Incontado

3 O primeiro segredo


Notas iniciais
Hey gente... demorei eu sei, mas prometo ser mais pontual. ate mais galera. beijos!

Musiquinha para o capítulo:
Huricane - 30 seconds to mars
http://www.youtube.com/watch?v=YZyIZHjjWyc

Regina não sabia o que fazer. Ela quase se entregou para salvar a todos. Ela poderia fazer o acordo com Gold salvar Storybrooke e entregar Emma se não houvessem os” poréns”. A xerife tinha voltado e a salvado e não tinha sido a primeira vez. Fora isso seu coração naquele momento queria tudo menos isso. Ela não poderia fazer aquilo, não daquele jeito, não naquele momento. Ela olhou então para a loira e disse:

_Nós temos que arrumar outro jeito. (Ela respondeu cabisbaixa.)
_Regina... Porque você não concordaria com isso? (Gold falou rindo do jeito desconcertado da prefeita.)
_Eu não posso pagar o preço porque quem pode pagar não sou eu. Emma... (Regina disse em um suspiro.) A única forma de eu conseguir refazer a maldição seria arrancando o seu coração.
_O que??? (Ela perguntou atordoada.)
_Emma, é a sua chance de salvar Henry (Gold disse de forma astuta.)
_Porque logo o meu? (A loira perguntou indignada.)

Rumple e Regina se entreolharam. A morena suspirou e falou algo para disfarçar antes que Gold a dedurasse.

_Se eu for lançar a maldição tenho que arrancar um coração para a maldição. E não pode ser um coração qualquer, teria que ser ou seu ou o de Henry, e obviamente o de Henry esta fora de coagitação.


Emma olhou para os dois assustada. Regina torcia internamente para que aquela justificativa fosse satisfatória. A xerife colocou a mão no peito nitidamente receosa de que a morena tentasse o tirar a força.



_Regina, mesmo que eu concordasse você não conseguiria!
_Como? (A prefeita érguntou um tanto confusa.)
_Sua mãe não conseguiu, você também não conseguirá!


Regina então arregalou os olhos atordoada, pois aquela informação sobre Cora lhe era nova e de certa forma arrasadora. Lembrou-se da cena de Daniel tendo seu coração arrancado e esmagado. Regina se aproximou da loira quase que por impulso. Cora não havia conseguido arrancar o coração de Emma, aquilo de alguma parecia ter um significado maior. Estava muito próxima da loira, estava genuinamente admirada. Poderia beijá-la naquele momento e dar vazão a todos os sentimentos que lhe perturbavam se não tivesse sido empurrada.

_Se afasta de mim! (A xerife falou ameaçadoramente.) O Henry te odiará se tentar fazer isso!
_Emma! Eu não tentarei nada! (Regina falou em desespero tentando se explicar. Só agora se dava conta que Emma estava com medo dela tentar tirar-lhe o coração à força. )


A loira ainda acuada falou:


_Eu vou embora daqui. Não cheguem perto do meu filho! (Emma disse saindo batendo a porta da loja.)
_Emm...


Regina poderia despencar naquele exato momento se não fosse pela risada de Rumple estar ecoando em suas costas.


_Querida... Lembra do que aconteceu quando você tentou se misturar ao povo com aquela roupa de camponesa? Quando você achou que um dia algum deles te amaria? (Ele perguntou de forma cruel.)

Regina segurou a lágrima que lhe invadia o olho naquele momento. “Eles nunca vão me amar.” Um gosto amargo invadiu sua boca. Ela engoliu um soluçar de dor. O coração de Emma não tinha sido arrancado por Cora. Regina lembrava que uma velha lenda de quando era criança dizia que quando duas pessoas se amam de mais nenhuma magia poderia as separar. Talvez Emma tivesse sobrevivido por que ela e Neal se amavam de verdade. Sentiu seu peito se afundando.

_Sabe por que sua mãe arrancou o próprio coração? (Ele perguntou a Regina.)

Ela o encarou, um tanto confusa, mas repentinamente tudo fez sentido: “Love is weakness.” Sua mãe sempre lhe repetia aquela frase, agora ela sentia na pele o motivo. Se não tivesse se deixado levar pelo sentimento poderia salvar Henry e a si mesma, sentir tudo aquilo pela loira foi sua maior burrice. O bem sempre ganha o mal. Era assim que Emma Swan iria ganhar dela? Ganhando seu coração?
Ela não podia deixar aquilo acontecer. Gold estava certo, tinham que refazer a maldição. Mas como usariam o coração de Emma? Se não podiam arrancá-lo? Se Cora não havia conseguido, ela muito menos.


_O que eu faço? (Ela perguntou tentando compreender.) Não conseguirei arrancar o coração dela.
_Na verdade você não tentou para ver se conseguiria ou não. Mas pelo que vi hoje mesmo que conseguisse você não entregaria a garota Swan.


Regina sentiu-se fraca por aquilo, não devia ser tão óbvia.


_Você sabe o que tem que fazer. (Ele disse como se fosse óbvio) Apesar de ninguém notar... Você tem um coração Regina.


Regina fechou os olhos com certo pesar entendendo aonde ele queria chegar e disse:

_Prepare a maldição. Você terá o que precisamos para lançá-la.


Ela saiu dali sentindo um peso que parecia maior do que podia carregar. Foi procurando Emma pela cidade, precisava desfazer a confusão. A encontrou justamente na Granny’s antes mesmo de entrar já pode escutar as vozes se exaltando:


_ELA DISSE O QUE???? (Snow berrou.)
_Que só pra maldição funcionar só poderia ser usado o meu coração ou o do Henry! E que o do Henry obviamente estava fora de coagitação! (A voz de Emma saia com indignação.)
_Ela só pode estar brincando não é? (David falou com a voz trêmula de raiva.) Tenho certeza que eles só estão falando que tem que ser o da Emma para poderem matá-la!
_Não é isso. (A voz de Snow voltou a falar mais firme, com um tom de quem agora conseguia entender tudo.)


O coração da rainha disparou quando pensou na possibilidade Mary Margaret ter conectado tudo. Ela sabia do fato de que para a maldição ser feita, Regina tinha entregado o coração do próprio pai. Mas ao contrário da maioria das pessoas ela tinha bom senso quando se tratava de Regina. Ao contrario do que diziam, que ela teria pegado o coração do pai por preguiça de buscar outro, Snow sabia que o preço da maldição era o coração de uma pessoa que a rainha amasse.
Da porta da Granny’s a prefeita ouviu Snow prosseguir:



_Regina realmente só poderia usar um desses dois corações por que...


Nesse momento a prefeita decidiu entrar antes que Snow revelasse seu segredo.

_Não lançarei maldição alguma. (Ela disse em tom de quem pede calma.) Miss Swan, se eu fosse tentar roubar seu coração não te avisaria antes. Isso está fora coagitação. Só usaria o seu coração caso você permitisse.
_Aaaa claro! Assim como você fez com o... (Snow começou a falar, mas Regina usou um feitiço e arrancou sua língua antes que ela falasse coisas que poderiam revelar que o motivo para ela querer usar o coração de Emma era o fato de ter sentimentos por ela.)


Os olhos de todos se arregalaram e Snow levava a mão a boca procurando a própria língua.



_Snow! Deixe de ser linguaruda! Preciso falar com você em particular. Vou te devolver sua língua, mas mantenha-se calada se não quiser que eu faça um favor ao mundo e triture-a num moedor de carne!



Ela devolveu o órgão e Snow a encarou ainda com os olhos arregalados.



_Isso lá é jeito de se pedir para conversar? (Mary Margaret perguntou encarando a prefeita.)
_Desculpe pela falta de delicadeza. (Ela respondeu de forma fria.) Ainda estou aprendendo essa coisa toda de diplomacia.


Emma revirou os olhos e se meteu entre as duas.


_O que tiver de falar com ela fale aqui.



Regina fez uma cara desgostosa. A loira tentou se impor, mas sua mãe tomou novamente a frente e falou:


_Acho que realmente precisamos conversar.
_Nem pensar! (David disse.)
_Eu vou. (Snow disse dando um ponto final na discussão.)


A prefeita soltou o ar aliviada. Antes das duas saírem juntas do local ela olhou para a loira e disse:



_Não se preocupe Swan. Sua mãe logo estará aqui junto comigo



Elas foram andando e pararam em uma praça a poucos metros da lanchonete.



_Você realmente a ama. (Snow disse assim que Regina sentou-se em um dos bancos.)
_O mundo é realmente irônico. (Ela respondeu engolindo em seco.)


Snow olhou em seus olhos e os viu marejarem. Ela parecia sentir pena. O sentimento que Regina mais odiava era aquele então simplesmente suspirou e encarou a mulher a sua frente dizendo:


_Você não vai falar nada para ela. E dessa vez acho que você já esta bem crescidinha para saber o conceito de SEGREDO, estou certa?


Snow a olha com um ar de tristeza e diz:


_Regina se eu soubesse o que Cora iria fazer... Eu sinto tanto.
_Não quero saber se você sente muito. Quero saber se vai se meter na minha vida com essa língua grande ou não.


A mais nova a encarou pesarosa. Regina sentia que ela estava sendo sincera nas desculpas, mas simplesmente não conseguia perdoá-la. Snow suspirou e disse:


_Eu não falarei disso para Emma, mas você deveria contar.
_E me expor ao ridículo? (Ela zombou da ideia.)
_Emma esta livre Regina. Por mais que eu deteste a ideia de vocês terem algo juntas não acho de todo impossível.



A prefeita se surpreendeu ao ouvir aquilo, mas logo recobrou a consciência acerca do quão estúpido aquilo era.



_De qualquer forma contar à ela não mudaria nada. Agora temos que pensar no que precisamos para refazer a maldição. (Ela disse se levantando e indo de volta à Granny’s. Snow a seguiu.)


Ao chegarem de volta à lanchonete toda a atenção se voltou para as duas, Regina então se pronunciou:


_Eu sei que todos nesse salão me odeiam e me culpam pelo o que esta acontecendo. Mas só quero que saibam que e odeio a maioria aqui com a mesma intensidade ou até mais... Porém as pessoas que amo aqui são mais importantes do que todo a horda de imbecis que vocês são. Por isso poso lhes assegurar que tenho como lançar a maldição sem prejudicar nenhum de vocês.



As pessoas no local a encararam sem compreender.



_Henry... (Regina o chamou.) Venha aqui por favor.


Ela o encarou e deu-lhe um beijo.


_Seja um bom menino e nunca se esqueça do quanto eu te amo. (Ela disse secando uma lágrima.)
_Mãe... (Henry falou só então entendendo o objetivo dela.) Não me deixe!



Ela encarou a loira uma ultima vez. Emma que estava com os olhos arregalados e uma expressão sofrida.



_Cuide dele Swan. (Regina disse deixando cair uma lágrima antes de sumir num mar de fumaça roxa.)



Regina reapareceu na loja de Gold. Ele a encarou com um sorriso sinistro. Percebeu que ela não tinha nada nas mãos e então entendeu a escolha que a prefeita havia feito. Então disse:



_Aposto que nem mesmo tentou retirar o coração de Emma, estou certo?
_A maldição esta pronta? (Ela perguntou ignorando a fala de Gold.)
_Quase. (Ele disse mexendo no caldeirão)
_Termine logo isso.



Ela estava impaciente com medo de alguém vir tentar a impedir. No fundo ela conseguia imaginar que a loira iria atrás, dela. Mesmo sendo pessimista a expressão de tristeza da xerife a faziam acreditar que ela iria e provavelmente ela não conseguiria continuar com Emma tentando a impedir
Por precaução ela criou uma barreira de proteção na sala onde eles estavam, o que não se passou desapercebido por Gold.


_Devo me preocupar com algo? (Ele perguntou.)
_Se preocupe em terminar logo isso. (Ela respondeu de forma fria.)


Por dentro Regina se senta vulnerável, mas por fora mantinha sua impecável imagem de mulher forte. Ela já estava impaciente com a demora quando Gold falou:


_Agora só falta o ultimo item.


A mulher respirou fundo colocando a mão sobre o próprio peito. Estava adentrando a mão no busto quanto ouviu um estrondo. Emma estava tentando entrar no local mas a barreira não estava permitindo.


_Rápido! (Gold disse impaciente.)


Ela tocou seu órgão pulsante e foi o retirando de forma cuidadosa. Outro estrondo dessa vez mais alto. Emma tinha se jogado contra a barreira e a ultrapassou de forma mágica e acabou atingindo uma estante que caiu sobre Rumpelstiltskin.



_O que você pensa que esta fazendo? (Emma e Regina disseram ao mesmo tempo)


Elas se encararam. Regina estava com o coração na mão, literalmente. Tinha cara de choro, mas simplesmente não conseguia chorar. A loira se levantou e se colocou entre ela e o caldeirão.

_Estou salvando nosso filho. (A morena falou olhando para o objeto pulsante em sua mão.)
_Não você não esta. Ele esta triste Regina! Ele esta inconsolável, se você morrer ele não suportaria!

Regina fechou os olhos num suspiro. Não sabia o que fazer. A xerife ali no meio a colocava em dúvida. A loira ia se aproximando aproveitando o vacilar da prefeita. Estava cara a cara com a morena quando uma força a empurrou para a parede.


_Termine logo isso Regina! (Gold disse se recuperando de ter sido quase esmagado pelo armário.)
_Você não se precisa ter um coração na mão para usá-lo ao seu favor! (Emma disse.) Não é Gold?
_Ignore-a, só faça. (Ele disse tentando persuadir a morena.)
_Regina não faça isso! Ele está te usando! (Emma disse tentando se mexer, mas Gold a prendia com uma força invisível contra a parede.)



A morena se aproximou do caldeirão com o intuito de jogar o que faltava para serem transportados em segurança.



_Regina não! Por favor não! Por Henry... (Emma suplicou começando a se mover apesar de Gold estar usando toda a energia para mantê-la longe da prefeita.)
_Por Henry. (Ela disse estendendo a mão sobre o caldeirão.)



O que aconteceu depois foi tão rápido que simplesmente Regina não conseguiu entender bem. Sentiu o coração em seu peito acelerar quando largou o órgão que estava em sua mão. Estava pronta para sua morte iminente. Mas assim que o soltou sentiu um aperto forte e flashs de memórias suas começaram a passar pela sua mente. Ela não conseguia enxergar o que estava acontecendo.



_Miss Swan? (Foi o que ela disse assim que viu a cena.)



Ao abrir os olhos ela viu o caldeirão virado. Emma caída por cima da poção com seu coração estendido, o protegendo do líquido que estava pelo chão. Mas ela não parecia bem estava com um semblante estranho.


_Emma? (A rainha perguntou mais uma vez)
_Nunca mais faça isso! (A xerife ralhou.)
_Você esta bem?
_Vou estar quando você colocar isso de volta no lugar. (Ela disse indicando o coração.)


A prefeita não sabia o porquê, mas simplesmente obedeceu. Depois se abaixou do lado da loira e disse:


_Você não me parece bem...
_Eu me sinto estranha. (A loira confessou.) Parece que absolvi algo dessa coisa. (Ela disse apontando para a poça de líquido ao seu redor.)
_Mesmo? (Regina perguntou receosa.) O que sente?
_Poder... Um poder estranho não sei o que poderia ser.


Ela disse se levantando atordoada e segurando-se no ombro da morena.



_Um portal... (A voz de Gold soou mais uma vez.) Você acha que é capaz de abrir um portal?
_Cale a boca Gold. (Regina disse tirando Emma dali.)
_Cuidado com as fraquezas Regina. (Ele disse de forma ameaçadora.)



A morena estava em conflito. Sabia que a cada segundo que se passava mais riscos corriam, mas não sabia o que poderia ser feito. Chegando do lado de fora Emma perguntou:


_Regina, desculpe perguntar, mas quem é Daniel?


A prefeita se afastou dela quase que de imediato.



_Como sabe do Daniel?
_Quando peguei seu coração vi alguns flashs. (A loira disse com um ar confuso e triste.) Não queria falar lá dentro pra não te expor na presença de Gold.
_Isso não é da sua conta! (A morena disse tentando segurar o choro que queria sair.)



Odiava a ideia de Emma conhecer aquela pessoa frágil que ela havia sido.



_Me desculpe, eu não quis xeretar... Só que veio na minha cabeça e foi inevitável.
_Tudo bem. (A prefeita disse baixando a cabeça.)



Os olhos verdes então encararam os castanhos com um sorriso. A xerife então disse:


_Vamos para Granny’s, Henry está lá desesperado. Temos que dar as boas noticias.
_Boas? (A prefeita falou irônica.) Era para eu estar morta e vocês na Fairy Tale Land. Realmente acha que alguém acha que temos uma boa notícia?

Emma então deu uma risada e disse:


_Você não escutou o que Gold me perguntou?



A prefeita a encarou confusa por alguns segundo e depois perguntou admirada:



_Você conseguiria abrir um portal?


Emma só deu um pequeno sorriso em resposta e elas continuaram o percurso até a Granny’s.