In Your World

15 Capitulo Quinze


Notas iniciais
Ihha! Vamos lá pessoal! Gente quero dizer que a história trágica do Vincent do colégio foi baseada num acontecimento real... Prenderam um garoto e tiraram a roupa dele numa brincadeira IDIOTA, só que não foi no colégio aconteceu perto da onde eu morava e tipo amarraram o coitado num poste de luz. Eu não sei o que esses moleques tem na cabeça, falaram que estavam só brincando ¬¬ Mas enfim, triste, não?! Felizmente o tal garoto não ficou doido que nem o Vincent rsrsrs Voltando, eu vou ver se consigo postar o outro ainda hoje. Boa leitura e desculpem os erros!

Capitulo 14

Vincent

Ela estava em toda parte.

Sentado na beirada da cama com os olhos fechados eu conseguia até mesmo vê-la andando de um lado para o outro procurando os sapatos que perdia quando estava aqui. Ás vezes quando acordava de madrugada eu quase podia jurar que estava do outro lado da cama com o seu cheiro impregnado nos travesseiros.

Eu não sei o que é pior... Ficar aqui observando cada resquício dela por toda a casa ou sair e não ter nada dela para sentir algo.

Minha fobia já nem mesmo precisava da presença real de alguém por perto para atacar, descobri que só o cheiro dela já me fazia ficar mil vezes pior do que estando numa multidão.

Abigail... Eu estou enlouquecendo.

Não suporto entrar naquela empresa, eu fico sempre te esperando chegar e quando não aparece eu fico vendo seu rosto em outras pessoas... Eu não consigo nem ficar em casa mais, cada objeto seu me assombra e me enche de felicidade ao mesmo tempo. Daí me pego lendo e lendo e lendo e relendo... Até decorar cada vírgula da sua carta e me vir um fio de esperança que já que você me ama um dia vai voltar.

Até tomar café se tornou uma sessão de tortura, descobri que prefiro tomar café nu no meio de um monte de pessoas do que sozinho com a cadeira que você usava vaga.

—“Não me olhe assim, a culpa é sua Vincent...” — A imagem na minha frente era sua, a voz também, mas a Abigail que eu conheço nunca diria isso para mim. Ainda sim acabo sentindo um medo me preencher sempre que isso acontece. — “Era para estarmos juntos agora, mas você... Ficou com medo, seu medo Vincent é maior do que qualquer sentimento que já teve por mim...”

— Não! Isso não é verdade! — Puxei meus cabelos me convencendo de que aquilo não é real angustiado. Minha Abigail não era assim, ela era boa, era o tipo de pessoa que eu sei não mereço. — Vo-você não me deu tempo... Eu-eu-eu

— “Vai ficar sozinho, vai ter todo o tempo do mundo agora Vincent...” — Bati na mesa com força fazendo aquela miragem desaparecer. Se eu continuar aqui dentro vou ficar louco de vez!

As ilusões estão cada vez mais frequentes e aumentam sempre que me recuso a dormir, mas como eu vou dormir? Acabo sonhando e ficando frustrado com a realidade e o vazio desse lugar.

Não... Os ‘nada’ da minha vida estão voltando... De repente tudo estava sendo preenchido com a presença dela e agora o nada está retornando muito rápido e eu não sei como lidar com isso mais.

NÃO! Não dá! Não consigo suportar isso, eu prefiro mil vezes desmaiar, vomitar ou ser preso do que continuar aqui vendo tudo se perder com o tempo... Eu preciso tê-la de volta, nem que-nem que... Nem que eu tenha que implorar ou qualquer outra coisa.

Corri de qualquer jeito para a porta e infelizmente aquele infeliz já tinha aparecido para me barrar, claro, a mando do meu pai! Fechei os punhos furioso.

— Saí Marco! — Vociferei já sentindo o nervosismo me tomar, se eu não fosse logo ia ficar muito pior e eu ia acabar vomitando antes de chegar na rodoviária.

— Minha nossa, a quanto tempo você não dorme? — Esfreguei as mãos nos olhos e puxei o cabelo para trás ignorando a expressão preocupada dele.

— Eu não sei, desde que estão me obrigando a ficar preso aqui... — Retruquei impaciente. — ...Por favor, Marco, se você tem qualquer consideração por mim, me deixa ao menos tentar ir! — Ele negou firmemente, que ódio!

— Você está péssimo Vincent, vai dormir irmão, descansa, come alguma coisa depois a gente vê essa coisa com a sua secretária! — Comecei a tremer olhando para o chão. Eu já estava tomado pelo medo novamente, o que ela diria se me visse assim? Ia achar ruim? Ia me odiar? Ia me mandar embora? Ela já está com outro? Ela não vai querer me ver? Ela está com raiva de mim? Não vai falar comigo? Nunca mais vou ver ela? CHEGA! CHEGA! CHEGA!

— Por favor, eu não aguento ficar aqui mais... Eu preciso falar com ela, preciso ver ela, preciso ao menos ouvir o som da voz dela... — Ele me fitou com pena sem ceder.

— Eu sei que é difícil...

— É INSUPORTAVEL! — Gritei impaciente, como esse idiota pode agir como se me entendesse? Meu irmão tomou todo ar que conseguia como se ele é quem precisasse de calma. Tentei sair, mas foi inútil ele me segurou.

— Chega, vamos! — Me puxou pelo braço me obrigando a ir com ele.

— Não! Me solta, eu tenho que... — Se virou no meu rumo zangado.

— Ou vem comigo por bem ou por mal, você escolhe. — Engoli em seco cheio de raiva. Para que droga serve um irmão mais velho? — Ótimo.

Não consigo entender minha família. Falam tanto que eu preciso mudar e superar e quando resolvo sair e ir atrás de algo que eu quero sou impedido disso. Mamãe me olhava como se eu fosse um pobre coitado que não ganhou presente de natal, papai só estava contrariado por que minha mãe ainda mantinha o voto do sutiã, meu irmão... Ah esse não sabia se ficava triste por mim ou pela cadela da Sasha.

Encarei o prato de comida como se não me agradasse, não sentia fome, estava nervoso, ansioso e furioso! Meu pai sabia que ela me deixaria, sabia que eu aceitaria a proposta sem pensar nas consequências e eu ainda tinha que estar ali comendo junto com quem me arrancou a única pessoa que um dia chegou a gostar de mim?

— Come meu filho... — Pediu minha mãe e eu neguei.

— Papai chega disso, me deixa levar o Vincent até lá e acabar com toda essa tortura... — Pediu meu irmão e eu fitei o meu pai na esperança que ele dissesse sim. Mas pela carranca dele ficou claro a resposta.

— Não! Se ele quiser mesmo ir, que vá sozinho! — Bati as mãos na mesa nervoso me levantando.

— Eu-eu-eu VOU! — Minha mãe levantou negando.

— Sozinho não! Bart! Ele foi PRESO da última vez! O que mais que você quer? Que matem o nosso filho? — Girei os olhos impaciente, eu não aguentava mais essa discussão entre eles.

— Mã-mã-mãe... — Meu pai se voltou para mim debochado.

— Ele não consegue nem sair da rodoviária Sara... Pelo amor de Deus! O máximo que vai conseguir com essa idiotice é passar mais vergonha do que já está passando. — Encolhi evitando o olhar dele. — Você acha que aquela ordinária vai te querer nesse estado? Olhe para você Vincent, foi confundido com um viciado em drogas! A vadia da sua secreta...

Foi mais forte que eu. Quando dei por mim estava ali ouvindo os gritos da minha mãe para parar apertando o pescoço do meu próprio pai no chão, eu afrouxei a mão já tremendo sem acreditar que eu tinha feito aquilo quando meu velho me socou e voltou a situação a seu favor rindo.

Segurou minha cabeça contra o chão montando em cima e mim ignorando os pedidos da minha mãe.

— Não gostou seu mariquinha fresco...? — Tentei me livrar dele, mas é claro que não consegui, aquele miserável era mais alto e mais forte que eu. — ...O mundo é cruel Vincent, escute seu pai: Ou luta com unhas e dentes pelo que quer ou vai ser devorado por ele! — Rosnou no meu ouvido. — ...A sua vadia entendeu dir..

— NÃO CHAMA ELA ASSIM!!! — Berrei esperneando quando ele segurou minha cabeça e bateu contra o chão.

— Bart PARE! — Gritou mamãe, mas ele nem mesmo se moveu.

— Ela não vai querer um molenga como você, seu fedelho medroso, não tem coragem de comprar a própria comida... — Neguei fortemente com a cabeça.

— Nã-não...

— Não consegue nem FALAR direito, por que acha que ela ia perder o tempo dela com você? — Fechei os olhos, eu não quero ouvir isso! Eu não quero saber a resposta disso!!! — RESPONDA Vincent!

— Me-me SOLTA!

— Admita Vincent! ELA queria o seu dinheiro, não tinha nada a ver com você filho! Ninguém é tão louco assim de querer ficar perto de você, sabe disso! — Me debati negando.

— NÃO! Ela gostava de mim!!! — Ele me prensou mais com força aproximando a boca do meu ouvido.

— Gostava de quê? Dos seus chiliques? Da sua gagueira? Das suas crises sociofobicas insuportáveis? QUEM gosta disso Vincent? — Rosnei zangado.

— Ela-ela-ela via coisas boas em MIM! Ela é-é-é di-di-diferente! Tinha paciência para me ouvir, ela gostava de pintar co-co-comigo, go-gos-gostava de me fa-fazer rir... — Ele puxou meu cabelo com mais força para cima.

— Se ela era tão especial assim por que aceitou minha proposta seu imprestável? — Fechei os olhos chorando sem estar nem aí para a dor.

— Por-por que... Eu-eu... — Não dava para dizer, estava entalado na minha garganta.

— POR QUÊ? — Bateu com meu rosto no chão, com o choro cessando e a visão caótica do meu estado eu disse o que ele queria ouvir.

— Por que eu sou egoísta... Não-não pensei nos sentimentos dela na hora...

— Você não pensa nos sentimentos de ninguém! — Revidou zangado. — Não pensa em como sua mãe se sente ao te ver assim, não sabe o quanto faz sofrer o seu irmão... — Saiu de cima de mim cuspindo no chão furioso. [nota: Sim, eles estavam brigando nus, achei melhor não detalhar o estado físico para melhor conforto de vocês rsrs.]

— Você está bem meu amor...? — Perguntou minha mãe me ajudando a levantar.

— Até essa ordinária merece alguém melhor. — Concluiu me fitando com desprezo. Levantei o rosto com o queixo tremendo.

— Isso-isso é-é ela quem tem-tem que decidir. — Meu velho franziu o cenho.

— Vai atrás dela mesmo sabendo que não vai conseguir? — Engoli em seco nervoso.

— Sim-sim, ainda-ainda que tenha que enfrentar você de novo. — Ele encarou minha mãe surpreso, fechou o punho e se mostrou no meu rumo.

— Que tal um acordo Vincent? Você me vence numa luta e eu mesmo te levo até ela! — Arregalei os olhos tragando a saliva mais uma vez, é claro que eu nunca vou vencer meu pai, ele cresceu brigando para sobreviver, só que está velho... Talvez.

— Pro-prometa. — Acenou que sim.

— É uma promessa. — Mamãe negou se colocando entre a gente e meu irmão parecia apavorado. Mas eu vou tentar pela Abby.

[...]

Eu entrei na banheira com a água quente sentindo meus músculos pedirem clemência, meu corpo estava todo dolorido como se tivesse sido batido numa lavadora, torcido e espichado. Me senti tão idiota por estar com o rosto todo roxo e os dedos das mãos inchados sem alguma noção de quando vou pintar novamente.

Eu devia saber que nunca ia vencer o meu pai.

Arqueei a cabeça para trás apoiando na beirada da banheira olhando o teto. Por que não consigo fazer nada direito? Abigail tinha tanta fé em mim e eu destruí tudo isso. Nem colocar os pés na cidade onde ela está eu dei conta... Meu pai tem razão, ela merece alguém melhor.

Marco entrou sem qualquer autorização... Eu não me importo com mais nada a essa altura.

— Mamãe pediu para te entregar esse remédio, vai aliviar a dor... — Virei o rosto. Eu mereço cada dor.

— Eu-eu estou bem... — Sentou num banquinho perto de mim.

— Me informaram que a casa já está no seu nome. — Dei de ombros.

— Do que adianta? Ela nem deve saber que eu existo mais, vai ficar é zangada se descobri que comprei a casa dela para ela. — Ele abaixou o rosto suspirando.

— Eu nunca pensei que ela significasse tanto assim para você... — O fitei.

— Nem eu, mas... É como se eu me tornasse daltônico, de repente minhas cores prediletas não tivesse cor, minhas pinturas não me satisfazem... Pelo menos ao lado dela as coisas tinham vida... — Murmurei.

— Desculpa, em parte é culpa minha, não é? Fui em quem pediu que mantivesse o compromisso com a Sasha. — Concordei e não sei por que ele riu. — Você levou uma surra e tanto... — Tocou no meu olho que mau se fechava.

— Ele descontou a raiva de anos que sentia de mim e não podia por causa da mamãe. — Afirmou.

— Como é? Levar uma surra dessa do próprio pai aos vinte e cinco anos? — Rosnei virando o rosto. — Em pensar que o papai apanhava todos os dias... — Nos entreolhamos estarrecidos. O bizarro conto do Augustini bastardo. Dava arrepio em qualquer um e fazia minha surra parecer brincadeira.

[...]

Eu sinto a sua falta.

Voltei para casa mesmo que cada canto me assombrasse por que até isso era melhor do que deitar numa cama e não conseguir fingir que você estava do lado, eu não suporto mais esse vazio. Acabei até mesmo esquecendo a carta e sem lê-la fizeram meus dias incompletos, eu precisava acreditar e colocar na cabeça todas as noites de que você ainda não tinha me esquecido.

Abby... A senha que você me pediu para gerar não é mais do que um singelo pedido para entrar, no seu caso você não precisa nem mesmo bater na porta, basta entrar e sentir se em casa. Por que de um jeito ou outro o meu mundo só faz sentido com você... Você é lua do meu sistema solar, sem você não existe vida no meu mundo.

Eu preciso da sua bagunça, das suas manias, da sua empolgação e principalmente dos seus defeitos, eles me encantam.

A carta diz que eu devo ser feliz não importa em que mundo eu entre, então preciso descobrir em qual você está, por que não conheço outro tipo de felicidade longe de você.

Notas finais
Que família mais louca, não? Mas é isso! Até o proximo!!!