Incondicional

2 Capítulo 2 — Ps: Não se esqueça de mim!


Notas iniciais
- Nesse capítulo vão entender o porque de tanto clichê, espero que gostem!!

Nunca me senti tão feliz como hoje. Eu sei, não devia estar assim por culpa da tristeza alheia, mas é tão energético saber que o cara que você ama não esta mais com a namorada… Melhor ainda é saber que eles terminaram se odiando ou seja, acho que nem a amizade entre eles resistiu as palavras um do outro… Só que não.

Com o sinal tocado e o intervalo iniciado, pude perceber uma certa ‘competição” entre Alex e Viven, parecia que um queria mostrar para o outro o quando estavam bem e que o término do namoro não havia balado em nada, mas cá entre nós, era óbvio que os dois estavam mexidos — como dois ovos -, mas nenhum queria assumir, ficando com a pose de forte até algum pedir clemencia e querer reatar. Me sentia como um osso disputado por dois cachorros, de um lado o border mais lindo do mundo — Alex — e do outro uma poodle de nariz em pé, que não quer passar a aula toda sozinha e prefere ter a minha companhia do que a do namorado, alias, EX namorado — gosto de frisar essa palavra hahaha -.

A cantina parecia o deserto do Saara — só que sem neve -, mais de trinta mesas e todas vazias, uma cantineira quase caindo no chão de tanto sono e ao fundo Alex e Viven, sentados em mesas separadas, mas mesmo assim uma do lado da outra. Meu deus, você nem imagina o que eu senti naquela hora, não sabia se me sentava com um ou com o outro — mas para deixar claro, preferia me sentar com você sabe quem, porém não queria magoar ninguém -, achei que a melhor coisa a se fazer era sair correndo como se estivesse acontecendo um show da Katy Perry de graça, mas como estava preso naquela escola era o momento perfeito para um ato maduro e que só pessoas bem desenvolvidas conseguiam pensar: Ir no banheiro e passar todo o intervalo escondido.

E assim fiz, como uma lebre fui até o banheiro e me tranquei dentro de uma das cabines, eram apenas quinze minutos de intervalo, não ia durar muito. Infelizmente estava errado e para minha alegria esse fora os quinze minutos MAIS demorados da minha vida, parecia NUNCA acabar, era só um tédio total, já que o celular estava sem bateria e minha mochila havia ficado na sala, só mesmo meu bloquinho de anotação e minhas idéias para esta fanfic faziam parecer menos tedioso.

Eu achei que estaria sozinho no banheiro, afinal a escola estava uma verdadeira Chernobyl, até que ouvi o som da descarga do banheiro ao lado. Nossa, isso fez meu corpo gelar! Seria alguma assombração? Um espirito? Um demônio? Só sei que naquele instante fiquei paralisado, esperando que tudo de ruim acabasse logo, minhas tentativas de segurar meu grito — que ia ressoar por toda a escola -, foram inúteis quando um aviãozinho de papel entrou na minha cabine e parou bem na minha frente, meus olhos se arregalaram e meu corpo tentava se afastar, mas logo — com muito medo — cedi e peguei -o para ver do que se tratava. Ao abrir, pude ver um bilhete escrito com uma letra já conhecia — a de Alex -, nele, algumas poucas palavras que me deixaram nas nuvens:

Hey! Eu não queria falar cara a cara com você, pois essa escola esta tão vazia e uma pessoa a 3 metros de distancia consegue ouvir o que estou falando, então mandei essa carta como uma forma de apelo! Preciso, quer dizer, necessito de uma opinião masculina sobre uma coisa que vem me atormentando… Estarei te esperando no laboratório de química.

— Alex… — disse com um tom curioso.

Não precisei ler o papel duas vezes, em menos de um minuto já estava correndo até o laboratório para entender oque se passava, a única coisa que pensava era no bem estar de meu amado e oque se passava naquele coração confuso — sei que é muito mi mi mi de apaixonado, mas pressentia que tinha algo errado e só eu podia ajudar — e assim fiz, cheguei no laboratório como um condenado escapando da prisão e ao passar pela porta — que quase derrubei com um chute, aliás — minha alegria, moral, consciência, desejo, sonho e todo sentimento bom foi das nuvens para o chão, a primeira coisa que via não era nada alegre para mim: Alex e Viven se acabando em beijos.

Não sabia oque estava acontecendo nem o porque de que havia sido chamado ali, a única coisa que conseguia pensar era na humilhação que estava passando. Fui forte e permaneci com uma expressão contente, tentando fingir que estava alegre por eles — mas todos sabem que não -, logo, quando percebi que estava incomodando, coloquei a mão no ombro, dei as coisas e saí caminhando pela porta, estupefato e magoado.

— Desculpem, foi sem querer… — disse eu, com palavras murchas e dignas de um filme de drama. Alex finalmente percebeu minha presença e correu, me interceptando antes de conseguir passar.

— Ah! Você recebeu meu bilhete? — perguntou ele, com um sorriso ingenuo no rosto.

— Recebi sim e desejo muitas felicidades a você — respondi em um tom piano. — Nem que custe a minha — sussurrei.

— O que disse? — perguntou ele confuso.

— Uma coisa muito triste, que poderia estragar esse momento feliz de vocês… Não se incomodem com isso, não era nada importante… Pelo menos para vocês! — disse, enquanto abria um sorriso forçado no rosto e desviava de Alex, indo em frente, aos prantos.

— O que deu nele? — perguntou Viven, confusa.

— Eu também não sei… Geralmente o Kevin é pura alegria… — respondeu.

— Sera que pegar nós nos beijando fez mal para ele? — perguntou. — Afinal, pelo que eu sei ele ainda é B.V. — respondeu.

— Sério?! — disse Alex, surpreso. — Eu achei que com esse jeito tímido ele conquistava todas…

— Parece que não… — respondeu Viven, se sentando novamente. — Vem! Vamos continuar!

— Não dá… Eu preciso falar com ele! A culpa dele ter visto nossa cena é minha…

— Como assim??

— Estava sentindo uma coisa estranha e queria a opinião dele… Até que você chegou e nós fizemos as pazes… — disse Alex, arrependido.

— Baah! Vem pra cá! Ele se resolve…

— Tudo bem… — ele volta a beijar Viven, pensando nas consequências do que havia feito.

No dia seguinte resolvi não ir a aula, ia ser muito chato dar de cara com Alex de novo depois do papelão que me prezei a fazer e além disso, meu rosto estava todo inchado de tantas lagrimas que caíram serenamente pela noite — parecia uma cachoeira -. É tão difícil você sofrer, mas não poder contar com a ajuda de ninguém… Esse é um dos males de quem não assume a sexualidade. Quem dera eu ainda tivesse algum amigo/amiga pelo menos 1% mais verdadeiro e que pudesse me ajudar, dar conselhos… Mas são todas falsianes e das piores qualidades — tem a Canalhina, a Quenguiane, a Sonsicléia e a Burriana -, a melhor coisa a se fazer era chorar tudo que tinha para chorar e em seguida transformar minha tristeza em criatividade e continuar essa fanfic — e cá estou, escrevendo -, o problema é que minhas palavras ficam tão melancólicas quando estou triste… Então era a hora do plano B: O amigo de um amigo.

Sabendo oque devia ser feito, peguei meu celular e liguei para a única pessoa que eu confiava 1%, minha prima Lia. O problema é que ela é meio maluca e as vezes nem sabe oque esta falando, mas se ela descobrir algo e contar ninguém vai acreditar.

Teclei os números, coloquei o celular no ouvido e fiquei esperando, até que a voz de Lia ressoou em meu quarto.

— Kevin. — disse uma voz sonolenta. — São seis horas da manhã, não tem aula, esta a menos de dez graus la fora… Oque você quer criatura?

— Ooi minha priminha do coração! — disse em um tom irônico.

— Fala logo porque eu quero dormir!

— Então… — respondi receoso. — Tem um amigo de um amigo meu que esta com uns problemas e acho que você podia ajudar!

— Continue… Adoro babado.

— É o seguinte: Esse amigo de um amigo é gay não assumido e se apaixonou por um cara e esse cara tinha brigado com a namorada dele… Então ele se aproximou desse amigo de um amigo e pediu para que fosse na sala onde ele estava e o gay foi e deu de cara com o cara e a ex se beijando… Você acha que isso foi premeditado e eles queriam que esse amigo desse um flagra e quebrasse a cara? — perguntei.

— Bom… — confusa. — Do que você disse eu não entendi quase nada… Mas a melhor solução para isso é simples: Mate a namorada, mate o cara, mate o amigo e mate o amigo do amigo! Passar bem! — e desligou o celular.

— Cristo… — respondo. — Vou tentar outra pessoa… — digo enquanto teclo outro numero no celular. Era o de Chris, meu melhor amigo e também meu maior problema. Ele atendeu e eu contei a historia para ele, o mesmo deu algumas risadas pensando que era brincadeira e logo se estabeleceu, para tentar dar uma resposta digna.

— Olha… — rindo. — Eu estou mais perdido que você! Bom, mas se o cara gosta… Ele deve demonstrar, correr atrás… — ele diz bocejando. — Falando em correr atrás… Meu irmão, arrumei duas gatas maravilhosas e para melhorar: Gemeas! Quando é que a gente vai combinar de sair com elas?

— Qualquer disse desses… Tchau! — desligo o celular na cara de Chris. — Até que a idéia dele não é das piores… Mas como eu posso demonstrar o que sinto sem que ninguém descubra que sou eu? — naquela momento uma luz iluminou a minha mente e um sorriso maléfico coloriu meu rosto. — Como não pensei nisso antes?! — e em seguida, pego meu tablet e entro no meu blog.

Já em meu blog — onde posto essa fanfic -, apaguei todos os meus dados pessoais e me coloquei sobre o pseudônimo de Ângelo Alves — o sobrenome de Alex -, alterei o título do blog de Kevin para Incondicional, era um plano perfeito! Depois de ter feito tudo importante, peguei meu celular e enviei ANONIMAMENTE uma mensagem para Alex, com o link da fanfic. Agora era esperar, com tantos detalhes sobre a vida de meu amado, não era difícil ele entender que tudo fora escrita com inspiração nele… Você deve estar se perguntando, mas se tudo aconteceu com ele e comigo, como Alex não descobriu que se tratava de mim? É meio obvio, não? Já não te contei que todas as minhas histórias tem uma “pitadinha” de mentira? Essa pitada fez toda a diferença em minha vida, resta agora esperar as aulas voltarem — e o inverno ceder — para descobrir no que essa fanfic vai suceder.

Notas do Angelo

E então pessoal? O que estão achando da minha vida? Meio corrida, meio lenta e as vezes meio sem sal, por isso eu uso o tempero da mentira. Só espero que continuem lendo, pois continuarei muito contente!

Ps: Alex, não se esqueça de mim!



Notas finais
- E então? O que acharam? XD Comentem!