Notas iniciais
*** capítulo revisado em 11/10/2015 *** hey gatinhas! tudo bem com vcs? capítulo fresquinho, espero que gostem! e valeu pelos comentários, vcs são umas fofas :3 Let's Go!

MANUELA

—- Manu, manda a Duda parar, por favor? – gritava Jéssica da sala

—- Eduarda, deixa de ser infantil e vem me ajudar aqui? – chamei

—- Você não precisa de ajuda, e se eu for aí vai ser só pra atrapalhar – gritou de volta, e pude escutá-la implicando com a irmã novamente – Aiiii!

Tirei os olhos do fogão por alguns instantes e parei, me encostando no batente da porta da cozinha, observando as duas jogando vídeogame no sofá. Duda passava a mão na testa, onde parecia ter sido acertada por um golpe do controle do jogo.

—- Pegou ela? – perguntei a Jéssica

—- Sim! Quero ver ela me atrapalhar quando eu estiver jogando Super Mario World de novo – riu e voltou sua atenção para a tela da TV

Era sábado, eu estava na casa da Duda dando uma forcinha na cozinha, já que, se dependesse dela, a irmã viveria à base de miojo. Os pais delas, assim como os meus, estavam trabalhando. Dessa forma, unindo o útil ao agradável, Eduarda me chamou para passar o sábado com ela e Jéssica, e eu resolvi mostrar minhas habilidades na cozinha.

Sua irmã era um amor de pessoa, tinha 13 anos, e nos dávamos super bem, ela sempre estava me ajudando a aprontar alguma com a Duda. Em três semanas de namoro com a minha gatinha, alguns dos momentos em que eu mais ria era quando Jéssica estava conosco, elas estavam sempre brigando, mas dois segundos depois já estavam se abraçando.

Com uma cara de cachorro arrependido, Eduarda veio em minha direção me fazendo rir.

—- Vem, eu vou te ajudar com o almoço.

—- O que te fez mudar de ideia tão rapidamente? – perguntei irônica

—- O que eu tenho que fazer? – perguntou me ignorando

—- Não se preocupe, eu já tenho tudo sob controle, vem só me fazer companhia – puxei-a, fazendo com que se sentasse à bancada enquanto voltei para as panelas.

—- Huumm, o cheiro tá ótimo! Que cê tá fazendo, Manu? –perguntou curiosa

—- Macarronada, que eu sei que a sua irmã adora, e frango assado, que você adora, e que, aliás, já deve estar quase no ponto – disse pegando um pano de prato e me abaixando para olhar dentro do forno. O frango já estava bem corado, portanto, desliguei o forno deixando-o lá dentro enquanto não terminava a macarronada.

—- Você me mima muito e fazendo o mesmo com a pirralha. Tá querendo ganhar pontos com a cunhadinha? – provocou com a sobrancelha arqueada

—- Primeiro, não estou te mimando, amo frango assado tanto quanto você. Segundo, não chama a Jéss de pirralha porque ela é minha brother – brinquei – E por último, mas não menos importante, ela nem sabe que é minha cunhada, portanto, não adiantaria de nada eu cozinhar o que ela gosta – completei fazendo língua

Ficamos jogando conversa fora enquanto eu preparava o molho, e Duda tentava me ajudar. Acabamos com uma Eduarda com a blusa toda suja de molho de tomate e um fogão igualmente sujo.

—- Ai, que droga! Eu adoro essa camiseta – reclamou, tentando lavar a parte suja na pia

—- Não vai adiantar, tira a blusa e coloca de molho – disse limpando o fogão com um pano.

E o que ela me faz?

Tira a blusa e fica só de sutiã, inconformada com o estado de sua camiseta branca. Era tentação demais pra uma pessoa só!

—- Que foi? – perguntou olhando para si mesma ao ver minha cara

—- Eduarda, sai da minha frente, por favor – disse tentando me concentrar em seu rosto e não em seu abdômen perfeito e seu busto coberto por um sutiã muito fofo, branco com alguns desenhos de joaninhas.

Aquela pele negra em contraste com o branco do sutiã, sua barriga toda definida... Olhei-a de cima abaixo, dessa vez reparando no micro short jeans que ela usava e que deixava suas pernas à mostra... Ô, tentação...

—- O que eu fiz?

—- Eduarda, vai... Vai colocar outra blusa logo – disse, e ela, percebendo o que estava acontecendo, sorriu sapeca e virou-se indo em direção ao quarto.

Ela não tem jeito mesmo!

Terminei de limpar o chão, que, afinal, também estava sujo de molho e fui me sentar no sofá ao lado de Jéssica

—- Como é que tá indo aí? – cutuquei-a com o cotovelo

—- Ha! Já na 5ª fase do Mundo Especial, só faltam mais três pra eu zerar o jogo e bater o recorde da Duda.

—- Você sabe que eu não faço ideia do que você tá falando, né?

—- É, eu sei — falou rindo

—- Não entendo por que você e a Duda insistem em jogar essa velharia. Esse vídeogame é mais velho que eu.

—- Não ouse falar mal do meu Super Nintendo lançado em 1991, ainda em perfeito estado de conservação e com os cartuchos novinhos. É difícil encontrar alguém que ainda tenha um desses de primeira mão, sabia?

Ok, a nerd chegou!

—- Vejo que você encontrou algo para vestir – disse dando de ombros e olhando a regata preta que marcava seu corpo

—- Ih, essa aí, se deixar, fica andando pela casa só de sutiã quando o papai não está — disse Jéssica.

—- O que eu posso fazer se esse calor tá insuportável? – defendeu-se

—- Bom, agora que você desceu, podemos ir almoçar – declarei, levantando-me do sofá e chamando-as

—- Deixa eu só terminar aqui – reclamou Jéssica

—- Não, salva o jogo aí. Vamos ver se a Manu cozinha bem mesmo ou só se acha muito – riu Duda, me provocando enquanto a irmã salvava o progresso no jogo e desligava o vídeogame.

Arrumamos a mesa, nos servimos e nos sentamos para comer.

Modéstia à parte, o frango estava melhor do que eu esperava, e o macarrão também estava muito bom.

Ufa! Sem motivos pra zuações da parte da minha namorada linda, mas implicante.

—- Então...? – perguntei

—- Hum... Isso aqui tá muito bom! Parece que não foi propaganda enganosa – disse Duda

—- Duda, já que você não sabe fazer comida, você bem que podia arrumar um namorado que soubesse cozinhar bem como a Manu, hein?! – brincou Jéss, me deixando vermelha e fazendo Duda engasgar-se com a comida.

Duda nada falou, mas parecia bastante desconfortável com o comentário da irmã. Por mais que ela não gostasse de falar sobre isso, eu sabia que o assunto ainda a incomodava muito.

Apesar de ter aceitado namorar comigo e conseguir lidar com seus sentimentos, Duda ainda tentava digerir a descoberta de sua orientação sexual. Se na minha situação já era difícil lidar com isso no início, eu imaginava como deveria ser com ela, que veio de uma família religiosa, apegada aos padrões e preconceitos arcaicos de dois mil anos atrás.

Isso tudo sem contar com o fato de seu irmão ter se assumido transgênero há alguns anos. Diogo, ou Karina, como preferia ser chamada, tinha saído de casa aos 18 anos para dividir um apartamento com os amigos que moravam perto da faculdade em que fora aprovada, em São Paulo.

O maior medo de Eduarda — ela confessou-me um dia — era machucar sua família ou decepcioná-la.

Depois do almoço, Duda e eu lavamos a louça enquanto Jéssica foi se arrumar para ir à casa de uma amiga que morava no meu prédio.

—- Desculpe os modos da Jéss – disse Duda ao ver a irmã sair do cômodo – Ela fala demais

—- Tá tudo bem, minha menina do sorvete de chocolate – brinquei

—- Você nunca vai esquecer aquela foto, né?

—- Não mesmo, você ficou tão fofa com aquela cara de brava, toda lambuzada de sorvete. Aliás, você é fofa até hoje, mas admito que o tempo te favoreceu em alguns... er muitos... aspectos – disse lançando-lhe um olhar malicioso

—- Ah, cala a boca, Manuela! – riu meio envergonhada

—- Vem calar – provoquei

—- Não precisa pedir duas vezes – disse com um sorriso maroto e se aproximou de mim o suficiente para que eu pudesse sentir sua respiração batendo contra meu rosto.

Já estava fechando meus olhos, ansiando pelo seu beijo, quando ela interpôs sua mão entre nossas bocas, se afastando novamente e rindo da minha cara. Ela segurou sua mão sobre a minha boca tapando-a.

—- Idiota! – tentei falar entre seus dedos enquanto ela quase se dobrava de rir da minha quebra de expectativa.

—- O que vocês estão fazendo aí? – perguntou Jéss, entrando novamente na cozinha e me encontrando sendo abraçada pela irmã, que ainda tentava manter a mão na minha boca

—- Ela... Fala... Demais – declarou Duda, recuperando um pouco do fôlego após sua crise de riso

—- Tá bom... Vocês são estranhas... muito estranhas. Já tô indo, Duda, fala com a mamãe que eu vou dormir na casa da Babi, e vocês duas, juízo, hein? – disse saindo

—- É impressão minha ou sua irmã nos mandou ter juízo? – perguntei

—- Não é impressão sua, ela tem me mandado indiretas desse tipo desde que começamos a namorar.

—- Será que estamos dando muita bandeira? – me preocupei

—- Talvez, mas ela é muito perceptiva com esse tipo de coisa – deu de ombros.

—- Você não parece muito preocupada com isso

—- E não estou. Se tem alguém na minha família capaz de aceitar o nosso relacionamento sem nenhuma repreensão, esse alguém é a Jéssica

—- Saber disso só me faz gostar ainda mais dela

Nessas três semanas de namoro, eu tinha passado bastante tempo na casa da Duda, e ela na minha, o que fez com que eu conhecesse bastante a Jéssica e percebesse que ela era bem parecida com a irmã, portanto, não tinha como não gostar dela.

—- Amor, vem cá, tá passando Titanic na TV, corre que tá no comecinho ainda – chamou Duda da sala

—- Do que você me chamou? – perguntei sorrindo

—- Não

—- Não o que, Duda? – perguntei confusa

—- Você não vai fazer aquela coisa clichê e dizer que nunca me ouviu falar isso e que quer ouvir de novo – respondeu cortando o clima

—- Awn... Às vezes, você é tão romântica, Eduarda – ironizei

—- É só que todo casal na face da Terra parece fazer isso, e sim, é muito fofo. Mas você não tem motivos pra fazer – afirmou categoricamente

—- E por que não?

—- Simples, porque você sabe que é o meu amor, não precisa se fingir de surda quando eu te chamar assim, até porque, se depender disso, você vai precisar de muito mais que um aparelho de surdez pra fingir tanto – riu e me joguei no sofá em cima dela.

—- Ah, é? Então fala de novo!

—- Amor, meu amor! Minha namorada, minha baixinha.

—- Baixinha, não! – fiz bico

—- Tudo bem, minha verticalmente desfavorecida – ela disse rindo, e lhe dei um beliscão – Ai, isso dói! – reclamou

—- Podemos prestar atenção no filme? – falei fingindo seriedade

—- Só depois que você me der um beijo!

—- Ah... Não tô muito a fim agora... Olha lá, adoro essa parte do filme – falei.

—- Manu, me dá um beijo?

—- Não

—- Só um?

—- Não – neguei com a cabeça

—- Por favor? – cara de cachorro que caiu do caminhão de mudança, golpe baixo.

—- Ah, nem vem, Eduarda, você lembra o que aconteceu quando uma de nós duas persuadiu a outra a beijá-la?

—- Claro que me lembro, fui expulsa de sala por sua culpa – disse rindo.

—- Dessa parte você lembra, né? Esqueceu-se de como você se vingou de mim? Obrigada, mas não obrigada. Não quero passar por isso novamente, ou acha que três dias sem nem mesmo um selinho seu foi fácil de aguentar?

—- Mas dessa vez eu estou pedindo! E se sentiu tanto a falta do meu beijo, por que não desconta agora e me beija logo? – arqueou a sobrancelha

—- Bela tentativa, mas eu quero assistir o filme – provoquei.

—- Você vai mesmo me trocar pelo Leonardo Di Caprio? – perguntou incrédula

—- Claro que não...

—- Ufa, por um minuto pensei que estava sendo... – começou a dizer, mas a interrompi.

—- Mas você já viu o tamanho dos peitos da Kate Winslet naquele vestido? A melhor cena na minha opinião é quando o Jack desenha a Rose nua – interrompi, tentando conter o riso à espera de sua reação

—- Não acredito que você falou isso, Manuela – me empurrou pro lado e cruzou os braços sobre o peito

—- Ah... Vai falar que você nunca reparou?

—- Não, eu nunca reparei. Tem que ser muito lésbica mesmo pra ficar observando isso num filme tão lindo

—- É você quem tem uma namorada, e eu que sou a lésbica da história? – ela não se conteve e deu o braço a torcer, sorrindo para mim – Me beija, Duda – falei ao ver seus olhos castanhos desviarem-se dos meus para a minha boca

—- Agora também não quero!

—- Não? Então tudo bem – fiz menção de me levantar do sofá, mas fui impedida por dois braços envolvendo-me.

Duda me puxou, fazendo-me virar de volta para ela, e acabei me desequilibrando e caindo sobre o seu corpo, o que não a impediu de me puxar novamente até que ficasse da altura de sua boca para logo beijar-me com carinho. Entreabri meus lábios, recebendo seu beijo.

Aquela garota exercia um poder sobre mim que eu não sabia explicar, tudo que queria era sentir seus lábios movendo-se em sincronia com os meus, sua língua invadindo minha boca, me causando arrepios.

Estávamos deitadas no sofá, meu corpo sobre o seu. Suas mãos moviam-se suavemente pela minha cintura e, ás vezes, arriscavam-se timidamente por minhas costas, enquanto as minhas alternavam entre arranhar sua nuca e seus ombros. Sentia meu corpo ficando quente com seu toque e o contato de nossos corpos.

Separamo-nos para recuperar o ar, e Duda encheu meu rosto de beijos estalados, me fazendo rir, percorrendo um caminho do meu queixo até minhas têmporas e logo voltando, parando no canto de meus lábios.

—- Eu sei que é cedo, mas não consigo mais guardar isso só pra mim. Manuela, eu te amo, não sei explicar, só sei que amo – sussurrou, me olhando nos olhos, seus castanhos brilhando, e logo voltou a capturar minha boca com o que só pude descrever como paixão.

Demorei um pouco para corresponder ao beijo. Estava surpresa e extremamente feliz. Duda era muito relutante em confessar seus sentimentos. Embora os demonstrasse, raramente falava com clareza o que sentia.

Podia parecer bobo, mas apesar de dizer que eu era o seu amor, aquela era a primeira vez que Eduarda dizia com todas as letras que me amava, e isso me emocionou de verdade. Eu amava demais aquela garota.

Separei-me dela, arfante novamente, e segurei seu rosto com minhas duas mãos.

—- Também te amo, Eduarda – disse, e ela trocou nossas posições, sorrindo e ficando por cima de mim, deixando uma perna de cada lado do meu corpo, assim como seus braços, e inclinando-se para beijar minha testa num gesto de carinho. Depois ficou parada me observando.

—- Que foi? – perguntei

—- Você é linda – falou timidamente, me deixando encabulada também pelo elogio.

—- Você que é

—- Vamos parar de mentir? – riu, me dando um beijinho no queixo

—- Errou o lugar – falei, puxando-a para mim

—- Er... Manu, vamos voltar pro filme? – perguntou depois de um tempo nos amassando no sofá e vendo que as coisas estavam esquentando demais.

Assustei-me ao perceber que o Titanic já tinha afundado e Jack e Rose já estavam congelando, ao contrário de Eduarda e eu, que estávamos em chamas.

—- Vamos, vamos, sim – respondi, e novamente Duda tentou me puxar para invertermos as posições e ela ficar debaixo de mim para que eu me acomodasse sobre ela.

Mas como tudo com a minha namorada é mais desastroso, fomos parar as duas no chão, rindo como idiotas.

Me aproveitei da situação para roubar mais uns beijos da Duda, que não se fez de rogada e correspondeu no mesmo instante.

—- Meninas, já cheguei do traba... Duda?

Notas finais
*** capítulo revisado em 11/10/2015 *** e agora hein? o bicho vai pegar pro lado das meninas? bjos e até o próximo!