In The End Of Saturday
6 Part06: Sobre Sentimentos
Notas iniciais
Mas ela não é má. Só quer quebrar o gelo e ter uma noite feliz. Porém não tem pra ela nessa fic não é? O Hibari é do Dino e de mais ninguém por aqui.
Boa Leitura!
-O que está fazendo aqui?
Hibari estreitou os olhos para a moça sentada na cama. O moreno saiu do banho após quase uma hora, estava com os cabelos úmidos, usando uma calça preta de moletom e uma camisa branca de botões aberta.
Lira se levantou e deu um sorriso, se aproximando de Hibari com um tecido azul-escuro em mãos dobrado.
Hibari era mesmo um homem bonito. Lira ainda indagava consigo mesma se Dino e Hibari tinham mesmo alguma coisa.
- “Mestre Dino é uma pessoa cheia de sorrisos para qualquer um, mas para este homem ele reserva o mais bonito de seus sorrisos, eu vi.” –pensava enquanto estendia o pano.
-O que é isso? –falou quase sem mexer os lábios o moreno, irritado por ela ter entrado sem avisar.
-Um kimono. Mestre Dino mandou entregar. Ele mandou dizer que achou que o senhor sentia falta da vestimenta do seu lar, por isso mandou entregar um modelo que ele tinha trago do Japão. –explicou.
-Hm.
Hibari abriu-o, analisando-o. Provavelmente alguém tinha ajudado o italiano a escolher, pois seria impossível para alguém como o Cavallone identificar uma peça de tão alto valor e tão boa qualidade.
-Avise seu mestre que ele é um idiota, mas aceito usá-lo.
Lira sorriu novamente, mas não saiu dali. O japonês a encarou fortemente, passando no olhar que queria ela fora do quarto, porém a moça ignorou o mandado e se aproximou de Hibari, quase suavemente, de uma forma lisa que o fez se afastar.
Aquela mulher tinha movimentos lisos demais, ela era perigosa, mesmo que seu rosto não mostrasse nada além de um rosto feminino e lindo sorridente.
Hibari sentiu as costas na fria parede e em seguida sentiu o corpo da loira encostando-se ao seu ligeiramente.
O Guardião segurou a respiração sentindo uma mão rápida e esguia tocar seu abdômen livre e magro, tanto pálido, subindo provocantemente com os dedos longos de unhas pontudas, tocando seus músculos.
-Lira. –chamou colocando a mão no ombro dela tentando afastá-la.
Hibari vacilou, ela era uma mulher e não estava buscando machucá-lo, mas ele tinha que afastá-la. Seu objetivo naquele momento estava ficando claro.
-Mestre Dino disse que precisava que você aparecesse no jantar pra fazer companhia... O jantar ficará pronto em meia hora... Nesse tempo...
A outra mão de Lira forçou o peito de Hibari, prensando-o mais forte contra a parede. A mão que tocava seu abdômen subiu e tocou seu tórax, acariciando-o de forma doce.
Hibari engoliu em seco. Apesar de ser um antissocial e rígido, era seu primeiro contato com uma pessoa do sexo oposto... E para piorar, uma mulher adulta.
-Que expressão é essa?... –perguntou estranhando o rosto de Hibari, convertido em uma faceta um pouco excitada e vermelha.
A mão subiu tocando o pescoço de Hibari e passou os dedos, causando arrepios ao moreno, que virou o rosto e empurrou a loira.
-Já chega.
Mas Lira não desistiria tão facilmente. Ser rejeitada por Dino era algo completamente diferente, porque ele era quase um deus e poderia ter a mais bonita das mulheres da Terra, mas aquele japonês não tinha nada a perder, tinha?
A loira se aproximou novamente, Hibari estendendo a mão para impedi-la de chegar mais perto. Ela olhou com raiva para a mão branca e macia do moreno.
Seria mesmo que Dino estivesse se interessando por aquele garoto? Tão pálido e carrancudo!
Como o Chefe dos Cavallone poderia se interessar por alguém assim? Logo ele que era um ser simpático, cercado de pessoas, amigos e mulheres apaixonadas?
Ela agarrou o pulso de Hibari e o levou ao próprio corpo, fazendo a mão do moreno pousar sobre seu seio esquerdo.
O japonês sentiu um choque e soltou-a saindo de perto. Ele iria sair daquele quarto e sumir.
-Você é virgem, não é?
Hibari parou no meio do caminho. Ele devia continuar a andar e talvez ir procurar o Cavallone para dizer-lhe umas verdades.
-Nem ao menos deve ter sentido um gosto de um beijo não é?
Hibari eriçou os pêlos. Não precisava ouvir isso de uma empregada.
-Eu não quero. Agora saia, ou falarei com seu chefe sobre sua falta de profissionalismo. –falou voltando ao seu tom de normalidade.
Hibari não perderia o controle por causa de um pedido por sexo tão óbvio. Ganhar chocolates, cartas, era tudo aceitável, porque ele podia rejeitar sem nem ao menos olhar pra elas, porém aquilo o deixou desconcertado.
Uma mulher como aquela, ele poderia despertar o interesse de alguém tão belo como ela e esta, mesmo sabendo de sua personalidade, por ser meio parecida, ainda teve a audácia de tentar seduzi-lo. Corajosa sim, inteligente, não.
-Vou repetir apenas uma única vez: Saia. –abriu a porta, irritado com a insistência da loira, que já tinha tentado beijá-lo.
Ela bufou e saiu com ódio. Lira não tentaria mais nada com aquele pedaço de gelo, era um idiota por desperdiçar tão ótima chance.
-Você não faz meu tipo. –sussurrou Hibari consigo mesmo, pensando em cabelos amarelos fortes e olhos castanhos brilhantes acompanhados de um sorriso enorme.
O japonês ainda se perguntou se devia usar o kimono por causa do frio, mas dentro da mansão estava agradável a temperatura. Era só não sair que tudo estaria bem.
Olhando-se novamente no espelho, hábito terrível que estava adquirindo naquele lugar, Hibari percebeu que ele ficava realmente bem em kimonos, sentindo-se ainda mais orgulhoso da vestimenta. A faixa era de um preto com desenhos sem forma, o kimono azul-escuro tinha desenhos de alguma flor, mas em linhas escuras que se confundiam com o tecido.
No fim, Hibari sentiu-se satisfeito e descalço mesmo resolveu descer. O tempo já havia passado e ele tinha secado o cabelo, cheirando a cravo.
Descendo as escadas, lembrou-se dos homens que estavam ali, mas percebeu que agora não havia mais ninguém. Ao pé da escada via Romário segurando uma prancheta e olhando pra ela com algum tipo de incômodo.
-Ah, Hibari-san. O Boss está no escritório com um visitante. Se quiser, pode jantar no salão do primeiro andar. A entrada é no fundo do corredor depois das salas de reuniões, o jantar está sendo servido lá.
Hibari assentiu e atravessou a ligação para a segunda entrada que levava aos escritórios e salas de reuniões. De primeira, achava que só tinha uma sala de jantar, mas se enganou.
Seguindo reto, via muitos quadros e pinturas dos chefes anteriores, mas apenas um deles possuía olhos castanhos como os de Dino. Nele não havia sorriso, mas podia ver que aqueles olhos expressavam mais suas emoções que sua boca.
Hibari ignorou seus pensamentos e deparou-se com o local desejado terminando de ser montado. Havia dois lugares, era uma mesa não muito curta e nem tão grande, espaçosa e com um jantar tipicamente japonês.
Hibari sentiu alívio, não aguentava mais massas ainda que gostasse de macarrão. Sentia falta do molho de soja e do misso.
Hibari deixou a comida ali e seguiu para a grade que possibilitava a visão para o terreno mais bonito da mansão, o jardim. O japonês esteve lá e percebeu a variedade de espécies e hoje, ra que não serenava nem chovia, ele podia apreciar um tímido sol por trás das espessas nuvens saudando as flores típicas e coloridas.
Um vento não muito frio passou por si, mexendo um pouco com sua veste e seus cabelos, trazendo uma sensação familiar de lá de sua amada cidade. Ele precisava voltar.
Enquanto isso, um par de olhos castanho-escuros observava com surpresa a nova figura na mansão.
-Oh, Cavallone, está com uma presa por aqui. –comentou o homem vestido com um terno despojado, cabelos bem penteados e ar um pouco sério.
-Presa?
Dino levou os olhos discretamente até onde os castanhos do Chefe Todd observava. Seu olhar estreitou e lançou um aviso visual para o homem, que não entendeu.
-Ele é muito bonito. Não seria um bom material para o Mercado Negro?
Dino mordeu o lábio, fechando o punho. Aquele homem ainda tinha que lembrá-lo das coisas terríveis que fora obrigado a fazer tantas vezes como participar nas vendas e leilões de pessoas no Mercado Negro?
Ele odiava pensar nisso, e pior ainda, Kyouya estava usando aquele kimono. O italiano não esperava que de repente o Todd aparecesse e interrompesse sua noite.
Mas como boa pessoa e chefe, resolveu atende-lo. E para sua má sorte, o homem já estava quase babando no japonês que devia estar alheio sobre sua visão tão despudorada e pervertida.
Ele devia não saber que Dino havia se excitado em olhar as pernas brancas e os cabelos negros, os olhos fechados e aquela expressão tão fofa e pouco madura.
-Vamos lá Dino, aquele rapaz é japonês? Ele deve valer muito! E tão bonito, sua venda seria tão boa que-...
-Impossível. Aquele rapaz pertence aos Vongola. E ele está sob meus cuidados. Agora por favor, retire-se, eu tenho outro compromisso.
O homem conteve seu sorrisinho pervertido na hora ou perceber o tom de voz e a palavra “Vongola”.
Pessoas alheias imaginarem coisas impróprias com Kyouya já tinha passado dos limites para Dino. Pelo jeito teria que mantê-lo longe das vistas italianas também.
Mesmo que o Guardião da Nuvem soubesse muito bem como chutar traseiros e morder herbívoros até a morte, ele faria uma chacina se soubesse que fora ligeiramente alvo de tarados e homens desvirtuados querendo usá-lo para fins sexuais fora da lei.
Dino de forma nenhuma permitiria. Ele tinha jurado que nunca mais iria agir no Mercado Negro envolvendo pessoas, sendo inocentes ou não. Ele tinha pedido apoio dos Vongola quanto a isso, e saiu ganhando.
Quando o Cavallone se viu livre do Todd, Lira lhe apareceu não muito contente com algo, mas Hibari não poderia esperar mais ou o mataria mesmo.
-M-Mas, mestre...
-Não dá agora, Lira. Eu prefiro não morrer.
Dino sumiu pelo corredor e a loira ficou abandonada. Ela suspirou fundo, não sabendo o que fazer mais para chamar a atenção de seu amado chefe.
Ela foi até a janela, na qual as cortinas balançavam furiosas pelo vento. Dino tinha mania de deixar as coisas abertas assim mesmo. Lira estendeu-se na beirada da janela sem grades e olhou para fora.
Seus olhos se estreitaram na mesma direção que o Chefe Todd. Ela observou as pernas finas, mas firmes e pálidas, bonitas e sensuais aparecendo. Os cabelos negros realmente eram um charme e aquela expressão séria para o nada fez seu coração bater um pouco mais rápido.
Ela não poderia sentir mais inveja.
Quando bateu as janelas trancando-as e arrumando as cortinas, Lira estava possessa, tinha visto Dino aparecer no mesmo local que aquele garoto de kimono, já esboçando o mais lindo de seus sorrisos.
Ela atravessou a mansão para a área dos empregados.
---
Quando o italiano chegou afobado jogando o casaco do terno em cima de Romário e em seguida o colete, Hibari o olhou com repreensão.
-Kyouya, me desculpe! Estava muito ocupado.
-Não para me obrigar a ficar aqui na Itália, e ainda mandou sua empregadinha.
-Ah, o que achou da Lira? Ela é ótima não é? –sorriu o loiro sentando-se em seu lugar.
Kyouya bufou.
-Se deixa levar muito fácil pelas aparências. –resmungou Hibari incrédulo pela personalidade de Dino.
-Hm??? Ela te fez algo, Kyouya?
-Não, esqueça isso. Estou com fome.
O moreno aproveitou de sua refeição o máximo possível, tendo o privilégio de ver o crepúsculo tão bonito naquele dia 7. O Cavallone até tinha parado para observar esquecendo-se de seu prato infestado de verduras, que fez Hibari rir internamente por tanta “coelhice”.
-Eu tinha me esquecido de como são bonitas as coisas em volta.
Hibari largou do copo de suco e fitou Dino uns instantes, vendo o vento balançar aqueles fios de cabelo. Parecia uma criança que se pergunta sobre o futuro distante em um dia qualquer.
Mas aquela criança já sabia de seus dias, de sua profissão, de suas convivências e de suas obrigações. Hibari sentiu como se fosse viver sozinho a vida inteira, e gostava dessa sensação, mas pensar que alguém fica triste por sentir-se assim, quase o fazia mudar de ideia.
Os olhos de Dino observavam as cores do entardecer como se fizesse muito tempo que não as via, como de fato era. Porém Hibari conseguiu perceber que, além disso, Dino apreciava coisas simples como olhar o céu e o movimento das árvores e que em momentos assim ele ficava incrivelmente quieto.
Hibari segurou esses minutos em seu peito e ficou tentado a ouvir seu coração. Ele tocava devagar e podia sentir a boa sensação que nunca havia sentido ao estar na presença de alguém.
“Essa é a pessoa certa”, foi o que pensou. Ele era a pessoa que não queria buscar, mas que esperava inconscientemente.
Aquele velho Hibari talvez nunca voltasse depois daquele sábado. Dino era o responsável então teria que se responsabilizar.
Sua gripe tinha praticamente sumido e no dia seguinte Hibari estava certo de que voltaria a Nanimori. A primeira coisa que faria seria ir até Sawada Tsunayoshi e rever sua escola.
-Kyouya?
Hibari olhou para Dino tentando transparecer seu humor típico, mas o loiro olhou-o de uma forma quase sedutora e tocou sua mão gentilmente.
-Obrigado por ter ficado.
Kyouya sentia sua pressão subir. Aquele idiota tinha que mudar tão de repente de humor? Ele fez uma cara de apaixonado que quase tirou o ar do moreno.
-Ah, Kyouya? Você está bem?
Hibari rosnou.
-Vou mordê-lo até a morte se não calar boca, herbívoro idiota.
Dino se recostou e sorriu balançando as mãos levemente. Ele estava tão feliz, ele era um idiota mesmo, deixando suas emoções tão expostas.
-Como você é um chefe, Cavallone? Ainda é difícil acreditar.
Dino sorriu de canto e bebeu de uma taça de vinho tinto.
-Você ficou lindo nesse kimono. –comentou baixo brincando com o cristal nos dedos.
Foi como atiçar o leão. Hibari ficou vermelho como nunca em sua vida, levantando-se e mostrando as tonfas, preparando-se para fazer purê de Dino.
Dino riu e saiu correndo pela mansão com Hibari em seu encalço. Ele não escaparia de forma alguma da bela surra.
-Como ousa Cavallone?! Seu maldito, vou mordê-lo até a morte! –avisava enquanto lançava uma das tonfas, acertando a cabeça do loiro pervertido.
-Só vou descansar quando tiver seu cérebro inferior empalhado na minha mesa!
Dino choramingou um pouco, mas se refugiou em seu quarto, fechando a porta, mas ela logo foi arrombada com a força de um mamute e Hibari entrou como o Ex-Líder do Comitê Disciplinar pronto pra dar uma lição a um fora-da-lei.
No canto dos olhos de Dino duas lágrimas grossas. Hibari estava sexy e assustador com aquele kimono grande e quase caindo pelos ombros, resvalando nas pernas.
-Já escolheu seu caixão?
-Eu vou ser cremado, Kyouya! –chorou Dino implorando pela sua vida.
O moreno segurou o colarinho da camisa de Dino, mas algo aconteceu que fez Hibari se esquecer de seu objetivo, talvez fosse aquele cheiro gostoso que havia sentido no travesseiro (Que cena vergonhosa!), ou a mão esquerda de Dino tocando seu pescoço.
Hibari caiu sentado pra trás, afastando-se do loiro que o olhava curioso.
-Você está usando o crucifixo.
Hibari corou. Ele tinha posto no pescoço e tinha o deixado lá, quase se esquecendo de que esteve com ele o tempo todo, mesmo depois do banho o punha de volta sem pensar muito.
Os olhinhos de Dino trasbordavam de felicidade.
-Ah, Kyouya, quer dizer que você me considera!
-Ainda quer ser cremado? –cortou Hibari engrossando a voz.
Dino negou rapidamente, mas o sorrisinho não saiu de seu rosto. O japonês se levantou e suspirou.
-Seu doente. Qual seu problema, Cavallone? Levante-se logo, não tenho tempo a perder. Ainda preciso arrumar minhas malas.
-M-Mas já? –Dino segurando a mão de Hibari com força.
-Não estou mais doente. Vou embora. –Hibari soltando-se e indo para seu quarto.
Dino ficou fitando o corredor pela porta aberta, e Hibari andava a passos lentos, esperando que o loiro o seguisse, mas cada segundo mais ele perdia esperança, isso se ele estivesse certo sobre esse sentimento novo.
Quando o moreno pisou no quarto, sentiu um leve empurrão e a porta sendo fechada atrás de si. Quase teve vontade de sorrir, aquele italiano conseguia fazê-lo ter vontades nunca antes sentidas não é?
-K-Kyouya! E-Eu tinha falado antes que... Que... Era egoísmo meu, mas você podia ter ido embora hoje. –o loiro falava todo enrolado e com a face toda vermelha.
Hibari fez uma cara estranha, ele tinha vindo para contornar o assunto e ainda por cima importuná-lo?
-Não podia. E não sou irresponsável como você. Seria ruim se eu transmitisse a doença.
Dino assentiu. O que diria agora? Até parece que aquele rapaz entendia algo sobre relacionamento ou sobre as coisas estranhas que estava sentindo.
-Cavallone, pode ser direto?
Hibari percebia agora o quanto aquela semana estava sendo cheia de “primeiras vezes”. Ele engoliu em seco, tentando transparecer, com muito esforço, pelo olhar o que realmente queria que o Cavallone dissesse.
Cada um em sua fantasia semelhante, mas esperando do outro qualquer outra coisa. Duas ilusões.
-Eu queria poder pedir que você ficasse, mas não é possível.
Hibari abaixou os olhos. Realmente, Nanimori devia ter virado de cabeça pra baixo em sua ausência e ele precisava voltar e colocar disciplina naquelas cabeças de nabo.
-Verdade.
Dino respirou fundo, tentando controlar um pouco de seu nervosismo, mas perto de tal pessoa que mexia com seus pensamentos, o italiano quase não conseguia segurar a verdade na garganta. Ele odiava mentir, então contornava o assunto apenas para não confirmar mentiras e inverdades.
-Kyouya, eu... –Dino engoliu em seco, tentando arranjar uma resposta.
Mais uma tonfada seria o suficiente para levar Dino ao hospital. O médico havia dito que o japonês era muito forte e violento e acabaria o aleijando se não tomasse cuidado.
Hibari juntou as sobrancelhas, irritado. Estavam tentando manter uma conversa inútil que não levaria a lugar algum, e Hibari não era nada bom com palavras.
-Se puder Cavallone, diga tudo de uma vez, ou faça alguma coisa para que eu entenda sua fala incompreensível. Herbívoros são assim mesmo, muito vulneráveis às emoções.
Hibari lutou para falar aquilo totalmente sério. Nada melhor que aquilo sairia e ele esperava que Dino entendesse, senão, ele desistiria daquela loucura no mesmo momento. Contudo Dino não o decepcionou.
O baque que sentiu nas costas doeu, mas fosse aquilo uma coisa dolorosa ou não, Hibari não ligava. Sua concentração estava naquela boca que se aproximava entreaberta, lábios carnudos e úmidos que chamavam sua boca igualmente, os olhos de Dino cerrados e sua respiração falha tocando seu rosto num milésimo de segundo.
Hibari sentiu uma sensação gostosa, o corpo do loiro o abraçando, a boca tocando a sua, quente, a língua se movendo sobre seu lábio superior, esperando uma resposta que estava demorando a vir.
Dino soltou-se do Guardião esperando um soco, uma tonfada, um xingamento, qualquer coisa.
Hibari ficou fitando aqueles lábios que se avermelharam e sua mão correu pelo ombro de Dino, segurando a gola da camisa. Seus olhos desviaram para o lado e fecharam-se tentando respirar melhor pela boca.
Manter o silêncio só iria desencadear a reação mais óbvia por parte do Cavallone, ele iria se levantar, se desculpar e sair do quarto. Mas Hibari não ia deixar.
O rapaz deixou que sua mão firmasse mais na gola de Dino assim com a certeza de que não deixaria escapar aquela única chance. Provavelmente a primeira e última de sua vida.
O Hibari só pode assimilar os segundos que se passaram entre seu aperto e sua boca sendo envolvida por um beijo afoito e desejoso.
-Hm...
Foi como entorpecente, suas pernas amoleceram, sua boca abriu e a sensação se espalhou de seu coração e se espalhou por suas veias, tomando todo seu corpo no mais puro e acolhedor sentimento que havia experimentado em sua vida.
Envolvente, sedutor e carinhoso, os braços italianos abrigaram o corpo pálido e menor durante o beijo, seu primeiro.
O loiro não era como Lira, ele tinha um corpo forte e masculino, cheiro amadeirado, rígido, porém suave e macio. Ele era certamente um homem, mas aquilo não importava para Hibari, porque Dino Cavallone foi capaz de despertar o sentimento que nenhuma pessoa foi capaz.
Hibari sentiu Dino mordiscar levemente seu lábio inferior e arriscar um beijo mais profundo, mas por algum motivo, ele parou o beijo, de uma forma suave e que deixava o gosto de quero mais.
O Guardião da Nuvem corou intensamente. Ele estava se convertendo em herbívoro pouco a pouco pela influência do Cavallone! Tinha planos de suicidar-se, mas o olhar apaixonante de Dino prendeu sua atenção mais uma vez.
Eles ficaram sem palavras ou ações, Dino com os olhos semicerrados brilhando em desejo, sua mão tapando a boca. Ele próprio estava assustado com o ato, ele não devia ter feito aquilo.
-Eu também sou egoísta.
Dino se surpreendeu com a fala. Ele poderia ter chances por menor que fossem?
-Eu sou assim. Espero que não esqueça, pois eu odeio repetir a mesma coisa duas vezes. –sentenciou o moreno se levantando arrumando as roupas e estendendo a mão para Dino sem nem olhá-lo.
Dino aceitou aquela mão pálida e macia, se levantou. Não sabia o que devia sentir agora.
Kyouya era um enigma.
Continua
Notas finais
MAS ENTÃO... Eu tinha ido até o capítulo 8 e depois apaguei 2. Por que... Eu não acreditei na merda que fiz e vcs acabaram falando tanto da Lira que eu pensei em deixá-la mais tempo na história.
Então eu vou ver o que posso fazer com ela ok? Eu só não quero deixa-la mto malvada por que ela é inspirada no Alaudi... então dêem um descontinho pra coitada.
Até+!
Fale com o autor