In Paradise With My Chaser
2 Fire
Notas iniciais
"Eu te odeio, Myungsoo!" O grito foi claro.
Sungyeol não entendeu muito bem o que estava acontecendo, mas se viu em uma casa não tão diferente da sua. Mas estava tudo escuro novamente e não sabia muito bem o que fazer. Só podia ouvir um grito muito distante, dizendo que odiava tal Myungsoo. E por incrível que pareça, estava calmo. E então a visão ficou mais clara e nítida. Sungyeol pôde ver uma porta em sua frente, igual a da própria casa em que morava. Logo à esquerda havia uma janela com um rosto a mostra. E Sungyeol admitira que nunca viu coisa tão maligna quanto a expressão que aquele menino segurava em seu rosto.
"Moonsoo, me deixe sair." A voz saíra sozinha de sua boca.
Era como se uma memória estivesse sendo reproduzida e então se lembrou do que havia sugerido ao maldito fantasma que lhe apareceu no quarto. Talvez então fosse uma forma de sentir na pele o que ele sentiu quando morreu? Mas de que adiantaria? Em sonhos, as pessoas não sentem dor a não ser que estejam presas psicologicamente ao sonho... E foi o que Sungyeol pensou.
De repente, um cheiro de fumaça forte invadiu a casa inteira e se viu em um mar de chamas famintas pelo o que via pela frente. Era assustador a maneira como se espalhava tão rápido e com tanta vontade. Sungyeol quase ficou hipnotizado, se não fosse pelas chamas que conseguiram lhe alcançar e queimar parte de seu braço. Jurou que tinha sentido a dor insuportável de ser queimado, mas aquilo era um sonho! Não há como sentir dor nos sonhos!
Indignado, o menino sentou no mesmo lugar que estava e cruzou os braços. Pena que só pôde falar pelo pensamento, pois sua boca não mexia por mais que tentasse falar.
'L, seu plano não vai dar certo.' ele pensou inseguro.
Mas então as chamas lhe alcançaram e jurou que nunca havia sentido tanta dor em sua vida. Queimou parte de seus braços e pernas antes de chegar na cabeça e no peito. Seu corpo estava em chamas e nem as lágrimas que derramava vez ou outra eram suficientes para apagar o fogo.
–
Sungyeol acordou suado novamente e jurou ver faíscas de fogo em seu teto, por isso levantou-se tão rápido. Em desespero, Sungyeol procurou pelo fantasma que lhe amaldiçoara com este sonho agoniante mas tudo o que viu foi um quarto escuro e frio. Nenhuma luz, nenhuma forma de vida. Era como se aquele quarto tivesse sido excluído do universo como conhecemos.
Para um garoto que julgava-se frio, Sungyeol estava segurando seus joelhos como se eles fossem cair a qualquer momento, no canto de sua cama. E ainda conseguia sentir as queimaduras de ultimo gráu em sua pele, ardendo como se ainda estivessem o devorando. E como no seu sonho, nem suas lágrimas eram capazes de amenizar aquele ardor.
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Depois de horas traumatizado pelo pesadelo, seu despertador tocou. Já era hora de se arrumar para ir à escola, mas estava fraco demais para aguentar um dia inteiro de aula. O coração estava batendo em um rítmo que não era normal e sentia-se queimando, ainda. Estava chovendo e ele ouvia claramente o som das gotas batendo em sua janela, como se quisessem entrar.
"Acho... Que vou ter que ir pra escola, de qualquer forma." Sussurrou para si mesmo.
Sungyeol juntou todas as suas forças e esticou suas pernas para sentir o chão gelado em seus pés. Mal conseguiu se sustentar, mas surpreendentemente não sentiu o chão quando perdeu seu equilíbrio. Eram toques gelados e sem vida alguma. Sungyeol sabia que L estava lhe segurando, mas não teve ideia de como ele conseguiu fazer isso já que era um fantasma.
"Não vai te fazer mal faltar um dia... Certo?"
L sabia o quão agoniante seu passado era e sabia que receberia uma reação desse tipo de Sungyeol, mas também não achou que fosse possível segurar o garoto com suas próprias mãos.
"Acho que não..." Sungyeol sussurrou. "Desculpa."
"Por?"
"Por ter duvidado do seu sofrimento... Deve ter sido muito mais doloroso pra você."
L o levou para se sentar na cama novamente e logo depois se acomodou na cadeira da escrivaninha onde Sungyeol normalmente fazia deveres de casa.
"Vamos... Irrelevar essa parte. Eu preciso da sua ajuda."
Sungyeol mal conseguia respirar, quanto mais prestar atenção no fantasma! Estava perturbado demais e sentia que precisava descansar. Mas ele estava pedindo sua ajuda...
"No que eu posso ajudar...?" Sussurrou com dificuldades.
Não que L se importasse, mas ele percebeu que o outro estava cansado demais pra ajudá-lo nesse minuto. Seria exigir demais de uma pessoa — um humano — que lhe ajudasse depois do que passou em seu sonho. E quem sabe ainda não estava passando?
"No momento, você precisa descansar. Tenho certeza que logo a sua mãe vai vir pra cá lhe chamar pra ir à escola..."
Como se L conseguisse ler mentes, a porta abriu escancarada com a figura da mãe de Sungyeol correndo para seu filho na cama, o qual estava pálido e trêmulo. A mãe obviamente disse para o filho que faltasse a aula hoje pois estava com febre altissima e que iria faltar ao trabalho também porque queria ficar cuidando de Sungyeol. Mas este ultimo insistiu à mãe que estava bem e que poderia se cuidar sozinho. Afinal já tinha idade para isso. Depois de muito insistir, a mãe desconfiadamente deixou, mas não foi embora sem deixar o celular do rapaz no criado-mudo ao lado da cama, para caso acontecesse algo, alguns remédios para dor e febre e um termometro. Ela disse para ele tomar uma pilula a cada 5 horas e sempre anotar no papel a sua temperatura antes de tomar. Deixou também uma garrafa de água e disse para enchê-la quando estivesse se sentindo melhor.
Depois de uma longa sessão de cuidados, a mãe de Sungyeol deu seu ultimo tchau e fora atrasada para o trabalho, deixando o menino com seus remédios e o fantasma.
"Sungyeol, a sua mãe é sempre assim?" L perguntou num tom sarcástico.
"É... Ela diz pra eu ter cuidado com meus professores."
"Por que os professores? Não era com os alunos que ela precisava se preocupar?"
"Bom... É que ela assistiu um documentário na televisão sobre professores que batem nos alunos..."
"E isso não é normal?"
Sungyeol se assustou com a pergunta por um segundo, mas esqueceu que o fantasma não é dessa época, então os ensinamentos antigamente eram mais rígidos do que atualmente.
"Já faz muito tempo que isso não acontece nas escolas, L..."
De repente o mundo começou a rodar nos olhos de Sungyeol. Era lentamente que sua tontura o arrastava para um desmaio, até que pôde sentir os travesseiros em seu rosto antes de deixar que seu cérebro apagasse por alguns minutos. Ou horas.
"Ya, Sungyeol."
L por outro lado se preocupou. E foi a primeira vez que estava preocupado com um humano. Apesar de que fantasmas não podem mostrar emoções e nem sentí-las, para L estava muito bem claro que essa regra era falsa. Ou de alguma maneira não funcionava consigo.
"Sungyeol!" Ele gritou.
Correndo para sair da cadeira, acabou caindo pois esta tinha rodas nas pernas e L não era acostumado com essa modernidade. Ele correu para tentar chacoalhar o garoto desmaiado mas não importava quantas vezes ele passasse a mão na pele do outro, atravessava diretamente. L estava assustado com esse medo repentino de perder o humano. Talvez porque precisasse da ajuda dele para sua missão, ou talvez fosse o medo irracional de quando uma pessoa está na presença da morte da outra e não pode fazer nada pois está de mãos atadas. E isso confundia ainda mais a cabeça do garoto fantasma, porque ele não era uma pessoa — um humano. Ele era um fantasma.
"Sungyeol! Acorda!" Ele tentou mais uma vez.
Então finalmente as mãos puderam tocar a pele fervente do humano, lhe dando a chance de poder acorda-lo de um outro jeito. As suas mãos eram gélidas e Sungyeol não iria resistir por muito tempo. E foi com muito esforço, depois de chacoalhar o garoto humano algumas tantas vezes, ele abriu os olhos com uma puxada de ar para seus pulmões como se estivesse a ponto de se afogar.
L caiu para trás em alívio enquanto os seus pulmões buscavam ar de forma brutal. E finalmente chegou à conclusão de que ele não era apenas um simples fantasma, pois estes são proibidos de sentir dor e expressar ou sentir qualquer sentimento.
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