In Love With Her

1 Eu e minha maldita boca!


Notas iniciais
Hey, tudo bem com vcs?
Essa é a minha primeira história Yuri, então, por favor peguem leve comigo ok? kk'
Espero que vocês gostem e comentem.

MANUELA

Uma linda manhã de sábado, e um dia perfeito para dormir até as 15:00h. Pena que nem todos pensavam do mesmo modo!

Eram cerca de oito horas da manhã e a casa já estava insuportavelmente barulhenta, podia ouvir Camilla, minha prima de 7 anos brincando com Doby no quintal — e sim, eu dei o nome do elfo doméstico de Harry Potter para o meu labrador!

Tudo bem, não era uma criança e um cachorro que iam conseguir me tirar da cama aquela hora. Puxei o cobertor por cima da cabeça e tentei voltar para os meus sonhos um tanto loucos, mas bem, eram apenas sonhos.

Em vão!

Não se passaram nem vinte minutos e ouvi a porta do meu quarto ser aberta e alguém se jogar em cima de mim.

-- Acordaaa! Olha que dia lindo pra ir á praia!

-- Não torra Júlia! Eu quero dormir! — disse tentando tirá-la de cima de mim sem muito sucesso.

-- Para de reclamar e levanta logo essa bunda da cama Manuela, a senhorita vai á praia comigo e fim de papo — respondeu minha melhor amiga maluquinha levantando-se e puxando meu cobertor.

-- Ah, qual é! Me deixa dormir só mais um pouquinho, cinco minutos e a gente vai! Eu prometo Ju!

-- Nem pense em voltar a dormir, eu te conheço. Levanta e vai colocar teu biquíni que eu vou pegar alguma coisa para comer.

Desisti de dormir e levantei da cama quando ela saiu do quarto. Quando a Júlia colocava alguma coisa na cabeça, era difícil encontrar alguém que tirasse.

Fui para o banheiro tomar um banho para mandar o sono embora e acordar de vez. Saí de lá já vestida com meu biquíni preto com uma regata e um short por cima.

Cheguei á cozinha e encontrei Júlia sentada á mesa tomando café e uma bandeja á minha espera.

-- Até que enfim hein?! Demorou uma eternidade — reclamou enquanto eu pegava um pãozinho e um pouco de café

-- Afinal, porque é que você quer tanto ir á praia hoje? Dever estar claustrofóbica de tão lotada!

-- O que você acha? — perguntou levantando a sobrancelha

-- Nem sei porque eu ainda pergunto — disse revirando os olhos para ela

-- Eu também não! — respondeu rindo

Para Júlia, a vida se resumia a mulheres, de todos os tipos e gostos, se estivessem de biquíni então...

Nos calamos quando minha mãe entrou na cozinha. Apesar de Júlia ser lésbica assumida, minha família não lidava muito bem com isso, portanto, para eles, ela era apenas a minha amiga estranha que nunca tinha um namorado, mas que era completamente hétero. Assim como eu...

Ah se eles soubessem a verdade!

-- Bom dia Júlia! Até que enfim conseguiu tirar essa menina da cama! — disse minha mãe

-- Bom dia dona Marina, quase tive que arrastar a Manu para fora do quarto, mas consegui! — disse sorrindo

-- Mãe, nós vamos á praia, tudo bem?

-- Ok, mas não volte tarde. E leva a chave porque seu pai e eu vamos levar a Camilla embora.

Graças a Deus! Não aguentava mais assistir Discovery Kids. Não que eu não gostasse de ver desenho animado, mas Discovery Kids? Fala sério!

***

-- Você não contou pra eles né? — perguntou Júlia quando estávamos dentro do carro — a sortuda tinha acabado de completar 18 anos e o humilde presente que seu pai lhe dera era um Novo Uno, enquanto eu ainda teria que esperar 2 longos anos para dirigir!

-- Contei o quê pra quem? — me fiz de desentendida

-- Pra cima de mim Manu? Você sabe do que eu estou falando — respondeu sem deixar-se enganar

Bufei por não conseguir enrolá-la e fiz uma careta antes de responder.

-- Não, toda vem que eu crio coragem para falar, acontece alguma coisa e eu simplesmente travo! Eu não consigo simplesmente chegar para eles e falar: “Pai, mãe, eu sou lésbica, posso sair na sexta?” Não dá!

-- Ei, calma, eu sei que é difícil. Não conta pra ninguém, mas cá entre nós, eu já passei por isso, sabia? — brincou para descontrair

-- Nem vem, pra você tudo foi mais fácil. Sua mãe simplesmente chegou e te perguntou se você era, e quando você disse que sim, ela super te apoiou! Seu pai, depois que eles se separaram, até compete com você para ver quem pega mais mulheres! Experimente ser lésbica em uma família de homofóbicos pra ver!

-- Se você acha que eles não vão ficar de boa com isso, é melhor se manter dentro do armário mesmo até que você seja independente, só pro caso deles te colocarem pra fora de casa — disse enquanto procurava um lugar para estacionar o carro.

Como eu havia previsto, a praia estava lotada.

-- Independente! — bufei — Vai demorar 2 anos até eu ter a sua idade e poder fazer o que eu quiser!

-- Ah, não faz beicinho!

-- Eu estou falando sério Júlia. Tem horas que dá vontade de jogar tudo pro alto e sair gritando pela rua quem eu realmente sou e mandando todo mundo ir se fuder se estiver incomodado comigo!

-- Eu sei como é — suspirou — Mas por favor, não vai fazer nenhuma merda ta Manu?

Passamos o resto da manhã e grande parte da tarde na praia. Graças a Deus, Júlia não me obrigou a entrar no mar. Nós apenas no sentamos debaixo de um guarda-sol tomando água de coco e conversando enquanto observávamos a “paisagem” segundo Júlia.

Perdi a conta de quantas garotas pediram o telefone dela, mas também não era de se espantar, a garota era totalmente linda. Cabelos castanhos e lisos caindo pelas costas, olhos verdes, um corpo de dar inveja a muita atriz de comercial de cerveja e um sorriso encantador.

E não, eu não sou apaixonada por ela. Admito que já ficamos algumas vezes, mas, vai por mim, a coisa fica estranha quando você percebe que está beijando a sua melhor amiga.

Já eram quase 17:00h quando Júlia me deixou em casa e foi embora para a dela. Ela tinha um encontro com uma garota que conheceu numa festa e precisava ficar linda para o tal encontro.

Subi direto para o meu quarto e tomei um banho para tirar a areia do corpo e aproveitar enquanto meus pais não chegavam.

Era o aniversário da Camilla, então iríamos todos para a casa da minha avó, onde eram comemorados quase todos os aniversários.

Eu odiava essa festas de criança, exceto é claro, a parte em que eu me empanturrava de doces. Essa era a única razão para eu sair de casa e passar horas escutando "Xuxa Só Para Baixinhos" enquanto um monte de moleques barulhentos corriam de um lado para o outro.

A casa estava cheia, o que já era de se esperar, porque, cá pra nós, a minha família não é das menores, acho que o título “A grande família”, se encaixa perfeitamente.

Assim que adentramos o portão, percebi que estava errada em relação ás músicas da Xuxa. Meus tios e primos estavam com pandeiros, cavaquinhos e toda aquela parafernália para começarem a tocar pagode e algumas primas já estavam em uma rodinha prontas para começar a sambar.

É realmente muito chato o fato de as poucas primas que são da minha idade serem totalmente diferentes de mim. Eu nunca me dei bem com nenhuma delas já que ninguém gosta das mesmas coisas que eu. O resultado é que eu sempre acabava conversando com minhas tias em todas as festas e foi aí que começou a merda toda.

O papo até que estava melhor do que eu esperava, mas tinha que surgir a clássica pergunta de tia:

-- E o namorado? Que dia você vai traze-lo aqui pra gente conhecer?

“Nunca!” — pensei

-- Tia, eu já disse para a senhora que não tenho namorado — respondi já não gostando daquela conversa

-- Já está na hora de arrumar um, não acha não? A Luisa trouxe o dela — disse apontando para a filha de 14 anos que se agarrava com um cara bem mais velho em um canto

-- Porque não segue o exemplo da sua prima? — perguntou sorrindo

Porque eu não sou uma piriguete” — pensei em dizer, mas mesmo que fosse a mais pura verdade, poderia ofender, ou não.

Porque eu não achei o garota certo ainda” — é, isso serviria, mas era uma mentira enorme porque nenhum garoto seria o certo, se é que me entende.

Eu poderia ter achado milhares de respostas para aquela pergunta, mas é claro que a que saiu da minha boca foi logo a que fudeu com a minha vida.

-- Porque eu gosto de garotas! — gritei para que todos me ouvissem

...

Como dizia Kurt Cobain: Ninguém morre virgem, a vida fode com todo mundo!

No meu caso, a boca fode com todo mundo.

Quando percebi que o barulho da música havia parado e que todos os olhos estavam em mim, é que fui ver a merda que tinha feito.

***

Meia hora depois, eu estava entrando em casa com meus pais para ter “a conversa”.

Droga, porque eu não deixei a porra da boca fechada?

-- Sente-se — minha mãe apontou para o sofá e me olhou de maneira fria.

Sem muita escolha, fiz o que ela mandou e me sentei.

-- Ok, estou sentada, podem falar — disse esperando o que quer que viesse em seguida

-- Não quero ouvir você falar aquilo de novo. Estamos entendidos? — curto e objetivo, aquele era meu pai como se tratasse de negócios e não da própria filha

-- Eu disse apenas a verdade — respondi

-- Não, não é a verdade! — esbravejou — A verdade é que você só disse aquilo para chamar atenção para si. Eu não tenho filha sapatão, eu não te criei para isso! Você não é aquilo... Você não é essa... Essa coisa!

-- Porque você não usa a palavra? — perguntei com raiva — Lésbica pai, L-E-S-B-I-C-A, é isso que eu sou, quer vocês aceitem ou não — disse encarando-os

Ouvi o barulho do tapa antes de sentir a mão da minha mãe contra meu rosto.

-- Não fale assim com seu pai! Você nos deve respeito! — disse ela enquanto eu levava a mão á bochecha esquerda sentindo meu rosto esquentar, ao mesmo tempo em que as lágrimas desciam.

Abaixei a cabeça enquanto a dor me atacava com toda a força e chorei encarando o chão. O tapa era o que menos incomodava, a dor a que me referi, não era algo físico. Era mais como se tivessem me arrancado o coração e dado de mastigar para um animal ruminante.

-- Olhe para mim — disse meu pai em voz baixa

Não me mexi

-- Olhe para mim Manuela, eu estou falando com você! — aos poucos ergui a cabeça e levantei os olhos

Ele me encarava com pura repulsa, aversão. Ele tinha nojo de mim, a verdade era que ele tinha nojo da própria filha

-- Isso é só uma fase adolescente, logo, logo vai passar — disse minha mãe mais para ela mesma do que para mim

-- Não mãe, não vai passar — sussurrei

-- Escuta o que nós vamos fazer — disse meu pai ignorando totalmente o que eu havia dito — Essa semana eu recebi uma ótima proposta de emprego para trabalhar em Belo Horizonte, e acabei de decidir que vou aceitar. Nós vamos nos mudar, você vai começar a ver um psicólogo para curar essa sua doença — deixei escapar um grunhido nessa parte e fui, mais uma vez ignorada — Vamos recomeçar do zero, será uma vida nova para nós três.

-- Você não pode fazer isso. E os meus amigos? Tudo o que eu tenho está aqui no Rio!

-- É por causa desses seus amiguinhos que você está com essas coisas na cabeça. Em Belo Horizonte, você estará bem longe de qualquer má influência — disse minha mãe como se isso resolvesse tudo

-- Mãe, você não entende que eu não estou sendo influenciada por ninguém?! Caramba! Eu sou lésbica, não é como se eu tivesse escolhido gostar de garotas, eu simplesmente sou assim e nada nem ninguém pode mudar isso!

Eu estava pronta para um discurso anti-homofóbico, mas meu pai me interrompeu:

-- Nesse caso, você tem 2 anos para decidir se é isso que você quer para a sua vida. Se, no momento em que completar 18 anos você ainda quiser seguir esse caminho... Bem, considere-se sem família, você estará por conta própria, eu é que não vou sustentar uma aberração da natureza.

Notas finais
Então... o que acharam?
Por favor comentem, eu preciso saber o que vocês acharam do primeiro capítulo, o que esperam dos próximos, o que eu posso fazer para melhorar, etc.
Por ser minha primeira história com esse tema, eu tô meio perdida - rs - mas como escrever é a forma que eu tenho pra fugir dos problemas então taí o resultado das minhas horas de tédio - raiva e tristeza - e surtos criativos rsrsrs
Beijos e até o próximo >.