Notas iniciais
Yay! Gente, eu espero que estejam gostando. Essa fic é mais para mostrar como o Dino vai conquistando o Hibari sem perceber. Eu acho que está indo bem. Boa Leitura!

Nesse momento um grande calo fazia enfeite em sua testa. De todas as pessoas, porque logo aquele loiro conseguia irritá-lo e deixá-lo sem jeito?

Hibari não aceitava.

O livro em suas mãos, um suspense de uma escritora muito famosa da Inglaterra, agora virava lentamente um pedaço de lixo amassado e ensopado de chá.

-Cavallone... Será que é possível que você seja ainda mais desastrado?

No rosto de Dino uma expressão de puro terror. Em seus pensamentos tentava descobrir se o moreno à sua frente, enrolado em uma colcha branca, com aquele olhar do mal, iria ou não atacá-lo depois do acidente.

Aquele café da tarde foi um desastre completo.

“Vamos tomar café na biblioteca, de lá teremos a visão do jardim.” Foi o que Dino disse.

O italiano em resposta ganhou o mais puro silêncio seguido de um espirro.

“Esse foi seu corpo concordando comigo, Kyouya!” Festejava o loiro enquanto seguia em direção à biblioteca.

Naquela hora Kyouya trincou os dentes com o rosto pegando fogo, ainda que externamente não aparecesse. Não aguentaria uma semana.

O moreno descobriu então que Dino era um perigo para a humanidade. No momento em que o Cavallone entrou com a bandeja cheia de guloseimas que fizeram seu estômago revirar, o maldito teve que tropeçar na borda da porta por não abri-la direito e cambalear até sua pessoa na poltrona equilibrando-se e a caneca de chá gelado cair bem em sua cara.

De olhos abertos, sem ao menos piscar, Hibari apertou o livro até que a capa dura quebrasse todas suas miseráveis células e fosse pousado na escrivaninha.

-D-Desculpe! Kyouya me perdoe! Vou pegar uma toalha!

Quando o loiro foi se virar, Hibari percebeu uma ondulação no tapete que provavelmente faria o loiro cair de cara na quina de uma estante ao lado. Hibari apertou sua tonfa e jogou na cara do Cavallone, fazendo-o virar para outro lado e cair de costas no tapete.

-Aww... Essa realmente doeu...

Dino tinha lágrimas nos cantos dos olhos, a mão no lugar que fora acertado duas vezes no mesmo dia. Quando seus olhos castanhos alcançaram um ponto acima, viu um japonês de braços cruzados com ar de zombaria.

-Estamos quites. Você com seu desastre e eu com meu ferimento. Agora eu vou para o Japão. –insistia.

Dino fechou a expressão e se pôs sentado, e antes que sequer pensasse em se levantar para impedir o garoto, Hibari lhe meteu um chute na barriga, prensando-o no chão.

Dino segurou a respiração. Aquele garoto não era nada fraco mesmo.

-O-Oe... Kyouya, vamos conversar.

-Não existe conversa entre herbívoros e carnívoros, Cavallone. Agora fique aí no chão onde é seu lugar. Perdedores não tem nada pra tratar comigo.

Hibari se afastou, jogando a colcha em cima do sofá preto que combinava com o local, e começou a andar em direção à saída da biblioteca.

Ele poderia pular a janela e sumir, mas não estava com suas roupas, e tinha dormido bem. O mínimo de consideração ele deveria ter, especialmente por ser aluno de Reborn, e ser gentil saindo pela porta da frente (uahaha).

Levar um chá na cara? Ele não era de tolerar coisas assim.

Dino suspirou ainda deitado. O moreno estava sem sapatos, talvez por isso não tivesse doído tanto como deveria. A pele do moreno estava fria.

-Kyouya, não pense que vai simplesmente sair assim! –avisou Dino se levantando.

O Chefe dos Cavallone se perguntava o que o fazia tentar segurar aquele garoto em sua mansão se ele não queria. Seu sorriso se alargou, estava sendo divertido.

Hibari já estava bem longe, pegando seu conjunto lavado e dobrado em cima da cama. Já ia se vestir quando aquele encosto invadiu o quarto.

-Você não tem trabalho? Que inútil você é...

-Pare de repetir “inútil, inútil”, está me aborrecendo. Esqueça disso, Kyouya, vá comer algo, descansar e eu vou chamar um médico.

Hibari nem se inclinou para negar, deu as costas e entrou no banheiro, trancando-o.

-Que garoto impossível! Kyouya, vamos lá, você não pode entrar num avião com gripe.

A porta abriu com força.

-Eu não estou com gripe. Estou resfriado. Você não entende nada dessas coisas, Cavallone, isso é visível até para um animal.

Em seguida a porta se fechou em seu nariz.

-Vou ficar cheio de cicatrizes assim!

-É bom, vai cair bem junto com essas tatuagens ridículas.

Dino travou no mesmo instante arqueando a sobrancelha. Ah, ele tinha reparado sim.

-Ah, mesmo? Então você não se importaria de me ajudar então? –sorriu o loiro com a mão apoiada na porta de madeira.

O italiano não sabia, mas em seu interior sentia que o rapaz lá dentro estava amassando o registro ou alguma outra coisa. Hibari ficava irritado com qualquer coisa que envolvesse outra pessoa.

Tudo ficou quieto mortalmente depois disso, e em quase cinco minutos depois, Dino se afastou da porta, observando o moreno sem entender.

Ele continuava sem o terno. E estava com uma cara séria.

-Eu acho que você fez de propósito, não é Cavallone? –dizia apertando o tecido negro em mãos.

-Hmmm? –indagava o loiro com um sorriso mais que fingido.

Dino sabia do que se tratava. Aquele terno não era o de Hibari.

-Eu quero o meu. –sibilou com o tom em aviso.

Seus olhos tentavam transmitir seus pensamentos sanguinários e torturantes para com Dino. Ele não entendia o que era brincar com ele, ou enfrentá-lo.

-Certo, Cavallone. Você está pedindo por dor, então é o que terá. Vou te morder até a morte.

Dino arregalou os olhos, acostumado com a frase, que mais parecia um bordão, e levou as mãos até o terno.

O loiro tinha pegado um conjunto que havia usado na idade de Hibari, era negro e a camisa branca, gravata listrada castanha. Era muito cara as peças e ele pensou que pudessem ficar bem em seu convidado.

-Eu estou emprestando. Vamos sair, Kyouya!

Hibari olhou afiadamente para aquela criatura cheia de vivacidade. Sair?...

-Cavallone, aquele herbívoro, o Tsunayoshi. Ele te disse algo sobre mim?

-Não, que isso... –mentia o loiro com a cara toda convincente.

Hibari lhe apontou a tonfa, segurando-a contra aquele pescoço branco e fácil de deixar marcas. Segurou um sorriso e disse sussurrando.

-Eu odeio “sair”. Agora me devolva minhas roupas, e ninguém sairá morto.

-Você não tinha dito que ia me morder até a morte? Já está mudando os termos, Kyouya? –sorriu o loiro divertidamente.

-Eu já disse que...

E um ar frio bateu em seu corpo, fazendo-o se arrepiar.

-ATCHIM!

-Opa...

No movimento, Hibari tirou a tonfa de perto de Dino e tentou cobrir outro espirro. Coçando o nariz fitou o loiro que sorria de uma forma que lhe parecia uma expressão de: “Viu? Eu não tinha razão?”.

-Ontem foi seu aniversário mesmo?

Hibari focou todos seus pensamentos na noite passada. Ele tinha dito.

-E daí?

-Vamos comprar um presente! –o loiro cantarolou batendo as palmas.

Hibari bufou e se virou em direção à cama. Ele estava com muito frio ainda, mesmo que o sol estivesse relaxante entrando no quarto.

-Essas pessoas ricas que não tem nada o que fazer... Porque você não vai fazer algo de interessante?

Dino negou com a cabeça se aproximando amigavelmente, um sorriso sincero e leve.

-Quem disse que não é interessante ficar aqui com você?

Hibari se enfiou embaixo das cobertas tentando espantar a sensação que começava a tomar seu corpo. Ele já não podia mais fazer nada, enquanto aquele resfriado passasse, e ele conseguisse se livrar do loiro.

Dino deu uma leve risada. Ele tinha começado a se divertir, mesmos sentindo dor a cada ação das armas mortais de Hibari.

Dino sentou-se na beirada da cama com o terno em mãos. Estava pensando da última vez em que estivera se divertindo com um amigo.

O loiro suspirou. Ele não tinha como desde os 14 anos, era destinado a ser chefe e isso implicava deveres.

O loiro não percebeu que o moreno estava com parte do rosto pra fora o olhando quieto. Não foi intenção, mas Hibari ouviu o silêncio e quis saber se o italiano tinha saído do quarto, mas ao sentir a cama afundar, ficou assustado e se virou.

Hibari deu-se com as costas de Dino e os fios loiros pra frente, mostrando a nuca. Aquela pessoa de costas era...

O moreno colocou a coberta em cima de sua boca, estava enlouquecendo. Ouviu um suspiro, o italiano parecia estar pensativo.

Dino segurava o terno.

-Ei.

Dino levantou a cabeça e se virou para o moreno, estava surpreso.

-Ah, gomen. Eu devia ter sentado em outro lugar.

O rapaz já se levantava, tendo esquecido de estar na presença do convidado. Ele não obrigaria Hibari a ficar na mansão, mas foi uma tentativa, e de qualquer forma, ele havia comprado uma coisa naquela manhã quando o rapaz ainda dormia.

-Qual é o seu problema, Cavallone? Por que simplesmente não me deixa ir? Não é nada da sua conta.

Dino pareceu ficar pensativo, em seu rosto uma expressão meio triste.

-Bem, não é mesmo. Eu posso estar sendo egoísta e usando a desculpa de querer te ajudar. Só que é muito solitário.

Hibari revirou os olhos. Ele odiava os dramas da vida, e ele era perito em ser solitário, não era agora que ia ter dó de alguém como Dino.

-Você pode conquistar muitas pessoas com seu jeito. Mas não funcionará comigo, Cavallone. Eu prefiro ficar sozinho, não preciso de herbívoros fracos me rodeando. Seus problemas não são relevantes pra mim. –foi tudo o que falou encarando o teto.

O moreno só ouviu uma longa risada, o que o deixou enfezado novamente. Ele o-di-a-va risadas, especialmente essas todas cheia de vida do italiano. Como ele podia dizer que estava se sentindo só com essa alegria toda de graça?!

-Cale a boca!

Dino se recuperou ainda com o belo sorriso, aquele sincero. Ele olhava ternamente pra Hibari, e sua mão entrou dentro do bolso da bermuda.

-Não é da minha conta, talvez você não queira e jogue fora, mas eu fiquei pensando se você era o tipo de pessoa que poderia vir a ser um amigo que eu poderia dar um presente. –Dino tirou um objeto estendendo para o moreno.

Hibari se sentou na cama, segurando aquela coisa longa e levemente pesada das mãos quentes do loiro, encostando-se levemente na sua. Dino tinha um olhar brilhante, ansioso por saber o que achava de sua boa ação.

O moreno não conteve um sorrisinho de escárnio, um olhar maldoso.

-Você é péssimo pra dar presentes, Cavallone. Nem ao menos me conhece, e eu também não aceitaria nada. Do que me servirá um colar? Isso é uma coisa que se dá para mulheres.

Dino tapou a boca rindo. Ele já sabia que ouviria isso, mas não segurou o colar estendido em sua direção de volta.

-Você pode fazer o que quiser com ele. Acho que foi mais um capricho meu, mas achei que você gostasse de crucifixos.

Hibari arqueou a sobrancelha.

-Entenda uma coisa, herbívoro, eu sou japonês. Não sigo essas coisas. –disse colocando o colar em cima do criado-mudo.

Dino segurou a mão de Hibari, fazendo-o se arrepiar e tentar soltar. O loiro apertou mais forte o pulso magro do rapaz e olhou em sua palma, a marca de queimadura estava ali. No momento em que eles lutaram e Dino jogou a tonfa, Hibari se machucou com o forte atrito ao agarrá-la.

O loiro ficou triste com o tamanho. Ele pegou pesado, mas não achou que o moreno seria imprudente daquela forma.

-Eu poderia ter vencido, mas sabe, eu queria saber o quanto você era bom. Me desculpe.

Hibari trincou os dentes. Havia um italiano brincando com ele ali. O que era isso? Ele estava brincando por acaso? Ele estava dizendo que era inferior? Sua primeira reação foi dar um belo soco no loiro, mas sua mão estava bem presa pela mão branca do loiro, forte, dedos acalentadores e as tatuagens vívidas nela, percorrendo seu braço.

O moreno segurou um som estranho que atravessou sua garganta, algo muito molhado tocava a palma por cima do machucado, fazendo-o tremer e sentir seu coração pular. Os olhos de Dino estavam fechados, sua boca tocando seu ferimento ardente.

O moreno teve que esperar aquela sensação passar pra poder retomar seu tom.

-Cavallone, espero que esteja pronto pra conhecer o mundo dos mortos. Espero que sua passagem de ida seja bem dolorosa. –entoou com raiva, sentindo a língua fervente do loiro deixar sua mão.

Dino observou a expressão de seu convidado. Qualquer um poderia não perceber, mas por trás daquela raiva contida prestes a explodir em murradas, Dino via os olhos de Hibari tremerem, engordarem e demonstrarem um grande brilho, a pele estava gelada e o corpo do menor tremia.

Para Dino, aquele foi o melhor presente que ele próprio poderia ganhar um dia, uma expressão sincera e um batida muito forte em seu peito, percorrendo por suas veias e causando tremor em todo seu corpo.

Suas pernas vacilaram um instante, arregalando um pouco os olhos. Sua respiração se prendeu um pouco... Mais tarde ele descobriu que Hibari tentou enforcá-lo.

-Como você é cruel!

-Isso é por ter ousado lamber minha mão, seu pervertido. –dizia Hibari enquanto enxugava a mão em um pano após cinco lavagens.

Dino riu novamente. Hibari já não conseguia mais saber onde sua paciência tinha adquirido tanta resistência. Aqueles olhos castanhos esboçavam a felicidade.

O japonês sinceramente não entendia como a sensação de estar acompanhado levava à felicidade. Ele apenas se sentia mais irritado com tudo.

Naquele momento, quase cinco horas da tarde no dia 6 de Maio, Hibari via o céu da Itália escurecer. Mais um dia se passou e ele descansou a maior parte dele, Hibari esperaria até poder voltar pra sua amada Nanimori, não se esquecendo de torturar muito o Sawada.

Pelo menos por isso devia agradecer Dino. Ele pôde beber e dormir, no dia seguinte ainda teria chance de ter uma luta com o aluno de Reborn.

Ele podia ter um aniversário melhor que aquele?

Todos os anteriores foram dias normais de colégio ou de fim de semana que ele tinha que lidar com problemas ridículos.

-Eu vou te morder até morte com certeza. –sorriu sadicamente Hibari para Dino que abriu a boca não acreditando.

-De novo?! Ah não, eu tô cansadooo!

-Volte aqui Cavallone, não fuja! Seu covarde.

Dino só não imaginava que essa energia era a forma de Hibari expressar seus sentimentos.

-Você deve se sentir honrado por me ter como oponente. Agora lute.

-Não!!!...

xxx

Naquela noite não havia sereno. O céu estava repleto de estrelas, e pela primeira vez Hibari percebeu como o céu dali era diferente do do Japão. As estrelas se posicionavam de forma diferente, pareciam dançar no azul-índigo.

Seu corpo estava coberto pela coberta inseparável no frio, sentado na varanda em altas horas. Depois de tal descanso, não era necessário que ele dormisse, ele nem sentia sono de qualquer forma.

As luzes piscantes pareciam mais interessantes que o livro que pegou na biblioteca. Da paisagem da vidraça podia ver uma fonte com uma estátua de um grande cavalo empinando.

As grades do portão da Mansão Cavallone possuíam desenhos de cavalos e tudo em volta era gramado e parecia propriedade de algum ator famoso.

Mas o dono era aquele que o tinha fadado aos dias forçados na Itália. O palhaço sorridente, o italiano idiota... aquele que lhe deu seu primeiro presente de aniversário.

Sua mão pálida e fria saiu da coberta quente abrindo-se aos seus olhos. Enrolada nela o colar balançava com o crucifixo.

- “Deve ser um idiota pra me dar logo um crucifixo”.

Presentes não mudavam nada. Hibari não gostava e não via sentido em coisas fúteis como aquelas. Nem palavras, ou objetos, ou mesmo sentimentos fariam sua pessoa se interessar por outro ser humano. Era o que ele acreditava cegamente.

Quem pudesse proporcionar uma diversão em uma boa luta em sua vida tediosa, esse sim ganharia certa importância na vida do Guardião do Nuvem.

O Cavallone era um desastrado e azarado como Sawada Tsunayoshi. Era um herbívoro literalmente e figuradamente.

Hibari se permitiu um sorrisinho zombeteiro. Dino era um bom lutador apesar de tudo, apesar de ter perdido. Era experiente, e como o próprio havia dito: ele podia ter vencido.

Não importava o físico, não importava idade ou raça. Hibari Kyouya só acreditava que alguém como Dino tinha alguma grande razão pra ser aquele tipo de pessoa, de perder, mas ter capacidade de vencer facilmente.

Tudo o que intrigava nesse momento era: se o loiro sentia-se solitário, não queria machucá-lo, se preocupava excessivamente com as pessoas e ainda lhe deu um presente desnecessário sabendo que ele ia jogá-lo fora.

Quem era Dino Cavallone? Que tipo de pessoa era essa? O que se passava com esse louco? Porque ele poderia se interessar por alguém como Hibari?

Hibari apertou os olhos com ódio. Estava feliz, mas estava com raiva. O que era tudo isso afinal?

-Maldito Cavallone. Vou descobrir seu ponto fraco e te arrebentar antes de pegar o voo. –sussurrou para a noite escura brincando com o crucifixo entre seus dedos.

O que ele faria então?

Num quarto maior e não muito longe, o loiro se encontrava virando de um lado para o outro, e em seu criado-mudo um copo de leite.

Sua mão esquerda tapou sua boca, o calor estava o fazendo se remexer sem parar. Dino acreditava estar doente. Aquela noite estava muito fria e ele se derramava em suor.

Dino fechou os olhos controlando sua respiração, sua boca se mexeu um pouco e não conteve-se, tocando sua língua na palma da mão. Não era a mesma coisa...

A pele do moreno, o gosto tinha impregnado em sua boca. Dino achou loucura, aquela pele suave apertando seu pescoço, a hora em que ele lambeu o ferimento, o gosto ferroso do sangue.

Tudo pareceu tão surreal que o italiano não sabia se já estava sonhando ou estava tendo um surto.

A segunda opção pareceu mais real quando seus olhos se abriram e ele se deparou consigo mesmo apertando sua própria mão.

Seu coração estava rápido naquele instante. Mas o gosto não ia embora.

Aquela sensação deliciosa, sua vontade de apertar aquele pequeno corpo entre os seus, acariciar aqueles fios negros tão perfumados.

O loiro não sabia explicar a razão, mas aquele garoto não podia ir embora agora. Ele precisava entender aquela simpatia que teve ao entrar naquele bar.

Dino gostava sim de ser gentil com as pessoas, porém não eram todas que recebiam presentes seus. Romário sempre dizia que devia se dar presentes apenas em casos necessários, senão as pessoas a sua volta poderiam se iludir com seus caprichos e tentarem se aproximar, contribuindo para os interesseiros e possíveis inimigos.

Mas além de tudo, ele achava muito difícil escolher presente para as pessoas. Só que assim que bateu os olhos no moreno, viu aquele tom de índigo que apenas tinha visto uma vez numa vitrine de uma joalheria.

Era um crucifixo da cor da noite. Suas cordas podiam dar três voltas no pescoço e na hora pensou que combinaria perfeitamente no japonês.

-Tão delicado... Tão doce... –tocou o lábio sem perceber, visualizando os lábios do moreno.

Finos e brancos, olhos rígidos e pele alva. Dino em uma noite e um dia se viu cercado por pensamentos envolvendo o viajante.

Por isso ele não podia. Se ele fosse, esses pensamentos e essa sensação iriam junto com Kyouya.

Dino não poderia deixá-lo ir antes de conhecê-lo devidamente.

Seus dentes se apertaram na carne macia de seus lábios. Ele não deixaria aquela sensação apaixonante ir embora tão facilmente.

O italiano só conseguiu se entregar ao sono quando seu coração desacelerou e sua certeza se firmou ao relembrar de cada expressão que viu de Kyouya, desde ele bêbado até poucas horas, no jantar zombando de suas verduras, o chamando de “coelho” ou “lebre”.

Sorriu inconsciente com isso ajeitando seu rosto ao travesseiro fofo. Ele tentaria dessa vez, mesmo que todos dissessem que não, que aquela ideia louca nunca daria certo.

Continua

Notas finais
Tah ai pessoas! Obrigada pelos reviews anteriores. Será que receberei mais???? ByeBye :)