Aquele calabouço estava escuro, mas iluminado o suficiente para que pudesse ver o estado de Tyene. Seu pequeno rosto já estava pálido e seu corpo definhava com o tempo. Não podia acreditar que tudo aquilo estivesse acontecendo. Precisava sair, precisava encontrar uma maneira de escapar daquele inferno no qual ela foi colocada. Se Doran não tivesse aceitado a morte de seu irmão tudo teria sido diferente. Sua fraqueza foi o nosso fim.

Seus pensamentos a levaram de volta para Dorne e para quando Oberyn ainda vivia. Lannisters, pensou em uma onda de fúria, quando teve sua atenção desviada ao ouvir o som de passos se aproximando. Oberyn. Podia ver seus profundos olhos sorrindo para ela e se aproximarem até que pôde ouvir sua respiração.

—Oberyn, é você! — Sua voz estava fraca, há dias já não falava. Mesmo quando a forçavam a se alimentar não conseguia falar.

—Coma. — Ela notou que aquela voz familiar não era de Oberyn. Qyburn.

—Há quantos dias eu já estou aqui? — Pela primeira vez conseguiu perguntar.

—Não o suficiente. Você ainda passará um longo tempo aqui.

—Por que você está fazendo isso? Por que... — Sua voz falhou.

Ellaria o seguiu com seus olhos. Podia sentir um cheiro que não lhe era familiar exalando dele, um odor ácido que intoxicava o ar e a fazia se sentir enjoada. Qyburn seguiu em direção ao corpo de sua filha e ela o observou. Ele fitava o corpo de Tyene como se fosse um simples objeto inanimado. Não queria aceitar o rumo que sua vida tomou.

—Deixe-a em paz! — Tentou gritar, mas sua voz saiu como um sussurro.

O que eu fiz? Sentiu seu corpo tremer. Nesse momento veio à sua mente Oberyn dançando graciosamente enquanto enfrentava aquele monstro a quem chamavam A Montanha, todo aquele sangue jorrando de sua cabeça. Lembrou-se de perder os sentidos, aos poucos os sons do povo gritando se esvaiu e tudo começou a escurecer. Aquele cheiro a estava sufocando. O cheiro do sangue de Oberyn jorrando. O chão manchado com o vermelho da Víbora Vermelha. Naquele momento soltou um grito silencioso, ninguém a escutava, assim como ninguém a escutara antes.

Qyburn estudava minunciosamente aquele corpo que um dia fora sua filha, então ela tentou se inclinar para ver o que instigava a sua atenção. Ele não está perto o suficiente, pensou, encarando agora aquele corpo que se movia à sua frente. Agora ela apenas observava. Então o homem se virou e a encarou com seus curiosos olhos, mas ela não o encarou de volta, sua atenção estava voltada ao plano que acabara de ter.

O necromante se aproximou e verificou que ela sequer tocou na comida. Nesse momento ela estendeu o alcançou com seu braço direito, pressionou o pescoço da vítima. Foi capaz de esboçar um sorriso. Conseguiu dar um passo para trás e então o enforcou com a corrente pela qual estava presa há incontáveis dias, até que notou seu corpo imóvel.

Encostou-se na parede e deslizou para o chão, enquanto sentia seu rosto quente sendo lavado por suas lágrimas.