In Love With Her

2 Primeiro dia de aula


Notas iniciais
oie, capítulo entregue, espero que gostem >.

EDUARDA

7h15

—- É hoje que eu não entro na escola! — resmunguei enquanto virava a rua da escola

Em plena segunda-feira, meu celular decide me sacanear e não despertar na hora, e eu como só durmo tarde, não consegui acordar.

Por sorte eu consegui passar pelo portão exatamente quando o Seu Zé, o porteiro, ia fechar.

—- Bom dia, seu Zé!

—- Eita, que qualquer dia desses você fica trancada para fora hein menina — ele disse rindo da minha pressa

—- Fico nada — disse voltando a correr para chegar na sala

A professora estava tão distraída enchendo o quadro de matéria que nem me viu chegar e sentar no meu lugar, atrás da minha melhor amiga.

—- Bom dia Ana! — cumprimentei-a

—- Bom dia Duda! O celular de novo? — perguntou Ana virando para trás

—- É sempre o celular! Juro que ainda jogo ele pela janela! — disse fazendo Ana rir e arrancando um olhar assassino da professora de Português que parecia tentar entender de onde eu tinha saído

—- Porque você ainda está com o caderno fechado? Acha que a caneta vai escrever sozinha? — disse e virou-se para o quadro novamente

—- Se a vaca consegue escrever no quadro, não duvido nada que a caneta possa escrever sozinha — murmuro fazendo com que Ana voltasse a rir

É por isso que eu gosto dela, Ana é o tipo de pessoa que não consegue ficar mais que 5 minutos sem rir de algo. E eu sou uma palhaça em pessoa, é claro que nós íamos nos tornar melhores amigas. Loira, simpática, toda patricinha, cheia de frufu's cor-de-rosa, muito nada haver comigo, mas nós nos damos super bem e não temos quase segredo nenhum.

Tentava me concentrar naquele inferno que costumavam chamar de aula de Português e me sobressaltei quando uma bolinha de papel atingiu minha cabeça. Virei com raiva procurando quem havia jogado a bolinha e encontrei Rafael rindo da minha cara e fazendo sinal para que eu a abrisse.

"Bom dia!!! Chega e nem cumprimenta mais né? Mas não importa, eu te perdoo! O que fez de bom no fim de semana?"

De fato, eu não tinha visto meu amigo assentado a duas fileiras de distância de mim e Ana.

"Bom dia amor da minha vida! Desculpa não ter te cumprimentado, eu não tinha te visto! Meu fim de semana foi um tédio, como sempre. Dormi até tarde, fiquei o dia todo no computador e no vídeo-game. Ontem fui pra casa da minha avó e voltei já era quase meia-noite, tô com sono u.u"

Terminei de escrever o bilhete e mandei de volta a bolinha para ele. Logo a minha atenção foi focada na professora que dizia alguma coisa

—- Atenção turma, essa é a Manuela, a nova colega de vocês — disse dando espaço para uma garota entrar na sala e indicou a carteira ao meu lado para que ela se sentasse.

Enquanto ela andava, todos os garotos pareciam babar em cima dela. Não era para menos, ela era simplesmente linda, cabelos negros e lisos caindo pelos ombros, olhos azul-esverdeados, um pouco baixinha e pele clara mas com um bonito bronzeado de quem parecia tomar sol constantemente. Os pescoços de alguns garotos até se viraram quando ela se sentou ao meu lado, mas ela não parecia notar nada nem ninguém, totalmente perdida em seu mundo.

Sem querer dar motivos para a professora me chamar a atenção novamente, decidi deixar a novata para lá e tentar fazer a matéria entrar na minha cabeça. Mas novamente, aquela bolinha de papel veio parar em minha carteira.

"Nossa, a novata é muito linda né? Todo mundo tá olhando pra ela!"

"Vc fala como se gostasse! kkkkkk"

"De fato, não gosto da fruta!kkkk' Mas vai falar que ela não é linda?"

"Ela é linda Rafael. Satisfeito?"

"Vc pegaria ela?"

"Eu sou hétero Rafael!"

"Amiga, eu tenho certeza que vc ainda vai pegar muita mulher (66"

"Tá bom, se vc tá dizendo..."

"Escreve o que eu tô falando! Mudando de assunto, chama ela pra ficar com a gente na hora do recreio, o primeiro dia de aula numa escola nova, no meio do ano é um saco. Eu passei por isso ano qnd vim pra cá e garanto que ficar sozinho no recreio não é nada legal"

"Ok, eu chamo ela. Agora me deixa prestar atenção na aula antes que a bruxa venha encher o saco de novo kkkkkk"

As três primeiras aulas passaram em um tédio mortal, eu tentava prestar atenção, mas a loira estava sempre me chamando para falar sobre algo que aconteceu em seu fim de semana e Rafael continuava me enchendo o saco sobre eu "pegar" garotas. Como se já não bastasse a confusão que tem andado a minha cabeça por causa desse assunto, Rafa e Lucas — um outro amigo nosso — não paravam de falar nisso.

O sinal para o recreio bateu e decidi fazer o que Rafa havia pedido e fui falar com a novata

MANUELA

O celular desperta

Eu acordo

O pesadelo começa

Depois de passar um longo tempo na cama tomando coragem para levantar, tomei um banho, vesti o meu novo (e horrível) uniforme e fui para a cozinha comer alguma coisa. Já estava me acostumando a ficar sozinha em casa. Desde que nos mudamos, meus pais saíam para trabalhar antes que eu acordasse e voltavam quando eu já tinha ido para a cama. Sinceramente, eu preferia assim, era melhor passar a semana inteira sem vê-los do que ter de olhá-los nos olhos e encarar a decepção e vergonha que eu representava para eles.

Saímos do Rio três dias depois daquela conversa nada agradável que tivemos e apesar de tê-los convencido a não me mandar para um psicólogo, não consegui fazer o mesmo com relação á mudança.

Uma semana depois de ter chegado a Belo Horizonte, seria meu primeiro dia em uma escola onde eu não conhecia ninguém, ou melhor, em uma cidade onde eu não conhecia ninguém.

Fiz tanta hora na cama que cheguei tarde na escola e fui procurar saber em que turma ficaria. Um garoto me indicou a direção da secretaria, onde uma senhora de cabelos grisalhos me entregou um papel com os horários de aula e disse qual seria a minha sala.

Eu ficaria no 2º ano A, e minha sala seria no quarto andar daquele prédio com uma aparência antiga.

Bati meio sem jeito na porta e a professora abriu, rapidamente expliquei que era novata e pedi desculpas por meu atraso. Ela me fez entrar e me apresentou rapidamente á turma.

—- Atenção turma, essa é a Manuela, a nova colega de vocês — disse isso e me indicou um lugar vazio no canto da sala, ao lado de uma garota.

Passei os três primeiros horários tão concentrada nas aulas e pensando em tudo que havia acontecido nesses últimos dias, que não reparei muito nas coisas ao meu redor. Além disso, não queria correr o risco de dar uma olhada á minha volta e encontrar alguém me encarando.

—- Er... oi — uma voz me chamou quando quase todos já tinham descido para o recreio.

Me virei e dei de cara com dois grandes olhos castanhos, era a garota que estava do meu lado.

—- Oi — respondi sem saber o que dizer

—- Escuta, como você é nova aqui, eu pensei se você não quer passar o recreio comigo e meus amigos — disse apontando para um garoto e uma garota que esperavam por ela na porta da sala — Sabe, é ruim ficar sozinha na hora do recreio...

—- Eu... ah... claro — disse

—- Ótimo! Vamos descer então? E antes que eu me esqueça, eu sou a Duda, e aqueles ali são o Rafa e a Ana — apontou para seus amigos novamente que sorriram para mim

—- Manuela, mas me chama de Manu que tá tudo certo — respondi

Descemos as escadas para o pátio e os três conversavam animadamente, e eu, meio por fora do assunto, e ainda muito tímida para me entrosar, comecei a reparar neles.

Rafael era um garoto alto, loiro com olhos cor de mel e muito brincalhão por sinal, parecia fazer piadas ás custas de tudo e de todos, e tinha um jeito espôntaneo e nada discreto.

Ana, uma garota muito bonita e atraente, de cabelos loiros e cacheados, pele branquíssima, tinha cerca de 1,70m, e com aparência de boneca, era tão animada e alegre quanto o amigo.

Já Duda, era diferente dos outros dois, mais calada, e parecia tão tímida quanto eu. Era um pouco mais alta do que Rafa, deveria ter quase 1,80m, tinha um corpo magro e esbelto, cabelos castanho-avermelhados bem curtos e com as pontas arrepiadas na parte de trás da cabeça. Seus olhos castanho-escuros que me chamaram a atenção no momento que os vi, combinavam perfeitamente com o tom marrom de sua pele.

Não sei bem explicar o que era, mas havia algo de diferente em Duda que me chamou a tenção mais do que seus amigos.

Pouco antes da metade do recreio, um outro garoto juntou-se a nós. Tinha um cabelo preto bagunçado, pele branca, e um sorriso que o deixava com uma aparência de criança, apesar de claramente não ser uma.

—- Luuuucaaaas! — gritou Ana e se jogou no garoto que quase caiu no chão

—- Ana, desse jeito você mata o menino! — disse Rafa

Assim que conseguiu se livrar do abraço de Ana, o garoto cumprimentou Duda e Rafa com um abraço e me deu um tímido "oi".

—- Manu, esse é o Lucas, e Lucas essa é a Manuela, novata da nossa sala — disse Rafael

—- Tudo bem? — perguntei

O restante do intervalo passou com os três falando de coisas aleatórias que eu não entendia muito, mas eles sempre davam um jeito de me incluir na conversa. Eles eram realmente legais e simpáticos.

Voltamos para a sala e Lucas despediu-se e também se dirigiu á dele. Ele havia repetido de ano, por isso tinha 16 anos como eu e Duda, mas estava no 1º ano. Rafael e Ana ainda tinham 15, mas estavam na idade certa para o 2º ano, pois ambos fariam seus 16 anos em Setembro.

Eu passei os dois últimos horários dividida entre prestar atenção ao que a professora dizia, e prestar atenção ás fofocas que Ana e Rafa não paravam de me contar, me fazendo rir com seus comentários mórbidos.

Ainda assim, consegui tirar uma parte do meu tempo para observar Duda, que estava totalmente focada e concentrada na aula dupla de Matemática, que vim a saber que era sua matéria favorita e que ela era a melhor aluna da sala quando o assunto envolvia algum tipo de calculo.

Reparei que ela tinha um jeito todo atrapalhado, e desastrado, dei boas risadas sempre que ela derrubava um estojo ou seu fichário, ou tropeçava no chão liso. Sem contar que sua caneta parecia ter uma verdadeira adoração pelo chão, porque não passava 5 minutos sem pular da mão dela. Achei fofo o modo como ela se enrolava toda.

Ao final da aula, fomos embora juntos até certa parte do caminho, Ana e Rafael ficaram em um ponto de ônibus junto com mais duas primas da garota, Lucas continuou conosco por mais um tempo, mas logo foi por uma rua diferente. Sobramos apenas eu e Duda, que descobri morar a apenas dois quarteirões do apartamento que meus pais compraram.

—- Então... — disse Duda depois de alguns minutos de um silêncio incômodo — De que escola você veio?

—- Eu morava no Rio de Janeiro, mas meu pai aceitou uma oferta de emprego aqui em Belo Horizonte e tivemos que nos mudar — tudo bem que aquela não era a versão completa da história, mas eu não estava preparada para dividir aquilo ainda.

—- Hum... você deve sentir falta de lá né?

—- Sim, tudo que eu conhecia ficou no Rio, a minha família em sua grande maioria, todos os meus amigos... Sem contar que vou demorar a me acostumar a morar longe da praia

—- Você morava perto do mar?

—- Sim, da minha casa até a praia levava menos de 15 minutos, eu ia quase todo fim de semana com minha amiga Júlia — disse lembrando da minha maluquinha

—- Sabe, eu nunca conheci o mar — ela disse e parecia envergonhada com isso

—- Sério isso? Tipo, nunca, nunca mesmo? — ela balançou a cabeça — Cara, eu vou ter que te levar pra conhecer qualquer dia desses! — prometi

—- Olha que eu vô cobrar hein?! — ela brincou e eu pela primeira vez notei como era fofo seu sotaque mineiro

E por minha conta, ela podia cobrar o quanto quisesse, na boa, com aquele sorriso, como eu poderia negar alguma coisa á ela?

Chegamos á rua de sua casa e ela me deu um beijo no rosto e disse "até amanhã".

Pena que amanhã demoraria tanto para chegar!

Cheguei em casa, tomei um banho e fui almoçar- já que minha mãe estava no trabalho, almoço signifcava miojo. Não me leve a mal, eu sei cozinhar, e muito bem por sinal, mas fala que de vez em quando não bate aquela preguiça e você come a primeira coisa que vê na frente?

Quando terminei de comer, lavei meu prato e fui para o meu quarto fazer os deveres de casa.

Terminei rápido, mas tinha uma coisa que me incomodava: porque eu não conseguia tirar a Duda da minha cabeça?

Só nos conhecíamos ha algumas horas, mas nesse pouco tempo ela conseguiu me deixar super ansiosa para ficar perto dela. Tudo bem, admito, com aquele tom de pele parecendo chocolate, aqueles olhos sombrios e o sorriso de 10000 volts ela me chamou muito a atenção. Só não conseguia entender porque não parava de pensar nela, afinal, já havia visto muitas garotas bonitas que me despertaram o interesse. Eu gosto de garotas, isso é incontestável, mas a Duda... tinha algo nela que... não sei bem o que era, mas mexeu comigo.

Notas finais
o que acharam? reviews?