In Paradise With My Chaser
1 Eyes.
Notas iniciais
Ar
O ar representa o meio onde todas as ações e realizações humanas têm seu início, ou seja, o nosso mundo das ideias. Espiritualmente falando, ele representa o éter ou plano astral que, em linguagem mais moderna, pode muito bem ser chamado de psique ou inconsciente. É também o elemento representante da mente com suas freqüentes transformações. O elemento ar está dessa forma, diretamente associado ao pensamento. É o que necessitamos para respirar. É o elemento mais leve mas consegue carregar mil toneladas. O que consegue derrubar uma montanha com apenas um sopro. Um elemento tão forte que se for usado de maneira errada, é capaz de levar tudo o que está à sua frente consigo. O ar não se vê, não se ouve, mas se sente. O ar está em tudo.
Fogo
O fogo representa o desejo, a vontade, a mudança, a purificação, a transformação, a energia da ativação que em termos, estritamente, espirituais, pode ser representado pelo poder da fé. Tem um significado espiritual muito forte, por representar a Energia Divina. Em quase todas as religiões em que se utiliza de rituais, o fogo é utilizado como forma de representação da Luz Divina. As velas, as fogueiras, são objetos que representam a força desse elemento. Considera-se o elemento mais traiçoeiro pela forma bruta como age em contato com algo apesar da energia positiva que se solta.
Água
A água, segundo a maioria das correntes herméticas, está relacionada às emoções do inconsciente, ou seja, as emoções que nutrem os nossos sonhos e ideais na vida. A água pode muito bem representar, no processo espiritual construtivo, a energia da esperança que alimenta e mantém ativa a fé ou a crença do iniciado. Esse elemento, em sua essência, tem o poder de ativar a intuição e a emoção. Os espelhos mágicos dos ocultistas podem ser objetos que muito bem representam esse elemento.
Terra
A terra representa, hermeticamente falando, o lado visível da vida ou a manifestação concreta de todas as sementes que germinam no mundo das ideias, mediante a ação concreta do Iniciado. Esse elemento ativa nossa energia interna para a realização e para a ação de coisas concretas. Representa ainda o nosso próprio organismo e tudo o mais relacionado ao mundo material. Geralmente, em hermetismo, esse elemento pode ser representado pelo símbolo da cruz que representa a materialização da essência divina.
São os quatro elementos que se encontram em cada um de nós. Escondidos em cada canto de um pinjente, juntos tem o poder de realizar um desejo, apenas. Não há história que se conte para a criação do pinjente, de onde veio e para onde foi parar. Apenas sei que ele existe e sei que preciso. Não posso ser visto nem ouvido e isso facilita o meu trabalho, apesar de dificultar.
–
"Esses olhos me perseguem." Sungyeol sussurrou.
Se deparava com um quarto escuro, nada tinha luz e nada mostrava ter forma por mais que estivessem alí. Talvez ele não estivesse em um quarto, talvez fosse apenas um sonho. Mas estava lá, em pé, enquanto olhava para frente e podia ver apenas um par de olhos lhe encarando como se seu olhar fosse capaz de perfurar sua cabeça. E isso o assustava.
"O que você quer?"
Nada respondeu os olhos que há tanto tempo lhe admiravam. Mas apenas continuaram com seu olhar gelado, sem nem ao menos piscar.
"O que é você?" Tentou novamente.
Porém não recebeu resposta.
–
Sungyeol abriu os olhos lentamente e se deparou com um teto escuro. Estava lá dessa vez, ao menos. Notou também que seu corpo estava coberto de suor e lembrou de seu... Sonho. Apesar de querer chama-lo de pesadelo, talvez aquilo significasse alguma coisa.
Ele levantou lentamente de maneira que ficasse apenas sentado na cama, jogando seu olhar para a primeira coisa que aparecer na sua frente. E isso, meu caro leitor, seria os mesmo olhos dos quais sonhou.
É claro que sentiu o corpo suar mais ainda pelo fato de estar amedrontado, mas ainda assim, não moveu um músculo, por incrível que pareça. Era previsível que veria algo desse genero quando acordasse, mas se não estivesse usando seu bom senso para perceber que não haviam só os olhos levemente arregalados em frente à ele, então o classificaria como burro. Do mesmo jeito que seu pai o classifica. Burro.
Uma figura estranha à sua frente. Não era transparente mas de tom sem vida. E podia jurar que estava respirando.
Mas continuou olhando para a figura, como se fosse mais um móvel de seu quarto, enquanto esta parecia esperançosa de que o outro o percebesse ali, apesar dos olhos que expressavam toda sua fúria de uma vida passada.
"Meu nome é Sungyeol." Ele falou normalmente, usando até um desdém em seu rosto.
A figura continuou parada, olhando para ele de modo estranho. Tinha forma humana e admitira que SE fosse humano, ele até pensaria em ligar para a polícia.
"L." Ele sussurrou.
E Sungyeol pôde ouvir claramente. Assumiu como seu nome, ou algum tipo de nome falso para não revelar sua identidade. É verdade, Sungyeol acredita em paranormalidade e até já lidou com alguns casos quando era mais novo e descobriu que seu "super poder" era ver pessoas mortas. Não todas, mas as certas que certamente precisavam de sua ajuda.
Sungyeol acreditava que cada medium tem sua fila de clientes para ajudar, sendo assim, só poderia os ver se eles permitissem tal ação, ou quem estivesse cegamente atrás de ajuda.
–
Mas nada se comparava ao que estava à sua frente. E aqueles olhos continuaram lhe assombrando pelo resto do dia.
Quando Sungyeol tomou café, viu L atrás de seu pai. Olhando para o garoto como se estivesse com uma fome de uma eternidade. Mas o problema era que ele sabia que o pobre L teria que perdurar essa fome pro resto da eternidade também, se ele decidisse não ajudá-lo.
Quando Sungyeol estava indo para a escola, podia sentir o olhar de L atrás de si, seguindo-o e observando cada passo que dava. Mas Sungyeol não ligava. Não por já estar acostumado com tais sentimentos, mas porque de alguma maneira, aqueles olhos não eram totalmente assombrosos e tenebrantes. E se deparou até em achá-los bonitos.
Quando Sungyeol estava na sala de aula conversando com os amigos e prestando atenção no professor enquanto ele explicava o que é física quântica e como usá-la.
E por fim, quando Sungyeol voltava para casa com vários deveres de casa pra fazer depois de ter jantado, com a companhia dos olhos de L.
–
"Sungyeol." O fantasma se pronunciou.
Este chamado estava concentrado demais nos deveres de casa para prestar atenção na figura morta ao seu lado que lhe chamava. Física quântica era interessante demais para se disperdiçar o seu tempo precioso na terra com pessoas que já gastaram os delas.
"Sungyeol." Ele chamou de novo.
Desta vez, Sungyeol fechou seu livro de física e guardou seus pertences no estojo, antes de por novamente na mochila. E então, Sungyeol fez o favor de olhar para o fantasma que tanto queria sua atenção.
"O que você quer?" Perguntou em tom baixo e sério.
"Como você pode me ver?"
Sungyeol riu-se pouco, porque Sungyeol teria que explicar esse fato pela décima oitava vez.
"Digamos que eu tenha... Super poderes."
"Você não tem."
"Sou medium."
L continuou com os olhos levemente arregalados em cima de Sungyeol, apesar do silêncio que invadiu o quarto de repente.
Sungyeol sentiu-se cansado de "fazer o dever de casa" e então se levantou para ir direto para a cama. E ele sabia que os olhos ainda continuariam a tentar lhe engolir, mas pouco se importava com o passado deste fantasma. Isso é uma coisa que fantasmas tem de resolver sozinhos, ele pensava.
"Você sabe que eu posso manipular os seus sonhos, certo?"
"Assim como você manipulou todos os outros desde que eu cheguei nessa casa? É, eu suspeitava. Pode manipular este também. Me fazer reviver o seu passado, talvez. Eu não ligo."
"Se você insiste..."
Pouco sabia Sungyeol que esta deveria ter sido uma decisão ruim para seu psicológico. Pois nunca viu algo tão drástico e nunca sentiu tanta dor em um SONHO.
Fale com o autor