Incertezas

3 Na avenida


Notas iniciais
Terceira parte do que agora, definitivamente, é uma história com mais de quatro partes. Espero que gostem!

Terminou o capítulo do livro que lia e ergueu o olhar um pouco, pra descansar a vista. A avenida ao seu redor estava cheia, mas algo atraiu imediatamente seu olhar.

Desta vez, o cabelo dele estava preso em seu longo rabo de cavalo. Usava uma jeans escura consideravelmente justa, seu velho all-star cinza e uma camiseta de manga longa preta. Percebeu, com uma sensação esquisita, que era a mesma camiseta que ele estava usando naquele outro dia, quando eles... quando a ideia deles ficarem juntos não parecia tão complicada.

Sentiu um peso no estômago que não sentia há algum tempo. Quer dizer, sentia frequentemente, mas com aquela intensidade, daquele jeito, já havia quase dois meses.

Dois meses, é isso mesmo? Dois meses desde aquela conversa horrível que tiveram no shopping, em que nada foi dito e tudo foi arruinado? Queria poder esquecer aquele dia. Ou melhor, voltar atrás e fazer tudo diferente, mesmo que não soubesse como.

Mas agora não importava. Ali estavam, dois meses depois, no meio da avenida. O jeito agora seria torcer pra que ele não o visse também, e assim poderiam terminar o dia sem uma reprise daquele dia horrível.

Baixou novamente os olhos para seu livro, mas não conseguia mais prestar atenção.

Todo domingo, aquela avenida ficava aberta apenas para pedestres. Era o primeiro domingo do ano que fazia um friozinho agradável, então decidiu ir até lá para ler. Nunca havia feito isso, mas sempre teve vontade de ficar fazendo nada na avenida num domingo, então aproveitou a chance, achou que sair de sua casa poderia lhe fazer bem, poderia lhe ajudar a esquecer o garoto.

—Oi.

Levou um susto ao ouvir a voz de repente ao seu lado. Não viu por onde ele veio, mas ali ele estava. Novamente ao seu alcance, lindo, de preto. Sem dúvida, a coisa mais bonita que vira naquela semana.

—Ah, oi. Você por aqui. Tudo bem com você?

Tentou ser educado e simples. Achou que pareceu falso, como alguém que tenta ser simpático no elevador.

—É, tudo sim, e você?

—Bem, bem. Curtindo o frio e tal.

Estavam falando sobre o tempo, agora sim era uma conversa de elevador.

—Frio gostoso, né?

—Nossa, muito. Podia estar mais, mas nem reclamo, depois de semana passada.

—Ah, nem me diga. O importante é que agora esfriou novamente.

Então era isso, dois meses sem se falarem depois de tudo aquilo, e o assunto era o tempo. Será que pessoas normais conseguiam ter conversas interessantes com a mesma facilidade que ele passava vergonha?

Estava sentado na guia do canteiro central — qual a graça de ir a uma avenida aberta apenas pra pedestres se não puder sentar no meio da rua? — e o outro estava de pé, em frente a ele, praticamente um metro mais alto. Estava desconfortável inclinar tanto a cabeça para trás, mas não achava que devia levantar-se. Fazer isso seria demonstrar que queria prolongar a conversa... mas se ele não mandou nenhuma mensagem nesses dois meses, então não havia por quê prolongar a conversa. Certo?

—Hm, você está muito ocupado? — Perguntou o moreno.

—Só lendo aqui e tal. E você?

—Ah, to fazendo nada. Só vim dar uma volta, e tava pensando em voltar pra casa quando te vi aqui.

—Sua casa é longe daqui, né?

—É, quase uma hora até chegar lá. E a sua?

—Uns 40 minutos. Mas eu nem ligo, aqui é legal.

—Sim, gosto de vir aqui.

O garoto respirou fundo, como quem está confortável naquele ambiente. Ao estufar o peito sob a camiseta preta, com o longo cabelo nas costas e um sol outonal batendo nele, ele parecia um quadro pedindo para ser retratado. Era mais do que apenas "bonito", e ele havia se esquecido do quanto. Dava vontade de abraçá-lo, e descansar a cabeça naquele peito, e passar o dia com ele, e passar as mãos por suas costas, sentindo-as por debaixo do tecido.

Dois meses depois, pouca coisa havia mudado, afinal de contas.

Abaixou o rosto, constrangido.

—Ah, então eu vou indo. — Veio a voz que, talvez fosse sua imaginação, mas parecia soar meio triste. Ergueu o rosto para ter certeza e achou ter visto alguma tristeza no olhar do garoto. Não sabia como nem por que, mas já estava deixando o garoto triste. Ele só não valia a pena. Seria realmente melhor pro outro se eles nunca mais se vissem. Não que fizesse muita diferença. Afinal, que diferença ele fazia na vida dos outros?

—Ah, ok. — Respondeu, simplesmente. A expressão do moreno não se alterou em nada. Pareceu continuar tristonha. Alguns segundos de silêncio se seguiram, em que um turbilhão de ideias passava pela sua cabeça... mas já tinha decidido, era melhor não fazer nada e deixá-lo ir. Acabaria logo com isso. Deixaria o outro em paz. Tudo ficaria bem.

Por fim, o garoto que estava de pé deu um sorriso amigável e ergueu uma mão, como despedida. Virou-se e começou a andar.

Naquele momento ele percebeu que conseguiu manter contato visual por alguns bons segundos, e nem abaixou a cabeça depois disso. Claro, ficou ali parado fazendo nada e nem se despediu de volta, mas pelo menos...

Sentiu uma coceira dentro dele... uma sensação de que ou faria algo agora, ou senão...

—Ei, espera. — Gritou, antes que o outro estivesse muito longe. Não pensou no que estava fazendo, apenas se concentrou em levantar-se da guia sem parecer imbecil. Tinha a certeza que cairia ou se sujaria ou esqueceria o seu livro... Tinha a certeza que algo daria errado, então concentrou-se em evitar ao máximo isso. Olhou novamente para a frente, e viu o garoto — agora novamente mais baixo que ele — parado, olhando-o. Sua expressão não dizia nada. A coceira em seu peito aumentava, mas era tarde demais para não fazer nada. Já havia chamado por ele, mudar de ideia agora só pareceria ridiculamente esquisito.

Andou em direção a ele tentando pensar em algo decente para dizer... Mas não conseguiu pensar em nada, então manteve a primeira coisa que pensou, quando ainda estava sentado.

—Você gosta de café?

Pronto, aí estava o momento em que passaria vergonha. De tantas formas que poderia formular a pergunta, escolheu a mais sem sentido. Mas o importante é que ele conseguiu perguntar. Precisava se focar nisso, e quando tivesse a resposta poderia falar algo melhor. Já era algo, devia se orgulhar disso.

—Ah, na verdade não, acho bem ruim. — Respondeu o moreno, com uma expressão meio confusa.

E todo o seu plano bolado em alguns segundos foi por água abaixo.

Percebeu, tardiamente, que era uma ideia sem sentido, que não tinha por que insistir nisso, e que deveria ir embora. Precisava pedir desculpas e voltar a ler, deixar o garoto em paz. Com sorte, ele esqueceria isso tudo e não lembraria de quão esquisito todo esse encontro foi. Ele apenas deveria ir embora...

Mas não conseguia mexer a perna. Ou os braços. Ou qualquer parte do corpo, na verdade. Não era a primeira vez que sentia isso, e odiava profundamente essa sensação. Especialmente por fazê-lo ficar parado com cara de tonto no meio dos lugares. Sabia o que precisava fazer, mas queria fazer algo completamente diferente. Na dúvida, apenas não se mexia.

Mais alguns segundos de hesitação se seguiram, até que finalmente conseguiu fazer algo: abaixou a cabeça. Longe do olhar do outro, podia agora pensar direito no que deveria fazer. Exceto que não conseguia organizar seus pensamentos direito, parecia haver barulho demais na sua cabeça.

—Por quê?

Olhou quase assustado para o outro garoto. Não é como se tivesse esquecido que ele estava ali, mas estava ocupado demais tentando pensar pra lembrar do motivo disso tudo. E, sem surpresa, percebeu que não tinha nenhuma resposta para dar. E que nos últimos segundos apenas ficou ali parado, sendo esquisito.

—Ah, eu só... — Sua voz quase não saía. O menor chegou mais perto pra ouvir melhor. Limpou a garganta e tentou falar um pouco mais claro. — ...estava pensando se... — sua voz ainda não saía direito, parecia estar quase sussurrando, aparentemente não valia a pena tentar melhorar. — você queria ir na Starbucks comigo. — O que era, obviamente, uma ideia ruim se ele não tomasse café. Não havia motivo para ele aceitar, não fazia sentido perguntar, nada daquilo levaria a nada. — Mas tudo bem se você não quiser. — Sua voz parecia ter voltado ao normal. — Eu não ligo e tal. — Na verdade ele ligaria, mas não iria chatear o moreno com essas coisas. — Pode ir embora e tal, eu só pensei que talvez seria legal, mas tá tudo bem. — Por que ele não conseguia parar de falar? — Tipo, se você quiser vir, e tal, me avise. Ou não, só, pode ir. Eu estarei aqui e tal. Só me chame, se quiser. Se não quiser, tá tudo bem, mesmo. Eu vou ler e tal. Eu tava lendo, então...

—Ei. — Ele interrompeu. Podia sentir seu coração na garganta. Aquilo foi apenas ridículo. Queria esconder a cabeça e nunca mais ver ninguém. Só foi muito ruim. Ficou feliz por poder parar, mas agora esperava em silêncio por um veredito. — Seu cabelo fica legal bagunçado.

Aquilo não era o que estava esperando. Sentiu o rosto ficar quente.

—Ah, valeu. — Não era uma piada, era? — O vento aqui ajuda a ficar assim. Quer dizer, agora o vento consegue bagunçá-lo, mas obviamente não dá pra prender ele ainda, então não tenho muita escolha. — Seu cabelo agora estava ondulado, na altura da orelha. Uma mecha insistia em cair sobre a testa, mas nem alcançava a sobrancelha, só servia pra irritar. O resto de seu cabelo estava igualmente rebelde, e num dia como hoje ele nem havia tentado dominá-lo. — Só é engraçado como ele tem essa cor de nada agora.

—Não é cor de nada, ele é castanho. Quase castanho-escuro, mas nem tanto. Gosto dessa cor. Fica muito bem em você.

Sentiu o calor no rosto intensificar.

—Ah, valeu. — Não sabia o que responder agora, então apelou para os instintos básicos: deveria devolver o elogio. — Seu cabelo também é lindo. — De onde veio esse "também"? — Não que o meu seja, mas já que você me elogiou... Não me elogiou, mas elogiou meu cabelo. E o seu também é da hora. Eu prefiro ele solto, mas mesmo preso fica muito legal. É bonito. — Algo que acontecia uma vez a cada eternidade aconteceu: ele conseguiu segurar a próxima frase que diria. Percebeu, antes de dizer, que seria uma má ideia falar o que havia pensado.

Ou talvez não fosse tão ruim assim. Era o que queria dizer, e fazia sentido. Então já era melhor do que metade das coisas que falava. Mas não sabia como o outro entenderia. Ou o que ele faria a seguir. Ou se acharia estúpido. Provavelmente acharia estúpido. E estragaria tudo. Era melhor ficar quieto.

Abaixou o rosto.

Mas eles já tinham estado pior, não? Ali estavam, o que tinham a perder? Talvez, se tudo desse certo...

Sua boca parecia seca e os músculos do queixo pareciam resistir, mas mesmo assim disse:

—Seu cabelo é quase tão bonito quanto você.

Era infantil. Era bobo. Era ruim. Era vergonhoso. Não servia de nada. Não... O silêncio certamente seria melhor. E nem ao menos conseguiu dizer isso olhando para ele.

—Ei. — A voz estava mais perto do que ele esperava. Surpreendeu-se ao notar que estava de olho fechado. Abriu-os e olhou para a origem da voz. Parado na sua frente, o garoto menor sorria e lhe oferecia a mão direita. — Você sabe onde tem uma Starbucks por aqui?

—Ah, ali. — Disse, indicando com a mão direita a loja que ficava na esquina. Olhou por um instante para a loja, apenas para ter certeza que não estava errado, e voltou a olhar para o garoto, que ainda estava com a mão estendida. Percebeu então que deveria ter dado a mão direita — que agora estava suspensa no ar, inutilmente, apontando pra loja com letreiro inconfundível. Era incrível como não conseguia fazer uma única coisa certa.

O moreno se aproximou, ainda sorrindo, e pegou sua mão esquerda.

—Então bora.

Sua mão era quente e não apertava a dele. Segurava-a apenas com a firmeza necessária. Uma sensação quente encheu-lhe o peito. Decidiu que gostou daquilo, tanto da sensação no peito quanto de segurarem sua mão.

Andaram pela avenida cheia de pedestres e foram em direção à loja, de mão dadas. Um sorriso bobo insistia em ficar no seu rosto. Tentou fazer uma expressão neutra duas vezes, mas quando notava já estava sorrindo novamente.

Em silêncio entraram na loja, onde havia uma pequena fila. Para a sua alegria — e ligeira consternação também — continuaram de mãos dadas mesmo dentro da loja. Parado ali, percebeu que havia justificado para si mesmo que estavam de mão dadas para não se perderem e nem se distanciarem, o que era uma desculpa fraca, mas servia. Ali dentro, não havia nenhum motivo para continuarem de mãos dadas. A única explicação que havia fazia seu peito se comprimir. Não podia ser verdade. Não devia ser verdade. Não era verdade. Ele estava se enganando, esperando coisas que não aconteceriam, e logo mais se frustraria de novo...

Decidiu então fazer um teste. Fingiu que as costas da sua mão direita estavam coçando. Passou-as algumas vezes na calça e em seguida, soltou sua mão esquerda e com ela coçou a outra mão. Pelo canto do olho, viu que o moreno o observava. Terminou de coçar sua mão e deixou que elas caíssem naturalmente ao lado de seu corpo. Olhou de frente para o outro garoto, que continuava observando-o. Sorriu para ele. Recebeu o sorriso de volta, mas não teve nenhuma menção de pegar sua mão novamente.

Sentiu um frio aperto ao ter a confirmação. Certamente o rapaz menor nem percebeu que entraram na loja de mãos dadas, então. É confortável, é fácil de esquecer. Isto é, se não significasse nada pra você. Não que pra ele significasse, afinal... Como algo que o outro apenas esqueceu que estava fazendo poderia significar qualquer coisa? Não fazia sentido.

Mas e se na verdade o menor tivesse constrangido de pegar sua mão novamente? Pouco provável, ele não era do tipo que ficava constrangido. Mas... E se? Talvez ele próprio devesse pegar a mão do outro agora? E se o menor não quisesse mais ficar de mãos dadas? Afinal, se ele quisesse, ele pegaria de volta. Era melhor não fazer nada.

E até onde fazer nada o tinha levado?

Percebeu sua mão suando. O que, obviamente, era nojento e não queria que o outro percebesse. Não podia dar a mão novamente. Mesmo se ele pedisse. Mas como ele poderia negar, se o outro pedisse sua mão? "Pedir a mão", aliás, era uma frase horrível, já que lembrava outras coisas que... Não havia sentido pensar nisso agora. Será que poderia dar certo? Será que um dia eles poderiam...?

Percebeu que estava congelado no mesmo lugar, com os músculos tensos, e o olhar fixo no chão. A fila havia andado um pouco e o outro garoto, que agora estava na sua frente, perguntava se estava tudo bem com ele. Respondeu brevemente que sim e, mudando de assunto pra provar que tudo estava bem, olhou na parede para as opções de bebida.

Fazia uns três anos desde a última vez que estivera numa Starbucks. Tinha se esquecido da variedade do cardápio. Nomes em italiano com opções de coisas que pareciam gostosas enchiam uma parede. Tinha se esquecido quão horrível era escolher uma opção entre tantas coisas que não sabia o que era ao mesmo tempo em que tudo parecia interessante. Após algum tempo, enquanto a fila andava, limitou-se a três opções que lhe pareceram positivamente boas. Não lembrava o que havia tomado da última vez, então estava quase às cegas. Por fim a atendente chamou pelo próximo da fila e o moreno foi até ela.

—Oi, bom dia, eu vou querer um frapuccino de doce de leite, sem café, por favor. E um brownie de nozes, também.

Seu tom era tão animado e decidido e simpático. Ele sabia falar com as pessoas. E sabia o que pedir. Pedir uma bebida sem café, era tão óbvio. Era uma solução tão óbvia. Por que ele não pensou nisso antes? Incrível como ele não conseguia nem ao menos pensar nessas coisas tão simples, como tirar o café da bebida.

—É tudo junto? — Perguntou a caixa, olhando de um para o outro. Pego de surpresa, respondeu antes de pensar.

—Ah, sim, só que eu vou querer... um frapuccino de... — Esqueceu-se completamente das opções que havia pensado, então improvisou — O mesmo que o dele, mas com café.

—Com um brownie também?

—Não, vou querer um pão de queijo.

Sentiu um leve alívio por ter feito o pedido sem passar nenhuma grande vergonha, e em seguida sentiu-se decepcionado consigo mesmo por se animar com algo tão banal.

Após ele ter pago o pedido dos dois e esperarem em silêncio pelos pedidos, ainda sem darem as mãos, seguiram por uma escada de madeira até o segundo andar da loja. Escolheram um sofá com aparência velha e confortável, e colocaram seus pedidos na mesa de centro que havia em frente ao sofá. O lugar em que estavam ficava em uma reentrância da parede, então provavelmente poucas pessoas os veriam ali, ainda que eles conseguissem ver toda a loja. A iluminação suave e a música ambiente deixavam um clima confortável.

Mas sentar-se em um sofá ao lado dele era desconfortável por natureza. O garoto se esparramou pelo sofá, como se estivesse em casa, mas ele não sabia como deveria agir. Sentar perto? Ficar lado a lado? Ou em extremidades opostas para poderem conversar de frente, sem ficarem muito próximos? Ou eles deveriam ficar próximos?

—O que foi, tá tudo bem? — Perguntou ele, olhando sério. Percebeu o quão ridículo deveria estar de pé ali e só se sentou, sem pensar em como. Uma vez sentado, achou que estava perto demais do outro. Olhou meio assustado para ele, esperando uma possível reação... E o que recebeu foi um sorriso animador.

Sentiu-se feliz. Relaxou.

Tomou um gole da sua bebida, que achou bem gostosa. Pensou em oferecer um pouco, mas lembrou-se que era praticamente a mesma bebida que o garoto menor estava tomando, mas com um ingrediente a mais que ele não gostava. Tomou então outro gole. O garoto ao seu lado fazia o mesmo, ainda olhando para ele. Após um gole particularmente longo, pôs-se de pé.

—Noz-moscada. E um pouco de canela. Quer?

—O quê?

—Eu vou por um pouco de noz-moscada e canela no meu frapuccino, quer também?

Sua resposta foi levantar-se. Não sabia onde ele iria pra fazer isso, mas o garoto parecia confiante, como quem faz isso sempre.

Será que era comum ele vir a Starbucks?

Sentiu aquele familiar peso no estômago afundando. Queria que fosse algo diferente. Algo que ele não estivesse acostumado a fazer. Algo que um dia ele virasse e falasse "uma vez fui à Starbucks, com aquele garoto lá... Como era o nome dele, mesmo? Nem lembro, mas nem foi ruim. Foi uma manhã quase agradável." Mas, se ele estava acostumado a ir ali, que motivo teria para lembrar desta vez em específico?

Chegaram a uma mesa em que havia guardanapos, canudos, açúcar, colherzinhas, bem como doce de leite líquido, canela em pó e noz-moscada em pó. Como quem conhece bem o que faz, o moreno abriu seu copo e virou o pote de canela nele, numa quantidade assustadora, e colocou só uma pitada de noz. Mexeu e tomou um gole. Sorriu, aprovando, e olhou esperando que o outro fizesse o mesmo. Ele parecia habituado a tudo isso, e se comportava como tal. Certamente não conseguiria fazer isso tão bem como ele, e não queria um motivo a mais para passar vergonha.

—Posso tomar um gole do seu? — Perguntou, ainda meio assustado pela quantidade de canela. Achou que era necessária alguma explicação. — Só pra saber como fica? — O que foi uma explicação idiota, pois todo mundo sabia o gosto de canela e noz.

Mas o menor ofereceu seu copo mesmo assim. O gosto de canela estava gritante, mas não estragava a bebida. Na verdade, era sem dúvida uma melhoria. Devolveu o copo agradecendo e dizendo que estava realmente bom, e em seguida colocou o mesmo no seu copo, mas bem menos canela. Experimentou, e achou delicioso.

—Da hora, quer tomar um pouco? — Disse, sentindo-se feliz. O garoto menor olhava fixamente para ele, sem mudar sua expressão. Sentiu que, novamente, precisava se explicar. — Eu tomei um pouco do seu, então você toma um pouco do meu e fica tudo certo.

Ainda sem mudar a expressão, o outro disse, simplesmente.

—Tem café.

—Ah, é. — Respondeu, sentindo-se estúpido. Qual era a dificuldade de lembrar disso? Por que ele não conseguia fazer uma coisa certa? E agora certamente o outro acharia ele tinha algum tipo de problema por esquecer algo tão simples.

O que era pra ser uma ida memorável a um lugar diferente estava se mostrando como algo completamente errado. Nada estava dando certo. Não sabia por que havia imaginado que poderia dar certo em primeiro lugar. Nunca dava. Sempre tudo o que ele conseguia era piorar as coisas. Voltando aos seus lugares, jogou-se no sofá, e desejou ter uma almofada pra abraçar. Queria sumir um pouco.

—Está tudo bem? — Veio a pergunta. Não estava, mas de que adiantaria ser sincero?

—Está, está. — Olhou para o outro, que ainda o olhava fixamente, com aquela expressão meio vazia que o impelia a continuar falando. — Só estou cansado. — E piscou devagar pra demonstrar isso. Lembrou que já havia feito isso com ele, dois meses atrás... Será que ele se lembraria e perceberia?

—Hm. — Respondeu, enquanto tomava um gole de sua bebida. Supôs que isso queria dizer que ele não percebeu nada. Em um misto de alívio com ansiedade, pegou seu pão de queijo. Deu uma mordida — estava quentinho, bem gostoso — e em seguida ofereceu um pedaço. Teve como resposta novamente aquele olhar fixo. Antes de ouvir a resposta, imaginou-a e se odiou ao ouví-la saindo dele.

—Não gosto de pão de queijo.

"Uma vez fui à Starbucks, com aquele garoto lá... Como era o nome dele, mesmo? Nem lembro, mas nem foi ruim. Foi uma manhã quase agradável. Só que ele pediu uma bebida com café e pão de queijo. Não dá pra levar alguém que faz um negócio desses a sério. Me pergunto por onde ele anda, nunca mais o vi."

Sentiu seu ombro caído, e a resignação enchia-lhe o peito. Seria melhor se só fossem logo embora.

Voltou a tomar sua bebida, reclamando por dentro por ela ser tão grande. Isso só alongaria aquela situação vergonhosa, e o impediria de ir embora a tempo.

Após alguns minutos em silêncio, em que ambos já haviam tomado mais da metade de seus copos, o rapaz moreno voltou a falar, com uma voz calma, porém firme.

—Você me chamou aqui só pra comer?

—Eu... — Não tinha uma resposta pronta. Pior do que quando respondia sem pensar, era quando não sabia o que responder. Antes que ficasse tempo demais em silêncio, tentou falar qualquer coisa. — Só... pensei que... talvez... você quisesse... vir... pra comer ou... fazer algo assim... e talz.

Odiava quando respondia picado assim, como se fosse um gerador de frases aleatórias, mas não tinha tempo pra reclamar disso agora. Ele continuaria perguntando, então ele devia se preparar pra responder o que viesse pela frente. Imaginou algumas coisas que ele poderia perguntar — desde "por que aqui, que é tão caro?" até "mas eu odeio esse lugar", passando por "você não tem nada melhor pra fazer?" — mas não conseguia pensar respostas pra essas frases. Era muita coisa pra pensar, enquanto ele continuava com aquele olhar vazio... embora dessa vez ele podia jurar que havia mais indagação naqueles olhos do que o normal. Acabou por imaginar algumas frases genéricas, que poderiam servir pra algumas questões diferentes, como "fazia tempo que eu não vinha aqui, mas você pode ir embora, se quiser", ou "achei que seria legal sentar num sofá ao invés de ficar lá fora no chão, mas você não precisa ficar, se não quiser".

O garoto moreno continuou em silêncio, obviamente muito além do necessário. Sentia como se seu cérebro estivesse congelando. Ainda queria pensar em respostas melhores — nenhuma até agora o agradava — mas não conseguia. Parecia que seus pensamentos patinavam sobre gelo. Tudo agora se resumia àqueles olhos castanhos que o encaravam, quase sem piscar. Agora que havia reparado nisso, sentiu seus próprios olhos incomodados e piscou. A sensação não passou, então piscou novamente. Decidiu coçar os olhos, pois não estava adiantando. Ao terminar, o moreno ainda estava parado do mesmo jeito, embora agora com a cabeça levemente inclinada. Percebeu que devia ter parecido um infeliz com problema nos olhos, só mais uma coisa pra dar errado.

Não sabia lidar com silêncios. Não sabia se falava ou se esperava, se devia se justificar ou se esperava uma pergunta. Não sabia o que fazer. E não podia fugir dali. O que o outro pensaria se ele fugisse?

Fugir pareceu a solução correta. Quase como um instinto, olhou para a janela. Obviamente não poderia ir embora por ali, teria que voltar pela escada, que estava atrás de si. Mas não poderia fazer isso. Não enquanto continuasse sob o escrutínio daquele olhar. Não aguentava mais. Sentia que seus músculos estavam tensos, e um ou outro até tremiam. Estava chegando naquele estado em que seu corpo parecia não saber o que fazer, como aconteceu uns minutos atrás, lá embaixo na avenida. Percebeu, sem surpresa, que há quase um minuto não conseguia encará-lo nos olhos de volta.

—Por que você foi embora naquele dia? — Veio a questão. Sua voz era firme, mas meio... triste? Não podia ser tristeza. Ele era forte. Mesmo se ficasse triste, não mostraria isso. Odiava como não conseguia entender as pessoas.

Abriu a boca pra falar, mas não tinha o que falar. Não esperava essa pergunta. Ainda estava meio paralisado, então nem ao menos começou a dizer palavras aleatórias. Tentou olhá-lo nos olhos novamente, e tudo o que conseguiu foi abaixar o rosto. Odiou-se por isso. Odiou-se por lembrar daquele dia. Odiou-se pelo modo que agiu. Odiou-se por como estava agindo naquele momento.

A última coisa que queria lembrar voltou à sua mente. A imagem mental daquele que estava a sua frente beijando o outro garoto, de cabelos castanhos e nariz esquisito. Seu peito queimava enquanto seu ombro tremia. Seus olhos ficaram molhados, e odiou-se por isso também. Sem saber de onde, a resposta veio, claramente.

—Você se dá bem com ele.

Assim que terminou de falar, percebeu que a resposta podia ser qualquer coisa, menos clara, e a expressão confusa do outro deixava isso bem claro.

—Com ele quem?

Mordeu a boca, desviou o olhar. Não queria falar dele. Permaneceu em silêncio por alguns instantes.

—De quem você está falando? — Ele perguntou novamente, mais incisivo. Não havia muito o que fazer, agora que ele começou a falar. Teria sido melhor não falar nada, só ter ido embora, mas ele nunca conseguia fazer o que era mais simples. Tentou juntar coragem dentro de si para falar, quando percebeu que...

—Eu não sei o nome dele. — Respondeu. Meio surpreso, ergueu o olhar e viu que a expressão confusa do moreno estava pior agora.

—E como você sabe que eu me dou bem com ele se você nem sabe quem ele é?

Havia um tom de ironia na pergunta. Sentiu-se ofendido.

—Não preciso saber o nome dele pra saber isso, ora. Eu vi vocês dois juntos uma vez, lembra? No shopping?

—Ah. — A expressão do outro mudou radicalmente, certamente agora ele sabia de quem estavam falando e não tinha mais como argumentar. Eles se davam, afinal de contas, muito bem. Era óbvio.

Abaixou novamente o olhar. Sentia-se cansado. Aquilo não daria em nada, mas estragaria seu dia. Teria sido melhor continuar sentado na avenida, lendo. Fechou os olhos. Queria chorar, mas ao mesmo tempo sentia-se vazio demais para isso. Só queria ficar ali, inexistindo por alguns momentos.

—Por que você diz isso? Que a gente se dá bem? — A pergunta dessa vez tinha um tom cauteloso. Ele parecia estar pisando em ovos, não sabendo por onde avançar. Era estranho ele agir assim, já que ele sempre tinha tanta certeza de tudo.

Mas na verdade a pergunta era bastante estúpida. Precisava de um motivo? Qualquer um que visse aqueles dois juntos saberia o ótimo casal que eles formariam.

—Dá pra saber, ora. — Respondeu, olhando-o novamente. Mas esta era uma resposta muito vaga, ele conseguia responder melhor. — Vocês... ficam bem, quando estão juntos.

Doía falar aquilo. Doía porque era verdade, doía porque o que ele próprio queria era ficar junto a ele. E doía ainda mais por saber que, mesmo em um mundo hipotético, ele próprio jamais seria um par tão bom para o moreno.

—Mas eu não estou com ele agora, estou com você.

E o céu lá fora está azul. Que relevância isso tem pra conversa? Olhou novamente para o rapaz mais baixo (embora não se lembrasse de ter abaixado novamente o olhar) tentando entender o que ele dizia. O silêncio novamente manteve-se por mais tempo do que gostaria.

E então, como uma luz que se acende, a resposta ficou clara na sua cabeça. Entendeu o que o garoto quis dizer, e isso fez o peso em seu estômago aumentar. Pensou em como perguntaria por alguns segundos, até que novamente decidiu ficar com a primeira opção que lhe passou pela cabeça.

—Você quer que eu vá embora? — Sua voz falhou no meio da pergunta, traindo completamente a pose que tentava manter. Não que fizesse diferença, já que ela mal se mantinha de qualquer forma. O que mais lhe irritou foi a sensação de lágrimas se formando nos olhos que já estavam úmidos.

—Que?

O tom dele parecia meio perplexo. E sua expressão também estava assim. Sentiu que algo muito errado estava acontecendo. Não sabia o que era... mas certamente não era boa coisa. Foi quando sentiu uma lágrima escorrer. Com raiva pela lágrima que não se continha, respondeu.

—Eu vou embora, e tal. Daí você pode chamar o outro garoto e tal. — Sentiu a lágrima passando bela bochecha, e isso o irritou ainda mais. — Certamente ele não vai fazer uma cena tão patética assim com você.

O moreno ainda parecia perdido. Por mais alguns segundos de silêncio ele nem ao menos ele conseguia pensar em algo. A resignação ocupava qualquer espaço dentro de si. Queria sumir novamente, e nunca mais encarar aqueles olhos castanhos, profundos e confusos. E então a expressão dos olhos mudou. Eles se arregalaram levemente e em seguida se estreitaram, com alguma felicidade. Junto a isso veio uma breve risada. Sentiu-se perdido e humilhado. Do que ele estaria rindo, se não fosse dessa cena patética?

—É realmente isso que você acha que eu quero? — Ele perguntou, com gentileza na voz. Em seguida, ergueu a mão e enxugou a lágrima que escorria em seu rosto.

Sentiu-se novamente perdido. Algo estava terrivelmente errado... Mas ele ter enxugado sua lágrima foi tão bom! Sentiu-se acolhido. Uma sensação quente de segurança brotou dentro de si, mas não conseguia crescer devido à confusão que sentia.

Simplesmente não tinha mais certeza de nada. O que quer que ele pensasse, estava errado. Mas não conseguia pensar pensar em outras opções, a não ser... A não ser aquela opção que jamais poderia ser verdadeira.

Ou poderia?

—Não é? — Respondeu enfim, com a voz fraca. Era uma pergunta estúpida... mas não tinha nada melhor para falar.

—Claro que não. — Disse, ainda gentilmente, e se aproximou. — Se fosse, eu não estaria aqui.

Seu cérebro parecia estar em branco. Não sabia o que fazer, o que esperar, para onde ir. Ficou, então, parado no mesmo lugar. O moreno deve ter interpretado isso como um sinal de que estava tudo bem, pois ele chegou mais perto.

—Eu já te disse isso antes. Se eu estou aqui com você agora é por que eu quero. Não importa se eu já fiquei com outras pessoas uma ou cem vezes, agora eu quero estar com você.

Algo na frase dele o fez lembrar... Não era tão simples. Ele não podia... Quer dizer, se o outro quisesse que ele... Não... Ele não podia esperar que fosse tão simples. Não seria, tudo poderia dar errado. Não podia dar errado de novo. Mas daria, se ele não fizesse nada.

—Tá tudo bem? — O moreno perguntou. Percebeu que estava de novo paralisado daquele jeito esquisito, olhando fixamente para o nada.

—Tá sim, é só que eu... — Percebeu que não podia falar novamente que estava cansado. Não era justo. — Eu não sei se...

Não sabia como terminar a frase. Havia tanto a ser dito. E certamente nada daquilo faria sentido.

O outro se aproximou e envolveu-o em um abraço. Certamente só fazia isso pois ainda não tinha ouvido toda a explicação... Mas mesmo assim, era tão bom poder apenas descansar a cabeça no ombro dele por alguns instantes... Abraçou-o de volta, e deixou-se ficar confortável. Mesmo que isso durasse pouco, aproveitaria enquanto durasse.

—Está tudo bem, você não precisa saber de tudo. — Disse a voz, baixinha, próximo ao seu ouvido. — Às vezes é mais legal quando não temos certeza.

Lembrou-se da outra vez que ele falou assim eu seu ouvido. Sentiu um arrepio espalhar-se, e a sensação quente crescia em seu peito. Não queria ter dúvidas, não queria pensar suas vezes, queria apenas poder ficar ali e...

E isso não podia acontecer. Logo mais o moreno se frustraria com ele, ou só ficaria cansado, não aguentaria mais a sua companhia, iria querer ir embora, iria querer coisa melhor, iria querer alguém que soubesse lidar com as coisas. Deixar isso acontecer agora seria alimentar uma ilusão a qual ele não tinha direito... Ele não podia deixar que isso acontecesse com o outro rapaz. Ele merecia mais. Ele merecia alguém melhor. Alguém como aquele outro garoto de cabelo castanho.

Ali, naquele abraço, sentiu-se mais dividido do que nunca. Seus medos e seus temores gritavam para que ele se soltasse, mas não era isso que seus músculos queriam. Ele queria na verdade apertar aquele abraço, nunca mais sair dali, fazer disso um hábito. Essa sensação de conforto, de aceitação, de bem-estar... Era tudo o que ele queria.

Relaxou os músculos que novamente estavam tensos, deixou-se ficar naquele abraço. O moreno prontamente respondeu, apertando o abraço. Estava confortável, estava se sentido querido, estava feliz. Tudo estava bem.

—Viu? Não tem nenhum problema. — Disse o moreno. Ele não sabia, não tinha como saber. Mas ele parecia querer que tudo de fato estivesse bem...

Sentiu-se cansado. Queria descansar um pouco. Queria que tudo ficasse realmente bem.

O rapaz menor soltou enfim o abraço e olhou-o de frente. Àquela distância era difícil não lembrar daquele outro dia quando eles...

Riu brevemente ao lembrar.

—O que foi? — Perguntou o moreno, parecendo feliz.

—Naquele outro dia, lá na praça quando nós... Ficamos juntos... — Sentiu vergonha e abaixou o rosto.

—Está tudo bem, me conta. — Disse ele, ainda feliz. Colocou a mão no queixo e ergueu seu rosto, fazendo com que os dois se olhassem de frente novamente. — Seu olhar é tão doce. Gosto quando você me olha. — Ao ouvir isso, não havia outra reação que não fosse desviar o olhar, constrangido. O moreno riu baixinho e passou sua mão, que ainda estava no queixo dele, por sua bochecha. — Está tudo bem. Mas me conte, o que tem aquele dia?

Ergueu o olhar, ainda meio constrangido. Gostava de olhar nos olhos castanhos e profundos dele. Era esquisito saber que ele também gostava de olhar nos sus olhos, e encontrou nisso força pra manter o olhar.

—Você tinha gosto de canela. Agora eu entendi por quê. — E olhou rapidamente para o copo de frapuccino dele, que repousava sobre a mesa.

—Você gosta de canela? — Ele perguntou, sério. Não era bem sério, ele conhecia essa expressão... Ele estava... Tramando algo?

Não conseguiu pensar no que estaria por trás daquela pergunta e, enquanto ainda tentava pensar, respondeu fazendo que sim com a cabeça.

—Ah, bom. — Respondeu o moreno, novamente feliz. Aproximou seu rosto. — Assim não teremos problemas.

A mão que estava em sua bochecha foi para a sua nuca, e seus rostos se aproximaram ainda mais.

Decidiu então que canela era seu gosto favorito no mundo. Quem precisava de café quando tinha um sabor tão bom como aquele?

Enrijeceu-se. Café. Sua própria boca deveria estar com gosto de café e pão de queijo, e o outro não gostava disso. Assustou-se. Abriu os olhos e congelou onde estava.

O menor dos rapazes, obviamente, percebeu que havia algo esquisito e o abraçou novamente.

—Está tudo bem, sério. Confia em mim.

Queria confiar, mas... Ele não tinha como saber de tudo. Ele não podia entender que o problema não era ele... Queria que tudo ficasse bem e queria acreditar nele. Mas não era tão simples.

Nada era tão simples.

Mas não adiantava tentar falar disso de novo. Ele não conseguia explicar e o outro não podia entender.

Deitou a cabeça no ombro do moreno.

—Está tudo bem? — O outro perguntou, gentilmente.

Não estava. Mas fez que sim com a cabeça.

Notas finais
Escrever esse texto é trabalhoso, mas é também uma sensação muito boa. À essa altura já me importo demais com esses dois pra apenas terminar a história assim, então a quarta parte já está esboçada. Espero postá-la logo, então até mais!