, apaixonado...
Quando a mão deixou de segurar seu rosto e pousou por cima de sua própria mão, entrelaçando os dedos e os apertando com força, ele abriu os olhos e tentou olhar levemente para trás, vendo a expressão linda do moreno que parecia amar aquilo. Por mais necessitado e desesperado que estivesse, era tudo vagaroso e eles aproveitavam mais do que nunca. Zoro era lindo, mas ele sentindo prazer era ainda mais perfeito.
O coração de Sanji estava tão quente e descontrolado que ele achava seriamente que explodiria a qualquer instante. Então ele viu na outra mão quando voltou a olhar para a parede algo que antes não existia e engoliu a seco ao mesmo tempo que sorriu bobo, completamente perdido em emoções. Era uma aliança de casamento em seu anelar, como se o que estavam fazendo confirmasse o casório. Que pensamento mais idiota, era apenas por causa da fantasia, ele era um demônio, não podia se casar com um humano... Por mais que existissem casos do tipo.
Zoro apertou a mão de Sanji ainda mais e passou os dedos pelo objeto que cintilava chamando atenção em dourado. Aparentemente sua ideia de foder para desviar a atenção dos seus desejos não estava adiantando em nada. Na verdade, ele poderia argumentar até que havia piorado, já que sabia o suficiente sobre a relação entre o que desejava e a forma como Sanji aparecia para ele para saber que aquela aliança não era nenhuma coincidência e sim fruto de sua própria mente. Não conseguia mentir que gostava das implicações daquilo, gostava daquele vestido, gostava de beijá-lo como se fosse precioso e de meter da mesma forma. Gostava de Sanji, e aquilo era mais prazeroso que tudo.
— Zoro... — Sanji gemeu bem baixinho ainda com a boca cheia pelos dedos, ao começar a senti-lo pulsar tão desesperadamente em seu interior. Ele se contraia para apertá-lo mais, fazê-lo sentir mais prazer, enquanto sua própria ereção estava abandonada babando em suas coxas. Se continuasse assim Zoro ia gozar muito rápido, ele já parecia estar tão próximo que só restou ao loirinho levar a mão com a aliança e se tocar gostoso, ritmando os movimentos com as investidas.
Necessitado, o demônio virou outra vez seu rostinho lindo para trás e chamou o moreno de forma entregue, em segundos seus lábios foram capturados e eles começaram a se beijar sem nenhuma coordenação, mas só de conseguir aquele contato incrível já era o suficiente para ambos. Assim como havia imaginado, o moreno durou poucos minutos, logo se derramando em seu interior, o preenchendo e fazendo todo seu corpo ferver. Sanji gemeu mais deliciado ao receber todo o gozo do que quando teve seu próprio orgasmo, que chegou instantes depois em sua própria mão... Talvez nas coxas também... E no vestido branco... Ele sentiu o corpo maior caindo por cima do seu e voltou a apoiar as duas mãos na parede, sustentando os dois corpos enquanto sentia os braços largos envolvendo sua cintura fina e o rosto se afundar em seu pescoço, coisa que o deixou confusamente envergonhado.
Zoro estava satisfeito. Ainda investia de leve, mesmo depois do orgasmo, apenas num ritmo muito lento e confortável, seu corpo caindo e ao mesmo tempo segurando o corpo menor. Sua mão inconscientemente foi parar no véu que cobria os cabelos dourados de Sanji e Zoro acariciou o tecido macio, tão branco e tão puro, a aparente antítese do que eles eram e do que faziam. Mas talvez ele não pensasse daquela forma. Talvez existisse espaço para o adjetivo de antes, angelical, ser apropriado se tratando de Sanji. Enquanto o tinha em seus braços daquela forma, Zoro acreditava nisso
.— Foi... Diferente. — Sanji murmurou baixinho em um tom quase inaudível. Olhou para sua mão na parede, para o gozo melado que a sujava, a aliança de ouro brilhando completamente banhada de porra, como se assim fosse o estado perfeito. Agora estava casado, mesmo de brincadeira. — A lua de mel mais perfeita.
Sanji disse iludido, sorrindo bobo com o pensamento. Casar com Zoro não parecia tão ruim assim... Ele lembrou do elogio anterior e imediatamente mudou de ideia, achando que era a pior coisa de todas, a mais vergonhosa. Ainda que... Gostava de saber que o moreno achava que ele ficava lindo em um vestido de noiva. Que o achava lindo.
— Se é assim... — Zoro aproveitou a deixa das palavras sussurradas por Sanji e, suas forças já recuperadas e a calça devidamente abotoada, pegou Sanji no colo e o levou até o sofá. Talvez se aquilo acontecesse alguns meses antes Zoro se afligiria diante da mera menção àquilo. Mas, há alguns meses, o loiro não diria aquilo em murmúrios inseguros, falaria em alto e bom tom de provocação, demonstrando o quão completamente oposto seu relacionamento era.
Sentou no sofá com o loiro no colo e tudo, ao invés de largá-lo como um saco de batatas como geralmente faria, e observou seu rosto. Sanji não parecia exatamente estar gostando, mas sua expressão era mais de incredulidade e o rosto estava mais vermelho do que Zoro jamais havia visto.
— Era suposto me carregar como noiva antes de consumar a lua de mel, marimo idiota. — Sanji murmurou ao envolver os braços na nuca do outro como forma de se segurar, ao mesmo tempo que escondia o rosto muito corado na curva do pescoço dele. Realmente um completo idiota que só fazia coisas que o confundiam totalmente.
Sanji ficou alguns minutos em silêncio, inquieto e por mais que se sentisse confortável na posição calorosa em que estavam, ainda se sentia muito desconfortável, o que não fazia sentido. Então ele resolveu sutilmente se sentar no sofá.
Zoro arqueou uma sobrancelha, mas deixou que saísse dos seus braços, sentando a seu lado enquanto endireitava o vestido. O padre ligou a tv e relaxou um pouco no móvel, deixando um silêncio confortável se estabelecer enquanto assistiam algo aleatório e Sanji repousava a cabeça, agora sem o véu, em seu ombro.
Os olhos do loiro a todo instante voltavam para a aliança em seu dedo, até que começou a se sentir incomodado com o objeto e passou a tocá-lo, rodeando-a em seu dedo, até que a retirou por completo. Ele sorriu ao olhar dentro e ver que o nome de Zoro estava gravado ali, era engraçado como a imaginação do moreno pensava até nisso. Mesmo assim ele não estava satisfeito. Assim que fosse embora, aquilo sumiria. Era só mudar o que vestia que o objeto não existiria mais e tudo não ia deixar de ser coisa de uma noite, não deveria ser assim.
Porém, o que mais estava incomodando, era que Zoro não tinha uma igual. Não tinha uma aliança com seu nome gravado e era totalmente injusto. O demônio franziu o cenho irritado e segurou na mão do outro, colocando a aliança em seu dedinho, o único que coube minimamente, ainda ficando muito apertada.
— O noivo também precisa usar uma. — Ele disse brincando, com um lindo sorriso estampado nos lábios rosados e talvez não fosse tão brincadeira assim.
— Ah, é isso que você quer? — Zoro falou no mesmo tom de brincadeira que Sanji. E não foi apenas isso que ele espelhou, mas também seu sorriso, que foi copiado naturalmente pelos seus próprios lábios, como causa e consequência, como se vê-lo sorrir fosse o único catalisador necessário para o seu próprio sorriso.
Sanji ficou bobo ao ver o padre sorrindo. Era tão lindo e encantador que seu coração disparou e parecia estar pegando fogo de tão quente e agradável. Como ele ousava dizer que o moreno tinha uma cara feia sendo que ficava totalmente caído por ele a cada expressão diferente da habitual que mostrava?
Zoro observou a aliança elegante apertada em seu dedo mindinho pouco delicado e não sabia direito o que pensar a respeito. Sanji estava brincando, ele sabia pelo tom de falsa indignação e manha que estava usando, perfeito para quando queria fazer esse tipo de piada. Mas seu sorriso, este não parecia vacilar nem por um segundo, não parecia de escárnio ou deboche, nem de auto-satisfação com seu próprio senso de humor. Parecia tão genuíno que Zoro por um segundo teve que desviar o olhar e voltou a observar o anel reluzindo em dourado em sua pele morena. O que não era a melhor das ideias porque, mesmo nem estando no dedo certo, fazia seu estômago se revirar continuamente. Só Sanji para fazê-lo se atrapalhar por algo tão mínimo e idiota.
— Imagina se os seus desejos que escolhessem as minhas roupas também que dor de cabeça que seria. — Zoro voltou sua atenção para a tv e se deixou rir um pouco embora soubesse que apenas estava dando munição ao loiro. — Aposto que seriam as coisas mais vergonhosas e indecentes.
— Talvez. Mas... — Sanji olhou o corpo moreno de cima a baixo, desde os sapatos até o colarinho da camisa. Era difícil pensar em uma roupa pervertida quando um simples terno, ou até mesmo apenas a batina, já deixava Zoro perfeitamente irresistível. — Acho que você se surpreenderia.
Ele não disse mais nada, apenas se aninhou confortavelmente no outro, agarrando o braço forte e voltando a deitar o rosto em seu ombro, sentindo que não havia melhor posição do que aquela.
Os dois acabaram se distraindo com um filme engraçado que passava na tv, e mesmo Zoro várias vezes resmungando como um velho de que não achava graça naquela comédia pastelão, não foram poucas as vezes que o loirinho o notou dando uma risada contida. Como sempre o padre apenas fazia pose. Já estava de noite quando o filme terminou e ele se deu conta de que precisava ir... Mesmo que não tinha nada marcado para ser feito fora dali.
— Acho que já deu minha hora. — O loirinho disse se espreguiçando, sentindo até um pouco de dor nos ombros causado pelo peso do vestido. Não era algo para se ficar o dia inteiro, deveria ser usado apenas na cerimônia e tirar após a sessão de fotos. Mesmo um íncubo acabava sentindo cansaço.
Zoro observou a expressão de Sanji enquanto esticava os braços e o viu apalpar os ombros em desconforto, o que fez com que se oferecesse para ajudá-lo, embora o loiro não tivesse dito nada e até tivesse soltado a deixa para se despedirem.
— Se estiver com dor eu posso te fazer uma massagem. — Zoro ofereceu desajeitadamente, segurando de leve o pulso de Sanji antes que ele pudesse levantar completamente do sofá. Sanji lançou-lhe um olhar questionador e Zoro acrescentou: — Sou acostumado a cuidar da minha própria musculatura.
Depois que o loiro concordou, Zoro primeiro o ajudou a tirar a parte mais pesada e exagerada do vestido, o deixando apenas com o vestido bastante simples que ficava embaixo de todas aquelas camadas. Posicionou Sanji de costas para ele e levou as mãos até os ombros do loiro, tateando a pele branca um pouco hesitante. Era diferente tocar o corpo de Sanji enquanto não estavam transando. Não que nunca se tocassem fora de um contexto sexual, mas era diferente a perspectiva de passar um tempo basicamente acariciando a pele dele. Embora de maneira alguma fosse uma perspectiva ruim.
— Se você fosse humano eu poderia recomendar algum alongamento ou algo do tipo, mas realmente não sei como você funciona. — Zoro disse enquanto ainda não fazia muita pressão com as mãos, mas podia sentir como os ombros estavam tensos e provavelmente doloridos. — Quer dizer, você só precisa da energia das pessoas para se manter vivo e isso regenera todas as suas forças como mágica ou algo assim?
— Eu não sei? — Sanji disse sincero, parando para pensar no assunto. Afinal, seu corpo real, os corpos que usava para se relacionar com outros humanos e aquele corpo que usava apenas com Zoro eram coisas completamente diferentes e não é como se existisse um guia do corpo demoníaco para ele consultar e tirar dúvidas. — Deve ser algo do tipo. Mas quando estou com você meu corpo se torna sensível, então não deve funcionar como normalmente. Afinal, se fosse no corpo que usava apenas uma vez com outras pessoas, mesmo que me cortassem, eu não sentia nada.
Sanji relaxou com os toques do outro, os braços ficando moles, o corpo todo parecia que aos poucos ia derretendo, Zoro era bom com as mãos, ele sabia bem como tocá-lo. Então ele fechou os olhos e se entregou de corpo e alma, apagando todos seus pensamentos não importantes e ficando apenas quietinho apreciando a massagem agradável, que só se tornava melhor toda vez que sentia a aliança em contato com sua pele.
Zoro pressionava com um pouco mais de força os dedos grossos na carne macia, ainda que tentasse não ser bruto, mas tudo se tornava mais fácil por Sanji praticamente derreter em seus braços. Era bom. Suas pernas envolviam o corpo menor e se Zoro interrompesse a massagem e se inclinasse um pouco para frente eles se encaixariam num perfeito abraço. Mas Zoro apenas ignorou esses pensamentos idiotas e continuou com o trabalho, ganhando um pequeno gemido de satisfação de Sanji de vez em quando.
— Sei. — Zoro ainda não gostava de ouvir nada relativo a quando não se conheciam, a quando Sanji se oferecia para outros humanos, mesmo que não fosse naquele corpo. E também não gostou da forma como ele falou sobre cortarem ele, como se já tivesse acontecido e não fosse apenas hipotético. Mas havia algo ainda mais importante naquela afirmação que Zoro não conseguia conter sua língua o suficiente para deixar de perguntar. — Apenas uma vez? Só usava o corpo... Uma vez?
— Ah, é só que... Eu nunca voltei para me alimentar do mesmo humano. — Sanji disse baixinho e tombou de leve a cabeça para trás, se apoiando no ombro do moreno e atrapalhando completamente a massagem. — Hmm... Bom, na verdade eu voltei a procurar alguns vez ou outra, mas a energia deles se tornava tão menos apetitosa que não fazia sentido insistir.
— Ah... — Zoro não sabia se aquilo era algo bom ou ruim, não sabia como se media a energia sexual de alguém ou se ter uma energia apetitosa o tornava um pervertido ou algo do tipo. Só sabia que em seu íntimo ele ficava satisfeito com aquela resposta. Em saber que Sanji jamais havia voltado para alguém como fazia com ele.
Sem perceber o loiro havia se aninhado no outro, levado o corpo um pouco mais para trás e puxado discretamente os braços para envolver seu corpo esguio, sentindo-se acolhido no peito do moreno. Ele olhou para o lado, os olhos brilhando no tom azul céu e sorriu do jeitinho bobo que andava cada vez se tornando mais frequente.
— Com você foi... Diferente. Sua energia sempre foi diferente. — Ele sussurrou e seu corpo estava se encolhendo nos braços do maior, completamente carente e manhoso. Sua mão pegou a do moreno e começou a brincar com a aliança no dedo mindinho, rodeando-a sem retirá-la. — Com você sempre foi tudo diferente...
— Diferente... — Zoro gostava da forma como aquela palavra deixava os lábios de Sanji e por isso gostou de repeti-la ele próprio. Embora fosse um adjetivo bastante vago, ele tinha uma sensação boa quando Sanji se acolhia tão próximo de si e dizia aquilo baixinho como algo precioso. E estar com ele naquela posição era tão confortável. Os últimos dias todos haviam sido tão confortáveis. Sempre juntos, como se nunca estivessem estado separados. Ele não sabia o quão certo era aquilo. Não parecia ser a norma para Sanji, era um território novo e ele não podia deixar de pensar sobre aquilo. Em como mesmo sendo diferente, ele ainda era apenas um humano, e cada vez com Sanji poderia ser a última se dependesse do íncubo. — Sabe... Você me pergunta isso sempre. Me perguntou hoje. Mas... Eu senti muita falta sua quando foi embora daquela vez.
O corpo de Sanji se arrepiou ao ouvir aquelas palavras. Ao mesmo tempo que ele sentiu frio, também sentiu o calor interno mais agradável de todos. Ele xingou o moreno em sua mente e talvez tenha deixado escapar bem baixinho o xingamento, chamando-o de idiota como sempre fazia. Se encolheu ainda mais nos braços fortes, apreciando o contato, o carinho. Quando que ele poderia fazer isso com outros humanos? Ele nem mesmo sentia vontade de fazê-lo. O que sentia por Zoro também era diferente, ele não estava ali por sua energia, tanto que muitas vezes se esquecia de tomá-la, como nesse mesmo dia. Era tudo diferente e agradável.
— Eu também... — Sanji sussurrou ainda mais baixo, mas tinha certeza que Zoro pôde ouvir a confissão vergonhosa. Era impossível medir o quanto ele havia sentido falta do moreno. De seus toques, sua voz, seus beijos, seu carinho. Como se não pudesse mais viver sem estar ao lado dele. Era idiota e não combinava com um íncubo, mas Sanji cada vez menos parecia ser um íncubo.
Zoro, que até então tinha apenas deixado Sanji se abrigar no seu peito, o abraçou com ênfase, com vontade. Os braços fortes envolviam o corpo magro ainda embalado pelo tecido fino do vestido branco, confortando Sanji sem nem saber exatamente do quê. Zoro só queria abraçá-lo e tê-lo junto a si, e pela forma como o outro se derretia e relaxava em seus braços sabia que ele também queria que fosse assim.
— Então, faça uma coisa por mim. — Zoro afrouxou seu aperto um pouco e ergueu o rosto de Sanji na direção do seu. Ele tirou a franja loira do caminho e permaneceu encarando os olhos azuis, ambos descobertos agora, antes de concluir. — Nunca mais faça aquilo de novo.
Inconscientemente, os olhos azuis de Sanji ficaram marejados, se enchendo de lágrimas, o que os tornava ainda mais brilhantes. O que Zoro havia dito, aquilo era um completo absurdo e o que o loiro mais desejava. Antes, todas as vezes em que reencontrava um humano, ele já não era mais lembrado e desde que o moreno afirmou com todas as letras que se lembrava, Sanji se sentiu estranho, aquilo era errado e não deveria acontecer, mas aconteceu e meses haviam se passado e Zoro nunca o esqueceu. Deveria ter algum significado por trás disso e enquanto não descobrisse, ele não iria deixá-lo, nem queria.
— Eu não vou embora por muito tempo, Zoro. — O demônio disse sorrindo tão lindo que parecia o anjo mais belo de todos. As mãos delicadas tocaram o rosto moreno e o puxou para mais perto com cuidado, selando os lábios por um único instante, calmo e gentil... Amoroso. — Eu prometo.
Zoro confiava no que era dito, confiava em seu sorriso e em seus toques. Em cada pequenino gesto de carinho vindo de Sanji que o assegurava que ambos queriam a mesma coisa, ficar perto um do outro.
Sanji transmitiu confiança em suas palavras. Demônios não costumavam ser muito confiáveis, mas naquele momento Zoro podia confiar nele. Além disso, não havia motivos para partir.
— Então amanhã eu volto. Voltarei todos os dias. — Sanji afirmou preguiçosamente enquanto tentava se afastar do corpo maior.
— Você sabe que pode ficar aqui, não é? Não faz sentido ir e vir todo dia. — Zoro disse porque era lógico. Sanji parecia ir embora todos os dias como uma mera formalidade, sempre tentando arranjar desculpas para ir embora, como se precisasse. Quando na verdade, não tinha porque. Não precisava apenas dormir ali quando acontecia sem querer, nem precisava se retirar por já ter passado tempo demais ou algo do tipo. Zoro não realmente se importava. Poderia passar o tempo que quisesse, e a forma como Sanji agia o dizia que ele queria.
— Oh. — Foi a única coisa que saiu da boca do loiro em resposta. Aquilo deveria ser a coisa mais óbvia de todas, sem dúvidas era, mas ele só se deu conta disso quando o moreno falou. Fazia completo sentido. Como ele não havia percebido antes? Talvez apenas estivesse com medo.
Sanji podia ficar ali para sempre. Ele não precisava ir embora, voltar para o lugar que odiava. Podia ficar ao lado de Zoro, especialmente agora que estavam casados. Se ele achou que a brincadeira do casamento não fosse constrangê-lo só de pensar no assunto, estava completamente errado, porque seu rosto inteiro se tornou rosa e ele nunca sentiu tanta vergonha.
No fim estavam mesmo casados ou algo do tipo, se ver todos os dias, viver debaixo do mesmo teto, transar e passar muitas horas não fazendo nada, era isso que significava casamento. O loiro realmente estava envergonhado e tentando se esconder no pescoço do outro de tanta vergonha. A ideia do casamento o aterrorizava, tanto quanto o deixava extremamente bobo e feliz.
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