In Love With Her
13 Guitar Hero, alguém que se acha e uma piscina!
Notas iniciais
EDUARDA
Me separei da baixinha, e ficamos nos encarando como duas bobas, o sorriso dela me encantava, me arrancava da realidade, e eu me perdia em suas íris que mudavam de azuis para verdes. Aliás, seus olhos eram um mistério para mim, grande parte do tempo eles eram como duas safiras brilhantes, mas em alguns momentos, adquiriam um brilho meio esverdeado. Aquilo, assim como tudo na Manuela, me cativava. Não resisti ao impulso e a tomei em meus braços, beijando-a novamente com carinho.
Eu estava me roendo de vontade de beijar a Manuela nesses últimos dias, mas me diverti horrores vendo-a dar seus chiliques e ataques de abstinência. Era realmente muito engraçado ver as várias maneiras que ela encontrou para me persuadir e provocar nesses três dias que eu fiquei sem beijá-la.
Eu parecia estar vivendo um sonho desde o meu aniversário, no sábado. Foi tudo tão perfeito e maravilhoso. À noite, eu me pegava rindo sozinha, lembrando da coragem absurda que eu precisei para me abrir para a Manuela sobre o que eu sentia por ela. Não sei o que deu em mim para ter tomado a iniciativa de beijá-la, mas não me arrependia. Só era estranho porque eu era tímida a ponto de quase me esconder dos outros, mas com a Manuela eu me sentia segura para ser eu mesma. Foi definitivamente a escolha certa ficar com a Manu, ela me fazia tão bem.
—- Ai, é sério Eduarda! Não é agradável ver vocês duas se pegando, então podem dar o jeito de sossegar e ir cada uma para o seu canto – Rafael disse, reclamando como sempre.
—- É a sua vez, Duda – Manu disse novamente e pegou a guitarra sobre o sofá onde eu a havia deixado e me entregou
—- Você ganhou, eu já disse.
—- Nada disso, não vou ter dar motivos pra me deixar de castigo de novo, então faça o favor de jogar.
—- Qual o sentido de jogar se você já conseguiu 100%?
—- Simples, o gostinho da vitória vai ser melhor – provocou
—- Tudo bem, tudo bem, eu jogo se é pra te deixar feliz – respondi, pegando a guitarra de suas mãos e selecionando a mesma música que ela havia tocado.
E bem... eu não poderia dizer que esperava que isso acontecesse, mas por um feliz acaso, acabamos empatando com a pontuação de 100%. Ufa! Ainda bem que pelo menos não fiz feio diante da Manuela, que me olhava perplexa por ter feito a mesma pontuação que ela.
—- Não creio, Eduarda, você é muito filha da mãe – Lucas exclamava enquanto Ana balançava a cabeça em concordância
—- I’m fabulous, bitch! – falei debochando e recebi um coro de vaias – Satisfeita, Manu?
—- Não, nem um pouco – respondeu fazendo uma careta
—- Uai, cê num queria que eu jogasse? Eu joguei! – reclamei, arrancando um sorriso dela
—- Era pra jogar, não pra empatar comigo. Mas eu só te perdoo por causa desse seu jeitinho mineiro de falar, que é uma graça
Depois de muito brincar com meus amigos e receber reclamações da parte de Manuela por eu ter empatado, foi decido que haveria um desempate para saber de vez quem tinha ganhado a aposta. Por mim, nós nem jogaríamos mais, porém, fui vencida pela maioria.
—- Ok, vocês venceram, eu e a Manu vamos fazer um desempatepra ver quem ganha, e quem sabe assim vocês não me deixam em paz, né? Vamos tocar qual música? – questionei, e Manu deu de ombros, olhando para Rafael
Ele pareceu pensar um pouco e depois de fazer hora com a nossa cara, finalmente falou:
—- Sei lá, perdeu a graça com vocês duas fazendo essa pontuação ridícula! Joguem Holy Diver, foi a primeira música que pensei.
—- Tudo bem, Duda, prepare-se para perder
—- Vai sonhando!
Nós pegamos as guitarras e logo as primeiras notas da música surgiram. Era uma música um pouco mais tranquila que a anterior, mas se eu bobeasse perderia para a Manu. E é claro que eu perdi a concentração vendo as caras e bocas que ela fazia ao jogar. Seus cabelos negros indo de um lado para o outro enquanto ela balançava a cabeça no ritmo da música me fizeram perder algumas notas. Mas logo me toquei que Manuela estava na frente, havia me passado em meu momento de deslumbramento por sua beleza.
—- O que foi, Duda? – riu ao me olhar de relance
—- Nada, só me desconcentrei, mas não precisa ficar de sorrisinho que logo me recupero, que ver só?
Ao fundo, eu ouvia os incentivos de Ana e Lucas para Manu e as palavras “amigáveis” de Rafael por eu estar perdendo. Eles pareciam estar mais concentrados que nós duas, o que me fazia rir com a ansiedade dos três.
—- Ei, são vocês que estão jogando ou eu e a Manu? Lucas, sossega, menino, parece que vai ter um filho! – gargalhei sem tirar os olhos da tela e os dedos da guitarra
—- Eee... acabou! – comemorou Manu ao tocar a última nota
—- E o resultado é... 98% a 97%... ganhei! Eu sou demais, não sou? – brinquei fazendo uma dancinha que, admito, foi ridícula
—- Com certeza... você é demais... sem graça demais, palhaça demais, idiota demais – falou Ana
—- Nem ligo pra sua opinião, loira – dei de ombros fingindo indiferença
—- E pra minha opinião, você liga, Eduarda? – vish, olhei para o lado e encontrei uma baixinha emburrada por ter perdido
—- É claro que eu ligo, meu anjo, sua opinião é super importante pra mim... Então... sou ou não sou demais? – perguntei com um meio sorriso
—- É... demais pra mim! Não sei o que eu fiz pra merecer tanto convencimento em forma de namorada
—- Tô com a Manu, não sei como ela te aguenta, Duda – concordou Lucas
—- Você fica quieto, garoto – fingi uma cara de brava, falhando miseravelmente e fazendo-o me mostrar a língua
—- O que vai ser? – Manu perguntou, me deixando confusa
—- O que vai ser o quê?
—- Você ganhou a aposta, Duda, fala logo o que quer
—- Espera um minuto... deixa eu pensar um pouco – falei, porque realmente não tinha ideia alguma do que pedir de prêmio por ter vencido a aposta
Beijo... é... eu poderia fazer um ótimo uso de alguns beijos da Manuela.
Mas... pera aí... ela é minha namorada, eu posso beijá-la quando quiser, sem ter de pagar nada por isso, então por que gastar meu prêmio com algo que eu já tenho?
Um mico... eu poderia pedir para ela fazer algo embaraçoso, apenas pelo prazer de ver o quão adoráveis são suas bochechas em um profundo tom de rosa e sua carinha de desconcerto... Não... eu não faria isso com ela, seria covardia fazê-la ser “zuada” pelos meus amigos...
Então... o que diabos eu poderia pedir? Não fazia ideia de algo interessante
—- Você tá aí ainda, Duda? – Rafa abanava as mãos na frente do meu rosto, porque eu, mais uma vez, tinha viajado pra longe
—- Não sei, quer dizer, não sei o que eu quero, Manu – falei por fim
—- Ótimo, não vou te dar nada
—- Não é bem assim, só não pensei em nada bom o suficiente pra pedir, depois eu te falo o que vou querer
—- Você é incrível, por que fez a aposta se não queria nada?
—- Pra ganhar de você? – recebi uns tapas – Por que vocês gostam tanto de me agredir?
—- Por que você merece? – Manuela sorriu, usando o mesmo tom que eu
—- Não sei vocês... mas eu estou pronto pra cair na piscina – falou Rafael, tirando a camisa e jogando em qualquer canto da sala – Bora nadar? – chamou-nos, indo em direção à área externa de sua enorme casa e sendo seguido por Lucas e Ana.
—- Você quer ir pra piscina? – perguntei abraçando Manu meio de lado e apoiando minha cabeça no topo da dela
—- Hum... prefiro ficar aqui com você
—- É mesmo?
—- É... porque eu ainda tô com saudades dos beijos de certa pessoa que se acha muito, sabe...
—- Pensei ter ouvido você dizer uma vez que não gostava de gente que se acha – perguntei me lembrando do seu primeiro dia de aula e do fora que ela dera em Gabriel
—- Eu disse, mas acho que posso abrir uma exceção se a pessoa em questão for merecedora da minha ilustre companhia
—- Nossa, desse jeito eu fico até lisonjeada mademoiselle, mas quem é que se acha mesmo?
—- Sabe que eu não sei? – soltou uma risada gostosa de ouvir
—- Tem certeza? – provoquei, dando-lhe um suave beijo na nuca e fazendo seus pelinhos arrepiarem-se
—- Golpe baixo, Eduarda! Mas eu também sei brincar, sabia? – virou-se, me pegando de surpresa ao colar seus lábios aos meus em um beijo caloroso.
Desfrutei do gosto de menta de seu brilho labial e da maciez de sua boca, que parecia encaixar-se perfeitamente à minha. Nos demoramos com o beijo, curtindo o momento. Minhas mãos já procuravam o caminho que já haviam decorado em tão pouco tempo, pousando sobre a cintura delicada de Manuela. Suspeito que já era a vontade delas (e a minha) bem antes que isso pudesse se concretizar.
—- MANUELA E EDUARDA, PAREM DE ASSANHAMENTO AÍ DENTRO E VENHAM LOGO PRA PISCINA – Rafael gritou
—- Não enche o saco, Rafa! – gritei de volta, me soltando de Manu a contragosto – Vem, vou atacar a geladeira – puxei Manuela para a cozinha, mas antes que pudesse abrir a porta da geladeira, escutei passos atrás de mim e fui sufocada por um abraço coletivo e molhado, juntamente com minha namorada.
Antes que pudéssemos reagir de qualquer forma, os três seres que mais pareciam gatos escaldados saíram correndo, molhando todo o chão encerado da mãe de Rafael, que, para a sorte deles, não se encontrava em casa.
Lucas e Ana pularam na piscina, mas Rafa ficou parado próximo à porta, esperando que eu fosse pegá-lo.
—- Ah, seu veado, filho de um cavalo! – saí em disparada atrás dele, que pulou na piscina no último momento, não me dando tempo de parar.
Aaaaaaah... splash
Sim, esse foi o barulho que eu fiz ao cair dentro d’água
—- Vagabundo! Olha o que você fez, eu não tenho roupa para ir embora! – reclamei enquanto todos riam da minha indignação, inclusive a minha namorada parada na beirada da piscina.
Isso não ia ficar assim.
—- Manu, me ajuda a sair – pedi, estendendo a mão para que ela me puxasse
—- Eu não vou cair nessa
—- Me ajuda
—- Tá – disse pegando o meu braço – Mas se você tentar... Aaaah
—- EDUARDA! – disse, depois de cuspir a água que tinha engolido
—- Desculpe, mas não resisti – tossi entre as gargalhadas
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