In Vein

6 Novo híbrido


A chegada de Peter e Hook à Hamelin só devastou a cidade inteira. O que antes eram só "Seres humanos nojentos" virou morada de vampiros, flautistas, personagens de contos de fadas , pessoas com sonhos roubados... E de, futuramente, bruxas. Mas agora, Peter é um dos vampiros. Não um vampiro qualquer, um imortal que virou vampiro logo depois.

Peter acorda perguntando o que houve com um tom meio que desesperado, e ele repetia essa frase, e repetia, e repetia... Até o Hook segurar nos braços dele e gritar que o Klaus transformou ele em vampiro. Hook o abraça e o Peter tenta não chorar.

– Você tem que completar a transição. Tem que tomar sangue humano, ou vai morrer... — Falou Hook calmo após saírem do abraço.

– Eu sou imortal, não é uma transiçãozinha que vai me matar. — Disse Peter olhando profundamente nos olhos de Hook.

– Sim, você é imortal. Mas todo imortal tem uma brecha para morrer. Vampiros originais morrem com a árvore do carvalho branco. Vampiros normais com estaca de madeira no coração, ou a cabeça arrancada. Se você também pode morrer, então não podemos arriscar. Vem, bebe meu sangue — Falou Hook mostrando seu pulso à Peter.

Peter não morde o pulso do Hook, não fala nada, não se move... Hook entende que ele quer ficar sozinho por um instante e respeita.

– Vou descer para jantar, se quiser vir... — Disse Hook ao se levantar da cama.

Peter não responde e Hook sai do quarto, fecha a porta e desce para a sala de jantar. Peter se vê sozinho no quarto e joga na parede o abajur que estava perto de sua cama. Ele jogou com tanta raiva e força, que os cacos se repartiram em mil pedaços, e ao se repartirem, a paciência do Peter se repartiu também, e ele desabou, chorando. Mas um motivo para querer o Klaus morto.

– Wisky! Por favor. — Falou Hook se referindo ao garçom.

– Hoje é o dia especial do vegetariano aqui no Plarge, o cardápio é novo. Se quiser, posso providenciar algo. Aliás... E seu amigo Pan? Não vai te acompanhar? — Falou o garçom.

– O Pan tem seus probleminhas... Não gosto de vegetais, não tem carne não? — Disse Hook.

– Eu quero a melhor comida de coelho que vocês tem, por favor — Wendy falou para o garçom, ao sentar na mesa com o Hook.

– Sim senhora! — respondeu o garçom.

– Ora, ora. Se não é a Flautista Torturadora Roubadora de Sonhos — Falou Hook sorrindo ironicamente.

– Cadê o viadinho do Peter? Não era colado com você? — Disse Wendy.

– Não é da sua conta! — Disse Hook.

– Ai que mau educado você hein! É por isso que te amo. — Disse Wendy antes do garçom chegar com a bebida e a "Comida de Coelho".

– Eu fico com a bebida. Você com a comida de coelho. Tchau, gatão! — Disse Wendy ao tomar a garrafa de Wisky e sair da mesa.

Hook revira os olhos. Wendy sobe para o quarto de Hook e Peter sem ser percebida, abre a porta olhando em volta e avista o Peter na varanda, olhando para lugar nenhum e pensando.

– Oi! Vim em oferta paz... Bebida? — Fala Wendy oferecendo Wisky ao Peter de longe.

– Vai embora! — Fala Peter meio triste sem olhar para ela.

– Sabe... Queria me desculpar pelo que fiz. Eu só queria pegar a Caixa de Pandora. Eu sabia dos seus planos... — Disse Wendy chegando mais perto da varanda — E ai?

– Sabe o que eu quero agora? Te matar. Matar bem matado. Matar você e o Klaus — Disse Peter se virando para Wendy.

– Espera ai! Ouvi bem? Klaus? O que ele te fez? — Perguntou Wendy.

– O que acontece se um já imortal vira vampiro?

– Vampiro? Oi? Você... Ai meu Deus! Você já bebeu sangue humano? Já completou a transição?

– Você faz muitas perguntas!

– Não completou, não é? Own, que pena! Seria legal ver o Peter Pan vampirinho... Sabe de uma coisa mais legal ainda? — Fala Wendy ao morder seu pulso até sangrar e forçar o Peter a engolir.

Peter tenta empurra-la, mas ele não fez. Ele adorou o sangue. O sangue já estava no seu organismo. A transição estava completa.

– O que me impede de te matar agora? — Falou Peter ao tirar suas presas do pulso de Wendy.

– Só eu sei onde está a Caixa de Pandora. Não pode me matar, ou me hipnotizar, consumo verbena, adoro! — Falou Wendy sorrindo. — Agora, minha linda missão foi completa, tchau lindão!

Peter quase fica louco. Quem não ficaria? Vamos relembrar... Os pais dele morrem, o assassino deles aparece... O mesmo o transforma em vampiro... Wendy completa a transição... Wendy os tortura num porão... A caixa de Pandora é roubada... A vida do Peter sem mim é um completo desastre.

Hook deixa o dinheiro na mesa e sobe ao encontro do Peter. Ele entra no quarto.

– A unica coisa que escuto agora. É seu coração bater. Eu não sei se o que sinto é ódio ou tristeza. — Fala Peter ao sentir a presença do Hook no quarto.

Hook se aproxima da varanda, e fica perto do Peter, olhando a vista.

– Você completou a transição? — Disse Hook.

– Wendy fez isso por mim. — Falou Peter.

– Eu a vi na sala de jantar, achei que ela tinha ido embora...

– Sabe o que eu quero fazer agora? Quero matar o Klaus e todos os seus seguidores nojentos e aquela vadia da Wendy!

Hook segura a mão do Peter pedindo para ele ter calma.

– Não deixe o ódio te consumir. A vingança não é satisfatória, acredite, só vai colocar um um vazio maior ainda dentro de você... — Fala Hook, e o abraça.

Peter não teve reação no começo. Mas um abraço da pessoa que você ama, é como tomar a cura para um câncer. Toda a raiva e tristeza que ele sentiu, foi transformada em pó e substituída por amor. Então Peter o abraçou, e ficaram abraçados por alguns minutos.

– Precisamos recuperar a Caixa de Pandora que está com a Wendy, antes que o sol apareça... — Falou Peter ainda abraçado ao Hook com a cabeça deitada no ombro dele.

– Deixa que eu faço isso — Disse Hook

Peter sai do abraço. Peter queria fazer aquilo sozinho.

– Eu faço! Já disse — Falou Peter calmo.

Pan sai do quarto, desce as escadas e sai do Plarge, olha para a varanda e vê o Hook o observando. Ele continua andando e procura a casa da Wendy. Todas as casas de Hamelin, incluindo espaços públicos como, hospitais, restaurantes, lojas... pareciam todas as mesmas! Como Peter iria achar a casa da Wendy? Mas ele achou. Passou pela fonte central, entrou em uma rua só pela sua intuição e bateu em uma casa diferente de todas as outras na rua.

Wendy abre.

– Olha quem chegou! — Disse Wendy sorrindo.

Peter tenta entrar, mas não consegue, pois agora é um vampiro, e precisa ser convidado.

– E ai, não vai me convidar? Para tomar um chá, talvez... — Disse Peter serio.

– Awn, imagina... Claro que não! Acha mesmo que sou boba? A Caixa de Pandora não está aqui, não iria guardá-la em um lugar tão óbvio quanto a minha casa — Disse Wendy. — Vem, vamos dar uma voltinha.

Wendy sai de casa puxando o Peter para um parque em Hamelin. Era o dia do Vegetariano. O parque estava decorado, flores grandes e pequenas por todo lado, objetos decorados com "plantas" bufê com vegetais, crianças brincando na lama, um palco, e um show dos Hallows.

– O que você ta fazendo? Por que me trouxe aqui? — Questionou Peter.

– Não quer se divertir? Anda, escolhe um pescoço, tem tantos por aqui... Que tal... Aquele ali? — Ela apontou para um garoto que se distraia mandando mensagem no celular.

– Você pega aquele ali, e eu vou procurar um para mim — Completou Wendy

– Espera! Você é vampira? Então como completei a transição com seu sangue? — Disse Peter

– Simples! Eu era humana até essa parte dramática da sua vida. Quando voltei para casa, o Klaus estava me procurando, na verdade, procurando a Caixa de Pandora, ele me hipnotizou. Eu tava com verbena no sangue. Ele não achou a caixa... Então como vingança, me transformou em vampira. — Explicou Wendy

– Porque ele não te matou? Seria tão mais fácil! — Falou Peter.

– Anda viadinho, chupa o sangue daquele nerd logo! — Falou Wendy o empurrando

Enquanto os Hallows cantavam uma de suas músicas mais famosas — Going back to your heart — Wendy e Peter mordiam pescoços e se alimentavam a noite inteira. Ninguém percebia, hipnotizar e depois usar o próprio sangue de vampiro para curar a mordida, já ajudava muito.

Klaus aparece na festa e se aproxima dos Roubadores de Sonhos.

– Se divertindo loirinhos? Tenho uma forma de se divertir melhor ainda. — Diz Klaus antes de morder Peter e Wendy e infecciona-los com o veneno do lobo que mata vampiros.

– Mordida de híbrido? Sério? Se eu morrer não tem Caixa de Pandora mais, você sabe né? — Disse Wendy séria.

– Meu sangue cura. O sangue do híbrido original cura a mordida de lobo. É o seguinte: ou você diz onde está a caixa de Pandora, ou os dois morrem. — Diz Klaus segurando os dois pelo braço.

– Está enterrada na fonte central. Com um feitiço, não pode abrir se não tiver um bruxo. — Diz Wendy.

– Então vamos arrumar um... — Klaus olha para o Peter e vira a cabeça para o lado. — Interessante... Você me é familiar... Você é o Peter Pan, não é? O que eu transformei em vampiro? O que antes era... Christopher Archbald!!

– Ah! Então você lembra? — Disse Peter com raiva.

– Como poderia esquecer uma família de bruxos e um garoto órfão... BRUXO! — Falou Klaus sorrindo.

– Espera! O que você disse? — Falou Peter

– Bruxo! Você é descendente dos Archbald, uma geração de bruxos bem antiga. — Disse Klaus.

– Mas se ele era um bruxo... E imortal também... Quando virou vampiro, isso mudou, não é? — Falou Wendy.

– Não minha querida. Eu não transformei nenhum Archbald em vampiro por causa disto. Essa geração de bruxos e bruxas, foi a única exceção da natureza para a mistura de raças entre um bruxo e um vampiro. Os Archbald, são os únicos que podem ser bruxos e vampiros. Então... Caixa de Pandora, me aguarde — Disse Klaus.

Peter era, incrivelmente, especial. Ele era mais poderoso do que Klaus, inclusive. Mas Klaus sempre tinha tudo o que queria, com uma simples manipulação.