Incondicional
1 Capítulo 1 — Sala Vazia
Notas iniciais

O sorriso de Alex era tudo que podia me aliviar naquele momento. Nunca desejei mal a ninguém, nem pensei em machucar alguém, mas não pude medir as consequências do que havia feito… Me sinto um monstro por dentro e por fora, não mereço tudo que ganhei as custas de meu amado, mas era tão jovem… Mesmo que isso tenha acontecido só a uma semana atrás.
A história não começa aqui, esse é apenas o fim. O começo mesmo é mais complicado, quase irracional.
É meio difícil de acreditar, mas o conto começa em um verão absurdamente congelante, a neve caia branda e se acentuava na terra, como se fosse um rigoroso inverno. Imaginem só, um rapaz do terceiro ano do ensino médio, franzino, tímido, nerd e todo aquele clichê de fanfic adolescente: Esse sou eu, mas para piorar minha situação, sou tudo isso e B.V e gay não assumido, mesmo que todo mundo saiba, já que é meio óbvio para alguns e nem tanto para outros. Como meu amigo Chris, que insiste em me arrumar garotas, mesmo elas desistindo um minuto após me verem cara a cara, sempre que alguém me chama ou pergunta se sou gay, insisto em dizer que não, mas a verdade mesmo é que gostaria de gritar para os sete ventos do que eu gosto de verdade: Garotos, mas como disse, sou tímido e medroso, coragem é aquilo que mais me faz falta quando o assunto é sexualidade, as vezes acabo entrando na brincadeira de Chris e aceitar “ficar” com uma das garotas que ele arruma, nem que seja para perder o B.V, já que minha situação é bem crítica, levando em conta os demais garotos de minha idade que estudam comigo.
Todo adolescente de fanfic sempre tem aquele “Príncipe encantado”, o garoto mais popular da escola, que larga tudo para ficar com o protagonista, o nerd que se acha feio e que depois fica bonito, minha história é meio diferente, quer dizer… Talvez totalmente, se bem que algumas coisas se assemelham aos clichês. Meu príncipe não tem nada de encantado, mas pode ter certeza que ele é o garoto mais lindo que você já deve ter visto. Ele é considerado popular, mas é daquele tipo de pessoa que gosta de ser simpática com todo mundo, isso custa -lhe alguns pontos quando o assunto é popularidade, já que o “Ciclo Social” da escola não aceita que ele socialize com os “inferiores”, segundo pensam.
O diferente da história é que não sou nenhum excluído da sociedade, na verdade a situação é beeem diferente, talvez eu seja um popular gay, que tem medo de assumir sua sexualidade e ser excluído pelo grupo de amigos. A única que sabe da minha sexualidade é a minha melhor amiga, Lucy, minha cadela.
Acho que não consigo assumir nem para mim mesmo oque sou de verdade, já que as vezes minha mente me faz acreditar que estou errado em sentir oque eu sinto, mas meu coração não. Mas a única coisa que faço é amar… Amar incondicionalmente… Desejar… E tudo por culpa de um garoto perfeito: Alex.
Alex namora com Viven, a rapariga “mais linda da escola”. Eu particularmente não acho grande coisa, ela parece uma cobra de saia de tão falsa. Sei muitos podres dela, mas prefiro não comentar, a última coisa que gostaria de ver é a pessoa que mais amo na vida magoada. Na escola ele é considerado Jesus de calças, por se enturmar com todos e ter amigos em todos os grupos sociais, já que ele se encaixa em diversos esterótipos: Ele é inteligente, gammer, rockeiro, sertanejo e muitos outros.
A única pessoa da escola que não consegue se enturmar e ter uma conversa digna com ele… Adivinha quem é? Isso mesmo, euzinho. Não sei porque exatamente não consigo debater com ele, talvez seja timidez, já que toda vez que me aproximo de Alex minhas pernas tremem e meu coração quase sai pela boca… Ainda bem que nunca estivemos em uma situação que nos obriga a conversar, porque se não isso ia ser constrangedor, não quero obrigar ele a gostar de mim — nem que seja como amigo -, mas admito que as vezes rezo para Nossa Senhora dos gays olhar e se compadecer por mim, porque a situação ta critica.
Mas voltando ao assunto, até hoje eu pensava que nunca íamos estar em uma situação, onde fossemos obrigados a conversar… Pois é, estava errado.
Com a chegada do verão com neve — algo que não acontece todo dia — as férias foram adiantadas em uma semana, quer dizer, pelo menos para os alunos, que se juntaram e decidiram não ir na escola nos últimos sete dias. O problema é que ninguém me avisou de nada e la estava eu, em uma segunda feira com menos de 0°, sentado na minha carteira esperando os demais colegas chegarem.
Já davam sete horas e ninguém havia chegado… Seria um feriado? Cancelamento de aulas? Não tinha exatamente certeza do que tinha acontecido, mas sabia que a melhor coisa a se fazer era ir embora e tentar descobrir o que sucedeu para que todos faltassem, acompanhado de um copo de chocolate quente e assistindo algum filme, mas quando já estava me preparando para ir embora, eis que entra na sala a ultima pessoa que você podia imaginar — é meio óbvio -, Alex, trajando aparentemente mais de três blusas, touca e luvas. Pode se dizer que ele é mais prevenido que eu — inveja -.
Quando o rapaz e todo seu charme — que não é pouco — entraram naquela sala estreita, meus olhos brilharam em todas as cores do arco iris, mas alguns segundos depois toda a magia acabou, com a chegada de Viven, a garota entrou na sala irritada e nem olhou para a cada de Alex, um comportamento estranho, já que os mesmos eram namorados, acho que deviam ficar naquele mi mi mi grudento a todo estante, não me importei, fiquei até bem contente e dei umas risadinhas por dentro.
— Ãn… Bom dia! — disse tentando ser simpático com o casal, ou ex casal.
— Bom dia! — respondeu Alex, com um sorriso amigável no rosto pálido, consequência do frio.
Aquele sorriso e aquela fala com todo tom simpático me derrubaram, depois dessa nem precisava mais de presente no natal — espero que minha mãe não leia isso -, mas a minha felicidade não terminava por ai, Alex, que ficaria sozinho na fileira, juntou seus materiais e se sentou na carteira a minha frente. Imagine só como fiquei, parecia estar em um tiroteio por culpa de tantos tiros.
— Temporal maluco esse, não? — disse Alex, virando -se para mim com um sorriso apaixonante no rosto.
— É… — respondi.
Pude perceber que havia algo errado entre Viven e Alex, talvez uma briga ou algo do tipo, resolvi não perguntar para não ser tachado de entrometido, então fiquei na minha aguardando o professor entrar na sala, rabiscando a carteira e olhando para o céu nublado la fora.
— Ei Kevin! — chamou Alex. Olhei no mesmo instante, surpreso por ele saber meu nome. — Você sabe como terminar com uma garota sem magoa -la? — perguntou.
Fiquei parado, tentando imaginar como alguém tão perfeito quando o Alex teria problemas com relacionamentos, uma coisa bem sinistra — pior que isso é só ele pensar que eu poderia dar alguma dica útil sobre o assunto -.
— Bom… — respondi receoso e ao mesmo tempo com medo de falar a verdade. — É que, sabe…
— Não sei porque… — cortou ele. — De principio nossa relação ia muito bem… Mas aí…
— Mas aí…? — perguntei, curioso.
— Mas aí ela começou a ficar distante, como se não estivesse tão interessada… Já aconteceu com você?
— Eu…
— É claro que já… — cortou ele. — Isso é um peso que todo homem deve levar consigo… Você acha que eu devo falar com ela?
— Eu acho que…
— Você tem razão! — cortou ele, pela terceira vez. — Alguma coisa deve estar acontecendo e só uma conversa cara a cara pode remediar isso! — Alex pegou em minha mão e olhou no mundo de meus olhos. — Valeu cara! Não imaginava que você era tão bom quando se tratava de relacionamentos! Ainda não entendo como não esta namorando… Mas posso te dizer que tem muita garota gamada em você! — disse o rapaz, que em seguida se levantou e se sentou perto da cadeira da namorada.
— Devia ter ficado de boca fechada… — pensei. — Se bem que não falei nada mesmo… Imagina se tivesse falado!? — em seguida voltei a rabiscar meu caderno e esperar o tempo passar.
Algum tempo depois, a discussão de Alex e Viven tomou uma proporção maior e gritos ressoavam por toda a sala — se não a escola -, eu tentava manter a calma e não entrar no meio — se bem que adoraria defender o Alex e dar na cara daquela galinha de quintal -, palavrões, xingamentos e todo tipo de coisa “coloriam” o ambiente estudantil, me sentia em um jogo do Brasil X Argentina, mas continuava em um tom piano, assoviando como se nada estivesse acontecendo.
— Ah! Quer saber? — disse Alex. — Eu sempre soube que você estava ficando com o John, mas eu não liguei, sabe porque? — indagou.
— Não, não sei. — respondeu Viven, irritada. — De ser porque é um retardado!
— Eu não ligava porque nunca te amei! — respondeu ele. — O John sim que gosta de você!
— É mesmo? — ela se levanta. — Bom saber que um HOMEM de verdade me ama. — em seguida se sentou na primeira fileira, longe de todos.
— Ui. — pensei. — Essa doeu até em mim.
Alex ficou abismado com a resposta de Viven, por alguns segundo ficou parado, olhando para o nada, em seguida pegou seu material e novamente se sentou na carteira em minha frente — ele fica tão lindo sério -.
— Tudo bem, Alex? — perguntei, querendo ajudar no que pudesse.
— Agora está… — respondeu o rapaz, em um tom receoso. — Pelo menos soube que ela não me amava, era meu único intuito… O namoro já estava caminhando em brasas a tempos, mas fiquei com medo de terminar e fazer -a sofrer. — ele sorri. — Você não faz ideia do peso que retirei das costas!
— Que bom… — sorrio amigavelmente olhando para Alex. — E porque você decidiu vir hoje?
— Estava com muitas faltas em química… — respondeu Alex. — E como eu decidi vir, a mãe da Viven a obrigou a vir também… Ainda bem que você veio, se não essa sala ia ficar com um clima muito pesado… — ele vira para trás e me encara com uma expressão confusa. — Posso te fazer uma pergunta?
— Claro… — respondi arregalando os olhos.
— Você tem algo contra mim? — perguntou, enquanto olhava meus rabiscos na mesa.
Me tremo por completo com a pergunta de Alex e olho para todas as direções, pensando no que falar.
— Não! — respondi confiante. — Pensava que você que não gostava muito de mim… Afinal… Nunca nos falamos…
— Eu pensava o contrário! — ele ri. — Para mim, você que não me suportava… Já que sempre que tentava me aproximar você esquivava, mas porque isso?
Fico estupefato com a pergunta, dessa vez fiquei sem nenhuma desculpa possível, acho que já era a hora de falar a verdade — como se eu conseguisse mesmo -. Pensa Kevin, pensa…
— É que…
Antes de terminar de falar minha desculpa, o sinal tocava e alarmava a todos, mal havia começado a aula e já estava na hora do recreio. A expressão “Salvo pelo gongo” é a mais cabível aqui, já que ao ouvir toque, Alex saltou da cadeira e foi em direção a cantina, Viven foi atrás, nada animada e eu fui por ultimo.
Notas do Kevin
Querido leitor, aqui é o Kevin. Por enquanto é isso, mas fiquei por dentro, logo logo minha historia e de Alex vai continuar. Talvez eu tenha exagerado um pouco nesse capítulo em certas coisas, mas a história em si é verdadeira — ou talvez não -. Brincadeira é verdadeira sim. Essa fanfic é meu maior segredo, então não conte para ninguém, tá? Nela eu coloco meus verdadeiros sentimentos com uma “pouca” — talvez muita — pitada de mentira, afinal, tempero é essencial para uma história funcionar. Minha história é uma fanfic dentro de outra, meu tempero especial é a mentira e o que faz ela funcionar é o seu apoio.
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