Incondicional.

2 – Acampamento Escolar.


Dois meses havia se passado desde o início do ano letivo. E hoje era o dia que as classes de biologia do terceiro ano iriam para um acampamento com a professora Samantha e o professor Lucius.

Thomas não estava muito ansioso. A turma de Minho iria.

Minho, sua namorada loira e nojenta e Brenda.

― É que animação! ― Thomas disse sério e então fechou sua mochila.

O garoto caminhou pelo quarto e saiu.

― Ei, Thomas! ― Gritou Esme.

Esme cuidava de Thomas. No início Thomas não se sentiu nada feliz em saber que teria uma pessoa pra cuidar dele. Mas então o garoto ficou sabendo da história da mulher. Ela havia perdido os filhos e quase ficado louca, mas não pela doença e sim por se ver sozinha no mundo. Ela encontrou em Thomas uma saída para deixar de pensar tanto em seus filhos.

― Oi! ― Thomas gritou.

― Vai sair sem se alimentar? ― Ela gritou da cozinha.

― Hmmm, eu estou sem fome. ― Thomas falou sério, mas a desculpa era vaga demais. ― Estou bastante atrasado. Mas peguei tudo que você separou e está na mochila, prometo comer na viajem.

― Cuide-se! ― Ela gritou.

Thomas saiu pela porta e olhou o céu azul.

― Ufa! ― Ele disse sério.

O garoto adorava Esme, mas ainda assim era um adolescente, ter uma “mãe” lhe dizendo o que fazer o tempo todo às vezes o deixava bravo.

Thomas começou a caminhar em direção a escola. As pessoas faziam suas tarefas habituais, a cidade estava como sempre. Todos trabalhando, todos tentando esquecer o que haviam passado há um ano e meio. Mas Thomas não conseguia esquecer. Não conseguia superar.

― Ei cara de mértila! ― Minho disse e pulou nas costas de Thomas.

Thomas não estava preparado e os dois foram parar no chão.

― Porra, Minho. ― Thomas reclamou.

Minho continuou rindo.

― Não vejo graça alguma! ― Thomas disse sério.

Minho continuou rindo. O que fez Thomas rir também.

― Imbecil... ― Thomas começou.

― É impressão minha, ou você vem me evitando desde que comecei a namorar a Hanna?

Thomas olhou sério para Minho.

Minho riu.

― Estou zoando, seu mértila. ― Minho disse rindo e então levantou do chão. ― Vamos ou nós vamos nos atrasar.

Thomas levantou também. O garoto esticou a mão para pegar a sua mochila no chão, mas Minho fez o mesmo. As mãos dos dois se chocaram de leve. Thomas puxou sua mão rapidamente e Minho fez o mesmo.

― F-Foi mal... ― Minho disse gaguejando.

― Sem problemas! ― Thomas disse. ― Vamos ou perderemos o ônibus!

Os dois garotos começaram a caminhar. Só que Thomas não parava de imaginar. Será que Minho havia sentindo o mesmo choque que ele. Será que tinha sentindo a mesma emoção que ele? Thomas sorriu sozinho.

― Ei, Thomas? ― Minho chamou passando as mãos em frente ao rosto de Thomas. ― Chegamos, está sonhando?

― O-Oi? ― Thomas perguntou sem graça.

― Nada, tu ta estranho, hem? ― Minho disse rindo.

Thomas apenas sorriu.

― Olá meninos e meninas! ― Lucius falou em um megafone.

Os alunos olharam assustados.

Lucius riu.

― Nós vamos divididos em dois ônibus. Alguns alunos junto comigo, e outros com a professora Samantha.

― Ah... ― Os alunos disseram juntos.

― Vamos à chamada para o meu ônibus. Os chamados entram no ônibus a direita, os que não forem chamados vão com a professora Samantha. ― O professor forte disse. E então começou a chamar os nomes.

― Thomas. ― Lucius gritou no megafone e sorriu logo em seguida para Thomas que levantou a mão.

Thomas seguia para o ônibus quando ouviu chamar o nome de Minho. Seu coração bateu mais forte. Mas então tudo ficou em silêncio. Thomas continuou caminhando e então sentiu uma mão segurar seu ombro.

― Ei... ― Minho disse sorrindo.

Thomas sorriu.

― Consegui trocar de ônibus para ir com a Hanna. ― Minho disse todo sorridente.

― Ah... ― Thomas disse tirando o sorriso do rosto e então disse seco. ― Boa viagem!

Thomas subiu para o ônibus, não havia ninguém que ele gostasse ali. E pra ferrar tudo, apenas um dos garotos era da sala dele.

A viagem foi mega longa, mas chegaram ao camping.

Todos os alunos desceram do ônibus e seguiram os instrutores. Todos ouviam tudo com atenção, até mesmo os professores. Então foram guiados para a área onde ficam os alojamentos.

― Meninas no alojamento A com a professora Samantha. E os meninos comigo no alojamento B. ― O professor Lucius disse.

― Ahhhh que merda! ― Minho disse rindo e beijou a namorada nos lábios.

Thomas desviou o olhar.

― Vamos nos instalar e nos encontrarmos aqui, daqui a quinze minutos. ― A professora Samantha disse e saiu guiando as meninas para o alojamento delas.

― Vamos lá companheiros! ― Disse Lucius sorrindo.

Os garotos acompanharam Lucius até o alojamento.

Thomas entrou e olhou em volta. Era tudo meio estranho. Cada cama alinhada uma a outra. Uma do lado da outra, Thomas não gostou daquilo. Fechou os olhos e tentou espantar os pensamentos ruins.

― Ei. Pode ficar do meu lado se estiver com medo. Segurar minha mão... ― Minho disse rindo.

― Obrigado. ― Thomas disse seco e então caminhou para uma cama bem longe da de Minho.

Thomas arrumou a cama onde iria dormir por alguns dias e olhou em volta, a maioria dos garotos já haviam terminado.

― Vamos lá então? Estou louco para começar as atividades diárias, vamos aprender biologia na prática. ― Disse Lucius numa animação que nauseou Thomas.

As atividades foram mais divertidas do que Thomas esperava que fosse. Os alunos pescaram, nadaram, brincaram.

Thomas fez de tudo para se manter longe de Minho ou de Brenda o dia inteiro.

O sol já começava a desaparecer. Thomas estava perto de um alto barrando olhando o sol e as árvores que estavam em baixo do barranco.

― Parece muito alto, não acha? ― Minho disse.

Thomas se virou assustado.

― Opa. Cuidado seu cara de mértila. ― Minho disse.

― O que você quer? ― Thomas disse seco.

― Cê está estranho o dia inteiro, tem alguma coisa pegando? ― Minho perguntou.

― Não, pegando aqui só você... Pegando aquela verdugo que você chama de namorada! ― Thomas disse bravo.

Então o garoto se tocou do que tinha dito.

― O que? ― Minho perguntou.

― Nada, caramba. ― Thomas disse irritado e se virou para caminhar. O que ele tinha esquecido era que estava em beira ao barranco.

Minho segurou o braço de Thomas, mas isso não foi suficiente, só piorou as coisas. Os dois garotos caíram bolando pelo grande barranco.

Thomas sentiu uma dor absurda na cabeça quando caiu deitado.

― Droga... ― Thomas disse enquanto passava a mão pela cabeça. Thomas sentou-se e então olhou para Minho.

― Minho! ― Thomas se desesperou e começou a engatinhar na direção do outro garoto.

Minho estava desacordado e tinha um corte grande na testa.

Thomas sentiu o desespero tomar conta do seu corpo.