Notas iniciais
E eu voltei. Huahahahaha, depois de lutar arduamente na sexta-feira, depois do almoço. Minha mãe (ela não mora comigo) comprou cação pra mim comer (é um peixe), mas eu só gosto DESSE peixe e só gosto EMPANADO. E adivinhem... Minha vó fez ele como ensopado. E eu sofri pra comer... Mas felizmente não tava tão ruim e meu humor tava bom o suficiente pra mim escrever um capítulo.
Boa Leitura :)

“Kufufufu”

Dino abriu os olhos suando. Ele apagou mesmo.

-Te-te-te-te... –esfregava a testa sentindo uma leve tontura.

-Boss. O senhor está bem?

Seus olhos mel levantaram ainda sentindo aquele sono forte. Piscou umas três vezes antes de poder focar a imagem de Romário tocando seu ombro, tentando mantê-lo sentado.

Dino olhou ao redor, o quarto, óbvio. Ele tinha sido levado pra lá.

-Ah, Mestre Dino, eu pedi pra aguentar mais um tempo antes de dormir. –sorria Lira com um copo de vitamina em uma bandeja média de prata.

O italiano só fez sorrir levemente. Lira conseguia fazê-lo ficar de bom humor mesmo nessas horas mais exaustivas. Era bom descontrair e ela era especialista em distraí-lo (ainda mais).

-Romário você deve estar cansado, pode ir. Hoje pode me esquecer aqui no quarto, estou exausto demais. A não ser que o Kyouya apareça querendo alguma coisa, não hesite em me chamar. Ah, se for o Tsuna, se for um assunto muito urgente pode também me chamar. Certo?

O homem de óculos assentiu com um sorrisinho imperceptível e assentiu com a cabeça. Virando-se de costas para o chefe e dando uma olhadela para Lira.

A loira se espantou a princípio. Os olhos por detrás dos óculos retangular preto exibiam duas colorações diferentes: o do olho direito um vermelho vivo com um símbolo escrito e o esquerdo um azul brilhante e levemente sexy.

“Romário” acenou com a cabeça para Lira e a moça rapidamente assimilou a situação. Ninguém saberia de nada. Absolutamente de nada.

Isso causava em si um tipo de ansiedade, excitação. Ela poderia finalmente completar seu intento desejado por anos a fio.

Além de cumprir a sua responsabilidade, poderia ainda se vingar daquela pessoa. Ela o faria da pior forma. O homem que saia do quarto agora iria ajudá-la.

-Beba tudo, Mestre Dino. Vai fazer bem.

A loira mantinha seu sorriso fraco e sua serenidade do dia-a-dia. Dino a observava enquanto dava seus goles um após o outro sem pressa. Ela esperava, como sempre.

Mas o que ela esperava?

Ela parecia sempre esperar algo mais. Dino percebeu que seus olhos estavam mais baixos, ela não queria olhá-lo. Sua aura, vazia.

Não. Não que ela estivesse ansiosamente esperando por algo, mas parecia mais como se ela estivesse pacientemente esperando, de uma forma ansiosa, mas com calma, tranquilidade.

Era como uma face ilusória. Uma máscara. Um sorriso falso.

Ela sempre o olhava. Mas hoje ela estava diferente. O gosto da vitamina estava diferente. E Dino se lembrou de Kyouya.

Ele estaria bem?

E porque de repente sua visão ficou turva? Ele só tinha subordinados confiáveis.

“Eu infelizmente não sou sua subordinada, Dino.” A loira pensava com pesar vendo os olhos de Dino rodarem, seu corpo desenvolvido fazer um som amaciado ao se encontrar com o colchão e sua cabeça afundar no travesseiro grande.

-Missão cumprida.

Em seguida, Romário voltou.

-Lira, eles já estão longe. Posso levá-lo agora.

-Hai.

xxx

-Hm?

Kyouya olhou para cima, ouvindo o som de um tiro. Depois ouviu mais três. E só aumentavam. Ele não conteve seu sorriso.

A luta era seu combustível, praticamente seu amor. Exatamente. Nada estragaria aquele momento tão gratificante.

Seus olhos afilados e agressivos encaravam quase sadicamente o oponente a alguns passos. A presa estava nervosa.

O prédio era pequeno, mas fazia jus ao estilo dos Todd.

Escura, a sala de tamanho irregular havia baratas balançando as antenas pelos cantos sobre caixas de algum produto fétido. As únicas telespectadoras da batalha, não que Hibari gostasse mesmo de plateia, ele odiava.

-Vamos lá herbívoro. Prefere fugir?

O homem parado não passava de um laranja. Ali era perto da estação de trem, e claramente, o ponto onde o dinheiro estava sendo transportado.

De alguma forma, o Chefe Todd conseguiu estabelecer uma rota e produzir uma pista falsa para que a polícia se desviasse do verdadeiro objetivo.

Sim, era estranho. Transportar dinheiro vivo não era uma das melhores ideias, mas Hibari compreendeu tudo depois.

Não havia maneiras de fazerem mais um desvio por conta bancária. Não mesmo. Rapidamente o FBI e mais alguns órgãos secretos estariam no pé dos italianos, eles estavam alertas 24 horas.

Todd conseguiu por intermédio de alguém tomar a ferrovia antiga daquela área e transportar para uma pequena ilha chamada de Galita, no Mediterrâneo.

De lá eles partiriam para Cuba, passando pelo Estreito de Gibraltar. E para enganar a marinha, eles usariam a Chrome. Para desviarem-se dos satélites, usariam os espiões já infiltrados e os corpos que Mukuro podia possuir.

Ou seja, era perfeito. O problema era: o porquê de Rokudo Mukuro estar ajudando o Todd. Havia maneiras de um ilusionista como ele ser iludido por outro? Nem por Viper parecia ser possível.

Ah, sim. A Todd era uma família fraca e muito inferior, mas tendo o Guardião da Névoa do lado deles, sem contar que ele podia praticamente se multiplicar e ainda havia a Chrome, era um passo gigantesco.

-Dessa vez eu realmente vou matar o abacaxi. –resmungava sem dó do homem, atacando com golpes comuns.

Hibari não havia mais tempo a perder. Alguns momentos atrás usou-se de toda sua experiência acumulada para retirar as informações de outro lacaio. Metade do dinheiro estava salvo, só que o Todd não fora tão ingênuo de achar que os Vongola não fossem interferir, então a outra metade ele deixou às suas vistas e acompanhado de Chrome e Mukuro.

Para vencê-los, Hibari precisava atrair todo seu potencial, pois mesmo não gostando de admitir, os ilusionistas juntos poderiam destroçá-lo, mesmo que demorasse muito tempo.

“Não é o melhor momento para agir.” –pensava contrariado.

Estava saindo do local. Com ele ali, na Itália, se encontravam apenas Yamamoto Takeshi e Dino Cavallone.

Mas Hibari nunca pediria ajuda a nenhum deles. Tsunayoshi falou que ele podia tomar conta sozinho da situação.

Seu celular vibrou. Nesses dias era normal estar no modo vibrar. Ele obviamente, em uma missão de espionagem, não poderia deixar que uma infelicidade acontecesse por causa do toque de seu celular (ECAAAA AQUELE HINO).

-Alô.

-Hibari. O Dino sumiu da mansão... Os subordinados dele também.

Hibari arregalou os olhos. Sumiu?

-Como?

Hibari não entendia o porquê de tudo ter parado a sua volta. Sim, os Cavallone eram o Alvo.

-Roubaram os Cavallone?

-Não. Não é isso...

A voz de Yamamoto soava meio preocupada. Takeshi era muito novo para viajar sozinho, mas com Hibari junto e com a influência da Vongola, foi fácil.

-O que houve?

-Não foram roubados. Eles só desapareceram, a mansão está entreaberta e não há carros, o chicote do Dino está aqui.

-Está vendo o Hibird?

Yamamoto demorou a responder.

-Não. Ele também sumiu. AH! O Enzo ali!

-Enzo? –no mesmo momento Hibari achou ser uma pessoa.

-É a tartaruga do Dino. Vou leva-lo comigo, pode ser útil.

Hibari sentiu um calo seu tremer por debaixo da pele na testa. Não brinca. Uma tartaruga? Dino tinha capacidade de ter um bichinho de estimação? Coitado do animal, devia sofrer por ter um dono tão besta.

-Como uma tartaruga pode nos ser útil Yamamoto Takeshi?

-Ah, você vai ver.

Hibari desligou o telefone. Não iria aguentar mais um segundo. Se continuasse falando ia explodir e perderia ainda mais tempo.

Balançou a cabeça voltando a pensar. Olhou pra trás, na direção dos homens que gemiam as dores e se arrastavam tentando sair dali.

Hibari se achegou até um deles e mostrou-lhe a tonfa, exibindo seu olhar brilhante, maligno e de um carnívoro superior, tal como um leão majestoso.

-Onde seu chefe está?

O homem soltou um chiado. Se tratava mais de um rapaz do que um homem, era novo demais para morrer e ele juntou as mãos implorando:

-N-Não me mate! E-Eu não sei, mas Lady Laud sabe.

-Quem é essa?

-A filha do Chefe! Ela é a única que sabe, mas também não sei onde ela está agora!

Hibari bufou, desacordando o rapaz. Ele de forma ou outra, agora precisava da ajuda dos Vongola, o tempo estava correndo e Dino estava agora desaparecido.

Hibari continuou seu caminho. O próximo passo era alcançar o extremo litoral sul. O Mediterrâneo. Lá ele tinha mais chances de encontrar o Todd.

Hibari saiu do prédio, dando-se com a rua, não demorando nada, viu um pontinho amarelo se aproximando.

O passarinho redondo pousou em seu ombro, esfregando-se.

-Ho, voltou. Me mostre para onde levaram aquele palhaço.

O pequenino abriu as asinhas e voltou a voar. Agora era melhor arranjar um meio de transporte.

Hibari enquanto corria na direção que o passarinho rapidamente voava, já conseguia ver o centro urbano despontar, não contendo um rosnado irritado.

Multidões, em plena tarde, 1 hora. Rosnou de novo.

Porque estava se dando ao trabalho mesmo? A vida do Cavallone estava em jogo. Ele se importava? Hm, era mais como “pagar a dívida”, só que Hibari não estava dando atenção às experiências adquiridas.

Não é que ele, durante os momentos lendo os relatórios, se esqueceu do que houve entre eles naquele momento. Nunca que sua mente esqueceria a sensação dos lábios do loiro.

Suas pernas ganharam ainda mais velocidade e ele adentrou os emaranhados de arranha-céus ignorando completamente a existência humana à sua volta.

Sua cabeça vagava enquanto automaticamente seguia Hibird apressado no ar. As pessoas davam saltos pra trás assustadas com aquele garoto de cabelos negros e pele pálida correndo feito louco. Ele tinha muita energia não?

Hibari tirou seu celular.

-Hibari... Que coinci-...

-Bebê! Mande um de seus espiões me achar na Avenida 5 do Centro de Roma, agora!

Do outro lado, na ligação internacional, Reborn ganhou sua expressão séria. Hibari pedindo ajuda?

-Tudo bem. Você está correndo?

Mas Hibari já havia desligado. Reborn estava no momento ajudando Tsuna com o estudo para um teste.

-Ele provavelmente já sabe que o Dino foi raptado.

Tsuna levantou a cabeça. Ele estava com os olhos vermelhos.

-Não faça essa cara, Tsuna. Não vai poder mandar ajuda ao Hibari agora que o deixou dar conta de tudo sozinho. Confie mais em seu Guardião da Nuvem.

Tsuna enxugou o olho esquerdo, fungando. Fez mais ou menos alguns minutos desde que Yamamoto ligou informando sobre a situação atual. E nada menos do que o normal deveria acontecer: Tsuna abriu um berreiro assustado e arrependido por jogar a responsabilidade toda em cima de Hibari, que ainda por cima estava recém-recuperado da gripe.

Só Tsuna e seus amigos sabiam como Hibari podia ser quando ficava doente. Ele presava a saúde e preferia ficar em um hospital a fazer coisas desnecessárias quando tinha que se cuidar.

O detentor da Chama do Céu bagunçou os cabelos, em seguida batendo os punhos na mesa.

-Gokudera-kun! Mande o apoio por fora no que precisar! Eu sei que deve ter algum planejamento por trás.

Gokudera até então estava ao lado do Juudaime sem dizer nada, apenas consolando-o como bom braço direito que era. Mas ele se assustou com a imponência de Tsuna. Ele vinha mudando muito, mesmo sem o Hyper Shinu Ki Mode.

-O-Ok Juudaime!

Gokudera se levantou em busca de contatar a famiglia direto na Itália. De lá eles poderiam dar apoio por fora, caçar as informações.

Durou uma hora. Tsuna roía as unhas e não se concentrava em mais nada, seu onii-san estava correndo grande perigo, eles não tinham notícias. O que Hibari estava fazendo?!

xxx

Foi com imenso espanto, para a multidão, que uma moto veio freando e marcando o chão, parando no caminho do moreno. Rapidamente, Hibari levantou a tonfa já pronto pra ser livrar do indivíduo de capacete, mas não foi necessário. Era Romário.

-Hibari-san, suba!

O Guardião mal pensou duas vezes, ignorando todos os olhares. A avenida movimentada apresentava prédios altos e cansativos de se olhar devido aos muitos vidros refletindo o sol.

Pois é. Estava fazendo sol no inverno. Hibari achou graça, mas no momento não estava realmente pensando em coisas como essa. Ele não era “distraído” como Dino Cavallone. Ele nunca se distrairia de seu objetivo.

A moto passava velozmente entre os carros. Quase raspando os vidros, Hibari não sabia para onde estavam indo, Romário tomava várias direções diferentes, atalhos, causando tumulto, passando rente ao comércio e as pessoas.

Hibari piscou quando avistou a rua que levava à mansão dos Todd. Claro, não era tão imponente, nem tão bela quanto a dos Cavallone, muito menos quanto a dos Vongola.

Mas uma coisa além de tudo Hibari percebeu. O lugar estava vazio, aparentemente. Hibird pousou em uma fonte e balançou as penas furiosamente piando para seu dono impaciente.

Hibari se apressou em descer num salto e correr até a entrada.

Ele normalmente teria passado essa parte devido à pressa, mas se tratando de que tinham o Cavallone como refém, ele não poderia ignorar o caminho todo, pois ainda poderia conseguir informações mais precisas no caminho (e armas).

O Guardião tinha muita confiança em suas tonfas, mas às vezes era necessário apelar para armas de fogo, que ele de certa forma não desgostava. Eram úteis em momentos propícios, senão eram descartáveis.

Como esperado, apareceram uma quantidade bem razoável de homens armados com bastões, pistolas, metralhadoras e até alguns mísseis. Vá lá um pequeno número de 50 a 60 homens.
-Não sabia que para deter o Guardião da Nuvem era necessário tanto.

Romário falou juntando as sobrancelhas. O subordinado número um de Dino não era qualquer um também apesar de sempre servir mais como garantia para o chefe lutar bem.

Hibari o ignorou, sacando as tonfas. Aquilo viraria um massacre.

Assim que o primeiro tiro, o primeiro grito e aquela massa de homens extremamente violentos se aprontaram para eliminar o japonês sério, Hibari deu um salto, atravessando a área, se apoiando no lustre e invadindo o segundo andar, onde chutou um dos homens que segurava uma bazuca.

Ele não demorou três segundos, desviando-se dos tiros que ecoavam pelo local de vidraças, o som os ensurdecia. Hibari usava as tonfas e esquivas para dar conta de finalmente apoiar em seu ombro a arma e engatilhar.

O som estrondoso e a explosão destruiu toda a parede lateral e grande parte do tempo, a entrada da casa pendia e ele não pensou duas vezes para dar mais um tiro. Ele já estava se sentindo o Iron Man quando Hibird apareceu voando em direção ao outro andar.

Hibari escapou de mais um tiros e afastou vários homens com bastões, voltando a correr.

Não houve tempo suficiente para que ele pensasse num plano. O tal Todd estava sendo protegido por Chrome e Mukuro, então seria com eles que deveria lutar.

Não que estivesse com medo, mas o que eles pretendiam com Dino?

Uma das maiores portas da mansão foi aberta com força, perto de ser destruída, revelando a figura meio ofegante do Guardião da Nuvem. Hibird foi se aquietar do lado de fora.

-Oya oya... Seu passarinho acabou trazendo-o para junto de nós... Hibari Kyouya?

Hibari apertou os olhos sem entender. Havia um corpo.

Ele estava de costas, olhando para a janela, e voltou-se levemente. Era o tal de Todd? Mas os olhos era dele sim.

Hibari não dirigiu nenhuma palavra, buscando o Cavallone com os olhos em volta da sala circular e extensa. Ilusão?

Mukuro estava ali no corpo do Todd.

-Ma, esse homem é tão cruel que foi muito fácil pegar seu corpo... Foi consentido, sabe?

O azulado piscou o olho, sua boca com o leve sorrisinho de escárnio. Ele levantou as mãos dando de ombros, típico dele.

-Onde está o Cavallone?

A voz de Hibari soou muito tranquila para quem por dentro estava irritado por tudo o que estava acontecendo. E ainda tinha os resquícios da gripe, estava sentindo o nariz coçar. Que inconveniente!
-Cavallone? Ah, ele não está aqui.

Mukuro não era assim, Hibari começava a pensar que algo muito ruim estava acontecendo agora com o italiano.

A tonfa foi levantada em ameaça, já do conhecimento do italiano de olhos heterocromáticos, e Hibari adiantou vários passos até o centro, onde havia uma abóbada fechada, um tipo de cúpula como um sino de igreja.

Mukuro cruzou os braços quase rindo e fez seu tridente aparecer, um leve espectro de sua imagem real apareceu sobre o corpo de Todd e ele girou o metal entre os dedos, em seguida apontando as três pontas afiadas para cima.

-Hm, se faz tanta questão.

Hibari não tinha certeza se deveria arriscar olhando para cima quando aquele infeliz podia vir e cortá-lo para roubar seu corpo, ou até mata-lo se assim fosse seu desejo.

-Pode relaxar Hiba-kun. Acho que até vai gostar do que vai ver...

Hibari apertou os olhos mais firmemente, mas essa expressão desapareceu quando ouviu uma voz doce vinda de cima.

-Kyouuuya...

Ele parecia cantar, mas Hibari pressentiu o perigo apesar de não estar acreditando que Mukuro foi capaz de fazer algo assim. Bem, na verdade Mukuro era capaz de tudo (Nunca duvidem de Rokudo Mukuro ouviram?!).

-Kyouuuya...

-Vou mordê-lo até a morte por isso. –disse afiadamente para Mukuro, avançando rapidamente.

As tonfas se encontraram violentamente, faiscando contra o tridente. Hibari não se importava em lutar correndo esse risco, mas ou ele terminava com o ilusinista naquele momento, ou algo pior poderia acontecer.

Hibari desferiu um soco no rosto do homem, sangrou pelo que viu. Ele caiu para trás.

Normal, Mukuro não conseguiria lutar muito bem com um corpo fraco, sem habilidade nenhuma.

Mas Hibari já esperava por alguma surpresa, foi com velocidade que conseguiu escapar do tridente que apareceu quase atravessando seu estômago.

Ele rolou pelo chão, virando-se para o local onde esteve parado alguns segundos atrás.

Hibari rosnou. Havia um sorriso enorme, dois olhos sádicos e várias marcas no lado esquerdo daquela face.

O tridente girava na mão tatuada e os cabelos loiros estavam bagunçados. Parecia que tinha bebido ou se drogado, algo assim, mas Hibari e qualquer um da Vongola saberia que era desse jeito que ficavam as pessoas possuídas pelo Guardião da Névoa.

-Cavallone!

Hibari tentou chamá-lo, mas do que adiantava? Várias marcas de cortes enfeitavam os braços do Chefe Cavallone, as pernas e o tórax, também havia no pescoço e o rosto de Dino parecia ter sido socado.

Havia sido bastante coisa para tão pouco tempo. A voz de Dino soou dentro de seus ouvidos o deixando com mais raiva ainda.

- Vamos terminar logo com isso ou você ainda pode se entregar a mim sem dor. O que acha, Kyouya?

Para o espanto de Mukuro, Hibari sumiu do nada e ele arregalou os olhos no corpo de Dino. No momento que foi se virar, sentiu o Guardião da Nuvem derrubando-o no chão.

-Cale a boca, herbívoro.

Mas ele escapou novamente, metendo o cabo do tridente em se rosto, mas sendo evitado pela tonfa esquerda.

A mão de Dino forçava ao tridente e se levantava, ele fechou o olho com o símbolo, o que indicava que ele iria usar uma de suas técnicas.

Com a outra tonfa Hibari desferiu um golpe que foi interceptado também, mas continuou com os chutes e as esquivas até que o ilusionista estivesse encurralado.

Mukuro não estava conseguindo, de certa forma, se equilibrar no corpo do Cavallone. Por que? Não era porque ele era alto! Que idiotice!

Hibari deu um giro no ar, chutando o peito do loiro. A mesa do escritório espatifou junto com o corpo do Cavallone.

Mukuro ainda tentou se levantar, mas quando o fez, escorregou num pedaço do tapete.

-MAS O QUE É ISSO?!

Hibari não conteve um sorriso sarcástico.

-Saia do corpo dele. Agora.

O rosto de Dino se converteu num sorriso todo esgarrado. Mukuro estava usando uma ilusão.

Hibari arregalou os olhos e se virou para trás, lá estava. Uma grande katana voando para cortar seu corpo com velocidade.

Por pouco não conseguiu evitar algum local muito perigoso.

As mãos que seguravam a espada eram muito brancas e os cabelos eram de um loiro desbotado. Os olhos azuis estavam sérios e nada corrompidos.

-Prepare-se para morrer, Hibari Kyouya!

A voz dela o irritava. O irritava tanto! O japonês já não sabia se continuava com sua expressão controlada ou se estava literalmente rosnando pra aquela vadia!

Mas agora a situação complicou em três vezes mais. Havia o corpo de Todd se levantando, o de Dino sorrindo tão diferente e Lira o encarando com frieza.

-Herbívoros... Me irritam.

Hibari realizou uma sequência de golpes tão rápidos que Lira não conseguia acompanhar muito bem.

Cada golpe da espada atingia um ponto do escritório, ou passava rente ao corpo de Hibari, ele logo estava esquivando do tridente que vinha pelo ponto cego e dando giros rápidos para que os tiros da arma do Todd não o pegassem.

Numa dessas sequências repetidas, Lira acabou se distraindo e o corpo do Todd foi jogado em cima do seu, Hibari correu até o Cavallone.

Ele se preparou, mas o que houve foi completamente diferente.

-Você terá que me desculpar, Cavallone.

Tudo a mais que ocorreu foi o som apavorante do grito do Chefe Cavallone. Lira tentou se recompor, mas o corpo de Todd não estava mais em condições (cara inútil).

O som de “Crec” correu naquele lugar fazendo até Hibird piar incomodado do lado de fora. O corpo de Dino deu-se com a parede de forma muito bruta.

Hibari não parecia estar nada satisfeito com aquela luta. Em suas mãos as tonfas, seus dedos apertando o cabo com muita força.

-Agora falta você, herbívora.

Lira arregalou os olhos sem entender. Olhou para o Dino possuído. Ele tentava se levantar, mas apenas rosnava de ódio, batia os punhos no chão.

-M-MUKURO-SAN?

O corpo de Dino apagou e caiu no chão.

Hibari viu uma nova figura aparecer no local, Romário. Mas ele também... Em suas mãos também havia um tridente e por trás da loira, esfaqueou-a.

Não demorou nada para que Mukuro também a possuísse.

-Oh, que esperto, Hiba-kun.

A voz dela mesmo controlada por Mukuro era irritante. Hibari deum uma leve corrida e tentou acertar a mulher, mas ela desviava-se muito mais rápido.

-Você quebrou as pernas e as costelas do Cavallone justamente para que não pudesse mais lutar. Muito inteligente! E é por isso que eu o desejo também!

Mukuro parecia cada vez mais empolgado. E tudo aquilo? O dinheiro? O roubo? Foi tudo planejado por Mukuro?

-Sabe, Hibari... Eu entrei nessa brincadeira para simplesmente pegar o corpo do Cavallone. Não concorda que a influência dele também seria útil? Cinco mil subordinados, todos eles a meu favor. –Mukuro fazia expressões no rosto de Lira de forma cada vez mais enjoativa.

E Hibari estava ficando sem saídas. Ele foi irresponsável.

-Dessa vez, Hibari Kyouya, você não vai me atrapalhar.

Hibari viu o tridente bater em seu rosto e ele cambalear para trás e ele escutou três tiros. Os dois primeiros vieram da pistola de Romário, a última veio detrás de si.

O Cavallone foi possuído novamente. Enquanto ele estava ocupado lutando contra Lira e Romário, Mukuro fez com que o corpo de Todd fizesse um pequeno esforço, lançando a pistola para perto de Dino e quando Mukuro o possuiu novamente... Hibari já estava perto o suficiente para que o Cavallone atirasse mirando em seu peito.

Um filete de sangue escorreu por sua boca e ele sentiu o corpo ir enfraquecendo, o tridente atravessou seu ombro, fazendo-o um berro doloroso cortar sua garganta.

Hibari mal pensou com a razão, não tinha desespero, mas tinha muitas coisas para resolver. Ia morrer... E o rosto de Dino apareceu em sua mente. Ele não conseguia sequer entender porque de todas as pessoas (irritantes) que existiam, logo o Cavallone tinha que aparecer em sua cabeça. Ele não sorria.

Não sorria.

O sangue escorreu com mais força por seus lábio finos e brancos. Uma tosse tomou conta de seu peito e ele começou a perder a respiração.

-Finalmente! MORRA DESGRAÇADO!

A voz de Lira era tão... Para piorar ainda mais a situação, Mukuro era cruel o suficiente para manter-se no corpo inutilizado do Cavallone, apenas para provoca-lo.

Seus olhos azuis índigos estavam virados para o corpo do loiro. Ele estava com uma expressão tristonha, mas com os olhos daquele maldito ilusionista.

-Como você pôde Kyouya...

-Saia... Do corpo do Cavallone...

Ele falava automaticamente, mas conseguia ver o que Mukuro fazia, Lira caída no chão junto com Romário, e sua mente trabalhando mesmo com a dor do metal atravessado.

Ele estava sentindo o líquido quente e vermelho ir esfriando, manchado no cabo do tridente, pingando no chão. O rosto de Dino em sua cabeça continuava sem sorrir. Os três tiros pegaram seu braço, seu peito e uma de suas coxas. Estava quase inabilitado.

Kyouya com o braço baleado levantou a tonfa, mesmo estando com a dormência impedindo-o pouco a pouco. Hemorragia. E Mukuro continuava assistindo no corpo do Cavallone.

A mão de Hibari já não conseguia fechar em volta da tonfa e ela pousou perto do loiro.

Mukuro fez com que a mão de Dino fosse ao cabelo de Kyouya e o agarrasse com força.

-O incrível é que você não morre... –disse sorrindo enquanto os fios negros em seus dedos eram puxados.

O corpo de Hibari foi meio que arrastado para mais perto e Mukuro alcançou seu tridente, retirando-o do ombro de Hibari.

-Mas se você morrer aqui, a Vongola vai me prender. Mas você inutilizou o Cavallone, eu deveria te punir.

Agora Hibari mal ouvia. O maldito ia poupar sua vida? Isso ele não aceitava.

Hibari tossiu mais algumas vezes. Seu terno estava todo ensanguentado agora e todos os presentes não podiam se mexer.

-O plano do Todd não tem nada haver comigo, era apenas uma ajuda em troca do corpo do Cavallone... Mas agora que você atrapalhou, não me resta nada além de ir embora. Tente não morrer enquanto ninguém chega, kufufufufufu...

A voz de Mukuro sumiu e o corpo do Cavallone ficou inerte, caindo desajeitado com o corpo de Kyouya jogado entre o seu. Mukuro o tinha arrastado pra cima do corpo do Cavallone, maldito.

Hibari nem se permitiu resmungar. Olhava diretamente para o rosto do loiro, parecia cansado (não diga).

Mukuro teria excedido Dino ao limite mesmo se Hibari não tivesse feito nada. Dino havia passado toda a noite acordado e estava tendo noites de sono terríveis por sua culpa.

Ah, Hibari diria: “Não é problema meu, você que me prendeu aqui”, só que as coisas evoluíram de nível.

O Guardião da Nuvem tentou sair de cima do loiro, caindo ao lado, seu ombro doía como nunca. E pensando bem, Mukuro poderia ter pego seu corpo, mas ele não estava se importando muito.

Algo devia ter acontecido com Chrome pra que ele não tenha continuado a batalha. Só podia ser.

Hibari segurou um gemido com a pontada que a bala dava. Somente a que pegou seu peito estava encravada ainda e com a mão esquerda, Hibari tentava tirá-la a todo custo. Havia um arrombo ali, o tiro havia sido dado perto demais e ele estava começando a desistir, sua visão estava apagando.

Ele estava morrendo agora e os minutos estavam contados.

Se não aparecesse ninguém, ele e o Cavallone...

Continua

Notas finais
Adivinhem: Eu comecei esse capítulo na sexta-feira retrasada e fui terminar nesse domingo. Olha que pessoa mais inteligente! Mas sabe o que é pessoal? Como viram aí, eu tive muitas ideias e agora eu consegui digitá-las. O QUE ACHARAM? Eu queria muito fazer o Mukuro levar o corpo do Hibari pra fazer coisas indecentes com ele, mas eu... Não podia fazer isso. Nesse momento eu achei mais interessante o sangue e a mooooorte de Hibari. Todo mundo sabe que em fanfic de romance que NÃO É Death Fic, o personagem principal não morre. Então tranquilas aí, ou eu teria colocado Death Fic que é o certo a se fazer. Mas foi por pouco né?
Esse ficou tão grande UAAAHHH! E nem notei o tempo enquanto escrevia.
Gomen por parar nesse momento crucial! MAS TÁ MUITO GRANDE JÁ!
Até... O próximo? :3 Jaa!