In Your World

3 Capitulo Três - Mercúrio


Notas iniciais
Olá!!!! Lindos, lindos reviews *_* Muito obrigada a todas *_* Boa leitura e desculpem os erros.

É obvio que eu fofoquei sobre a loira nervosinha que foi atrás do meu chefe, quero dizer, não é todo dia que uma pessoa bonita passa por mim, assim como não é todo dia que alguém como ela faz atrás do doido do Vincent. Achei que ele não tivesse amigos ou coisas do gênero, pois vamos combinar, como é que se fica amigo desse maluco? Só se for telepaticamente ou sei lá, não existem muitos argumentos pra isso acontecer.

—Talvez ela seja irmã.—Deduziu Milena tomando um gole do café a minha frente, não pude fazer nada além de mirá-la pensativa. Irmã?

—Não! Eu vi o senhor Bartolomeo, cabelos pretinhos da silva e olhos azuis, ela não se parece em nada com ele. Mas pode ser prima!—Meu noivo que estava sentado conosco comeu um pedaço de bolo com maior cuidado para não exagerar.

—Não Abby, prima fazendo esse escândalo todo que você mencionou?! Tem certeza que não é ex? Talvez ele seja assim quietinho, mas uma coisa em quatro paredes! Conheço caras assim.—Franzi o cenho o fitando perplexa.

—Você conhece caras assim? Como?—Pareceu engasgar com a saliva sorrindo.

—Oh-oh, não foi isso que eu quis dizer, eu me referia a pessoas, alguns colegas meus são quietinhos, porém as namoradas deles me contam, sabe, érrr... Você entendeu!

Falou nervoso e não, eu não entendi, quem conversa com a namorada dos amigos sobre o que fazem em quatro parede? Pisquei algumas vezes um tanto quanto confusa, isso foi muito estranho, iria perguntar a ele mais, porém lá estava ela, andando as pressas rumo ao departamento do Vincent com cara de que iria matar alguém.

—Gente é ela!! A loira assassina!—O café quase voou da minha boca no desespero e acabei engasgando. Os três riram de mim e eu apontei célere pra eles a verem.

—Tenha modos Abby.—Disse Ed e eu sorri sem graça sem tirar os olhos da loira.

—Eu queria ter aquelas pernas.—Murmurou Vic desdenhosa.

—Pernas? Ficou louca? Olha o tamanho daqueles melões, se eu tivesse um tiquinho daquilo eu ficava satisfeita!—Acenei pros meus que comparados ao dela eram minúsculos. Elas riram fazendo sinais pra eu me levantar.

—O que ainda está fazendo aqui garota? Vai descobrir o que ela é do doido, anda!—Bati continência correndo atrás da loira.

Eu sei, eu sei, isso é meio ridículo, eu Abigail nos meus vinte e três anos correndo atrás de fofoca. Mas meu trabalho era tão tedioso que isso era o melhor que eu podia fazer. Meu chefe não falava diretamente comigo, o pai dele era um bruto e tudo que eu tinha que fazer e compras e resolver curtos problemas dentro da empresa.

Para não parecer que eu tinha ido normalmente até a sala, peguei o espelho da minha bolsa arrumando meu cabelo que já estava batendo três dedos abaixo dos ombros. Ele tinha uma cor estranha, nem preto, nem castanho, um tanto claro nas pontas e escuro no resto, não, não, não é como se fosse luzes, é como se fosse sujo de poeira. Eu mantinha uma franja desde o colegial, mamãe dizia pra deixa-la crescer por que eu parecia uma menininha com ele, mas foda-se, eu gosto de franja.

—ABRE ESSA PORTA VINCENT!!—Deu pra ouvir os berros dela no corredor. Assim que me aproximei achei que ela fosse me esganar.—Quem é você?!?!—Quase tremi as pernas, olhei pros lados engolindo seco.

—E-eu sou a auxiliar.—A loira soltou um ‘ahh’ desdenhoso bufando.

—Tem a chave dessa porta?—Neguei prontamente notando ela morder o canto da boca furiosa. Chefinho não saia daí, ela vai te matar provavelmente. Pegou o celular na bolsa com violência teclando algum número.—Oi! Sou eu Bartolomeo! Isso, estou aqui de frente! Ahhh o que o senhor acha que esse imbecil está fazendo?? Por favor, sim!? Eu espero!—Cara que dó eu tenho do Vincent, ela chamou o poderoso chefão, agora que ele tem os testículos arrancados.

—Que mal eu pergunte, mas o que é do Vincent?—Tomei coragem para perguntar depois de um breve silêncio em que eu fingia ler os papeis sobre a minha mesa. Ela me olhou com desgosto girando os olhos.

—Noiva.—Suspirou falando em um timbre como se dissesse: Eu estou com câncer. Arregalei os olhos abismada, meu queixo caiu enquanto a analisei dos pés a cabeça. Quis perguntar: Como? Você quem atirou no papa pra estar noiva dele?. Mas me contive por que o pai da figura entrou na sala em passos firmes.

—Ahh que ótimo que já está aqui também Abigail, acabei de falar com o Xavier e ele me disse que não passou pra você o convite avisando. Então aqui está.—Me entregou um pequeno cartão enquanto quase quebrava a porta do meu chefe.

Havia um desenho de uma rosa cor vinho modelada como se pingasse algum liquido azul de dentro dela com a marca de alguma coisa escrita na gota Poison. Espera! Poison não é aquela marca de roupas de grife? Aquelas que eles dizem ser tudo exclusivo ou sei lá, eu já tinha ouvido falar nisso.

Nas informações estava escrito Lançamento da nova linha com uma frase de efeito dizendo: Seja a mulher que faz o futuro.

—O senhor está me convidado?—Perguntei perplexa, eu sou só uma auxiliar e pelo desdenho dele acho que não era bem essa a intenção do convite.

—Alguém tem que ficar de olho no Vincent!—Tornou a bater na porta gritando até os passos desesperados do meu chefe chegarem ali e abrir a porta.—Fugindo da Sasha?—Foi o mesmo procedimento de tortura, pegou ele pela nuca levando até a noiva, que pareceu aceitar aquilo com tranquilidade demais.

—Você me obriga a isso Vincent!—Berrou ela zangada.—E olha esse rosto, quando foi a ultima vez que deixou sua mãe tirar sua barba? E essas roupas horríveis? Eu fico fora um mês e você me aparece assim? Como posso ser noiva disso!—Ele apenas resmungou alguma coisa para si, eu me perguntei: Como diabos esse cara a pediu em casamento? Ou melhor, por que?—Argh! Preste atenção Vincent, eu quero você bem arrumado até as vinte, nós vamos a festa hoje e você vai pelo menos FINGIR que é uma pessoa normal!!—Ela segurou o rosto dele com firmeza dando para notar suas unhas pintadas de vermelho cravarem sobre próximo aos seus olhos o forçando a fita-la.—Estamos entendido?!—Rangeu os dentes perguntando.

—S-s-s-sim.—Murmurou limpando a garganta. Ela acenou pro sogro soltar ele que ficou parado como um animal assustado.

—Se precisar de ajuda aí está sua auxiliar...—Disse o velho que se virou pra mim.—...Vista algo descente, use o carro da empresa para ir busca-lo, na festa lhe explico como não deixa-lo fugir.—Concordando morrendo de medo daqueles dois.

Agora eu entendi por que ninguém durava nesse emprego, não era por causa do Vincent e sim a família doida dele. Engoli seco notando ele recuperar as forças, o que eu posso fazer? Acho que se eu fizer algo sou demitida. Apertei minhas mãos levantando com cautela.

—Vin...—Assim que ouviu o som da minha voz se trancou de novo na sala dele. Como ele quer que o tratem normal agindo desse jeito?

Uma coisa boa aconteceu naquele dia, eu recebi meu salário e pude resolver umas dividas de casa, embora não tenha sobrado quase nada. Respirei fundo olhando pela janela de casa com o endereço na mão, aquela neve caindo daquele jeito, como eu deveria me vestir? S.O.S amigas e em pouco tempo elas estavam no meu quarto reclamando do frio, pois não tinha como consertar o aquecedor ainda.

—Em resumo você ganhou um convite pra festa da Poison pra ser babá do doido?—Suspirei vestindo o vestido que me aconselharam mostrando pra elas.

—Em resumo? É isso mesmo. Agora que vai ser meio ridículo pra noiva dele me ter atrás dos dois, isso vai.—Resmunguei calçando minha sandália de salto preta.

Com a parte de cima do vestido bege como se fosse uma blusa a parte sem decote e a saia preta indo até dois dedos acima dos joelhos com as pulseiras da mesma cor da parte de cima e a sandália combinando com a parte de baixo... Eu até que estava bonita. Ninguém vai perceber que sou uma babá de um cara de vinte cinco anos. Vic que era expert em maquiagem ajeitou meu rosto, sombras escuras, batom bem clarinho e blush leve nas bochechas.

—Como estou?—Elas se entreolharam.

—Pra alguém que vai vigiar um cachorrinho assustado, ótima!—Dei uma breve risada, que maldade.

—Então me deixem ir, pois tenho que buscar o cãozinho...Opa quero dizer, meu chefe.—Elas me seguiram até a porta.—O que vão fazer o resto da noite?—Entramos no carro.

—Eu vou pra um bar encher a cara já que não fui convidada pra festa da Poison.—Disse Milena entediada e Vic riu.

—Vamos juntas então!—Ahh se eu pudesse levar elas comigo, com certeza eu levaria.

Depois de deixa-las onde pediram me direcionei para o endereço anotado no papel, eu não entendo por que meu chefe não pode ir sozinho, ele tem carro e sabe ler, pior, por que a noiva dele não vem? Mas aprendi a não questionar os patrões. Disseram pra buscar e eu vou.

A casa dele era do outro lado da cidade no meio do nada e fiquei um pouco pasma ao ver tudo arrumadinho do lado de fora, jardim bem montado e a casa branca enorme cinco mil vezes mais bonita que o beco em que eu morava. Ele vivia ali sozinho? Buzinei na porta ainda um tanto perplexa.

Dezenove e quinze.

Buzinei novamente notando as luzes estarem se apagando e de repente um ser extremamente nervoso sair trancando a porta.

Meu queixo caiu olhando aquela figura alta andar até o carro, com o rosto liso com uns pequenos band-aid e os cabelos negros um tanto compridos penteados para trás eu mal pude acreditar que aquele ser entrando no carro extremamente nervoso era o meu chefe. Até mesmo aqueles óculos enormes deixavam a sua face charmosa, de terno passado ele sentou no banco do passageiro sem se quer dizer uma palavra. Apenas tragando saliva e umedecendo os lábios varias vezes enquanto apertava as mãos como uma criança medrosa.

Não pude deixar de sorrir. Pensei em fazer uma brincadeirinha, mas na agitação que estava achei melhor me segurar.

—Você está muito bonito.—Disse o fitando tentando ser simpática, ele me lançou um olhar assustado como se não esperasse por isso, porém logo voltando a face pro vidro nervoso.

—Bridado.—Respondeu tão rápido que quase não entendi.

—De nada! Não se preocupe, sua noiva não terá o que se queixar ao vê-lo.—Liguei o carro dirigindo.

Pensei em colocar alguma música, dizer algo para acalmar, dar um tapinha nas costas, porém tudo que se passava na minha cabeça o olhando tão apavorado fazendo círculos na janela do carro parecia uma má ideia. Como é que se age perto de uma pessoa assim? O silêncio me parecia a melhor ideia até então.

Quando chegamos lá estava a loira vestindo um vestido vermelho, caraca como ela gosta de vermelho e como lhe cabia bem essa cor. Ela lembrava aquela atriz Marilyn Monroe em uma versão melhorada e delicada, ainda que o era só abrir a boca que qualquer semelhança sumia e ela começava a lembrar um cachorro furioso.

—Levante o rosto Vincent!—Brigou ela quando o coitado se aproximou.—E você fique alerta!—Apontou pra mim, quase disse: Hey eu não sou ele pra vir querer dar ordens. Mas lembrei que o chefão e ela compartilhavam a mesma grosseria, poderia ser demitida só por responde-la.

Então sorri, seguindo os dois.

Senhor que dó dele, que dó, que dó, que dó! Sendo puxado pelo braço tão nervoso que me perguntei o quanto aquilo devia ser difícil. O pai dele se aproximou de mim junto a uma senhora com semblante calmo.

—Aqui Sara, essa é a nova auxiliar, você insistiu em conhecê-la, aí está.—Pisquei algumas vezes, chutei que era esposa dele.

—Ahh sim, olá querida, eu sou Sara Augostini.—Apertei sua mão, ela tinha um sorriso tão sereno, como casou com esse bruto?

—Prazer, eu sou Abigail Hudston.—Devolvi o sorriso sem tirar bem os olhos do meu chefe.

—Bom, é muito simples sua tarefa Abigail, não deixe que ele fuga, se ele fugir, está demitida!—O mirei assustada, e eu tinha culpa do filho dele ser assim?

—Bart! Não seja cruel.—Deu um leve tapa em seu braço me encarando logo em seguida.—Não se agite querida, é só não perde-lo de vista e evitar deixar que vai ao banheiro, pois é assim que sempre foge.—Ela se aproximou perto do meu rosto como se fosse me contar um segredo.—Fique bem atenta, ele costuma vomitar quando passa por um pânico continuo.—Busquei em minha mente o que realmente aquilo deveria querer dizer, até cogitei em perguntar, mas eles se retiraram pra falar com uma mulher chique que os chamou.

O mais importante da conversa, não posso deixa-lo fugir ou perco o emprego.

Houve um breve discurso sobre o lançamento da marca, mas meus olhos não desgrudaram do problemático Vincent que com certeza estava pensando em fugir. Percebi que acenou algo para a noiva e saiu de perto dela indo rumo á não tenho ideia onde. O segui em passos céleres e assim que percebeu que eu estava na cola dele, mirou o chão parando.

—E-e-eu s-só vou ao banheiro...—Apertei os olhos engolindo seco.

—Por favor, não fuja, eu preciso desse emprego...—Sussurrei pra ele em timbre desesperado.—...Eu te ajudo, mas não fuja.—Ele não respondeu nada apenas continuou andando e eu é que não vou confiar nele. Andou até o banheiro e fiquei lá fora rezando pra lá dentro não ter uma janela pra ele se enfiar e sair.

Demorou uma meia hora, porém finalmente saiu dali com o semblante apavorado, distante percebi que ele se forçou a dizer algo.

—E-estou enjoado...—Ahh é isso, eu pensei rápido em algo para tranquiliza-lo, porém um ser assustador pintou atrás de mim avançando sobre ele.

—Vincent!!—Chamou a loira apertando o braço dele.—Estão te chamando, a Jaqueline quer saber sobre sua ideia.—Deu pra notar de longe que ele ficou mais apavorado ainda.

Pensa Abby, pensa!! E se ele vomitar na mulher? Você com certeza perde o emprego de qualquer jeito e a empresa pode perder uma cliente! Se bem que não sei por que o forçam a fazer isso sabendo que ele é desse jeito. Preferem fingir que são uma família normal ao mandar a real pro cliente.

Fui com eles vendo aquela mulher de sotaque francês questionar inumaras coisas sobre como ele tinha pensado em uma ideia tão ilustre quanto ao tema que estava sendo comemorado hoje. Ele gaguejou coisas sem o menor sentido e pude ver o pai apertando os punhos a noiva sorrindo sem graça beliscando suas costas.

—E-e-eu p-p-pen-pensei em-em-em...—Ahh minha nossa a cara de desgosto que a mulher e os presentes fizeram como se ele fosse de outro mundo era terrível, nem me olhavam assim e eu fiquei com apavorada.

—O perdoem, por favor, palavras não é bem a melhor forma pela qual ele consegue se expressar!—Eu tive que interromper e tomar a frente deixando ele atrás de mim, percebi que o pai dele me fuzilou e a noiva também, mas era isso ou ele vomitaria na cliente.—Mas vou tentar explicar o que Vincent tinha em mente quando ofereceu um tema como a mulher que faz o futuro! Ora todos nós conhecemos um pouco de historia, sabemos o quão machista era tempos atrás, então propor que uma mulher faça o futuro ao invés de apenas existir dentro dele é a ideologia precisa que qualquer pessoa do gênero feminino precisa para ser mais do que o sexo frágil de uma historia vaga contada em um livro de escola cuja a maioria dos nomes presentes ali sejam de homens. Fazer o futuro onde nossos nomes estariam nele...—Apontei para a mulher a minha frente.—...E por que não com uma imagem com estilo?!—Ela ficou pensativa, não sei bem o que se questionou, mas fiquei com medo do desdenho de eu não ser ninguém.

Felizmente ela sorriu largo como se tivesse entendido o que eu queria dizer.

—Somos capazes de impregnar e construir um novo futuro e não apenas existir nele, adorei! Parfait!—Sorri fingindo que tinha entendido o que falou e varias pessoas aplaudiram sei lá por qual motivo.—Meus parabéns Vincent!—Apertou a mão dele como se eu não tivesse feito nada. Mas pelo menos eu não acho que vou ser demitida.

Quando o grupo de pessoas se dissipou na festa os Augustini e a noiva do Vincent me cercaram com expressões nada contentes. Exceto a senhora Sara e o filho que nem me olhou só seguiu a boiada.

—Vincent era isso?—Meu chefe negou muito nervoso.—Então por que disse isso sua incompetente?—Eu ia responder quando a loira avançou em mim.

—Pergunta melhor, quem te deu o direito de se intrometer sua insignificante!—Hey! Deu um passo pra frente já nervosa pros dois brutos.

—Escuta aqui, eu não sei se vocês notaram, mas até ele terminar a frase se terminasse o sol já teria nascido e ela não teria entendido nada, o que eu fiz?—Mirei a loira zangada.—O que nenhum de vocês fariam melhor, por que estão preocupados demais em se exibir e perceber que ele estava a um ponto de vomitar na cliente, então se acham que atrapalhei o enorme escândalo do Augustini vomitando na dona da Poison, me desculpem, me demitam! Eu fiz o que achei melhor pra empresa e pro meu chefe, pois essa é minha função, cuidar dele!—Falei de uma fez sem respirar e quando terminei ofeguei esperando o: Rua! Vindo do grosseirão. Mas eu percebi que um olhar foi lançado rapidamente pra mim quase querendo agradecer vindo do rapaz problema ali.

—Demita ela logo Bartolomeo.—Disse a antipática.

—Demitir por ela ter razão? É isso que vai fazer Bart?—A mulher dele me defendeu me jogando o mais carinhoso dos sorrisos que já recebi em dias.

—Senhor...

—Ela tem razão Sasha! Pode não ter dito o que ele pensou, mas ela conseguiu contornar a situação usando o feminismo da Jaqueline a nosso favor. Onde aprendeu aquilo?—Sorri sem graça.

—Eu tive uma fase rebelde aos 14 anos, prefiro não comentar.—Fiz coisas que sinceramente não era muito legal de se contar ao meu chefe.

—Bom...—Mirou o filho com desdenho.—....Felizmente você não estragou esse momento, sua socialização já foi completada.—Juntei as sobrancelhas sem entender.

—Mas vamos ficar até o termino da festa, você vai dormir lá em casa.—Eu pude ver seu corpo estremecer todinho.

—E-e-eu estou c-c-cansado.—Resmungou pra ela que deu lhe um beliscão.

—Cansada estou eu! Eu voltei de viajem e cadê que você me recebeu com alguma surpresa! Sogro me ajuda aqui!—Exigiu e o velho já veio pra cima dele.

—Pare de frescuras, irá festejar com sua noiva e dará a ela uma noite incrível, você me ouviu!—Soltou um som de desagrado e medo, ownn gente eu tenho muita dó dele.

—Será que é mesmo uma boa ideia?—Os três que tinham coragem me encararam.

—Como assim?—Perguntou Sasha zangada.

—Estamos por cima, lembram? Seria um desastre se a Jaqueline viesse falar com ele de novo e é obvio que vai já que ele é o convidado de honra dela e ela percebesse o que estão tentando esconder.—Eles se entreolharam meio que concordando, é eu sou boa de lábia, meu pai sempre disse isso. A loira o empurrou pra cima de mim furiosa.

—Então vai! Já que prefere mais aqueles planetas idiotas do que eu!—Em passos firmes saiu de perto, planetas?

—Satisfeito Vincent? Vá, suma da minha frente!—Disse o velho furioso saindo de perto também.

Querem saber, isso está ficando cada vez mais complexo, é cada coisa que eu preciso assistir e participar. Levei o chefe embora e além de nervoso ele me pareceu bem deprimido o que é bem compreensivo.

Então eu segui as filosofias do meu pai, sempre que eu não conseguia encontrar uma solução eu buscava tentar me passar pela pessoa. Ele doido, eu sei, nós sabemos, todo mundo da empresa saber exceto o clientes. Mas vamos lá, tem que ter um meio em que se possa chegar nessa cabeça dura sem deixa-lo assustado.

Dois dias tinham se passado e voltamos a rotina não falo com você e nem sonhe em falar comigo, entretanto, além de maluco ele parecia meio triste, como eu sei disso? Acho que eram as músicas clássicas melodramáticas vindo da sala. Mas lá estava o papel com tudo escrito, foi aí que tive uma ideia meio bobinha e infantil. Antes dele chegar deixei um chá com biscoitos em cima da mesa com um bilhete.

“Senhor Augustini

Pense no bom, deu tudo certo na festa! Tome um chá com biscoitos.

Vai te deixar mais tranquilo e evitar a fome à tarde.

Tenha um ótimo dia.

Atenciosamente Abigail.”

Bom ninguém em nenhum lugar pode dizer que não tentei.

Em casa o problema com dinheiro diminuirá, mas os problemas ainda sim pareciam enormes, minha irmã zangada por eu ameaçar vender seu violino resolveu a voltar a tocar, agora músicas de funerais e coisas assustadoras. Mamãe? Inventou de participar de bingos enquanto a gata dela sujava tudo de pelo.

Parecia que por pior que meu trabalho fosse, não era pior do que ficar em casa.

—Você está com uma cara péssima...—Murmurou uma das meninas, tomei o café todo a fitando com desdém.

—Tente dormir com uma irmã tocando violino a noite inteira como uma trilha sonora de terror, não estará tão diferente de mim.—Tomei umas três xicaras de café.

—Ela era tão boazinha..—Disse Ed, bocejei concordando.

—Era um amor, agora está insuportável.—Acenei pra moça da cantina me trazer mais uma xicara, vou pedir pro Vincent me liberar hoje, medroso do jeito que é com certeza não vai discutir, aliás ele nunca fala comigo.

Afundei a cabeça na mesa com um sono infinito, meus olhos deviam estar com olheiras e meu corpo estava todo dolorido. Porém algo em cima da mesa me fez esquecer os problemas e prestar atenção ao bilhete extra ali.

“Abigail

Eu agradeço pelo que fez aquela noite e também pela compreensão.

Gosto muito de chá.

Obrigado.

Atenciosamente Vincent”

Ele me respondeu. Sem conexo com o que queria que fizesse, algo quase pessoal.

Será que...?! Pode ser possível.

Notas finais
Antes de odiá-la vamos entender o lado dela, o noivo dela é doido coitada. O proximo eu coloco a imagem da Abby, eu não sei quando sai, provavelmente só semana que vem! Até!