In Love With My Guitar

6 Capítulo 6 - Is That Your Girlfriend?


Notas iniciais
Queria dedicar esse capítulo à Penelope_Bloom, que me incentivou a continuar a história com seus reviews.

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– Então... É aqui? – Os quatro olhavam fascinados para o prédio enorme na frente deles.

– Acho que é. Número 87. – Dizia Leo, olhando para o papel que continha o endereço da entrevista.

– Algum de vocês sabe se essa é uma revista famosa? – Perguntou Samuel, arrumando seus dreads ao se ver refletido numa das várias janelas que compunham o edifício.

– Bom... Eu já ouvi falar que estava entre as vinte melhores do país. – Dizia Yara, boquiaberta com a altura da construção. Devia ter mais de quinze andares.

– Vocês são a Chrono Time? – Todos voltaram a atenção para uma moça alta, magra e ruiva, que estava parada na frente deles, sorrindo educadamente.

– Sim – Respondeu Leo.

– Que bom que chegaram. Queiram me seguir, por favor? – E dizendo isso, a mulher virou e entrou, seguida por quatro garotos maravilhados com tudo.

Entraram em um saguão, com várias plantas e poltronas espalhadas pelo recinto.

– Hey, eu conheço aquele cara de algum lugar. – Sussurrava Richard, para que só os quatro ouvissem.

– Eu também. – Samuel concordou, olhando confuso para o homem.

– Espera, não é aquele super famoso jogador de tênis? Hn... James alguma coisa... – Refletia Yara, tentando se lembrar do cara que apareceu na televisão uma vez, fazendo um comercial de perfume.

– Acho que é. – Respondeu Leo. Tentando reconhecer o tal cara. – Enfim... Estamos no prédio de uma revista de fofocas. Que mais vocês estavam esperando? – Continuou o garoto, indiferente. Sem deixar transparecer a ansiosidade que estava sentindo.

Continuaram andando, até chegar em um balcão. Uma mulher loira com uma maquiagem extremamente exagerada e um ar de indiferença os encarou, de trás do balcão. Como ninguém se pronunciou, ela quebrou o silêncio, com tédio na voz:

– E vocês são...?

– A banda Chrono Time. – Respondeu Leo, nervoso. – Delinda nos chamou e... – A moça o cortou com um aceno de mão.

– Sentem ali. – Apontou para um sofá vermelho – E esperem, já vou avisar alguém para chamarem vocês.

Eles foram até o sofá e sentaram, com exceção de Yara, que ficou andando de um lado para o outro, nervosamente.

– Menina, dá pra se acalmar? Você está me irritando desse jeito. – Dizia Samuel, enquanto acompanhava os passos dela com os olhos.

– Não, não dá pra eu me acalmar. Sabe por quê? Porque daqui a poucos minutos vão nos chamar e nós vamos subir para um daqueles andares – Ela apontava para o teto – e vão começar a nos fazer várias perguntas. E será o nosso fim se a gente disser algo que não devíamos. Mas eu não tenho motivos para me preocupar, não é mesmo? – Agora ela tinha parado e fitava os olhos negros do baterista – Afinal, você vai melhorar tudo, não é? – Ela falava com sarcasmo, enquanto colocava as mãos na cintura. – Você vai ficar lá de boa, com sua cara e seu jeito de palhaço, enquanto eu vou ficar nervosa e vou acabar com a impressão de mal-humorada...

– E não é? – Sorriu Richard, enquanto ela o olhava com um ódio. Depois continuou, como se ninguém tivesse falado nada:

– E além do mais... – Ela ia falar alguma coisa, mas o baterista a cortou.

– Você está insinuando o que?

– Estou falando que vocês não parecem ligar para aparências, porque desde que eu conheço vocês, os três nunca se importaram com o que os outros pensavam. Principalmente você Samuel! Mas adivinhem? Têm que começar a se preocupar! Pessoas vão ler essa revista e nos julgarem por aquilo que essa gente escrever de nós. Então, — ela chegou perto do moreno de dreads — por uma vez na vida, — Olhou-o bem nos olhos e disse: — Pare de ser tão criança, tão bobo, tão... Tão... Idiota! E pense no melhor para a banda. Não na melhor piada, nem na melhor besteira para falar. Mas na banda e no nosso futuro! – Então ela se jogou no sofá, ao lado do cantor. Respirando fundo. Enquanto Samuel olhava para frente, sem saber o que fazer, ou dizer.

O clima ficou tenso por alguns minutos. Então a mesma mulher ruiva que os recebeu foi chamá-los.

Entraram no elevador, se apertando por causa do espaço pequeno. Todos extremamente nervosos. Desceram no décimo sétimo andar, uma sala confortável, com alguns computadores e algumas pessoas andando de um lado para o outro.

A mulher ruiva os levou até umas cadeiras, onde em uma delas estava uma moça aparentando quarenta e poucos anos, com o cabelo loiro cortado na altura do queixo. Quando os viu, deu um amplo sorriso e fez gestos para que eles se sentassem.

– Então... – Disse, olhando para o grupo curioso que olhava tudo com atenção. – Vocês são a Chrono Time? – Ela olhava com certa dúvida.

– Sim — Respondeu Leo. Olhando curioso para a mulher.

– Hn... – Ela apertou a boca fina, depois estendeu a mão – Sou Mary Lesoure.

– Prazer. – Responderam, apertando a mão dela. Então Leo, meio inquieto apresentou cada um.

– Podemos dar início à entrevista? – Perguntou ela, olhando para uma caderneta que ela segurava.

– Claro.

– Bom. Com quantos anos vocês começaram a tocar os instrumentos? – Ela continuava a olhar o caderno, esperando uma resposta. O cantor olhou para os amigos, pedindo apoio. Eles responderam sorrindo, encorajando-o. Menos Samuel, que estava estranhamente quieto.

– Eu comecei a tocar guitarra aos oito anos, Yara aos doze... – Ele olhou para a garota, pedido reforços.

– Samuel começou a tocar bateria com quatorze e Richard com onze já tocava os acordes do seu baixo. Foi isso, né? – Yara respondeu, ajudando o amigo.

– Sim. Na verdade, com dez eu tocava piano, mas depois descobri o baixo. – Richard deu um sorriso à jornalista, que respondeu sorrindo também. Mas com pouca emoção.

– Quando entrou na cabeça de vocês a ideia de formar uma banda?

Leo, relembrando, respondeu com facilidade:

– Richard e Samuel, são dois anos mais novos que eu, Yara é três anos mais nova...

Richard, animado, continuou a história:

– Eu e ele – Bateu no ombro do baterista que estava ao seu lado – estávamos na sexta série. Então Leo devia estar na oitava... Nessa época já começávamos a fazer alguma coisa juntos. Depois de um ano, mais ou menos, Yara entrou na banda, e aí formamos a Chrono Time.

– Porque Chrono Time? – A mulher anotava tudo que eles falavam.

– Porque foi o nome mais sem sentido que achamos. – Disse sorrindo o baixista.

A mulher olhou para o grupo, com uma expressão esquisita, depois voltou à entrevista. Perguntou coisas normais como; “Pretendem lançar em breve um disco?” “Pensam bastante no futuro?” “Como seus pais reagiram ao saberem que vocês queriam fazer música?”.

Depois de um tempo, ela parou, olhou-os bem nos olhos e perguntou:

– Agora, todos já... Quase adultos... Pensam em namorar?

Leo riu. Depois respondeu:

– Não. Pelo menos eu não. Sou casado com a música e tenho minha guitarra como amante.

A jornalista o olhou desconfiada. Deu um sorriso malicioso para o garoto de olhos azuis e disse:

– Não foi isso que comprovaram minhas fontes.

– Como assim? – O garoto perguntou, confuso.

A tal de Mary pegou uma foto no bolso da jaqueta e mostrou para o grupo. Tinha um garoto, com uma guitarra nas costas, sorrindo. Parecia feliz. E abraçada com ele, havia uma garota morena com os cabelos extremamente pretos. Igualmente sorridente.

– Como explica essa foto? – A mulher sorria, como se tivesse atingido um ponto fraco do cantor.

Ele ficou muito envergonhado. Sentiu o rosto esquentar e ficar vermelho. Ao falar, saiu uns “N-não, n-não é isso que a senhora está pensando!!!”

– Como assim? – Foi a vez dela de perguntar, sem tirar o sorriso maroto dos lábios. – Essa não é sua namorada?

Antes de ele responder, Yara disse abruptamente:

– Mas é claro que é! – Depois olhou suplicando ajuda para os outros três. – É... É sim namorada do Leo. Mas ele tem... Medo, de falar. Sabe? – Depois, com um brilho no olhar, chegou mais perto da jornalista e falou: — Você entende né? Com esse mundo perigoso de hoje! Quem sabe o que pode acontecer?

A mulher assentiu e, antes que alguém pudesse distorcer alguma coisa, a menina loira se levantou e falou:

– Bom. Já está ficando tarde, não? Já está na hora de irmos embora. Obrigada pela chance que a... Senhora nos deu. Tchau! – E dizendo isso, empurrou os três garotos para o elevador. Entraram e ela apertou o botão do térreo. Virou para eles, que a olhavam com uma imensa confusão estampada no rosto, e disse:

– Antes que comecem a ofender a minha pessoa, fiquem calmos. Estou com tudo planejado! – Chegaram ao térreo, eles saíram e foram até a calçada. Dando um pequeno aceno para a secretária atrás do balcão.

Chegando na rua, pararam. Yara dizia que era para os três ligarem para um táxi que ela já voltava. Não disse aonde foi. Apenas entrou novamente no edifício e deixou os três ali, plantados.

– Não foi ela que me deu o maior sermão de como eu devia me comportar bem nessa entrevista? – Dizia Samuel, muito confuso com tudo.

– Ela é louca... – Respondeu Richard.

*

Ela não estava se importando nem um pouco com as broncas que iria receber dos garotos depois disso. Estava pensando, precisava ficar um pouco sozinha. Ia andando até uma moça que varria o chão do saguão.

– Com licença, você poderia me dizer aonde é o banheiro? – Ela perguntou.

– Seguindo esse corredor à primeira direita. — A faxineira respondeu.

– Muito obrigada. — Disse, indo na direção que a mulher apontou.

Chegou ao banheiro. Olhou-se no espelho, ajeitou o cabelo e entrou em um Box. Estava procurando alguma coisa em sua bolsa quando ouviu passos, logo em seguida ouviu a porta do banheiro abrir e duas mulheres entraram. A princípio, não conseguiu identificar quem era. Nem estava prestando atenção na conversa. Mas quando falaram “Chrono Time” ela ficou em silêncio e apurou os ouvidos.

– Você viu como aquela gente é nova? Não sabe nem o lugar no mundo e já está por aí, pensando que só porque têm instrumentos na mão, já podem fazer o que quiserem. – Yara se lembrou da voz da jornalista. “Ela teria odiado tanto assim nossa banda? Tudo bem que eu já tinha percebido que ela não tinha ido com a minha cara, mas...”

– Eu percebi. Aquele garoto de olhos azuis não parecia ter vinte anos e os outros então? Crianças... – A segunda voz era idêntica a da moça no balcão.

– O que eu menos gostei ali foi aquela garotinha mimada. – “O que? Estão falando mal de mim??” – Ela é muito escandalosa. Parecia que o mundo estava acabando, ela era enérgica e não parava de olhar para o baterista. Eu acho que eles têm um caso! – “Vocês que pensam!”

– É que você não a viu no saguão. Gritava igual uma louca. Sinceramente, acho que ela tem algum problema. Fora o senso de moda horrível e aquela voz fina... Argh... Que irritante! – “Ahh, mas isso não vai ficar assim!!!” A menina pensava.

– Uma nojentinha... – A jornalista iria continuar, mas Yara não aguentava mais. Abriu com muita força a porta do Box, fazendo um grande estrondo. Foi até as duas mulheres e, com raiva, olhou nos olhos delas:

– Me impressiona o jeito como vocês falam de mim. As duas não têm vergonha na cara não? Ficam ali, sorrindo para todas as pessoas que entram aqui, para depois falarem mal delas. Mas que hipocrisia! Que tipo de pessoa são vocês? Como conseguiram esse emprego? Mendigando na porta desse edifício? Vocês duas são desprezíveis! Me dá nojo olhar pra as duas. E se querem saber, eu posso até ser mimada, mas tenho caráter. Prefiro mil vezes ser irritante – Disse, olhando para a balconista – E escandalosa – Essa foi para a jornalista — Do que falsa. E eu posso até ser menor de idade, mas sei que se você não fizer seu trabalho direito, vai se arrepender. É melhor escrever muito bem de mim e da minha banda, afinal, você não sabe de onde eu sou. Muito menos quem são meus pais. Vai ficar surpresa em descobrir! – Depois se virou novamente para a balconista, dizendo: — E você, se acha que eu tenho um horrível senso de moda, se olhe no espelho e veja quem está mal vestida aqui! – A menina pegou sua bolsa dentro do Box e depois foi até a porta. Parou e antes de sair, deu uma última satisfação:

– Concordo que sou criança e irritante. Meus melhores amigos falam isso o dia inteiro, todos os dias. Mas aprendam comigo, porque afinal, não sou eu que vai cair do cavalo por falar mal das pessoas pelas costas. – E depois de deixar as duas mulheres paralisadas, com tantas ameaças, saiu. E jurou para si mesma que a próxima vez que as visse, se tentassem alguma coisa, seria pior.

*

– Aonde você foi? – Perguntou Richard, dentro do táxi.

– Não te interessa. – Ela fechou a porta do táxi e ficou calada a viagem inteira.