In Love With My Guitar

22 Capítulo 22 – Sr. Sullivan


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– O que o senhor está fazendo aqui, pai? – Ela olhava com um misto de espanto e vergonha no rosto.

– Eu e sua mãe soubemos que você tem passado em todas as provas. – Ele trincou os dentes e olhou para Leo. – Eu vim te dar os parabéns, mas percebi que estou interrompendo.

– Não, não! Eu só... Nós... – O moreno tentava, sem muito sucesso, achar uma saída. — Sinto muito Sr. Sullivan, não... Eu já estou de saída. – Ele passou por Hanna sem olhá-la e subiu as escadas apressadamente.

Chegou ao topo e fitou uma cena esquisita. Yara conversava com Zoe. Richard ria com uma mulher baixa e de cabelos cor de areia. E Samuel olhava com interesse as paredes da casa, desviando por várias vezes do olhar que a mulher lançava para ele.

– Hey, Leo! Minha mãe veio nos visitar. – Richard anunciou na maior inocência, como se isso não fosse óbvio.

– Olá Senhora Sullivan. – Leo a cumprimentou com um sorriso, mas ela estendeu os braços, convidando-o para um abraço. Se o moreno aprendeu alguma coisa com anos de convivência, foi que nunca se pode confiar na Senhora Sullivan. Principalmente se você é homem.

Com a maior educação que conseguiu acumular, Leo abraçou a mulher. Por dois segundos ele pôde perceber que ela inalava seu perfume, mas logo que se soltaram, ela voltou á postura normal de mãe.

Você consegue soletrar Mãe Pervertida?

Pois é. Essa é a mãe do Richard.

– E então docinho, já arrumou uma namorada? – Ela olhava do Samuel para o Leo, mas como se sentou no braço do sofá, perto do filho, foi Richard quem respondeu.

– Não, mãe. – Ele suspirou, lembrando da última vez que foi ao clube e ficou com várias meninas.

– E você Leozinho? Hanna ainda te satisfaz?

– Como?

– Já arrumou uma namorada?

– Hnn... – O moreno não se sentia muito feliz com a presença dela, muito menos com a pergunta. – É... Complicado.

– Eu entendo querido. Muitas garotas para se preocupar, não? – Ela o encarava fixamente.

– Que? – Ele não podia acreditar que ninguém o ajudava ali.

– Meu amor, você é muito bonito e talentoso, não é de se espantar se você disser que sai com vinte meninas ao mesmo tempo. – Ela falava como se fosse óbvio de mais.

– Não... Eu não... – Ele tentava fugir do assunto, mas não sabia como.

– Ainda está com Hanna? – Ela continuava a perguntar.

– Não. – Samuel respondeu por ele.

– Ah! Não posso esquecer-me de você! – Ela se virou para o moreno de dreads.

*

Enquanto isso, no porão;

– Não! Você não pode fazer isso! – Ela podia sentir seus olhos encherem de lágrimas.

– Hanna, eu esperava mais de você. – Ele repreendia com autoridade na voz. – Você sabe que merece coisa melhor do que aquilo.

– Como você tem tanta certeza? – A morena encarava os olhos do pai desafiadoramente.

– ELE É SÓ UM MOLEQUE! – Ele levantou a voz, fazendo-a estremecer.

– EU O AMO! – Ela retrucou na mesma tonalidade.

– Você não sabe o que é amor, criança! – Ele dava passos até ela.

– E você sabe, né pai? – Ela nunca foi de desafiar o pai. Sempre foi comportada, mas agora, ela não iria perder o que estava prestes a recuperar.

– Não ouse falar assim comigo! – Ele estava ficando vermelho.

– Como assim “não ouse”? – Ela olhava-o incrédula. – Eu sempre fui a perfeitinha da família, nunca dei trabalho para você. E é assim que me agradece? É assim que me trata quando eu escolho finalmente alguma coisa que me faz feliz?

– Que te faz feliz? FELICIDADE AO LADO DELE? – Ele estava prestes a explodir.

– É pai! Eu já tenho 19 anos! Você não tem mais que mandar em mim! – Ela agora jogava verdades nele, antes que ele pudesse contrariá-la. – Eu que cuido do Richard quando você e a mãe estão viajando. Eu que estou em todos os eventos em que o Richard vai tocar. Eu sou uma mãe e um pai melhor do que vocês foram. Eu cuido ele. Eu coloco ordem nessa casa. Eu sou o BOM exemplo que ele pode ter. E adivinha? Eu escolho o que fazer da minha vida. E se o senhor não se importar, eu vou dar oi para minha mãe, porque pelo menos ela não me julga sem motivo. – Hanna começou a ir à direção da escada, mas seu pai falou algo que a fez voltar:

– Você sabe que ele já te abandonou uma vez. – Ele falava sutilmente, como se fosse para ela pensar em cada palavra.

– Não, pai. Eu viajei e o deixei aqui. – Ela abaixou a cabeça, não queria ter essa conversa novamente.

– Mas ele estava te esperando de braços abertos quando você voltou? – Ele perguntou. Fazendo uma lágrima escorrer pela bochecha dela.

– Não. – Hanna respondeu relutante. – Mas isso não importa mais!

– Não importa mais? – Ele repetiu. – Quem te garante que ele não vai fazer a mesma coisa dessa vez? – O Sr. Sullivan passou por ela e sem uma resposta, subiu as escadas do porão.

*

– Vamos querido! Uma só! – A mãe dele pedia.

– Mãe... – Richard massageava as têmporas, pensando se ela pararia de falar.

– Não. Tudo bem. Uma só não mata ninguém. – Era visível que Leo tentava ser legal.

– E ainda vai nos ajudar. – Samuel completou.

– Ajudar com o que?

– Vai fazer a Zoe gostar mais da gente. – Ele abriu um lindo sorriso.

– Sonha... – Yara respondeu sentada no outro sofá.

– Bom. Então vamos? – O Sr. Sullivan se fez ouvir.

– O senhor também quer ouvir a Chrono Time, pai? – Richard arregalou os olhos.

– Sim. Qual o problema de ver meu filho fazer o que gosta? – Ele abriu um raro sorriso para a mulher e o filho. Excluindo todos os outros completamente.

Atrás dele, Hanna apareceu de cabeça baixa.

– Então vamos para o porão. – Comandou Leo. Escoltando todos para as escadas.

Todos se acomodaram, seja sentando na escada, ou ficando em pé na parede. Quando estavam prontos para tocar, Leo chegou perto do microfone e disse:

– Essa música se chama Living For The First Time. Eu que fiz. – Afastou-se novamente e começaram a tocar;


Echos, move
[Ecos se movem]

Across the bedpost
[Através da cama]

Make it past
[Tornando passado]

The windows
[as janelas]

Fade into the night
[Se desvanecem na noite]

Cantando para todas essas pessoas conhecidas, Leo deveria se sentir feliz por gostarem de seu trabalho. Mas a cada palavra que cantava, ele sentia os olhos do pai de Hanna. Isso o assustava, parecia que ele nunca seria bom o suficiente para a filha do homem.

My fears clouding up
[Meus medos ficando nublados]

My head for years
[Minha cabeça por anos]

Drift away
[afasta-se]

Like paper boats
[Como barcos de papel]

Into the sea
[
Para o mar]

Ele olhou para a morena, mas não conseguiu decifrar sua expressão. Parecia... Medo?


Call
[chame]

The brothers Wright
[Os irmãos Wright]

Take me on a flight
[Leve-me em um vôo]

Living
[vivendo]

For the first time
[Pela primeira vez]

In my life
[Na minha vida]

Enquanto cantava o refrão, Leo olhou suplicante para o senhor. Como se as palavras da música, fossem um pedido pessoal.

Give me rain
[Me de chuva]

And I'll make
[E eu vou fazer]

It right
[certo]

Hanna não sabia a reação do pai quanto à banda. Não conseguia saber o que se escondia atrás do sorriso que ele lançava para Richard.

A cold wind blows
[Um vento frio sopra]

Across my face
[No meu rosto]

My heart
[E coração]

Begins to race
[Começa a corrida]

And eyes
[e os olhos]

Are open wide
[São abertos]


“Seria... Orgulho?” Ela pensava, enquanto olhava para o pai.


Burning
[Queimando]

Through the sky
[Através do céu]

Across
[através]

The great divide
[Da grande divisão]

Living
[vivendo]

For the first time
[Pela primeira vez]

In my life
[Na minha vida]

Give me rain
[me dê chuva]

And I'll make
[E eu vou fazer]

It right
[certo]

Leo cantava como nunca, Yara olhava admirada para o moreno. Não sabia ao certo o porque, mas ele sentia que precisava dar o melhor de si.

Living
[vivendo]

For the first time
[Pela primeira vez]

In my life
[Na minha vida]

I'll take
[Vou levar]

My first breath
[Meu primeiro suspiro]

Tonight
[hoje à noite]

Living
[vivendo]

For the first time
[Pela primeira vez]

In my life
[Na minha vida]

I'll take
[Vou levar]

My first breath
[Meu primeiro suspiro]

Tonight
[hoje à noite]

Tonight
[hoje à noite]

Terminando a música, a primeira a aplaudir foi a mãe do baixista. Ela sorria animadamente, fazendo Zoe e Hanna a seguirem. Por último, depois de hesitar muito, o Sr. Sullivan também começou a bater palmas.

– Maravilhoso! – A mulher dizia.

– Impressionante. – O pai de Hanna olhava o cantor com certa curiosidade. – Por mais que eu não aprove seu relacionamento com minha filha, devo dizer que você tem talento, garoto.

– Obrigada, senhor. – Leo não conseguia reprimir a felicidade que sentia. Abriu um lindo sorriso para o homem e depois se dirigiu à Hanna que estava sentada na escada. – Depois eu preciso falar com você. – Ele sussurrou, enquanto as outras pessoas se agitavam.

Ela apenas assentiu.

– Bom, meu querido, nós precisamos ir agora. – A mãe de Richard falava, em meio às outras vozes.

– Verdade. – O marido concordou. – Tchau Richard. Bom trabalho. – Ele sorriu encorajadoramente para o filho. Parabenizou os outros dois integrantes e ao chegar no Leo, apenas lançou-lhe um olhar frio e estendeu a mão:

– Cuide bem dela. – Ele apenas disse, apertando a mão do garoto.

– Pode deixar senhor. – O moreno ficou o mais sério possível.

Quando estava pronto para subir as escadas, passou por Hanna e apenas lançou-a um olhar duro.

– Você tem razão. Eu não mando mais na sua vida. – Ele dizia. – Mas pense bem antes de tomar decisões que você possa se arrepender depois.

– Tudo bem, pai. – Ela sussurrou.

O senhor olhou uma última vez para o porão e subiu as escadas. Sua mulher foi logo atrás, parando para piscar discretamente para o baterista. Samuel na mesma hora corou.

Quando eles já tinham ido embora, Yara, Samuel, Richard e Zoe saíram para tomar um sorvete.

Hanna entrou sorrateiramente no quarto dos meninos e sentou-se na cama de Leo. Ficou olhando para tudo no quarto. Os armários, as fotos penduradas na parede, as três camas desarrumadas... Ela estava exausta. O dia tinha sido longo.

Jogou-se de cara no travesseiro, se segurando para não chorar.

– Você está bem? – Uma voz surgiu na porta. Ela o olhou. Tinha acabado de sair do banho. Seu cabelo estava espetado e pingava na camiseta branca.

– Não. – Ela admitiu ainda deitada na cama.

Leo chegou perto e deitou-se na frente de Hanna. Com seu rosto a centímetros do dela.

– Por causa do seu pai? – Ele perguntou, enroscando suas mãos nas dela.

Ela assentiu, enquanto fechava os olhos e inalava o delicioso perfume dele.

Leo a puxou para mais perto dele.

– Ele me disse para cuidar bem de você. – Ele sorriu, puxando uma mecha negra para trás da orelha da garota. – Eu acho isso um bom sinal.

Ela fechou os olhos.

– Ele não acredita no que me faz realmente feliz. – Ela murmurou.

– E o que é?

– Você. – Ela respondeu, fazendo-o sorrir.

Aos poucos, ambos foram fechando os olhos. Quando Yara, Zoe, Samuel e Richard chegaram, encontraram os dois dormindo profundamente de mãos dadas.

– Bom. Pelo menos você vai poder dormir em uma cama livre hoje. – Yara sussurrou para a irmãzinha.