In Your World

8 Capitulo Oito - Sol


Notas iniciais
Olá pessoas! Zangadas? É eu sei que demorei! Mas enfim, problemas, problemas e problemas. Aos poucos tudo se ajeita. Eu sei que disse que teria hentai nesse cap, mas vou colocar separado. Primeiro pq esse ficou grande, e segundo sei lá, assim quem gosta lê e quem não só segue xD Bom, vamos lá um agradecimento a Everlasting pela linda recomendação e a todos pelos reviews. Gente muito obrigada pela paciência, o problema é que escrever não é minha prioridade e sempre que um problema surge eu tenho que deixar a escrita de lado pra resolver D: Eu sei que é chato, mas tenham um pouquinho de paciência com essa escritora desleixada >_

Capitulo Oito

Sol

Parabéns Abby! Foi de um problema a outro e se quer fez força para isso. Se eu dormi naquela noite?

Talvez uma ou duas horas.

Mas o resto fiquei me perguntando em como deixei me levar pelo momento e acabei beijando o chefe que quando minha boca desgrudou dele parecia surpreso e sei lá... Nervoso provavelmente.

Na manhã seguinte respirei fundo peguei minha bagagem levando até a sala vendo o rapaz ali na cozinha distraído assobiando... Estranho, quando ninguém está olhando ele realmente parece alguém normal.

–Bom dia.—Cumprimentei tragando a saliva.—Eu...Hanhnn...—Pigarreei.—Já vou indo.—O chefe apesar de parece um pouco vermelho franziu o cenho confuso.

–Pra-pra onde?—Eu estava um pouco nervosa, não tinha pensando aonde iria depois dali.

–Algum lugar, eu disse que era só uma noite e também tenho que ir pro trabalho!—Tentei falar de forma suave, mas acabou saindo estranho.

–Algum lugar? Isso-isso não me parece algo certeiro.—Suspirou apertando as mãos.—Pode-pode ficar aqui, se-se-se quiser.—Mordi o lábio me aproximando, ele parecia bem inquieto só com a minha presença, como posso ficar?

–Não, olha, eu vou para a casa de alguma amiga, é melhor assim!—Ele não me olhou, mas deu para perceber que não gostou.

–Vai para a casa de uma amiga ferrada como você? Que provavelmente mora com os pais e recebe uma mixaria inferior a sua? É isso que você diz ser melhor?—Usou um timbre intimidador e porra isso foi bem assustador, um lado que eu nunca vi... Não com ele sóbrio.

–Não é bem assim.—Pigarrei um pouco atônita.—Minha nossa você faz parecer que eu recusar é uma afronta!—Se virou me encarando. Minhas pernas chegam bambearam quando as orbes azuladas dele se viraram contra mim.

–Mas-mas É uma afronta! Diz-diz todas aquelas-aquelas coisas sobre meu mundo e agora quer ir para a casa de uma pobre coitada que não tem onde cair morta ao invés de ficar aqui.—Suspirei longamente, na visão dele era a coisa mais normal do mundo uma secretária morar com o chefe.

–Você ficou doido Vincent!? Eu não posso ficar aqui, primeiro de tudo: Você é comprometido, imagina o problemão com a Sasha e seu pai!—Sem contar que eu também sou.—Segundo: Depois de ontem eu acho que... Não é uma boa ideia... Aliás, érrr... Eu peço desculpas por... Você sabe.—Ufa saiu, com muito custo mais consegui dizer isso sem morrer de vergonha.

–Se-se o problema é casa, tudo-tudo bem. Se ao que entendi o problema for-for eu, acho que isso é tolice, você trabalha para mim vai ter que conviver comigo de um jeito ou de outro...—É bem que nisso ele tem razão.—Eu-eu estou tentando retribuir... O que-o que fez por mim, se ‘aquilo’ te incomoda, vamos fingir que não aconteceu.—Disse com a voz carregada abaixando o rosto tímido.

–E a Sasha? Seu pai?—Mexeu os ombros suspirando.

–Não tem nada com isso, os dois nunca me visitam.—Sério, eu queria recusar, mas a coragem foi embora.... E talvez a vontade tenha diminuído.

–Será até eu achar uma casa, prometo ser breve!—Ele concordou sutilmente, mas não chegou a me encarar.

Esquecer...Apagar da minha mente o que aconteceu ontem, meus braços contornando seu pescoço, meus lábios colando contra os seus e os olhos cerrados fingindo que aquele poderia ser um momento romântico. É eu tinha que esquecer isso, mas não seria nada fácil...Por isso queria sair da casa, pois eu estou começando a achar que gostei do beijo.

–Amor da minha vida! Diga! Agora pode dizer!—Edgar me abraçou me dando um beijo rápido assim que o encontrei na cantina.

–Você desligou o celular ontem... Como pode fazer isso?—O sorriso fajuto dele fechou.

–Desculpa, eu estava ocupado, muita coisa acontecendo e...

–É mesmo?! Que coisa?—Girou os olhos sorrindo.

–Eu estava com alguns amigos e eles me pediram para ajudar com uma coisa.—Coisa?

–E essa ‘coisa’ era o que Ed? Para você depois de um tempão sem me dar atenção simplesmente desligar o telefone na minha cara?—Suspirou.

–Coisa minha! Caramba você fala como se o caso fosse de vida ou morte! Dá um tempo, poxa!—Pisquei os olhos incrédula, não acredito que fiquei com peso na consciência por ter beijado o chefe. Devia ter dormido com ele só pra esfregar na cara do Ed depois!

–Tá, então vá resolver suas coisas, eu vou trabalhar!—Segui rumo ao departamento, porém ele fez que não.

–Espera, não fica com raiva, ao menos me diz o que queria ontem!—Contar? Do que adiantaria.

–Nada, não importa agora.—Murmurei me distanciando.

Importa sim, importa e muito. Mas com o descaso dele como eu iria contar? Como desabafar com alguém que parece não dar valor na gente? Como eu vou dizer que fui expulsa de casa sendo que ele fica me colocando em segundo plano?

Será que ele está me traindo?

O plano era passar a manhã lendo os classificados até encontrar um apartamento ou qualquer coisa onde eu pudesse morar. Porém já tinha uma meia hora que estava olhando para o jornal sem tirar os olhos do primeiro anuncio. Minha mente estava longe.

–Eu sou uma pessoa desagradável?—Perguntei ao chefe que estava atento no que escrevia.

É, eu estava na sala dele. Fiquei me sentindo sozinha e resolvi ficar ali, só que isso ainda não quer dizer nada!

–Co-como assim?—Suspirei colocando o jornal em cima da mesa dela.

–Ora desagradável, alguém que as pessoas evitam se aproximar...—Negou.

–Nã-não, acho até que-que é do tipo que atrai pessoas.—Apoiei o cotovelo na mesa segurando meu rosto com a mão.

–Será?—Perguntei mais pra mim mesma do que pra ele. —Se eu pelo menos fosse inteligente como você, talvez valesse mais...—Pigarreou um tanto sério.

–Pessimismo não combina com você, deixa esse lado ruim comigo...—Sussurrou e eu sorri largo.

–Tem sido tão bonzinho comigo. Mesmo depois de eu ter te agarrado e estar enfornada na sua casa...—Abaixou a cabeça parecendo sem graça.

–Vo-vo...—Travou e não conseguiu dizer mais nada, apenas abria a boca sem coragem.

–Shhh...—Toquei sua mão de ele.—Não precisa dizer nada.—Fiquei curiosa quanto ao que iria dizer, mas não a custo do desconforto dele.—Olha isso!—Peguei o jornal mostrando o primeiro anuncio mudando de assunto.—É 500 pratas, mas a localidade é boa!

Ele escorou o corpo na cadeira virando o rosto para o outro lado piscando varias vezes, estalei os dedos algumas vezes tentando chamar sua atenção, porém foi em vão... O que deu nele?

–Vincent?—Suspirou se levantando indo até a janela da sala e lá ficou olhando para baixo.

Mirei os lados buscando algo que perdi em nossa breve conversa para tê-lo deixado daquele jeito, sombrio, olhando para o nada como se estivesse inconformado.

Engoli em seco respirando fundo, taí mais uma lado dele que não conheço e preciso calmamente descobrir como contornar.

–Eu disse alguma coisa errada?—Questionei me aproximando vagarosamente. Apenas negou acenando com o rosto.—O que foi então?

Não, ele não chegou a me responder a razão de ter ficado daquele jeito... Não importa o quanto eu tente, a cabeça dele sempre será um mistério para mim.

Eu pensei em contar as meninas sobre eu ter sido expulsa de casa, mas aí eu teria que contar que estava na casa do chefe e confesso que isso não pegaria muito bem, na verdade ainda não entendo por que ele não se incomoda.

–Amanhã no horário do almoço vou dar uma olhada nessa aqui, tem dois cômodos e é até mobilhada...—Comentei isso por que o silêncio estava me deixando louca.—...O problema é que é longe, mas tudo bem, você não acha?—Apenas acenou sem tirar os olhos da direção.

Ficou tipo um clima estranho enquanto eu tentava adivinhar a razão de estar tão frio. O que foi que eu fiz?

–Não acha que é mais fácil resolvermos isso agora?—Fechou a expressão.

–Isso?

–Parece estar com raiva de mim ou sei lá... Alguma coisa.—Suspirou mordendo o canto da boca.

–Não estou com raiva...—Revidou e eu esperei que concluísse.—...É frustração.—Franzi o cenho.

–Em relação a que? Você é...—Dizia em um timbre suave quando começou a negar.

–Eu não sou uma criança!—A voz dele chega ecoou dentro do carro.

A principio eu fiquei o fitando séria tentando juntar o que disse antes com declaração de agora. Ele já tinha resmungado sobre isso uma vez e agora novamente... Eu o trato como uma criança? Claro que não!

–Da onde você tirou isso? Eu nunca te tratei como criança!—Certo, tinha se passado um tempo desde que deu a impressão que o assunto havia se encerrado.

–Claro que trata! Você me olha como se eu fosse uma dessas pessoas com atraso cognitivo!—Pisquei algumas vezes, primeiro por que não sabia o que era atraso cognitivo e segundo por que....Perceberam que ele não gagueja muito quando está zangado?

–Eu sou gentil, tento entender seu ponto de vista, mas não o trato como uma criança!—Bufou sem me encarar.—Ahh que ótimo, eu fico um dia na sua casa e já discutimos! O que você quer que eu faça?—Perguntei em um tom sarcástico.—Que eu te compre revistas de mulher pelada para te fazer se sentir mais adulto?—Girou os olhos sorrindo de lado.—Não vai me responder?

Não deu tempo, ele estacionou e já foi saindo.

Isso me deixava extremamente confusa quanto a minha atual situação, eu estava na casa dele e do nada ele enfeza comigo por algo que sinceramente eu ainda não entendia a razão.

Eu não o trato como uma criança... Ou trato?

Que diferença isso faz agora? Para falar a verdade eu estava deprimida, talvez até mais do que ontem por que mamãe nem chegou a me ligar para pedir desculpas, Ed se quer cogitou possibilidade de eu estar mal e agora uma discussão com o chefe. Tudo estava indo de mal a pior.... E nem sei como reverter essa situação.

Depois de um banho eu continuei marcando os imóveis para alugar, vou ter que ir para um bem barato.

O quarto de hospedes era o lugar mais sem graça daquela casa, todo branco com apenas as cortinas em um tom bege. O que me surpreende é ele ter um quarto de hospedes sendo daquele jeito, será que alguma vez já recebeu alguém além de mim?

Mirei o teto deitada na cama, ali era um silêncio tão grande que às vezes chegava a ser incomodo...Aos poucos eu fui me sentindo um tanto solitária, então respirei fundo e criei coragem para procurar o chefinho.

–Vincent?!—O chamei olhando no relógio, já era dez da noite.—Vincent?—Bati na porta de seu quarto sem ter resposta.—Posso entrar?—Novamente nenhuma resposta.—Eu posso abrir?—Nada, então passei óleo de peroba na cara e abri a porta.—Vi...

Parei no mesmo instante a frase sentindo um vermelho preencher meu rosto enquanto um ‘ohhh’ saia involuntário dos meus lábios. Mordi a boca engolindo seco.

Ele com certeza é filho daqueles dois esquisitos, quem consegue afinal se jogar numa cama peladão e com o corpo ainda todo molhado?

Sabe eu sei que muitos vão me achar pervertida por dizer isso, mas fiquei parada ali por alguns minutos de boca aberta um tanto perplexa com frase dele gritando na minha cabeça “Eu não sou uma criança”. Eu o vi nu na praia, mas confesso que sem malicia, tentei ao máximo não pensar besteira, só que agora a situação estava complexa.

Por quê? Eu não sei. Esse sentimento de solidão provavelmente que me fez olhar as coisas por outros ângulos, me fez perguntar quando foi a ultima vez que dormir com um caro, me fez cogitar que realmente talvez antes eu o tivesse vendo como uma criança.

Fechei a porta do quarto como quem tinha visto um fantasma com os olhos esbugalhados tragando a saliva. Eu não posso ficar aqui, não mesmo!

Calma, calma, calma, muita calma nessa hora! Respire fundo, recupere a sensatez e vamos pensar cautelosamente em como as coisas precisam seguir. Suspirei longamente deitando no sofá vendo aquele teto incrível pintado.

Sabe, tirando os últimos momentos constrangedores até que aqui é um ótimo lugar, digo, é como se de alguma forma os problemas eram barrados na porta, o som continuou e estressante dos carros, a iluminação excessiva da cidade, as brigas sem sentido com os vizinhos.... Isso não existia aqui, não entrava. Acho que essa era a intenção do Vincent.

Vincent... Do que estou reclamando afinal? De ele me deixar ficar na casa dele sem cobrar 1 centavo? De ter me acolhido? De me ouvir atenciosamente? Se eu for pensar direito sem ele tudo seria mil vezes pior, muito pior.

No dia seguinte a claridade do sol me acordou, a dor nas costas me fez logo perceber que tinha dormido no sofá, respirei o máximo que pude pegando o ar agradável da manhã. Espreguicei olhando no relógio.

Ainda era cedo.

Um sentimento de “tente outra vez” me bateu logo que coloquei os pés no chão, suspirei olhando para a janela e pensei no melhor jeito de tornar a fazer as coisas direito.

Para inicio tomei a liberdade de preparar um café da manhã, eu ainda não tenho muita noção dos gostos dele, mas procurei deduzir a partir de alguns itens a geladeira.

–Bom dia chefe!—Ele estava de pé perto da cozinha coçando os olhos com os cabelos desgrenhados sobre o rosto. Seu pijama vestido do lado dos avessos me fez crer que ele com certeza tinha acabado de se vestir.—Dormiu bem?—Perguntei e me fitou um pouco surpreso logo abaixando o olhar. Acho que isso é por que ele ainda não está acostumado com visita em casa.

–Bom-bom dia...—Murmurou bocejando, assim que deu o contorno pelo balcão vendo a mesa que preparei piscou varias vezes.—É meu-meu aniversário?—Sorri negando.

–Não! Bom, pelo menos eu acho que não, quando é seu aniversário?—Sorriu de leve se sentando.

–11 de junho...—Disse bem baixinho... 11 de Junho? Não falta muito tempo para isso. Bom saber.

–Pois é, não é, na verdade já que eu vou ficar aqui até achar outro lugar nada melhor que eu começar a fazer algumas coisas por aqui, certo? E...—Traguei a saliva procurando as palavras certas.—...Isso aqui também é como desculpas se te tratei como criança, é que...Eu não sei, nem percebi que fazia isso, mas já que estamos com tempo que tal conversarmos sobre como gostaria de ser tratado?

Eu tive a infantil crença que ao dizer aquilo ele responderia e tudo voltarei ao conformes. As vezes eu esqueço que ele é doido. Apertou as mãos, abaixou a cabeça e ficou respirando com dificuldade... Okay, o que eu disse de tão errado assim?

–Vincent o que tem demais nisso?—Nenhuma resposta apesar de eu perceber que abriu a boca, mas o som o deixou. Girei os olhos impaciente, poxa éramos amigos já era para ter passado dessa fase medonha dele ficar nesse estado perto de mim. Se eu falar para ele que não precisa dizer nada, como fiz no escritório provavelmente vai ficar zangado de novo.

Dai eu vi um bloco de notas em cima da geladeira e a ideia veio de imediato.

–Aqui! Vê se isso ajuda?!—Entreguei o bloco e uma caneta e um pouco tremulo ele pegou.

“Eu não sou muito bom sob pressão”

–Não estou te pressionando, eu só disse para conversarmos sobre como gostaria de ser tratado.—Disse depois de ler e ele voltou logo a escrever.

“Como qualquer um, eu tenho parcelas de normalidade também, só que estão um pouco escondidas”

–Ahh isso eu percebo...—Brinquei ao ler lembrando do dia no planetário. Se ele disse que eu tinha certa importância do mundo dele então...—...Alguém supostamente dentro do seu mundo não deveria ser apresentada a elas?—Deu para notar que ele sorriu tímido por debaixo daquela cabeleira.

“Supostamente...Se ela estiver interessada de fato”

Minha vez de rir tímida e nem sei qual a razão, mas meio que aquilo me agradou.

–E... Assim.... Qual seria a senha de acesso para entrar sempre que essa pessoa quiser?—Cara perguntar isso fez minhas bochechas arderem.

“Como este serviço nunca foi requisitado será preciso algum tempo até gerar essa senha”

A letra dele tinha saído tremula e ele não ousou levantar o rosto. Mas eu entendi o que quis se referir.

–O sistema aceita suborno?—O chefinho riu, ergueu o rosto e riu e sério saber que eu consigo fazer isso me fazia sentir muito bem.

–Também é algo novo.—Disse bem mais solto.

–Humm... Interessante...—Brinquei o fazendo sorrir.

E foi um café da manhã extremamente agradável, sem mais aquele clima chato de antes e acreditem ou não ele conversava normalmente, claro que quando se dava conta o quão aberto estava sendo abaixava o rosto e ficava sem graça, mas minha gente... Comparado a antes quando ele só se comunicava através de bilhetinhos, o que estou tendo agora com ele é um privilégio.

Devo dizer que uma semana se passou e nossa convivência ficou cada vez mais amistosa, de pouco em pouco, deu pra notar que já não gaguejava ao conversar comigo, me fazia perguntas com mais frequência e às vezes quando estava de bom humor, se sentava do meu lado no sofá assistindo televisão. Claro ninguém ainda sabe que estou n casa dele, nem minhas amigas, nem meu noivo, nem minha família e principalmente nem a dele.

Como será que reagiriam ao saber? Provavelmente veriam com maus olhos.

–Fugido?—Ele confirmou.

–Meu pai é filho bastardo tecnicamente falando.—Eu tinha perguntado a ele como a mãe dele aturava um homem tão insuportável quando o pai dele e então ele me contou a razão dele ser como é.

–Dos Augustini da Itália, digo os originais ou sei lá como se fala...—Sorriu tímido concordando.

–Mais ou menos isso, filho de empregada, ele viveu sob o teto dos Augustini como empregado até os 13 anos, mas a vida com a mulher do pai dele era um inferno de acordo com suas palavras...—Tomei o café curiosa.

–Filho extra-conjugal, eu imagino que sim, mas não entendi por que fugiu, digo eles deveria fazer questão dele ir embora.—Ele negou.

–É coisa de família com nome, na cabeça retrógada deles libertar meu pai era fora de cogitação, ele deveria servir a família pro resto da vida, então a minha avó vendo a situação, fugiu com ele pra cá... Porém, tudo teve um efeito colateral.—Fiquei pensando que como todos deveriam ser rude com ele lá, só aprendeu a ser rude com os outros aqui.

–Isso ainda não explica como ele casou com a budista da sua mãe...—Vincent riu.

–Ele muda, meu pai tem uma paixão meio exagerada por ela, quase doentia que por medo provavelmente muda quando é só os dois.

–Doentia?—Mexeu os ombros suspirando.

–É, quando eu tinha dez anos minha avó de parte de mãe teve que fazer uma viajem pra outro estado, seriam só quatro dias que minha mãe ficaria fora e no segundo dia ele surtou... Chorando igual a um bebezinho, dizendo que queria morrer, que ela tinha abandonado ele, que tinha trocado ele por outra pessoa. Eu e meu irmão não tínhamos ideia do que fazer.—Isso me pareceu bem cômico, um homem daquele tamanho chorar.

–Tecnicamente então, você herdou as maluquices dele?—Ele mordeu os lábios negando.

–Loucura é um ponto de vista.—Eu sorri largo.

–Ahh que isso?! Eu gosto do seu ponto de vista.—Ownn ele ficou vermelho, é como provocar uma criança tímida!—Sabe devíamos sair esse final de semana!—Logo de cara ele não gostou.

–Não, obrigado.—Dei uma breve risadinha.

–Será um lugar isolado, o que me diz?—Ainda sim ele pareceu não gostar da ideia.—Então tá, vamos fazer do seu jeito, qual seu plano para esta sexta?—Percebi um sorrisinho tímido um tanto confuso surgir.

–Como assim meu?

–Ora, eu tinha planos de te tirar dessa toca, mas já que isso não lhe agrada então vamos o que você tinha em mente!—Ele cogitou por um momento.

–Eu-eu pretendo jogar vídeo game...—Assim que murmurou isso pisquei varias vezes depois cai n gargalhada.

–Vídeo game? E quer que eu não te trate como criança?—Dessa vez me fitou zangado.

–Que historia é essa? Desde quando vídeo games é destinado a apenas crianças?—Girei os olhos rindo.

–Desde sempre! Ahh vamos Vincent, vídeo game a noite inteira? Esse é o seu plano?—Mexeu os ombros virando o rosto.

–Melhor do que sair...—Como não tratar ele como criança?

–Tive uma ideia, e se fizermos uma troca?—Voltou sua atenção pra mim com o cenho franzido ajeitando os óculos.

–Como assim?

–Bom, você vai planejar algo para fazer hoje tradicional do seu mundo e em troca eu vou lhe mostrar algo tradicional do mundo a fora, um astrônomo deve estar aberto a conhecer outros planetas, não?—Ele sorriu com sarcasmo.

–Quem disse que eu quero exercer a profissão de astrônomo? Os seres deste planeta são assustadores...—Dei uma risadinha negando.

–Mesmo? Ainda sim deu abrigo e está aqui tomando café com uma? Eu não sou assustadora sou?—Tornou a sorrir aproximando o rosto do meu.

–Cá entre nós?! Você não me parece desse mundo...—Mordi os lábios me aproximado.

–Eu sou uma diplomata.—Nisso eu fiz o que mais gostava de fazer, ele gargalhou um tanto pasmo.—Mas vamos lá, aceita a proposta?—Ficou um pouco sem graça.

–Não terei que me envolver com pessoas, terei?—Neguei, bem que precisava, mas não vou forçar a barra.

–Não! Será só eu e você!—Por alguma razão ele ficou vermelho, será que isso soou errado?

–Está bem.

Bom, na verdade meus planos eram outros, eu queria sair com as meninas e ir para um bar, porém na volta elas sempre me acompanhavam até em casa e isso seria um problema. Até eu achar uma casa pra morar o melhor era me harmonizar com ele e tenho que confessar que isso até que é bem gratificante.

Quando não fica nervoso ele consegue ser bem irônico e engraçado.

O combinado ficou que depois do trabalho eu o levaria a algum lugar divertido e amanhã ele planejaria algo da cabeça dele para me divertir.

Mas eis a questão, onde eu poderia leva-lo onde não teria que trocar palavras com ninguém?

Ohhh já sei!

–Não me olhe com essa cara, você não vai precisar interagir com ninguém, será só nós dois na pista!—Ele entortou boca com um olhar indeciso.

–Eu-eu nunca joguei boliche... Em vídeo game algumas vezes, mas...—Sorri estacionando o carro.

–Vai ser divertido, eu prometo!—Então o chefe se conformou. Sabe... Isso é ótimo, ele realmente confia em mim.

Obviamente no inicio ele estava muito acanhado por conta de ter muita gente e as pistas serem uma ao lado da outra, mas depois de meia hora com meus pontos sendo maiores do que os dele acho que isso aguçou o senso competitivo dele e o fez esquecer o que estava ao redor e se concentrando em me vencer.

–Uhhh você pode ser um gênio em acertar as ideias na empresa, mas pelo visto os pinos está bem longe de ser sua especialidade...—Brinquei vendo a bola nem triscar nos pinos, ele se virou pra mim zangado.

–Já notou que é a primeira vez que jogo boliche?—Soltei uma risadinha maliciosa.

–Isso não é desculpa Vincent, quando o homem quer acerta o alvo de primeira!—Riu um pouco tímido se sentando ao meu lado, mirei o placar me levantando. Sorte no jogo azar no amor, é fazia sentido eu estar ganhando.—Nunca jogou boliche com a sua família?—Questionei voltando pro banco e ele negou.

–Não, nossos hábitos familiares não são muito adeptos a lugares tão cheio de regras.—Se isso queria dizer que eles não podiam jogar pelados, então faz sentido.

–Você foi à escola? Digo algum dia você deve ter estudado, não?—Se levantou e jogou.

–Eu frequentei o colégio até os quinze, depois desisti.—Desistiu?

–De estudar?—Se virou vindo para o banco com o semblante frustrado.

–De acreditar que um dia podia melhorar.—Era minha vez, porém o assunto me interessou.

–Não tem nenhum amigo do colégio?—Apenas negou tragando saliva, pensei um pouco no que perguntar e então me aproximei.—O que seria melhorar pra você?—O chefe ficou um pouco nervoso, mas se esforçou suspirando.

–Eu-eu já nem sei mais. Depois de um tempo...Eu não sei.—Eu não queria que essa noite virasse um drama, ao contrário, o que eu queria era que ele se divertisse, se soltasse... Ficasse feliz, então por enquanto eu achei melhor não tocar nesse assunto.

–Oh veja, nosso horário acabou!—Apontei pra tela que já não mostrava o placar mais.—Como é sua primeira vez, vou fingir que foi um empate!—Ele sorriu.

–Está com medo que eu abaixe seu salário, não é?!—Brincou e eu ri.

–Sim, mas vamos fingir que minhas intenções são boas!—Mais um sorriso. Sério eu to ficando muito boa nisso.—O que acha de jantarmos?—Peguei minha bolsa e um pouco nervoso o chefe concordou.

Não era só sociofobia, dava para perceber que ele era muito tímido e bastante negativo, eu conseguia ver isso só de observá-lo, quando o garçom se aproximava abaixava a cabeça e ao pedir algo parecia indeciso. Dentro de casa ele podia ser o que quisesse, mas fora era como figurante de um filme.

–Converse comigo.—Disse em um timbre calmo e engoliu seco girando os olhos.

–So-sobre o que?—Mexi os ombros.

–Qualquer coisa! Você fez faculdade?—Espantei quando afirmou.—De que?

–Artes visuais.—Agora fiquei boquiaberta.

–Artes visuais? Como? Por quê?—Ele riu do meu jeito perplexo.

–Foi a distancia e a razão... Acho que se pensar um pouco já deve imaginar.—Do tanto que pinta, imagino sim.

–Eu queria ter feito faculdade, mas meu pai morreu e ficamos com pouco dinheiro e seria egoísta da minha parte pegar o pouco e pagar a faculdade. Tudo que eu tenho é um curso mirrado de rotinas administrativas, um saco, mas pelo menos me garantiu um emprego.—Percebi que Vincent queria perguntar algo, pigarreou um pouco apertando as mãos.

–Qua-qual?

–Curso?—Afirmou.—Filosofia, um pouco longe do que eu trabalho, não?—Concordou.—Por que não fez astronomia?

–Seria como transformar um hobby em trabalho, e não quero isso.—Eu comecei rir suave, era engraçado o ouvindo falar sério.—Qu-qual a graça?

–Você é normal, não é como um psicótico incumbido, é um cara legal com gostos incomuns e é....—Qual é a palavra? Ah!—Exótico! Isso, você é exótico!—Abaixou o rosto tímido.

–Isso é um elogio?—Confirmei sorrindo.

–E dos bons!—Revidei animada e ele ficou vermelho.

Por um momento enquanto comia ali vendo as outras pessoas no recinto, fiquei imaginando como deveria ter sido o passado do chefe para ele chegar a um ponto de desistir de si mesmo. Por que acredito que foi isso que aconteceu, chegou um momento tão critico que ele desistiu de tentar fazer as coisas melhorarem.

Mas ali estava diante mim, normal, comendo com mais etiqueta do que eu... Se o chefe se arrumasse mais, se fosse mais solto ou pelo menos mostrasse esse lado comum às outras pessoas, tudo seria tão diferente da vida solitária que leva.

–Você era popular?—Perguntei de boca cheia, porém ele não entendeu.—No colégio, você era popular, não?

–Meu irmão era, mas eu fui e sempre serei o desastre que vê hoje...—Murmurou dramático.

–Desastre?—Tomei um pouco do suco.—Você é um gato Vincent! É alto, tem olhos azuis e a cor do seu cabelo...—Toquei de leve algumas mexas, eram tão escuro que brilhava, como os cabelos dos japoneses.—...É lindo, fora que é inteligente e talentoso, desculpa dizer, mas você é um desastre por que quer!—Completei de forma amena para não se zangar.

–Então foi assim que soou?—O mirei confusa.

–O que?

–Na praia quando te elogiei e você achou que fosse por pena, agora com você dizendo isso tenho a impressão que trocamos os lugares...—Mordi o canto da boca relembrando.

–Não disse por pena, você disse?—Ele sorriu de um jeito estranho.

–Eu não tenho pena de ninguém.—Retrucou em um timbre grave.

–Nem de mim?—Nossos olhos se encontraram, achei que fosse mirar o chão como sempre faz, porém continuou e negou.

–Principalmente de você.—Oh.

–Por que me deixa ficar na sua casa então?—Engoliu seco agora sim abaixando o olhar.

–Go-gosto de você.—Arregalei os olhos e depois cai na gargalhada. Isso foi tão... Inesperado. Eu sabia que sentia simpatia por mim, porém nunca pensei que fosse ter coragem pra dizer.

–O sentimento é reciproco.—Revidei contente.

Nada mal, nada mal mesmo! Aposto que o que eu consegui essa noite nem a Sasha que conhece ele há três anos conseguiria. Uou....Pensar nisso me fez sentir um pouco desconfortável, eu na verdade não deveria estar tendo esse tipo de momentos com ele e sim ela... Falando nela.... Faz um bom tempo que não a vejo se esgueirar pra perto do Vincent. Como noiva, eu pensei que tentasse mais, porém, eu não sei se estou em posição de criticá-la como noiva.

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Eu não sabia bem o que pensar, sempre achei que ele fosse do tipo perfeccionista cheio de ‘não toque nas minhas obras’, entretanto, o macacão entregue pra mim vendo quais eram os planos dele me deixou confusa.

–Vai ficar grande, mas tudo bem.—Franzi o cenho dando uma olhada em volta.

Estávamos no sótão da casa dele, um dos poucos lugares cujo ele ainda não tinha decorado, se bem que essa casa é grande demais para uma pessoa só, era tanto espaço que aposto que ele não faz ideia do que fazer com esse sótão. Tudo que tinha ali eram jornais e tintas de todos os tipos... Ele quer mesmo que eu participe disso?

–Vincent meu nível artístico me permite apenas desenhar pauzinhos!—O alertei e sorriu.

–Perfeito! Faça os pauzinhos que conseguir então, a intenção é se expressar.—Colocou uma mascara tapando o nariz e a boca.—Vá se trocar.—Foi o combinado, por isso não deu para contestar.

–Se eu estragar sua parede não vale descontar no meu salário!—Resmunguei saindo dali e indo até o banheiro.

O que ele realmente espera que eu faça? Não sei desenhar, não sei nem pintar direito e se quer tenho imaginação pra isso. Por enquanto o que eu fiz foi ficar observando ele com os olhos brilhando riscando alguns lugares.

O chefe era realmente apaixonado pelo que fazia, podia ter milhões de problemas com pessoas, ter inúmeras limitações, no entanto, ali dentro se tornava outra pessoa.

–Seu lado ainda está branco...—Pisquei algumas vezes caindo a ficha que falava comigo.

–Érr... Não sei o que desenhar...—Disse e ele veio até mim.

–Não sabe? Faça o que está na sua cabeça, ou vai me dizer que isso é o que se passa nela?—Apontou pra parede branca e eu ri.—Você tem historia! Você não foi expulsa de casa? Deve ter algo que deseja se manifestar... Pense!—Segui o raciocínio dele. O fato da mamãe ainda não ter me ligado pra pedir desculpas de certa forma me machucava, também tem minha irmã que não me procurou e pra piorar o Edgar age como se tudo estivesse as mil maravilhas.

Peguei um pincel grande molhando na tinta preta e escrevi bem grande “NÃO ESTÁ TUDO BEM” .

–Bom! Muito bom! Agora continue...—Apesar de soar como uma professora do primário elogiando um aluno de seis anos, eu levei na esportiva. Voltou para o lado dele e sinceramente dessa vez eu realmente me foquei no que sentia.

Estava com os olhos fixos na parede com a tinta excessiva escorrendo.

Papai sempre dizia para pensar positivo, que tudo tinha um lado bom e tínhamos que nos apegar a ele, mas de repente eu vi que não dava mais. Olhando para o que eu escrevi, descobri que estava com raiva dele... Minha nossa como eu estava furiosa com o papai, ele não podia ter nos deixado, ele não tinha o direito de deixar as coisas caírem nas minhas costas! “TUDO DEU ERRADO” Escrevi mordendo os lábios inferiores muito zangada.

De repente tudo que eu guardava no fundo do baú, todas as minhas frustrações, toda minha raiva, tudo que desejei e não aconteceu... Estava pintado, rabiscado, escrito... Escancarado na parede. Eu desenhei o jardim de casa que sempre quis e não tive dinheiro pra fazer, pintei uma faculdade que não consegui entrar, risquei a família que achava que tinha, mas que nem se deram ao trabalho de virem atrás de mim pra saber se pelo menos eu estava viva. Desenhei Edgar, na verdade pauzinhos com uma bolinha em cima de riscos amarelos... Uma interrogação foi à única coisa que consegui expressar.

Quem era o homem com quem estava noiva? Eu realmente o conhecia? Existia ainda sentimentos entre nós dois? Algum dia existiu? Por que tenho tanta dificuldade e duvidas em responder isso?

–Estraguei sua parede...—Murmurei com a voz embargada quando percebi que ele observava o que eu fiz. Eu estava suja de tinta e agora percebia que devia ter usado a mascara também.

–Tudo bem, isso dá pra consertar...—A primeiro momento entrou por um ouvido e saiu pelo outro, mas depois cai a ficha que não era da parede que estava falando, era basicamente minha vida.

–A sua também...—Sorriu amargo.

–A minha não...—Apontou pra parede que estava pintando, era um lago cheio de vagalumes, mas ainda não tinha terminado.—.... A minha está cheia de ‘nadas’, de coisas que não existem, esse é o problema.—Andei devagar com um pincel na mão e comecei desenhar algumas coisas...Era mal feito, eu sou uma péssima desenhista, mas não me importei mais.

Eu rabisquei a gata maldita da mamãe se afogando no lado, desenhei o pai do Vincent sozinho chorando, era um homem pauzinho sentado de terno, mas em fim...Eu coloquei um pouco mais de realidade nessa ilusão. Quando girei pra mostrar ao chefe ele estava remodelando minha bagunça, contornando as palavras e fazendo rostinhos zangados ou tristes do lado como emoticons.

Sorri sentindo as bochechas arderem me virando para o que tinha a minha frente, engoli seco, respirei fundo achando estranho o sentimento de que algo estava mudando... Então...

Eu continuei.

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Me joguei no chão cansada, meus braços doíam e eu tinha minhas duvidas se aquela tinta grudada no meu rosto ia sair sem ter que arrancar a pele. Me espreguicei só ouvindo o barulho da tinta spray na mão do chefe.... Como ele consegue? Já era umas cinco horas da tarde e por incrível que parecesse não sentia fome nem sede. Minha barriga chega roncava faminta.

–Vou pedir uma pizza, qual você quer?—Me levantei indo até ele que parecia estático olhando para a parede.

–O que é isso?—Era o desenho do Edgar.—É a Sasha?—Olhando bem para meu rabisco realmente não dava para distinguir ser homem ou mulher, parecia apenas alguém loiro e eu dei a besteira de fazer um risco vermelho simbolizando o cachecol dele.

–Érrr...Não! É...—Ia dizer meu noivo, mas o ronco da minha barriga falou mais alto me deixando sem graça.—Eu vou pedir uma pizza!—Repeti e ele riu tirando a mascará.

–Está bem, pede uma de calabresa pra mim.—Afirmei.

Comida! Comida! Comida!

Esperei ela chegar para subir até o sótão e levar além da pizza refrigerante. Sentamos no meio daquele cômodo vazio em cima dos jornais, eu devorando uma fatia e ele outra.

Pensei na época em que trocávamos bilhetes, eu queria tanto me aproximar dele e ali estava eu, ao lado dele. Com meu rosto adquirindo uma tonalidade vermelha exagerada cujo a culpa não era das tintas... Go-gosto de você.

A pizza não estava tão saborosa quanto aquele clima atual, a noite chegando, o silêncio no ar e ainda que a tinta tivesse um cheiro forte me agradava estar ali naquela paz. Eu sorria de lado o empurrando brincando quando nossos olhos por acidente se cruzavam.

–Seu cabelo está sujo de tinta...—Comentou dando um cessar na comida.

–Essa tinta sai fácil, não é?—Perguntei de boca cheia o fazendo rir.

–Com o produto certo sai!—Baguncei o cabelo dele, tinha espichado um pouco de tinta amarela e vermelha no dele.

–Vai ter que usar no seu também ‘bonito’!—Brinquei e ele apenas riu encolhendo o corpo. Dei uma olhada em volta daquele cômodo, imaginando que se a Sasha visse esse lado dele não o trataria de forma tão rude.—...Sabe, aposto que sua noiva ia adora participar disso aqui.—Assim que disse isso fez uma careta que pude interpretar o que queria dizer “Por que droga você tinha que colocar ela no meio disso??”.

–Para Alexandra tudo que importa é status.—Revidou respirando fundo depois acrescentando.—...Você tem uma visão distorcida sobre quem ela é.—Isso me surpreendeu, alguém que mal sai de casa, mal conversa com as pessoas e se quer olha nos olhos delas, está me dizendo que EU tenho uma visão distorcida delas?

–Como você sabe?! Nem conversar com ela, você conversa!—Revidei ríspida pra ele, o estranho foi que o nervoso de agora era um zangado e não tímido.

–Posso até ter fobia social, mas não sou burro! Eu escuto, eu observo, eu VEJO muitas coisas que você não sabe, aliás me intriga sua necessidade de saber sobre meu relacionamento com ela, me faz questionar aonde quer chegar!—O jeito dele dizer como se eu quisesse alguma coisa, me fez rir, obvio que eu rir não o agradou.

–Calma, eu só pergunto ou digo essas coisas para ajudar.—Repliquei.—Ás vezes fico pensando que não tem razão para ficarem em pé de guerra como estão!—Dessa vez ele que riu, não de um jeito legal e sim de forma maldosa e sarcástica.—Qual é a graça? Bebeu um gole de refrigerante girando os olhos.

–Nada, só me perguntando...—O esperei concluir, porém parou ali mesmo a frase e isso me deixou inquieta.

–Se perguntando o que? Que sou idiota por pensar em te ajudar? Por pensar que toda essa briga de vocês é inútil e que podiam estar vivendo bem se não fosse criancice da sua parte e egoísmo do dela?—Disse ressentida e ao invés de sem graça ele franziu o cenho.

–Você acredita mesmo nisso? Nas suas próprias palavras? Por que cá entre nós, suas atitudes são um tanto contraditórias.—Minhas atitudes? Mordi um pedaço da pizza e sem pensar falei.

–Que atitudes? Eu quero o seu bem! Não é por que é meu chefe, mas por que gosto de você!—Ele riu, provavelmente minhas palavras não saíram tão sérias quanto queria por estar de boca cheia.

–O que eu não acredito é em você dizer que quer ajudar entre meu relacionamento com a Sasha.—Agora sim fiquei confusa, por que?

–Mas eu quero! Ela é incrível, você também, é o casal perfeito! Tá certo que eu acho ela um pouco impaciente, entretanto, vocês dois são como aqueles casais de comerciais de bombons dos dias dos namorados!—Vincent riu com sarcasmo de novo e eu dei um tapa de leve no ombro dele.—Qual é a graça agora Vincent? Eu estou sendo sincera!—Quando disse isso ele riu mais ainda.

–Desculpa...—Falou somente, sem responder. De repente eu tive um flash do por que ele não acreditava em mim... A droga do beijo.

–Ahhh entendi...—Suspirei rindo um tanto sem graça.—....Atitudes contraditórias, não é? Tipo ter te agarrado aquele dia?—Como não disse nada continuei com o rosto baixo.—Olha, eu não queria que tivesse ideias erradas de mim, foi...Um ato involuntário...Você estava sendo tão gentil e...É eu sei, passei dos limites, mas eu nunca...—Aos poucos a vergonha subia e as palavras sumiam.—...Você sabe, eu nunca, pensei que fosse desenvolver algo...Até por que eu sou só uma secretária... Não tenho nada..—Algo remoía dentro de mim enquanto dizia, e a cada palavra eu ficava mais perdida no que deveria dizer. Por fim, desisti.—...Desculpa...—Falei muito, mas muito sem graça mesmo. O clima amistoso foi simplesmente assassinado por mim junto com minha coragem por conta da minha insistência em querer me meter na vida dele.

Uns quinze minutos se passou e o silêncio predominava, cogitei se sair dali fosse o correto, ou talvez criar outro assunto, porém olhar para ele me deixava envergonhada. O chefe? Estava estático desde que pedi desculpas, mirava o chão com insistência, no entanto, em sua cabeça com certeza passava milhares de coisas.

Quando me levantei ouvi o respirar dele sair descompassado.

–O que-O que você quer de mim afinal?—O mirei assustada.—Não é meu dinheiro, não é o prestigio social, não são minhas ideias e pelo jeito tão pouco sou eu mesmo! Eu penso algo e você diz coisas contrárias com que acredito e então age de uma forma que...Que...Que me deixa...Confuso...—Engoli seco tornando a me sentar.

–Eu não quero nada.—Talvez no inicio quisesse, porém agora realmente eu não queria, pelo menos não algo que me beneficiasse da maneira como pensava.—Você não me dá créditos quando digo, mas meu interesse é só fazer parte disso aqui...—Apontei ao redor e ele entendeu o que eu quis dizer, pois logo em seguida fechou a cara.

–O que isso quer dizer?—Sorri querendo aliviar um pouco daquele clima.

–Que estou esperando o sistema gerar senhas funcionar para requerer a minha.—Apostei que ele pelo menos iria sorrir, entretanto, continuou sério aguardando uma resposta. Eu não tenho bem uma razão, eu gosto, tenho curiosidade, as vezes da impressão de ser um lugar aconchegante... É isso que ele quer ouvir?—O que quer que eu diga Vincent?—Revidei na mesma seriedade e só o fato de não responder me deixou brava.—Eu te fiz uma pergunta!—De repente o maluco se levantou inquieto como se fosse um cachorrinho encurralado.—Vincent!!—O segurei pelos ombros o virando para minha frente quando percebi que provavelmente sairia correndo.

Eu estava impaciente, já não sabia mais o que pensar, o que fazer ou como agir diante toda essa esquisitice... Uma hora estava bom, questionando, ficando bravo, outra hora dava esses surtos de simplesmente não dizer nada e agir como se fosse um autista, coisa que aliás não era!

Vincent é mais alto do que eu, fitava o chão com insistência recusando a todo custo não correr o risco de ter que olhar nos meus olhos, suas mãos de talentosas perderam a força e ficaram tremulas... Isso era mesmo sério!? Tínhamos voltado para o inicio?

–Já passamos dessa fase...!—Com a mão direita segurei o queixo dele levantando seu rosto só um pouquinho sendo obstante para estar frente ao meu.—...Me diga você, o que quer de mim afinal?—A primeiro momento eu notei que balbuciou alguma coisa logo desistindo.—Você me odeia?—Negou respirando com dificuldade, eu perguntei isso, pois estava morando na casa dele, depois dessa conversa deveria ir embora?—Minha presença te incomoda?—Demorou um pouco, porém fez que não e cada vez que acenava ao invés de falar como pessoa normal eu ficava mais nervosa.—Você não confia em mim?!?!—Perguntei com certa indignação sem ter mais o que fazer. Confuso ele fez que sim e não.

Suspirei como se tivessem jogado uma mala em cima de mim, quando eu acho que as coisas com ele estão indo bem, vem um momento como esse e destrói minha ilusão. Mas afinal, o que é ficar de boa com esse maluco?

Por que sempre ficava nervoso desse jeito? Qual a razão de tanto nervosismo que tirava toda coragem dele de uma hora pra outra? O que tinha demais em dizer o que pensa? Sim eu estava com raiva querendo urgentemente que alguém me desse essas respostas que pelo visto não viria dele.

–É tão difícil dizer?—Perguntei e confirmou.—É algo tão ruim assim? Que você não tem coragem de dizer?—Engoli seco achando estranho o fato de só a minha voz está ecoando por ali, mas estranho eu estar tão próxima dele que podia o ouvir respirar com embaraço.

Respirei fundo desistindo, passei as mãos pelo rosto o deixando livre, se o pai dele que força desde que ele era pequeno não conseguiu nada, o que eu vou conseguir desse jeito? Seja lá o que ele queira de mim tenho certeza que não valia o esforço de eu destruir todo o avanço que conseguir até agora... Porém é difícil. Eu queria que ele se abrisse comigo, queria realmente ver as coisas que tanto o fascinam, mas penetrar na cabeça dele é trabalho duro e demorado.

–Desculpa... Desculpa...—Suspirei.—...Eu não queria te pressionar...—Quando parei mais calma o observando a fundo percebi a crueldade que estava fazendo. Ele estava tremulo, com a cabeça baixa, respirando como se tivesse corrido uma maratona e seu rosto estava tão vermelho que juro que pensei que fosse dar um enfarto. —...Vincent....Calm...

–SENTIMENTOS!—Gritou me deixando assustada, como se as palavras o sufocassem, bem vermelho ele acrescentou apontando pra mim.—P-p-por vo-vo-você.... —Isso foi bem baixinho e quando tornou a buscar fôlego, depois colocou a mão na boca quase se repreendendo.

O que foi isso?

–Por mim?!—Um pouco incrédula sorri estranhando.—Sabe, às vezes você age tão normal que eu esqueço que nasceu em uma família doida e...É doido.—Brinquei me apoiando em seu ombro, isso o fez rir, porém continuava muito nervoso. Então ele gostava de mim? Tinha sentimentos por mim? Um enorme sorriso se alargou no meu rosto, isso foi muito melhor do que o 'gosto de você' de ontem, talvez por que esse queria dizer muitas coisas, além de um gostar... Ou não, ou talvez... Eu buscasse isso.

Ele continuava cabisbaixo e com a intenção de aos poucos aliviar a timidez dele passei a mão puxando bem devagar em um quase afago seus cabelos para trás. Nem em sonho iria olhar nos meus olhos, mas os meus de repente se encantaram com a expressão que tinha... Principalmente dos lábios que estavam tão cativantes quanto daquele dia em que os tomei.

De forma branda acabei mais uma vez cedendo ao desejo, fui aproximando meu rosto do dele gradativamente, entretanto, assim que percebi que agora, neste instante, ele me fitava um tanto surpreso eu parei.

Meu coração deu um salto, do nada o nervosismo dele foi passado para mim de tal forma que se quer pude me mover. Me repreendi como se o homem a minha frente estivesse ele mesmo me condenando, comecei a pensar apavorada que em sua mente me via como uma aproveitadora, abusada, pervertida e todos os xingamentos que poderia habitar o vocabulário dele... Onde apenas sua coragem não permitia dizer.

Desviei o olhar tão envergonhada que não conseguia pensar em uma desculpa plausível para estar ali, a milímetros da boca dele.

Porém tudo isso sumiu... De uma hora pra outra, só o fato de sentir mesmo que levemente o toque dos seus sobre os meus lábios fez toda repreensão desaparecer.

Na verdade, eu sorri, incrédula e contente, eu sorri largo... O doido do Vincent realmente tinha movido os milímetros que faltava para fazer o beijo acontecer? Desde quando ele tinha coragem pra isso?

Eu tinha que aproveitar! Cerrei os olhos e movi o rosto na intenção de fazê-lo entreabrir a boca quando a pressionei, o tempo do selinho tinha terminado. Quando minha língua buscou a sua bruscamente eu me segurei para não rir, seu beijo era tão covarde quanto ele, mas não deixava de ser carinhoso.

Quando terminou, não por falta de ar e sim por que eu estava rindo, tive que o segurar, enlacei meus braços em volta da sua cintura o prendendo. Fraco, muito fraco! Aposto que tinha algo mais cativante escondido dentro daquela timidez toda.

–Esse não é só minha culpa...—Brinquei o vendo concordar, depois sorri um tanto maliciosa.—...Já o próximo pode colocar na minha conta...—Na minha lógica carente desvairada se ele me beijou um vez não ia recusar um segundo, terceiro, quarto, enfim, que o erro seja pelo menos compensador.

Esse beijo não foi tão passivo quando o anterior, não perdi tempo com selinhos, apenas subi minhas mãos até seu rosto o trazendo a minha altura colando nossas bocas com mais ardor. Havia uma chance dele se assustar, me empurrar e sair correndo, porém ao quase enlaçar minha cintura, apenas fazendo menção sem coragem, eu descartei essa chance.

Quando me separei dele deu até para ouvir o estalar de nossos lábios se desgrudando, eu tinha explorado cada canto de sua boca ficar sem ar pouco me importando com o depois. Risonha eu sentia as bochechas arderem e meu corpo entrar em êxtase animado.

Faz muito tempo que não dou um beijo desses em alguém e fazer isso logo com o intocável Vincent me fez ficar eletrizada. Mas não seria ruim se ele retribuísse no mesmo ardor.

O aguardei respirar o suficiente para avançar novamente, dessa vez eu queria senti-lo para valer, seus desejos naquele momento, sua paixão como quando faz seus desenhos...Me separei a milímetros do seu rosto bruscamente notando seu olhar de quem não gostou de ter o beijo interrompido na metade.

–Qual é a senha?—Perguntei em um sussurro beijando sua bochecha.—Diga, qual é a senha?—Pela expressão confusa me fez rir colando minha boca por uns rápidos segundos na sua. Toquei um lado do seu rosto suavemente sorrindo.—É disso que é preciso, não é?—Acho que agora que realmente parou para pensar, ele compreendeu onde eu queria chegar, pois tornou a ficar um pouco nervoso.—Qual é a senha?—Para evitar que virasse pro outro lado segurei sua cabeça em minha direção me aproximando aguardando a resposta que duvido muito que viria... Porém eu só queria atitude, ter o retorno de estar ali praticamente me jogando em cima dele.

Sutilmente eu recebi a resposta, não com palavras como já imaginava, mas com suas mãos me enlaçando e apertando contra si e iniciando um tímido beijo tremulo que tentei acalmá-lo acariciando seus cabelos enquanto me deleitava e esbanjava um sorriso largo. Fechei os olhos e simplesmente deixei que me beijasse a sua maneira desajeitada, ficou nervoso quando abri a boca respirando fundo durante o ato e mesmo que eu quisesse muito rir, não o fiz, odiaria espantá-lo.

De forma lenta moveu a língua sobre a minha com cautela, no mesmo ritmo movi a minha sobre a dele adorando o fato de isso tê-lo encorajado a prosseguir com mais firmeza.

Nossa proximidade era tanta que podia ouvir o bater acelerado do seu coração.

Quando o beijo cessou sorri contente o abraçando forte. Isso foi um passo e tanto. Na verdade um passo que não deveria ser dado, porém eu estava extremamente feliz por ele por ter acontecido.

–Bom! Muito bom!—O imitei baixinho e em troca sorriu abaixando o rosto.

–Mentirosa...—Fez um pausa depois acrescentou.—...Não foi nada bom.

–Ah! Você não gostou?—Alarmado negou no mesmo instante.

–Não, eu-eu quis dizer que eu não fui-fui bom, en-entende?—Arqueei as sobrancelhas fingindo estar séria.

–Meus suspiros não te convenceram?—Ele gargalhou fazendo que não.

–Você... Faz as coisas parecerem tão simples.—Entortei o rosto curiosa.

–Não vejo, você é que complica... Aliás, o que há de complicado em um beijo? Vai me dizer que na sua época de escola não convidou uma coleguinha para trocar selinhos atrás da escola?!—Ele franziu o cenho.

–Não... Isso é normal?—Girei os olhos rindo.

–Na minha escola era...—Só então percebi que talvez o caso dele teria sido bem diferente do meu.—Vincent... Quantas namoradas já teve?

–Quatro.—QUATRO?! Fiquei boquiaberta.

–Quatro?! Sério!? Como?—Ele riu.

–Ficou surpresa por quê? Minha família é rica.—Franzi o cenho.

–Tá, e isso quer dizer o que?

–É preciso manter as aparências...—Ficou quieto um pouco sem jeito, pensei em perguntar, mas... Conversar?

Ainda que certas perguntas e frases devessem ser ditas eu simplesmente me recusei a continuar pensando nisso avançando sobre ele. Eu tinha medo, muito medo do que viria depois, do que devesse vir depois, porém agora, nesse instante, naquele sótão vazio eu fiz como ele... Entrei em outro mundo, um onde nada mais importava.

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Suspirei pesadamente na cama daquele quarto de hospede mirando o teto com intensidade. O telefone uma hora tocou e de repente o momento se foi quando ouvi um resmungo dele com a pessoa do outro lado discutindo sobre o aniversário da noiva dele.

Parecia um tempo tão próximo, mas olhando no relógio já era quase meia noite e eu ainda me questionava o que exatamente tudo aquilo significou.

Eu fiquei esperando durante todo esse tempo minha consciência voltar pesando mais que um elefante me fazendo cair no choro, aguardei pacientemente ao sentar na cama penteando os cabelos pela quarta vez meu arrependimento bater como um carro em alta velocidade em um poste.... Mas já que eu estava sozinha ali conversando comigo mesma podia ser sincera e dizer que nem isso nem o sono veio, ao contrário quando não vigiava meus pensamentos lá estava eu questionando a pouca distancia dos quartos.

Coloquei a mão na cabeça apertando os olhos. O que isso quer dizer afinal? Ele é doido, meu chefe e pior comprometido, não posso ter desenvolvido um sentimento romântico por ele! Mas... Quando lembro de como é quando está mais ou menos... ARGH! Que bela hora pra ter uma paixonite.

Que merda! Levantei inquieta andando pelo quarto até criar coragem de sair dele e ficar que nem uma estatua na porta. Respirei fundo e logo em seguida bati abrindo.

–Posso entrar?! Eu tenho que falar com você...—Sentindo a porta sendo empurrada contra mim.

–Espera!!!—Gritou.—Eu já abro!

–O que está fazendo aí dentro hein!?—Brinquei ouvindo a correria.

–Érrr eu-eu estava no banho!—Ahh é verdade, ele não dorme de roupa. Cara eu sou uma vadia mesmo, por que assim que lembrei disso mandei um grande foda-se e entrei.

–Ahh dá um tempo Vincent, o que eu não vi naquela viajem com a sua família?—Ele já estava vestido da parte de baixo.

–Eu também te vi e não entro no banheiro quando você está lá.—Resmungou e eu ri.—Eu já sei o que quer falar...—Murmurou.

–Sabe?—Eu nem queria falar nada, mas seria meio indelicado irmos direto pro vamos ver.—Ótimo, podemos encurtar a introdução então. Acho que não vou conseguir dormir se não resolvermos isso está noite.—Sentou na cama cabisbaixo e suspirando.

–Como resolvemos isso?—Sorri.

–Do jeito convencional, não?—Estranhou no mesmo instante, ohh meu Deus quanta inocência.

–Tem um jeito convencional?

–Tem, quer que eu mostre?—Arqueou uma das sobrancelhas.

–Estamos falando do mesmo assunto?—Mordi o lábio querendo rir. Seus cabelos molhado, o pijama amarrotado e aquela carinha confusa... Eu sou uma pessoa muito perversa. Além de trair o noivo tenho a impressão bizarra que estou tirando a inocência de uma criança.

–Se tratando de você, não, o que acha que vim conversar?—Apertou as mãos nervoso.

–Não...Veio me dizer que-que vai embora?—Me aproximei vagarosamente.

–Você quer que eu vá?—Negou apenas.—Então eu não vou.—Ohh minha nossa, que expressão de alivio foi essa?

–En-então qual é o assunto?—Girei os olhos, por que uma mulher iria no quarto de um homem a essa hora da noite depois de ter passado um bom tempo beijando ele? Será que ele não se pergunta isso e tem a resposta obvia?

–Vai amanhecer e você não vai adivinhar...—Suspirei desabotoando a roupa.—Já tá tudo errado mesmo, o que vai me custar uma culpa a mais?—Falei pra mim e o olhar espantado quando tirei a blusa foi impagável.—Bom, a não ser que você não queira...—Arregalou os olhos balbuciando algumas coisas.—Isso é um não ou um sim?—Respirou fundo se levantando as pressas segurando meu rosto e me beijando.

Puxa até que enfim, achei que eu tivesse que agarrar ele para fazer as coisas acontecerem.

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Okay, chegou um momento naquela escuridão que eu não aguentei mais segurar e comecei a gargalhar alto mesmo sabendo que ele ficaria furioso comigo. A carinha sorridente que fazia nesse exato momento era cômica.

–Eu não disse que quando um homem quer acerta de primeira?—Virou para mim sorridente.

–Não foi tão ruim, foi?—Sorri negando.

–Relaxa, foi divertido!—Rosnou sentando, o que eu disse de errado?

–Divertido?! Isso não me parece algo bom, quando é um parque de diversão existe outros elogios pros brinquedos!—Segurei o riso.

–Como você é resmungão! Não conhecia esse outro lado seu...—Sentei respirando fundo.—Divertido é bom!—Ele me olhou pelo canto do olho.

–A culpa é sua!—O que?

–Como assim a culpa é minha?—O encarei.

–Você me apressou! Ficou parecendo que se não fosse rápido nada aconteceria!— Eu gargalhei.

–Se fossemos no seu tempo, com certeza nada aconteceria!—Deslizei minhas mãos pelas suas costas até enlaçar envolta seu pescoço em um abraço.—Mas, estou aberta a novos processos...—Dei um beijo no seu rosto o fazendo rir.

–Quanta eficiência, será que pode ser seguindo minhas instruções dessa vez?—Dei uma risada.

–Se não envolver cordas e animais, por mim tudo bem...—Gargalhou me fitando incrédulo.

E começamos mais uma vez, porém diferente da outra ele estava bem mais solto, quase um Vincent completamente diferente, aquele que eu venho tentando conhecer a meses, quem diria que o necessário era só sexo.

Mas eu tinha em mente que o problema e a consciência viria com o sol. O que eu faço agora?

Notas finais
Foi postar um cap separado depois com o hentai não contado ali. Quem quiser e gostar lê ele, quem não só pula o capitulo, não vai interferir em nada. Só mostrar a intimidade dos dois. Até o proximo!