Notas iniciais
OLÁ! Eu sei que demorei, né? isfiuhafioiarfhi Mas aqui está, finalmente. Particularmente gostei bastante desse capítulo, adoraria saber o que acharam! ^^

A bela tarde alaranjada de outono; repleta de árvores começando a perder suas folhas em tons pastéis, passando a vestir as ruas com uma camada fofa de pisar; e agradavelmente fria, com sua brisa de fim da tarde obrigando todos a trajar suas roupas macias e aquecidas. Porém, nem mesmo aquele clima agradável era capaz de apaziguar o ar depressivo que rondava o dono dos olhos mais negros que a doutora Suzume já vira, até porque, toda essa beleza estava do lado de fora daquelas paredes brancas, completamente inibidas de qualquer traço de vida.

Aizawa encarava os olhos cor de mel da mulher a sua frente com indiferença, que era recebida mutuamente. Ainda não conseguia crer que All Might o convencera a ir à psicóloga, o que menos queria ainda era sair de casa, porém, após muita insistência do loiro, acabara indo. Não exatamente se arrependia, doutora Suzume se mostrara não apenas ótima ouvinte, mas também conselheira.

—Foi isso, tudo o que aconteceu apenas naquele dia. –O moreno explicou a ela sobre a conversa com Mic pela manhã; as rondas que deu pela cidade; a hora que voltou para seu apartamento; o estupro. Nesse último, não mostrava nem um mínimo de emoção, mas os olhos atentos e treinados da mulher, percebem a mudança que falar sobre isso teve sobre seu paciente, sempre que citava aquele nome: “Hizashi”, sua pálpebra inferior direita tremia minimamente.

—Certo, mas não foram esses exatamente os motivos para Toshinori ter invadido meu escritório ontem à noite. Acho que tem a ver com o motivo para não ter tirado o casaco quando entrou. Inconscientemente, Aizawa aperta o pulso esquerdo com a mão, estava frio do lado de fora, mas ali dentro, com o aquecedor ligado, mais parecia um forno enquanto vestido com o casaco de lã. A psicóloga retira os óculos e passa a limpar as lentes com um pano que tirou do bolso. –Preciso que me forneça todos os detalhes, ou não poderei ajuda-lo completamente. O que aconteceu depois?

Aizawa respira fundo, ele sabia que aquilo era verdade, já que estava ali, por que não fazer direito? Ele decide contar à ela tudo o que aconteceu.

—Depois que Hizashi saiu, –Novamente a doutora percebe a pálpebra tremer. –eu... senti que não podia confiar em ninguém além de mim mesmo. Não sei explicar muito bem, eu sabia... eu SEI que posso confiar no Toshinori, –Ele encara as próprias mãos. –mas mesmo agora, que ele salvou de novo a minha vida, não consigo confiar.

Logo após a saída de Mic, e o fim da crise cética de Aizawa, eles decidem tomar um café da manhã já que não conseguiram voltar a dormir de qualquer forma. Eles comem em silêncio, o clima constrangedor que já tinham previsto finalmente os alcança, cenas de coisas que tinham feito na noite anterior voltando em suas mentes.

—O que acha de irmos no seu apartamento assim que terminarmos? Aí buscamos o que precisa para continuar aqui. –Apenas nesse momento, o moreno se lembra do gatinho ainda sem nome que tinha salvo da chuva, devia estar se sentindo tão solitário, a salvação que o dera de nada valia se não o acolhera de fato, pelo menos era isso o que pensava.

—Eu agradeço por ter me deixado passar a noite, mas eu vou voltar pra minha casa agora. Agradeço por ter me ajudado de tantas formas. –All Might o encarava desacreditado, não podia deixa-lo ir, não sabia ao certo o efeito que aquela visita inesperada de Yamada tivera sobre o outro; não sabia que loucuras Aizawa seria capaz de fazer.

—Não. –Shouta ergue o olhar de seu café para os olhos azuis, que de novo, o encaravam preocupados. –Não vou deixar você sozinho até ter certeza que está bem.

—Para, chega disso. Por que você se preocupa tanto? –Toshinori respira fundo antes de responder. Queria dizer que é por ter se apegado ao moreno; por ter começado a considera-lo um grande amigo... talvez mais que isso. No entanto, nada disso deixa seus lábios.

—Porque eu sou um herói. Eu ajudo aqueles que precisam de mim, –O loiro puxa a caneca de café para longe do moreno, que ergue a mão para pegá-la de volta, All Might então, captura a mão do moreno com a sua, fazendo um carinho com o dedo. –mesmo aqueles que não querem ser salvos. –Ele diz encarando fixamente as orbes negras.

Aizawa puxa de volta a mão, levemente constrangido, mas não daria o braço a torcer, assim como não queria mais “incomodar” o herói número um, tinha medo do caminho que seus sentimentos pareciam se encaminhar.

—Eu não sou um civil que precisa ser salvo, All Might. –O tom sério de sua fala ganha um ênfase natural por, pela primeira vez em muito tempo, o moreno tê-lo chamado por seu nome de herói, e não como pedira para chama-lo: Toshinori. –Já estou bem.

—Heróis não são deuses inatingíveis, Eraser, sabe disso muito bem! Todo mundo um dia precisa ser salvo, então deixa eu te salvar... –Aizawa bufa, não sabia discutir com o loiro, seus pensamentos eram muito divergentes. –Você ainda precisa ir ao médico, ver se, fora os ferimentos, se está tudo bem com o seu corpo.

O moreno puxa a camisa, observando todas as novas marcas que seu corpo adquirira, ele sente seu estômago revirar, definitivamente não estava pronto para ver outras pessoas, só o que queria era se trancar no próprio quarto junto com seu novo companheiro de casa, Neko, –Como acabara de nomear mentalmente, criatividade com nomes nunca foi seu forte. –e dormir. Simplesmente não queria ficar horas na frente de alguém que acha que sabe melhor que ele próprio o que deveria fazer com sua vida, ou receber um papel com inúmeros nomes de remédio que deveria tomar de hora em hora.

—Sabe que eu não gosto de repetir, All Might-san. Não preciso ser salvo. –Os olhos azuis se arregalam, desde que se tornaram amigos o moreno não direcionava a si o olhar que tinha agora, um olhar de tédio; de indiferença; talvez até mesmo, de desdém. Então, nesse momento Toshinori desiste, de fato aquele parecia o velho Aizawa que tanto teve que batalhar para que mudasse consigo, ou pelo menos, ele acha que desiste.

No peito do detentor do One for All, a chama da determinação queimava, todas as células do seu corpo de herói, –não literal– queriam salvar aquele homem que o rejeitava com o olhar. Mas nesse dia, não foi o coração que ganhou a batalha da decisão, a razão falava mais alto, e o seu “eu” racional, dizia que não poderia obrigar o moreno a nada, nem mesmo a ouvi-lo.

—Obrigado de novo por tudo, ...

Não... —Pensava o loiro internamente, sem expressar nada em específico.

–eu sei onde é a porta, então não se preocupe. –O moreno se levanta da cadeira onde estava sentado, rumando a porta.

Não se vá! Eu posso te salvar, Shouta! —As mãos esqueléticas do loiro se fecham em um punho.

—Até mais, All Might-san. –O som da porta se fechando faz por completo a ficha cair. Toshinori se mantém ali, impotente, observando atentamente a porta, com esperança que o outro voltasse logo em seguida, dissesse que estava brincando e que aceitava sua ajuda; mas nada disso acontece, ele é deixado só, com apenas seus pensamentos como companhia.

Por que você é sempre tão impotente, Toshinori?! Não consegue nem ao menos salvar um amigo... —O loiro leva as mãos aos olhos, ele não chora, pois ainda tinha esperanças que de fato estivesse sendo um chato super-protetor, que o outro de fato tivesse melhorado, mas ainda mais internamente, sabia que isso não era verdade. Ele simplesmente permitira que um possível suicida saísse por sua porta, e simplesmente não sabia o que devia fazer.

—Então você o deixou sozinho e foi pra casa? –Pergunta a dona dos olhos cor de mel.

—Sim, voltei ao meu apartamento onde fui recebido a miados e lambidas, Neko ficou me seguindo pela casa toda durante toda a manhã. –Finalmente o moreno abre um sorriso, que permanece ali apenas por poucos segundos, para logo voltar a sua face neutra costumeira. –Até que eu, como estava muito cansado, decidi dormir um pouco mais. Fui até o quarto, fechei um tanto a cortina e me enfiei sobre os cobertores. Rolei de um lado para o outro, sem conseguir dormir, porém, morrendo de sono, e quando decido abrir os olhos, me arrependo no mesmo instante. –Sua pálpebra treme novamente e engole em seco. –Na minha frente, há poucos centímetros do meu rosto, estavam os óculos laranja que eu conheço perfeitamente bem.

Aizawa começa a suar frio, não conseguia desviar seu olhar do objeto bem à sua frente, sem que percebesse, começa a respirar rápido, o que aquilo estava fazendo ali?

Você é nojento! —Aquelas cenas voltam à sua mente, sem que pudesse controla-las.

My shit. —De alguma forma, ele sentia, novamente em seu corpo as dores que sentiu naquele momento.

Ainda vai melhorar! —Nesse momento, sem que pudesse contê-las, lágrimas começam a escorrer de seus olhos, em um movimento impensado, Aizawa dá um tapa forte nos óculos, fazendo-o voar longe e bater contra a parede.

—Saí da minha cabeça! –Ele grita, de seus olhos arregalados, as lágrimas não paravam de escorrer, ele cobre a cabeça com as mãos enquanto se encolhe na cama, que agora parecia tão grande; na verdade, tudo ao seu redor parecia engoli-lo em imensidão, como se fosse ele apenas um grão de areia na mais vasta duna.

Eu sempre vi você como um amigo...

Você fede, nojento.

Acho que terei que descobrir sozinho.

Nojento.

—Saí... saí, por favor, saí da minha cabeça... –De repente, ele consegue enxergar, parada e de pé, logo à frente da cama, estava o loiro escandaloso, encarando-o com os mesmo olhos enlouquecidos do dia anterior.

Sair? Não dá... you love me forever, Shouta. —Uma gargalhada ganha conta do lugar, tudo parecia mais escuro do que de fato estava, Aizawa se levanta e chuta o lugar onde deveria estar o loiro, em uma fração de segundo. Mas ele simplesmente desaparece. –Enquanto você viver, continuarei ao seu lado, my shit.

—CHEGA! –Ele vai até onde jogara os óculos de Mic, junta os cacos sem se importar se poderia se cortar no processo, o que acaba acontecendo. Joga tudo no lixo do banheiro, quando terminado, de alguma forma se sente um tanto mais livre do loiro, mas não o bastante, nunca o bastante, aquela sombra parecia o perseguir, aquela ilusão que agora era apenas fruto de sua mente enlouquecida, parecia o perseguir.

Aizawa se encara no espelho do banheiro, as bandagens feitas por All Might no dia anterior já estavam meio gastas, precisava trocá-las. Enquanto estava levando a mão à maçaneta do armário, ele estaca no meio do caminho ao perceber o sangue que escorria de suas mãos. Alguns pedaços pequenos da lentes alaranjada continuavam encrustados em sua carne. Há alguns minutos, ele não mais chorava, não se sentia mais triste na verdade, só o que sentia era uma sensação de vazio infinito, o bastante para nunca ser preenchida.

O moreno encara as próprias mãos, um sorriso desponta em seus lábios, sorriso esse que, se All Might tivesse ali, certamente iria abraça-lo, acariciar seus cabelos e dizer que estava tudo, pois aquele era único e exclusivamente o sorriso de um suicida. Mas All Might não estava ali, nem sempre pessoas que gritam, se esperneiam e choram são ouvidas pelo detentor do One for All, e mesmo sem de fato fazê-lo, Aizawa gritava, chorava e se esperneava a plenos pulmões, tudo isso no mais completo silêncio.

Seus olhos novamente tornam-se molhados, ele caminha a passos calmos até a cozinha, buscando a mais recente faca que comprara. Durante todo o trajeto, o sorriso o acompanha, assim como as lágrimas, contraste esse que mostrava o quanto não queria aquilo, não queria morrer, o que era morrer? Nunca mais veria nada, nunca mais seria alguma coisa, se tornaria apenas um amontoado de memórias nas mentes de pessoas que um dia o conheceram. Ao mesmo tempo em que, queria fugir dessa realidade sórdida de hipocrisia, maldade e sadismo que ronda a sociedade, não queria mais sofrer, não queria mais sentir medo, queria ao menos ter o direito de morrer como o herói corajoso que um dia fora, que há poucos dias ainda era e hoje já não é mais nada.

Com a faca em mãos, ele volta ao banheiro e fecha a porta, por algum motivo, não queria que Neko o visse.

Neko... —Logo ele percebe, agora tinha uma vida que dependia de si. Aizawa respira fundo, o deixaria com o loiro, seria esse o último trabalho que daria a All Might, ele promete isso a si próprio. Volta ao quarto para pegar o celular, ele liga para Toshinori enquanto caminha lentamente de volta ao banheiro. No segundo toque, o outro atende, um tanto desesperado.

Aizawa, o que aconteceu?! Aonde você está?

—Tô em casa, não aconteceu nada, não se preocupe. É só que... acabei de perceber que não comprei a areia para o Neko fazer as necessidades dele e não tô muito afim de sair de casa, será que você poderia comprar pra mim? –Sua fala tinha o tom mais natural que este poderia ter, mas Toshinori, sabia quando algo estava errado. Aizawa fecha a porta e tira a camisa, lentamente ele se senta no chão do box.

Claro, eu compro e levo para você. —Decide jogar o jogo do outro, não sabia o que o moreno pretendia, mas sabia que precisava ser rápido.

—Obrigado. –E desliga.

O ar fica mais pesado na sala, a doutora Suzume sabia o que tinha acontecido em seguida, mas o paciente demonstrava normalidade em falar aquelas coisas, pelo menos até aquele momento.

—E foi nesse momento que, tudo pareceu escurecer pra mim, sendo que eu ainda nem tinha... você sabe, me cortado. Tudo o que eu amava, o que eu amava? Eu não sabia dizer, tudo tinha sumido da minha mente naquele instante. Naquele hora, tudo o que parecia existir era aquele banheiro, eu, e a faca nas minhas mãos. O único pensamento que tive antes de dar fim àquele sofrimento foi: “Acabou!”. E finalmente, me matei.

Notas finais
O que achou?! Não esqueça de deixar seu comentário dizendo o que deve ser melhorado, claro disarhsfuekfu Semana que vem estou aí! Até lá >