In Your World

14 Capitulo Quatorze


Notas iniciais
Oiiii gente! Olha, me deram dez minutos para postar o capitulo, então vou ser bem breve kkkkkkkk Primeiro eu estou MUITO contente por não terem desistido e claro por estarem gostando. MUITO obrigada aos reviews! Vou ver se consigo um tempo aqui para responder eles! Vamos lá... Boa leitura e desculpem os erros!

Capitulo Quatorze

Encarei o calendário na parede do meu quarto fazendo um circulo vermelho sem acreditar que tinha realmente se passado três meses. Meu apartamento era minúsculo, não tinha lugar para quase nada e a cozinha mau me cabia dentro, fora o bairro estranho em que eu morava, ainda sim minha consciência estava mais limpa do que mão de germofóbicos.

Meus planos para o futuro finalmente estavam tendo um rumo e um rumo correto!

Claro, eu não tinha um emprego em que ganhasse tão bem, a curto prazo só consegui um emprego de vendedora numa loja de roupa num shopping, ainda sim, minha superiora era uma mulher não corria o risco de me envolver com ela.

Então eu estava tranquila e feliz ou ao menos tentando ser.

Ás vezes me pego pensando no Vincent e não consigo olhar para o céu de noite sem recordar o quarto dele, porém minhas crises de choro sentindo sua falta estão cada vez menores.

— Abigail faz hora extra hoje? — Acenei que sim para a chefa que sorriu largo. Ela me ama, sou o único ser humano na face da terra que aprecia fazer hora extra. Me pagando minha filha, viro até a noite. — Ontem depois do expediente ligou uma pessoa atrás de você. — Me aproximei do balcão curiosa.

— Não é cobrador, é? — Eu não lembro de estar devendo nada, mas vai que esqueci. Ela anotou algo no papel fazendo que não.

— Não sei, perguntou se você trabalha aqui e mais ou menos que hora trabalhava... — Estranhei obviamente. — ...Deixou algum namorado para trás? Talvez seja isso. — Sorri negando.

— Eu mantenho contato com o meu ex-noivo que não sei por que diabos agora quer que eu chame ele de Samanta, fora isso... — Tinha o doido do Vincent que não tinha coragem para ficar fazendo isso. — ...Não, ninguém me vem em mente, era homem mesmo? — afirmou.

— Era, foi muito rápido a ligação, algo como “Abigail Hudston trabalha aí? Que horário?” e tchau. — Pisquei me encolhendo.

— E o que disse? — Me fitou dando de ombros.

— Eu disse que sim e informei que trabalha mais na parte da tarde. — Suspirei sem medo, eu não tenho inimigos que querem me matar, então realmente não tem muito problema. — Mudando de assunto e o casamento da sua mãe? — Rosnei no mesmo tempo.

— Por favor, não me lembre disso, me dá raiva só de pensar que ela engravidou com nem um ano direito de namoro... Vai ter um lambari como filho... — Cruzei os braços zangada.

— Deixa de ser mal amada, ela está feliz não está? — Me virei para ela.

— A custa do dinheiro da casa do meu pai! E não sou mal amada, só acho que ela deveria ter esperado um pouco mais. — Curiosa ela se apoiou no balcão.

— Você não recebeu nada da venda? — Fiz careta.

— Não senti nem o cheiro, mas tudo bem, prometi que não ia me enfurecer com isso mais, pelo menos eu imagino que a casa vai ficar com alguém que saiba valorizá-la mais. — Ela sorriu acenando.

— Eu admiro sua consideração por elas, outra pessoa teria entrado na justiça. — Dei de ombros.

— Estou numa fase Zen, só vou andar para frente e não olhar para trás. — Apontou para mim concordando.

— É assim que se fala!

De volta a minha casa ou cubículo que eu chamo de casa para não parecer tão pequeno quanto é, tirei os sapatos jogando de lado, me joguei no sofá e liguei o celular para saber como andava as basbaquices do casamento da minha mãe. Certo, ela tem o direito de ser feliz, eu apoio, agora não me coloca no meio dessa bagunça que ainda nem concordei com o fato de ter engravidado.

— Su você está brincando, não é? — Ouvi a gargalhada estrondosa do outro lado.

— Não mana, eu juro! Vai ser um casamento com direito a damas de honra e tudo mais... Vai ser uma loucura! — Fechei os olhos sem acreditar.

— Meu Deus... — Murmurei.

— Você vem, não é?

— De modo algum... — Respondi. — ...Estou planejando ter uma virose bem no dia, pensa que azar! — Brinquei com sarcasmo a fazendo rir.

— Ah mana, saudades de você! Até quando ficava no meu pé ou quando brigávamos... — Sorri.

— Sinto falta de você ficar arranhando aquele violino às três da manhã! — É meio engraçado pensar que me aproximei mais da minha irmã depois que me distanciei dela. — Escuta, e a casa do papai? — Notei ela pigarrear do outro lado.

— Abby, achei que tivesse concordado...

— Concordei, só quero saber se foi entregue em boas mãos, afinal foi o papai que construiu ela praticamente. — Rebati antes que ela se zangasse.

— Olha, eu não sei direito, o que eu sei é que um cara comprou, tipo, a vista e não teve como ficar especulando a vida dele para saber se era digno ou não de morar lá, saca? O que eu posso dizer é que passei lá perto esses dias e estava tudo fechado, então ele ainda não deve ter mudado. — Contou. Puxei minhas franja para trás suspirando.

— Hum. Um cara?

— É, grandão de terno, só não me pergunte o nome. — Desisti, se eu ficasse falando disso logo me sentiria frustrada ao pensar que a casa do meu pai foi entregue para um bandido ou algo do tipo. — E como está por aí? Já está namorando?

— Ahh não! Nada de homens por enquanto, e eu estava pensando em fazer uma faculdade, na minha folga vou ir atrás disso. — Contei um pouco mais animada.

— Maneiro! — Depois disso o papo não se prolongou muito e chegou a vez da minha próxima vitima.

Tentei o celular da Milena, mas só dava na caixa de mensagem então liguei para a Vic que atendeu no segundo toque.

— Oi amore! Saudades de mim? — Brinquei a fazendo rir do outro lado.

— E como! Nada acontece desde que você foi embora Abby, nosso bando está incompleto, nem fofocar tem mais graça sem você! — Gargalhei.

— Como vão as coisas por aí? — Ouvi ela soltar um suspiro fazendo uma pausa.

— Aí amiga, nem te conto! Você não a de ver que está tendo um boato assustador na empresa de que vão fazer cortes no pessoal?! — Me sentei no sofá para prestar mais atenção.

— Sério? Por quê?

— Eu sei lá, Xavier ainda não se pronunciou sobre isso, mas está todo mundo com medo, apesar de ainda ser só boatos. — Contou e eu não aguentei segurar a pergunta.

— Você tem noticias do meu chefe, digo, meu ex-chefe? — Ouvi ela gargalhar.

— Você não cansa de me perguntar sobre isso? Eu posso falar que minha mãe morreu que a pergunta seguinte sempre vai ser “E o meu chefe, esta vivo?”... — Me imitou e eu encolhi. Que exagero. — ...Aquele doido devia ser uma loucura na cama, por que nunca vi uma garota gostar tanto assim de sofrer...

— Aííí! Que exagerooo! Eu perguntei só por perguntar... — Rebati antes que ela continuasse com o deboche. — E claro, não é? Um homem só consegue te marcar se for bom de cama.

— Você me conhece! — Eu ri junto com ela. — Sobre o louco eu não tenho nenhuma noticia, MAS o irmão gigante dele andou conversando com o Xavier. — Franzi o cenho confusa.

— E daí?

— Daí que a Milena acha que ele estava atrás de informações suas. — Fiquei um pouco perplexa, não fazia o menor sentido.

— Isso tem quanto tempo?

— Hum... Duas semanas e meia por aí... — Retrucou incerta.

— Que estranho, sabe que um cara ligou atrás de mim no meu serviço, só que isso foi ontem... Não deve ter algo a ver. — Comentei insegura.

— Shiii!! Te acharam, hein?! ­— Brincou.

— Não! Iam perder tempo atrás de mim para que amiga? Não querem alguém como eu perto do Vincent, isso ficou bem claro. — Expliquei a ela que soltou um som compreensivo.

— Olha, eu não queria dizer nada, mas... As últimas campanhas que saíram não foi seu doidinho que fez não. — Isso me deu um certo aperto no peito.

— Aconteceu algo com ele?

— Não, dele nós não sabemos nada, só estou dizendo que ‘pode’ ser que tenha exigido você em troca de trabalho... — Dei uma risadinha breve negando. Pouco provável.

— Nah! Vincent não teria coragem para isso, mas vocês não estão na lista de risco, estão? — Ela deu uma gargalhada.

— Acho que vai depender de quem fizer o teste do sofá com o Xavier. — Credo, que horror! Sorri contente que pelo menos humor ela tinha para isso.

A noite era o pior momento que eu tinha que passar no dia, confesso que ficava impossível não pensar naquele biruta e me questionar se estava comendo bem, dormindo direito ou sofrendo com o novo auxiliar.

Eu sentia sua falta, principalmente do cheiro de tinta ou da mania de ficar tomando chá o tempo inteiro e até mesmo do jeito que ficava quando estava nervoso. Nessas horas eu cogitava que era uma pena que tínhamos nos conhecido sob circunstancias desfavoráveis.

[...]

Eu cheguei no serviço alimentada e determinada! Ia conseguir o valor do meu aluguel só com comissão de vendas e se brincar ainda ganho o funcionário do mês que dá 10% a mais no valor do salário. Preciso de grana! Ou a faculdade ia continuar um sonho distante.

— Abigail! — Chamou minha chefa e eu já acenei que sim.

— Faço horas extras hoje também! — Disse empolgada prontamente e ela começou a rir e negar.

— Não minha flor, é que tem alguém aqui esperando só você chegar... — Fechei a cara no mesmo tempo assustada. Alguém me esperando? Me virei no rumo da salinha dos funcionário e vi ali o tal alguém, minha empolgação e felicidade simplesmente sumiram diante aquela figura espantosa.

— Senhor Augustini? Em que esta ordinária pode te ajudar? Não me diga que veio comprar roupas? — É até meio cômico dar roupas a um nudista.

— Não seja debochada menina estupida! — Continua o mesmo grosseirão. Mas eu não estava nem aí. — Eu vim aqui para conversar com você.

— Eu não tenho NADA para conversar com o senhor, aliás, não acho que eu seja digna da sua atenção... — Ironizei e minha chefa estranhou o meu humor negro.

— Onde está o seu respeito? — Apontei o dedo para a cara dele rangendo os dentes.

— Morreu! Meu respeito por você morreu na sua sala depois daquela proposta que fez... E tem mais! Eu não trabalho mais para o senhor, não tenho que abaixar a cabeça de novo, se me ofender como fazia vai ouvir uma ofensa a altura! — Esbravejei em cima dele zangada. Ele tomou ar e soltou mantendo a calma.

— Vincent veio atrás de você... — De nervosa meu humor foi para espantada. — ...Umas quatro vezes pelo que eu sei, mas é tão inútil que não conseguiu nem chegar perto daqui... — Fez uma pausa me encarando sério. — ...Na primeira lá fui eu no hospital médico por que encontraram ele desmaiado na rodoviária, na segunda fui eu de novo buscar meu filho que vomitou no ônibus todo e pagar os estragos, na terceira passou mal no meio do caminho, viajei trinta quilômetros de carro só para busca-lo no meio da estrada e a última... Foi preso, o confundiram com um viciado devido ao estado dele, junto tiques nervosos e não conseguir falar direito... — Eu estava sem palavras diante aquele relato. Tipo, eu pensei que era mentira, mas ele viria de tão longe só para curtir com a minha cara?

— Ele está bem? — Foi o que consegui dizer.

— Depende do que você considera estar bem, ele está vivo, se for a questão. — Revidou rígido apontando para a sala. — Será que podemos ao menos conversar? — Diante tudo isso concordei.

A última vez que fiquei assim, frente a frente com esse velho a conversa não foi nada agradável então eu estava um pouco receosa quanto ao que ele tinha para dizer. Ergui o queixo e mantive o orgulho estável.

— O que quer de mim senhor Augustini? — Ele suspirou severo colocando as mãos na mesa.

— Ele já chegou a te contar como desenvolveu a fobia? — Neguei no mesmo instante.

— Começou a dizer algo sobre o colégio... Nada relevante. — Retruquei.

— Ele ignorava as provocações ao invés de partir para a briga, eu mesmo o aconselhei varias vezes, disse que se não enfrentasse de forma bruta não ia conseguir impor respeito, porém Vincent nunca foi do gênero de resolver os problemas assim, ele preferia ignorar as piadas e as ofensas como se não existissem. — Não entendi muito bem o que isso tinha a ver com o que ia me pedi, mas deixei-o prosseguir. — Até que de aborrecimentos verbais, passaram a se tornar provocações físicas e por fim agressões mais sérias... Marco, normalmente o defendia de tais coisas, porém ainda sim não cessaram... — Deu um longo suspiro pesado. — ...No ápice amarraram Vincent no meio do colégio numa pilastra e despiram ele... — Arregalei os olhos horrorizada. — ...Jogaram tinta e... Enfim, quando Marco chegou era tarde demais. — Ele aprecia realmente desconfortável com essa história, até para um homem cruel como ele existe certo limite. — Desde então o medo dele se tornou patológico, ninguém o conseguia convencer a sair ou se relacionar...

— A custa de que fizeram isso com ele? — Ele coçou o cabelo nervoso.

— Pessoas ruins não precisam de motivo para fazer coisas ruins, se tivessem aprontado isso com o Marco lhe garanto que a ele não faria a menor diferença, ele nunca teve vergonha da própria nudez, mas para o Vincent, não, nunca teve vergonha de contar que era nudista, porém tinha pavor de se despir perto de pessoas vestidas, por isso mexiam com ele e quanto mais ignorava mais pesado eles pegavam. — Explicou. Coitado do meu ex-chefinho.

— E o que o senhor ganha pressionando ele? — O velho bufou.

— Quando Vincent chegar a um ponto crítico sem saídas ele vai superar a fobia dele, e veja só, eu a tirei de perto dele e foi sozinho até a rodoviária quatro vezes! — Pisquei os olhos confusa.

— Não entendi... — Ele se apoiou na mesa muito sério.

— Entenda menina, o instinto de sobrevivência é maior que qualquer síndrome ou fobia. — To mais confusa ainda.

— Onde eu entro nisso tudo? — Ele olhou para os lados pensativo.

— Preciso que você volte. — Ficou claro o desconforto dele diante o pedido.

— A santa da sua mulher te obrigou a vir atrás de mim e pedir isso, não é? — Fez careta negando.

— Não, apesar dela ainda estar zangada comigo, só que essa não é a questão... Sei que parece difícil acreditar, mas amo meus filhos. — Cruzei os braços incrédula.

— Demonstra de uma maneira bem bizarra. — Coçou a nuca afirmando.

— Sei disso... — Fez uma breve pausa. — ...Ele vai tentar de novo, e de novo, e de novo... — Engoli em seco.

— Vai desistir logo, ele é bem pessimista. — Comentei e o velho abaixou o semblante sério.

— Se ele sente por você o mesmo que sinto por Sara essa história só tem dois caminhos... — Disse sombrio. — ...Ou ele chega aqui ou morre lá. — Neguei assustada.

— Não vai chegar a tanto! — O poderoso chefão me encarou.

— Quão parecido comigo você acha que ele é? — Eu entendi onde ele quis chegar.

— Eu não vou voltar, não tem lugar para mim lá mais e eu não vou ser amante do seu filho enquanto ele se casa com a Sasha. — O velho umedeceu os lábios bufando.

— Ele não vai se casar mais com ela, o compromisso foi desfeito. — Arqueei uma sobrancelha curiosa.

— E ela concordou? — Mexeu os ombros.

— Ela não tem que concordar ou querer nada, de modo que quanto a isso você não tem que se preocupar. — Ainda sim neguei.

— Eu detesto o senhor, sério, e depois daquela cena...

— Eu entendo que não sou a pessoa mais gentil do mundo, não force a barra que não vou me desculpar! — Pisquei, ele realmente acha que eu vou largar minha vida para virar babá do Vincent.

— Não vou voltar! Olha, eu do fundo do meu coração adoro o Vincent, ficaria mais do que contente em passar o resto dos meus dias com ele, mas não dá! Eu tenho uma vida, eu tenho sonhos, eu não posso viver em função de vocês pressionando ele e eu tentando amenizar a situação! — Ele fixou os olhos na mesa pensando.

— O que você propõe? — Arregalei os olhos perplexa com a pergunta. Ele estava bem sério.

Não consegui pensar em nada pronto para aquela questão. O que eu proponho? Ele está mesmo disposto a seguir o que eu disser pelo Vincent? Respirei fundo, eu cheguei até aqui para mudar de vida e de repente estou sendo puxada para o mesmo lugar de antes... Passei a mão no rosto sem saber o que afinal eu vou fazer.

Notas finais
É isso, mas tarde eu posto o próximo que aliás é narrado pelo Vincent! Até!