In Your World
17 Capitulo Dezessete
Notas iniciais
Capitulo Dezessete
O jantar não podia ser mais a cara do meu adorado sociofobico, pizza de quatro queijos, por que faz um belo tempo que não faz compras para aqui e não tem muito o que fazer. Ainda sim, comemos como se fosse um banquete extremamente romântico e no fundo eu estava feliz por estar ali novamente sentindo aquele cheiro de tinta que nunca ia embora.
Aqueles olhos azuis brilhantes no meu rumo, aquele sorriso escondido envergonhado e os longos suspiros aliviados sempre que ria contente...
— Eu senti sua falta, eu senti MUITO sua falta. — Confessei entre risos. Ele pigarreou sem jeito.
— Eu-eu também. — Retrucou abaixando o rosto tímido. Dei outra risada lembrando de algo nada inocente que não consegui segurar na boca.
— Será que vou ter que dormir com você de novo para não ficar tão nervoso perto de mim? — Não sei como não fui morder ele quando vi aquelas bochechas ficarem rubras.
— Acho-acho que po-pode ajudar... — Respondeu e eu gargalhei alto. Por debaixo da mesa enrosquei minha perna na dele o fazendo levar um breve susto.
— Resolveremos isso de uma vez então... — Ahhh ele sorriu malicioso, já é um avanço! — ...Mas vou cuidar de você primeiro. — Franziu a testa confuso.
Eu acho que é isso pai, não tenho solução, deve estar incrustrado na minha alma ou algo do tipo, por que eu sai daqui para viver minha vida e deixar de ser babá do Vincent e aqui estou eu novamente cuidando dele. Não aprendi absolutamente nada com o que passei com a mamãe e a Su, tentei cuidar delas o máximo que pude e ganhei um tapa na cara e ainda fui tachada de careta.
A parte boa é que pelo menos o Vincent sabe ser grato... Ahh isso ele sabe muito bem.
Na verdade, eu tenho para mim que ele estava chorando quando comecei a fazer sua barba, embora tenha insistido que foi a espuma que foi em seus olhos. Não contestei, porém aquilo fez meu peito bater mais forte e cuidar dele com mais carinho ainda.
É que vê-lo todo machucado, usando essas roupas desleixadas que vestia quando a gente se conheceu e sem qualquer vaidade com ele mesmo me dava um impulso fora do normal para mudar isso e ele gostava, então fiquei mais entusiasmada do que nunca.
— Ele não me disse nada... — Comentou depois que contei que o velho tinha ido atrás de mim.
— Pois é, você perdeu a briga, mas acho que tocou nele... — Ou não, aquele velho ainda é sinistro para mim, olhando para o Vincent melhor sem camisa ele estava cheio de hematoma, ele espancou o próprio filho.
— Figurativamente, não consegui acertar um soco direito nele... — Resmungou raivoso e eu ri.
— Teria coragem de fazer o mesmo com ele? — Acenou logo que sim confiante.
— E o feito implorar desculpas pelo que disse... — Retrucou rangendo os dentes. O abracei pelas costas rindo.
— Que família mais sanguinária... — Beijei sua bochecha agora lisa, limpa e com um cheiro de espuma de barbear que eu adoro. Ele se encolheu um pouco tímido... Calma, agora resolvemos isso. — ...Eu disse ao seu pai que não faria acordo nenhum com ele, que meu assunto é unicamente com você. — O apertei colando meu rosto com o seu. — Ele... Me contou sobre o colégio... — Vincent enrijeceu o corpo e nem se quer precisei olhar nele para saber que estava surpreso e contrariado.
— Co-contou? — Andei até frente a ele afirmando.
— Sim... E foi bom eu saber, por que acho que entendo a razão de não querer sair e se expor ou sua fobia ao se aproximar das pessoas... — Ele suspirou pesado abaixando o rosto.
— Não e-era assim... — Tomou ar enchendo os pulmões e soltando lentamente. — ...Antes eu-eu não gostava de sair, mas eu conseguia sem problemas, ia para o colégio, conversava com as pessoas se fosse necessário e apesar de todas as brincadeiras de mau gosto e ofensas ou mesmo o preconceito com a minha família...Eu conseguia ignorar e agir naturalmente... — Puxou os cabelos para trás com o semblante sofrido. — ...Só-só que... Depois... Agora... É difícil Abby, é como voltar no tempo varias e varias vezes num dia só, é como ir parar lá, é como se cada pessoa que se aproximasse fosse uma das que estavam lá... Daí aparece os efeitos colaterais... As rizadas voltam, as vaias, os gritos, os xingamentos... E tudo para bem ali, no exato momento em que eu não consigo me mexer amarrado... Então não dá para pensar em nada além de tentar fugir e se eu não fujo... Meu estomago embrulha ou eu fico tonto e desmaio... — Explicou. Engoli em seco imaginando o quão terrível isso deve ser, de repente você volta a toda hora para o pior momento da as vida, deve ser angustiante.
— É seu mecanismo de defesa... — Pensei algo ao lembrar das incontáveis vezes que tentou fugir de algo.
— Foi o que os psicólogos disseram, de qualquer modo, nada muda... — Grudei minha testa com a dele o obrigando a me olhar nos olhos.
— Meu adorável pessimista... A gente vai conseguir, devagar, aos poucos, mas vai conseguir. — Sussurrei e ele sorriu segurando meu rosto e puxando levemente até nos beijarmos.
E foi com um singelo e carinhoso beijo que tudo começou de novo.
Me sentei em seu colo enlaçando seu pescoço num abraço apertado, enquanto ele desceu as mãos para minha cintura. Passei meus dedos por entre seus cabelos negros e o puxei para trás encerrando o beijo contra a vontade dele... Eu ainda não terminei de cuidar de você, querido.
— Que tal um banho...? — Alisou minhas costas por dentro da blusa e sorrindo.
— Só se vier comigo. — Respondeu me fazendo rir concordando.
Com as mãos já dentro da minha blusa ergui os braços permitindo que ele mesmo as tirasse, lentamente suspendeu o tecido até estar fora de mim. Vincent deu um longo suspiro jogando minha roupa no chão retornando as mãos para minhas costas desfazendo o feixe do meu sutiã e o retirando também, meu rosto evidentemente estava vermelho como um pimentão apesar do sorriso predominante na minha cara — se bem que, até parece que ele nunca me viu sem nada.
E toda aquela quietude sedutora me deixou impaciente, avancei sobre ele num beijo ardente sem me esquentar se ele ia ou não dar um pire-paque, da última vez não deu. As mãos subiram para meus seios e não deu para conter um gemido, caramba fazia um tempo que eu não tinha esse tipo de contato, mas não esperava estar tão sensível ao toque.
Levantei sem separar o beijo, o puxei pelos ombros ficando frente a mim em pé, não dá para tomar banho de roupa. Alisei seu abdômen até chegar no nó do pijama o desfazendo o puxando para baixo. Os hábitos peculiares do meu ex-chefe eram tão oportunos nesses momentos que não havia mais nada para eu precisar tirar, com as pernas ele chutou a roupa para um canto. E ao olhar para baixo não sei com o que me impressionava mais, com a rapidez dele ou ele ter hematomas até mesmo nas pernas.
— Estavam tentando se matar...? — Eu tive que perguntar e ele abriu o olhos meio zonzo confuso com a pergunta.
— Você... Está o quê? — Dei uma gargalhada negando. Melhor deixa qualquer outro assunto para discutir depois.
A torneira da banheira foi aberta e esperando ela encher ficamos ali. Ele escorado na parede com as mãos deslizando para cima e para baixo explorando minhas curvas me fazendo soltar ruídos involuntários e me questionar como aguentei ficar tanto tempo longe dele. Nas acaricias que trocávamos depositei um beijo estalado em cada hematoma que encontrava nele, a cada beijo ele faltava pouco ronronar como um gato sendo mimado.
Eu sei, devia ordenar que ele fizesse todas minhas vontades depois do que se passou, porém não dá, eu não aguento ver meu doido predileto assim e ainda ser má. Sem contar que eu já estava para lá de satisfeita só de estar ali, o tendo como bem queria e dessa vez sem peso na consciência.
Ele começou a arfar inquieto quando minhas mãos o dominaram sem o menor esforço, fechou os olhos levando a cabeça para trás até encostar na parede mordendo os lábios com força se reprimindo. Um sorriso brotou dos meus lábios quando comecei a mover as mãos ouvindo seus suspiros...
— Vincent... — Sussurrei contra o seu ouvido sem parar agitar as mãos na parte sensível dele. Abriu os olhos inflando o peito com os sons entalados na garganta. — ...O que eu vou fazer com você...? — Com um brilho cintilante no olhar segurou meu rosto levando até milímetros dos lábios.
— Qualquer coisa... — Sorri torto. Encerrei o curto espaço entre nós o beijando. Depois me separei bruscamente apontando travessa para a banheira ao nosso lado que transbordaria ao entramos.
Pronto. Quando ele entrou minha mente atingiu o ápice da luxuria, quero dizer, antes fazíamos isso tanto que foi como um deja vu, uma visão muito agradável das ‘besteirinhas’ que fiz com ele ali. Entrei já indo até o Vincent quando abriu os braços acenando. Por dentro da água alisei suas pernas até estar diante dele já sentada sobre seu colo sentindo uma certa rigidez provando a saudade notória que sentia de mim.
Sorri me aproximando o máximo que podia.
Eu o beijei acariciando seus cabelos, tendo leves arrepios com suas mãos molhadas buscando um jeito de me enlouquecer — está quase conseguindo — da boca eu migrei para o queixo, seguindo para o pescoço o fazendo arfar sem folego.
Vincent era do tipo de pessoa que cada toque mexia profundamente com ele, o deixava indefeso e com aquele olhar de desistência e desejo de quem realmente faria qualquer coisa para eu continuar. Por outro lado também tinha a alma de um artista que precisava apreciar e tocar para estudar cada detalhe que estava diante ele.
Eu beijei cada linha do seu corpo, em retorno ele devolvia acaricias firmes por todo lado, até chegar um ponto que não suportei levando um agradável susto ao sentir aquela mão posicionar em baixo de mim com os dedos brincando com a minha sensibilidade.
Estremeci por completa quando deixou de brincar e deslizou dois dedos para dentro de mim num vai e vem que faltava me deixar sem ar e me fazer soltar sons involuntários. Se cessar me beijou cheio de ansiedade com a língua tocando a minha esfomeada sem muito controle. Agora o Vincent corajoso tinha despertado, querendo dominar a situação sem conseguir dominar o próprio instinto, tudo bem, eu já tinha passado por isso e particularmente estava a espera de sentir essa sensação de que me queria na mesma proporção que eu o queria.
Choraminguei quando os dedos saíram bruscamente, estava tão bom, mas ele não deu importância fazendo as coisas do seu jeito — e o papo de ‘qualquer coisa’. Me fez sentar no outro canto da banheira inquieto e quase tive um treco quando mergulhou ali dentro da água.
Eu ia protestar, dizer que não precisava de tanto e até chamar ele de doido, só que as palavras ficaram entaladas na minha garganta e tudo que saiu foi ‘ohhh’. As mãos dele abriram minhas pernas e ganhei um belo de um beijo de língua lá em baixo que me fez ter um espasmo cheio de tremeliques.
Fechei os olhos jogando a cabeça para trás com o corpo mole sentindo o beijo intenso que acontecia... Ele saiu de lá de dentro ofegando — uma pena você não ser o Aquaman — e com um sorriso nos lábios de quem tinha conseguido o que queria. Respirou fundo e eu já me preparei apertando as bordas da banheira quando mergulhou de novo... Maldita hora que escolhi a banheira para um momento desses, se fosse na cama eu não ia ter que esperar ele respirar!
Mas aquela tortura precisava de um fim.
Assim que ele tornou a colocar a cabeça para fora o empurrei de uma vez para o outro lado da banheira me colocando em cima dele. Me ajeitei ali ouvindo ele soltar um gemido abafado junto comigo.
Colocou as mãos na minha cintura descendo até as curvas dos meus quadris e me movimentei de inicio lentamente adorando ouvir ele arfar com dificuldade.
— Você... Vai fazer aquilo de novo quando sairmos daqui, não é? — Pedi em tom de suplica enquanto sentia meu corpo quase que ir e vir sozinho de tanto libido. Ele me olhou cheio de lascívia concordando.
— Ne-nem sei do está-está falando, mas-mas sim... Com certeza sim... — Soltei um risinho o beijando sem parar de me mexer.
— Eu não... — Oh minha nossa por que eu não calo boca se é tão difícil conversar? — ...Sei... Como aguentei ficar tanto tempo longe... De você... — Falei entre gemidos por que sou uma tapada que está numa situação dessa e quer dialogar.
Vincent não daria conta de dizer nada, mal estava conseguindo se segurar mais o que dizer de raciocinar, juntar silabas, palavras, frases e responder algo coerente.
[...]
Olhei minhas mãos que já estavam enrugadas pela água, o homem atrás de mim me apertava forte contra ele com um sorriso tranquilo no rosto e eu não podia evitar de sorrir contente também. Me aconcheguei no colo dele olhando aquelas paredes pintadas com meu coração bombeando mais rápido que o normal.
— A água já está fria, vamos sair? — Disse depois de algum tempo refletindo sobre como era bom estar ali de novo. É perfeitamente compreensível a razão de ter sido tão difícil me desvincular desse lugar... Eu amava cada canto dali.
— Hum... Eu já mencionei os benefícios de se dormir sem roupa? — Arregalei os olhos girando o rosto no rumo dele. Depois gargalhei alto fazendo que sim.
— Acho que me lembro dessa nossa conversa, está querendo me arrastar para o mundo do nudismo senhor Augustini. — Ele soltou um risinho.
— Só aqui em casa, é claro. — Me apertou mais ainda.
— Só com você também eu suponho... — Mordeu os lábios pensando.
— Se estivermos numa área nudista, tudo bem, agora na frente pessoas vestidas não.
— Ah claro, não é? Se você não me dissesse amor eu jamais saberia... — Brinquei o fazendo rir do sarcasmo.
— Ah. — Se levantou me puxando junto com ele. — Quero te mostrar algo... — Pisquei os olhos surpresa, saí da banheira junto com ele. Vincent colocou uma toalha na cintura me dando seu roupão e me levou até aquele quartinho.
Aquele, que tinha pintado meu lugar favorito depois borrou toda a tintura e deu maior trabalho para tirar o excesso. Ao abrir a porta eu fiquei boquiaberta, eu sei que ele disse que com trabalho duro dava para consertar, só que não achei realmente que fosse possível.
E eu quase chorei ao ver a pintura atual... Era uma enorme lua. Me abraçou por trás com o corpo gelado.
— Ainda não terminei... Mas o mais importante está aí... — Girei o rosto de leve.
— É uma das suas frases de efeito? — Ele riu no meu ouvido me dando um beijo na bochecha.
— Está preparada para ouvir um monte delas? Por que você não vai dormir até ter ouvido todas elas... — Sorri largo me virando para ele.
— Não é que o sexo curou mesmo a sua gagueira! — Ficou envergonhado ao se dar conta que até agora não tinha mesmo gaguejado uma única vez.
— Só com você... — Murmurou cabisbaixo. O puxei pela mão para fora dali, o cheiro de tinta estava forte.
É, ele não estava brincando quando falou que seria muitas e que não me deixaria dormir até ouvir todas. Mas sinceramente a que mais gostei foi da última.
— Eu te amo Abigail...
Sim, eu adorei ouvir isso no escurinho da noite sendo abraçada, mas só quero ver se esse amor vai aguentar a prova de amanhã.
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