Incondicional.

1 – Recomeço.


― Aqui há mais de duzentas pessoas, e todos somos imunes. Será um bom recomeço.

Thomas a encarou com certa descrença. Brenda parecia tão segura, como se soubesse de alguma coisa que ele ignorasse.

― O que quer dizer com isso?

Ela se inclinou para frente e o beijou no rosto, depois nos lábios.

Um ano e meio depois.

Thomas caminhou lentamente pelo corredor da escola, era a primeira vez que ele ia para a escola. Ele se sentia nervoso, mas isso fazia parte. Se ele não fosse, como incentivaria os outros a irem? As coisas estavam tomando rumos novos, o recomeço que Ava Paige Chanceler tinha previsto realmente aconteceu. As pessoas imunes que sobraram começaram uma nova civilização. Os mais velhos se unirão, e começaram a ter filhos, alguns adotaram os mais jovens e todos viviam dessa forma. Thomas por sua vez preferiu se manter longe de tudo isso. Brenda até que tentou várias vezes, mas Thomas não sentia vontade de ficar com a garota, não era ela que ele queria.

Thomas entrou em sua sala, alguns alunos estavam sentados nas primeiras carteiras. Thomas caminhou até o final de sala e sentou-se lá. Thomas ainda estava meio bravo, pois para o seu azar, Minho o seu melhor amigo tinha ficado na outra sala.

― Bom dia! ― Uma mulher de cabelos escuros entrou na sala e sentou em sua mesa.

― Me chamo Samantha e serei a professora de biologia de vocês. ― A mulher sorriu, e então encarou Thomas nos olhos.

Thomas sentiu seu coração gelar, não bastava ele ter de ir para escola, ainda tinha de receber essas olhadas estranhas da professora. Ele engoliu a seco e sorriu sem graça. A mulher por sua vez, sorriu de volta.

― Vamos começar então? ― Ela continuou sorrindo. ― Preciso que um a um levante, diga seu nome e o que mais gosta.

Um a um levantou e contou o nome, e o que gostavam.

Chegou à vez de Thomas.

Ele se levantou e encarou a professora.

― Me chamo Thomas. E bom eu não gosto de nada, a não ser ler. Ler é a única coisa que me mantém vivo ainda. Eu sei que você não perguntou isso, mas eu quero completar meu pensamento com uma frase que li em um dos meus livros. ― Thomas encarou a professora e a mesma balançou a cabeça afirmativamente sorrindo. Thomas então começou a falar. ― “Vai chegar um dia em que todos vamos estar mortos. Todos nós. Vai chegar um dia que não sobrará nenhum ser humano sequer para lembrar que alguém existiu ou que nossa espécie fez qualquer coisa nesse mundo. Não vai sobrar ninguém para se lembrar de Aristóteles ou Cleópatra. Tudo que fizemos, construímos, escrevemos, pensamos e descobrimos vai ser esquecido e tudo isso aqui. ― Thomas fez um gesto abrangente para dar ênfase no que falava. ― vai ter sido inútil. Pode ser que esse dia chegue logo e pode ser que demore, milhões de anos, mas, mesmo que o mundo sobreviva a uma explosão do sol, não vamos viver para sempre.” ― Thomas parou de falar. A frase que ele tinha recitado se encaixava em tudo que ele e essas pessoas tinham vivido nos últimos tempos. Quando se deu por conta, todos estavam aplaudindo até a professora.

Thomas sorriu e sentou-se em sua carteira novamente. A aula então continuou em seu ritmo normal. Ritmo que para Thomas parecia se arrastar. Ele estava louco para sair dali. Então o sinal tocou.

― Eu vejo vocês na próxima semana. ― A professora disse sorridente. ― Estão liberados.

Thomas pegou sua bolsa transversal e começou a sair da sala em passos rápidos. Mas foi chamado pela professora.

― Thomas?

Thomas se virou e encarou a professora.

― Boa frase! ― Ela sorriu.

Thomas acenou confirmando com a cabeça e saiu da sala. Caminhou rápido pelo corredor, queria sair dali o mais rápido possível. A vontade de Thomas era sair correndo, mas continuou caminhando devagar.

― Thomas! ― Uma voz feminina chamou.

Thomas se virou e encarou Brenda.

― Como foi a sua aula? ― A garota perguntou tentando ser amigável.

Thomas admirava o esforço da garoto de tentar ser legal com ele, mesmo quando o garoto surtou e se afastou dela. Thomas não queria levar um relacionamento com Brenda, já a garota queria e deixava isso claro.

― Normal, para quem nunca foi a uma escola, eu me sai bem. E você? ― Thomas perguntou meio impaciente.

― Interessante... ― Brenda começou a tagarelar, mas Thomas não prestava atenção em nada que a garota falava, e isso durou minutos até que os dois saíram. ― Agora preciso correr, hoje começo a trabalhar na nova cafeteria do centro. Bom... Até!

Brenda saiu correndo e Thomas a olhou sair pelo grande portão da escola.

Thomas até poderia se sentir mal por isso, mas não aconteceu. Ele sentiu um imenso prazer em se livrar da garota.

Thomas olhou em volta a procura de Minho e então viu o garoto que conversava com uma garota loira. Minho estava tão perto da garota que Thomas preferiu não interromper. Então saiu da escola.

Thomas caminhou devagar pela rua, até que uma mão empurrou Thomas com força, o garoto pendeu para frente em desequilíbrio.

― Ora, por que não me esperou seu cara de mértila? ― Minho reclamou.

― Ah você estava muito ocupadinho quase devorando aquela garota. ― Thomas disse sério.

Minho riu.

A vontade de Thomas foi dar um soco na cara de Minho. Se ele pelo menos soubesse que Thomas estava roxo de ciúmes.

Thomas olhou feio para Minho e então desviou o olhar.

― O que você vai fazer essa tarde? ― Minho perguntou.

― Estarei ocupado, até! ― Thomas disse e saiu.

― Thomas! ― Minho gritou.

Mas Thomas não se virou. Não estava com vontade de sair com Minho e o escutar falar sobre garotas, ou paquerar garotas. Não era fácil para Thomas ver o garoto que ele gostava aos beijos com uma garota qualquer. Thomas bufou e começou a andar mais rápido, quando deu por conta estava correndo.

Com certeza ele iria para o lugar que ia sempre quando estava triste. Iria chorar e se perguntar por que Chuck, Newt ou Teresa não poderiam estar aqui.