In Your World

6 Capitulo Seis - Vênus


Notas iniciais
Olá pessoas!! Uhuu veio mais cedo!! Por que estou postando mais cedo? Por provavelmente vou viajar a trabalho e não vai ter postagem durante umas 3 semanas! (Ainda não sei bem como vai ser) A música do Capitulo chama se Bella Notte https://www.youtube.com/watch?v=JrpTnSkvG7U Enfim! Obrigada a Todas pelo review! *_* Boa leitura e desculpem os erros.

Eu acho que sou o primeiro caso de pessoa que prefira ficar mais no trabalho do que em casa, pois ultimamente aquela casa estava insuportável. Su eu já imaginava que iria me infernizar, mas agora mamãe saindo com o peixeiro e trazendo ele para comer aqui em casa...Isso estava me deixando louca.

–Então Abby, ouvimos que você está em um cargo novo!—Isso tem uns quatro meses desde que mudei, mas sorri para o meu sogro simpática.

–Sim, verdade, o salário é muito bom!—Disse tomando um pouco do suco.

–Fico feliz, e pelo pouco que a vejo percebo que não é um trabalho muito fácil.—Retrucou ele se mostrando interessado. Enquanto a mãe do Ed também me fitava com interesse.

–Bom...—Engoli o suco respirando fundo.—....O trabalho em si é fácil, complicado mesmo são os patrões, do nada decidem que eu devo fazer algo e aí eu não posso recusar, entende?!—Afirmou.

Como tinha um tempo que eu não os via, sexta passada Edgar me convidou para jantar com eles e na atual situação em casa não dei uma de difícil mesmo que eu e ele estivéssemos um tanto distantes demais pro meu gosto.

–Agradecemos a você por ter arrumado um emprego pro Ed, já estava na hora dele começar a se virar!—Disse o senhor Ronald com o cenho rígido, o pior é que nem posso discordar.

–Não tem o que agradecer, eu acho até que é muito bom, pois assim juntamos dinheiro para o casamento!—Os dois sorriram pra mim contentes.

Eles eram pessoas simpáticas e não podia reclamar dos dois, mas meu noivo não se pronunciou nem ao menos uma única vez naquela noite e isso me deixou um pouco ressentida, poxa ele podia ao menos fingir que estávamos bem na frente dos dois.

Quando o jantar terminou lá estava eu andando em passos firmes voltando pra casa com ele correndo atrás de mim.

–Vai jogar a culpa em mim de novo?—Resmungou se aproximando.

–Vou!—Apenas revidei sem parar de andar.—Sabe que eu não tenho nada a ver com as discussões entre você e os seus pais e isso nem me interessa, mas caramba!—Me virei para ele perplexa.—Nós nãos temos passado muito tempo juntos, podia fingir que sente minha falta pelo menos!—Ele suspirou.

–Mas eu sinto, acontece que você está sempre trabalhando ou resolvendo problemas da sua família, não quero te atrapalhar!—Com cara inocente que me fez eu quase acreditei.

–Essa é a sua desculpa? É o melhor que consegue fazer?—Tocou minha mão a beijando me puxando contra ele sabe.

–Não quero ser mais uma carga nas suas costas...—Quando disse isso eu não consegui ficar mais com raiva dele, apenas sorri o beijando.

A verdade era que por esses dias eu estava me sentindo meio depressiva, o senhor Bartolomeo me chamando de ordinária, meu noivo distante, mamãe iniciando uma vida amorosa, Su piorando a cada segundo... E para dar um cheque-mate as meninas estavam me evitando e eu nem sei por que.

Então, naquela manhã de inicio de verão eu pensei em entrar no escritório do chefe com a desculpa de que lhe entregaria um sorvete. Sim, sorvete, pelo que o sei também não tomava já tinha um tempo. Talvez fazê-lo sorrir pudesse melhorar meu dia como sempre acontece.

Mas antes disso percebi o envelope diferente sob a minha mesa com a assinatura do senhor Bartolomeo.

“Incompetente

Este final de semana será o meu aniversário de casamento com a Sara, dois importantes casais clientes nossos estarão presentes na comemoração.

É de extrema importância que Vincent não cause o mesmo papelão que naquele jantar, por isso dê um jeito de controla-lo durante todo o tempo!

Obvio, que nós Augustinis não vamos comemorar algo de tamanha importância enfiado em uma casa, por essa razão tudo ocorrerá na Black Beach, em um resort, o endereço e tudo mais está aí.

A viajem ocorrerá amanhã de manhã, preste atenção no horário das passagens, não ouse perder o voo ou a demitirei sem pensar duas vezes!

Até lá está dispensada.

Bartolomeo Augustinis”

Esperai, eu ganhei uma viajem para passar o final de semana em uma praia? Em troca só tenho que tomar conta do Vincent? Okay, nunca mais reclamo desse emprego!

Minha alegria era tanta que cheguei a dar pulinhos de alegria saindo correndo pelo departamento, eu tenho que me gabar com as meninas, tenho que fazer isso!!!

–Ta curtindo!?!?—Questionou Vic olhando a passagem e eu neguei super feliz.

–Não! E tudo que eu vou fazer é vigiar o chefe, que sinceramente gente, é mais agradável do que chato!—Revidei e elas me sorriram contente.

–Isso é incrível Abby! Finalmente longe dessa porcaria! Sem ter que ouvir sua mãe e nem a Susy, livre!—Disse Milena segurando minhas mãos quase emocionada, ela deve pensar que eu sou uma mendiga passando fome para me tratar desse jeito. Mas até que tinha razão.

–Férias.... Agora se me dão licença senhoritas, eu vou comprar um biquíni novo pra mim e me depilar!!—Sai correndo com um sorriso de orelha a orelha.

O mundo voltou a ser um lugar feliz e agradável para se viver!!!

Eu se quer dei satisfação pro Ed, apenas fui para o aeroporto bem cedo para viajar, pensei que talvez os encontrassem, mas se quer vi resquícios dos Augustinis. Vai ver já estava lá, o que era ótimo, pois assim viajei tranquila aproveitando a vista das nuvens da janela com um sorriso enorme.

Não acredito que vou pra praia! Melhor! Pra um Resort!

Toda alegre entreguei o endereço para o taxi que assim que leu me lançou um olhar um tanto estranho quase perguntando “tem certeza?”, mas não o fez apenas dirigiu em direção ao resort. Os Augustinis eram ricos, não é possível que seja um lugar ruim!

E eu estava certa quando o taxi parou naquele lugar esplendoroso, magnifico, extraordinário e eu fiquei boquiaberta... Sabe aqueles lugares chiques de filmes de Hollywood? Era bem melhor do que aquilo, tinha até um carinha na porta para pegar minha bagagem.

–Madame.—Ele disse apontando para a entrada e eu empinei o nariz... Madame? Ninguém nunca me chamou de madame antes. Lugar bonito, pessoas bonitas...Só eu de feinha, mas estou adorando!!

–Tem reserva senhorita?—Perguntou a moça da recepção me fitando como se eu fosse uma pobre que tinha errado o caminho, bom eu sou pobre, mas eu mostrei o cartão que o senhor Augustini tinha deixado comigo.

–Aqui, eu sou convidada da família Augustini.—Disse a ela que já mudou o semblante quase dizendo: Por que não disse que era rica antes??

–Ahh sim! O Senhor Bartolomeo me informou que viria, é a senhorita Abigail Hudston, certo?—Afirmei e ela mexeu no computador logo me passando outro cartão escrito algo que me deixou curiosa.

–Norte naturalista?—Franzi o cenho e ela me sorriu.

–Sim, a parte reservada dos Augustinis são dá parte norte onde apenas ficam os naturalistas.—Naturalista são aqueles que gostam de natureza, não é? Pisquei algumas vezes com vergonha de perguntar.

–Tudo bem, obrigada!—Apertei a mão dela e segui o rapaz com as minhas bagagens. Por que senti um frio na espinha com aquela palavra... Naturalista.

Respirei fundo observando aquela linda paisagem do mar não muito longe de mim, eu queria ir até lá e correr para pela praia como uma idiota romântica.

Suspirei quase peitando em cima do pobre rapaz que parou frente a uma porta dando duas batidas na porta e me alertando.

–É aqui senhorita.—Sorri agradecendo e ele se foi pelo enorme corredor. Voltei meu olhar para a incrível paisagem ao longe com o sol quente refletindo nas águas do mar.

–Ahh é você, entre!—Disse a voz grosseira quebrando o clima agradável enquanto eu contemplava o mundo. Suspirei pesada me virando para entrar.

De repente a paisagem sumiu da minha cabeça dando vez a figura nua a minha frente, meu queixo caiu e um OHHHH involuntário saiu de meus lábios quando me virei no mesmo instante morrendo de vergonha. Em quantas empresas as funcionarias tem a péssima chance de ver seus chefões nus...Tipo peladões?

–MINHA NOSSA!!—Tapei os olhos fixando meu olhar no nada enquanto tudo que brotava na minha mente era a péssima vista das partes intimas do senhor Bartolomeo.—Eu lamento muito senhor!! Não sabia que estava indisposto!—Disse rapidamente, eu vou ser demitida! Mas por que droga ele foi atender a porta pelado???

–Bart!! Não me diga que está torturando as pessoas de novo?—Ouvi a voz da senhora Sara ao longe.

–Não! É só a maluca da babá do Vincent!—Ele puxou meu ombro me obrigando a mirá-lo, ahh mais aí fica difícil não olhar.—Do que está falando incompetente? Eu não estou indisposto!—Rangeu os dentes bravo.

–V-v-v-você es-es-está nu!—Respondi e ele fez um “ahhh” como se tivesse finalmente entendido.

–É claro que estou, é uma área nudista, anda entre logo!!—Ele disse NUDISTA?

Mamãe!! Eu quero ir embora daqui!!!

Sabe quando você está tendo aquele sonho fantástico e de repente ele se converte em um pesadelo horrendo? É foi assim que me senti quando olhei para aquela sala cheia de gente pelada agindo como se estivessem de roupas. E como se ver o chefão pelado não fosse o suficiente, eu também tive que ver sua mulher, sua nora, seu filho mais velho, o pai da Sasha e a mãe também...Tipo eu vi os Augustinis e os futuros parentes todos pelados... O que droga eu vim fazer aqui??

Ahhh vocês acham que eles me deixariam só ver? Não!! A área era restrita ninguém podia ficar de roupa, então sentei no sofá tapando minhas partes intimas com os travesseiros, eu podia jurar que o pai da Sasha estava olhando pros meus peitos e isso me deixava em um nível critico de vergonha.

–Querida não se acanhe aí!—A senhora Sara se aproximou e ela tinha peitões enormes que não queria que encostassem em mim, não mesmo! Por isso só acenei com a mão.—Uhh eu conheço isso, não está acostumada, não é?!—Me levantei com as almofadas por cima dos peitos, ela era minha única aliada ali dentro.

–Por favor, me tire daqui, não tenho nada contra isso, mas eu sou de uma família normal e descente!—Cochichei e ela sorriu pra mim.

–Ohh querida, liberte seu corpo das amarras dos padrões da sociedade, deixe a malicia e todo o desejo fora da peça de roupa mais bela do mundo, seu próprio corpo, coisa que ninguém mais tem!—Soltei um som de incredulidade dando passos atrás e droga, esbarrei na noiva do Vincent....ECA os peitos dela pegaram nas minhas costas cara... Que nojo!!

–Isso mesmo! Além do mais ninguém vai estar interessado em ver suas cerejinhas!—Disse a peituda com um sorriso maldoso, dando um cutucão nos meus garotinhos, eu soltei a almofada segurando meus seios apontando para ela.

–Maçãs querida! E não são quaisquer maçãs, são maçã verdes das grandes e caras!!!—Retruquei apalpando meus amiguinhos de longa data, não eram tão minúsculos assim, mas assim que falei isso ouvi o risinho abafado de alguém surgir vindo de um lugar da cozinha meu rosto ferveu de vergonha, virei pra trás com as bochechas queimando vendo meu chefinho sem camisa cortando um pedaço de bolo.

Ele estava ali o tempo todo? Ele me viu nua? Aí meu Deus, como eu vou trabalhar com alguém que me viu sem roupa!?!? Voltei a me sentar no sofá querendo morrer.

Papai, eu juro, não foi minha culpa, não me deixa ir pro inferno por causa disso por...

Espera! Ele está pelado também? Tipo sem nada? Claro que está, é uma área restrita! Ohh será que seria feio se eu espiasse?! Ele me viu eu tenho esse direito também! Se ele saísse de trás daquele balcão talvez eu conseguisse...

Argh! Não! Eu tenho um noivo! O que estou pensando? Se concentre Abby, se concentre!

Primeira vez que venho a um resort desse vejo todos os meus superiores pelados, quando me deram o cargo ninguém disse que eu teria que passar por isso!

Eu não como eles conseguiam agir de forma tão natural estando daquele jeito, sabe, era como se a nudez do próximo não fizesse diferença.... Bom, eu sou de uma época tradicional, isso para mim está longe de ser o normal.

–Com o tempo você se acostuma.—Virei o rosto pro outro lado no mesmo instante que o filho mais velho do senhor Bartolomeo sentou do meu lado no sofá.

–E-e-eu não quero me acostumar, sério, realmente não quero nem mesmo estar aqui!—Revidei muito nervosa o ouvindo rir.

–Você parece o meu irmão, ele também não é muito fã dessas coisas, mas está no sangue, é um habito inevitável!—O fitei estranhando evitando olhar para a parte de baixo, se bem que nele não dava pra ver nada....Muito, muito pelo pubiano.

–E o Vincent é adepto a isso?—Ele sorriu aproximando o rosto.

–Fingi que não, mas é sim, só que tem vergonha de admitir sabe.—Até que o chefe tinha razão, o irmão dele podia ser a cara do poderoso chefão, só que tinha uma aura tão boazinha quanto a mãe dele. Dei uma risadinha pensando em como as aparências enganam.—O que foi?—Questionou quando me viu rindo.

–Nada é que tudo é fora do que eu esperava, você não grosso como seu pai e o chefe que parece tão fechado é nudista, isso é meio irônico.—Tornou a sorrir largo.

–É, quem dera eu conseguisse ser como o papai, entretanto eu puxei a aparência dele e o gênio da mamãe enquanto Vincent puxou um pouco da aparência da mamãe e o gênio do papai.—Claro que eu neguei no mesmo tempo.

–Não mesmo! Vincent não tem nada do Bartolomeo!—Ele mordeu o canto da boca sem jeito.

–Se ele conversasse normalmente com você veria que ele tem MUITA coisa do papai, para começar a falta de educação.—O que?

–Claro que não! Ele é meigo!—O mais velho gargalhou.

–Meigo!? Ele é extremamente arrogante e mal educado, a diferença entre ele e o meu pai é que ele é tímido e não tem coragem de agir assim, mas aposto que gostaria.—Eu fiquei incrédula ouvindo aquilo, não podia discutir, por que ele era irmão do Vincent, o conhecia mais do que eu com certeza.

–É sério?!—Confirmou e eu não soube que expressar. Então o Vincent era um Bartolomeo tímido? Então ele deve me achar uma ordinária também, só não tem coragem de dizer na minha cara.—Isso é o que eu chamo de inesperado...—Fora estar aqui com um monte de gente pelada.

–Não é?! Quem o vê nem acredita quando digo nisso.—Concordei suspirando e eu jurando que estava me dando bem com ele.—Tud..—Eu virei o rosto para saber por que cortou a fala quando precisei desviar o olhar novamente, ali estava em pé de frente pra nós meu tímido chefe com o rosto baixo e sim, ele também estava pelado.

O que posso dizer quanto a isso é apenas que até agora foi a visão mais razoável que eu já tive. Quis rir por pensar que nem precisei de muita força para que o mistério de como ele era ser resolvido tão rápido, porém seria bem descortês rir de um nudista.

Coloquei a mão sobre os olhos sem saber o que dizer, eu ainda não o tinha cumprimentado, só que perdi a coragem de levantar os olhos subitamente.

–Quer sentar maninho?—Perguntou o grandão do meu lado que abriu um espaço e ele sentou no meio entre nós dois.—Estávamos falando de você! Sua auxiliar não acredita que você se pareça com o papai por trás dessa fobia!—Disse em um timbre calmo e eu respirei fundo.

–E-e-e e você pa-pa-parece uma mulherzinha cho-chorona!—Revidou o chefinho em um zangado e eu tive que o fitar incrédula. Pelo menos o irmão dele levou na esportiva.

–Eu não disse!—Fez uma pausa e logo voltou sua atenção para mim.—Você tem algum apelido? Abigail dá a impressão de ser complicado de falar!—Afirmei sorrindo.

–Geralmente me chamam de Abby!—Tornou a sorri.

–Abby? Taí, é uma derivação bo...

–Abreviação.—Interrompeu Vincent seco que fez o irmão sorrir sem graça.

–É isso aí, escuta, você não devia estar correndo atrás da Sasha? É meio perigoso deixar ela a solta por aí?—O chefe se virou pra ele zangado.

–E eu lá sou cachorro pra ficar indo atrás de uma cadela no cio!—Eu quase disse um ‘uhhh’, mas ai as coisas se complicariam e sim, vocês entenderam certo, ele estava bravo e se quer gaguejou. De repente o irmão enorme dele levantou tão rápido que foi impossível não perceber a corda pequena balançando quase na minha cara, virei o rosto no mesmo instante.

–Retira o que disse!!!—Gritou Marco furioso.

–Eu estou mentindo?—Retrucou meu chefe e eu sei lá, não quero ter que separar essa briga, por que dai eu teria que me aproximar e isso não é lá uma boa ideia.

–Está! Você tem a sort...

–Não me amole com isso de novo ou conto pra todo mundo qu....—O irmão dele apontou pra mim e a coragem dele sumiu no mesmo instante.... Ahh ele esqueceu que eu estava aqui.

É a primeira vez que presencio uma briga entre dois homens nus, e até que foi interessante. Na raiva o irmão mais velho saiu de perto e eu fiquei ali sem roupa ao lado do meu chefe. Sabe, já imaginou se eu conto isso para alguém?

Meninas eu fui convidada para passar o final de semana em um resort e não usei roupa em nenhum momento e claro que meu chefe não saiu de perto de mim!

Dá a impressão que sou uma vadia, como é que eu vou contar isso pro Edgar?

–É você tinha razão, minha família não é tão ruim assim!—Uhh consegui um riso modesto logo de cara?!

–Na-na-não devia ter-ter aceitado vir...—Murmurou e eu suspirei.

–Seu pai deixou bem explicito que eu seria demitida se não aparecesse, além do mais como eu ia adivinhar que iria estar todo mundo pelado?—Percebi que sorriu envergonhado abaixando o rosto.—Seu irmão é bem simpático.—Disse depois de um breve silêncio.

–É...—Revidou apenas.

–Por que não gosta da Sasha?—Continuei lembrando da cena da briga, ele falou dela de um jeito tão rude que mal o reconheci.

–Por-por que iria gostar?—Sorri de lado quando respondeu com uma pergunta, que família complicada.

–Você já parou para pensar que não são muitas garotas dispostas a passar pelo que ela passa? Nudismo, sua sociofobia, seu pai grosseiro... Eu também não me simpatizo com ela, mas essa garota é uma heroína!—Meu chefe deu uma risadinha modesta.

–Gos-gostaria que-que não fosse assim.—Acho que ele se referiu a ela, deve preferir que ela fuja e o deixe em paz.

–Vai se um final de semana longo...—Murmurei já imaginando o que viria a seguir.

Sabe a melhor parte de cuidar do Vincent? É que ele é uma pessoa extremamente simples, tipo, ele tem problemas com as pessoas, sim, tem, porém parecia ser preciso muito pouco para agradá-lo. As vezes era somente se afastar um pouco dar um papel e um lápis para ele que se tranquilizava e se perdia no mundinho dele.

Como uma criança que se distrai com a imaginação.

Sentei na cadeira em baixo de um para-sol de palha observando as ondas quebrarem ao longe com um vento super agradável. Os pais do Vincent junto com os da Sasha conversavam vindo em nossa direção com sorrisos enormes nos rostos.

Sim, a praia era nudista, então preferir olhar para o além enquanto se aproximava.

–Abigail o que está fazendo?—Questionou Sara indignada.

–Vigiando.—Apontei pro filho mais novo dela que abaixou o rosto sorrindo.

–Ohh deixe-o aí, vá se divertir um pouco!—Pela carranca do senhor Bartolomeo achei melhor negar.

–Obrigada, mas vou ficar aqui, está tão agradável!—E de fato estava, um silêncio tão cômodo tendo apenas o riscar do lápis do chefe rastejando sobre o papel enquanto seus olhos permaneciam firmes ali... Não pude deixar de perceber que suas orbes estavam da cor do mar.

–Você é louca? Prefere ficar perto desse idiota do que aproveitar tudo isto aqui?—Apontou para todo o ambiente e eu afirmei rindo.

–Ahh não fale assim, o Vincent é uma ótima companhia!—Retruquei e os quatro se olharam como se eu tivesse dito algo muito errado. Aproximei meu rosto do ouvido do chefe.—Que bela reputação você tem, hein!? Quem você matou?—Cochichei ao pé do ouvido o que o fez soltar uma risadinha audível deliciosa.

–Em-em mente mu-muita gente...—Sussurrou de volta o que me fez rir e o fitar incrédula.

–Espero não estar na sua lista de obituário, estou?—Deu uma breve gargalhada apenas negando com a cabeça voltando sua atenção sorridente para o papel. Assim que tornei a olhar os presentes a senhora Sara me sorriu largo se sentando perto de mim.

–Vejo que já se acostumou....—Ela apontou para minha nudez e eu precisei tapar os seios cruzando as pernas.

–Não tanto quanto a senhora, mas as vezes quase esqueço o quão isso é constrangedor!—Vincent riu no mesmo instante e ela tocou minha mão carinhosamente.

–Você é uma mocinha cativante...—Virou seu rosto para o filho.—Sorte sua não estar aqui com o Sr. Jones, não acha?

–Seria ótimo se estivesse, aquele sim era um homem de pulso firme!—Disse o senhor Bartolomeo tomando a frente antes que o filho tomasse coragem para revidar.

–Quando diz pulso firme quer dizer que era grosseiro?—Perguntei prontamente sem pensar que aquele poderia ser minhas ultimas palavras.

–Quero dizer que não fazia corpo mole ou deixava esse imbecil agir como desse na telha!—O retrucou com um olhar matador sobre mim.—Mas graças ao Vincent ele bateu as botas!—Rangi os dentes não acreditando naquilo.

–Então ele não era tão pulso firme assim Sr. Augustini, deixar se falecer por alguém que o senhor chama de imprestável?—O fitei seca.—Ou Vincent não é tão inútil como diz ou o Sr. Jones não é tão bom quando o senhor descreve.—Eu achei que ficaria zangado, mas ao invés disso sorriu largo para mim voltado seu olhar para o filho.

–Parece você achou uma defensora seu incompetente, vamos ver por quanto tempo ela te tolera sem perder a paciência!—Girei os olhos me levantando.

–Bom eu vou comprar uma água de coco, quer algo chefe?—Ele acenou dois e eu já conseguia entender o que disse.

Estou ficando boa nisso, perita em desvendar meu chefe esquisito, ele era sempre tão bonzinho comigo que eu não gostava de participar da interação rude que o pai dele tinha com ele.

Quando ficávamos sozinhos, mesmo pelados e constrangidos do que jeito em que estávamos conseguíamos nos interatuar em um dialogo ainda que breve. Mas quando tinha pessoas no meio ele travava de vez, mesmo sendo sua família.

Andando por aquele resort antes de entrar onde pretendia ir percebi pessoas conhecidas tendo uma conversa suspeita que na curiosidade não aguentei me segurar.

–O que você quer que eu faça? Meu pai já decidiu Marco!—Dizia Sasha bem séria e eu me abaixei atrás da parede do recinto bem próxima deles.

–Isso é tolice! Você sabe que o Vincent nunca vai gostar de você! Ele me disse isso, em alto e claro som, casar com ele é pedir pra sofrer!—Retrucou o outro, minha nossa que babado!

–Se ele me odiasse já tinha dado um jeito de cancelar o noivado, eu vou conseguir conquistar ele!

–Não, não vai! E se quer saber ele tem tentado cancelar! A questão que você não quer enxergar é que queimou totalmente o filme com ele depois de tentar força-lo a dormir com você, agora tudo que ele vê em você é uma doida capaz de tudo por dinheiro!—Tapei boca impedindo o ‘ohhhh minha nossa, que treta é essa?’ sair. Respirei fundo tentando ouvir mais da conversa.

–Você sabe que essa não foi a minha intenção, eu achei que isso fosse tornar as coisas mais fáceis, fazê-lo se abrir comigo... Que droga! Você também não tem ajudado!

–Ele não me escuta, mas...—Mas!? Mas o que? Termina eu quero saber!! Uma longa pausa enquanto o ouvi suspirar.

–Diga! O que tem em mente homem!—Insistiu ela.

–Mas papai me disse que ele tem uma boa relação com a auxiliar...—Fiquei boquiaberta, tipo, a auxiliar era eu!

–Está de brincadeira? Você também com isso? Primeiro o papai dizendo que eu tenho que agir como ela, agora você também acha que eu tenho que agir como uma secretária idiota oferecida pra me aproximar dele?—Ela bufou e eu me segurei para não ir lá e dar na cara dela.—Querem saber!? Ele vai ter que se casar comigo de qualquer jeito, não tem coragem de cancelar e enfrentar o pai, então por mim que seja do pior jeito!—Me encolhi ali dentro para ela não me ver quando passou em passos firmes do meu lado.

Caraca, essa foi por pouco. Entretanto me deixou bem pasma... Geralmente em famílias tradicionais é a mulher que sofre com os casamentos forçados, mas o caso em questão era reverso.

Eu não sabia mais o que pensar, o que fazer, se deveria contar a alguém o que ouvi, talvez ao chefe sobre a encrenca que a noiva dele disse. Olhei para o meu anel contente pelo meu não ser tão complicado.

~~~~~~###~~~~~

A noite haveria a comemoração dos trinta anos de casados dos Augustini, eu sei o que estão cogitando!

Como essa senhora aturou esse babaca por tanto tempo? Excelente pergunta e a resposta é: Vai saber.

Felizmente vestidos, os clientes ao que sei até agora não eram adeptos ao nudismo.

Um tanto envergonhada sentei na ultima cadeira da mesa distante deles me sentindo um pouco deslocada com alguns olhares não aprovando minha presença, ainda mais com as roupas simples que vestia, para boa parte deles eu era uma auxiliar aproveitadora e ordinária. Confesso que me senti mal com isso, quero dizer, era meu trabalho e eles me chamaram aqui, entretanto, me tratavam como se eu fosse uma intrusa descartável.

E sem o Vincent presente eu me sentia pior ainda, querendo muito ir atrás dele, só que a mãe dele disse para não me preocupar, pois estava com o irmão mais velho.

–Buona notte, bella gente!—Disse uma voz conhecida em um timbre consideravelmente alto. Meus olhos se esbugalharam ao reconhecê-lo e não acreditar que ele falava em som audível e idioma por mim desconhecido. Virei-me e sim, era meu chefe bem vestido e arrumado ao lado do irmão com o rosto levantado e sorriso largo.

–Vincent...?—Até a mãe dele estava perplexa.—O que deu em você?—Ele apontou de um jeito estranho para o irmão.

–A culpa é dele!—O Marco bufou de raiva.

–Eu disse dois goles, você bebeu sete copos!—Ahh ele estava bêbado, isso explica por que estava sendo apoiado.

–Marco você deu bebida alcoólica para ele?—Perguntou a Sara com um semblante preocupado.

–Foi preciso mãe! Ele não ia ter coragem de vir comigo se eu não desse!—Virou pro Vincent que mirava o céu estrelado sem prestar atenção na conversa.—Hey! Olhe pra mim! Está pronto pra dar o nosso presente a eles?—Afirmou com a cabeça como uma criança.

–Vamos nessa! Você vai gostar mamãe!—Disse de um jeito engraçado, e eu ainda estava perplexa com o fato dele estar todo desenvolto, bêbado, mas solto.

Eles andaram até o palco do restaurante e pelo jeito que Marco falou com o pessoal lá eles já estavam pro dentro do que fariam, espera! Eles vão cantar? Ohh vão! Marco sentou o irmão mais novo em uma cadeira aproximando o microfone dele e outro frente a si. Parecia sorridente e os presentes estavam com o mesmo sorriso sem acreditar que lá estava meu chefe com coragem para cantar para esse tanto de pessoas.

E então imaginem minha surpresa quando o sanfoneiro iniciou romanticamente acompanhado de um bandolim e meu queixo caiu vendo o chefe iniciar a música de forma serena... Sem gaguejar, sem abaixar o rosto, apenas mirando os pais quase dizendo “Isso é pra vocês”.

Vincent

Oh this is the night, it's a beautiful night
And we call it bella notte

Marco

Look at the skies, they have stars in their eyes

On this lovely bella notte.

Eu coloquei a mão sobre os lábios sem acreditar no que via, algo preenchendo o vazio que a poucos segundos eu sentia ouvindo de primeira mão a música apaixonante sair tão belamente dos dois.... Embora eu tenha me limitado a fitar apenas meu chefe.

Vincent

Side by side with your loved one,
You'll find enchantment here
.

Marco

The night will weave its magic spell,

Vincent

When the one you love is near!

Eu corei quando ele me mirou mesmo com um olhar zonzo embriagado, pensei em soletrar ‘você está indo muito bem’, só que jamais conseguiria, então eu apenas sorri sentindo as maçãs do meu rosto ferverem.

Ambos

Oh this is the night, and the heavens are right!
On this lovely bella notte!

Como a música era curta, repetiram ela em um dueto encantador que deu para notar que arrancou suspiros dos presentes e lágrimas da mãe que tapava a boca emocionada, não sei se por ver o filho esquisito cantar ou simplesmente por ter sido uma apresentação deslumbrante.

Votei pelos dois.

–Feliz aniversário de casamento!—Marco encerrou dizendo apontando para eles e a inúmeras palmas e assobios ecoaram pelo ambiente.

–Ohh foi lindo!—Sara abraçou os dois emocionada.—Foi o melhor presente que eu poderia ganhar dos meus príncipes!—Beijou a bochecha dos dois e acho que o senhor Bartolomeo estava feliz, mas por causa que isso agradou os clientes do que pela apresentação em si.

–Lindo é pouco! Foi incrível!—Disse Sasha arrumando o vestido vermelho curto correndo até o noivo e pelo que meu chefe deixou claro que sente eu pude jurar que aquilo foi um beijo roubado.

–Urgh!—Bufou ele empurrando ela que apenas sorriu.

–Deixe de ser tímido Vincent!—O timbre reprovador do Sr. Bartolomeo dizia mais do que isso, dizia ‘Não ouse desagradá-la aqui’.

–Vamos sentem-se!—Desconversou a Sara vendo que isso poderia iniciar uma brigar.

E quando todo mundo voltou a conversar abobrinha eu voltei a ser um nada ali no final da mesa onde a comida não chegava e eu não entendia nada para poder entrar na conversa.

Queria sair, vi o show deles, agora para mim a noite já tinha que ter terminado ou coisas ruins aconteceriam e a deixariam frustrante. E se querem saber eu tenho certeza que a Sasha ria da minha cara por ser excluída, acho que o fato de pedirem para ela agir como eu a fez com que ficasse com mais raiva de mim.

Então para fingi que não estava sendo incomodo estar ali, eu virei o rosto mirando aquela imensidão cheia de estrelas, o céu estava limpo, a lua gigante refletindo no mar e o brisa da noite ensurdeceu meus ouvidos para apenas o que eu queria ouvir: O quebrar das ondas.

Eu queria andar pela praia nesse exato momento, deveria ser tão gratificante.

Eu me lembrei daquela música do Bruno Mars em que diz falar com a lua, pareceu tão romântico e próprio para a noite, se eu pelo menos não estivesse sozinha e meu noivo não estivesse á milhares de km daqui.

–ABIGAIL!—Alguém gritou meu nome e eu precisei sair do devaneio olhando assustada para os presentes na mesa e todos estavam me olhando.—Querida estou lhe chamando tem horas, onde estava?—Perguntou a Sara rindo e eu sorri sem graça.

–Ohhh na lua, imaginando se ela percebe o reflexo dela lá de cima tão incrível quanto a gente pode ver...—Ehh ninguém entendeu meu ponto de vista, pois me lançaram olhares como se eu tivesse dito uma tolice.

–Eu duvido, pois até onde eu sei um planeta não tem olhos!—Ela me odiava mesmo, disse aquilo com escárnio e eu notei que a Sra. Augustini não gostou da atitude dela.

–É apenas um pensamento surrealista Sasha.—Me defendeu Sara, porém agora quem não gostou foi o Bartolomeo que fez uma careta.

–Pois se quer devia, está aqui a trabalhar não para ficar sonhando com a lua!—Revidou e a nora dele concordou com um bico zangado. Suspirei cerrando os olhos.... E eu achando que ia ter um pouco de paz e sossego.

–Elaaa é MINHA auxiliar, só eu posso dizer quando ou como trabalhar seu velho insuportável!—Eu ia soltar um ‘uhhh’, preferi só sorrir de lado.

–Que foi contratada por mim!

–Foda-se! Trabalha pra mimmm!—Apontou para si.

–Vincent não vai discutir com seu pai por causa de uma auxiliar estupida!—Apertei os olhos mirando aquele serzinho.

–Estupida? É você quem acha que a lua é um planeta!—Me defendi e o chefão quase me matou com um olhar. Fudeo.

–Vai deixar ela fala assim comigo Vincent?—Vish agora criei uma briga entre o casal, vou ser demitida, certeza!

–Eeee por acaso ela está errada?—Ohh eu gostei dele me dar razão, mas pela cara de todo mundo virei à vilã.

–Sou sua noiva!

–Nãooo por minha escolha! Prefiro mil vezes as maçãs dela do que seus melões públicos!—Certo esse ‘uuuhhhhhh’ eu não consegui segurar, mas abafei com as mãos querendo rir e gritar um ‘TOMA!’, só que meu rosto estava vermelho demais pra fazer.

–VINCENT!—Berrou o senhor Bartolomeo dessa vez muito, mas muito furioso e a Sasha com cara de quem ia chorar.—Peça desculpas!!

–Pelo queee?—Sério o clima estava muito pesado, pois os clientes o miraram com espanto como se ele fosse uma péssima pessoa. Eu dei uma gargalhada insana fazendo todo mundo olhar para mim.

–Vejam só o que o álcool faz?! Deixa as pessoas desvairadas, no seu caso então chefe, nem parece o gênio agradável que é sempre!—Dei uma acenada pro Sr. Augustini que entendeu o que eu estava fazendo.

–Por isso eu disse para não beber, seu tolo!—Completou e eu suspirei me levantando.—Perdoem-me esse aí quando bebe perde a linha!—Justificou e os clientes já afirmaram que entendiam.

Claro que a Sasha não iria me deixar levar o chefe pro quarto sozinha, seguiu ao lado dele com o semblante triste e eu acho que entendo ela.... Coitada.

–Vincent peça desculpas á ela!—Belisquei o braço dele andando e ele cambaleava.

–Que sacoooo! Até você?—Perguntou piscando fiquei de frente pra ele séria.

–Ela é sua noiva querendo ou não, peça desculpas!—Sasha olhou pra mim e depois para ele e ele fez o mesmo.

–Desculpa ter ofendido seus melões...—Eu precisei rir mordendo os lábios para escancarar que aquilo não soou tão bem quanto devia ser. Séria o encarou segurando em seus ombros aproveitando que o fato de estar bêbado o dava coragem.

–Eu estou tentando! Você sabe disso, não sabe!?—Ele girou os olhos, completamente desinteressado.

–Que você e o nojento do seu pai estão tentando pegar o filho produtivo? É eu sei!—Ohh essa historia tá ficando cada vez melhor!

–Não é verd....—Dessa vez ocorreu o inverso, eu vi o por que do Marco dizer que ele tinha herdado o gênio do pai, apertou os ombros dela furioso como quando geralmente o Sr. Bartolomeo faz com ele.

–Então por que ainda está aqui?—Boa pergunta, eu no lugar dela já tinha desistido. Ela se desfez do aperto zangada.

–Vou dizer a todos que nos entendemos...—Tragou saliva empinando o nariz e saindo de perto de nós.

Respirei fundo por um momento o que eu faço agora?

–Você está bem?—Perguntei..... Cara eu to achando muito estranho o fato de ele estar olhando pra mim, tipo, ele nunca olhou diretamente para mim e agora estava e eu não sei que expressão fazer pra isso a não ser de constrangimento.

–Meu estomago está embrulhado, eu me sinto tonto e algo na minha cabeça está gritando que eu vou me arrepender muito de tudo que fiz até agora...—Sorri largo me aproximando.

–Ohh querido sua cabeça está certinha! E ainda me fez ser demitida!—Juntou as sobrancelhas negando.

–Só por que eu disse que prefiro suas maçãs?—Eu dei uma gargalhada insana, não esperava ouvir isso.

–Isso e acho que seu pai me odeia, então vai juntar o útil ao agradável!—Toquei seu braço de leve.—Está muito zonzo? Quer que eu procure um remédio pra você?—Questionei, olhando bem no rosto dele eu podia ver seus olhos vermelhos sonolentos e a cabeça mexendo como se o mundo estivesse girando.

–Só preciso de ar fresco.—Respondeu caminhando lentamente colocando as mãos sobre meus ombros, claro pra apoiar... Eu acho.

–Se-se tivesse um telescópio, hein!? Numa noite como essa.—Puxei assunto nervosa para distrair o fato de caminharmos pela praia e eu estar começando a gostar o cheiro do perfume dele.

–O céu está limpo, não precisa de telescópio para ficar mais interessante.—Sussurrou jogando o corpo com os braços abertos na areia com os olhos fixo no além do espaço. Sentei-me ao seu lado apreciando junto.

–É realmente uma bella notte.—Sorriu sem tirar sua atenção das estrelas.

–Você gostouu?—Mordi os lábios deitando na areia de forma contrária a ele.

–Bastante, não sabia que além de pintor você fosse cantor...—Retruquei.

–Aqui fora eu sou só um cara estranho.—Um longo silêncio se fez enquanto eu tentava entender o que aquilo queria dizer.

Nenhuma palavra a mais foi dita ali, ele dormiu e foi preciso eu chamar o irmão dele para poder trazer ele pro quarto. Mas no final da noite quando deitei no quarto eu tive que admitir que tinha sido até um dia agradável.... E a parte das maçãs foi a que fez minha auto estima subir... Alguém gostava delas.

Acordei na manhã seguinte e a primeira coisa que fiz foi ir até a farmácia, eu entendo de ressaca, sei muito bem a dor de cabeça que ele vai sentir assim que acordar e eu queria estar preparada. Obvio, não descartei a hipótese de ser demitida.

O que deve acontecer ainda hoje.

Porém isso não me impede de ser legal com meu possível ex-chefe, pois ele não era só isso, éramos amigos! Bons amigos...?

–Bom dia Sr. e Sra. Augustini...—Os cumprimentei um pouco sem graça.—...Eu-eu fui buscar remédio para o Vincent, acho que vai acordar com uma dor de cabeça terrível!—Disse isso apenas por que eu estava de roupas. Sara deu um tapa no ombro do marido que olhava para os lados.

–Ande! O que está esperando?—Rangeu os dentes falando com ele. É agora, vou ser demitida.

–Sente-se inútil...—Outro tapão no ombro que o fez pigarrear, mas eu obedeci.

–Não é assim que se iniciar uma conversa Bart!—Todos exceto o Vincent estavam presentes e pareciam um tanto desdenhoso quanto ao que vira a seguir.

–Está bem, está bem! Abigail...—Suspirei esperando minha sentença.—...Eu lamento a forma como agi com você ontem, Sara me fez ver que isso não é um problema seu, é nosso e... O que mais quer que eu diga mesmo?—Fiquei pasma só com o lamento Sara tomou a vez.

–Imbecil.—Me encarou sorrindo sem graça acenando para eu segurar sua mão.—Eu sinto muito a forma como as coisas tomaram rumo ontem, você dá o seu melhor para cuidar do nosso filho e o que recebe em troca são as ofensas do trouxa do meu marido e a frívola da minha nora, eu sei que tomar conta do Vincent não é um trabalho fácil, mas você conseguiu desenvolver uma maneira de fazer isso através da comunicação mesmo que escassa e não sabe o quanto isso significa pra mim! Por essa razão quero que tire folga hoje, curta esse dia sem ter que virar babá de um homem de vinte cinco anos!—Disse a ultima frase com sarcasmo. E sério, eu fiquei bem abalada por ela estar sendo tão carinhosa comigo, fazia tempo que alguém não era gentil assim comigo.

–Obrigada senhora, e do fundo do meu coração...—toquei meu peito a fitando nos olhos.—...Desejo o divorcio a senhora e que encontre um homem muito melhor!—Ela deu uma gargalhada incrédula, mas mesmo que isso custasse o emprego eu tinha que dizer, tinha que ser sincera com alguém que pensou tão consideravelmente em mim.

–Escut...

–Chega Bart!—Ela o interrompeu me sorrindo carinhosa.—Eu agradeço. Agora tire essas roupas e venha tomar o café conosco!—Sorri sem graça.

–Eu não sou frívola.—Murmurou uma voz enjoativa perto de mim.

Meu dia? Eu andei durante o dia como se fosse uma pirua rica de biquíni novo olhando para a praia com os pés torrando na areia quente, mas não me importei. PAZ!

Tomei água de coco, banho de mar, dormi em baixo de um parasol, catei umas conchas, li um livro de turismo, andei pelas lojas de roupa e quando olhei no relógio ainda era onze e meia. Que saco!

Não quero ficar sozinha!

Andando pela praia já pensando em voltar para o resort lá estava ele sozinho embaixo de um para sol balançando as pernas animado com o que escrevia no papel... Que inveja daquela mente doida dele, nunca parecia entediante.

E eu aqui entediada em um lugar paradisíaco desse.

–Me empresta seu cérebro por alguns minutos?—Sentei na cadeira ao lado dele dando um susto no chefe que depois de me olhar abaixou a cabeça envergonhado.—Isso é um não?

–Pra-pra que você-você quer?—Perguntou sem jeito.

–Ser feliz como você, fazer coisas pequenas ficarem grandes e as grandes pequenas!—Seu jeito de franzi o cenho sem me encarar me deu a entender que ficou confuso.—Não sei brincar sozinha como você, posso ficar aqui?—Afirmou tímido.—Eu e minhas maçãs agradecemos!—Ele deu uma gargalhada deliciosa que eu nunca tinha visto anos colocado as mãos no rosto.

–Me-me-meu irmã-irmão contou sobre on-ontem, eu sinto-sinto muito!—Sorri para ele acenando que não.

–Não precisa se desculpar, na verdade me sinto lisonjeada, imagine só... Alguém me colocou no mesmo patamar que a Sasha, estava bêbado, mas quase acreditei que fosse bonita como ela.—Eu sei que isso pareceu amargo, só que eu esperava que ele interpretasse como humor negro, no entanto, não riu. É, eu não acerto todas as piadinhas.

Percebi que ele queria dizer algo, mas não conseguiu, apenas soltou sons sem sentido e logo voltou sua atenção para o papel escrevendo algo que jogou do meu lado na mesa com o rosto abaixado apertando as mãos muito nervoso.

Assim que li senti um contentamento instantâneo que fez minhas bochechas corarem.

“Eu te acho linda”

Eu ia agradecer a caridade do elogio, mas não pareceu suficiente então peguei o lápis da mão dele escrevendo algo em retorno.

“Obrigada por tentar me animar.

Mas em termos de beleza acho que os filhos dos Augustini ganharam ontem.

Você estava muito charmoso”

Devolvi o papel para ele que soltou um risinho modesto depois de ler escrevendo algo que logo passou para mim.

“De fato como a lua, eu diria lua nova momento”

Entendi a parte dele lembrar que eu contei fui a lua no colegial, só não compreendi a parte do lua nova. Não acho que foi uma ofensa, ele nunca me ofendeu, mas a fase de lua nova é quando ela não aparece. O que quis dizer?

“Como assim? Acha que sou apagada pela grandeza dos outros?”

Ele rapidamente tomou o lápis da minha mão e respondeu negando com o rosto o que me deixou aliviada de certa forma.

“Não! Eu acho que está voltada demais para a grandeza dos outros e não consegue ver que é tão grande quanto eles!!”

Sorri de lado pensando do que disse, até que faz sentido se eu sou a lua o que eu estava enfrentando era apenas uma fase ruim. Ohh meu pai ia adorar filosofar isso.

“Faz sentido, mas perto de Vênus o que é a lua? Entende?”

Referi-me a Vênus como a Sasha, ele ficou um longo momento olhando para o papel pensando, depois voltou a escrever.

“Eu não sei sobre Vênus, mas sei que sem a lua poderia não existir vida na Terra, o fato de ninguém perceber você às vezes, não a torna menos importante ou menos bonita.”

Sorri largo tocando a mão dele de leve.

–Obrigada Vincent...—Mesmo ele não me fitando eu disse o que senti.—...Ficar perto de você tem sido a única coisa boa que tem me acontecido.

Era pouco, para mim aquele sorrisinho satisfeito era pouco, eu queria mais, muito mais, acho que nunca quis tanto ficar próxima de alguém, entender alguém ser parte de da vida de uma pessoa quanto o desejo que me bateu agora. Eu queria retribuir esse sentimento de quando alguém te mostra que você não é um nada, eu queria entrar nessa cabeça louca que achava tanta graça em um pedaço de papel e um lápis.

Mas como?

Notas finais
Alguém percebeu que ele ficou com ciumes do irmão? kkkk Fiquem felizes, depois desse o romance vai aparecer em alta. Demorou pq...Vocês conhecem o Vincent né!? Não dava para ser assim rapido. Até o proximo!