In Love With My Guitar
7 Capítulo 7 – You don’t Know...
– Sério que elas disseram isso? – Leo perguntava, indignado, depois de ouvir a história do banheiro.
A menina loira acenou positivamente com a cabeça.
– Nossa! Finalmente você usou essa cabecinha quente para algo de bom! – Richard dizia com um sorriso no rosto, batendo na cabeça da amiga.
– Ai, para! – Disse ela, rindo, enquanto tentava fugir dele.
– Estou orgulhoso de você! – Disse Leo, jogando uma almofada na garota.
– Nossa. Como vocês judiam de mim! – Yara dizia, enquanto tentava se defender.
Todos estavam satisfeitos pela atitude da menina. Ela tinha tirado eles de um problema grande.
Depois de alguns minutos rindo e brincando, Leo – com o cabelo todo bagunçado – Perguntou:
– Hey, onde está Samuel? Ele está tão esquisito ultimamente. Está quieto.
– Eu vou procurá-lo, tenho que falar com ele. – Yara se levantou e foi até o porão. Não o achou. Foi até a cozinha. Ele também não estava lá. Procurou na casa inteira, mas não o achou. Passou novamente pela sala, onde os outros dois conversavam.
– Nada? – Perguntou Richard.
– Nada. – Respondeu a garota.
Andou mais um pouco pela casa, checando outra vez. Depois saiu, indo até a calçada. Olhou pela extensão da rua e o viu. O baterista estava sentado em um balanço, no parque perto da casa deles. Estava parado, de cabeça baixa. Ela se sentiu mal pelas coisas que disse sobre ele lá no saguão.
Decidiu ir falar com ele. Atravessou a rua e andou até lá. Samuel estava de costas para ela. Não pareceu perceber que Yara estava ali.
A garota tinha parado, ele estava... Cantando. Mas não do seu jeito brincalhão. Pelo contrário. Cada palavra que ele dizia parecia verdadeira, o que fez os olhos dela encherem de lágrimas. Afinal, a culpa de ele estar assim era dela.
(n/a: Traduzindo a música para o português)
– Você adora correr para os braços de alguém. Tirar seu sapato, suas meias, e ficar a toa. – Ele cantava, fazendo-a pensar que ele estava falando dela. — Você gosta da sensação de adrenalina, um pouco demais – Ele riu. Lembrando de alguma coisa. — Você vai dia após dia, das mãos à boca. E querendo saber por que não está satisfeita. – Suspirou. Depois voltou a cantar com sua voz rouca. — Porque o amor é uma maratona, é por isso que você se cansa de todo mundo. Devagar eu te ultrapasso, porque quando é bom, a estrada é longa. E você ainda... E você achará uma alma atrás da emoção. Você é apenas um gato tentando pegar o próprio rabo. — Ele parou um pouco e olhou para frente, onde um grupo de crianças brincando na areia o fez lembrar de ele mesmo brincando com os outros integrantes da banda quando era criança. Olhou novamente para o caderno no seu colo e voltou a cantar, deixando uma lágrima escapar. — Mas se você relaxar, alguma coisa pode durar. Porque o amor é uma maratona, é por isso que você se cansa de todo mundo. Devagar eu te ultrapasso, porque quando é bom... A estrada é longa. – Yara, atrás dele, chorava silenciosamente. Era isso que ele pensava dela? — Você está exausta, cada vez mais cansada, enquanto tenta respirar, tentando agir como se não importasse. – Mais lágrimas caíram no rosto do garoto, enquanto continuava com a voz embargada. — Porque o amor é uma maratona, é por isso que você se cansa de todo mundo. Devagar eu te ultrapasso, porque quando é bom...
Quando parou de cantar, Yara enxugou rapidamente as lágrimas do seu rosto, era orgulhosa demais para deixá-lo ver. Meio insegura, tocou no ombro do amigo, que se assustou, quase caindo do balanço. Ele se pôs de pé e olhou para a garota loira na sua frente. Ela estava sorrindo.
– Que linda. – Ela disse. – Você que fez?
– Bom... Não é só o Leo que compõe músicas na banda. – O garoto estava com o rosto inchado e vermelho, de tanto chorar.
A imagem do garoto mais animado da banda, chorando, só serviu para deixar Yara mais para baixo.
– Samuel... – A menina começou a falar, indo para perto dele, mas o garoto se afastou.
– Yara – Ele dizia. – Você acha que eu não tenho um pingo de responsabilidade. Você pensa que eu não me importo com nada. Você fala como se eu fosse uma criança do primário. Você me trata como se eu não significasse nada para você... – Ele suspirou. Passou a mão que não segurava o caderno na testa, suspirando, e continuou: — Você age como se soubesse tudo sobre mim. – Ele se forçou a encarar os olhos castanhos da menina. – Mas não. Você não sabe... Você não sabe que eu acho você linda quando sorri. Você não sabe que eu penso em você todo dia antes de dormir. Você não sabe que eu falo coisas só para te irritar, só pra ter você olhando para mim. Você não sabe que eu te trato assim, por medo de te perder. Você não sabe que eu ajo com esse jeito de palhaço, para ter sua atenção. Você não sabe que, quando você está chorando, eu sinto vontade de bater na pessoa que fez você ficar assim... – Ele parou de falar e suspirou. “De que adianta falar tudo isso? Ela não liga mesmo” O garoto pensava.
– Tem mais alguma coisa que eu não sei? – Ela sussurrava. Nunca tinha o visto falar assim.
– Tem. – Ele a encarou. – Você também não sabe que eu estou apaixonado pela guitarrista da banda que eu toco. E você não sabe que eu estou morrendo de vontade de dar um beijo nela.
E dizendo isso, sem hesitar, Samuel chegou mais perto dela, colocou a mão na nuca da garota e pressionou seus lábios contra os dela.
O baterista nunca teve tanta coragem. Ele podia ouvir seu coração bater acelerado, em sintonia com o da moça. Yara estava paralisada, enquanto sentia o corpo quente de Samuel contra o seu.
Ela abriu um pouco a boca, permitindo que a língua do garoto entrasse. Os dois se beijavam calmamente. Sem pressa.
Quando o ar faltou, os dois se afastaram um pouco, roçando um no nariz do outro. Ambos estavam de olhos fechados, aproveitando cada momento juntos.
– Porque você nunca disse isso antes? – Perguntou Yara.
– Eu tinha medo de como você reagiria. Afinal, você poderia virar um tapa na minha cara a qualquer momento. – Ele riu. Forçando a garota abrir um sorriso também.
– E agora? – Ela acariciava seu rosto.
– Agora o que? – Ele abriu os olhos, franzindo o cenho.
– Vamos contar para o Leo e para o Richard?
– Que tal nós darmos um tempo e ver como serão as coisas? – Ele fitou aqueles olhos castanhos que sempre tiveram um brilho especial para ele.
– Ótima ideia. – Ela sorriu.
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