Incontado

7 O apartamento


Notas iniciais
Eu sei que eu demorei de mais e que eu sempre prometo tentar não demorar... Mas eu juro que eu não consegui mesmo terminar antes! espero que gostem!

Em poucos minutos chegaram até o apartamento. Emma arrombou a porta de forma rápida e ambas entraram.

_Como sabe que o dono não esta ai? (Regina perguntou num sussurro.)
_O dono está morto. (Emma concluiu de forma tristonha.) Neal morava aqui...

Regina sentiu engolir em seco ao ouvir o nome de Neal. Era um incômodo estranho, não era muito natural ter ciúme de um defunto, mas ela não conseguia simplesmente não se importar de estar na casa que era dele. Sem que percebesse começou a pensar se Emma ficaria triste caso ela morresse. Era algo bobo, mas queria muito saber que ela se importaria.

_O que foi? (A loira perguntou notando o olhar perdido da outra.)

Regina só balançou a cabeça saindo de seu devaneio e disse tocando levemente o ombro da loira:

_Deve ser doloroso para você estar aqui.

Emma a olhou intrigada, mas ela logo se explicou:

_Lembra que daquela vez, que você viu flahs das minhas memórias você me perguntou quem era Daniel?

A loira balançou a cabeça positivamente então Regina prosseguiu:

_Ele foi alguém que eu perdi há muito tempo atrás. Ele trabalhava nos estábulos. Desde então nunca mais me senti totalmente à vontade nos estábulos, sempre me lembrava dele.

Emma cruzou os braços um pouco desconfortável com o rumo da conversa, mas foi a morena que concluiu o assunto.

_Só queria dizer que eu entendo como você se sente e se não quiser ficar aqui podemos ir para outro lugar.

A morena falou sinceramente, mas de certa forma torcia para Emma não querer ficar ali, saber que aquele lugar poderia significar tanto para Emma a incomodava mais do que devia.

_Esta tudo bem. (Emma disse andando cabisbaixa pelo apartamento.) Eu não tive muitos momentos com ele aqui. Aliás, nós tivemos momentos mesmo dentro do fusca, nunca ficávamos num só lugar...

_Viviam viajando? (A morena perguntou se interessando pela história, mesmo que ainda incomodada.)
_Mais ou menos... (A loira disse dando uma leve risada.) Nós estávamos rodando o país roubando o necessário para sobreviver. Basicamente isso.

Aquilo quase fez Regina se entregar em um sorriso ao notar certa semelhança. Ao invés disso, ela arqueou a sobrancelha demonstrando surpresa com a resposta, então a outra voltou a se explicar:

_Olha, eu não me orgulho disso, mas eu tinha 17 anos, nenhuma família e...
_Não estou te julgando. (A morena disse de forma serena segurando a mão de Emma.)
_Parecia que estava. (A loira disse com um suspiro.)
_Só me surpreendi porque isso era mais ou menos como o que nós duas estamos fazendo agora... (Ela disse de forma simples deixando a loira boquiaberta com a resposta.)

Os olhos se conectaram e então Emma olhou para as mãos delas que estavam entrelaçadas.

_Não tinha pensado por esse ângulo... (Ela disse vacilando um pouco, mas desviando do olhar e do toque de Regina e indo até a geladeira.) Acho que vamos ter que pedir pizza, não tem nada de comer aqui.

A morena suspirou ao ver a brusca mudança de assunto, mas acabou cedendo:

_Ou podemos usar as coisas que roubamos e que estão no carro. (Ela disse já pensando em cozinhar.)
_Sério que quer cozinhar agora? (Emma perguntou com uma cara divertida.)
_Eu poderia fazer lasanha. (Ela disse dando ombros.)
_Podemos pedir pizza tipo agora e deixar a lasanha pro almoço? (Emma perguntou ao sentir seu estômago roncar.) Estou realmente com fome, quero algo rápido.

A morena deu ombros. Emma então pegou o telefone da casa e discou a primeira pizzaria que apareceu.

_Pode ser peperoni?
_Não tem nada mais gorduroso não? (Regina perguntou com sarcasmo.)
_Quatro queijos talvez? (Emma disse revirando os olhos.)
_Peça marguerita. (Ela disse com ar autoritário.)
_Ok. Boa noite. (Ela começou a falar no telefone.) Vamos querer uma grande de Marguerita e outra de peperoni.
_Duas pizzas? (A morena perguntou arregalando os olhos) Ficou maluca?
_Isso, pode trazer uma coca cola dois litros também, por favor. (A loira continuou o pedido ignorando completamente os protestos da outra.)

Quando a loira desligou o telefone a morena começou a ralhar:

_O que é que te deu na cabeça? Você vai comer uma pizza inteira?
_Não... Vou deixar umas duas fatias pro café da manha... (Emma falou como se fosse a coisa mais normal do mundo)

Regina ficou embasbacada e revirou os olhos, mas não quis discutir. Em pouco tempo elas jantaram, depois disso Emma correu para o banheiro feito uma criança dizendo que tomaria banho primeiro. A morena balançou a cabeça em reprovação, mas não se conteve a abrir um sorriso sozinha. Emma a deixava num estado completamente estranho, era como se flutuasse a cada gesto estúpido dela. Ela olhou pela janela e ao ver estrelas seu sorriso desapareceu. Lembrou de seu pequeno príncipe desejando que ele soubesse o quanto ele fazia falta.

Seus devaneios não duraram muito, pois logo Emma saiu do banho a dizendo para ir tomar uma ducha também. Ela entrou no box pequeno do banheiro, tinha um pouco de limo então ela entrou com um chinelo que estava ali (provavelmente Emma havia o usado.). Ela foi então até o chuveiro e deixou a água correr pelos ombros, pela cabeça para ver se a água fria lhe devolvia a sanidade.

Ela estava louca por Emma. Literalmente louca, mas não sabia como agir ou o que fazer com todos aqueles sentimentos. Uma lágrima silenciosa se misturou à água que rolava por sua face. Ela reprimiu o choro e tentou, com todas suas forças, se convencer que ela conseguiria esquecer aquilo tudo quando voltasse para seu filho. Ela precisava acreditar nisso, pois se não acreditasse ai sim a batalha estaria perdida. Ela tinha certeza que Emma jamais a corresponderia

Saiu do chuveiro, secou o rosto e se olhou no espelho tentando esconder a cara de choro. Foi caminhando até o quarto. Olhou para a única cama do cômodo e viu a loira deitada só de calcinha e sutiã. Não podia deitar naquela cama junto com Emma Swan, ela se sentia frágil e vulnerável e com toda aquela coisa que estava sentindo por Emma tinha medo de acabar cedendo aos impulsos. Desviou o olhar rapidamente e se voltou para ir dormir no sofá.

_Hey! (Emma a chamou lhe fazendo virar subitamente.)
_Hey..? (Ela respondeu estranhando.)
_Aonde você vai?
_Pro sofá (A rainha disse sem fazer questão da cama.)

A xerife a olhou com ar intrigado. Não fazia muito o feitio de Regina não brigar por conforto. Ao se tocar disso Regina então logo tratou de tentar corrigir o que havia falado:

_A não ser é claro, que você me deixe ficar com a cama, agora entendi o motivo daquela correria para tomar banho.
_Não corri pra tomar seu lugar, por favor, a cama é grande o suficiente para nós duas, deita ai sem bobeira.
_Não obrigada. (Ela disse em tom seco.) Não costumo dividir a cama com qualquer pessoa.
_Fala sério! Somos mulheres! E eu sou a mãe do seu filho e não qualquer uma

A loira disse brincando, mas para o desespero de Regina suas bochechas ruborizaram.

_Fora que você já dormiu bem mais apertada comigo na barraca da floresta, para com isso vai... (Emma disse jogando um travesseiro na outra.)

A rainha nem pensou e revidou atirando o travesseiro de volta. Emma começou a rir e atacou a rainha com travesseiradas. A morena se rendeu e entrou na brincadeira e as duas ficaram por um tempo rindo entre golpes. Aquela era a primeira vez que Regina brincava de guerra de travesseiros. Em cerca de quinze minutos ela conseguiu se divertir mais do que em metade da sua vida,.

A loira interrompeu a brincadeira, quando se aproximou da outra e lhe deu uma banda a fazendo cair na cama. O corpo de Emma caiu por cima do dela, fazendo os rostos se aproximarem de mais. Regina arregalou os olhos com a proximidade e empurrou Emma quase que por reflexo. Ela caiu sentada no chão fazendo um bico.

_Pra que tanta violência? (Emma perguntou fingindo irritação, mas se segurando para não rir da cara de preocupação da outra.
_D-desculpe... (A morena disse a ajudando a se levantar.)
_Ta ok! ( Ela respondeu se jogando na cama ainda rindo.) Agora para de palhaçada e deita logo aqui, mas sem me jogar pra fora da cama dessa vez!

Ela então se virou para o lado e se cobriu para dormir. A morena soltou um suspiro ao observa-la e resolveu se render e deitar também. Virou-se para o lado oposto da loira e fechou os olhos tentando não pensar no quão próximas estavam.

_Boa noite Regina.
_Boa noite Emma. (Ela respondeu sentindo seu coração bater mais forte em seu peito.)

Ela achou que fosse ser difícil adormecer tão perto de Emma Swan, mas talvez pelo cansaço da viajem o sono veio rápido e pesado, ela só acordou no dia seguinte. Ao levantar foi para cozinha e viu Emma comendo a pizza do dia anterior. Lançou um olhar de reprovação à loira que logo lhe disse:

_Bom dia Bela adormecida!

Ela revirou os olhos com o comentário e revidou:

_Posso não ser mais a Rainha, mas não apela porque eu consigo matar alguém mesmo sem ter magia.
_Já reparei que você é do tio mau humorada ela manhã. (Emma disse segurando o riso.)
_E já vi que você é tipo sua mãe insuportavelmente feliz pela manhã...
_Não sou como ela! (A loira disse convicta.) Só achei que seria legal se tentássemos ser cordiais, até porque agora, querendo ou não, só temos uma a outra.

Um solavanco atingiu o peito da rainha ao ouvir aquela frase, ela não pode deixar de sorrir.

_Temporariamente... (Ela falou confiante.) Assim que eu descobrir como é que fazemos para usar magia aqui ora voltaremos para o nosso filho.

Foi a vez de Emma sorrir.

_Voltaremos sim!

O dia se passou depressa. Elas fizeram uma faxina na casa que estava um nojo. Regina insistia que queria uma empregada, Emma perguntava se ela era louca ou o que. A morena odiava trabalho braçal, mas tinha que concordar com a loira quando ela dizia que não tinham dinheiro o suficiente para gastarem a toa.
Depois de arrumarem tudo elas saíram para tomar um café, numa lanchonete próxima, mas ambas se mantiveram um tanto caladas. Talvez fosse por Regina ter levado junto com ela um livro que achou na casa, “A menina que roubava Livros”. Era bem interessante, era narrado pela morte, o que atraia a rainha, mas sua atenção com certeza não estava nas páginas que folheava.

Ela logo se repreendeu por estar pensando em Emma enquanto seu filho estava em outro reino. Aquilo era loucura, ela era a outra mãe de seu filho, não podia pensar nessas coisas. Se bem que o fato delas duas serem mães de Henry parecia soar bem, se pensasse nesse fato por outro aspecto. Ela balançou a cabeça novamente afastando de si aqueles pensamentos de uma vez. O silêncio imperou até que voltassem ao apartamento. A loira foi para a cozinha beber uma água, já a morena foi para a sala e então reparou que no local estava pendurado um apanhador de sonhos.

Ela se aproximou do objeto e então o pegou para ver melhor. Ela não sabia o porquê, mas foi quase que instintivo aquilo, de alguma forma, parecia acolhedor. Mas ao segurá-lo um sentimento perturbador tomou conta de si. Ela ia jogar o objeto na lixeira quando ouviu:

_Nem pense nisso! (Emma falou exasperada pegando o objeto de volta.)

Regina se surpreendeu com a presença da outra.

_D-d-desculpe eu... Eu não deveria ter mexido Isso é dele, não é?
_Não, isso é meu. (Emma disse colocando-o no lugar.) Eu roubei e ele roubou de mim.

Regina suspirou e ficou um pouco irritada com aquilo, então disse:

_Só me desculpe ok?
_Tudo bem. (Ela disse em meio a um suspiro.)

Regina ia se virar para se afastar de novo, mas antes que o fizesse Emma falou:

_Precisamos conversar...
_Sobre o que quer falar Swan?
_Sobre magia... Como conseguiu parar o carro ontem? Quero dizer, não tem magia nesse mundo não é?
_Eu não sei como fiz, mas acho que de alguma forma da para usar magia mesmo aqui fora... Eu achava que era impossível, mas pelo visto não.
_Então nós podemos dar um jeito de ir para a terra encantada? (Emma perguntou )
_Se tem uma coisa que aprendi com seus pais é que sua família sempre arruma um jeito de se encontrar. (Regina disse num sorriso melancólico.)
_Nós precisamos descobrir como é que magia pode funcionar aqui fora!
_Sim... (Regina disse num tom calmo.) Se soubermos usar magia eu sei como podemos sair daqui.
_Sério? (Emma disse animada.) Então da pra você abrir um portal ou algo do tipo?
_Não. Na verdade nós teremos que esperar o “portal” se abrir sozinho...

A loira a encarou confusa sem entender bem o que ela queria dizer.

_Como assim?
_Nós pegaremos carona num portal natural. É perigoso e não faço ideia se nos levará para a Fairy Tale Land.
_Mas se não nos levar pra Fairy Tale Land como conseguiremos ir pra lá? Não tem nenhum jeito mais certo?
_Provavelmente nos levará a algum lugar com uma magia onde podemos talvez achar alguma outra forma de ir para a Floresta Encantada. É a única forma que eu já ouvi falar de portais nesse mundo sem magia. Precisaremos controlar um pouco de magia para que possamos fazer um escudo que nos proteja na viajem

Emma franziu o cenho e questionou:

_Que tipo de portal seria esse?

Regina a encarou com um sorriso então e disse:

_Um tornado.