Notas iniciais
OLÁ OLÁ, TUDO BOM?? Venho aqui trazer mais um capítulo pra vocês ^^ Agradeço imensamente aos comentários de incentivo! Vocês são 10!!!!!

—Então vocês conversaram e ele te convenceu que seria bom ter acompanhamento psicológico? –Pergunta doutora Suzume, já anotando informações em sua prancheta.

—... Sim, exatamente. –A dona dos olhos cor de mel ergue o olhar, encarando Aizawa de modo acusatório. Ele não sabia disso, mas a mulher, além de psicóloga, fizera um curso americano para identificar mentirosos.

—Não foi isso o que aconteceu, foi? Aizawa, eu não estou aqui para te julgar, mas pra te ouvir e ajudar, então preciso que seja sincero comigo. –Ele engole em seco e respira fundo, suas pernas inquietas, balançavam repetidamente para cima e para baixo.

—Depois que ele entrou no quarto, eu só queria esconder minha cara. Estava com tanta vergonha de encará-lo depois de ter feito aquilo, ainda mais depois de afirmar convictamente de que não precisava ser salvo, e de novo ter dado trabalho para ele. –Suas mãos cerram em punhos sobre as coxas e suas bochechas ganham uma coloração avermelhada. –Mas aí... aquilo aconteceu.

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Ambos se encaravam sem saber ao certo o que dizer, suas orbes, não desviavam por um segundo sequer, permitindo apenas que o silêncio e o contato visual ligasse suas almas. Desse modo, mesmo com várias coisas a precisar ser ditas, eles permanecem no mais completo silêncio por alguns minutos.

—Obrigado, Toshinori. E... me desculpe por ter te dado trabalho de novo. –Seu sorriso desaparece por completo, o ar melancólico invade sua fala assim como o brilho dos seus olhos.

—Eu não me importo em te ajudar, eu...! –Sua fala é cortada pelo moreno.

—Mas eu me importo. Chega disso, eu não vou mais ter que ser ajudado por você. –Ele coça a testa, estava visivelmente envergonhado pelo que tinha acontecido. –Acordei tem bastante tempo, então tive um tempo considerável para refletir. Agradeço mesmo a sua ajuda Toshinori, de verdade, mas agora estou realmente bem e... –Agora é a vez de o loiro cortá-lo. Mas o outro nunca esperaria que fosse daquele modo, nunca esperou que repentinamente, All Might se aproximaria tanto de si, encarando-o com aqueles olhos de um azul elétrico e chamativo, ao mesmo tempo em que toca seus lábios de leve com polegar.

Aizawa sente seu coração acelerar e suas bochechas esquentarem, desviando o olhar dos olhos de um azul chamativo, mas logo um pedido: “Olhe pra mim.” O faz mudar de ideia. O cruzar dos olhares aquece de imediato o peito de ambos que até o momento, sem que percebessem, estivera tão gelado. O moreno sabia o que All Might faria, se não quisesse, se não tivesse plena ciência do quanto aquele contato seria bem-vindo, certamente teria se afastado no mesmo instante, teria desviado novamente o olhar ou ativado sua individualidade, fazendo o outro recuar.

Mas ele não faz nada disso.

Toda sua atenção agora estava direcionada aos lábios quadrados que repentinamente tinham se aproximado de si, mas agora pareciam tão lentos. Sem que percebessem, ambos umedecem os lábios e engolem em seco. Seus olhos variando da boca entre aberta, aos olhos semicerrados.

Em uníssimo, eles iniciam o contato. Suas línguas se enroscavam e estalavam, inundando o quarto com o som sensual de seus beijos. As mãos de Toshinori, antes que pudesse perceber, deslizam até o rosto do moreno, segurando de forma delicada sua face entre as mãos, quase como um carinho que Aizawa gostaria que nunca acabasse.

Mas ele acaba no mesmo instante que o som inconfundível da porta se abrindo com força se faz presente, sendo acompanhada por um grupo de jovens escandalosos que adentram o espaço.

—AIZAWA-SENSEI! –Um misto de vozes jovens exclama junto, em um coro. Em um instante Uraraka e Ashido estavam ao pé da cama falando milhares de coisas ao mesmo tempo, enquanto Iida, Asui e Izuku esperavam as amigas terminarem a crise de histeria.

Depois de entrarem no quarto, apenas Izuku fita o herói número um, dando apenas um sorrisinho para o mesmo e voltando para frente, não podia deixar transparecer que se conheciam.

—O que aconteceu, sensei? Foi um ataque de vilões? –Pergunta Iida, após colocar a mão no ombro das garotas, pedindo que elas se acalmassem.

Aizawa e All Might se encaram cumplices, então ninguém havia os contado o que acontecera. O moreno agradece mentalmente por estar de camisas de manga longa e várias faixas no corpo, que naquele momento escondiam as marcas em seu pescoço.

—É algo sigiloso no momento, agradeço a preocupação de vocês, mas lamento não poder contar-lhes o que aconteceu. –Seu tom sério de profissional volta em um instante, surpreendendo Toshinori que ainda tentava normalizar sua respiração.

—Então deve ser algum vilão novo muito perigoso... Com individualidade de mutação provavelmente para o sensei chegar a ir para o hospital, se verificarmos a proporção de imigrantes para essa área...- –Izuku começa a resmungar teorias sobre o que poderia ter acontecido.

—Pessoal, o que importa agora é que o Aizawa-sensei está bem. –Afirma calmamente Tsuyu Asui.

Os alunos permanecem conversando com o professor por vários minutos a fio, em certo momento, não querendo se intrometer naquela cena tão fofa aos olhos de All Might, ele deixa o quarto, rumando ao banheiro.

O loiro abre a torneira e joga água no rosto, chegando a molhar parte de suas roupas no processo. Encara seu reflexo no espelho, seus olhos arregalados e a garganta seca. O que tinha feito? Por que naquele momento aquilo pareceu a melhor coisa a se fazer e agora, nesse momento, não consegue se arrepender?

Ele cobre o rosto com as mãos, mesmo agora, só o que queria era que seus alunos saíssem logo para que pudesse novamente capturar aqueles lábios com os seus.

Voltou a ser uma criança por acaso para se apaixonar tão rápido assim?! —Se questiona sozinho e engole em seco. Sua mente, desde que tudo aquilo começara, desde que encontrara o moreno jogado no chão daquele beco, não conseguia se normalizar. Logo percebe que essas férias não serviriam para descansar daquele longo ano, mas apenas o enxeria ainda mais de dores de cabeça.

Repentinamente, tirando-o completamente de seu transe com um susto, um desconhecido adentra o banheiro, em seus olhos escuros, lágrimas eram visíveis. Sem dizer uma palavra sequer ele bate com força a porta de uma das cabines após adentrá-la. O som de seus soluços logo é ouvido pelo loiro que fora prontamente ignorado.

Ele grita, soca a parede, tentando inutilmente apaziguar o sofrimento. Nesse momento, sem se dar conta, All Might sorri, ele sempre prometera ter um sorriso no rosto, mesmo nos piores momentos para servir de inspiração e esperança para os cidadãos, então por que ele próprio permitia que um ar melancólico o rondasse?

Toshinori permite que aquele homem que nem ao menos conhecia, tenha seu momento de tristeza em paz, não sabia o que teria acontecido, e como já está no hospital não havia como ajuda-lo. Suas pernas o levam de volta ao quarto em um instante, quando abre a porta, não ouve vozes de jovens, na verdade, ouve apenas um bipe irritante. Aizawa estava de novo sozinho, sentado com as costas nos travesseiros e lendo um livro, ao ouvir a porta, seus olhos negros focam em si.

No mesmo instante, os dois coram e desviam o olhar. Eles ficam alguns minutos encarando cantos aleatórios do quarto, como se fosse o mais interessante a se fazer.

—Como está se sentindo? –All Might tenta quebrar o gelo. De alguma forma dá certo, pois o moreno ri diante sua cara de pau.

—Estou bem, de novo obrigado por ter me salvado. Eu fui muito idiota, não fui? –Ele alarga o sorriso. –Que droga, devo estar parecendo um fraco agora...

—Por que você se diminui tanto? –Toshinori pergunta de repente. Aizawa o encara incrédulo, fazia isso?

—Como assim?

—Você faz isso o tempo todo, se chama de idiota, de fraco, de retardado, inútil... Você não percebe? Quando te conheci só conseguia admirar sua personalidade forte, sua capacidade de raciocínio, sua beleza. Às vezes me parece que você finge ser alguém extremamente indiferente para todos, quando na verdade se importa com tudo, e tudo te afeta, e você carrega tudo isso com você o tempo todo. É claro que certo momento algo assim ia acontecer, você não ia mais aguentar segurar essa máscara de durão.

Aizawa crispa os lábios o sorriso que até o momento mantivera nos lábios simplesmente desaparece, o que ele estava dizendo? Aquilo não era contraditório?

—Então eu sou fraco ou não sou? Pare de se contradizer, All Might.

—Você é forte justamente por conseguir carregar o peso de se preocupar com tudo nas costas sem pedir ajuda a ninguém. –De novo Toshinori se aproxima do moreno, mas sua intenção não era a mesma de antes, ele simplesmente bagunça seus cabelos com as mãos. –E eu amo isso em você! –Ele demora poucos segundos para perceber o que disse e todo seu rosto se tornar vermelho– ...eh? Quer dizer, eu admiro, admiro muito! Mas isso não é saudável e você precisa se preocupar consigo mesmo.

Mas Aizawa não ouve nada depois do constrangedor “Eu amo isso em você!” seu rosto fica vermelho até as orelhas, seus olhos se arregalam enquanto continuava a encarar de baixo o dono dos olhos azuis mais belos que já vira. Ele fecha o livro sem se preocupar em marcar a página que estava, se levanta da cama e abraça o loiro. Toshinori se surpreende com a ação repentina, não sabendo como reagir.

—Você me deixa muito confuso, Toshinori. –Seus braços apertam firme o corpo maior que o seu, até mesmo seus dedos se enroscam na camisa alheia, como se desesperado para que não fugisse. –Me beija de repente, me salva várias vezes, parece que se sente responsável quando não consegue. O que se passa na sua cabeça? –Finalmente se afasta alguns centímetros, apenas para encarar fixamente os olhos azuis que o encara de volta arregalados. O loiro engole em seco, o que responderia? Nem ele sabia ao certo aquilo. –O que você sente por mim, Toshinori-san?

Repentinamente, All Might percebe um sorriso único surgir nos lábios alheios, um sorriso que nunca antes vira em Aizawa, um sorriso promíscuo, de quem quer única e exclusivamente provocar. O moreno morde sua orelha.

—Sinto muitas coisas que não sei descrever.

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A doutora Suzume ajeita os óculos que tinham caído no meio da história, ela pigarreia antes de conseguir dizer algo.

—Entendo, não posso dizer que não esperava por isso, mas não desse jeito...

—Um pouco depois ele perguntou se eu não queria ajuda especializada para me ajudar a lidar com tudo que tinha acontecido, e... bem... vendo aquele sorriso dele eu não pude dizer não. Imagino que foi logo depois disso que ele invadiu seu escritório. –Finalmente um sorriso é visto pela mulher, que até o momento se perguntava como seriam aqueles lábios curvados para cima. –Peço perdão por isso, doutora.

—Infelizmente nosso tempo já terminou por hoje, Aizawa Shouta. –Ela preenche mais alguma coisa em sua prancheta, ao mesmo tempo em que o moreno se levanta e estica os braços para cima. Com o movimento a mulher consegue ver seu pulso, faixas brancas realmente ainda cobriam os cortes de seus braços. –Não se esqueça de que nossas seções são todas as segundas, quartas e sextas.

—Pode deixar. –Ele já estava prestes a deixar a sala quando ouve de novo a voz da mulher.

—Uma dúvida pessoal, –Aizawa se volta para encará-la. –então agora a relação de vocês dois deixou de ser só de amigos, certo? –Um novo sorriso se forma em seus lábios, mas ela não sabia dizer, pela primeira vez em muito tempo, se era esse um sorriso falso ou não.

—Quem sabe? –E bate a porta.

No corredor vazio e estreito, de paredes completamente brancas e com poucas cadeiras, dormia tranquilamente um loiro que Aizawa lembrava-se perfeitamente de dizer que não precisava espera-lo, pois estava tarde. Mas aparentemente ele não o dera ouvido. Sua cabeça estava jogada para trás e do canto de seus lábios escorria uma linha de saliva por sua boca estar entreaberta.

—Toshinori. –O moreno sussurra baixinho, próximo ao ouvido alheio. Com as mãos, balança os ombros do loiro, finalmente ele acorda ainda um tanto desnorteado. –Hora de ir pra casa.

Como já tinha percebido que mentir para aquela mulher é impossível, em momento nenhum Aizawa mentira, mas tiveram detalhes que pertenciam apenas a eles dois e não teria a audácia de contar a ela. Até porque, nem ao menos ele sabia dizer ao certo que tipo de relacionamento eles mantinham no momento.

Notas finais
Sei que foi bem curtinho dessa vez ;-; MAS precisava terminar por aí o de hoje, se não ficaria longo d+ iawufuywbfu O achou do capítulo? O que acha que deveria ser melhorado? Estamos aqui para tentar melhorar sempre! Até o próximo!!