In The End Of Saturday
14 Part14: Entre mentes
Notas iniciais
É uma coisa bem chata e é por isso que eu, diferente de muita gente, ODEIO férias.
Por favor, espero que sejam pacientes e compreensivos.
Romancinho para a Lady Elliot ;), minha stalker querida!
Boa Leitura!
A mansão surgiu em seus olhos assim que atravessaram a grande volta. Seus olhos observaram a forma com que Dino ficava sorridente e já se inclinava sobre a janela do carro esporte apenas para ver os portões se abrindo. Ele devia estar com um pouco de saudade de seus subordinados-amigos.
Ainda que estivesse plenamente feliz em estar com Hibari no Japão, estar na Itália, onde era sua casa, não havia preço. Ele amava aquele lugar devido a tudo o que tinha vivido ali junto à sua Famiglia.
Sem que permitisse, uma cena de Dino cercado de homens, mais velhos, da mesma idade e mais novos, e também mulheres, incluindo a... Lira... Formou-se em sua mente. Hibari teve que juntar as sobrancelhas, seu lábio doendo com uma mordida. Um pequeno auto castigo se fazia necessário em momentos assim, e o fazia apenas para relembrar que não deveria se envolver dessa forma.
“Seria apostar muito alto?” Hibari fechou os olhos com a brisa que gelava sua face levemente. O lugar estava diante seus olhos. Para ele não tinha se passado nem um dia que tinha sido “derrotado”, a palavra o fazia franzir o cenho e se conformar, pensando somente na vingança. Mas para Dino parecia uma época a qual ele sentia saudades, o que podia ser considerado estranho.
-Vamos logo, Kyouya! Temos muita coisa pra fazer.
O moreno controlava seus sentidos para não se enraivecer ao passo que caminhavam pela escadaria e adentravam a casa. A temperatura naturalmente baixa não estava tão desfavorável, estando ao sol não sentia arrepios e dentro da mansão havia ar condicionado, como esperado.
O loiro alegremente cumprimentava todos que avistava, fato que seria um grande problema entre os dois, constando que Hibari odiava tantas pessoas amontoadas. Dino poderia ser menos importante, assim não teria que suportar essa visão perturbadora. Com os braços cruzados, o olhar ameaçador, ninguém ousava falar muito além de um “Bem vindo”, apesar do rapaz não se sentir nada bem. Dino o repreendia brincando, mas pedia que o tratassem com gentileza, pois Kyouya era “???” (e falava uma palavra em italiano que deixou Kyouya muito curioso para saber). Essa era a desvantagem em ter ao lado uma pessoa que falava besteiras e sabia falar outra língua a qual não se tinha conhecimento. Hibari agarrou a gola da camisa de Dino quando ficaram a sós, pressionando a tonfa projetada em seu pescoço alvo.
-Do que me chamou? O que você ousou falar sobre mim, Cavallone? –perguntava quase rosnando.
-T-Tsundere... Ahahaha...
O moreno apertou tantos os olhos e franziu tanto a sobrancelha que Dino quase conseguiu identificar uma veia saltando na têmpora do rapaz. Mas antes de qualquer coisa se desvencilhou sentindo que se não o fizesse uma tonfada seria inevitável.
O momento pareceu se alongar enquanto estavam deixando as malas nos quartos. Hibari parecia um pouco mais apressado que o normal, com certeza preparando-se para uma evidente batalha. Se possível, ainda no mesmo dia ele planejava sair na busca.
-Kyouya, você não devia sair assim com tanta pressa. O Tsuna disse que vai entrar em contato ao terminar as pesquisas, o que ele disse que vai ser hoje ainda, e vai passar um bom relatório confirmado pelo Reborn.
-Hm.
Hibari mantinha sua postura mais altiva do que qualquer outro dia que Dino o tenha visto. Era estranho, mas para ele era novo ver aquele novo Hibari. Ou talvez fosse o próprio italiano que tivesse mudado naquele tempo e não percebeu.
Realmente, viver em função do moreno foi algo gratificante naquele curto período de tempo. Foi algo ainda mais do que preocupante. Dino compreendeu um sentimento que as pessoas parentas de pacientes hospitalares sentem. O temor de perder alguém importante. Ou a apreensão para que ela acordasse e se curasse.
Dino pensou que talvez não houvesse salvação apesar dos médicos afirmarem com toda a certeza que ele não estava correndo nenhum risco mais.
No começo eles ainda estavam na Itália. Dino ficou com ele um bom tempo e fazia os trabalhos de escritório ali mesmo, Romário lhe trazia todo o necessário e supria as necessidades alimentícias de Dino forçadamente, já que o loiro não se mostrava muito disposto a comer vendo o “amante” daquela forma.
Durante as noites Dino passava observando-o cautelosamente. Hibari parecia estar preso em algum lugar, sem ao menos movimentar as pálpebras cerradas, imerso em uma infinidade de sonhos.
Estaria ele com consciência neles? E ele estaria pensando no que estava acontecendo consigo mesmo?... Estaria pensando em si? Ou tudo estaria vazio e ele nem sabia quem era?
Dino balançava a cabeça imaginando que talvez Hibari até tivesse se esquecido dele. Hibari era muito durão para pensar em outra pessoa assim.
Ele ficava perturbado tentando adivinhar o que se passava dia após dia na mente de Hibari, negligenciando a própria saúde, se distraindo e falando muito tempo com ele.
O moreno nem fazia ideia. Mas Dino talvez tenha contado toda sua história de vida. Ele segurava a mão do japonês sempre que podia o máximo de tempo quanto pudesse e conseguisse, e falava sobre si.
Era uma história realmente longa, contada por capítulos representados pelos dias que se passavam. Ele gostava de conversar com Hibari mesmo desacordado, sentir o cheiro dele, mesmo que o cheiro de hospital estivesse impregnado em tudo. Observar as feições e ver como ele era bonito mesmo com a vitalidade se perdendo com a falta de movimento e alimentação.
Rapidamente, logo no início, Romário percebeu que aquela atitude do chefe era boa para o jovem desacordado, mas não para si. Numa situação daquelas, o que pode fazer foi apoiar o chefe e lembra-lo que Hibari odiaria saber que ele foi tão irresponsável.
A partir de então as horas eram empurradas duramente, mas nunca poderia ser considerado tão ruim já que o loiro sempre esteve ao lado de Hibari. Só gostaria que ele acordasse, até que então finalmente abrisse os olhos e pudesse ouvir a voz que sentiu tanta falta.
-Chefe, Sawada-san deseja falar-lhe.
Dino assentiu com a cabeça. Estava imergido naqueles pensamentos desde que chegou até o momento do almoço. O moreno estava duas cadeiras mais longe, comendo devagar, mas parecendo muito pensativo.
Assim que o Braço Direito entrou foi inevitável que Hibari o encarasse atentamente. Normalmente ele negaria um olhar para qualquer pessoa, mas a presença daquela pessoa causou novamente dúvidas. Era possível que Mukuro estivesse se apossando do corpo apenas nos momentos propícios a ele.
Interrompido por uma mão em seu ombro, o rapaz saiu daquele estado tão agressivo que apresentava e fitou Dino como se querendo uma desculpa por tirá-lo da “reflexão” que estava tendo. Estava muito concentrado e agora as especulações sumiram todas.
-O quê?
-UWA! Achei que ia levar um soco. –sorriu Dino apoiando o rosto na mão.
O moreno praticamente bufou, se levantando.
-Tsunayoshi já conseguiu terminar não é? Não me faça esperar mais Cavallone, se mova. Ou te morderei até a morte.
Dino sorriu novamente, sentia falta mesmo, até daquilo. Estava divagando na boa noite em que teve com o rapaz. Apesar daquilo Hibari não se mostrou muito diferente, apenas mais cuidadoso com suas investidas.
-Sim, então vamos. Acho que você vai se surpreender.
Hibari apenas ignorou e seguiu-o. A mansão não tinha mudado nada, mas, mesmo sabendo disso, seus olhos analisaram-na novamente com muita atenção.
A íris índigo passeou pelos quadros relembrando dos pensamentos que teve ao olhar para cada figura, inclusive a do Cavallone de cabelos pretos. Hibari não conseguiu, apenas diminuiu o passo ao avistar tal quadro, apenas para observá-lo com mais cuidado. Eram exatamente as mesmas feições de Dino, mas o cabelo era tão lindamente negro que o brilho neles quase o confundia, dando a impressão de movimento.
Quase instantaneamente, direcionou o olhar para as costas de Dino, vendo a ondulação nos cabelos loiros. Bem, era ainda mais brilhoso, mas nunca, nem por um segundo parou para notar aquele fato como naquele instante. E aos passos que davam para longe daquele corredor, Hibari já não conseguia mais tirar os olhos dos fios amarelos que, diferente do personagem na pintura, estava bem vivo e se movimentando.
Já não seria novidade nenhuma seu silêncio. Mas então dentro de seu peito o coração batia tão forte que o som percorreu até fazê-lo ouvir alto. Ainda que, Dino não pudesse ouvir sua tensão, ele podia. E isso era o que lhe dava vergonha.
Sua mão estendeu para arrumar o casaco do terno, em seguida ela subiu até seu rosto para então passar o nó do dedo indicador dobrado sobre os olhos. Estava ainda recuperando-se do sono do avião. Apesar de confortável, ele não deveria ter dormido durante o dia, ele ficava sonolento depois também.
-Hum? Tudo bem, Kyouya? Está cansado? Pode ir dormir um pouco se ainda não estiver completamente bem. Você esteve apenas desacordado de forma forçada, deve estar dolorido ou coisa assim.
-Eu faço alongamentos todos os dias, idiota. Não é da sua conta também. Não me enrole mais, herbívoro.
Como que esperando a resposta, Dino deu um passo em sua direção, prevendo a tonfa. Só que pareceu vir com menos força do que o comum. Os olhos do menor se fecharam assim que sua boca ficou à mercê do italiano.
Hibari sentiu seu braço tremer, fazendo a tonfa cair no chão. O barulho ecoou pelo corredor, mas o loiro pareceu não se importar enquanto aprofundava a língua, sentindo-se muito atraído e sedento para ignorar seus desejos íntimos e incertos. Sua mão segurou os cabelos da nuca do rapaz para então puxá-lo em direção a si, enquanto provava da boca que se movimentava sem muito fôlego e parecendo muito tímido de repente.
A outra mão tocou o peito do moreno espalmada na área do coração. Assim que chupou os lábios fortemente, sentiu as mãos de Hibari tentarem empurrá-lo. O rosto se virou, ao tempo que os sons que faziam ao se beijarem assim sumirem no ar arejado. Dino sentiu as batidas ritmadas percorrerem sua pele adoravelmente enquanto Hibari mantinha um olhar sério, mas uma coloração duvidosa sobre as maçãs do rosto.
Dino se inclinou, prensando-o um pouco na parede, sua boca encostando-se ao pescoço abaixo da orelha do Guardião, subindo bem lentamente até morder a cartilagem gelada.
-Seu coração está batendo tão rápido.
O timbre sussurrado da voz de Dino fez Hibari amolecer seu corpo e os ombros encolherem-se como para se proteger. Estava furioso por dentro, mas falasse agora gaguejaria.
“Isso não pode estar acontecendo.”
E antes que ele pudesse então afastar Dino como queria realmente naquele segundo, a boca encostou em seu pescoço com uma chupada tão forte que ele não conseguiu conter sua expressão de incômodo e prazer, bem no momento em que a porta do escritório foi aberta sem mais nem menos.
A luz que entrou no corredor o assustou tão brutalmente que o travou. Hibari arregalou os olhos abaixando-os em seguida para ver um serzinho loiro de olhos azuis com um rifle nas costas. Ele ainda permaneceu calado, assustado e com os míseros segundos mandando-o chutar Dino para longe mesmo com a língua tão ávida o aquecendo, Hibari notou que assim que empurrou Dino tão forte a ponto de bater na parede de trás, e olhando para o bebê, uma bolha de meleca saía de seu nariz com ele ali parado sem se mexer.
-E-ei Colonello não durma assim. –falou uma pessoa que apareceu atrás em seguida. –AH! Hibari! Finalmente hein? Oh?... Que isso no seu pescoço?
Hibari respirou fundo, olhando para Dino que sorria brincalhão, e com a sua consciência entre matar Dino e sair andando para voltar apenas depois com uma roupa que escondesse “aquilo”.
Por fim, em um milésimo de segundo, Hibari chegou à unanimidade de que o melhor era simplesmente voltar ao quarto arrastando Dino, pôr as roupas E ENTÃO MATAR ELE.
-Volte para dentro herbívoro. Vamos indo, Cavallone.
E sem dar mais chances, arrastou o loiro pela gola da camisa com uma força inimaginável apenas para deixar um Yamamoto confuso e um Colonello em sua soneca da tarde.
-Ainda bem que o Colonello dormiu hein?...-ria Dino imaginando sua punição. Estava com sérios problemas agora por ter sido tão impulsivo.
-Cale-se.
-A-Ano... Kyouya, você não vai me matar né?
-Vou te morder até a morte por isso.
E assim que novamente chegaram ao quarto, Hibari o jogou para dentro já retirando as tonfas e proferindo os golpes antes mesmo de Dino conseguir se armar.
-EI EI! CERTO, ME DESCULPA!!
-Não existe perdão nenhum para você Cavallone.
Assim que recebeu um golpe no rosto tão forte que sentiu o gosto ferroso do sangue em sua bochecha, Dino caiu sentado, ainda um pouco tonto para uma reação imediata além de abrir bem os olhos quando o moreno segurou sua gola novamente para lhe proferir um soco, visto de perto e ao vivo em HD.
O loiro segurou o pulso, forçando-lhe para não o atingir, mas Hibari mal se importou. Com a outra mão apertou a gola de Dino quase o enforcando e o forçando a se deitar completamente. O rosto do Cavallone começou a ficar vermelho tentando respirar e falar para Hibari soltá-lo, sua mão andou pelo tecido do casaco preto, para puxá-lo em direção a si.
-Não pense que vai escapar dessa tão fácil, Cavallone. –resmungou Hibari soltando-o com uma força desnecessária e fazendo-o bater as costas de volta.
Antes que se levantasse, sentiu a mão de Dino ainda em seu braço, o tatuado, e ao tempo que tentou se soltar, foi puxado de volta o fazendo cair no colo do loiro.
-Cavallone!
O italiano estava um tanto sério demais. Hibari apertou os olhos notando algo estranho ali. O braço direito de Dino envolveu seu corpo e a mão direita segurou seu queixo forte, não o deixando desviar.
O rosto se aproximou devagar e apaixonado, Hibari não se conformava com tanta... Tanta insistência! Mas mesmo que quisesse, seus olhos não conseguiram se manter abertos ou suas mãos conseguiram bater nele novamente.
Seu coração pulava, estava muito apavorado com a ideia de alguém vê-lo daquela forma com o italiano. Dino possuía um forte desejo de amar o rapaz da forma mais intensa e apaixonante. Hibari podia perceber pela forma como a boca dele se movia sobre a sua devagar, mas com o fogo contido, enquanto os fios de cabelo sobre o olho esquerdo tocavam seu rosto ao trocarem os lados para se beijarem. A saliva misturava-se ao que as línguas se massageavam de forma viciante, sugando e mordiscando. Seus lábios grudados molhavam-se e se tornavam doces ao trocarem as respirações, os corações batendo rápido.
Era difícil olhar para o Chefe dos Cavallone depois daquilo. Hibari se perturbava, sentindo-se mais sensível e sem pudor. Desejando ter aquele prazer novamente, desejando sentir a sensação que Dino poderia lhe proporcionar, se desvencilhar agora não era mais uma opção. Se desvencilhar de Dino era algo que não estava em seus pensamentos mais. Ele poderia ter lidado muito bem com Yamamoto e ter dado uma resposta curta e grossa como o usual que o Guardião da Chuva não mais se intrometeria. Então...
Hibari apertou os olhos sentindo os lábios macios remeterem inúmeros beijos por seu pescoço ao tempo que sua gravata era puxada devagar e quase sensualmente.
Então... Suas ações já não eram mais por conta própria?
“Não.”
Suas ações continuavam automáticas, apenas concentradas em sua necessidade e crença. Então seu corpo já não tratava aquilo como ameaça. Sua mente já agia se preocupando inicialmente com ele e “mais alguém” pela primeira vez.
“Já não sou ‘eu’, mas ‘eu e ele’.”
Hibari sentiu os botões da camisa serem abertos lentamente e sua boca ser tomada com força. A visão do Guardião parecia estar totalmente focada no italiano. Seus dedos seguraram-se nos cabelos dourados, os olhos mel o fitando tanto docemente como maliciosamente.
Não disse nada. Só esperou.
-Kyouya. –chamou o loiro colando os lábios apenas superficialmente para dizer aquilo junto ao rapaz.
Hibari manteve os olhos baixos, o sangue se concentrando no rosto. Assim que Dino disse, Hibari apertou tanto os dedos que os nós esbranquiçaram, bem quando sentiu Dino envolver todo seu corpo e levantá-lo do chão com a gravidade contra eles, fazendo a distância parecer enorme.
-Idiota.
Hibari mal teve tempo de continuar, seu corpo deslizou pelos braços do loiro, que mostrava uma expressão bem enevoada ao que iria fazer, até o colchão da cama perfeitamente arrumada em colchas vermelhas.
A sensação de fofura em suas costas o fez suspirar por dentro, vendo o Cavallone com a gravata enrolada entre os dedos. Provocante...
O japonês tentou se sentar, mas foi impedido pela mão que o empurrou cuidadosamente de volta, ao passo que o joelho do loiro se apoiava na beira da cama e se inclinava para tocar o braço esquerdo e ir deslizando os dedos até alcançar o pulso, causando arrepios e desconfiança no outro.
Hibari entreabriu os lábios para indagar o que Dino faria, mas o loiro apenas colocou a mão esquerda sobre sua boca, tampando-a totalmente, beijando a pálpebra de seu olho esquerdo. Sua mão soltou-se rápido e, habilmente, enrolou o pulso esquerdo com a gravata, em seguida dando um nó na cabeceira da cama. Hibari puxou-a irritado e tentou se sentar, mas Dino já estava sobre seu corpo com a mão esquerda segurando seu pulso direito.
Agora Hibari estava realmente à sua mercê. Submisso. O moreno mal conseguia explicar o que se passava em sua mente com aquela informação bruta e repentina. Ser dominado era uma coisa... Mas ser submisso. Completamente submisso. Era uma história muito diferente que feria seu orgulho. Se não fossem aqueles olhos mel brilhando com tanta felicidade.
Seu casaco aberto e o braço estendido deixava seu peito à mostra e mentiria dizendo que não sentia vergonha. Ele apenas se deitou com Dino dois dias atrás. Não estava exatamente recuperado (mentalmente) para arriscar-se. Só que tão preso e pressionado como estava, não poderia revidar nem nada. Teria que fazer ou ameaça-lo.
“Mas já não é possível negar. Não havia nenhum motivo para eu trazê-lo aqui.”
Hibari fechou os olhos, respirando com a boca. Assim que o fez um gemido o acompanhou.
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Os olhos castanhos piscaram, sentindo-se doloridos. Reborn não foi nem um pouco compreensivo e nem pegou leve com os estudos e treinamento -não que Tsuna precisasse tanto disso agora, mas Reborn ainda era o o Hitman mais poderoso.
Se espreguiçou um segundo, observando seu almoço. Há poucos minutos esteve conversando com Yamamoto e Colonello pela web can, passando algumas informações que não foram detalhadas muito bem e, como era de seu costume, ficar sabendo como fora a viagem e se já tinham falado com Dino e Hibari (ele imaginou que sim por estarem no mesmo avião, mas estava muito enganado).
-Olá, Juudaime!
A voz invadiu a cozinha com vivacidade, adentrando o local num terno e parecendo bem à vontade como era de costume. Reborn o cumprimentou, seguido de Bianchi.
-Ohayo, Gokudera-kun. Encontrou o Lambo por aí? -perguntou Tsuna com graça enquanto beliscava o bolinho com graça.
Gokudera fez uma cara enojada e colocou as mãos na cintura antes de pronunciar.
-HA! Ainda bem que não vi aquela Vaca Estúpida, ou eu poderia simplesmente explodi-lo para algum lugar bem longe daqui. Mas deixando isso de lado, Juudaime, hoje você falou com o pessoal na Itália?
Tsuna arregalou os olhos e em seguida coçou a nuca com um sorriso desajeitado, esboçando sua timidez.
-Ah, sabe como é, eu não poderia deixar de falar com eles quando chegassem. Gokudera-kun, tem umas coisas que eu gostaria de conversar... Tudo bem se sairmos hoje? -a voz de Tsuna soou mais suave do que nunca, com uma seriedade implantada, algo que apenas aparecia em momentos que necessitava de sabedoria para decidir sobre algo importante.
O rapaz de cabelos brancos esboçou também uma expressão calma, notando o ar que se alojou no local ao perceberem o tom de voz do garoto. De alguma forma menos maldosa, Reborn pareceu sorrir pequeno, como era de seu costume. Devia ser algo realmente importante.
Gokudera juntou as sobrancelhas, sentando-se espalhafatosamente ao lado do amigo.
-Sim, tudo bem. Para onde?
Tsuna pareceu pensar.
-No colégio. Lá é perfeito.
Gokudera assentiu com a cabeça sem olhar para seu companheiro. Não era de seu costume evitar olhares, mas quando Tsuna ganhava aquela serenidade, era como se fosse outra pessoa, ou, melhor dizendo, o verdadeiro eu de Tsuna que se escondia naquela figura frágil e desajeitada. De algum jeito incômodo, Gokudera não podia olhar para aqueles olhos castanhos, pelo menos não por enquanto.
-Certo. Reborn-san, não tem nenhum contato que facilite a movimentação na Itália?
O garoto ajeitou o chapéu sorrindo.
-Isso é o que menos precisamos agora. Pode ficar tranquilo, tudo está sob controle. -Reborn afirmou bebendo seu chá calmamente.
“Não está sob controle agora!!” Pensava Tsuna indignado. Como Reborn era chato! Só queria piorar a situação?
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Hibari olhava nos olhos de Yamamoto com o máximo de sua indiferença. Aquele pateta era incapaz de perceber algo de tão alto nível e praticamente seria impossível para as pessoas relacionarem Hibari-Dino e Caso-Romance, a não ser que fosse alguém como o maldito Hitman leitor de mentes. Mas era impossível...
-Tudo isso. Vocês já retiraram os que possuem álibis?
-Claro. Além disso, Colonello apontou as mais suspeitas e já está verificando os pontos de troca. Parece que ele pegou a informação com o Bebê e vai buscar uns informantes para acessar o próximo “evento”. -explicava Yamamoto mostrando alguns mapas e descrições de membros das Famiglias.
-Mas é estranho. O sinal para ter acesso é normalmente conseguido com um dos informantes em especial. O local muda constantemente então não é possível participar sem o passaporte. O estranho nisso tudo é que estão evitando a Vongola, fingindo estarem parando com os eventos. Nós não conseguimos localizar por causa da ajuda inesperada que Rokudo Mukuro está oferecendo e isso é o pior: não sabemos suas intenções. -Dino coçou o queixo.
-Quando o outro garoto chegar eu vou partir na minha busca.
Hibari pareceu incerto ao falar sobre isso, não parecendo saber por onde começar. Seguir Mukuro era como tentar ver uma pessoa na névoa.
“Uma sombra na névoa.” Hibari pôs a mão no queixo. Se estivesse certo, Mukuro, que tinha ambições tão óbvias, não se deixaria manipular assim. Alguma coisa estava errada.
-Ehh... E por onde vai começar, senhor sabe tudo? -Dino perguntou com uma cara descrente recebendo depois um olhar tão pensativo que sentiu medo.
-Pela Famiglia Todd.
-Ah. Bem, faz sentido... Mas como Chefe eu mesmo já fiz uma investigação, nos primeiros meses. Não havia absolutamente nada que indicasse envolvimento com o Mercado Negro. Apesar do Todd ter comentado quando veio aqui. Isso soa ainda mais estranho para mim, o que me leva a pensar que também estava possuído... -Dino se encostou na cadeira relembrando do que o Todd disse.- “Ele é muito bonito. Não seria um bom material para o Mercado Negro?” Foi isso mesmo.
Dino ficou vermelho de repente e apertou os punhos. Indústria sexual não é?
-Dino-san?... -Yamamoto o olhou seriamente. -Tenho comigo registros de desvios de dinheiro, lavagem e uma comprida lista de nomes. Achei que gostaria de ver.
Dino piscou, assim como Hibari que teve sua atenção presa. Do jeito que Yamamoto o olhava... Parecia até estar o acusando ou coisa assim. Dino abaixou os olhos, sabendo o que viria. Não seria nada bom aquilo, nada bom. Hibari iria ficar puto. Todos iriam ficar. Mas ele não teve escolha.
Os olhos mel fecharam com força antes de pegar os papéis. E no momento que foi passar a página inicial em branco, a porta escancarou revelando o garoto loiro.
-Cheguei, kora! Notícias boas e ruins. Espero que estejam bem preparados.
O garotinho caminhou a seu modo até estar na mesa do escritório e pular para cima dela, encarando Dino.
-Parece que por você não ter tido mais “contato”, suas relações com o Mercado Negro foram cortadas. Os Cavallone só não foram atacados por terem um pacto e, de certa forma, você ter uma dívida relevante com eles e que tem “prazo”. Mas sabe o que é mais intrigante, Dino?
O loiro mordeu os lábios.
-Seu medo de atuar naquele mundo pode acabar levando toda sua Famiglia pelo ralo. O dever de um chefe é proteger a Famiglia. Não é?
Colonello disse aquelas coisas com um olhar sério, como se apontasse indiretamente para si: “Você ainda possui uma dívida, e eles querem que você pague”. Essa era a mensagem deixada.
Mas a dívida era grande demais. A dívida não era sua, era uma deixada por um chefe que estava na beira do precipício.
Hibari olhou de Colonello para Dino tentando compreender. E que dívida era essa?
“Já não importa” Resmungou a si mesmo, chamando a atenção de Colonello.
-Algo sobre o abacaxi?
Colonello assentiu com a cabeça. Mas sua expressão não era agradável.
-Ele não está no comando. Mas está encabeçando um novo evento.
Dino, Yamamoto e Hibari apertaram os olhos.
-Para quando?
-Daqui dois dias. Um leilão... Mas não faço ideia do que será. Ninguém sabe. Mas só sei de uma coisa... Todas as Famiglias que tem relações vão. Pois será um leilão de um único item.
Dino arregalou os olhos. Um item?
-Vou me aprofundar nisso então. Me parece algo grande demais para ser ignorado. Mas também estou pensando que pode ser uma isca, já que também está programada uma reunião dos chefes na próxima semana.
Hibari piscou.
-Todos?
-Todos.
Hibari respirou e se levantou. Não importava. Continuaria buscando os objetivos de Mukuro e depois iria atrás dele. Já tinha ótimas pistas. Seu primeiro passo seria visitar o local da batalha apesar de parecer inútil.
-Kyouya?...
-Eu estou indo.
Dino rangeu os dentes dentro da boca. Algo no seu peito dizia que aquilo era perigoso demais. Yamamoto e Colonello observaram a cena em que Hibari saia fechando a porta e Dino pedia licença indo atrás com pressa e chamando pelo japonês com a voz alta e exasperada.
-Kyouya, não vá agora. -Dino segurou-lhe o pulso.
Hibari afastou-se com uma expressão séria.
-Dessa vez, eu vou me garantir de que nada vai acontecer comigo. “E nem com você... Idiota”.
Ele sentiu o rosto esquentar levemente e se virou em direção à saída.
-Eu voltarei.
E dizendo na maior incerteza, traspassou a espaçosa porta de entrada da mansão, batendo com um vento leve. Dino observou as costas do casaco, o rapaz assentando-se numa moto e a partida em direção à cidade. Louco. Iria morrer cedo assim.
-Dino?
O loiro olhou para o lado, vendo Colonello em seu ombro um tanto pensativo.
-Você pode arrumar suas malas de dinheiro. Vamos a esse leilão.
Dino cerrou os olhos. Quem dera nunca mais posse os pés naquele lugar desprezível, mas por sua Famiglia, pela segurança dos Vongola. Ele iria apenas para se certificar que estava tudo bem ele nunca mais voltar lá.
Continua
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