Incontado

10 O Mágico


Notas iniciais
Oi pessoal, desculpem a demora mas eu fiz o Enem então tive menos tempo semana passada, mas ai está o cap prometido! Espero que gostem!

Emma a encarou como se não tivesse entendido ou acreditado. Os Believers se aproximavam do carro, mas nada daquilo mais importava naquele momento. Regina olhou em seus olhos perdendo as forças pera resistir e simplesmente deixou seu rosto se aproximar do da loira. Ela tinha certeza que seria empurrada ou que a outra simplesmente a pararia a chamando de louca. Mas, por incrível que pareça, ela não o fez.

A morena sentiu as mãos envolverem seu pescoço e a puxarem mais para perto dela intensificando a proximidade, até que seus lábios se roçaram. Regina sentia o coração tamborilar em seu peito enquanto as lágrimas teimavam em sair dos seus olhos. Ela já não queria pensar no que estava acontecendo lá fora

Quando os lábios se tocaram, uma energia as envolveu. Elas sentiam o calor do contato irradiá-las de uma forma sublime. Quando o beijo das duas se desfez, a rainha manteve seus olhos fechados. Ela não queria abri-los e voltar para realidade. Ela não queria perder Emma. Ela tinha medo de abrir os olhos e ver aqueles desgraçados acabando com seu final feliz, logo agora que ela havia criado coragem para demonstrar o que sentia. Mas ao ouvir aquela voz dizer de forma confusa "Regina..." ela os abriu e encarou a xerife.

─Isso é loucura! (Emma disse espantada.)
─Eu... (Ela se preparava para se explicar, mas foi interrompida.)
─Você fez isso? (A loira perguntou admirada encarando ao seu redor.)

Só então a prefeita viu que não estavam mais no local onde estavam antes. Elas estavam em algum lugar árido, que tinha mais estrada do que civilização e sem sinal dos seus perseguidores. Foram parar ali magicamente. Emma fez menção de a abraçar em comemoração, mas travou. Ambas desviram o olhar, aquilo era constrangedor. A morena tentava penar e como haviam conseguido escapar milagrosamente, mas naquele momento tudo o que vinha em sua cabeça era aquele beijo. Ela então arregalou os olhos surpresa.

─Acho que nós fizemos. (Regina disse confusa se lembrando da sensação de energia que lhe envolveu ao tocar os lábios da outra.)

A morena tocou os próprios lábios tentando entender o que havia acontecido. O ato não passou despercebido pela loira:

─Há quanto tempo? (Emma a encarava num misto de duvida e contemplação, obviamente estava falando dos sentimentos da Regina e não do escape.)

Regina baixou a cabeça e alisou os nós dos dedos hesitando responder aquela pergunta.

─Onde será que estamos? (Ela perguntou esquivando-se da questão.)

Emma revirou os olhos com a nítida fuga da outra, mas respondeu:

─Não faço ideia, deveríamos encontrar alguém por aqui e perguntar não?
─Parece uma boa ideia. Só temos que achar civilização. (Ela disse encarando a estrada e voltando a dirigir.)

Seus dedos agora suavam a cada olhar que a outra lhe lançava. Logo elas estavam se aproximando de luzes que indicavam a existência de alguma cidadela ali perto, mas isso era o que menos lhe preocupava. É claro que ela queria falar sobre aquilo tudo entre elas, ainda mais depois de pensar sobre os efeitos que seu beijo causara.
Lembrou-se primeiro do anel de Daniel no chapéu de Jefferson antes da maldição ser quebrada. Depois do episódio com o Write na delegacia, quando ela não conseguia fazer o mesmo chapéu funcionar e, milagrosamente, ele começou a girar quando ela foi tocada pela loira. Tudo agora fazia sentido
Ela entendia como havia conseguido parar o carro da primeira vez, ela estava com a mão no ombro da loira, da mesma forma que Emma a tocou quando fizeram o chapéu funcionar . De alguma forma quando elas se tocavam conseguiam canalizar algum tipo de magia. E sabendo que só uma magia seria forte o suficiente para continuar a ter efeitos daquela proporção naquele mundo, ela sabia que Emma era mais do que alguém de quem ela simplesmente gostava.
Ao mesmo tempo, estar frente a frente com seu verdadeiro amor a assustava mais do que qualquer coisa. Ela nunca teve tanto medo da rejeição quanto tinha agora. Se é amor verdadeiro nada poderia separá-las não é? Mas vilões poderiam ter finais felizes? Aquelas perguntas rodeavam sua mente e a fizeram levar uma das mãos à cabeça.

─Regina...


─Não se preocupe, nós encontraremos algum lugar seguro. (A morena cortou com medo de entrar no assunto.)
─Mas não é sobre...
─Emma, acho que já sei controlar magia, estamos a um passo de conseguir ir para outro mundo. (Ela desviou novamente.)
─Ótimo, será que dá pra me ouvir? (A loira perguntou irritada.)
─Não! (A morena respondeu irritada mantendo os olhos na estrada.)

Não queria ouvir Emma dizendo que aquilo era um erro, que nunca deveria ter acontecido, lembrando que ela era a Evil Queen e que aquilo não daria certo. Segurou as lágrimas que queriam aparecer só em pensar na possibilidade de ter suas expectativas frustradas. Ela dirigia tentando se concentrar no caminho quando a loira puxou a chave da ignição fazendo o carro morrer. E assim Regina teve que superar seu medo e encará-la face a face.

─O que diabos você está fazendo? (Ela perguntou entre dentes.)
─Conversando com você. (A loira disse em tom desafiador.)

A morena tentou recuperar a chave da mão da outra, mas tudo o que conseguiu foi ter suas duas mãos presas por Emma, que lhe segurava pelos pulsos e fitava seus olhos. Ela baixou os olhos castanhos, constrangida e sentiu seu rosto queimar ruborizando.

─Regina, o que você me disse mais cedo, é sério? (Ela perguntou tentando se aproximar.)
─O que eu disse? (Ela perguntou fingindo-se de desentendida e se desvencilhando do contato.)
─Você sabe bem ao que estou me referindo. (Emma disse impaciente.)
─Não, não sei. (Ela mentiu dando ombros.)

A prefeita se arrependeu instantaneamente de não ter respondido com a verdade. Sentiu o corpo da outra se encaixar sobre o seu. O coração bateu frenético ao sentir a respiração quente da outra tão próxima de seu rosto. Emma não perguntou mais com palavras, mas sim com o corpo, aproximou seus lábios o suficiente para que a morena fechasse os olhos aguardando pelo contato.

─Desde quando? (Ela perguntou novamente, só que dessa vez ao pé de seu ouvido, fazendo com que a morena sentisse um arrepio lhe invadir a espinha.)

Ela abriu os olhos encarando os verdes e abriu o seu coração por fim:

─Desde o primeiro momento.

Sentiu seu coração bater mais acelerado e mais leve e viu um meio sorriso se formar nos lábios da loira que estavam muito próximos aos seus. Mas antes que pudessem processar qualquer ideia sobre aquilo ouviram uma batida no vidro. Sem pensar a loira baixou a janela e ambas viram um guarda gordinho, do lado de sua motocicleta, falar meio atrapalhado:

─Senhoritas... (Ele estava meio sem palavras vendo aquela duas mulheres lindas uma sobre a outra.) Existe uma lei aqui no K-Kansa contra o a-aatent-tado ao p-pudor, então se...

─Desculpe seu guarda. (A loira disse com naturalidade.) Onde tem um motel por aqui?

O homem arregalou os olhos e Regina sentiu o rosto corar fortemente e seu corpo tremer só de imaginar elas duas passando uma noite no mesmo quarto depois daquilo tudo.

─Vi-virando a segunda a esquerda... Q-quero dizer, direi-direita, segunda direita!
─Obrigada. (Emma disse levantando a janela do carro novamente, ignorando completamente o guarda, saindo do colo da morena e lhe entregando a chave.) Você ouviu, segunda à direita.

Regina arregalou os olhos, boquiaberta.

─Não me olhe com essa cara, só precisamos de um lugar para passar a noite. (A loira disse se defendendo.) Pelo visto viemos parar no Kansas.

A morena xingou a outra mentalmente e deu a partida no carro. A Salvadora riu ao vê-la emburrar. Aquilo era injusto, ela tinha se declarado e a loira sequer disse algo em resposta, estava frustrada. Ela não lidava bem com a rejeição, mas o silêncio era ainda pior porque sua cabeça a fazia entender a situação como bem queria. Ela queria muito acreditar que, se aquele guarda não tivesse interrompido, ela seria correspondida. Ao mesmo tempo, o jeito simplório com que a salvadora lidava com a situação, lhe fazia imaginar que ela estava apenas brincando.
Dirigiu até o motel com os pensamentos fervilhando e com o silêncio perturbador. Chegaram ao local e Regina estacionou soltando um suspiro. Ambas desceram do carro e entraram no estabelecimento pedindo um quarto. Quando entraram Regina nem deu tempo de Emma falar nada, tirou os sapatos e se jogou na cama cobrindo a cabeça com a coberta.

─Boa noite. (Ela disse fechando os olhos.)
─Não precisa fingir que está dormindo para fugir do assunto, sabe que vamos ter que falar disso mais cedo ou mais tarde, não sabe? (A loira perguntou de braços cruzados.)
─Ok, desculpe ter te beijado no carro! Não vai acontecer mais, foi um erro, está satisfeita? (Regina vociferou sentando-se na cama.)

Emma baixou os olhos e disse:

─Não era bem isso que eu esperava de uma conversa com você. Mas nesse caso eu vou tomar um banho e esfriar a cabeça.

A morena a viu cumprir o que disse e entrar no banheiro. “Não era bem isso que eu esperava...” O que diabos ela esperaria? Será que a Salvadora queria que ela se humilhasse, suplicasse para que correspondesse? Se ela esperava isso, não o teria. Regina nunca se rebaixaria a isso, ela podia amar com toda a alma, mas era incapaz de arrastar seu orgulho no chão por alguém. Os pensamentos fervilhavam em sua cabeça por tudo o que havia acontecido naquele dia, chegava a doer. Quando Emma voltou do banho ela fingiu que estava dormindo. Sentiu a loira deitar ao seu lado e lhe chamar baixinho, mas permaneceu imóvel. Quando achou que Emma tinha desistido e se virado para o outro lado, sentiu uma mão suave lhe acariciar delicadamente os cabelos.

─Tão cabeça dura. E tão adorável...

Quando ouviu Emma dizer aquilo não pode conter o rubor que lhe tomou conta da face. Para disfarçar se virou um pouco mais de bruços fingindo sonolência. A loira puxou a mão de volta e se aquietou indo dormir. Já Regina percebeu que dormir do lado de quem você ama, depois de se declarar e não obter uma resposta concreta, é muito pior do que dormir com quem você ama em segredo. Depois de passar a noite toda em claro a rainha conseguiu finalmente cochilar. Quando abriu os olhos, pouco tempo depois, se deparou com Emma de Hobby sentada numa poltrona do quarto lendo alguns papeis e fazendo anotações.

─O que esta fazendo? (A morena perguntou ainda sonolenta.)
─Olha quem voltou a falar comigo! (A loira respondeu irônica.)

Regina revirou os olhos e a outra logo se apressou em responder o seu questionamento:

─Estamos no Kansas, mesmo lugar aonde o tal Ilusionista daquela lista vive, pensei em procurarmos ele.
─Não está cansada desses trambiqueiros de quinta? (A morena escarneceu se levantando e agradecendo aos céus por ela não ter insistindo no assunto do dia anterior.)
─Sim, completamente, mas ele se nomeia como Oscar Diggs e dister visitado o “Mágico Mundo de Oz”, e pelo que li no Google ele diz que já foi a um mundo com magia da onde teria herdado seus poderes. (A loira disse mordendo levemente o lábio.) Sei que Oz não é bem um mundo de contos de fadas, mas é um mundo diferente desse aqui pelo menos.
─Não sei, honestamente, a chance disso ser somente parte do personagem teatral dele é enorme. Temos o endereço? (Ela questionou se aproximando e observando os papéis)
─Mais ou menos, pelo que entendi ele trabalha em um circo, ou seja não tem endereço fixo. Mas se acharmos o circo achamos ele. Acho que vale a pena conferir.
─E o que estamos esperando então? (A morena perguntou.)
─Eu estava esperando você acordar né? (Ela disse irônica.)

Revirou os olhos mais uma vez com a resposta e então entrou no banheiro para um banho. Ambas se arrumaram, tomaram café e pagaram a estadia por mais um dia. Entraram no carro e foram procurar o tal rapaz. Já no carro a loira perguntou:

─Você não disse que tinha entendido como funcionava a magia nesse mundo?
─Disse, mas eu não tenho certeza. (A prefeita disse sem querer entrar nos detalhes.)
─Que tal me falar o que pensou para chegarmos a uma conclusão juntas? (A outra questionou.)
─Que tal irmos ver o que esse cara tem a dizer e ver se minhas suspeitas estão de acordo?

A salvadora revirou os olhos, mas não contestou. Já a prefeita suspirou aliviada por não ter que explicar para Emma que, provavelmente, eram os seus sentimentos por ela que a faziam produzir magia. Em pouco tempo chegaram ao centro da pequena cidade de lá obtiveram a informação sobre aonde poderia estar o tal circo. Seguiram as coordenadas e logo acharam o lugar. Alguns malabaristas treinavam na parte da frente e ela os perguntaram sobre o tal ilusionista. Eles disseram que o tal ilusionista ficava sempre isolado em seu trailer do outro lado da lona principal.
Elas foram até lá e encontraram um cara atrapalhado montando um balão. Ele era moreno, alto, usava trajes finos, porém nitidamente gastos, era charmoso apesar de nada desenvolto. Entreolharam-se, as duas já com dúvidas de que o rapaz pudesse as ajudar em alguma coisa, mas ainda assim Emma prosseguiu chamando a atenção do homem:

─Ehr... Senhor Diggs?

Ele se virou num susto falando em tom surpreso:

─Oi! Quem seriam vocês?

─Sou Emma Swan e esta é minha... (Ela congelou e encarou Regia pedindo ajuda, mas a morena simplesmente desviou o olhar cruzando os braços.) Parceira, Regina.

Porque diabos Emma estava a apresentando daquele jeito? Se não fosse tão pessimista ela acharia que o ocorrido do dia anterior estava mexendo com a salvadora.

─Parceiras heim? (Ele perguntou arqueando a sobrancelha em tom irônico.)

Regina semicerrou os olhos sentindo-se invadida pela insinuação, já Emma suprimiu um sorriso. Ele percebeu o olhar de desaprovação e irritação da morena, ajeitou o colarinho engolindo em seco e tornou a falar:

─Brincadeiras a parte, devo perguntar-lhes em que posso ser útil?
─“Oscar Diggs” (Emma começou o questionamento.) Queríamos informações sobre a sua história, trabalhamos para uma revista sobre o sobrenatural e estamos querendo fazer uma reportagem sobre esse tal mundo que o senhor conheceu.

O homem as encarou sério, como se analisasse a história, mas por fim sorriu pomposo e respondeu:

─Então querem me entrevistar? Isso será honroso! (Ele disse se sentando fazendo uma pose galante.)

Emma lançou um olhar triunfante à sua “parceira” que estava boquiaberta. Às vezes a prefeita ficava embasbacada com a capacidade que a outra possuía para inventar histórias e ser dissimulada quando preciso.

─Com certeza será. (A morena disse baixinho com ironia.)
─Então podemos começar? (A loira disse fingindo animação. )
─Claro! (Ele disse sorridente enquanto via Emma pegar um caderno e uma caneta.)
─Como podemos lhe chamar? (Regina perguntou tentando entrar na história inventada pela outra.)
─Oscar está bom. (Ele disse exibindo seu sorriso estridente.)
─E esse mundo mágico faz parte de seu personagem criativo, ou seria literalmente, você? (A rainha prosseguiu impaciente.)
─Bem, sei que parece loucura, mas eu fui a Oz, de verdade, fui conhecido naquela terra como o "Mágico de Oz".

Ela trocaram molhar cético com a resposta, mas a loira decidiu prosseguir:

─Conte-nos mais sobre essa terra que você diz ter conhecido, como era aquele lugar?
─Era incrível! Seria perfeito se não fosse pelas bruxas. Tinha uma estrada de ouro, uma cidade de esmeraldas, o castelo de rubi, o rio de diamantes...
─Um lugar fabulosamente rico? (A morena perguntou mais cética ainda revirando os olhos.)
─Lá pedras preciosas são tudo menos raridade, por isso não tem nenhum valor. (Ele explicou de forma simplória.) O engraçado que quinquilharias que eu usava em meus truques eram inéditas por lá. Eu fui tratado como rei daquele lugar porque consegui espantar uma bruxa com um projetor tosco! O povo de lá tem um coração puro, mas uma completa ignorância sobre tecnologias.

Elas ouviram com mais cautela, a história começava a parecer ser verídica. Ainda assim Regina questionou:

─Se eles lhe tratavam como rei porque volto para cá? Quero dizer, não seria melhor aproveitar aquele conforto?
─Com uma bruxa prometendo arrancar meu couro a qualquer momento? (Ele respondeu gesticulando de forma um pouco exagerada.) Olha senhora, eu posso gostar de mordomia, mas ainda prefiro o meu pescoço. Vocês acreditam em magia? Não essa que eu faço no circo, mas magia de verdade?

Ambas concordaram com a cabeça e então ele se sentiu mais a vontade para prosseguir:

─Muita gente acharia loucura, mas essa bruxa que lhe falei tinha poderes de verdade, ao contrário de mim, que sou só um ilusionista. Fui esperto o suficiente para me safar, mas depois caí fora de lá na primeira oportunidade.
─Quer dizer que você não tem poderes? (Emma perguntou confusa.)
─Poderes? E sou um simples humano que foi parar acidentalmente em uma terra mágica. Eu nunca tive poderes, mas tenho inteligência. (Ele disse erguendo o queixo de forma convencida.)
─Tanta inteligência que nem trouxe algumas pedras preciosas para ficar milionário nessa terra? (Regina perguntou ainda cética.)
─Eu tentei trazer no meu balão. Mas para ir de um mundo a outro, não basta cruzar os céus, eu tive que pegar carona em um tornado! Um tornado não é um meio muito sutil de transporte, acredite em mim, não sobrou uma só pedra da viagem.
─Um tornado? (A loira perguntou mais para Regina do que para o mágico.)

Pela primeira vez elas se entreolharam com um brilho de esperança. O tornado era realmente uma espécie de portal elas sabiam disso. Aquele homem poderia de fato estar falando a verdade.

─Louco não é? (Ele disse mostrando um pouco de nervosismo ao contar essa parte.) Eu estava fugindo da cidade com me balão e a tempestade me pegou de surpresa e eu fui parar em Oz! Então pensei em fazer o mesmo para voltar. Deixei o balão carregado e esperei surgir um tornado para pegar o caminho de volta. Chega a ser difícil de acreditar, eu sei, mas é como aconteceu.

─Como conseguiu sobreviver a um tornado se não possui magia? (A morena perguntou um pouco mais interessada.)
─Honestamente, eu não sei bem como. Da primeira vez, quando vi que não ia escapar do olho do furacão, segurei firme nessa medalhinha e rezei para sobreviver. (Ele disse mostrando o “amuleto” para as duas.) Na volta fiz o mesmo só por segurança, mas não tinha cem por cento de certeza de que funcionaria.
─Como o conseguiu? (A loira perguntou olhando atentamente para a medalhinha prateada pendurada no pescoço do rapaz.)
─Uma pessoa me deu. (Ele disse escondendo-a de volta para dentro da camisa.)
─Alguém com poderes? Algum outro mágico?

Emma perguntou ainda com foco em buscar alguém com magia, mas dessa vez não foi o mágico que respondeu a questão e sim Regina:

─Não. Alguém que ele amou.

Foi a vez de ele olhar intrigado para a morena, mas assentiu cuidadosamente com a cabeça. A loira olhou então confusa para a outra. Quando os verdes de seus olhos encontraram os castanhos, foi como se um golpe lhe tivesse atingido. Ela balbuciou aquela frase que tanto tinha ouvido em Storybrooke e que nunca antes havia entendido de fato:

─O Amor Verdadeiro é a magia mais poderosa de todas.

A rainha encarou a salvadora com os olhos marejados e um meio sorriso e confirmou:

─De fato é Emma.