In Love With My Guitar
20 Capítulo 20 – Surprise!
Notas iniciais
Boa leitura!
— Onde é a casa? – Zoe abraçava uma boneca que ela chamava de Anabela.
— Já estamos quase chegando. – Hanna respondeu no banco da frente.
— Está com fome? – Yara olhou para o reflexo de sua irmã no retrovisor.
— Não muita. – Então ela levantou a boneca de pano e a colocou perto dos ouvidos. – O que? – Ela franziu a testa. – Anabela disse que está com bastante fome.
Na frente, as duas riram.
— Nós vamos dar comida para ela quando chegarmos. Eu prometo. – Yara disse carinhosamente.
Hanna nunca tinha visto a garota daquele jeito. Ela estava boba com a irmã. Parecia estar com a cabeça nas nuvens sempre que olhava nos olhos verdes da pequena.
Em pouco tempo, as três chegaram na casa. Yara carregava a maleta amarela de Zoe.
Quando entraram, a casa estava extremamente silenciosa.
— Eles saíram. – Hanna anunciou.
— Hey. Espere um minuto. Hoje não é aniversário da sua mãe? – Yara olhava confusa para a morena.
— Não. – Hanna olhou-a mais confusa ainda. – De onde você tirou isso?
— O Richard que disse... – Yara olhou em volta, tentando entender. – Porque ele mentiria para mim?
Enquanto a loira sentava no sofá e suspirava, tentando entender porque os garotos a deixaram na mão, Zoe olhava a pequena casa com curiosidade, foi para a cozinha, passando pelo minúsculo banheiro, depois para o quarto das meninas, passando novamente pela sala e depois entrou no outro quarto, saiu de lá com uma mão tampando o nariz:
— Quem dorme ali?
— Meu irmão e os amigos dele. – Hanna respondeu para a garota que arregalava os olhos.
— Quantos meninos moram aqui? – Ela perguntou.
— Três. Por quê? – Yara agora olhava para irmã, enquanto ela apertava mais ainda a boneca.
— Papai nunca te ensinou que os meninos são ruins? Eles machucam... – Ela dizia meio distante, como se lembrasse de alguma coisa.
— Hey. Zoe. Você tem a minha palavra que eles não vão te machucar. – A mais velha olhava bem nos olhos da irmã. – Se eles fizerem alguma coisa, você pode me contar que eu acabo com eles na mesma hora! – Isso fez a mais nova abrir um sorriso.
— Hey. – Hanna chamou da janela. – Eles chegaram.
Na mesma hora, a loira foi até a porta e a abriu com força.
Na calçada, Samuel, Leonardo e Richard vinham andando tranquilamente.
Estavam rindo de alguma coisa, mas pararam assim que viram a expressão de raiva que ela tinha.
— Yara! – Samuel parecia espantado. – Já chegaram em casa? – Então seu rosto se iluminou e ele começou a ir na direção da loira. — Cadê a pequena?
— Bem longe de você e das mentiras do Richard! – Ela respondeu secamente.
— Que? – O garoto de touca azul perguntou lá de trás. – Que mentiras?
— “Ah Yara, eu não posso, tenho que ir pra casa dos meus pais com a minha irmã... Blá-blá-blá” – Ela imitou a voz do menino.
— Hey. Não é o que você está pensando... – Leo tentou defender o amigo.
— E você? Não tem moral nenhuma para falar comigo! – Ela olhava furiosa para os três.
Por um longo instante, um silêncio ensurdecedor caiu sobre eles. Mas foi quebrado por sons de pequenos passos indo na direção da garota.
— O que está acontecendo? – Uma voz de dentro da casa perguntou.
— Eu já entro, Zoe. Vá falar com Hanna. Ela tem um presente para você. – Yara sorriu sonhadora. – Eu prometo que não vou demorar.
— Você está prometendo muita coisa, viu? – A voz repreendeu, fazendo a loira soltar uma gostosa gargalhada. Logo depois, o som de passos soou novamente, mas agora estava indo para longe.
Do lado de fora, os garotos estavam paralisados.
— É... Ela? – Richard perguntou cuidadosamente. Yara voltara com sua expressão fria em cima deles.
— É. – Ela respondeu a contragosto – E eu vou cuidar para que ela fique fora do alcance de vocês três.
— Yara... – Leo agora andava apressadamente até a porta.
— Não, Leo! Você não vai conseguir me acalmar! Vocês me prometeram que iriam comigo e depois falaram que tinham compromissos. Mas olhem vocês mesmos! Estão aqui na frente de casa sem nenhuma preocupação visível. E você Richard? Você disse que era aniversário da sua mãe! Como pôde mentir desse jeito? Se vocês não queriam ir, avisassem! – Yara fazia força para não soltar as lágrimas que se formavam. Era orgulhosa demais para deixar que eles vissem-na chorando.
— Foi por uma boa causa. – Richard disse de cabeça baixa.
— Boa causa? – A loira agora olhava para ele incrédula.
— Posso explicar agora? – Leo perguntou, olhando-a fixamente.
Yara ficou em silêncio, mas seus olhos estavam estreitados.
— Vou interpretar isso como um “sim”. – Ele continuou. – Então. Quando você foi dormir ontem, antes da Hanna chegar, eu e os caras ficamos conversando e pensando em fazer alguma coisa que valesse a pena...
— Como assim? – Ela perguntou.
— Para a pequena Yara. – Explicou Samuel.
— É Zoe. – Ela corrigiu o namorado, para depois olhar fixamente nos olhos azuis do amigo. – Continua.
— É isso mesmo. A gente queria fazer alguma coisa para Zoe. Algo para ela se lembrar da gente. Então... Assim que você e a Hanna saíram...
— Espera um pouco. Vocês combinaram com ela? Para eu não ir sozinha? – Yara olhava esperançosa para ele.
— Bom. Não. Mas aconteceu. E quando eu conseguir entrar em casa, vou agradecer àquela chata. – Leo sorriu. – Mas continuando... Assim que você e a Hanna saíram, nós fomos correndo até a loja de móveis mais próxima e compramos algumas coisas. – Ele concluiu.
— Como assim algumas coisas?
— Que tal deixar a gente entrar? – Richard suplicava da calçada, fazendo beicinho.
— Que tal vocês contarem as coisas direito? – A loira rebateu.
— Quando eu falo algumas coisas eu quero dizer que é surpresa. – Leo olhava por cima do ombro dela, desejando estar deitado naquele sofá.
— Surpresa? — Yara olhava desconfiada.
— Para de ser chata e deixa a gente entrar logo. Você não sabe o quanto é longe a loja mais perto! E nós não somos a Hanna. Nós não temos carro. Então quer dizer que fomos a pé! – Samuel dizia andando de um lado para o outro.
A loira, relutante, deixou os três entrarem. Todos desabaram no sofá, mas ela ficou em pé, parada na frente deles.
— O que? – Leo perguntou, enquanto Yara o fitava.
— Se você estiver mentindo, Leonardo McCoy, eu juro que acabo com você.
— Mas isso é sério! – Richard defendeu.
— Eu juro para você. – O moreno de olhos azuis dizia. – Eu dou a Becky para Hanna queimar se eu estiver mentindo.
— Se você estiver mentindo, eu mesma a queimo. – Esse comentário fez tanto Leo quanto os outros dois estremecerem.
Yara suspirou, virou-se de costas para eles e gritou:
— Hanna! Vem cá!
Depois de alguns instantes, a morena subiu as escadas do porão de mãos dadas com uma garotinha loira.
Os garotos abriram a boca, pasmos.
— Yara... É a sua irmã? – Leo perguntou.
A loira apenas fez que sim com a cabeça.
— Ela é linda. – Ele respondeu, fazendo os outros dois concordarem.
Zoe, percebendo que ela era o centro das atenções, apertou a boneca de pano contra o peito e se escondeu atrás das pernas de Hanna.
— Hey. Zoe. Esse aqui é o meu irmão. – A morena apontou para Richard, que sorriu e acenou.
— Esse é o Leo. – Yara apontou para o moreno. A pequena inclinou um pouco a cabeça, a fim de olhá-lo. – E esse é o Samuel. – A loira completou.
— O que é isso na sua cabeça? – Zoe franziu a testa.
— Isso? – O baterista pegou uma mecha dos dreads. – É meu cabelo. – Ele sorriu para ela.
— Não parece cabelo. – Ela retrucou.
— É. Ela é mesmo sua irmã, Yara. – Leo sorriu para a amiga, enquanto Zoe saía de trás de Hanna, para chegar mais perto dos meninos.
— Vocês não parecem perigosos. – Ela dizia, enquanto fitava os três.
— Nós não somos. – Richard sorriu.
— Hey, Hanna, posso falar com você um minuto? – Leo perguntou à morena.
— Tá...
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