In Love With Her

33 Minhas Irmãs


Notas iniciais
heey,olha eu aqui de novo rsrs Essa semana eu recebi uma MP de uma leitora, perguntando sobre a história, querendo esclarecer algumas dúvidas e lembrei que fiz isso no outro site que eu posto e deu certo, mas não lembro de ter feito aqui. Então vou divulgar meu e-mail pessoal para vocês, caso alguém se interesse em conversar, tirar dúvidas, etc. natielelorrayne@hotmail.com Venham falar comigo gente! Prometo que sou legal e também não mordo, viu? bjos e boa leitura! Boa leitura!

EDUARDA

Minha irmã continuava ali, parada, me olhando com cara de mosca morta, e o que mais me irritava: sem dizer uma única palavra!

Acho que ela não esperava que esse assunto fosse abordado, por isso o choque foi grande demais para que ela gerenciasse tudo que eu tinha certeza que se passava em sua cabeça.

— Karina, diz alguma coisa! Eu preciso saber da verdade – acordei-a do torpor em que se encontrava.

— E-eu... Não! Você não precisa saber de nada, Eduarda. V-vai embora, por favor. Eu não quero falar sobre isso! – ela estava alterada, seu estado de agitação era visível

— Não, Ka! Eu vim aqui atrás da verdade e só saio com ela – me mantive firme na minha decisão de saber o que tinha acontecido cinco anos atrás

— Pelo visto você sabe o que aconteceu... Eu só não sei como, nem quem te contou. Mas agora isso não importa mais – falou resignada – Duda, se você sabe o que houve, porque veio até aqui me perguntar? Você precisa mesmo ouvir da minha boca que fui expulsa de casa por ser quem eu sou?

Agora Karina já andava de um lado a outro da sala, cruzando e descruzando as mãos, estalando os dedos, claros sinas de agitação e ansiedade. Eu poderia até jurar que suas mãos estavam geladas e trêmulas devido a seu nervosismo.

— Não, eu não vim aqui simplesmente para te fazer falar algo que eu já sei. Se vim te procurar, é porque sei que as coisas não são tão simples assim quanto você faz com que pareçam. Me conta a verdade! Toda a verdade! – falei, dando ênfase às últimas palavras

— Eduarda, você não quer saber da versão estendida dessa história! – ela quase gritou – Tem coisas que você não precisa ter ciência, vê se entende isso!

— Não preciso? – agora era eu quem me exaltava – Como você tem coragem de dizer que não preciso saber, sendo que eu estou na mesma situação? Como você acha que eu vou conseguir viver naquela casa sabendo que posso ser expulsa a qualquer momento, exatamente como aconteceu com você? – questionei, de pé, assim como ela.

Nós éramos praticamente da mesma altura, e eu a olhava nos olhos, a fim de tentar extrair deles as palavras que precisava tanto ouvir.

Se eu parasse para pensar, veria que não é tão incomum assim as pessoas serem expulsas de casa pela sua orientação sexual ou identidade de gênero, mas algo me dizia que havia muito mais encoberto naquela história, algo que provavelmente mudaria muita coisa na minha vida. Eu não sabia o que poderia ser, mas tinha esse sentimento, essa intuição de que nada estava bem.

Isso tudo, sem contar o fato de ter que acreditar que o meu pai, o homem que me criou com tanto amor, seria capaz de uma monstruosidade tão grande quanto colocar a própria filha para fora de casa. Não conseguia aceitar isso de forma alguma, pois, se fosse mesmo verdade, o meu herói, a pessoa que eu tinha como referência de caráter e integridade, não passava de uma farsa, uma máscara ostentada por ele durante toda a minha vida.

— O que você quer, Duda? – Karina parecia desolada ao deixar-se por fim cair sobre o sofá com o rosto banhado em lágrimas, as mãos puxando os cabelos para trás em movimentos repetidos

Preocupei-me ao ver o estado em que minha irmã se encontrava. Caminhei até onde ela estava e me sentei ao seu lado, abraçando-a.

— Desculpe, eu fui rude com você. Sei que deve ser difícil falar sobre isso mas... Eu preciso saber, Ka... você sabe disso

— E-eu sei, Duda, mas não consigo falar, e-eu não p-posso desenterrar o passado desse jeito – ela falava entre soluços – Ainda dói lembrar o que aconteceu, e se você veio atrás de respostas, procurou a pessoa errada, meu bem, eu não sei de tudo, e o pouco que sei, ainda não estou preparada para falar a respeito

— Mas...

— Por favor, minha irmã

— Tudo bem, mas você sabe que mais cedo ou mais tarde eu vou acabar sabendo de tudo. A verdade sempre aparece

— Eu conto com isso, Eduarda, mas ainda não é o momento. Você saberá quando tiver que saber, não procure sarna para se coçar antes da hora, vai ser pior.

— Só espero não ficar sabendo de tudo da pior forma: quando estiver sendo expulsa de casa por amar uma mulher.

Karina me olhou em silêncio, penalizada.

Saí de seu apartamento frustrada. Fui até lá com a intenção de sanar minhas dúvidas e saí com um emaranhado ainda maior delas na cabeça. Deixei Karina em um estado de agitação enorme, ela estava muito incomodada com o assunto abordado por mim.

Não obtive resposta nenhuma às minhas perguntas. Retornaria à estaca zero e teria que encontrar uma nova forma de “investigação”. Minha irmã havia me pedido para não mexer mais nessa história, mas eu tinha que fazer algo, não sossegaria enquanto não tivesse as respostas que precisava.

Cheguei em casa e fui direto para o meu quarto, como estava me acostumando a fazer todos os dias.

Não poder estar ao lado de Manuela nas minhas tardes estava me tirando toda a alegria. Meu humor não era dos melhores, por isso evitava companhia, com receio de descontar as minhas frustrações em alguém que não tivesse nada com isso. Isolar-me no meu quarto parecia a solução ideal para o momento que estava vivenciando.

Tudo que eu podia fazer para distrair meus pensamentos de Manuela era me concentrar mais e mais nos estudos. Sempre que estava em casa, eu estava estudando ou envolvida com algo sobre estudos.

Tal comportamento acabou por me afastar da minha irmã mais nova, que sentia a minha falta nas conversas, nas refeições, que eu preferia fazer na reclusão do meu quarto.

Já havia quase um mês que Manu e eu tínhamos nos separado, estávamos no final do ano letivo, novembro já se findava e dezembro nos dava as boas-vindas. Nada do que eu fazia parecia ser suficiente para fazer Manuela voltar atrás em sua decisão. Ela me cobrava uma prova de que pudesse confiar em mim. E eu, por mais que fizesse, não conseguia encontrar algo que evidenciasse que eu poderia ser uma namorada fiel, que me arrependia pelo aconteceu com Márcia.

Há muito já havia sido aprovada na escola, com as melhores notas possíveis, mas não deixava de estudar de forma compulsiva. Estava no meu quarto depois de jantar, debruçada sobre um livro enorme de Biologia, quando ouvi batidas na porta.

— Entra! – falei e logo retornei à minha leitura

— Você não acha que já chega dessa palhaçada de se isolar do mundo, não? – a voz de Jéssica era de repreensão

— Não enche, pirralha – reclamei mal-humorada como sempre naqueles últimos dias

— Passar o dia nesse quarto não vai trazê-la de volta, deixa de ser idiota, Eduarda!

Paralisei ao ouvi-la falar daquela forma. Eu tinha minhas desconfianças que a minha irmã talvez pudesse saber o teor do meu envolvimento com Manuela.

— Tá louca, garota? Tá falando do que? – fiz-me de desentendida

— Ah, Eduarda, me poupe! Não insulte a minha inteligência, é óbvio que estou falando da Manu!

— Não estou te entendendo, Jéssica, o que tem a Manu?

— Você vai mesmo fingir que não tinha nada com ela? Vocês nunca me enganaram, Duda. Só te digo que você vai acabar perdendo-a de vez se continuar nessa inércia

Eu já tinha me recuperado da surpresa dessa conversa com Jéssica, uma vez que já esperava por isso.

Minha irmã, apesar de ter apenas quatorze anos, me compreendeu de uma forma que não imaginava, apresentando uma maturidade que me deixou de queixo caído.

— Ela não me quer mais — suspirei

— E você vai se contentar em ficar aí enquanto aquela loira aguada ganha a sua namorada?

— Que loira aguada? Do que cê tá falando? — perguntei aturdida

— Uma mulher loira que eu já vi com a Manu umas duas ou três vezes, e se você quer saber, elas pareciam bem íntimas – senti o sangue se esvair de meu rosto com essa revelação

— Ah, deve ser a loira do shopping... A tal de Isa que o Rafa me contou – falei debilmente

— E você vai ficar aí enquanto ela conquista a Manu? Deixa de ser tonta, Eduarda! – Jéssica reclamou

Eu nunca poderia imaginar que teria aquele tipo de conversa com a minha irmã caçula, mas admito que foi muito bom finalmente ter com quem desabafar. Meus amigos estavam divididos entre mim e Manu; a minha mãe, que sempre fora minha confidente, não poderia saber de nada por motivos bem óbvios; nem mesmo a minha melhor amiga me ajudou, Ana ainda não tinha engolido a história de traição e defendia Manu ferrenhamente.

Encontrei em Jéssica um porto seguro, alguém em quem eu poderia confiar. E, além de tudo, ganhei uma ótima aliada na saga “Reconquiste a Manuela”.

Notas finais
O que acharam?