(In) quebrável
9 Capítulo 8
Notas iniciais
Aizawa não podia crer que aquilo estava acontecendo. Agora não tinha a menor dúvida, o universo definitivamente tinha tirado aqueles dias para espremer cada gota de vergonha de si. No entanto, mesmo daquele modo, completamente vermelho e morrendo de vergonha, o moreno gemia alto.
Sua mão entre os dentes tentava inutilmente abafar os sons que escapavam descontroladamente de sua garganta, não podia crer que, assim como não tinha boa coordenação para caminhar graças ao efeito daquela droga em seu corpo, suas mãos estavam dormentes, logo não conseguia se tocar direito. Só o que fazia então era ferir ainda mais as próprias mãos, apertando ora uma, ora a outra entre os dentes, tentando inutilmente se sentir menos envergonhado naquela situação.
—Aahh... –Sua nuca estava encostada confortavelmente na curva do ombro daquele mais alto que si, e que naquele momento, fazia momentos de vai e vem com ambas as mãos em seu membro.
Seus olhos negros se negavam a ver o que acontecia, apertando firmemente as pálpebras. Negava-se a acreditar, o loiro que admirava quando adolescente agora estava ali, masturbando-o, tirando cada resquício daquela droga do seu corpo. Por mais que soubesse que isso é errado, por mais que tentasse imaginar que era ele próprio se tocando, e não outra pessoa, simplesmente não conseguia, e também, não queria.
Obviamente ele ainda estava em um estado de repulsa a contato físico graças ao que acontecera consigo, porém, a cada instante que passava com o outro, percebia o quanto Toshinori não era “qualquer um”. Não tinha medo quando este estava por perto, ou o abraçava, ou até mesmo agora, enquanto o tocava tão intimamente.
Enquanto isso, All Might não sabia ao certo se era correto o que fazia, sua ação poderia facilmente ser interpretada por qualquer pessoa como, não um ato belo, de ajuda, mas sim, como se estivesse se aproveitando do estado do moreno. O que não era o caso.
Quando fora buscar aquela caixa de papéis umedecidos, não tinha em mente que Aizawa ainda estava dormente e incapacitado de se tocar, logo, apenas quando este o encarou com os olhos exalando vergonha e disse: “Toshinori...” sua fala morre no fundo da garganta antes de continuar: “eu não cons-...” ele não termina a frase, a vergonha o impedia disso, mas isso também não era necessário, pois o loiro já tinha compreendido o que acontecia. Suas bochechas coram assim como as do moreno; põe-se atrás deste em meio a várias reclamações do mais baixo, que afirma que aquilo logo passaria, só precisando dormir um pouco. All Might não exatamente o ignora, mas com palavras doces, se aproxima afirmando que se tirassem logo aquele efeito, tudo estaria “acabado”, ou seja, pelo menos não teria mais aquelas ereções aleatórias.
É claro que se perguntassem, Toshinori afirmaria que fizera aquilo apenas para ajudar o amigo e nada mais. Porém, isso permanece em sua mente como uma verdade apenas pelos primeiros instantes, com o passar do tempo e a sonoridade dos gemidos de prazer que passam a banhar todo o cômodo, e em seguida todo o apartamento, ele percebe que simplesmente se apaixonou por aquele som tão puro. Quando percebe um volume começar a incomodar dentro de suas calças, faz questão de se afastar um tanto do moreno para não assustá-lo, porém, sem sair de trás deste que estava praticamente sentado sobre seu colo.
Nunca diria isso principalmente ao moreno, mas prestava total atenção a todas as reações do corpo deste. O ar que escapava de seus pulmões em golfadas; o contorcer de suas pernas; a tensão em seus dedos dos pés, fechando-os com força; suas sobrancelhas que se contraíam e relaxavam aleatoriamente; suas mãos que ora tentavam abafar seus gemidos, ora se agarravam nas coxas do loiro; seus quadris que iam de encontro com sua mão, incentivando-o a continuar; tudo aquilo se assemelhava a uma perfeita pintura aos olhos atentos do loiro. Aquela pele alva, desde o topo do pescoço à base do ombro, tão à amostra, porém, já com marcas de chupões e mordidas, aquele filho da puta tinha marcado o moreno de todas as formas; mas o loiro não se incomoda com isso pelo motivo mais provável, o que o incomoda é que se vê querendo sobrepor aquelas marcas com as suas próprias, queria beijar aquela superfície clara cheia de hematomas.
Certo instante, os gemidos ficam ainda mais altos, o membro já molhado em suas mãos, retesa uma, duas vezes antes de todo o corpo do moreno enrijecer para cima e, com um gemido limpo e simplesmente belo aos ouvidos de Toshinori, se desfazer por completo nas mãos alheias.
Isso não acontece apenas uma, mas duas vezes; ambas tão parecidas, mas All Might saberia narra-las com perfeição se fosse necessário, com todas as diferenças que tiveram. Finalmente após a segunda, todo o efeito daquela droga parece ter saído do corpo do moreno que não mais fica excitado.
Eles permanecem alguns minutos daquele mesmo jeito após o loiro limpar suas mãos com os lenços, meio abraçados, naquele momento, por algum motivo, nenhum dos dois sentia vergonha, só o que havia ali era naturalidade e, mesmo não se conhecendo há muito tempo, sentiam como se conhecessem um ao outro como ninguém. Porém, ambos sabiam que isso era apenas um sentimento falso, o loiro que agora era o protagonista dos pesadelos de Aizawa, conhecia-o muito melhor do que aquele loiro preocupado que o aninhava em seu colo.
Toshinori deposita um beijo calmo no topo da cabeça do moreno. Aquele movimento carinhoso, ao mesmo tempo que o faz finalmente conseguir acalmar a respiração, ajuda-o a voltar a consciência que parecia ter sido perdida ali.
—Hum... perdão. –O loiro se ajusta na cama, de modo que pudesse ver o rosto do mais baixo, porém, sem que este percebesse o volume que havia se formado nas suas calças.
—Pelo que? –O moreno desvia o olhar.
—Você sabe, por isso. Por ter tido que fazer algo tão, –Ele engole em seco antes de continuar. –nojento. –Naquele instante, ele vê Hizashi em sua mente, e ouve perfeitamente sua voz dizendo aquela mesma palavra para si, “nojento”. Como pudera ser tão egoísta ao ponto de deixar aquele que o estava ajudando, ter de fazer algo que seria tão repugnante para ele?
Nem ao menos o moreno concordava com o que pensava, mas aqueles não chegavam a ser pensamentos de si próprio, mas sim, pensamentos que foram introduzidos em sua mente por outra pessoa.
—Nojento? Por que isso seria nojento? Todo mundo se masturba, com raras exceções... Quer dizer, eu não iria fazer isso com qualquer pessoa que me pedisse! Só alguns casos específicos e... não que você seja alguém que eu ficava pensando em fazer isso, mas que bom que pude ajudar, sabe? E também... –Toshinori começa a resmungar de forma rápida, jogando várias palavras em cima do outro que mal conseguia entender o que estava dizendo. –Enfim, o que eu quero dizer é, você não é nojento, na verdade, é adorável.
—O quê? –A pergunta escapa dos lábios do moreno com um tom mais rude do que planejava.
O loiro cora violentamente, não podia crer que acabara de chamar o outro de adorável. Ele leva a mão aos lábios no mesmo instante, como se tentasse retirar o que acabara de dizer. Não sabia se Aizawa aceitaria aquilo como um elogio, mas aparentemente não, e era óbvio que não, que homem na idade deles e ainda mais com a personalidade de Eraser, gostaria de ser chamado de “adorável”?
No entanto, ele não verdadeiramente se importara com aquilo, muito pelo contrário, seu coração batia rápido no peito, não podia crer que All Might dissera aquilo, era no mínimo cômico. Nunca considerou a si mesmo alguém preocupado com a opinião alheia, e de fato não é, porém, aquele pequeno “elogio” acertou-o tão em cheio naquele momento que só o que precisava era de alguém do seu lado. Na verdade, esse “alguém” já ganhou um nome na mente de Aizawa, não precisava mais de “alguém” precisava de Toshinori.
—Quer dizer, eu... adorável não, não, claro que não! –Ele ri de modo forçado. –Ãn, você é... você é...
—Agradeço o elogio. –Ele se cobre até a cabeça com o cobertor e se vira para o lado oposto. –Te aconselho a ir lavar melhor a mão, de qualquer forma. –All Might reprime um sorriso de se formar nos seus lábios, ainda não tinha plena ciência disso, mas começava a se apaixonar pelo dono dos olhos negros.
Antes de deixar a superfície macia, o loiro observa a lua pela janela. Pela distância, sabia que estava extremamente tarde, provavelmente teriam apenas uma hora para dormir antes de amanhecer. Mas mal se importava com isso, não trabalharia no dia seguinte de qualquer forma, e tinha fé que o moreno abandonara a ideia de suicídio, logo, não precisaria ficar a todo tempo de olho neste.
All Might vai finalmente até o banheiro. Antes de lavar as mãos que ainda exalavam aquele cheiro característico, ele abaixa a calça junto à cueca. Aquela cena volta em sua mente, ainda completamente viva em sua memória. Ele rodeia o membro com a mão; aquelas expressões, aquelas reações, aqueles gemidos, tudo tão belo, tão excitante, ele começa a se masturbar, porém, em pouco tempo ele para.
O que eu tô fazendo?! –Não consegue deixar de se sentir culpado. O moreno estava traumatizado, acabara de sofrer algo horrível, e ele estava ali, fantasiando com aquele que devia ajudar, aquele que precisava que sua ajuda. Queria socar a si próprio, arrancar aqueles sentimentos que ainda mal sabia que surgiam de si. Não era um adolescente que recém descobrira sua orientação sexual, tinha plena consciência do que preferia, mas nunca imaginou se sentir atraído pelo colega de trabalho.
Não faria aquilo, não se masturbaria pensando no moreno. Obriga a si próprio então a pensar em outras coisas, mas o tempo todo, sua mente traidora voltava ao dono dos olhos negros que ressonava tranquilamente no quarto ao lado.
Toshinori suspira derrotado. Põe-se sob o chuveiro e liga a água gelada, precisava acabar com aquela ereção, e se não pelo jeito normal, a água gelada daria conta do recado. Quando finalmente termina seu “banho”; que consistiu basicamente em pensar coisas aleatórias e rotineiras e esperar que a ereção passasse; ele volta ao quarto. Encontrando um Aizawa embrulhado nos cobertores e dormindo tranquilamente.
Adorável... —Um sorriso desaponta em seus lábios sem que se desse conta, finalmente poderia dormir um pouco.
O herói número um de fato pensou que poderia dormir ao menos algumas horas, talvez até umas dez horas da manhã. Ou pelo menos que pudesse de fato cair no sono, mas só o que tem direito é uma daquelas dormidas onde mal se sente que dormiu e de repente acorda; pois às sete e meia, ouve a campainha de seu apartamento ser tocada.
Antes de ao menos se levantar, ele checa o horário no celular; 07:31; All Might não costuma acordar de mal humor, porém, ser acordado mais cedo que o normal em um final de semana tendo ido dormir às 05:47, não tinha como estar alegre. Novamente o som da campainha se faz presente, Toshinori esfrega os olhos e solta um grunhido irritado, devia estar cheio de olheiras.
Naquele momento ele perguntava aos céus o motivo para nenhum de seus antecessores ter tido a individualidade de “Criar uma Bolha de Silêncio” onde ele pudesse envolver o quarto e dormir tranquilamente, sem que nenhum som de fora o atingisse, mas infelizmente, não havia o que fazer. O loiro se levanta e percebe que Aizawa continuava dormindo exatamente na mesma posição, o moreno de fato devia estar exausto do dia anterior.
All Might boceja no caminho entre o quarto e a entrada do apartamento, no trajeto, a campainha ressoa uma terceira vez.
Se tocar essa droga de novo juro que... –Antes que pudesse concluir seu pensamento, o som irritante chega à seus ouvidos novamente, suspirando fundo antes de abrir a porta, controlando a raiva que surgia dentro de si.
All Might não checa primeiro pelo olho-mágico; nem abre apenas uma fresta da porta, ainda presa à corrente; ele simplesmente a abre, esperando que fosse algum vizinho precisando de ajuda, talvez a nova condômina pedindo-o para matar um inseto, mas não era nada disso. De pé, do outro lado de sua porta, estava o mesmo loiro que trocara mensagens há poucas horas atrás, e também, que lembrava-se perfeitamente de ter dito para NÃO ir até sua casa.
Por instinto, Toshinori vira para trás, observando o corredor da casa para garantir que o moreno não o vira, ao mesmo tempo, fecha a porta até quase seu limite.
—O que caralho você veio fazer aqui?! Eu falei para não vir! –Sussurrava, mas a raiva era nítida em seus olhos.
—You should me explicar o que tá acontecendo, eu juro que não fiz nada com o Aizawa, você sabe que ele é my best friend! –Hizashi segurava a porta, impedindo o outro de fechá-la na sua cara.
—Eu também não sei bem o que aconteceu, não quero fazê-lo lembrar daquilo em tão pouco tempo...
—Daquilo what?! –O loiro escandaloso não exatamente gritou, mas o tom mais alto que o normal é o bastante para enfurecer All Might que até o momento falara baixo para não acordar o moreno.
—Fala baixo, Yamada! Você é... –Ele grunhe, não queria ter que ser rude com o outro, ainda precisava saber exatamente o que aconteceu, e percebendo que o outro loiro sabia ainda menos que si, e não iria embora antes de saber alguma coisa, resolve conta-lo. –Eu encontrei o Shouta em um beco ontem a noite, –O coração de Mic parece pular uma batida, o ar foge por completo de seu peito, sabia, tinha certeza que algo ruim ia acontecer e acabou estando certo. –sendo... bem, com um brutamonte em cima dele não necessariamente o batendo, mas... você sabe. –Por algum motivo, aquele termo que com vítimas normais sempre saiu tranquilamente de si, naquele momento não conseguia dizê-lo.
—What?! Quem era esse cara? Eu vou, ah eu vou...! –Não podia dizer que ia matá-lo, mas era exatamente isso o que queria. –Mas o que isso tem a ver com ele não querer see me? –Seus olhos variam rapidamente da raiva extrema à tristeza.
—Essa é a parte que eu não entendi ainda. Pensei primeiro que tivesse a ver com a cor do cabelo, já que o desgraçado também era loiro, mas ele não tem problema comigo. Depois pensei na cor dos olhos, mas ele tinha olhos escuros. –Diz encarando fixamente o par de orbes esverdeadas de Mic. –Depois pensei na mais lógica, –Ele é cortado pelo outro.
—Que seria? –Já se preparava para alguma acusação sem fundamento.
—Você estava lá antes de eu chegar, ou fez algo com ele antes disso acontecer.
Seus olhos se encontram e nenhum deles desvia o olhar, o dono das orbes azuis encaravam o outro com raiva e cansaço, enquanto o dono das orbes verdes o encarava de volta com desdém e um cansaço parecido. Hizashi queria empurrar o outro para o lado, correr até onde o moreno devia estar dormindo e pergunta-lo o que aconteceu, mas sabia que nunca venceria uma briga com o detentor do One for All.
—If you really quisesse alguma prova para suas acusações, que sabe que são falsas, teria o perguntado quando supostamente disse que não queria me ver.
—Não, como eu já disse, eu não queria fazer ele lembrar disso e falar sobre. Tá esquecendo que isso tudo aconteceu ontem?
—Não, não esqueci, mas é como eu disse, se realmente estivesse interessado, teria perguntado pelo menos de forma discreta.
—Consegue parar de ser infantil por um momento?! –All Might perde a paciência, não conseguia crer que aquele homem era o melhor amigo de Aizawa. Definitivamente não acreditaria se o dissessem que na verdade era apaixonado por aquela figura escandalosa e irritante. –Qual foi a última vez que viu o Shouta?
—Ontem, –Ele ignora a fala rude do outro. Toshinori o encarava com os olhos em chamas. –pela manhã.
—Pela manhã?
—Eu dormi na casa dele noite passada, nós tínhamos saído para beber e voltamos muito tarde. De manhã a gente teve uma discussão e ele saiu, ficou o dia todo fora. –All Might ergue uma sobrancelha.
—Ele te deixou sozinho no apartamento dele, do nada, o dia todo, por causa de uma discussão? –Pergunta sarcástico. –Me poupa, Yamada. –O outro bufa.
—Foi exatamente o que aconteceu, não foi exatamente uma discussão... Ele me contou uma coisa e eu respondi algo que ele não gostou e-... –Ele é cortado pelo outro loiro.
—Chamou ele de nojento? –Naquele momento, tudo estava se encaixando na mente de All Might, estava equivocado na realidade, mas não tinha como ele saber disso ainda.
—WHAT?! Não! De onde você tirou essa merda?!
Nesse momento, um som alto dentro do apartamento assusta aos dois loiros. Era o som de alguém caindo no chão, virando para trás, All Might vê o moreno caído, encolhido na parede. Seus olhos estavam vermelhos, não apenas de sono, mas sua habilidade estava ativada enquanto encarava fixamente o dono dos olhos esverdeados. Era nítido, todo o seu corpo tinha repulsa ao loiro, o medo era visto em cada fio de cabelo, em cada célula de seu corpo.
—Aizawa? O que aconteceu? –Hizashi questiona tentando tranquilizar o moreno, o medo que era direcionado a si não fazia sentido algum, o que diabos tinha acontecido? –O que fizeram com você, Eraser?
—Não falei pra você não vir?! –All Might repentinamente assume sua forma heróica, sem se importar se o loiro se machucaria com isso o empurra para fora e bate a porta. –Calma Aizawa, está tudo bem. –Ele tenta se aproximar do moreno, que assustado, continuava encarando o lugar onde estava Hizashi. Quando finalmente toca o ombro alheio, em um piscar de olhos seu braço estava torcido para trás, tinha baixado a guarda. –Shouta?
—Por que ele estava aqui?! Quem é você? Ayato? Tá tomando a forma do All Might agora, é?! –Ele aperta o braço para cima, de fato a mente do moreno estava distorcida, mesmo sendo muito mais forte, aquilo estava machucando o herói número um.
—Não, Aizawa. Está tudo bem agora, ele já foi. Eu sou eu mesmo. –Não sabia o que fazer, como poderia acalmar o moreno? Nem ao menos sabia quem era este Ayato. Logo percebe, como fora burro, era óbvio que era aquele loiro que o estuprara, como sabia o nome daquele homem, não fazia ideia, mas isso não era importante no momento.
—Como pode me garantir isso?! –All Might volta a sua forma normal, desse modo consegue se afastar do aprisionamento do outro, dando alguns passos para trás.
—Eu não vou te machucar, está tudo bem. –Dos olhos ainda mais avermelhados do moreno, começam a escorrer lágrimas, porém, o loiro não saberia dizer se era de tristeza, descrença, ou simplesmente por não aguentar mais manter os olhos abertos. Finalmente Aizawa pisca, as lágrimas continuam caindo.
—Desculpa All Might, eu... não sei o que me deu. –Ele se aproxima do loiro, mas este percebe, não era um aproximar como da noite anterior, o moreno agora estava atento, não tinha certeza se podia confiar, Toshinori achava que já tinha passado dessa barreira, mas uma simples interação de Hizashi foi o suficiente para levar tudo de volta ao início. Ele ouve um som alto do lado de fora, não sabia dizer o que foi, mas não dá bola para isso, tinha algo mais importante para se preocupar no momento.
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Com o empurrão, Mic cai sentado no chão do corredor, mas, de alguma forma, sentia que merecia aquilo. Não sabia o motivo, todavia, o outro loiro tinha o avisado para não ir ao apartamento, e ele, cabeça dura e curioso, foi até lá mesmo assim.
Como uma criança curiosa, Hizashi fica atrás da porta com a orelha fixa na superfície fria. Queria ouvir o que eles conversavam do outro lado, e ele consegue e entende, entende com perfeição o que tinham dito. Aquele nome começa a martelar em sua cabeça “Ayato” sabia que já tinha escutado esse nome em algum lugar, obviamente, não é um nome incomum, mas se lembrava vagamente de conhecer um Ayato específico junto com Aizawa. Mas quem era? Quando isso aconteceu? O que esse desgraçado teria feito com seu melhor amigo?
A torrente de perguntas em sua cabeça, somado a falta de sono o irritava, não conseguia chegar a nenhuma conclusão. Mas iria procurar em toda parte, descobriria quem é esse Ayato e o que fez, nem que para isso tenha que virar o Japão de cabeça para baixo.
O Hizashi irritado soca a parede do corredor antes de sair, determinado a achar aquele que fora o estopim de suas noites mal dormidas.
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