Notas iniciais
Olá olá novamente! Finalmente a fic começou de verdade ^^ Mais comentários nas notas lá de baixo, sem mais delongas!

Suas costas doíam como o inferno após seu último dia de trabalho na UA aquele ano, só o que queria naquele momento era encostar-se a qualquer lugar que fosse e dormir até ser obrigado a acordar novamente. Porém, seu corpo era arrastado pelo loiro animado que o puxava pelo braço.

Não sabia dizer para onde era levado, apenas esperava que fosse longe dos olhares curiosos de indivíduos que fitavam o famoso Present Mic arrastar um “estranho” por aí. Não sabia dizer também o motivo pelo qual se deixava ser guiado pelo outro, ou pelo menos, negava a si próprio saber o motivo, no entanto, seus olhos o incriminavam.

O brilho em seu olhar para com o loiro escandaloso era percebido por qualquer um minimamente observador. Sentia seu peito palpitar fortemente em expectativa desde que o outro afirmara ter algo importante para lhe contar, sendo que, precisava ser dito em algum lugar especial.

Após poucos minutos, Mic para de puxá-lo, Aizawa percebe que fora levado até em frente à um bar meio retrô, famoso ali em Shinjuku. A maioria das pessoas ali era jovem, apenas começando a ficar bêbados, afinal, ainda eram nove da noite.

—Você tava’ falando há um tempo que queria sair para beber. –Se explica o loiro ao perceber o olhar indagador sobre si. Aizawa não se lembrava de falar com o outro sobre isso, e de fato não o fizera, falava apenas para si próprio, como um lema particular de vez em quando.

Eles caminham evitando as pessoas que estavam de pé, procurando alguma mesa para sentarem. Por ainda ser cedo, o bar não estava muito cheio. Uma mesa específica chama a atenção de ambos, próxima ao balcão, porém não o bastante para algum louco derrubar garrafas sobre eles; lado oposto ao balcão de onde estava o banheiro; e bem distante do lugar que antes apenas havia mais mesas, porém recentemente fora transformado em uma pista de dança a pedido dos jovens chatos que ali frequentam, contrastando com o visual retrô do resto do lugar. Uma música remixada e alta incomodava os ouvidos dos recém chegados, que tinham que falar num tom mais alto que o normal para ouvirem um ao outro.

—Então, o que você queria? –Aizawa não aguentava mais aquele suspense e muito menos a apreensão que o rondava, indo direto ao assunto no mesmo instante que se sentaram.

—Hey hey, calm down my friend! Vamos beber um pouco primeiro, temos a noite toda pra isso. –O loiro também não parecia muito confortável, ainda mais após sua pergunta. Sua face assumira um tom róseo e ele coça a nuca. –O que vai querer beber?

—Hum... –Ele pensa por alguns segundos, encara os freezers que estavam atrás do balcão, tentando ver o que tinham. –Alguma Sapporo pra começar.

—NICE CHOICE! –O dono dos olhos esverdeados aponta para si de forma exagerada com os dois indicadores, logo em seguida se levanta para pedir o que queriam.

Naquela pequena ida ao balcão, o moreno se permite observar as costas do outro se afastarem. Acaba deixando um sorriso surgir em seus lábios ao pensar no que o loiro diria a si mais tarde, claro, talvez estivesse sendo muito otimista pensando que seria justamente o que queria, não pensa muito nisso.

Aizawa solta um grunhido de raiva e vira o rosto para o lado, estava parecendo uma garotinha apaixonada em seu primeiro encontro, odiava o poder que o loiro possuia sobre si, mas simplesmente não podia evitar. Seu olhar volta a pousar sobre os ombros escondidos pelos fios loiros, ao contrário do costumeiro, Mic estava com roupas comuns e os cabelos baixos, apenas seu óculos alaranjado fazia as pessoas perceberem quem era. Aquele ar de tranquilidade a envolver o loiro, deixava-o ainda mais apaixonante aos olhos do moreno.

—Present Mic? –Pergunta uma voz feminina, Aizawa é tirado do transe que se encontrava, percebendo que um grupo de três mulheres se aproximara do dono dos olhos esverdeados.

—YEAH, IT'S ME BABY! –Ele responde, elas respondem com risadinhas agudas. Ele aceita a caneta que uma delas oferecia a si, e assina os seios de uma, a coxa de outra, e o pulso da mais baixa e tímida das três. Elas logo vão embora felizes, provavelmente rumando a algum tatuador. Mic volta à mesa com duas latas grandes de Sapporo.

—Parece um saco ser reconhecido aonde quer que vá. –Afirma ao mesmo tempo que abre a lata.

—Não posso dizer que não gosto de ser popular, já conquistei várias beautifull womans apenas com um piscar. –Demonstra piscando um dos olhos de forma sedutora ao amigo.

Aizawa se sente desconfortável com a fala do outro, aquele olhar sincero o fazia agora duvidar de sua primeira ideia sobre o motivo pelo qual o levara até ali. Provavelmente sua decepção se torna visível em seu olhar, principalmente para aquela pessoa que o conhece desde o ensino médio, pois o sorriso desaparece dos lábios alheios, e seus olhos ganham um ar preocupado. Antes que desse espaço para o outro perguntar-lhe algo, simplesmente vira a latinha de cerveja. Os olhos verdes o encaram adimirado, seu sorriso volta com a mesma facilidade com a qual se fora. Mic o imita, virando por completo a latinha de coloração negra.

Dessa forma se passam algumas horas daquela noite, certos momentos tomando doses de tequila ou vodka. Suas conversas variavam de um assunto a outro sem que nem ao menos percebessem.

WHAT?! Você nunca viu Hannibal? Como a gente vai casar assim, Aizawa Shouta?! O moreno, já alterado pela bebida, não percebe perfeitamente o que lhe fora dito, não percebendo aquele fofo "a gente vai casar".

Tenho coisas mais importantes para fazer do que ver cada filme que você me recomenda. Toma um grande gole da caipirinha de limão, péssima ao gosto do moreno, mas ele ignorava esse fato.

Não sabiam precisar ao certo quando, mas repentinamente estavam brincando com as latinhas vazias sobre a mesa, com o pequeno lacre de metal, tentavam derrubar o monte de latas postas umas sobre as outras. Erravam o tempo todo, os sorrisos no rosto e as bochechas rosadas revelavam o estado que se encontravam. Há muito a música parara de tocar, os que dançavam já tinham ido embora, perdendo assim o sentido em continuar incomodando os vizinhos.

—Hey hey, Eraser... What time is? –Questiona o loiro sorridente com a cabeça pendendo para trás da cadeira. Ele ergue novamente a coluna e mira no monte de latas.

—São... –Ele procura o celular pelos bolsos, não o encontra em lugar algum. –Inferno, você pegou meu celular? –Pergunta como se fossem eles amigos de classe que adoram esconder as coisas um do outro.

—Of course not, quantos anos acha que tenho?... Pelo menos acho que não. –Ele procura nos próprios bolsos mas também não o encontra, achando apenas o seu próprio. –São três e vinte, aliás... Espera, o quê?!

Ambos se encaram desacreditados, estavam ali há muito mais tempo do que imaginavam, a conta devia estar um olho da cara. Naquele momento, um vislumbre de sanidade volta aos olhos de ambos, observando em volta, apenas poucos adolescentes caídos no chão ou aos beijos permaneciam ali. Eles riem, há muito não se divertiam daquela forma despreocupada, como se ainda fossem civis.

Nunca o admitiriam, mas sentiam saudades de momentos como aquele quando eram jovens, quando podiam sair para conversar banalidades sem se preocupar com trabalho algum. Antes da noite terminar, Shouta não acreditava que sairiam daquela forma descompromissada, algo tinha que dar errado, algo sempre dava errado. Mas quando se dá conta que a noite terminara e a pior coisa que acontecera foi o loiro derrubar acidentalmente cerveja nos calçados de um brutamonte, que logo em seguida o pediu um autógrafo, se sente aliviado.

O apartamento mais próximo dali era de Aizawa, pelo estado nada bom que se encontrava principalmente o moreno, Mic resolve levá-lo até em casa. Carregava o outro pelo ombro pelos corredores vazios do prédio antigo, as paredes feitas de tijolos maciços, o piso, coberto por azulejos em sua maioria quebradiços, as várias portas de madeira, carcomidas por cupins esfomeados há vários anos.

Agradece aos céus quando percebe o elevador que os levaria até o terceiro andar, nem ele próprio estava em condições de subir escadas, ainda mais carregando o dono dos olhos negros. O elevador antigo fazia um barulho ensurdecedor enquanto se movia, piorando ainda mais a dor de cabeça que ambos já sentiam, prevendo assim a maldita ressaca que teriam na dia seguinte. Por algum motivo que não sabia explicar ao certo qual, Mic sabia o andar que o outro morava, apertando instintivamente o botão correto.

—Qual o seu apartamento? –Pergunta o menos bêbado dos dois, recebe apenas um grunhido incompreensível como resposta. –Faz assim, aponta pra qual é. –Sem nem ao menos precisar levantar a cabeça, ele aponta fixamente para uma porta. Mic os leva até ela. –The keys.

Aizawa procura de forma desleixada, encontra o celular que achava ter perdido, em seguida encontra o molho de chaves que procurava. Se desvencilha dos braços do loiro minimamente, apenas para abrir a porta. Em seguida, praticamente se joga sobre o outro, como se fosse um gato carente aos olhos do loiro, que acaba soltando uma risada anasalada.

O dono dos olhos esverdeados guia o moreno pela casa até o banheiro. Aizawa sentia sua cabeça girar de um lado para o outro, há muito esquecera o motivo para terem saído. Só o que queria naquele momento era dormir e não vomitar.

Senta-se no chão do banheiro e segura a cabeça entre as mãos, esperando que se alguma forma a dor pudesse diminuir, não prometia a si mesmo nunca mais beber, pois sabia que não o faria, como sempre. Percebe o loiro ligar o chuveiro, ele checa a temperatura antes de se voltar ao moreno. Seu olhar preocupado fita o outro, pelo menos nenhum dos dois vomitara até o momento, e esperava que continuasse assim.

—Consegue levantar? –Aizawa solta outro grunhido incompreensível, mas se levanta com certa dificuldade, sendo ajudado pelo outro.

Em um estado lúcido, provavelmente o dono dos olhos negros enrubesceria completamente naquele momento, Mic repentinamente começa a tirar-lhe a blusa negra de manga, relevando completamente seu peito pálido, cheio de cicatrizes da luta contra a liga dos vilões e outros conflitos. O loiro não se deixa distrair, tirando também a calça que trajava e o colocando sob o chuveiro apenas de roupa de baixo.

A água fria dá um choque de realidade no moreno, que com a nova sensação repentina, solta uma exclamação ao mesmo tempo que contrai as costas. O olhar daquele que –jamais admitiria, mas– estava apaixonado, fixo em si o dava calafrios. Queria puxá-lo para dentro consigo, beijá-lo até seus lábios ficarem avermelhados, talvez até mesmo... Aizawa cora com o caminho que seus pensamentos estavam levando, mas o outro parece não notar, fitava fixamente os seus olhos, como se tentasse ver através deles, Mic na verdade buscava algum feixe de lucidez, vendo se o outro ficara menos alterado sob a água fria.

Após poucos instantes consegue deixar o chuveiro por conta própria, rumando cambaleante e entre tropeços, sozinho até o quarto. Ele se seca no caminho de forma desleixada, simplesmente permitindo seu corpo cair sobre a cama ainda quase completamente molhado. Seus fios negros molham rapidamente o travesseiro branco, mas não se incomoda com isso, só o que queria era dormir, no dia seguinte se preocuparia com o lençol e o colchão que teria que colocar para secar de alguma forma para evitar fungos.

No banheiro, Mic também toma um banho rápido. Ele encena de frente ao chuveiro o que diria ao moreno no quarto, tentava prever a reação do outro sem sucesso, não sabia se receberia o olhar indiferente de sempre ou um olhar indignado. Seca os cabelos jogados para trás com a toalha, sabia da irritação do outro para si de manhã quando visse que molhara a cama.

Com isso se surpreende ao chegar ao quarto, e não apenas perceber que o moreno dormira ainda apenas com a roupa de baixo molhada, como nem ao menos se enxugara antes de deitar. Ele procura algum cobertor nos armários, ao encontra-lo, cobre aquele que dormia com cuidado para não acordá-lo.

Era cuidadoso, mas também estava exausto, não queria procurar por outro travesseiro antes de finalmente ir até sala e dormir no sofá, resolvendo por simplesmente deitar ao lado de Aizawa na cama de casal, esperando que o outro não se incomodasse com isso. Ele deposita o óculo alaranjado na cabeceira antes de se entranhar sob o cobertor. Naquele momento, o loiro pode perceber o que nunca antes percebera no outro, sua expressão serena enquanto dorme era bela, sua pele estava fria e cheirava bem a algo parecido com menta, seus cabelos molhados formavam cascatas atrás de si. Inconscientemente, o dono dos olhos esverdeados se aconchega mais próximo ao moreno, seus rostos bem próximos um ao outro, antes de finalmente se deixar ser levado pelo sono.

Notas finais
E então, o que acharam? Quaisquer erros apontem, críticas construtivas ou um simples: "Continue" serão muito bem aceitos na caixa de comentários! (Além de me deixar mega feliz :'D ) Nosso All MIght mozão não apareceu ainda, mas logo logo ele aparecerá, relaxem. Até semana que vem, beijos e tchau tchau!