In The End Of Saturday

10 Part10: Essa Incerteza


Notas iniciais
Yoo... Vou ser sincera... Não tava com muito pique, mas eu queria escrever de todas as formas, então... Só que não lembro tudo o que prometi para esse capítulo. Me lembro de ter falado que ia ter flash back dos meses passados, mas ahhh. Minha cabeça tá doendo.
Me perdoem se algo não estiver do agrado.
Boa Leitura!

Enquanto aquela boca quente o envolvia, seus braços se apertavam com consciência própria, seus olhos reviraram em um instante com o toque e Hibari se encontrou na perdição.

Quando as mãos acalentadoras do loiro amaciaram seus músculos do dorso foi algo que mesmo pequeno e simples, conseguiu fazer o tão poderoso Guardião da Nuvem suspirar.

O pouco de força que o moreno encontrava em seu corpo sustentado apenas pelo soro era aplicado naquele momento, nem o estranho enjoo que sentia por ser abraçado com tanta força. Seu estômago apertou e a boca de Dino ficou distante mais do que gostaria.

Só que a seguinte visão não foi nada decepcionante. Os olhos mel do loiro brilhavam de tanto desejo, a cor parecia cada vez mais clara, estavam apertados de uma forma que parecia que naquele momento sua função era mais seduzir do que ver. O canto direito da boca carnuda entreaberta revelava a saliva que se acumulou com o beijo do japonês, mas o melhor era a forma como estava inclinado sobre si, a camisa social marrom aberta até o meio do peito, os cabelos agora curtos caíam pelo pescoço e a franja estava pendida no ar.

A respiração do Cavallone estava acelerada e parecia tentar encontrar um sentido no que estava fazendo.

Quando eles tinham deitado e feito aquilo? Hibari ficou vermelho e um aperto no peito o fez perceber tudo. Suas pernas abrigavam o corpo do italiano, as coxas juntas à cintura dele.

O moreno segurou a respiração contando até três com a raiva se acumulando. Ele...

DEFINITIVAMENTE NÃO IRIA ACEITAR ISSO!

-Saia agora.

A voz de Hibari engrossou fazendo Dino também se dar conta. O mais velho abriu mais a boca e se afastou rapidamente, corando como nunca.

-“MASA KA! Quantos anos eu tenho?” –Dino mordia o lábio sentado na ponta da cama.

Suas mãos levantaram até os botões da blusa os fechando. Hibari se apoiou novamente e ainda com o coração batendo rápido, ele tomou ar.

-G-Gomen.

Hibari bufou sem piedade, ele não podia baixar mais a guarda (se bem que foi consensual o beijo). Suas mãos geladas passaram pelo cabelo, arrumando-o de qualquer jeito.

O olhar de Dino o seguia cautelosamente.

-Vai me contar então?

-He?

O loiro não entendeu, sua expressão estava um tanto confusa. Hibari arrumou a blusa e a calça, mal se importando do olhar do loiro. É claro que aquele palhaço veria qualquer perversão em suas ações já que parecia gostar muito de sua pessoa. Hibari percebia isso.

Outra coisa que Hibari era capaz era de entender as intenções das pessoas. Não claramente, mas sua intuição o levava a julgar as pessoas facilmente.

O caso com Dino era assim. Ele não tinha dúvidas de que o loiro gostava dele, mas também não sabia que tipo de gostar era. “Pode ser passageiro, ou pode ser algo mais. Mas desses dois eu realmente não necessito”, isso era o que o moreno diria uns tempos atrás.

Contudo... A história muda de curso quando quem está se sentindo apaixonado é ele. E mais uma vez ele falava para si mesmo com convicção e convencido “Não há formas existentes que me façam me apaixonar por alguém. Eu odeio herbívoros.”

Hibari fechou seus olhos pacientemente. Não faria nenhuma expressão estranha na frente de qualquer humano, herbívoro ou carnívoro.

“O problema nessa questão é... Que ele é um herbívoro perigoso.” Seus olhos vívidos encararam o “homem-criança”, fazendo-o reagir com uma expressão temerosa.

Hibari teve vontade de rir. Era bom quando os mais fracos faziam aquelas carinhas de medo. Com o Cavallone só possuía uma diferença: o medo era em relação sentimental, não em relação física. Dino não tinha medo de apanhar diferente de todos, ele tinha medo de ser rejeitado.

-Você não tem tempo para coisas assim. Eu já perdi um bom tempo, quero saber o que aconteceu. Onde está Rokudo Mukuro?

Dino sorriu meia boca, tentando aos poucos se esquecer dos segundos intensos ali. Estava com saudade. Como ele poderia sentir saudade de uma pessoa que conhecia apenas alguns dias? (bem, Hibari esteve dormindo, mas não podia dizer que o conhecia há poucos meses).

Suas mãos levantaram-se um pouco.

-Parece que os Todd foram pegos. E Mukuro... Bem, acredito que Tsuna vai conversar com você sobre isso.

Quase automaticamente um ranger de dentes soou e Dino presenciou a cena de um furioso Hibari recém-acordado e parecendo um psicopata de hospício querendo partir pessoas ao meio. O loiro teve que engolir em seco antes de prosseguir com o assunto, mas Hibari foi mais rápido.

-E a... Lira?

Sua própria voz lhe pareceu irônica, era difícil ver Hibari falar com desdém de alguém de forma tão clara, mas dessa vez foi algo que soou hilário, apesar da tensão aumentar e Dino não ter nenhuma vontade de rir. O japonês não diria que entendia o que o italiano sentia: ser traído por uma pessoa que praticamente cresceu com ele. Hibari também não tinha nenhuma obrigação de entender.

O Cavallone tinha uma confiança cega por Romário e Lira, só que essa confiança foi quebrada totalmente após o acontecimento de três meses atrás. Mordendo o lábio, o homem ali tinha plena consciência dos atos de seus subordinados, do procedimento de Lira e seus objetivos tão pouco ambiciosos e fúteis.

A moça tinha jogado todo o seu futuro e suas chances para o ar.

Como boa pessoa, Dino nunca poderia esquecer os bons momentos com ela. Não poderia esquecer que já tinha confiado e que ela o considerava muito mais do que os outros. Lira daria a vida pelo Cavallone se ele correspondesse aos sentimentos da italiana.

O loiro coçava a nuca indeciso, esquecido de sua conversa com Kyouya. Seus pensamentos divagavam longe, imaginando uma vida com ela, quando tinham se conhecido e como ela de repente fez parte de sua jornada até o posto de Chefe.

Um homem ocupado, belo e carismático, além de ter uma aliança palpável e indestrutível com os Vongola, o Cavallone sem querer descontava sua vida em cima da loira. Contudo, Lira sentia-se bem por ter essa intimidade com o Mestre. Saber de sua vida, ver como Dino reclamava ou sorria, ou como se espreguiçava, bocejava, pedia para ela cozinhar ou contar alguma coisa que gostasse... O erro em tudo foi ser uma espécie de mãe e não tentar ser uma amante.

Dino tinha inconscientemente encostado na janela e ficado olhando algum ponto inexistente na vida real. Hibari percebeu o transe em que o homem tinha entrado. Podia ter passado um bom tempo dormindo, mas, por favor... Ele ainda não tinha superado?

Para o italiano, Lira foi a pessoa que coincidiu com o papel na qual Romário adquiriu. Eles eram responsáveis por Dino. A partir daí, o loiro não podia deixar de sentir-se uma criança imensamente ingênua e despreparada para acasos. Isso o frustrava inesperadamente.

Hibari apreciou o silêncio apesar de se sentir ignorado, só que até mesmo para ele foi difícil aceitar o estado do Cavallone naquele momento crítico. O moreno imaginava que Dino fosse mais forte. Isso tirava suas esperanças? Ele se encontrava pensando em coisas assim.

-Quanto tempo mais vai fingir que não estou aqui, Cavallone?

O loiro pareceu acordar finalmente e sorriu meia boca. Sem muito jeito e ainda imerso em pensamentos, os quais estiveram presentes durante todo o tempo decorrido, Dino se lembrou da pergunta que Hibari fez e a resposta soou normal, ele não precisava esconder nada de Kyouya que caminhava para a maioridade e era dono de si mesmo. Doía um pouco pensar assim, mas era verdade. Só que o medo de magoá-lo também atormentava os pensamentos íntimos do loiro.

-Presa. Você sabe, assuntos da máfia são resolvidos assim.

E isso novamente fazia o peito de Dino se apertar. Seus olhos mel levantaram-se para observar o Guardião em recuperação. Hibari nem tinha sombras de parecer um homem forte e cheio de personalidade daquele jeito.

Dino queria tirá-lo do hospital logo. Passado alguns segundos, Dino retirou uma coisa do bolso, chamando a atenção do moreno.

Hibari apertou os olhos com certa raiva. Dino riu baixo, ele ficava contente em saber que Hibari não teve amnésia em nenhuma parte pelo menos, pensamentos otimistas eram bons.

-Você continua insistindo nisso? Pelo que me lembre isso não me ajudou em nada.

Dino se pôs de joelhos na cama, passando a corrente em volta do pescoço do moreno. Ele sorria, parecia que as coisas iam voltar ao normal.

O fecho travou e então os dedos longos do rapaz ajeitaram o colar no pescoço pálido. Ousadamente, Dino pensou que uma mordida simples seria suficiente para marca-lo, isso o fazia ter arrepios. Mas quem disse que era possível conter os pensamentos inadequados quando se gosta tanto de alguém?

Hibari segurou o crucifixo, analisando-o sem um pingo de paciência. Seu estado nervoso estava abalado depois dos segundos vividos ali, não podia deixar absolutamente nenhuma brecha para aquele herbívoro roedor, ou ele iria atravessar os limites de sua cerca!

-Eu passei maus momentos. Se perguntar a Romário vai entender... Eu não tenho costume de falar sobre minhas fraquezas, acho que me entende não é Kyouya?

Hibari pegou uma almofada e meteu na cara do loiro.

-Agradeça por terem me tirado minhas armas, ou eu te matava agora mesmo por sua falta de respeito, herbívoro. Me chame de Hibari, não pelo nome.

Dino fez um bico irritado.

-Ah, não seja assim, Kyouya.

-Cale a boca.

-Kyouya, eu fiquei realmente mal depois que acordei. Eu me lembro de ter acordado com várias pessoas a minha volta e a primeira que reconheci foi o Yamamoto. Eu vi Lira sendo levada, assim como aquele desgraçado do Todd, vi você ensanguentado e sendo sincero, não estava uma cena agradável de ver. Poucos tiveram estômago. Graças à Yamamoto que você não perdeu o braço. Passou muito perto.

Hibari olhou as cobertas.

-Entendo. Mas a recuperação não demoraria tão pouco tempo.

-Não mesmo... Levaria mais de um ano para recuperar, no mínimo dois. Só que Tsuna não deixou que ficássemos assim. Verde tem trabalhado numa fórmula para regeneração como você bem sabe e ele encontrou uma combinação que acelera a cicatrização em quatro vezes, mas por algum motivo apenas os Guardiões que detém os Anéis consigo podem usá-lo.

Graças a essa incrível fórmula, o seu braço está inteiro e sua hemorragia foi contida completamente.

Hibari não assentiu e nem comentou nada. O pior era ficar em débito com aquelas pessoas. Ele voltava a pensar naqueles momentos em que estivera dormindo, realmente ele preferia morrer.

-Mas já que estamos assim, quando vou poder sair?

-Uns dois dias são suficientes. Você já pode comer alimentos se quiser, o doutor disse que só não era possível, pois você estava desacordado ainda.

As sobrancelhas de Dino estavam curvadas, seu sorriso incerto. Hibari passou os dedos novamente pelos cabelos que incomodavam. Ele tinha crescido tanto assim?

-Você ficou preocupado?

-Mas é claro! Como não ficaria?

-Por quê? Você mal me conhece, Cavallone.

-Nos conhecemos tão pouco que você já se entrega quando te beijo.

O moreno se pudesse se levantaria e socaria Dino até a morte, mas devido ao seu pobre estado físico, ele alcançou o suporte do soro e tacou na cabeça do loiro, que por pouco não desviou.

-K-KYO- AH!

-Retire o que disse Cavallone! Ou vou te morder até a morte!

-K-Kyouya não necessita disso, eu não estou brincando com você se é o que quer saber.

-Eu não acredito nessa coisa de amor, saia daqui.

-Você é tão ranzinza e pessimista.

-Isso se chama defesa, saia daqui, não me faça repetir.

Os dentes de Hibari trincavam, Cavallone estava se aproveitando de sua inabilitação. Mas o loiro só se aproximou, segurando o suporte que veio em sua direção em alta velocidade e o colocou no devido lugar.

-Vamos ser sinceros... É realmente assim que você se sente?

Os olhos de Dino penetraram em sua mente, o moreno percebendo que sentia medo da aproximação do loiro. Resistir àquele homem não era algo real ou possível.

Nem mesmo para ele.

-Kyouya, eu pretendo te conhecer. Pretendo ficar aqui ao seu lado um bom tempo, ser um parceiro...

-Não quero nenhum parceiro!

-...De luta. Eu tenho chances, eu sei, você mesmo me disse.

Hibari sentiu o rosto avermelhar e seu orgulho falar cada vez mais alto. Dino falava as coisas diretamente sem se preocupar, um irresponsável. Assim ele arrasaria com seus pensamentos.

-Não diga coisas absurdas. Eu nunca disse isso.

Hibari sentia-se cansado. Não era de seu costume falar muito também, só que Dino estava conseguindo...

Dino sorriu de canto e acariciou sua franja, empurrando-a para trás. Seu rosto se aproximou e as bochechas de Hibari ferveram, antecipando o ato, os olhos se fecharam na hora.

A umidez daqueles lábios tocou o meio de sua testa descoberta, fazendo o moreno olhá-lo.

Dino soltou os lábios e abaixou-se, falando quase ao ouvido do japonês.

-Amanhã trarei um barbeiro. Vamos dar um jeito nesse cabelo.

-Com que direito você decidiu isso?

Hibari falou com acidez. Mas o loiro só piscou com graça.

-É de graça e acho que você ainda não viu.

Um espelho foi mostrado para Hibari e ele quase rugiu de ódio. Como tinham-no deixado assim?!

Uma juba, uma juba... Estavam brincando com ele?! Porque não cortaram? Eles não estava num hospital à três meses e meio? Parecia que não tinham penteado nem mesmo um fio de cabelo.

-Desgraçados, porque fizeram isso? Eu vou morder TODOS até a morte nesse hospital!

-Ficaram com medo de você notar a falta de um fio de cabelo.

Dino ria em seu interior mais do que gostaria, mas era realmente engraçada a situação. Seus fios estavam todos desarrumados, parecia um solteiro de 40 anos que bebeu e ficou de ressaca um mês com o cabelo ensebado.

Bem, a situação foi quaaaase igual.

-Cale a boca, chame esse barbeiro agora. –ressaltou o moreno.

-Ok, ok, você quem manda, mas depois eu quero uma recompensa.

Hibari o olhou com olhos gelados e realmente assustadores. Agora ele poderia ser facilmente reconhecido como um selvagem da floresta.

-Vou arrancar seus braços, seus rins, seu coração e aquelas partes lentamente com um bisturi e picá-los na sua frente. Suma.

Dino assentiu com a cabeça e desapareceu porta afora. Hibari respirou fundo. Silêncio enfim.

xxx

Passou os dois dias. Hibari tinha comido duas travessas inteiras de carnes, em seu modo civilizado, mas comeu bastante. Ele maneirava na alimentação, mas depois desse tempo as carnes eram quase o desejo de grávida (apesar de não acreditar nisso).

-Então, o que achou do corte?

-Aceitável.

Dino ficava em seu pé doze horas por dia. As outras doze horas ele saía pra trabalhar.

Tsuna ficaria muito feliz em receber Dino em sua casa, mas devido às circunstâncias e as saídas constantes de Dino, foi melhor que ele ficasse em um hotel, já que Hibari não o admitiu em seu templo alegando que “Um herbívoro como você não é digno de entrar na minha casa”, super sério não?

No entanto, Dino visitava-o nas segundas doze horas do dia. Ele passava um tempo e ia embora...

-Não faz sentido. Porque decidiu que eu ficasse a noite e não de dia já que “eu não sou digno de pisar na sua casa?”.

Hibari afastou os lábios do copo de chá e olhou para Dino. O engraçado era que ele falava pelos cotovelos, até mais do que quando estavam na Itália.

-Posso saber o motivo de tanta empolgação?

-Ahhh. Você notou, hehe... É que eu adoraria conhecer a cidade um pouco mais.

Hibari segurou um rosnado na garganta. Dino tinha ideias loucas a cada minuto mesmo.

-Você não vai pisar na minha cidade além dos limites que eu der. Ou seja, você só pode ir até o hotel, aqui no período em que eu permiti e na casa do Tsunayoshi. Entendeu? Se você aparecer no colégio prepare-se para morrer.

-Ah, Kyouya!

-Hibari para você. –reclamou remetendo a tonfa no topo da cabeça do loiro.

Dino esfregou a área e sorriu um pouco. Ele estendeu os braços para trás enquanto Hibari terminava de assinar uns papéis e escrevia algo em um caderno.

Dino ficou em silêncio por míseros 59.9 segundos e então, quando Hibari imaginou que ia completar um minuto de meditação, aquela vozinha atrapalhou.

No mesmo momento parou de escrever, mal tinha prestado atenção no que o loiro havia falado, mas não importava.

-Dá para ficar quieto? Um minuto, Cavallone, apenas um minuto. Porque não vai comer alguma coisa?...

Assim que Hibari voltou-se às suas tarefas, Dino se levantou, se retirando do local. A porta se fechou com calma e não se ouviu mais nenhum pio.

Hibari ainda ficou ali mais meia hora. Não diria que a saída de Dino fazia diferença.

Uns segundos após pausar na quadragésima linha, Hibari sentiu uma vontade enorme de levantar o olhar. Ao fazer isso, seu pescoço estralou e ele precisou se esticar.

Dino não voltava. Teria ido embora para o hotel? Melhor para ele então...

Hibari suspirou. Sua lapiseira foi pousada em cima das coisas e seu caderno foi fechado. Ele não conseguiu conter aquele sentimento desgraçado e traidor.

Se levantou, envolto em um kimono simples azul-escuro quase preto e caminhou pelo extenso corredor. Sua primeira parada foi no quarto do loiro, não havia ninguém.

Passou pelo banheiro e pelo lado de fora.

“Vou tomar alguma coisa.” Suspirou irritado e já cansado do pequeno esforço.

Ele precisava voltar a treinar, estava um ferro-velho.

Assim que adentrou, visualizou uma coisa redonda vindo de encontro ao seu rosto. Por sorte, era apenas uma massa, mas Hibari a agarrou antes que batesse em si.

Seu olhar nervoso parou na figura loira sorrindo bobamente.

-Yo! Kyouya, você prefere pepperoni ou portuguesa?!

Hibari sentiu um calo crescer em sua testa e toda sua consideração ir para o ralo. Sua mente projetou uma bela cena dele pegando a pizza e enrolando-a batendo-a incansavelmente no italiano e fazendo-o engolir inteira depois, além de um estrangulamento com linguiças. Cena muito heroica...

-Kyouya?! Por que está me olhando como se fosse me estrangular?

-Calado. Você devia ter pedido permissão para ter entrado aqui.

-Você disse para mim comer alguma coisa, não é? Mas não tem nada para comer. Bem, não vou comer atum podre. –dizia apontando as latas passadas da validade.

Hibari suspirou.

-Então faça um jantar decente, dessa vez eu deixo você passar a noite.

-J-JURA?!

O sorriso do loiro se alargou como se tivesse ganhado na loteria. Parecia mesmo uma criança.

Hibari suspirou, pensando se era possível viver com um ser daqueles 24 horas.

“Seria tão mal assim?”

-Kyouya, você gosta de vinhos né?

-Sem exagerar, eu estou um pouco enjoado ainda com as comidas.

-Ok ok. Vou pegar... Uma cidra, um vinho branco suave, um tinto e trarei uma sobremesa.

Dino marcava num papel e deixava o avental branco em cima da cadeira enquanto mantinha três pizzas montadas em cima da mesa.

-Você vai sair então? Tem certeza que não vai se perder?

-Tranquilo, eu vou com o Romário.

-Hm. Tem certez-...

Daí então Hibari deu as costas, tapando a boca. Ei, ei...O que estava acontecendo?

Não havia motivos para se preocupar.

“Foi assim da última vez não é? Eu o deixei sozinho e o que aconteceu?”

Mas Hibari não era a babá do Chefe dos Cavallone. O máximo que poderia fazer era dar uma mão SE Tsunayoshi deixasse tudo com ele como da última vez.

“Eu odeio grupos...”

-Bem, Kyouya, está fazendo um pouco de calor, vai querer uma sobremesa gelada?

-Não. Qualquer coisa doce é o suficiente.

Dino piscou e sorriu, saindo do local com um pequeno aceno. Hibari ainda fitou os pratos na mesa... Ele estava preparando um jantar antes mesmo dele pedir.

-Idiota.

Ao se sentar para terminar suas lições, Hibari percebeu que já não se recordava de como fazia as atividades. Tudo lhe escapou e o confundiu. Irritado, ele fechou o livro e o caderno, ignorando aqueles problemas inúteis, ele nem ao menos estudava mais, não havia necessidade por enquanto.

Suas costas tocaram o futon, o braço sobre os olhos. Mais da metade da franja havia sido cortada, deixando boa parte de sua testa visível, os fios de cabelo foram desfiados e lhe pareceram muito mais selvagens e agradáveis de se usar. Hibari mentiu ao dizer que estava aceitável.

Para ele ou as coisas eram boas ou ruins. E esta estava boa.

Ignorando esses pensamentos, sua mente novamente alcançou o italiano. Ele deveria estar perdido procurando um mercado ou não sabendo quanto era o pagamento de alguma coisa, mas se ele estava com Romário...

“Romário?”

Hibari arregalou os olhos. Sentiu uma sensação desconfortável e se lembrou da cena de antes... Apenas ele tinha visto Romário sendo possuído. Não era possível. Mukuro ainda poderia tentar algo?

Hibari se pos sentado, respirando mais rápido. Ele balançou a cabeça e voltou a deitar.

-Não... É da minha conta.

Mas por mais que quisesse, ao se lembrar de Mukuro automaticamente se lembrava de Lira e os dois juntos eram o suficiente para ele querer botar fogo em alguém.

Hibari voltou à cozinha e decidiu deixar elas no forno de uma vez. Estavam montadas mesmo.

Ele sentou na pequena varanda da casa em estilo oriental, o cheiro salgado de molho de tomate e calabresa invadia suas narinas com os minutos e ele ficava olhando a rua um pouco longe através do jardim cheio de folhas.

Ele precisava dar um jeito naquilo. No dia seguinte arrumaria a bagunça.

Quando Hibari confirmou que a pizza estava pronta, para confirmar com suas certezas, Dino chegou com três sacolas.

-Voltei, desculpe a demora.

-Não fale como se morasse aqui. O que houve?

-Estava procurando por um mercado. E acabei me confundindo na hora de pagar.

Hibari jurava que poderia montar uma tenda de vidente que ficaria rico e poderia mandar todos os delinquentes para longe do seu país, ou enforcá-los em praça pública, seu mais profundo e secreto desejo (kkk).

-Já imaginava, você não é só inútil, é retardado.

-Pare de ser chato, Kyouya, eu achei um mercado. Aqui, você pode arranjar taças? Ah! Você já assou a pizza, que bom!

-Estou com fome, por isso.

-Ah, pensei que era para aliviar o peso do meu trabalho, Kyo!

Hibari aos poucos ia se irritando novamente. Ele só poderia sobreviver àquela noite se ignorasse.

-Trouxe fondue!

-Deixe em cima da mesa. Vá lavar as mãos logo, meu estômago está revirando.

-Hm, espero que goste então, fiz um tempero especial da minha família.

Hibari se sentou, percebendo estar bem de noite já. A lua crescente estava brilhando um pouco, estava tudo um pouco escuro e havia velas... Velas?

-Cavallone, porque colocou velas?

-Está meio escuro não acha? E um jantar à luz de velas já é tradicional, Kyouya, é romântico.

O sorriso lascivo do loiro foi o suficiente para o menor dobrar uma colher com a força da mente apenas.

“Vou ignorar, vou ignorar.”

Apenas ignorar era suficiente? Dino mostrava que não a cada ato. Quando se serviram e tomaram suas taças, Hibari percebeu que estava numa situação tanto comprometedora... Aquele jantar estava parecendo até formal, muito silencioso.

Hibari observava com discrição a forma com que os lábios de seu visitante marcavam a taça de vinho branco. O loiro estava bem vestido, um conjunto bege, um cachecol listrado em branco e cinza, os cabelos desalinhados, mas ajeitados. Estava bonito mesmo...

Hibari olhou para um canto longe. Sua boca também deixou marca na taça de seu vinho. Ele respirou ali dentro, fazendo o cristal embaçar.

Dino abriu a boca e diferente do que esperava, não saiu qualquer besteira.

-Você deve estar irritado por ter se passado todo esse tempo e ter se ferido tanto por minha culpa. Eu queria me desculpar.

Hibari arqueou as sobrancelhas. Agora o herbívoro estava querendo se desculpar... Nada menos do que o esperado de um herbívoro como Dino.

“Ele não quer mesmo perder o contato nessa... ‘relação’?”

-Lutas são lutas. Você devia se desculpar por invadir meu espaço pessoal sempre que quer.

Dino deu uma risadinha sem graça. Foi inútil tentar levar aquilo a sério?

-Mas o jantar está apreciável. Não pense que não considerei isso.

Dino sorriu mais tranquilo, a verdade era que não importava como Hibari desejava, ele faria provavelmente tudo para que ele o aceitasse.

-Não sei se posso me desculpar. Você vai tentar me impedir de novo não vai?

-Com quem acha que está falando, Cavallone? Eu vou te deixar sem fondue.

-Nada disso, Kyouya, vamos repartir! Repartir!

-Se não se calar por 60 segundos eu não vou dar ele a você.

O loiro e o moreno continuaram assim até que a pizza acabasse e o vinho fosse levado até o quarto.

-A lua está bonita não é?...

Continua

Notas finais
Foi mais enrolação do que eu mesma esperava (e eu demorei porque a sala de leitura da escola ficou fechada por 2 dias. Resultado: Eu sem internet). Mas pensei em dar uma introdução ao lemon e depois fazer a continuação da trama, que realmente não será longa. Vamos apenas resolver umas coisas com o Mukuro e enfrentar o mundo no Mercado Negro.
Reviews então? Ciao Ciao!