In Your World

12 Capitulo Doze


Notas iniciais
AHHHHHHH!!!! Sim EU VOLTEI!!!! Não eu não tinha morrido, apenas desapareci por um BOMMM tempo. Mas eu já estou de volta, depois explico melhor a causa do meu sumiço kkk Eu queria agradecer imensamente a todas que apreciam a história e esperou pacientemente sem querer me matar nem nada. Gente muito obrigada pelos comentários e as recomendações! Chega de enrola! Depois conversamos xD Boa leitura e desculpem os erros!

Capitulo Doze

Era de madrugada ainda quando acordei ouvindo os passos arrastados irem de um lado para o outro sem pressa. Fiquei parada na cama apenas fitando o fio de luz que entrava por debaixo da porta imaginando que esse podia ser a razão maior de eu não conseguir me desvincular tão facilmente desse lugar... É aquela sensação agradável de ser querida, aquele sentimento impertinente de alguém gostar da sua presença, algo que eu tinha esquecido o que era.

Talvez eu estivesse preocupada demais com detalhes.

Me levantei enrolada no cobertor sentindo o chão gélido me fazer arrepiar, fora do quarto pude ouvir o esfregar forte vindo do outro cômodo. Com um macacão já completamente sujo, mascara no rosto e até mesmo luvas, como a tinta estava fresca foi tirando o que dava da parece com o que julguei ser água e sabão junto a uma escova, mas tinha um cheiro tão forte que logo percebi que não era bem isso.

— Está animado... —Murmurei e só assim ele parou para olhar na porta, com o cheiro forte de tinta e daquela coisa tive que subir a coberta até o nariz.

— Ah! Eu te acordei? Melhor não ficar aqui vai te dar dor de cabeça, ou pior, volte para a cama... —Disse descendo a mascara até o queixo, mas ao invés de obedecer entrei no quarto tomando cuidado para não pisar descalça na tinta.

— Perdi o sono... —Olhei para a parede vendo o enorme borrão preto, azul e vermelho em cima da antiga paisagem que ele tinha pintado. —...Estava pensando, sabe?! A gente se apega tanto ao passado que as coisas mudam e nem percebemos, daí quando abrimos os olhos levamos um susto nos perguntando como chegamos até ali do nada... —Me fitou confuso.

— Eu-eu acho que é um mecanismo de defesa, não? —Neguei.

— Se apegar ao passado para evitar erros futuros? Não, acho que o passado é como olhar suas pinturas Vincent, vale a pena vê-las de vez em quando, mas querer viver dentro delas e se frustrar é perda de tempo.—Tossi um pouco, mas logo fiz sinal para ele de que não ia sair quando se aproximou. —Eu... Eu sempre estive tentando recuperar coisas que se perderam a muito tempo atrás, como a época feliz quando meu pai estava vivo...—Acho que ele não estava entendendo por que estava falando aquilo. —...Mas não tenho me preocupado com essas coisas aqui... Então eu estive pensando...

— Você... —Me interrompeu. —...Você pensa demais. —Sorri largo concordando.

— Eu tenho, afinal Sr.Augustini não nasci numa família rica com a qual não preciso me preocupar se as coisas vão dar certas ou erradas... —Suspirei. —...Veja, se as coisas dão erradas para você Vincent, o máximo que te acontece é levar uma bronca, se eu erro vou para o olho da rua e na minha pouca qualificação só Deus sabe onde vou parar. — Ele encarou o chão pensativo depois me fitou sem conseguir bem manter os olhos fixos nos meus.

— Eu-eu conversei com meu irmão... —Abaixou colocando os objetos no chão. —...Sobre-sobre a Sasha...—Arregalei os olhos atenta.

— É mesmo, contou a ele sobre eu e você também? —Negou e logo então afirmou.

— Em-em parte... —Engoliu em seco. —...Bom-bom, eu disse a ele para pensar em outro jeito de ajudar ela, disse que estava fora e que não vou mais tolerar ficar nessa situação, eu-eu... —Não pude evitar de rir.

— Vindo de você parece mentira...

— Mas não é! —Deu um passo a frente me interrompendo. —Eu realmente disse! E aliás ele me falou que vai encontrar um meio... —Acenei com a cabeça.

— Mas ela não vai topar e o que vai fazer? —Coçou a cabeça engolindo seco. —Não importa o que vai me responder Vincent, desde que você saiba e esteja ciente do que vai acontecer se continuar com isso... —Afirmou. —...Eu sei que... Eu comecei tudo isso de uma maneira muito errada, mas não quero sujar meus sentimentos por você com mais esse erro... —Dei uma olhada em volta pensando... É culpa minha também de certa forma.

Pedi emprestado uma daqueles macacões junto a uma mascara e as cinco da madrugada lá estávamos nós dois limpando as paredes e o chão todo borrado. Sinceramente falando, eu me senti um tanto aliviada enquanto fazia aquilo, como se estivesse limpando uma mancha em tudo que se passou e acho que esse sentimento era mutuo.

Demoramos um bom tempo para reverter o estrago do quarto e mesmo depois de todo o trabalho ainda não ficou 100%. Na verdade ficou com um ar bem sombrio ali.

Foi um dia inteiro de reparos e quando a noite chegou era como se não tivesse mais nada com o que se desculpar.

Ainda sim eu resolvi abri o jogo, contar desde o inicio sobre o Edgar e eu, embora no final da história ele me pareceu mais desconfiado do que aliviado. Ele estava deitado sobre mim com os olhos abertos, a respiração leve e com a mente aérea para variar.

Uma pergunta pousou na minha cabeça e não quis mais sair... Quando exatamente ele desenvolveu essa fobia? Deve ter um motivo. Geralmente quem tem fobia de algo é por que sofreu algum trauma ou algo do gênero e ele nunca chegou a falar sobre isso comigo.

E se eu quero ajudar a sair mais eu precisaria entende-lo mais. Afinal, Vincent é um homem grande e forte, meio preguiço e infantil, mas ainda sim sem muitos motivos para ter medo de qualquer pessoa que seja. As vezes é até arrogante. Eu tinha que perguntar.

— Quando começou? — Ele demorou um pouco a entender minha pergunta, se remexeu em cima de mim e num suspiro se aconchegou em meus ombros num beijo instalado.

— Eu sempre fui mais fechado... Mas piorou quando entrei na escola. — Respondeu suave me apertando num abraço.

— Te infernizavam por ser nudista? — Concordou com um leve aceno. — Foi quando teve as primeiras crises?

— Meu irmão normalmente me protegia, até que um dia... — Ele parou subitamente de falar como se só agora tivesse plena consciência do que estava contando. Me virei de frente para ele que não soltou o enlaço e ficou com aquele olhar inquieto quando está nervoso.

— Até que um dia...? — Tragou saliva balançando a cabeça de forma negativa.

— Não-não quero falar disso... — Gaguejou não sei por que, vergonha não era por que logo em seguida levou a boca no meio seio me fazendo ter um tremelique. Se ele está querendo me fazer esquecer essa conversa, está conseguindo com êxito!

— Vincent! — Tentei puxar ele pelos cabelos e o que encontrei naquele rosto foi um sorriso jovial.

— Por que alguém como você gosta de mim? — Acho que ele nem percebeu que tinha perguntado isso em voz alta, tanto que até fiquei surpresa e sorri largo.

— Acho que foram seus defeitos, eles me predem... — Contei penteando aquelas mexas escuras e voltando minhas mãos para seu rosto.

— Amo você Abby, amo você como gosto de beber água quando estou com cede... — Eu não consegui evitar de gargalhar nesse instante. Que comparação nada romântica!

— Sou uma necessidade básica então? — Perguntei entre um riso e outro. Voltou a deitar a cabeça sobre mim acenando que sim.

— A mais agradável delas. — Dei um tapa nas costas dele enquanto ria.

[...]

Então eu precisava de um plano. Um plano bem elaborado de como fazer tudo isso dar certo, por que apesar de termos nos entendido e ele ter me dito que conversou com o irmão isso ainda não resolve a questão — fora eu ainda me sentir mal com a ideia de acabar com um noivado de sete anos.

E ainda tem a fobia dele, ahhh mais eu vou tirar esse medo dele, aos poucos, pode até demorar, mas vou.

Sorri largo e forçadamente para as duas na cantina do trabalho, seus olhares fulminantes para mim quase fez eu me arrepender até de ter nascido.

— ‘Eu volto, eu juro!’ — Me imitou Vic e eu me encolhi. — Você cedeu! — Abria boca para falar e não saiu nada coerente que negasse isso.

— A gente se entendeu, é diferente. — Rebati com o indicador levantado. Milena cruzou os braços negando.

— Ahh Abby, você é uma mulher bonita, saudável e sem problemas psicológicos, não tem por que se deixar levar pelo louco do seu chefe! Viu que ele nem se matou? — Mordi os lábios me encolhendo mais ainda.

— Eu-eu gosto dele... — Confessei baixinho enquanto batia um indicador no outro. Elas se olharam como se eu tivesse dito que matei alguém.

— Você gosta? Ele é doido! E mais, é comprometido! — Suspirei longamente ao ouvir isso... Eu sei que é verdade, mas aí aí...

— Gente... Calma, não é tão ruim quanto possa parecer, ele até concordou com sair mais vezes e me deixar ajuda-lo... — Ainda sim nenhuma delas estava de acordo.

— Abby... Será que não consegue ver que está presa nessa situação? Qualquer chantagem que ele fizer com você vai ceder de agora para frente, por culpa, ou sei lá! — Falou Vic bem séria. — Você é um coelhinho na mão dele, eu nem conheço o seu chefe para perceber que ele é manipulador! — Fechei a cara negando.

— Vincent? Não! Ele é meio mimado, verdade, mas manipulador? E não é assim como estão pensando, ele é um cara legal tu...

— Vocês não pertencem ao mesmo mundo Abby! Olha, eu já ouvi essa história antes, a secretária que pede ao chefe para terminar o relacionamento antigo e ele só enrola ela... — Apontei o dedo para Milena na mesma hora.

— Não é bem assim!

— É sim! Acorda amiga, o que ele faz toda vez que toda nesse assunto? Enrola, usa o ‘probleminha’ dele para te fazer esperar mais ainda e quando você ameaça deixa-lo, ele vai e usa de novo para te convencer a ficar... — Eu cruzei os braços um pouco assustada com o que a Vic disse. Fitei o chão negando, não era assim... Era?

— Ele não vai mudar Abigail, o que ele vai fazer é te convencer a deixar as coisas serem exatamente do jeito que ele quer... — Falou Milena num tom suave, um pouco tarde, já estou paranoica.

— Ele disse que me ama... — Sussurrei confusa.

— Supondo que seja verdade... — Encarei Vic séria. — ...Por que ele te coloca numa situação tão delicada assim? Ele é seu chefe Abby, a reputação que ele vai receber é bem diferente da sua e tem mais, quando o pai dele descobrir consegue imaginar o que vai aparecer na sua carteira de trabalho? — Suspirei longamente.

— O Vincent não é malvado... Ele não pensa desse jeito... — Comentei as duas.

— Então ele é muito egoísta, não está nem aí para o que acontece com você fora da casa dele ou do escritório... — Milena apontou para Vic e ela. — ...Nós sim, você é nossa amiga Abby, a última coisa que queremos é te ver sendo mal falada pelos corredores, ISSO se um dia ele for mesmo assumir o relacionamento de vocês, por que eu mesma não acho que ele vai contrariar a família inteira sabendo do desgaste só para dizer que está com você, sendo que não precisa, você já está a disposição dele... — Poxa meninas, se queriam me fazer chorar e me sentir horrível conseguiram! Mordi o lábio inferior segurando a ardência dos olhos.

— Eu vou resolver isso definitivamente. — Falei me levantando da cadeira.

Parece uma montanha russa, de repente estou lá cima e no outro estou lá em baixo. Não quero acreditar que o Vincent vai me fazer esperar tanto tempo, mas... Eu não encontro motivos suficientes para ele ter pressa, afinal tudo está cômodo na cabeça dele.

Quando será que isso vai ter fim?

Entrei na sala dele o vendo curvado na mesa fazendo seus típicos desenhos, assim que colocou os olhos em mim se encolheu. Deve ter sido minha seriedade.

— O que foi? — Umedeci os lábios negando.

— Eu vou pedir minha demissão. — Assim que eu disse isso seus olhos arregalaram e ele ficou horrorizado.

— Não! Por-por quê? — Franzi o cenho.

— Eu não vou ser sua secretária e amante ao mesmo tempo, ou terminamos ou eu fico com o trabalho... — Isso o fez suspirar se jogando na cadeira.

— E agora essa?! Abigail eu achei que a gente tinha se entendido?! — Concordei levemente.

— Nos entendemos, só que, se você for mesmo o meu namorado nada mais lógico que eu sair desse cargo...— Ele girou os olhos.

— Ninguém tem que saber... — Movi o maxilar levado.

— Você não se importa, não é? Se vão falar mal de mim, se esse relacionamento ficar em banho-maria o resto da vida... — Ele fechou os olhos respirando fundo.

— Eu-eu não-não sei onde quer chegar... — Suspirei negando.

— Nada... — Ia saindo da sala quando ele correu até mim.

— Es-espera... — Falou tirando o celular do bolso e discando um número o que fez meu coração disparar. — ...Marco, você já... O quê? — Fez uma longa pausa. — Quando? — Pisquei confusa como semblante assustado dele. Ficou um bom tempo só ouvindo. — Não pode estar falando sério... — Balancei as mãos querendo saber e ele pediu um segundo enquanto ouvia a voz do outro lado. — Hein? — Me fitou sério, engoliu em seco e afirmou. — É verdade... — Caralho! O que está acontecendo? — ...O que você quer que eu diga? — Negou com a cabeça. — Pena? Eu não! Até por que ela me humilha também, então que aguente! — Ah estão falando da Sasha, certeza. — Quando? Ele está zangado? — Engoliu em seco nervoso. — Eu tenho escolha? Ok. Também te amo... — E desligou.

— O que aconteceu!? — Perguntei imediatamente, ele deu um longo suspiro.

— O irmão da Sasha ouviu minha conversa com meu irmão sobre eu ter alguém querer terminar o noivado, contou a Sasha e ela contou para o meu pai que foi tirar satisfação com o Marco... — Que telefone sem fio é esse!

— E aí? — Questionei.

— Meu pai perguntou quem era, Marco não sabia e a Sasha acusou... Você... — Abri boca perplexa, abaixei o rosto sem saber o que fazer.

— E agora? — Mexeu os ombros sem resposta.

— Eu não sei, se eu conheço meu pai ele vai usar isso contra mim... — Engoli em seco sem graça.

— Quer que eu negue? — Piscou confuso sem resposta. Então me deu um abraço num suspiro longo.

— Quero que não me abandone.

[...]

Eu queria que tudo se resolvesse de uma única vez. Bom, meu desejo foi realizado, apesar do sentimento que me tomava cheio de vergonha e assustado. Eu me sentia o próprio Vincent, embora ele mesmo não parecia tão nervoso quanto eu.

Estávamos ali, diante o poderoso chefão a nossa frente, sentados no banco dos réus enquanto o Marco e Alexandra assistia o julgamento final.

Não era bem assim que eu esperava que as coisas se acertassem.

Notas finais
In your world já está completo e eu vou postar tudinho essa semana mesmo. (só se me lotarem de trabalho aqui no serviço, aí não vai dá, pq eu uso a internet do meu work, lá na terra do nunca onde eu moro não existe internet ainda ¬¬). O proximo é lá para o 12:00, sabe, para vocês lerem, refletirem, quem sabe comentar, não é? kkkkk Agradeço a todas desde já!