In The Line
13 Capítulo 13
Notas iniciais
– Consegue ouvir? – Perguntou Karofsky. O ex-jogador assim que ouviu o barulho dos carros que se aproximavam, abraçou o pescoço de Kurt com o braço esquerdo e colocou a arma na cabeça de Kurt. – É hora do show.
Blaine já estava com uma certa pressa descendo o barranco, mas assim que viu o marido com uma arma apontada na cabeça, praticamente rolou barranco abaixo. O moreno teria que dar um jeito de descer e parar em frente a Karofsky antes que os agentes chegassem, porque assim ninguém impediria o acerto de contas.
Quando o moreno chegou ao final do barranco, foi para o lado direito de trás do armazém. Blaine foi lentamente andando pela lateral da estrutura, até que pôde ter uma visão melhor do dois. Karofsky e Kurt estavam olhando para o outro lado, de onde surgiriam os agentes. Isso seria ótima oportunidade para ele chegar perto dos dois. O moreno até tentou ver algo dentro do carro, mas o mesmo era totalmente filmado, então não teria como ver se Andrew já tinha o visto ou não.
Blaine respirou fundo e retirou a arma de sua perna, preparando-a e apontando-a para frente. O moreno saiu de trás do armazém e começou a dar longos passos em direção a Karofsky e Kurt. Quando o moreno estava a três metros dos dois, eles perceberam a presença de Blaine, então focaram apenas em no agente.
– Oh, meu Deus! – Kurt automaticamente ficou com as pernas enfraquecidas e começou a chorar. Blaine não estava morto. Pelo contrário, estava mais do que vivo na sua frente. – Blaine.
– Cala a boca. – Era possível ver o ódio e a sensação de fracasso nos olhos de Karofsky. Sem contar o sentimento de ciúmes. Ele tampou a boca do castanho para que o nome de Blaine não fosse pronunciado ou algum som de choro. – O que você está fazendo aqui, Anderson? Achei que tinha me livrado de você quando foi afastado da CIA.
– Estou aqui para recuperar o que de mim foi tirado. – Blaine tinha a arma apontada para a testa de Karofsky, mas só cogitaria em algo, no último minuto. Por alguns instantes, ele tirou os olhos de Karofsky e sorriu para o marido. Kurt correspondeu com os olhos. – E você realmente achou que eu ficaria longe disso? Ter a alegria de te prender pela segunda vez ou até mesmo te matar de uma vez por todas.
Karofsky grunhiu para ele e antes que pudesse perguntar mais alguma coisa cinco carros da CIA estacionaram atrás de Blaine e fizeram um arco atrás do moreno. O primeiro que saltou do carro foi Mark, que apontou a arma para Karofsky e ficou ao lado de Blaine.
– O que você está fazendo aqui? Como conseguiu chegar at-
– Eu te disse milhares de vezes que para uma agencia de espionagem, aquele segurança não prestava e precisávamos de dois turnos. – Disse Blaine sem tirar os olhos de Karofsky. – E grampear um telefone não é tão difícil. – Confessou Blaine com um sorriso no rosto.
– Ah que ótimo. – Mark rolou os olhos. O loirou levou o momento a sério e começou a procurar o menino, que era praticamente seu sobrinho. – Onde está o And? – Questionou ele bem baixinho. Karofsky não parecia muito contente por estar de fora da conversa e tentava ao máximo ouvir a conversa.
– Dentro do carro. – Respondeu Blaine no mesmo tom de voz.
– Agente Banks, retire o menino d-
– Pai! – Andrew finalmente havia conseguido sair de dentro do carro e começou a correr em direção à Blaine.
– Para! – Gritou Karofsky antes de apertar o gatilho em direção ao menino.
Por um instante toda a pedra fica em silêncio. Ninguém conseguiu entender muito bem o que aconteceu. Blaine está prestes a atirar em Karofsky, quando o menino abriu os olhos. Andrew não está ferido e todos conseguem ver que o tiro foi disparado em direção ao chão. Andrew está paralisado no lugar.
– Filho, está tudo bem? – Questionou Blaine. O menino emitiu um som de concordância, provavelmente por estar apavorado. – Qual é o seu problema? – Gritou Blaine para David.
– Abandonado, venha até aqui lentamente. Se não eu vou me certificar que dessa vez o tiro vai ser certeiro. – Disse Karofsky. Blaine conseguiu ver Kurt rolar os olhos ao ouvir o apelido maldoso que Karofsky dera para ele.
O menino sem saber o que fazer, buscou os olhos de Blaine. O moreno pôde desviar o olhar de Karofsky, já que tinha Mark e outros agentes com armas apontadas para o maníaco. Blaine deu um olhar de coragem para o filho e concordou para ele.
Blaine não poderia fazer nada com uma arma apontada para a cabeça do seu filho, a não ser concordar com Karofsky. Lentamente Andrew se virou e foi caminhando até o ex-jogador, quando chegou perto, David agarrou o menino com toda sua brutalidade. Aquilo só ia enfurecendo Blaine cada vez mais. Karofsky também segurou o menino pelo pescoço e colocou a arma dentro da boca do menor.
Todos os que estavam em volta se surpreenderam com quão sangue frio David era em fazer aquilo com um menino. Era óbvio que Kurt e Blaine sabiam do que ele era capaz de fazer, já que eles viveram boa parte da adolescência com medo do menino que praticava bullying. Sem contar de quando chegaram a vida adulta e Karofsky descobriu que Kurt e Blaine ainda estavam juntos e casados. Mas era difícil encarar aquilo quando se tratava do filho deles. Kurt segurou a mão do menino em uma tentativa de acalma-lo.
Flashback
David havia invadido o novo apartamento de Kurt e Blaine. De um modo esquisito, depois de todos os anos, o jogador havia encontrado os dois e parecia que queria alguma coisa. O moreno estava há dez minutos respirando pesadamente enquanto encarava os corpos de Kurt e Blaine deitados na cama, cobertos com um lençol branco.
Depois de todos esses anos, Karofsky ainda não havia superado o fora que Kurt havia dado nele no dia dos namorados. O homem havia se enganado todos esses anos achando que aquela visita de Kurt à ele no hospital, no fundo havia significado alguma coisa. Achava que aquilo havia sido um pedido para que Karofsky esperasse por ele. Mas ele e Blaine ainda estavam juntos. E para o moreno, nada daquilo estava fazendo sentido.
– Hummel! – Chamou Karofsky. Kurt e Blaine abriram os olhos ainda sonolentos e procuraram de onde vinha o som. Quando perceberam que vinha do homem no final da cama, se sentaram rapidamente, se cobrindo com o lençol.
– Karofsky? Como você me encontrou? E-e como diabos você entrou aqui? – Dizia Kurt surpreso, olhando para a janela do quarto aberta. Ele culparia Blaine mais tarde por novamente deixar a janela aberta.
– Eu precisava ver se você ainda estava com ele. – Disse apontando para Blaine com uma arma. De momento os dois tomaram um susto imenso, mas ficaram menos tensos quando David abaixou a mão e consecutivamente a arma. – O que você acha que está fazendo, Kurt? – Questionou ele completamente perturbado.
– O que quer dizer? – Disse Kurt com as sobrancelhas juntas.
– Por que ainda está namorando Blaine? – Era notável a dor de David ao perguntar aquilo.
– E-eu estou casado com Blaine. – Nesse momento o moreno puxou o castanho para mais perto como forma de proteção e segurança. David deu uma leve e rápida risada e olhou para Kurt. Ele parecia realmente machucado.
– Você me prometeu. Você disse que ficaria comigo. – Agora a arma estava apontada para Kurt enquanto David balançava ela, com grandes chances de uma bala ser disparada de encontro a Kurt.
– O que? Kurt, do que você ele está falando? – Perguntou Blaine olhando para Kurt.
– E-eu não faço ideia. A última vez que falei com ele foi no... Droga.
– Ironia seria mandar vocês arrumarem um quarto. Porque vocês já arrumaram um e eu não gostaria dessa ideia. – Karofsky estava completamente insano. Ele tinha um olhar maníaco, o cabelo todo desengrenando e aparência de alguém que havia chorado por dias. Sem contar as roupas, parecia que ele estava com elas há uma semana.
– Karofsky, presta atenção. – Dizia Kurt se enrolando no lençol e ficando de pé ao lado da cama. – Naquele dia. No hospital. Você entendeu tudo errado. E-eu realmente quis ser seu amigo, apenas isso, mas por algum motivo você nunca mais falou comigo.
– Nós tínhamos um plano, Kurt. E você não cumpriu com o que combinamos! Agora eu pego você com ele. – Novamente Karofsky voltou a apontar a arma para Blaine. – Eu não sou estúpido. Naquele dia você me disse que seriamos amigos, mas eu vi no jeito que você me olhava. Você queria alguma coisa a mais. Então eu me afastei de você, para você terminar com ele e nós pudéssemos ficar juntos. Mas parece que só eu cumpri a minha parte no trato.
Ele estava mais do que alterado e aquilo estava assustando Kurt.
– Karofsky, eu te disse que estava com Blaine e o amava. Nada vai mudar isso. Você entendeu tudo isso errado. E-eu tenho uma família agora. – Kurt pensou se deveria dizer sobre seus planos futuros. – Eu estou quase conseguindo aprovação de adoção. Eu vou ser pai. – Sorriu Kurt para Karofsky.
– Você está mentido! – Foi quando o moreno disparou uma bala direto no estomago de Kurt, deixando o mesmo automaticamente inconsciente e sangrando por todo o lençol branco. – O que eu fiz? – Disse Karofsky depois de derrubar a arma e colar as mãos na cabeça. O homem começou a chorar e se pôs de joelhos no chão.
– Kurt! – Gritou Blaine saindo da cama semi nu e correndo para o chão. – Kurt, amor. Acorda. Kurt, por favor, não faz isso agora. – Blaine batia levemente no rosto de Kurt, mas o castanho não respondia. – Qual é o seu problema?! – Blaine berrava para Karofsky. – Quando é que você vai entender que ele não te quer? Ele não te quis naquela época, muito menos agora. Você é doente!
David escutou aquelas as palavras de Blaine sem saber o que responder. O moreno levantou do chão e foi para a janela, na qual tinha uma escada de emergência. Antes de fugir, ele deu uma última olhada para Kurt no chão, já com uma mancha enorme de sangue no lençol e finalmente correu escada abaixo.
Naquela noite, os vizinhos ouviram o barulho do tiro e chamaram a polícia e a emergia. Para sorte de todos que amavam Kurt, o castanho havia chegado em tempo no hospital. A polícia havia conseguido capturar David em um beco, quando estava indo para o endereço do casal. A única coisa trágica, foi que o casal acabou tendo sua autorização atrasada, já que colocaram a culpa no bairro, ao invés de contar que aquilo havia sido um ataque de ciúmes, e o classificaram como “perigoso para crianças”. Para que o casal pudesse adotar uma criança, eles teriam que se mudar, o que causou mais um adiamento na adoção, já que eles não recebiam tanto dinheiro para sustentar um filho e pagar as despesas da nova casa. A partir daquele dia, Blaine prometeu para si mesmo, que não importa o que acontecesse, Kurt sempre seria sua prioridade, não importaria as circunstancias.
Flashback
Blaine limpou de seu pensamento a pior noite da sua vida e voltou a atenção para suas prioridades. O moreno conseguia ver aquele mesmo olhar de pavor nos olhos de Kurt. Ele estava falhando com sua promessa. Isso precisava acabar.
– Karofsky, estamos todos aqui. – Gritou Blaine. – Fala logo o que você tanto quer?
O moreno mandou um sorriso para Blaine.
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