Notas iniciais
Oi, sou nova nessa categoria, mas já escrevo fics há bastante tempo. Como me apaixonei por D18, eu tive uma ideia que julguei ser digna de uma fanfiction e comecei a trabalhar nela.
Espero que gostem e perdoem os erros! Obrigada desde já!

Estava chovendo pra começar. Pra ser mais preciso, estava chovendo há horas.

A essa hora da noite, os gatos vagabundos miavam alto e bêbados invadiam os becos quebrando garrafas e desmaiando.

As latas de lixo caíam sobre as poças e o cheiro imundo invadia as narinas de quem passasse em frente àquele breu escuro e desfocado.

Um sobretudo negro tapou a visão de alguns desses seres miseráveis jogados à sua própria sorte, cobrindo a visão da lua que encantava os viajantes daquele país tão belo.

Contudo, para aquela pessoa ali que invadia o local sem demonstrar nenhuma expressão, aquele lugar era nada mais que um lugar “distante de seu amado colégio”.

Os sons que as botas de couro faziam ao atravessar as poças traziam medo aos homens jogados nos cantos encolhidos. Apesar de não parecer, aquele que acabara de passar possuía uma terrível aura, que afugentava os pouco prevenidos.

Tudo o que se ouviu dele foi um leve “Tsc”, ao passar reto, abrindo uma porta de um prédio de aparência sombria.

Tudo ficou mais claro. Por um segundo, ele pareceu não ter acreditado que tal lugar pudesse compatir tão bem com as descrições que tinha recebido.

Afinal, ele procurava um lugar após a missão tão cansativa para poder relaxar, um lugar isolado em que pudesse beber e se afogar em reclamações do quanto a humanidade era inútil.

Seus olhos afiados buscaram algum sinal de vida. Um lugar tão luxuoso não poderia ficar abandonado assim, podia?

O balcão principal estava limpíssimo, feito de mármore. O bar estava repleto das bebidas mais caras que mal conseguia distinguir todas, ou ao menos se lembrar de que país foram importadas.

O chão estava liso e brilhando, proporcionando a ilusão de que era até macio. Riu com o pensamento.

Pelo que sabia, esse bar era particular. Um ponto de encontro de algumas famílias mafiosas que residiam na Itália.

Na verdade, ficara sabendo que aquele bar pertencia somente à duas famílias: Vongola e Cavallone.

Pelo que aparentava, ali houvera vários encontros, porém, ele nunca estivera presente. Isso porque era o Guardião da Nuvem, aquela sombria e que zela pelos outros sozinha e afastada.

Resumindo essa frase bonita que os Vongola usavam, sua “Família”, antissocial.

Seu sobretudo estava levemente molhado. Havia chegado há pouco tempo e acabou nem precisando dele.

Suspirou chegando mais perto do balcão, sentando-se e retirando a capa escura que contrastava com sua pele.

Os cabelos eram curtos e negros, lisos, acompanhados de uma franja pouco volumosa. Em seu rosto carregava uma expressão carrasca de orgulho e arrogância. Seu olhar sustentava um brilho sádico e a cor possuíam o tom do azul-índigo da noite.

Usava um terno preto e facilmente era reconhecido como sendo japonês, que de fato era.

Esperou alguns segundos, olhando as garrafas. Ele queria adoçar a boca um pouco depois de um longo dia trabalhando sem parar.

Vendo que ninguém aparecia, se levantou e atravessou a portinhola que separava o balcão das mesas.

Esticou a mão em direção a um vinho branco com bom nome, afinal, qualquer um deles devia ser de ótima qualidade.

Pegou uma taça e sentou-se novamente, enchendo o cristal até a borda. Não precisava ter classe em um lugar vazio quando estava louco pra ficar bêbado e dormir.

-Hm... Gosta deste em especial?

O rapaz japonês se virou com velocidade apontando algo que tinha deixado escondido em seu terno, diretamente para o rosto do infeliz que o atrapalhou.

Seu olhar frio fez a pessoa ficar surpresa por um segundo, mas antes que o mandasse pastar, tal pessoa abaixou as mãos que tinha posto em defesa e gargalhou. Isso mesmo, gargalhou.

O japonês sentiu que estava divertindo alguém, mas não fazia ideia de como e nem por que.

-O que é tão engraçado? -disse em tom baixo, mas ainda assim, imposto e grave.

A pessoa que parou de gargalhar e enxugou os olhos tinha a aparência bem diferente dos japoneses.

Seus olhos eram afilados e numa cor mel que prendeu a atenção do outro. Os cabelos loiros eram vivos e rebeldes, uma grande franja repicada entre os olhos, aparentava ser mais velho apesar do ar intensamente jovial.

Ele possuía um belo sorriso, e ao olhar melhor, tatuagens no braço esquerdo. Eram tatuagens coloridas, não entendia muito bem.

Eram meio desfiguradas, azuis, negras e amarelas, começavam na mão e subiam por dentro da camisa que parava nos cotovelos.

Sem querer exagerar, o rapaz moreno voltou sua atenção para a face do mais novo no local.

-Hei, se você está aqui, quer dizer que é um Vongola. -sorriu o loiro com simpatia.

O rapaz com a arma apontada retirou-a. Suas tonfas eram o perigo para qualquer pessoa que se pusesse em seu caminho, deixando restar apenas os ossos em forma de farinha.

Um sorriso maligno tomou o rosto do japonês.

-Não pertenço a nada disso. Somente presto favores. E quem é você?

O loiro parou um instante e riu. Aquilo já estava passando dos limites, e o moreno estava sem paciência.

O loiro alto se esticou por cima do balcão e agarrou uma taça de algum outro tipo de bebida, que mais pareceu de uísque.

-Aw... A última taça de vinho é essa que está com você.

O moreno apertou os olhos com raiva. Sua pergunta não fora respondida, e, como que entendendo a mensagem pelo olhar, o loiro encheu o copo com a bebida que o moreno tinha pegado.

-Eu sou o proprietário. Meu nome é Dino Cavallone.

O moreno bebericou da taça cheia e sentiu um alívio tremendo. Aquele gosto puro e levemente amargo era o de melhor qualidade.

Foi então que se lembrou de um dia inútil que seu “Chefe” apareceu num horário indevido e lhe disse que devia conhecer um tal de Chefe Cavallone.

-Ho? Cavallone?

Se ele fosse o dono do bar, pelo menos não devia tentar matá-lo e por sorte, ele não tinha aparecido com mais de um companheiro.

-Você é amigo do Tsuna?

O moreno quase cuspiu o líquido, sua raiva contida começou a subir rapidamente.

-Eu não preciso de amigos, mas por infelicidade conheço sim Sawada Tsunayoshi. –soou cruelmente.

Dino riu coçando a cabeça. Tomou um pequeno gole do vinho, sentindo leves arrepios e se apoiou no mármore observando o rapaz de terno.

Ele possuía feições duras e rígidas, mas de natureza simplesmente fofa. A pele era branquinha e sem nenhum vestígio de marcas. Onde ele vivia?

-Então você é o Hibari Kyouya que o Tsuna tanto fala. –sorriu o loiro fechando os olhos por um instante.

O moreno não respondeu, mas continuou bebendo, dessa vez aumentando a velocidade com que bebia.

Aquela noite estava ficando um saco maior ainda. Um palhaço colorido tinha aparecido e já que ele tinha “invadido” e estava bebendo se pedir, nada mais justo que aguentar até o momento de sua preciosa bebida acabar.

-Hei. –chamou o loiro com curiosidade.

O moreno o olhou com o canto dos olhos. O loiro mantinha um sorriso incansável no rosto em plena noite. Devia ser um doente mental.

-Posso te chamar de Kyouya?

Os pêlos do moreno se agitaram. Seus espinhos estavam quase saindo para atacar o loiro de tanta falta de semancol.

-Seu... herbívoro. -resmungou o moreno apertando a taça com raiva.

Sua vontade de beber tinha passado como um lindo sonho distante. Aquele loiro estragou sua noite como nenhuma outra.

Seu olhar parou no calendário e depois no relógio da parede em formato inglês.

Sábado, 5 de Maio às 10 horas e 52 minutos.

Ele estava completando seus 18 anos nesse dia. O que recebeu de presente? Tormentos... Sua única prece nunca fora ouvida.

No dia de seu aniversário sempre algo acontecia, como um mafioso poderoso aparecendo, a bazuca do Lambo pifando, algum herbívoro se acidentando em seu Templo, alguém destruindo o colégio. Era sempre ele que tinha que resolver, e sempre durava o suficiente para o dia terminar e ele não ter seu desejado descanso.

O mesmo fora para aquele ano. Sawada Tsunayoshi lhe apareceu falando que a família Cavallone estava com problemas com um assassino em séria na Itália e ele era o mais indicado para tal missão.

Como já imaginava que seu dia estaria estragado, apesar de ser mais um dia pra ele após muito tempo, Hibari se iludiu com a ideia de poder se livrar dos incômodos em um país longínquo (não tão longínquo).

-Ah... -suspirou.

O chamado Dino travou com a ação do moreno ao seu lado. Estava um pouco corado, mas não sabia se era vergonha ou pelo vinho. Podia ser o vinho, mas foram apenas dois goles, seria então um fraco contra álcool.

-Você seria por acaso o chefe dos Cavallone? –perguntou se suicidando por estar se dando o trabalho de falar com o palhaço.

-Hm. Sim... Você já pegou o killer que estava atrapalhando os negócios por aqui? –perguntou entre um sorriso e uma faceta séria.

Provavelmente era essa sua natureza diante a vida profissional, diferente da carinha feliz que fazia enjoativamente para as pessoas.

-Claro. Um herbívoro inútil como aquele... Não acredito que vim pra Itália só por isso. –resmungou irritado.

-Herbívoro? Você tem dito isso desde que cheguei. –comentou curioso o loiro bebendo o resto do copo.

Hibari desviou sua atenção para o copo ainda cheio. Não poderia beber daquele jeito mais, não queria outro herbívoro inútil no seu pé.

-Herbívoros são fracos e andam em bandos.

-Ele não estava sozinho? –se perguntava o loiro não entendendo o raciocínio do moreno.

O moreno respirou fundo. Virando a noite de sábado com um herbívoro palhaço que se dizia o chefe de uma família poderosa e que era amiguinho de Tsunayoshi, aquele fraco e deplorável ser que acabava com a paz e a justiça, dia após dia. Ele estava decaindo cada vez mais.

-Eu vou embora. –soou novamente em seu tom baixo.

-E nem vai pagar? Que rude. –riu o loiro apoiando o cotovelo no balcão e se virando em direção ao moreno.

Hibari estreitou os olhos indicando a zona de perigo que aquele loiro estava invadindo. O rapaz dos olhos castanhos riu e balançou a mão.

-Para um colega que me fez um favor, nada melhor que uma noite bebendo. Pode ficar, é uma retribuição pelo seu serviço. –dizia o homem apontando novamente a cadeira.

Hibari suspirou. Além de ser um idiota, era bonzinho demais. O pior tipo: os bons samaritanos.

Aquele loiro já começava a deixa-lo nervoso por toda aquela bondade desnecessária e desprevenida.

-Hunf. Que seja.

O loiro tirou o colete que usava e o jogou em um canto qualquer se sentindo mais a vontade. No começo, não esperava encontrar ninguém lá, muito menos o guardião que Tsuna havia mandado e muito menos ainda aquele guardião. O temido Guardião da Nuvem que poucos conheciam.

Agora olhando melhor, Dino entendia o porquê dele não conhecê-lo. Aquele rapaz era naturalmente arrogante, devia ter sido criado em uma cultura muito fechada ou sofreu algum trauma que o fez agir assim. Isso o intrigava profundamente.

Um dos defeitos de Dino era querer resolver os problemas dos outros e ele se sentia bem ao ajudar, ainda que fosse um defeito bom. Seu senso sentimental era profundo, ele conseguia lidar com pessoas sérias, alegres, melancólicas e até bipolares, mas o caso de Hibari, era o primeiro que tinha visto assim.

Aquele ódio estampado naqueles olhos azuis muito escuros escondiam totalmente suas verdadeiras intenções e essa era a diversão do italiano: desvendar os segredos dessas mentes estranhas.

Hibari aproveitou da taça em silêncio até que chegasse na metade. Seu corpo respondia com um calor delicioso e uma sensação nostálgica de felicidade, porém, essas reações o deixavam muito exposto e corado.

Dino ao seu lado bebia até mais, mas não se mostrava nenhum pouco abalado. Hibari se perguntava se ele era muito velho com cara de criança daquele jeito.

-Ho? Que foi? Tem algo no meu rosto? –perguntou o loiro olhando no reflexo de uma travessa de alumínio.

Hibari soltou outro “Tsc”. Estava com sono, mas nem esperava que fosse realmente dormir em outro país, esperava pegar o avião e dormir nele, mas foi impossível.

-Você tem onde dormir? Tsuna disse que você voltaria ainda hoje... Mas já está muito tarde. –dizia suavemente o loiro.

Hibari nunca tinha prolongado tanto uma conversa e esperava nunca mais na vida ter que passar por isso. Ao voltar pro Japão, iria morder Tsunayoshi até a morte.

-Eu não preciso de hospitalidade. É como convidar a raposa para entrar na toca do coelho. –soltou com arrogância.

Dino não pode deixar de reparar as feições delicadas do rapaz e na fala ácida que tinha. Aquele japonês era de traços firmes e fortes, mas naquele rosto ainda podia ver as linhas finas e a suavidade como a de uma criança. E aquele jeito de falar era muito orgulhoso.

O japonês mantinha seu olhar frio mesmo não olhando para o Chefe dos Cavallone. Devia ser o hábito.

-Oh, se fazendo de difícil, criança? –dizia sorrindo provocante o loiro.

Foi tiro e queda. Dino se afastou num milésimo de segundo quando aquele pedaço de metal que antes o tinha ameaçado foi retirado de algum lugar secreto e quase o acertou no rosto.

-Vou mordê-lo até a morte. –rosnou o moreno apertando os olhos como um felino.

Dino sorriu, levando a mão até suas costas, tirando um chicote enrolado de trás da calça.

-Vamos dançar então.

O loiro esticou a corda de couro e esperou o movimento do rapaz. Ele não indicava que iria atacar, ao invés, o japonês suspirou profundamente e virou-se de volta em seu lugar.

-Vou te morder até a morte amanhã. Esteja agradecido.

Dino viu com surpresa o moreno pegar a taça e ir virando tudo até não sobrar uma única gota. -Hm, não me responsabilizo se você ficar bêbado e fora de controle. –Dino dizia se sentando ao lado do moreno e enchendo sua taça novamente.

-Hoje não é o melhor dia. Então eu simplesmente vou adiar a sua surra. –Hibari sibilava enquanto enchia novamente a taça.

Dino o fitou. Estava claramente bêbado... Uma taça de vinho cheia já era suficiente não é? Aquela cena até dava vontade de rir.

O Cavallone tinha ido ali pra se afogar na bebida também e acabou encontrando uma criança arrogante que agora o acompanhava em mais uma noite tediosa.

Nessa primeira vez que Dino e Hibari se encontraram não foi em uma boa hora, nem dia e nem em lugar apropriado para o Chefe dos Cavallone e o Guardião da Nuvem.

O que Tsuna iria pensar quando soubesse que seus amigos estavam bebendo feitos solteirões de 40 anos cansados de viver?

-Sabe... Hoje eu completo 18 anos. –sussurrou o moreno elevando a taça e brincando com ela nos lábios.

Dino estava já apresentando seus primeiros sinais de bebedeira em uma cor rosada nas bochechas. Olhando o moreno, sorriu desajeitado.

-Meus parabéns...

Ele o ignorou. Fora um comentário para passar o tempo. Mas naquela pessoa ao seu lado, Hibari via alguém diferente de sua sociedade comum.

Os cabelos loiros eram muito brilhantes, o sorriso era sinceramente feliz e a cor dos olhos era muito mais profunda do que aparentava inicialmente... Ou era o efeito do álcool.

O moreno deu um sorriso de escárnio.

-Eu aceito um brinde. –resmungou levantando sua taça o suficiente para aproximar do loiro.

Dino riu batendo levemente a taça e virando o líquido rascante em uma única vez.

-Você não quer passar a noite em um lugar decente?

Hibari sentia sua cabeça girar e uma vontade tremenda de dormir. Ele podia se abrigar em algum hotel, tinha dinheiro, mas em um lugar de conhecimento de Tsunayoshi parecia ser ao menos mais seguro do que dormir despreocupadamente em um hotel qualquer.

Seu trabalho fora pesado. Aquele homem que estivera caçando era um oponente fortíssimo e ele ainda carregava marcas da batalha que decidiu o fim do assassino em série.

Dino ainda o observava atentamente, decidido a não beber mais. A garrafa já tinha acabado mesmo.

No relógio pendurado eles podiam ver os ponteiros indicando entre onze horas e meia noite.

-Normalmente eu negaria... Mas hoje eu vou fazer uma exceção.

Hibari apoiou seu rosto no balcão esfriando a cabeça no mármore gelado. A sensação dolorosa estava o abatendo. No dia seguinte iria voltar a ser o velho Hibari Kyouya.

O loiro observou a ação e pensou por um momento qual seria o problema que o rapaz estaria enfrentando. Soube por muitas outras famílias que o Guardião da Nuvem dos Vongola era extremamente frio, sanguinário e sádico.

Ele sabia também que odiava multidões, grupos de mais de duas pessoas e violação das regras. O que soava irônico por ajudar a Máfia, que praticamente se resumia à Famiglia Vongola.

O moreno parecia cansado. E sendo visível o quanto ele odiava sair de seu país, era normal agir daquele jeito.

-Ei. –chamou o loiro tocando o ombro do moreno.

Num impulso, Hibari se levantou e tirou a mão de Dino de perto. Ele odiava que outras pessoas o tocassem.

-Eu quero dormir. Vamos ou não, herbívoro?

Dino sorriu de canto. Uma criança mesmo. Pegou o celular e ligou pra alguém que Hibari não fazia questão de saber.

Não se passou mais de quinze minutos que os dois ficaram em silêncio olhando pra suas taças, quando mais uma pessoa entrou no local.

Hibari se virou o suficiente para ver um homem de terno, bigode e óculos. Ele se dirigiu ao loiro e acenou com a cabeça.

Dino se levantou quase que medindo o espaço que teria que atravessar ao carro que o esperava. Pareciam quilômetros.

O que o surpreendeu foi o moreno se levantando ainda se apoiando no balcão, meio cambaleante e começar o caminho sem esperá-lo.

Fora uma cena engraçada para o loiro, ver o japonês quase caindo em cima de uma mesa. Aquele era o famoso Guardião da Nuvem dos Vongola? Jura? Tão fraco pra bebida...

Hibari soltou ainda mais um “Tsc” e se forçou a manter-se em direção a porta em linha reta. Mas nesse esforço, acabou sentindo a pontada em sua perna esquerda e cambaleou violentamente quase caindo no chão com um torpor subindo por seu estômago.

Assim que abriu os olhos, viu que estava sendo segurado pelo loiro, impedindo-o de se estatelar no chão.

-O que foi? Está machucado? –soava o loiro com preocupação na voz.

O moreno empurrou Dino e continuou o caminho com dificuldade. Era o que faltava, um italiano sorridente ver suas fraquezas.

Hibari permaneceu em silêncio até chegar do lado de fora, um carro preto, provavelmente blindado, de vidro fosco esperava embaixo de um sereno frio.

O moreno sentiu uma irritação incômoda no nariz e não conseguiu conter um espirro. Era realmente o pior dia possível... Agora um provável resfriado o assolaria.

-Droga... –resmungou amaldiçoando a inutilidade do corpo humano.

Dino vinha atrás e terminou jogando o sobretudo por cima do moreno de forma que cobrisse sua cabeça. Hibari olhou para o loiro, tinha se esquecido dele lá dentro.

-Vamos. –sorriu o loiro abrindo a porta e fazendo Hibari entrar.

Dentro do carro estava quente e aconchegante, mas agora parecia que mesmo toda a confortabilidade não o deixaria melhor de humor ou saúde. Hibari segurou outro espirro e se agarrou mais ao sobretudo tentando espantar o frio.

Os dois estavam sendo dirigidos agora pelas ruas de Roma para algum lugar desconhecido pelo japonês. Mas agora nem faria mais diferença. Aquele loiro seria incapaz de fazer algo contra ele, tinha percebido em seu olhar.

-Chegamos. –foi tudo o que ouviu ao sentir o carro parar após vários minutos de espirros.

Aquele lugar estava muito aconchegante e seu corpo cansado exigiu um minuto de descanso, porém os espirros não o deixavam em paz.

-Está se sentindo bem, Kyouya?

-Eu já disse...a-aatchin! Não me chame pelo nome, idiota!

Dino riu, ele não tinha dito nada e era óbvio que ele estava passando mal. Sem mais escolhas, o loiro segurou o braço de Hibari e o puxou para fora do carro, mas não sentiu o frio sereno, estavam abrigados por um guarda chuva negro.

Hibari quase chutou o loiro, estavam muito próximos. Mas pra quem está morrendo de frio é uma boa pedida.

-Bem vindo à Mansão Cavallone. –sussurrou o loiro enquanto introduzia o convidado para as escadas.

Hibari rosnou. Ele não estava interessado tampouco se era um casebre, estava começando a ficar com a garganta arranhando e seu nariz começou a entupir.

-Dão quero saber... Ande logo. –soltou com esforço apressando-se.

Dino riu da indiscrição. As portas abriram pela ação de dois guardas de entrada que cumprimentaram o chefe.

Com a persistência do italiano, Hibari não conseguiu ser ver livre pra andar sozinho. Ele estava muito cambaleante e quase apagando.

-Hu, Kyouya, você está sangrando. –Dino soltou com seriedade olhando a calça do terno.

Hibari o ignorou, pensando o quanto seria irresponsável entrar em um avião sangrando daquele jeito.

-Vamos dar um jeito. Não posso deixar um amigo do Tsuna desse jeito no meu território.

Hibari juntou as sobrancelhas voltando a ficar com raiva.

-Dão sou amigo de Tsunayoshi. Por isso ele vai sofrer três vezes mais... Ficar espalhando absurdos como esse...

Hibari andava em direção as escadas guiado pelo Cavallone, mostrando onde ficava a suíte onde passaria a noite.

Era enorme, com uma cama espaçosa, móveis desnecessários e felizmente aquecedor. Foi deixado sozinho enquanto Dino foi buscar alguma coisa que Hibari não entendeu.

O moreno foi se apoiando e achou a porta do banheiro, entrando sem pensar duas vezes. Sua visão estava meio desfocada, mas podia enxergar o box e o registro.

Sem muita cerimônia, fechou a porta atrás de si e começou a jogar as roupas no chão. Iria tomar um banho, estancar o sangramento e dormir muito.

A água saía em abundância do chuveiro, na temperatura mais agradável que ele poderia escolher, sentindo sua pele arrepiar e relaxar. Porém a dor de cabeça e seu nariz continuavam o irritando.

Passando as mãos pelo corpo como para afastar os sentimentos ruins que estava sentindo, notou as áreas inchadas pelo ataque de sua presa mais cedo.

Estavam avermelhadas e ardiam consideravelmente. O sangramento da perna não era lá grande coisa, apenas era um corte comprido que precisava de poucos pontos.

Seu cabelo abaixado cobria parte de seus olhos e os fios que cederam mais para baixo o faziam lembrar-se da época de seus 15 anos.

Olhando para os lados, alcançou uma esponja nova e um sabonete, eliminando os resquícios de sujeira e sangue dos minúsculos ferimentos.

Nesse momento pensou que fora melhor mesmo ter vindo com o Cavallone em vez de ter ido ao hotel. Lá ele realmente poderia descansar sem se preocupar com vigia.

Claro, Reborn havia dito que o Chefe Cavallone não era um qualquer e tampouco era fraco. Ele poderia confiar na palavra do bebê, já que este também confirmou que fora seu professor.

Assim que fechou o registro, sentia-se bem melhor. Seus músculos doíam menos e a dor de cabeça tinha passado ligeiramente.

-Nem sei como estou acordado depois de quatro taças de vinho. –comentou consigo mesmo se enrolando em uma toalha e saindo o banheiro pegando somente suas tonfas.

-O-Oi...

Hibari fitou o loiro sentado na cama, ao seu lado uma troca de roupas e em sua mão algumas gazes, faixas e esparadrapos, além de uns quatro vidros de remédio escrito em italiano.

-Você... –Hibari já ia repreendê-lo, mas sentiu-se intimidado por um instante por se lembrar de que estava de toalha.

Contribuindo para sua intimidação, de repente o loiro pareceu muito alto quando ficou a sua frente.

-Troque-se, depois me diga onde está machucado. Você não teria caído daquele jeito se não estivesse ferido. –disse o loiro com uma expressão séria.

Hibari xingou para o lado e esperou o loiro sair do quarto. Era um pijama azul escuro e uma peça íntima preta que devia ser do seu tamanho.

-Pronto, Cavallone...

Hibari havia terminado de abotoar e virou-se para o loiro que tinha entrado lentamente. Ele não acreditava que um dia desses poderia chegar simplesmente e estar sob os cuidados de outra pessoa.

Ele era temido e ele não temia ninguém, mas então porque em algumas horas começou a temer aquele loiro que sorria e começava a falar um monte sobre como gostava de cuidar das pessoas e que estava preocupado com a seriedade de seu ferimento?

Hibari se contentou a abaixar o rosto e deixar o trabalho para o italiano que tinha se disposto a cuidar dele.

Continua

Notas finais
Pessoas, me perdoem qualquer coisa. Eu quis fazer um Hibari diferente nesse dia, mas sabem como é difícil manter a personalidade original dele? Eu dificilmente faço mais de 2.000 palavras, mas eu acho que na margem dos 4.000 vai ser mais interessante e também é uma forma de eu expandir minhas habilidades.
Digam por favor como está ficando! Reviews :3??? Bjs, jaa na!