Incontado
6 A Estrada
Notas iniciais
Depois de pouco mais de duas horas de caminhada, ambas chegaram à cidadela. Elas estavam com as roupas um tanto sujas por terem passado um dia inteiro na floresta. A cidade estava movimentada, pessoas estavam indo trabalhar, estudar, como em qualquer cidade normal por volta das oito da manhã. Regina não sabia bem o que fazer, estava com vergonha por estar andando em público tão desarrumada. Emma, porém observava o local feito uma ave de rapina pronta para o ataque.
Elas estavam atrás de um carro quando Emma viu um policial se aproximando. A loira puxou a morena de forma brusca para baixo na intenção de escondê-la.
_Mas que diabos...
Regina começou a reclamar, mas Emma tapou sua boca e explicou bem baixo em seu ouvido:
_Tem um policial ali e nós não queremos ser vistas.
Regina balançou a cabeça em tom afirmativo assimilando a ideia. Ambas ficaram em silêncio até que viram tal guarda dobrar a esquina. Então a loira voltou a falar em seu ouvido, dessa vez de forma mais calma:
_Tem uma casa ali na frente, que a família inteira acabou de sair e acho que da pra entrarmos pelos fundos.
_Você pretende invadir uma casa? (Regina perguntou incrédula.)
_Bem, precisamos de um banho, roupas, comida e se possível dinheiro, tem alguma ideia melhor para conseguirmos tudo isso? (A loira perguntou)
_Não, mas...
_Ótimo! Então vamos!
Regina mal teve tempo de raciocinar, quando viu estavam ambas estavam pulando a cerca da casa. A loira arrombou a fechadura da porta dos fundos com maestria. Regina olhava a cena com ar de reprovação, mas se manteve calada e invadiu o local junto à loira.
Elas entraram pela cozinha. Emma foi imediatamente até a geladeira ver o que tinha para comer. Já a morena ficou estática em frente à porta vendo a outra pegando leite e abrindo um cereal que estava na dispensa. Foi então que a loira a encarou e perguntou:
_Não ta com fome?
Regina hesitou em responder mas por fim abaixou a cabeça e disse derrotada:
_Eu não consigo fazer isso. Vamos sair daqui...
_Sério? (Emma zombou.)
_Eu não quero roubar de uma família!
_Sério que a rainha má esta com remorso de comer um pouco de cereal roubado?
_E não sou má! (Regina respondeu de forma dura e ao mesmo tempo magoada.)
Emma revirou os olhos e então disse:
_Qual é? Era para ser uma piada...
Regina então descruzou os braços e disse:
_Eu sei, mas não gosto que me chamem assim, nem de brincadeira.
Emma suspirou, colocou as mãos nos bolsos do casaco e se rendeu:
_Me desculpe, era para ter sido engraçado, mas eu nunca fui boa com piadas.
Regina suspirou e um leve aceno positivo com a cabeça.
_Tudo bem, eu também não estou de bom humor. Você tem razão, nós temos que fazer o que viemos fazer e sumir daqui.
A morena disse pegando uma maçã e dando uma mordida. Logo depois de comer as duas foram procurar roupas que lhes servissem. Regina olhava, horrorizada, para as roupas da mulher que morava na casa. Aquilo tudo era dez vezes maior do que o seu tamanho.
_Emma... (Ela chamou de forma ríspida.)
_Que foi? (a loira perguntou colocando a cabeça na porta.)
_Sugere que eu use essas “coisas”? (Ela perguntou indignada mostrando os vestidos de “velho” que tinha encontrado no guarda roupa.)
_Bem você usa o que você achar que fica melhor em você... (A loira respondeu dando ombros.) Eu já decidi que usarei as roupas do adolescente... (Ela disse exibindo um jeans e uma camiseta xadrez e foi em direção ao banheiro.)
Regina revirou os olhos e foi nos outros quartos tentar achar algo decente. Nem coagitou usar as roupas do garoto foi direto para o quarto da garota as roupas dela eram um pouco melhores mas as blusas eram extremamente pequenas . ela pegou uma calça jeans da menina (Provavelmente a única que não era rosa e não tinha gliter ou coisas cafonas do tipo.) e acabou cedendo e inço pegar uma camiseta no quarto do garoto.
Foi para o chuveiro um tanto irritada e tomou um bom banho. Era tão difícil aquela coisa de não ter magia... Se ela ao menos puesse usar magia só para trocar de roupa já seria um sonho. Ao entrar no banheiro viu que não era a banheira luxuosa com que estava acostumada, mas ela aproveitou a ducha quente. Estava com seu pensamento longe, lembrava de Henry e de como estava com saudade. Depois seus pensamentos vagavam e acabavam indo parar na loira. E quando ela começava a sorrir lembrando de como Emma estava mais gentil desde a floresta, viu a porta do banheiro ser abruptamente aberta.
_Emma! Mas que diabos! (A morena falou ficando vermelha ao ver a intrusa.)
Regina puxou a toalha e se enrolou nela. Emma parecia um pouco constrangida, estaria ela rubra? Porque ela ficaria vermelha naquela situação?
_Hey... Eu só vim deixar essas roupas que achei aqui... (Ela disse mostrando uma mala.) Acho que são roupas antigas da dona da casa, são menores, algumas cafonas, mas outras ate que boas... Estavam no porão.
Emma estava engraçada de calça masculina, boné e camisa xadrez por cima de uma camiseta feminina, que provavelmente ela achou no quarto da adolescente. Ainda assim ela estava bem bonita mesmo naquele estilo.

Regina não se conteve a sorrir e dizer:
_Obrigada por isso.
Emma sorriu em resposta e saiu deixando a mala no lugar. Ao sair do banho a morena abriu a mala e viu que ali realmente tinham algumas roupas melhores. Tinham vestidos que não faziam nem um pouco o seu estilo, mas era melhor do que aquele jeans apertado e aquela camiseta horrorosa. Pegou um vestido vermelho levinho e vestiu. Ficou perfeito.

Ela e Emma então trataram de pegar outras peças de roupa e guardarem numa mala junto com uma caixa de comida que haviam preparado. Emma achou um bolo de dinheiro na gaveta de meias do quarto de casal e Regina quebrou o cofre do adolescente e pegou o que tinha ali. As duas colocaram tudo em mochilas e foram se encaminhando para fora da casa. A loira guardou consigo algumas ferramentas também. Emma e Regina saíram pela parte dos fundos com cuidado.
_Como faremos pra fugir agora? (Regina perguntou começando a ficar com medo de ser presa.)
_Relaxa Regina... Me espera ai! (Emma disse se preparando para pular o muro.)
_Espera. (A morena disse segurando o braço dela.) Não vai me deixar para trás não é?
Emma suspirou com um ar indignado:
_É claro que não! Você é a única pessoa que eu tenho nesse mundo agora!
Regina não sabia se devia se sentir feliz ou triste com o comentário, mas não se conteve a sorrir. Por alguns segundos se sentiu feliz por ela e Emma terem ficado para trás. Saber que era a única pessoa naquele mundo para Emma Swan de alguma forma era bom, mesmo estando longe de Henry. Mas logo que o pensamento caiu em seu filho seu peito apertou e seu sorriso se desfez.
_Me espera aqui que eu vou arrumar um carro. E confie em mim. Nós vamos encontrar nosso filho. Nós sempre vamos encontrá-lo.
A morena viu a outra pulando o muro e voltou a sorrir dessa vez com lágrimas nos olhos. Aquela frase a lembrava Snow e Charming prometendo sempre se encontrar. Ela respirou profundamente tentando mentalmente se recompor e afastar aquelas ideias de sua cabeça. Mesmo sendo a ultima pessoa daquele mundo para Emma Swan, ela tinha a certeza de que a loira nunca ia a olhar da mesma forma.
Ela não demorou muito a voltar, pediu para Regina passar o resto das mochilas e a caixa de mantimentos. Depois Regina pulou o muro atrás de Emma e ambas entraram no carro que a loira roubou.

_Já que estamos roubando você não poderia roubar um carrinho melhor não? (Regina reclamou entrando na pick up e pondo o cinto.)Podia ser uma Mercedes, ou uma BMW, até um Camaro seria melhor
_E fazer o alarme desses carros mega discretos tocarem? (Emma ironizou.) Roube você um desses.
_Nós vamos pegar a estrada com um carro roubado, esta mesmo preocupada com um alarme? Estou preocupada com a polícia.
_Acredite, é só você ficar calada e deixar eu lidar com os caras, os documentos do carro tão no carro, pra qualquer pergunta esse carro é do meu irmão e ele me emprestou para nós viajarmos.
_Qual o nome do seu irmão? (Regina perguntou e Emma revirou os olhos fazendo um cara irônica.) Só pra caso de perguntarem, nós temos que dar respostas iguais.
Emma suspirou mais aliviada e então disse:
_Em qualquer ocasião que precisarmos de um nome masculino a gente usa Henry.
Regina sorriu com aquilo.
_Eu sinto muito a falta dele. (A morena confessou.)
_Eu também. (A loira disse num suspiro triste.)
_Eu sei...
Regina disse tocando levemente o ombro da loira que por alguns segundos desviou sua atenção para a morena. Mas logo olhou pra frente retomando a atenção na estrada e apertando com mais força o volante. A morena logo recolheu sua mão acabando com o toque ainda sem entender muito bem a reação da outra.
Elas se calaram e logo elas estavam fora daquela cidade. Regina fi dormindo de dia, de noite elas trocaram. Emma estava dormindo serenamente ao seu lado quando Regina chegou em um mirante depois de cerca de 12 horas de viajem, contando as paradas para almoço, banheiro e lanche. Ela decidiu parar só um pouquinho para observar a beleza daquele mundo que não conhecia. Durante todo aquele dia ela só queria respirar um pouco daquele ar novo, mas a loira estava tão apressada que ela não queria atrapalhar. Assim que parou o carro a loira se mexeu e abriu os olhos vagarosamente.
A vista era tão linda que Emma nem precisou perguntar o motivo dela ter parado.

Ainda assim Regina respondeu:
_Essa vista é tão linda que eu simplesmente tive que parar. Que lugar é esse?
Emma coçou um pouco o olho e se esforçou para reconhecer o lugar:
_ Nova York. (A loira conseguiu reconhecer a vista por fim.)
_As vezes não acredito que eu fiquei presa em Storybrooke 28 anos sem ver tudo isso... (A morena disse divagando.)
_Podemos ficar aqui se você quiser. (A loira disse ao ver como a morena estava encantada.)
_Bem... Nos nem sabemos para onde estamos indo né? (A morena perguntou se empolgando.)
_É.. (Emma disse ficando cabisbaixa.)
_O que foi? (A morena perguntou vendo que ela havia murchado.)
_Você não falou que tinha um plano para irmos atrás do nosso filho? (A loira perguntou sem mais delongas.)
Regina então mordeu o lábio e disse:
_Precisamos de magia para conseguirmos ir.
Emma revirou os olhos e disse:
_Não existe magia nesse mundo!
_Existe sim. (Regina disse convicta.) Nós temos magia dentro da gente, só precisamos saber como usar isso mesmo sem ter mágica, precisamos ir para algum lugar seguro e treinar até conseguirmos.
Emma então fechou os olhos decepcionada.
_Eu sei que vai ser uma longa estrada até conseguirmos mas...
_Cala a boca e deixa eu dirigir. (Ela interrompeu saindo do carro e batendo a porta com força.)
Regina suspirou sabendo que aquilo não era boa coisa. Saiu do carro e trocou de lugar com a loira. Ambas ficaram num silêncio incomodo até que Emma não se controlou mais e explodiu:
_Por que não me falou? Por que me deu esperança de que podíamos conseguir?
_Mas nós podemos! (Regina protestou.)
_NÃO! Nós não podemos porque NUNCA nessa terra se ouviu falar em magia! (Ela gritou já deixando as lagrimas rolarem.)
_Emma você tem que acreditar! (A outra disse em tom sério.) Não pode desistir do nosso filho!
_Não posso me iludir! (A loira respondeu balançando a cabeça negativamente.) Nós o perdemos pra sempre!
Ela começou a falar coisas desconexas junto com o choro, a morena colocou a mão em seu ombro tentando a acalmar,mas não conseguia. Ouvia ela falar sem parar, mas não captava nada. Ela precisava a acalmar. Se Emma continuasse a dirigir daquele jeito elas iam bater o carro. Ela tentava falar para ela prestar atenção na estrada, mas era inútil. Ela estava fora de controle e aquilo estava corroendo Regina de uma forma que quando voltou a si o carro estava parado no acostamento e Emma havia se calado. A morena a encarou confusa, ao ver sua palidez e seus olhos arregalados
_Como diabos você fez isso? (A loira perguntou incrédula.)
_Fiz o que? (A morena continuava sem entender só então trando a mão do ombro da loira.)
_Você parou o carro. (Ela respondeu atônita.)
Regina a encarou confusa. Demorou alguns segundo para entender que de alguma forma tinha parado o carro com magia e então disse:
_Eu não faço ideia de como fiz. Mas se eu realmente fiz eu vou descobrir como.
A loira voltou a chorar só que dessa vez esperançosa. Num impulso abraçou a morena e disse repetidamente:
_Desculpa, desculpa... Eu não devia ter gritado, nem duvidado...
Regina não sabia inicialmente se correspondia ou não ao abraço, mas acabou por semiabraçar a loira, ainda muito sem jeito. Sentir a pela da loira na sua, sentir o cheiro dela no ar era realmente demais para ela. Quando elas se soltaram se encararam, então a loira disse com os olhos verdes marejados:
_Vamos ficar em Nova York, tenho um lugar perfeito pra gente ficar até conseguirmos ir atrás de nosso filho.
Ela deu a partida então para seu novo destino: O antigo apartamento de Neal.
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