In Your World

13 Capitulo Treze


Notas iniciais
Olá pessoas! Já recebi comentários que lindoooo!!! Estou MUITO contente que vocês não desistiram de ler a fic *_____________* Eu estou aqui no serviço, vou tentar postar o proximo até o fim do meu expediente, se eu não conseguir amanhã bem cedo eu posto! Boa leitura e desculpem os erros!!!

Capitulo treze

Eu estava nervosa. Um tipo de nervosa bem parecido com o do Vincent, daquele jeito que tinha um pouco de vergonha de olhar para os lados ou quem quer que seja ali. Puxei o cabelo para de trás da orelha tentando não parecer tão culpada quanto era.

Mas a presença daquele velho me causava um desconforto imenso como se não importava o que fosse dito NADA seria do meu agrado.

— Eu tenho uma proposta Vincent... — Disse o velho infeliz ignorando a minha existência. O filho levantou o rosto surpreso.

— Hum... — Murmurou apenas do meu lado inquieto.

— Não se preocupe, você vai gostar... — Levei meus olhos para aquele senhor que tinha um sorriso no rosto. Não gostei do som dessa frase. — ...Alexandra também está de acordo, contanto que você siga as regras sociais. — Regras sociais? Que diabos é isso? Engoli em seco o vendo suspirar.

— Qua-qua-quais regras? — Gaguejou com as mãos tremulas.

— A regra básica de não sair por aí dizendo que tem uma amante, é claro! — Arregalei os olhos espantada. — Minha proposta é a seguinte, tudo continuará como está, esta individua será sua secretária e amante e até mesmo pretendo aumentar o salário dela... — Disse isso num sorriso cheio de deboche. —... A Alexandra será também permitido ter amantes é claro, mas tudo deverá ser sigiloso, em contrapartida o casamento deve acontecer, manter as aparências devidas, você entende. — Eu esperei ansiosa pela expressão indignada do Vincent e ele gritar um grande não... Ou então somente gaguejar, ao menos negar com a cabeça... Qualquer coisa nesse sentido. Mas ele abaixou o rosto e ficou pensativo.

— Eu não tenho que me relacionar com ela a não ser eventos sociais? — Questionou e aquela simples frase apunhalou meu peito. As meninas tinham razão.

— Isso mesmo, está de acordo? — Não diga ‘sim’ Vincent, se tem qualquer sentimento por mim, não concorde! Abaixei o rosto esperando fielmente que ele recusasse.

— Está bem. — Fechei os olhos respirando um ar amargo.

— Perfeito, eu vou marcar a data do casamento e... — Me levantei rangendo dos dentes olhando para aqueles ao redor da sala. — ...Eu não terminei... — Disse aquele infeliz e eu arranquei meu crachá do peito jogando na mesa dele.

— Vá se foder! Eu me demito! — Revidei fria e aquela criatura maldita do meu lado se levantou.

— Abigail calma... — Apontei o dedo para a cara dele.

— Não me diga para ter calma! Por que com VOCÊ eu já tive calma suficiente! — Eu ia andando quando ele me puxou pelo braço.

— Ele-ele só-só está tentando...

— Me humilhar! Conseguiu! — Falei o fitando furiosa. Depois encarei aquela cretina que tinha um sorriso no rosto. — Ele é todo seu. — O empurrei no rumo dela saindo as pressas daquela sala ou ia chorar ali mesmo.

— Espera!! — Meu chefe conseguiu me alcançar até o elevador. — Me-me escuta! Eu-eu-eu sei que parece horrível, mas não é! — Franzi o cenho.

— Ele praticamente e me chamou de prostituta!!! Que seria sua amante... — Inquieto e nervoso ele negou.

— Não! Você vai continuar comigo, não vamos ter que aturar a Sasha e vai poder trabalhar comigo! Se parar para pensar, vai perceber que mesmo que me case com ela no papel, é com você que eu vou ficar, vamos viver do jeito que... — Fechei os olhos de novo suspirando.

— Eu entendi Vincent... — O interrompi acenando com a mão. — ...Para você não faz diferença o que está aqui fora, só importa o que está lá dentro... — Meus olhos se encheram de lágrima. — ...Não te interessa se vão me xingar, se o mundo vai me ver com maus olhos, se meu trabalho vai se tornar degradante... No seu mundo, nada disso existe... — Ele abriu a boca os olhos perderam a coragem de encarar os meus. — ...Me desculpe Vincent, eu não devia ter feito você acreditar que viver no seu mundo bastava, por que para mim, não basta. — Ele umedeceu os lábios trêmulos. — Ficar num canto vendo você usar um anel com o nome de outra mulher, não, eu não farei esse papel ridículo. — A porta do elevador se abriu, ele se encolheu ao olhar as pessoas que pretendiam entrar.

Foi minha deixa, voltei para casa vendo que a placa de vende-se ainda estava ali. Eu não tinha forças nem mesmo para discutir com mamãe sobre isso e não sei se vai adiantar muita coisa por que ao entrar notei que já estava encaixotando tudo.

— Abby... — Acenei com a mão para ela indo para o meu quarto. Tranquei a porta num longo suspiro. Nem mesmo tiveram respeito pelas minhas coisas, estava tudo enchacotado... Suspirei não segurando mais as lágrimas.

O mundo está desmoronando embaixo de mim sem me dar uma chance se quer de me salvar, tudo que eu tinha estava em caixas de papelão e lembranças de um passado que não vai voltar. Para piorar me deixei levar num relacionamento que se mostrou tão desastroso quanto eu imaginei que fosse terminar. Claro.

Eu passei o dia, deitada numa cama chorando, dormindo, sonhando, sem uma luz vir me acudir.

— Abby... — Disse uma voz na porta. Era minha irmã... Fui até lá com os olhos inchados com a pergunta que não quer calar que talvez ela pudesse me responder.

— O que eu fiz de errado Su? — Com pena da minha cena ela ficou sem graça e negou me abraçando forte.

O que me surpreendeu por que não lembro a ultima vez que minha irmã me deu um abraço. Ela entrou e eu fechei a porta trancando. Sentamos as duas no chão olhando para o vácuo que se fazia no meu quarto. Foi um longo momento de silêncio e reflexão.

— Você não vai mudar com a gente, não é? — Sorri amarga negando.

— Ainda não sei como você e a mamãe aguentam aquele cheiro... — Minha irmã mais nova riu mexendo os ombros. — ...Mas não se preocupe, não vou impedir a venda da casa, estou cansada de lutar por coisas inúteis. — Apesar de ainda me doer vender a casa que meu pai lutou tanto para ter.

— E o que vai fazer? — Fiz um bico sem saber.

— Eu não sei, o que faria se estivesse no meu lugar? — Ela tornou a sorrir.

— Eu ia viver minha, fazer o que der na telha, sabe? Você já é adulta Abby, pode fazer o que quiser, não sei por que fica aí se segurando... Eu ia para bem longe daqui. — Mordi os lábios pensando.

— E vocês duas? — Su balançou a cabeça negando.

— Nós vamos ficar bem, eu sei que você é superprotetora e tem medo dá gente fazer merda, e é provável que vamos fazer, mas precisa viver sua vida, realizar seus sonhos... AH! Agora que lembrei!!! — Se levantou de pressa e foi no rumo de uma das caixas ali. Fuçou, fuçou e por fim tirou um envelope me entregando. — Estava nas suas coisas, se você não quer seguir meu conselho... Siga o dele! Afinal é a única pessoa para quem você já deu ouvidos mesmo...

Assim que abri a carta reconheci do que aquilo se tratava. Meu pai tinha me dado assim que terminei o colégio. Eu já tinha lido essa carta, só que a muito tempo atrás.

“ Querida Abigail,

Hoje é um grande dia para você.

O fim de uma fase e o inicio de outra. É lindo, não acha? Nada acaba essencialmente, o fim está SEMPRE conectado a algum começo.

Hoje você termina o colegial, mas existe uma imensa variedade de começos para se escolher e não vou ser um daqueles pais que apontam o dedo para dizer qual você deve seguir. Não, meu único conselho como pai para te guiar na sua escolha certa será: Siga em frente!

Não me importa Abby qual vai ser, por que raramente a primeira escolha é a escolha certa, você precisa errar, faz parte do aprendizado, e é fazendo escolhas e errando elas que nos conhecemos de verdade. Então, erre sem medo, erre pensando que quando acertar vai chegar a resposta que muitos hoje em dia temem: Quem você é.

Não desista!

Quando nasceu Abigail foi o nome que tomou a minha mente e o meu coração, por que meu estado era o significado dele. Você é minha alegria, é a resposta para sua constante pergunta sobre por que eu me mantenho otimista.

Sou otimista só pelo fato de te ver respirando saudavelmente.

Seja otimista só para manter os olhos adiante.

Eu não posso caminhar por você querida, também não posso dizer que será uma caminhada fácil, geralmente nunca é, mas não importo o rumo que escolher ou aonde ele vai te levar, mesmo que para longe de mim, tenha a certeza que vou estar torcendo pela sua felicidade

Assinado, Papai.

Parabéns por mais essa conquista!”

É, eu estava aos prantos. Me debulhando em lágrimas que chega soluçava forte tendo a peste da minha irmã mais nova rindo e batendo suavemente nas minhas costas.

Abanei o rosto dobrando a carta e colocando de volta no envelope. Limpei os olhos sem acreditar que tinha realmente esquecido sobre esse papel que poderia ter me ajudado antes.

E foi assim que tomei a decisão concreta da minha vida sem mais voltas.

[...]

O som do meu salto ecoou pelo corredor vazio até chegar na minha antiga mesa onde trabalhava. Frente aquela porta lendo aquela frase pela décima vez “A mente criativa age sobre algo que ela ama”, puxei a maior quantidade de ar que consegui nos pulmões soltando em seguida. Abri a porta e entrei sem prévio aviso notando o homem atrás da mesa me encarar surpreso e sorri ao me ver.

— Vo-você não-não... — Acenei com a mão suavemente para ele não se forçar a falar.

— Minha carta de demissão. — Coloquei em cima da mesa dele o que o deixou mais tremulo ainda.

— Nã-não, escute eu-eu-eu... — Tornei a acenar me aproximando dele dando a volta pela mesa.

— Shh... Olha, eu sei vai ser difícil, eu sei o quão é assustador o mundo te parece, é tão mais confortável ignorar ele, não é? Quer saber? Eu te entendo, enquanto eu estive aí dentro... — Dei dois toques leves na cabeça dele, depois deslizei até a bochecha parando ali. — ...Foi tudo tão... Perfeito, como se não houvesse problemas ou assuntos pendentes a se resolver, só nós dois e a imensa expectativa sem falhas de felicidade... — Suspirei. — ...Mas eu não posso viver essa ilusão, eu tenho uma vida aqui fora, uma família, amigos que não me aceitariam da forma como foi proposto.

— Mas eu-eu... — Engoli seco vendo o semblante desesperado dele. Seja forte Abby.

— Eu tenho uma coisa para você. — Abri minha bolsa sentindo meus olhos arderem. Peguei o envelope com uma carta. — Quero que abra quando estiver na sua casa sozinho, faz isso? — Ele pegou acenando, mas antes que eu me distanciasse ele segurou minha mão.

— Eu-eu faço qualquer-qualquer coisa para você ficar... — Sorri maneando a cabeça.

— Vá para casa e leia a carta. — Dei um beijo nele, um último beijo que não sei se percebeu que era um adeus.

Ele me deixou ir e tenho certeza absoluta que foi por que pensou que me veria de novo quando fosse buscar minhas roupas na casa dele e então me convenceria a ficar. Só que eu não ia fazer isso, por que era bem provável que conseguisse.

“ Vincent,

Tudo começou com um bilhete modesto, que mais tarde se tornaram cartas, então nada mais justo que termine do mesmo jeito.

Antes de tudo quero que saiba que sou grata a você, além de me acolher você me deu um carinho tão terno e puro que me fez até esquecer a tragédia que era minha vida. E acabei me apegando a você que quase decidi realmente ficar ainda que a situação não me fosse favorável.

Foi difícil tomar essa decisão, acredite, dizer adeus a meu familiares e amigos não chegou nem perto da dor que senti ao ter que me despedir de você.

Coragem que não tive, eu não ia conseguir seguir em frente se você voltasse com uma daquelas frases de efeito que acumulou para me convencer.

Por isso eu tive que fazer isso sem que você soubesse.

Se você cumpriu com o meu pedido de ler essa carta em casa, então eu já terei partido. Não se zangue comigo, não foi fácil para mim como não é fácil para você.

Ainda sim, eu tive que fazer. Entenda viver no seu mundo é incrível, mas meus sonhos estão fora dele e sinceramente Vincent eu sei que os seus também.

Não conheço o seu passado, não consigo nem imaginar o que aconteceu para você desistir, porém espero que um dia isso mude, que tenha força e coragem para estar num lugar em que quer estar com alguém que quer estar.

Eu sei que vai estar com raiva de mim, mas não desconte nos quadros, eu simplesmente amo todos eles, para mim eles não estão cheios de ‘nada’ como havia dito, estão cheio de uma parte sua que eu gostaria de ter levado comigo.

Nos primeiros dias eu sei que vai ficar zangado, só que se não for pedir muito quero faça três coisas por mim:

1º — Não odeie a lua por minha causa como fez com Vênus.

2º — Não deixe que eu seja mais uma das razões para se isolar;

3º — Seja feliz, não importa em qual mundo você precise entrar.

Vincent você não está sozinho, tem uma família que te ama só esperando que você diga com firmeza o que quer e prontos para te apoiar assim que decidir.

O mundo pode ter seu lado sombrio meu amor, mas existe também um lado bonito, só que todos nós precisamos subir uma montanha gigantesca para vê-lo.

Eu espero que um dia consiga fazer isso e que se lembre de mim...

Por que eu... Eu jamais vou te esquecer.

Com amor,

Abigail Hudston.”

Uma lágrima escorreu pelo canto do meu olho, acenei para as meninas fora do ônibus e meu ex-noivo ainda com o rosto inchado. Eu estava seguindo um novo caminho, um novo rumo que mesmo que errasse eu não ia parar.

E do fundo do meu coração, esperava que Vincent fizesse o mesmo.

Notas finais
Que tenso hein?! Não odeiem o Vincent, tadinho kkkkkkk Até!