In The End Of Saturday
2 Part02: Sob seus cuidados
Notas iniciais
Hibari observou atentamente, ainda que sua cabeça doesse bastante. O loiro tinha dobrado a calça até um pouco acima do ferimento na coxa, marcado em uma linha vermelha comprida e pouco profunda.
-Não está ruim, mas saiu muito sangue, hein?
O moreno limitou-se a ficar quieto. Ardia um tanto, mas a dor tomava a coxa inteira, por causa de um golpe forte que havia recebido na área.
Dino poderia não estar vendo, mas Hibari podia sentir a elevação do local.
-Cuidado. Está inchada. –sibilou com calma.
-Ah, claro...
Os dedos passaram lentamente com água oxigenado, limpando o corte. Hibari não costumava ter contatos e nessa velocidade ele decidiria se cuidar sozinho.
Os dois dentro daquele quarto silencioso podiam ouvir a respiração um do outro. Cavallone estava claramente tenso, ajudar outra pessoa, ainda mais um homem.
O loiro se viu encantado enquanto em silêncio espalhava um medicamento de inflamação sobre a coxa pálida do japonês. Tão branco e macio.
Hibari estava passando a sentir arrepios de acordo com que a mão do loiro começava a segurar sua perna com mais firmeza. Os dedos levemente delgados, quentes tocando sua perna fria e dolorida, seu sentido de perigo começava a alertá-lo.
Dino pareceu não estar consciente do que fazia, mas antes que Hibari tivesse a oportunidade de chutá-lo, Dino afastou a mão, que parecia conter ainda a sensação da pele do rapaz, e pegou duas faixas e alguns esparadrapos.
-Está se sentindo melhor? –perguntou fitando os olhos afilados e quase negros.
Dino percebeu o tom avermelhado daquele rosto jovem. Ele parecia envolvido com o resultado da bebida e provavelmente aqueles toques simples tinham mexido com o moreno.
-Ei, você está com sono? –perguntou o loiro segurando embaixo da coxa cheinha do rapaz e levantando-a, enrolando a faixa.
O japonês pareceu ainda com mais vergonha e fez uma expressão estranha. O Cavallone não conseguia saber se era raiva ou... excitação.
-M-Me solte.
Dino prendeu a faixa e se afastou um pequeno passo. Estava bem preso, não iria sair enquanto dormia.
O nariz de Hibari estava vermelho e sua expressão febril. Dino suspirou um segundo.
Ele nunca na vida tinha cuidado dele mesmo, imagina de outras pessoas, mas sua força de vontade ultrapassava seus limites. Hibari estava longe de casa sem ninguém, ele assumiria, tanto por ser o irmãozão de Tsuna tanto por ser de sua personalidade ser gentil.
O italiano inclinou-se na direção de Hibari e pôs sua bochecha junto com a do moreno, assustando-o.
-Q-QUE É...A-A-ATCHIM!
Hibari coçou o nariz e olhou feio o Cavallone. Este demonstrava que não tinha gostado do que sentiu.
-Você não vai poder voltar pro Japão amanhã. –foi tudo o que disse antes de pegar os medicamentos e sair dali.
Hibari se via indefeso e com vontade de morder até a morte o mafioso intrometido. Ele nunca iria acatar ordens de ninguém, não seria um resfriado que o obrigaria a passar mais tempo naquele país estranho e na presença daquele pervertido!
Hibari desdobrou a calça e verificou a cama, puxando a coberta. Aquela noite estava exageradamente fria, e mesmo em um lugar tão protegido, Hibari sentia como se os músculos de sua perna estivessem congelando.
Se levantando, procurou mais algum tipo de colcha para poder se aquecer melhor. As pontadas pelo corpo ainda o impediam de se movimentar demais, e o álcool que ainda corria em suas veias condenava-o à uma lentidão temporária.
-Procurando isso?
O moreno se virou lentamente para a criatura sorridente que entrava. Ele já não estava mais com aquelas roupas de antes.
Estranhamente, de uma forma que Hibari achou ridícula e louca, o loiro estava de regata e calça, sem meias. Hibari sem perceber parou para olhar aquelas tatuagens que tinham chamado atenção antes.
Elas subiam por todo o braço esquerdo. Um sol com a letra C queimava a pele do loiro de um jeito que atraiu a atenção do japonês por muitos segundos, e em seguida, o moreno percebeu que ela se estendia ainda mais. Mas podia ver alguns desenhos perto do pescoço descendo pela clavícula do italiano.
Se perguntassem a Hibari o que ele achava de tatuagens, primeiramente ele daria um fora na pessoa para não irritá-la. Mas se fosse pensar na pergunta, ele diria que era uma bobagem completa. Ficar horas deitado com outra pessoa te picando com agulhas.
Quem seria idiota para marcar seu corpo com tal besteira?
Hibari resolveu repensar. Aquelas tatuagens ficaram realmente bonitas naquele homem.
-Ei, está acordado, Kyouya?
Dino passava a mão na frente do rosto de Hibari tentando fazer acordá-lo do transe. Ele segurava mais duas cobertas grossas e pesadas.
-Está com fome?
Hibari negou e andou em direção à cama, tentando se concentrar para não dar mais mole para o palhaço sorridente.
-Está pronto pra dormir então?
-Você está falando como se fosse minha mãe. Esteja pronto pra morrer amanhã Cavallone, eu não esqueci. –soava friamente o moreno tentando falar normal com o nariz entupido.
Dino não conseguiu conter uma leve gargalhada. Ele achou aquele rapaz uma coisa muito difícil de entender, ainda que parecesse frágil como uma boneca de porcelana, era forte e rígido consigo mesmo. Até demais.
-Não sem que você esteja melhor. Melhor se deitar. –Dino falava enquanto abria o cobertor de pêlos de superfície macia para estender na cama.
Hibari pegou o outro e estendeu, com a ajuda do loiro. Assim que a cama completou suas três camadas de fofas cobertas, Hibari sentiu-se encorajado para deitar e se render ao seu tão esperado sono.
Dino sentou-se na cama, observando Hibari deitar-se bem devagar e afofar o travesseiro. Ele naquela extensa cama parecia uma criança muito pequena em meio a cobertas gigantescas.
-O que está fazendo aqui ainda? –perguntou rudemente o moreno.
Dino se aproximou ainda, tocando a testa de Hibari apenas para confirmar suas suspeitas, deixando o moreno em dúvida sobre aquilo. A mão quente de Dino espalhou seu calor por todo seu rosto, aconchegando-o, mas antes que pudesse aproveitar mais daquele momento estranho, ela se afastou.
-Você está sob meus cuidados a partir de hoje, Kyouya. Romário, meu braço direito, me informou que Tsuna ligou e perguntou sobre você. Ele passou a situação atual para o Tsuna e então me deixou cuidar de você aqui até que estivesse em condições de viajar. Em dois ou três dias você ficará bom.
Hibari sentou-se ereto na cama pronto para pegar suas tonfas e meter na cara daquele intrometido na sua frente. Mas novamente, Dino o pegou de surpresa e ele não conseguiu dizer o que queria.
O loiro segurou o ombro de Hibari e levantou a coberta um pouco empurrando o moreno sem pensar duas vezes, sua face repreendendo o rapaz.
-Deite-se aí e fique quieto. Se quiser voltar logo, melhore logo.
-Como você se atreve, seu herbívoro. Eu vou te matar quando esse resfriado passar...me aguarde. –resmungava Hibari contendo sua raiva.
Dino assistiu aquilo, e pegou o momento que Hibari fechou os olhos e quase no mesmo momento caiu no sono. Foi adorável.
O loiro pensou se aquele, assim dizendo, garoto, faria diferença em seus dias. Ele passava muito tempo ocupado com o trabalho de escritório, contratos, reuniões, tudo supervisionado por Romário. Além de tudo, ele era naturalmente preguiçoso e não muito inteligente, fazer paradinhas era sua diversão.
Porém aqueles dias estavam ficando extremamente monótonos. Sentia falta de Tsuna e sua família lá no Japão, das confusões e das lutas. Quando Reborn o treinava, parecia que havia um ímã para problemas, e não gostando muito de admitir, era a melhor época.
Agora, ser o chefe de uma grande família o deixava feliz. Mas passar seus dias sendo visto somente como chefe estavam começando a deixá-lo perturbado, o que lembrava-lhe o motivo de ter pedido ajuda pro seu irmãozinho naquela grande ilha asiática.
Mesmo que fosse só por um dia, ele queria ver um rosto diferente. Neste momento, parecia que seu pedido havia se realizado, mas não esperava aquele japonês tão frio que ao menos conhecia.
Ele ficava indefeso demais dormindo. Devia ser porque estava sentindo-se seguro ali em sua mansão.
-Boa noite e feliz aniversário.
Dino fechou a porta, não contando muito com que Hibari tivesse ouvido. O que soava estranho também, o rapaz vir em pleno aniversário e ficar repentinamente doente.
As luzes foram apagadas e Dino concentrou-se finalmente em seu próprio sono, que estava quase o abatendo no meio da casa.
-Boss. –chamou-lhe Romário.
-Ah, eu estou bem. Pode ir Romário, eu vou direto pra cama.
O braço direito não pareceu contente. Seu chefe tinha passado o dia trabalhando, não comeu nada e à noite foi beber sem chamá-lo.
Depois ele se viu dirigindo Dino e um rapaz japonês desconhecido para a mansão, os dois um pouco bêbados.
-Tenha uma boa noite, boss.
-Aa, pra você também.
A mansão silenciou durante o sereno da noite e Hibari se viu em uma de suas melhores noites de sono.
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Hibari não pode conter seu impulso de agarrar as tonfas e lançar uma em direção da pessoa que abria as cortinas tão violentamente.
Ao se colocar sentado, observou o ser alto com a mão pousada no ombro, este visível pela mesma regata da noite passada.
-Doeu.
-Que horas são...? –coçou a cabeça ignorando completamente os resmungos do loiro.
-Já é de tarde, Kyouya...
Hibari levantou os olhos perigosamente e levantou a outra tonfa, fazendo Dino se encolher por um instante.
-Foi uma boa noite. Agora vou te morder até a morte. –dizia com um sorriso sádico se levantando da cama.
Dino começou a dar seus passos pra trás, vendo em primeira mão a verdadeira natureza daquele rapaz delicado. Ele levou mesmo a sério aquela história de... Do que mesmo? Ah, “mordê-lo até a morte?”.
Hibari se pôs em posição, olhando para a tonfa que estava nos pés do italiano. Ele o distrairia e pegaria a outra, então finalmente completaria o plano necessário para transformar aquele palhaço sorridente em um farinha de ossos.
Dino o olhava não conseguindo raciocinar, do momento que o moreno veio correndo em sua direção, tentando lhe atingir uma das costelas esquerdas.
Com esse movimento, Hibari esperava que o loiro fosse para a direita tentando desviar, e ele pudesse pegar a tonfa, terminando a luta com apenas um golpe.
No entanto, diferente do que esperava, Dino acabou tropeçando e caindo por cima da arma, fazendo seus pés enroscarem e Hibari cair em cima de seu corpo destravessado.
-Iteee... –reclamou Dino massageando a cabeça.
Hibari rapidamente se levantou e empurrou Dino de lado, agarrando o pedaço de metal.
-Você não vale a pena pelo que vejo. Você é mesmo um chefe? Não me faça rir.
Dino o olhou com um bico ofendido.
-Você não riria nem se quisesse Kyouya. –bufou para o lado o loiro.
Hibari o fitou um segundo e lançou a tonfa novamente, mirando a barriga do infeliz. A tonfa mudou a direção e atingiu a parede, fincando-se lá.
-Eu não são tão fraco como você pensa. –sorriu o loiro esticando um chicote.
-Ho... A lebre está mostrando as pequenas garras. –Hibari dizia em seu tom sério e se posicionando para uma verdadeira luta.
Dino franziu as sobrancelhas e sorriu.
-Saiba que eu recebi o título de Haneuma. Vou te mostrar o que significa.
Os dois se encararam firmemente, Hibari previa uma bela e sangrenta luta. O exercício da manhã o faria muito bem pelo que parecia.
Dino fez o primeiro movimento, estalando o chicote e o mandando em direção ao moreno, como se estivesse espantando um leão. Hibari desviou-se o primeiro estalo e correu em direção ao loiro, prevendo o chicote vindo em seu braço esquerdo atrás de si.
Uma cambalhota pra esquerda foi o suficiente para o couro passar reto sobre sua cabeça e ser novamente puxado para as mãos de Dino.
O loiro sorriu, vendo que o japonês era um bom lutador. Porém, ele sabia lutar à curta distância muito bem também, pois se não pudesse, como se chamaria de chefe?
Hibari se deparou com o loiro bem em sua frente, um tênis alcançando seu estômago. Em um movimento meio desajeitado, Hibari conseguiu desviar e deu-se com a parede em suas costas, a batida não foi nada suave.
-Olé.
Dino sorria largamente, lançando o chicote para trás e enrolando a tonfa fincada na parede, arrancando-a e mirando o rosto do convidado. Hibari segurou sua arma, sentindo o metal esquentar em sua mão e arder profundamente. A força que o Cavallone usou no lançamento.
-“Ele não está brincando.” -concluiu o japonês se preparando melhor.
Hibari inicialmente tinha subestimado o loiro por ter caído tão pateticamente no tapete. Mas agora parecia que o famoso Cavallone tinha acordado pra realidade: um jovem sedento por lutas em sua mansão. Um sorriso imperceptível surgiu em seu rosto.
Dino lançou um segundo ataque assim que a tonfa tocou os dedos do guardião. O chicote enrolara no pulso do mais novo e violentamente o lançara contra o guarda-roupa.
Hibari se levantou. Não tinha conseguido se soltar, e a força do Cavallone era quase monstruosa.
Limpou seu lábio e apertou as tonfas em mãos. Teria que ser mais rápido e diminuir a distância. Hibari furtivamente olhou na direção das cobertas da cama.
-Adeus, Cavallone.
Hibari pulou em cima da cama, lançando duas cobertas em cima do loiro, lançando-se em cima do monte que agora era Dino. As cobertas eram muito pesadas para Dino simplesmente afastá-las com o chicote ou um braço apenas.
A tonfa atingiu algum ponto na altura da cabeça do monte, fazendo-o desabar no chão. Um gemido por parte do loiro acabou com a luta, dando a vitória para o guardião vingado de pé.
-Golpe sujo. –choramingou o loiro tirando o tecido peludo e acariciando a bochecha direita e a barriga.
Hibari soltou uma zombaria para o lado, aquele loiro não tinha apanhado o suficiente.
-Ainda assim, eu estava ganhando. –Dino se levantando e olhando o estrago mínimo no quarto.
Por incrível que pareça, havia sobrado apenas uma marca de amasso no guarda-roupa, uma madeira do estrado da cama havia quebrado e a parede possuía um buraco perfeito sem rachaduras em volta.
-Não seja um mau perdedor. Não há nada de errado se aproveitar da fraqueza do adversário.
Hibari falava presunçosamente . A dívida com o loiro estava paga, pois nada melhor que uma luta pra acertar contas.
-Você merece uma recompensa por ter me derrotado. Mas antes, eu tinha vindo avisar que o café já está pronto, Kyouya. –Dino sorria galante para o moreno se aproximando.
Hibari sentiu o sol esquentá-lo nas costas. Estava muito tarde, três horas. O brilho do sorriso daquele homem na sua frente... Poderia existir um herbívoro mais patético?
O garoto torceu o nariz para o lado, ignorando aquela felicidade incomum do italiano. Seu estômago implorava para se reabastecer.
-Espero que os herbívoros italianos comam algo decente no café da tarde.
-O que quer dizer com isso?! -Dino se sentindo ofendido com a direta.
O loiro foi totalmente ignorado até os cinco minutos sentados na mesa. Ele falava sem parar do quanto sentia falta de Nanimori e a curiosidade pela vida que Hibari levava por lá.
-E sua gripe?
Hibari parou um segundo. Ele sentia que estava resfriado, mas não com gripe.
-Estou melhor.
Hibari apenas agradeceu a refeição, limitando suas respostas em “sim” e “não”. Dino o acompanhou de volta para o quarto insistindo em uma conversa desnecessária.
-Vou embora amanhã de manhã.
Foi tudo o que disse quando o loiro explicou que tinha adiado algumas reuniões pra fazer companhia para o guardião em casa. Dino pareceu não ter gostado.
-Você está doente, Kyouya.
Mas antes de continuar, levou uma tonfada no queixo.
-Dobre a língua. É Hibari, Cavallone, não importa se estamos do outro lado do mundo. Eu ainda sigo meus costumes à risca. –Hibari guardando a arma dentro do casaco de moletom.
Estava vermelho e doendo como nunca. Dino acariciou o local, pensando em quantas dessas era possível levar daquela pessoa em um dia.
-Não interessa. Você não pode ir. –Dino insistia enquanto o moreno adentrava o quarto, já consertado, e sentava-se numa cadeira em frente à vidraça.
Hibari deixou que o italiano falasse sozinho por uns quinze minutos. Quando aquela voz já atravessava seu cérebro como um giz riscando brutalmente em uma lousa, Hibari já estava com as sobrancelhas juntas e o punho apertado, tentando acalmar sua raiva.
-Cavallone.
Dino fez silêncio pela primeira vez. Porém, Hibari não iria ficar.
-Você é irritante. Vou mordê-lo até a morte se não se calar.
O loiro sentiu sua vida esvaindo. Tão cruel.
-Kyouya!
-Quem lhe deu essa intimidade comigo? Eu vou partir agora e matar o Tsunayoshi assim que pisar em Nanimori.
Hibari se levantou, buscando seu terno e pronto pra sumir daquele país. Por culpa do Décimo Vongola conheceu mais um de seus amigos irritantes, um que andava com um batalhão nas costas. Isso foi o suficiente para que sua paciência voasse por aquela janela.
-Sinto muito, mas eu não posso permitir isso.
Hibari furiosamente olhou para o loiro, alertando-o sobre o grande crime que era tocá-lo, pior ainda, segurá-lo. Os olhos castanhos parecem ainda mais firmes e Hibari se focou neles, tentando decifrar o que se passava naquela mente para se importar tanto consigo.
-Me solte.
Assim como as palavras fluíram instintivamente, a mão de Hibari previu uma bela marca roxa naquela bochecha levemente rosada com sua tonfa. Mas sua surpresa foi quando o metal foi segurado fortemente e lançado para algum canto do quarto.
Hibari prendeu a respiração, o loiro agarrou suas pernas e o apoiou nos ombros, carregando-o como saco de batatas. Não houve outra reação, o japonês pôs-se a debater.
-Seu herbívoro! Como ousa, me largue agora. –Hibari falava em um tom mais alto, sua voz tomava conta do local com suas ordens.
Lá em cima era incômodo, constrangedor, humilhante. Sua raiva implacável não o salvou quando ouviu uma sonora gargalhada.
-Se você prometer que não vai embora, que vai ficar aqui até melhorar realmente, eu te ponho no chão.
-Nunca.
O loiro arqueou as sobrancelhas como em desafio.
-Eu posso ficar o dia e a noite inteira aqui. O treino de Reborn não é tão leve, sabe? –Dino desafiando o moreno.
Hibari sentiu leves arrepios percorrendo seu corpo. Aqueles braços enormes e quentes envolvendo seu corpo, o ombro largo apoiando todo seu corpo, ele não aguentaria ficar naquela posição muito tempo.
-Quando eu melhorar, se prepare Cavallone. –Hibari sibilava já pressentindo a luta que renderia muitos ossos quebrados da próxima vez.
Dino riu, impulsionando o corpo do moreno de volta para o chão. Suas mãos escorreram pela cintura e pararam em baixo dos braços do mais novo, trazendo a blusa junto um pouco.
Hibari possuía uma leve coloração rosada, quase invisível, suas mãos abaixaram a blusa como se não estivesse abalado e o loiro virou o rosto um pouco com um leve sorriso.
-Espero que goste de ficar na mansão. Você gosta de livros?
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