Incontado

2 A dúvida


Ao saírem da mina, todos foram juntos ao Granny’s onde estavam os cidadãos de Storybrooke informarem o ocorrido. Regina ainda sentia idiota por ter abraçado a loira daquela forma. Aonde estava com a cabeça? Agora ela segurava a mão de Henry de um lado enquanto a loira segurava do outro, o casal de idiotas vinham atrás abraçados. Se tirassem uma foto agora até pareceriam uma família. A prefeita balançou a cabeça se sensurando por aquele pensamento. Ao chegarem na lanchonete estavam todos em festa.

_Sabíamos que vocês conseguiriam! (Leroy disse gargalhando e levantando a caneca de cerveja) Um brinde aos Charmings!

Regina revirou os olhos ao ouvir aquilo e se sentou numa mesa isolada. Como era possível? Ela quase havia morrido para salvar a todos e continuavam a ignorá-la? Pensou que pelo menos dessa vez fosse ganhar algum crédito.

_Na verdade... (A voz de Snow ecoou pelo restaurante.) Vocês deveriam agradecer à Regina que quase deu sua vida para salvar a cidade.


Regina teve que se segurar pra não fazer uma careta diante a tanta hipocrisia. Ninguém ali lhe deu uma palavra de gratidão, nem mesmo olharam para ela. Agora Snow fazia mais um de seus discursos enojadores cheio de falsa humildade. Simplesmente não suportava isso.


_E à minha filha a Princesa Emma (Charming disse orgulhoso estufando o peito) que a ajudou à conter à destruição!

A prefeita viu a expressão que Swan fez, parecia não estar nada à vontade com aquela titulação. Ela tinha umas expressões um tanto engraçadas quando ficava incomodada com algo. Regina reparava aquilo e achava graça. Observava a loira quando foi flagrada por aqueles dois olhos verdes que se aproximaram. Olhou para frente tentando fingir que não queria que ela se aproximasse, mas quando viu ela já tinha se sentado a sua frente.


_Desculpe ter te deixado lá, eu devia ter pensado antes em algo...
_Não. (Regina a interrompeu.) Você não é a pessoa que deve desculpas aqui. (Completou desviando o olhar.)
_Acho que o que você fez hoje já foi um grande pedido de desculpas. (Emma disse balançando o corpo um tanto sem jeito.)
_Você voltou. Se não fosse por isso eu não estaria aqui e vocês estariam felizes na Fairy Tale Land.
_Sinceramente, um lugar cheio de ogros onde se come quimeras não faz bem parte da minha ideia de contos de fadas, então te agradeço por ter me feito ficar.


Regina simplesmente sorriu ao ouvir aquilo. Se encararam por alguns segundos sem falar nada até que a loira disse:

_Sabe... Sobre o que você me falou na mina. Eu não te disse, mas deveria ter te dito: Eu sempre te vi como Regina. Eu não conheço a Evil Queen, mas conheço você.


A morena então sentiu as bochechas doerem pois seu sorriso se alargou mais ainda. Então respondeu:

_Talvez me conheça melhor que os outros.


Emma lhe deu mais um sorriso depois se levantou da mesa. Agora sim a morena se sentia recompensada de alguma forma pelo que havia feito. Ela sorria por dentro por saber que a loira a via só como Regina. Seus pensamentos iam disso para a possibilidade de algum dia contar o que estava sentindo. Mas ao mesmo tempo achava aquilo tudo loucura. Não poderia contar jamais. Emma era, além de uma mulher, a filha de Snow White. Jamais deveria ter tido sentimentos por ela. Ela era a Salvadora, Regina era a rainha má, por mais que Emma não a enxergasse assim era isso que ela era. Nunca seria digna de ter aqueles sentimentos correspondidos.

Depois de algum tempo cansada de continuar abandonada ali naquele canto enquanto todos comemoravam ela se levantou. No momento em que ia se propor a sair dali Hook entrou no local. Não deu nem tempo de pensar. Emma atravessou o salão em passadas largas e desferiu um soco que fez Hook cambalear para trás. Logo depois David foi para cima dele e o imobilizou.

_Você esta preso por quase matar todos nós, por duas vezes, e pelo sequestro da Regina. (Emma disse de forma dura.)
_Vocês não vão querer me prender! (Ele disse de forma astuta.) Primeiro porque eu me arrependi da segunda vez e tentei voltar a tempo, segundo que, enquanto vocês perdem tempo com essa festinha, Tamara e Greg estão saindo da cidade, e se eles forem embora não voltarão sozinhos.
_Eles ainda estão na cidade? (David perguntou surpreso.) Mas já faz horas que tudo aconteceu!
_Eles ficaram mais tempo por algum motivo que não me disseram, mas não deve ser por nada bom isso eu garanto. (O pirata disse.)
_Prendemos você e achamos eles oras. (Emma disse fazendo sinal para David o levar.)
_Como se eu sou o único que sabe onde eles estão? Posso levá-los até lá! (Ele argumentou.)
_Como saberemos se você não esta nos enganando de novo? (A loira indagou.)


Todos ficaram calados olhando um para o outro. Regina então andou até ele e, sem paciência, retirou seu coração. Todos olharam para a cena de forma assustada.

_Regina... (Emma tentou intervir.)
_Fale o que sabe! (Ela disse bem próximo ao coração ignorando a loira e os olhares de reprovação.)


Instantaneamente ele começou a falar com os olhos arregalados:

_Eles estavam esperando reforços, tem uma armada vindo para Storybrooke, um navio dos Believeres já esta na costa e me interceptou, me matariam se eu não viesse até aqui e entregasse as principais forças àqueles dois.
_Como é fácil falar a verdade heim Hook? (Regina disse devolvendo o coração ao peito do pirata.)


Ela revirou os olhos ao ver que todos ainda a encaravam assustados. A rainha revirou os olhos para eles. Será que não podiam usar o cérebro de vez em quando?


_Vocês preferiam ter acreditado nele? (Ela questionou a todos no salão sem perder a pose.)


Ninguém ousou se pronunciar, mas a prefeita percebia seus olhares de julgamento.


_O que faremos agora? (Snow perguntou tentando acalmar os ânimos.)
_Armas de fogo não são nada contra magia. (Emma respondeu.)
_Eles não tem só armas de fogo, tem tecnologia anti-magia. (Regina respondeu se arrepiando com as lembranças da pulseira.)
_Você ainda está com o feijão? (Snow perguntou a Hook)
_Eles me deram uma imitação não mágica. (Ele disse se livrando um pouco de Charming para pegar o feijão na bolsa de couro.) Não funciona.


Ele disse jogando o objeto inutilmente no chão.


_Isso é tudo culpa sua! (Leroy acusou a rainha) Se não tivesse destruído os feijões poderíamos ir para Fairy Tale Land em segurança!


Regina ficou irritada com aquilo e resolveu provocar:


_Na verdade isso é culpa de Emma.
_Como é que é? (Emma vociferou encarando a morena.)


Regina sorria por dentro. Adorava irritar a loira e agora entendia bem o motivo: Ela ficava linda quando estava com raiva.
De certa forma aquela era única forma que tinha para interagir com a xerife. Talvez por isso que sempre acabava implicando com ela, era a forma de fazê-la revidar e não a ignorar simplesmente. Só agora entendia porque brigar com ela a satisfazia tanto. Não era simplesmente para mostrar que era melhor, mas para ganhar alguma atenção da outra.


_Você quebrou a barreira que protegia Storybrooke para começar.
_Claro, assim que quebrei a SUA maldição!(A loira disse irônica.)
_Exatamente, querendo ou não, quando estávamos na maldição estávamos seguros! (A morena argumentou.)
_Aaa claro porque a maldição foi a melhor coisa que nos aconteceu! (A xerife tirou sarro.) você acha mesmo que estávamos melhor antes?
_E além disso... (Ela continuou sem se importar com o questionamento da outra.) Você, que como xerife deveria proteger a cidade, deixou o idiota do seu ex trazer a noiva maldita pra cá. E olha agora no que deu...
_V-você não pode falar assim de Neal! (Emma a interrompeu cheia de raiva.) Você não tem esse direito! Não agora! Não depois do que aconteceu com ele por ele ter tentado te salvar!

Regina então se calou. Tinha realmente passado um pouco do limite. Olhou para o lado desviando do olhar triste da loira e só então viu a expressão de Henry. Ele estava cabisbaixo e amuado num canto. O coração da morena cortou a ver seu filho daquele jeito.

_Desculpe, eu não pensei nisso exatamente quando falei. (A rainha disse surpreendendo a todos que viam a discussão.)
_Temos que parar de tentar achar culpados. (Snow disse entrando entre as duas e analisando a prefeita com uma expressão desconfiada.) Devemos nos unir e proteger a cidade!
_Assim como fizemos ainda há pouco. (Emma completou encarando a morena com um olhar de decepção.)


Sentiu o peito se afundando ao sentir o peso daquele olhar. Ela realmente gostava dele. Aquilo além de deixá-la irritada a fazia se sentir estúpida. Tinha a magoado. Espera ai. Ela estava se importando por ter a magoado? Ela realmente gostava dela!

_Precisamos de todas as forças com as quais pudermos contar. (Regina falou com todos) Vou procurar Gold. Emma vocês precisam achar a Fada Azul leve Tinny com vocês, precisaremos de um gigante para brincar com o navio que se aproxima. David reúna os anãos com as picaretas na entrada da cidade
_Não confio nem em Gold nem em você pra deixar você ir sozinha resolver isso. (A loira disse com ar de superioridade.) Snow vai atrás da fada azul com Tinny, David reúne os anões e eu vou com a Regina falar com Gold.
_Que seja.(Regina falou irritada pela loira ter dito que não confiava nela.)
_Ruby, cuide do Henry para mim? (Emma perguntou e a garçonete assentiu com a cabeça.)
_E cuidar não quer dizer entupi-lo de porcarias ouviu?

Regina avisou vendo a garçonete revirar os olhos. Foi em direção ao seu filho e deu-lhe um beijo na testa.

_Me desculpe Henry eu não quis te magoar...


Ele simplesmente se desvencilhou o corpo dela e foi até Red ignorando o pedido de desculpas. Sentiu-se abalada com aquilo, mas se manteve firme. Foi andando para fora acompanhada pela loira. Emma tentava se manter calada durante o percurso. Regina sabia o motivo então acabou por ceder:

_Eu sinto muito, realmente não devia ter falado aquilo sobre Neal...
_Tudo bem, é o tipo de coisa que eu deveria esperar de você. (A loira disse de forma dura.)
_Tudo bem, eu também não devia ter achado que você aceitaria minhas desculpa. (Regina retrucou.)
_Vamos só resolver o que temos que resolver ok? (Emma falou balançando a cabeça negativamente.) Não quero discutir.


A morena balançou a cabeça positivamente e se calou. Fizeram o resto do caminho em silêncio até a loja de Gold ao chegarem ele falou:

_Vocês duas juntas são fantásticas.
_Como? (Regina perguntou num susto enquanto Emma só fez uma cara de desentendimento.)
_Senti a magia de vocês daqui. Estão de parabéns pelo que fizeram.
_Obrigada e parabéns por não ter feito absolutamente nada!(A morena disse impaciente.)
_Querida, nem se eu quisesse teria conseguido fazer o que vocês fizeram. (Ele disse sorrindo de forma enigmática.)


A morena então ficou pensativa. A lembrança de ambas energias se mesclando e parando a destruição. Por mais que elas fossem fortes, aquilo realmente não devia ter sido possível, ainda mais por Emma nunca ter tido treinamento nem nada do tipo. Foi como se tivessem feito algo impossível de ser feito.


_O bem e o mal unidos por uma causa podem mesmo chegar a uma magia, que eu poderia dizer ser a mais poderosa de todas.


Ele falou como se lesse os pensamentos da rainha causando-lhe outro solavanco no peito. “Love, true love, is magic. Not just any magic. The most powerful magic of all”. A sua própria voz ecoava em sua mente. Balançou a cabeça afastando aquele pensamento. Gold não tinha como saber de seus sentimentos tinha?


_Pare de falar bobagens. (A prefeita disse saindo de seus devaneios.)
_Chegou a sua vez de nos ajudar ao invés de ficar parado nos vendo morrer! (A loira disse ameaçadoramente.)
_Você esta certa e eu vou ajudar vocês. Eles estão vindo para cá estou certo? (Ele disse indo ao armário e pegando dois livros e uma caixa cheia de frascos.)

Emma e Regina se entreolharam tentando entender o que ele planejava. Ele reparou o questionamento das duas e então falou:


_Precisamos refazer a maldição, mas dessa vez sem as pessoas perderem suas memórias e levando Storybrooke de volta para a Fairy Tale Land.
_Nem pensar! (As duas disseram em uníssono.)
_Porque não ? É a única formas de ficarmos realmente em segurança. Temos duas pessoas com domínio de magia e meia. (Ele disse zombando da loira.)
_Ainda tem a Fada Azul. (Emma argumentou.)
_Eu e a Rainha igual a dois. Emma, meio, mais a Fada Azul...(Ele fez uma expressão de quem fingia pensar no cálculo.) É acho que o resultado é três contra tanques, navios, caças e sabe-se lá o que mais que vão mandar para cá!
_Já é alguma coisa. (A loira falou dando ombros.)
_Temos que relançar a maldição, podemos conseguir parar a armada que está chegando, mas logo seremos insuficientes.
_Não amaldiçoarei as pessoas! (A xerife insistiu.)


O problema de Regina não era lançar a maldição em si, mas o preço para lançá-la. Gold estava certo, precisavam realmente ir para outro mundo, enquanto ficassem em Storybrooke tendo sido descobertos não ficariam em paz. Mas ela sabia que Gold não aceitaria matar Belle. Logo o que ele estava querendo era que ela sacrificasse Henry.


_Não pagarei pelo preço (A prefeita falou se referindo ao coração da pessoa que ela mais amava.)
_E se o preço fosse diferente? (Gold falou astutamente.) Como não é a maldição completa não precisa ser o preço antigo. Pode ser outro.
_Do que vocês estão falando? (A loira perguntou e Gold sorriu de forma macabra.)


O coração da rainha estava acelerado. Aquela coisa toda de amar Emma parecia bem mais simples quando ela estava prestes a morrer. Gold sabia de seus sentimentos por Emma. E Regina agora sabia bem aonde ele queria chegar:
Ela teria que sacrificar o coração da loira para refazer a maldição e salvar Henry.