In Love With Her
25 Consequências
EDUARDA
— Entra – falou secamente
Eu a tinha magoado, e muito.
Saí da casa da minha irmã desesperada, procurando-a para ao menos tentar explicar algo que não tinha explicação. Procurei Manu por todos os cantos, mas nada dela, eu sabia que não tinha ido para casa porque foi o primeiro lugar que tentei, mas o porteiro disse que ela não havia voltado desde a hora em que saímos juntas.
Quando me cansei de procurar, decidi esperar por ela em sua casa, afinal, ela teria que voltar. O porteiro não queria me deixar entrar de jeito nenhum porque não havia ninguém em casa, mas insisti tanto e estava tão desesperada que ele acabou cedendo, mas não sem antes me fazer prometer que não contaria que havia sido ele quem me deixou entrar.
Eu havia passado horas naquele corredor, andando de um lado para o outro, tentando pensar em um jeito de me explicar, mas nada me vinha á cabeça, e tampouco, teria coragem de mentir para Manuela.
Como explicar o que havia acontecido?
Eu acreditaria se fosse ela no meu lugar?
Soltei um riso um tanto doloroso, sabia muito bem a resposta para aquela pergunta.
Manu acendeu a luz da sala e virou-se para mim, já dizendo:
— Fala logo porque eu não estou com paciência para ouvir as suas desculpas esfarrapadas
— Manu – me aproximei um pouco dela – Eu posso explicar
— Pode? Eu quero ver então! Como você explica o fato de eu ter te encontrado agarrada àquela vadia? Ou vai negar? Porque se for, pode ir embora, economize palavras
— Não vou negar Manuela – respondi de cabeça baixa, sem conseguir olhá-la nos olhos
— Você é mais cara de pau do que eu imaginava – soltou aquele riso amargo novamente, e aquilo me feriu muito
— Foi só um beijo Manuela – eu não podia, nem conseguia falar mais que aquilo
— Ah, foi só um beijo? Só um beijo!
— Meu amor, não significou nada pra mim, foi um erro, me perdoa! — pedi, ou melhor, implorei
— Não me chama assim Eduarda! Será que eu sou mesmo o seu amor? Porque não foi o que me pareceu naquela cozinha!
— Eu te amo Manuela, nunca te dei motivos pra duvidar disso!
— Até essa tarde! — respondeu indignada – Eu fui muito idiota Eduarda, confiei em você, abri meu coração, e o que você fez? Me traiu com aquela vagabunda!
— Eu nunca menti quando disse que te amo, por que eu amo, e muito. Acredita em mim, por favor.
— Tudo bem, digamos então que você me ama – ironizou – Porque beijou a Márcia?
Eu não podia explicar. Doía demais ver o quanto eu a estava machucando, mas não poderia dizer de forma alguma o que acontecera.
— Eu não a beijei – tentei falar, mas fui interrompida
— Claro que não, eu ando vendo coisas! — eu preferia que Manuela estivesse chorando do que ironizando as coisas daquela forma, porque significava que, além de muito machucada, ela também estava com muita raiva de mim, e eu não tirava a sua razão.
— Foi ela que me beijou Manu! Foi ela... Ela me pegou de surpresa, eu não queria corresponder, eu juro! Mas fiquei sem reação e ela achou que eu estava correspondendo ao beijo e se aproveitou disso. Eu não te traí Manuela!
Ela assentiu com a cabeça, incrédula.
— Tudo bem, não vou discutir, se você quer acreditar que não me traiu, acredite. Mas eu preciso saber de uma coisa: desde quando Eduarda? Desde quando você vem “ficando sem reação” diante dos beijos dela?
— Foi só hoje Manu, Márcia nunca tinha me beijado antes. Ela tentou algumas vezes, eu confesso, mas nunca tinha ido tão longe – eu não estava mentindo, mas diante do que tinha acontecido, soava falso quando eu dizia aquilo
— Eu percebi que tinha algo de estranho acontecendo entre vocês, mas pensava que era só por conta das “tentativas” dela, mas sou uma tonta não é mesmo? Eu devia ter adivinhado quando encontramos com ela mais cedo, os olhares que vocês trocaram...
— Não meu amor, eu juro por tudo que é mais sagrado que nunca tinha acontecido nada, eu te amo Manuela!
— Não me chama assim!
— Eu te amo Manuela! — me aproximei dela
— Você não presta garota!
— Você foi a melhor coisa que já me aconteceu! — dei mais um passo
—-Sai daqui! Sai da minha frente! — ela gritava enquanto as lágrimas corriam por seu rosto
— Não! — cheguei perto o suficiente para estender a minha mão, e com suas costas limpar as lágrimas de sua face
Ela virou o rosto.
— Sai agora Eduarda! Eu não quero mais olhar na sua cara – gritou com raiva
— Eu te amo! – repeti, abraçando-a com força – Me perdoa! — sussurrei em seu ouvido e senti que ela se enrijeceu em meus braços
Manu empurrou-me com força, mas não era o suficiente para me fazer recuar, mas respeitei a sua vontade e soltei-a.
— Sua cachorra, você não presta, safada, mentirosa, eu te odeio Eduarda! — gritava enquanto me batia com os punhos fechados
Ela estava tão nervosa que eu tive que ir me afastando, andando de costas para me esquivar de seus golpes.
Manuela ainda gritava insultos e me dava socos e tapas quando encontrei a parede como obstáculo e não tinha mais como fugir.
— Para Manuela! — segurei suas mãos antes que fosse atingida por mais um tapa, soco, ou arranhão – Para!
— Não! Você é uma idiota Duda! — apesar de não saber como agir naquela situação, o meu cérebro registrou um fato que, de alguma forma me animou: o uso do meu apelido pela primeira vez naquela noite. Desde o ocorrido, Manu só me chamava pelo nome inteiro.
— Tem razão, eu sou mesmo uma idiota, mas uma idiota completamente apaixonada por você Manu – falei com toda a sinceridade que possuía
Manu vacilou sobre a sua raiva, e pude ver a minha baixinha linda naqueles olhos azuis tempestuosos.
Sua respiração estava ofegante devido o esforço que havia feito. Sua boca estava entreaberta, aqueles lábios pequenos e vermelhos pareciam me chamar para explorá-los.
Olhei fixamente para seus olhos e percebi que a raiva ainda estava lá, mas o desejo provocado pelos nossos corpos que estavam completamente colados começava a surgir. Olhei novamente para a sua boca tão convidativa e não resisti em tomá-la para mim.
Colei minha boca na sua, e para minha surpresa, ela correspondeu de imediato, mas era diferente, não era como os beijos calmos e carinhosos que eu estava acostumada a trocar com Manuela, aquele beijo era selvagem, voluptuoso e possuía até certa violência misturada ao desejo.
Manuela estava com muita raiva, mas pude perceber a sua confusão ao ficar tão próxima de mim e o beijo foi inevitável. Ela mordiscava meu lábio inferior com força, fazendo meu corpo se incendiar completamente.
Minhas mãos que ainda seguravam seus pulsos, afrouxaram aos poucos com a falta de resistência dela, e foram parar em seu corpo. Apertei sua cintura e puxei-a ainda mais para mim, colando totalmente nossos corpos que ansiavam por aquele contato.
As peles se queimavam uma contra a outra, arrepios subiam pela minha espinha, o coração batendo acelerado, aquela sensação de que não havia mais nada no mundo. Logo senti uma das pequenas mãos da minha namorada me arranhando a nuca, causando mais arrepios enquanto a outra fazia o mesmo em minhas costas, por dentro da blusa.
Nos separamos quando faltou o ar, me afastei para olhá-la nos olhos.
— Eu te amo demais sabia?
— E eu te odeio Eduarda! Por quê? Por que você tinha que me magoar daquela forma hein? Estava tudo tão perfeito entre nós duas – uma lágrima caiu de seu olho esquerdo e desceu por sua bochecha corada quando ela sussurrou, e antes que eu pudesse falar algo, me puxou para outro beijo ardente.
Nos troquei de posição, prensando-a contra a parede sem desgrudar meus lábios dos seus. Manu tentou me abraçar, mas não permiti, segurando suas mãos acima de sua cabeça contra a parede e desci meus lábios por seu pescoço, beijando, lambendo e dando pequenas mordidas.
Ela gemeu em meu ouvido quando não resisti e cabei lhe dando um chupão, que com certeza deixaria marca na sua pele branquinha, mas não me importei muito com aquilo na hora.
Manuela jogou seu corpo contra o meu, me empurrando em direção ao sofá e me deixei guiar por ela. Logo que senti o móvel por trás de minhas pernas, fui jogada contra o mesmo, caindo sentada, e Manu sentou-se em meu colo, de frente para mim. Quando dei por mim, Manu tinha tirado a minha blusa e a sua já estava indo pelo mesmo caminho.
Encarei-a, queimando de desejo por aquele corpo, tentei passar todo o amor que sentia por ela através do meu olhar. Nossos olhos pareceram se conectar, e por vários minutos, não dissemos uma só palavra, o olhar dispensava qualquer tipo de som que fosse emitido por nossas bocas.
Seus olhos azuis pareciam me analisar, tentar me decifrar, e, ao mesmo tempo, me devoravam, as íris azuis brilhantes, tomadas pela escuridão de suas pupilas, o que denunciava o seu desejo latente.
— Eu quero você! – sussurrou como quem confessa o pior dos crimes, a voz rouca, cheia de uma sensualidade que me fez morder os lábios de excitação, abafando um gemido.
Puxei Manu pela nuca, beijando-a com volúpia, transmitindo-lhe a mensagem de que seu desejo era recíproco. Mesmo que ela estivesse espumando de raiva de mim, a necessidade de nos ligarmos, o anseio que os nossos corpos sentiam um do outro, não nos permitia pensar com clareza.
Logo senti suas mãos sobre meus seios, massageando-os por cima do sutiã, me arrancando gemidos. Manuela conseguia me levar ás nuvens com o mais ínfimo dos toques, me fazer delirar com a mais simples das palavras. Era assim que eu me sentia o tempo todo quando estávamos juntas.
Levei minhas mãos ás suas costas, desabotoei-lhe o sutiã e me livrei dele, tendo uma visão perfeita de seus seios fartos. Encarei-os por alguns segundos, admirando-os e sorri antes de distribuir pequenos beijinhos por todo o seu busto, enquanto minhas mãos apertavam sua cintura de forma carinhosa.
Manu soltou um gemido quando passei dos beijos a leves chupadas em seus seios, e arranhou minhas costas. Arqueei-me, sentindo um prazer indescritível ao ouvir seus gemidos. Eu não pensava, apenas fazia o que meu corpo pedia, e meu coração concordava com cada ação, acelerando-se cada vez mais e mais.
Agia de acordo com as reações do corpo da minha namorada, fiquei um bom tempo brincando com seus seios e logo desabotoei seus shorts, fitando-a em seguida. Manu entendeu o recado e levantou do meu colo, livrando-se logo da peça e da calcinha que saiu junto, ficando completamente nua, em pé, na minha frente.
Olhei-a de cima á baixo, embevecida com o seu corpo, cada pedacinho daquele ser que eu amava imensamente, era perfeito. Manu me lançou um olhar tão safado que me deixou ainda mais molhada que já estava, e perguntou:
— Vai só olhar?
Mal dei tempo para que ela terminasse a frase e me levantei do sofá, dei um selinho demorado em seus lábios e a coloquei sentada logo em seguida. Ajoelhei-me á sua frente, abrindo suas pernas com delicadeza e encaixei meu corpo entre elas. Puxei Manu pela nuca, pegando um pouco de seus cabelos, fazendo com que sua cabeça ficasse na mesma altura que a minha e beijei-a de forma lenta e apaixonada, um beijo longo, que logo foi se transformando, dando forma ao nosso desejo mútuo. Separei-me dela, arfante de excitação.
Me afastei um pouco do sofá, puxando seu corpo até a beirada do mesmo. Olhei-a profundamente, e seus olhos me queimavam com a antecipação do que estava por vir.
Por conta da minha timidez e total falta de prática e experiência, eu ainda não tinha feito aquilo. Ansiava há tempos pelo momento em que teria Manuela por completo, sem reservas, sem receios, e aquele momento finalmente havia chegado, uma pena, que em uma situação daquelas, depois de tê-la ferido tanto.
Parei de pensar, e, antes que a culpa me impedisse de concretizar aquele momento, aproximei meu rosto de sua intimidade, inspirando seu cheiro enebriante. Toquei seu sexo com a ponta da língua, sentindo naquele momento o quanto ela estava molhada e Manu gemeu alto com o toque. O gosto de Manuela era algo indescritível, a coisa mais incrível que eu já provara na vida. Senti uma explosão dentro de mim ao degustá-lo.
Olhei para cima, vendo a sua expressão de prazer mesclado com impaciência, pois eu tinha me afastado dela após o primeiro toque. Sorri com aquilo e comecei a explorá-la com a ponta da língua, vagarosamente, registrando cada sensação nova e observando cada expressão de prazer e cada reação que Manuela tinha. Era algo mágico.
— Não tortura Eduarda! Vai logo! — ordenou ante a minha visível falta de pressa
— Calma... – falei com a boca ainda próxima á sua intimidade – Eu quero te conhecer por inteiro, decorar cada pedacinho do seu corpo – completei antes de voltar ao que estava fazendo antes
Passei a língua de baixo para cima em toda a extensão de seu sexo molhado de excitação até chegar em seu clitóris. Toquei-o, fazendo uma leve pressão e Manu gemeu alto, apertando minha cabeça contra seu corpo, como que pedindo mais. Atendi ao seu pedido, passando a chupar seu clitóris, passando a língua por sua extensão.
Desci um pouco a boca, passando a penetrá-la com a língua o mais fundo que podia e Manuela gemia enlouquecidamente, me excitando cada vez mais. Comecei a massagear seu clitóris com uma mão, enquanto a outra apertava sua cintura com força.
Logo inverti as posições, voltando a boca para seu clitóris, e penetrei-a lentamente com um dedo, passando a movimentá-lo devagar dentro dela num vai e vem contínuo. Sentia minhas costas sendo arranhadas enquanto Manu pronunciava palavras incompreensíveis, pedindo por mais.
Introduzi mais um dedo, aumentando a velocidade e a força das estocadas, que ficavam cada vez mais profundas. Senti sua intimidade se apertar contra meu dedos, e o corpo da minha namorada logo foi tomado por espasmos enquanto ela gritava meu nome quando chegou ao ápice.
Retirei meus dedos de dentro dela e suguei todo o líquido que escorria por suas pernas.
Levantei-me do chão, sentando ao lado do corpo ofegante e cansado da minha pequena, que estava de olhos fechados. Acariciei a face de feições delicadas, dando-lhe um pequeno beijinho nos lábios, voltando a reafirmar:
— Eu te amo demais Manuela Fernandes. Me perdoa por ser tão estúpida? — sussurrei
Seus olhos abriram-se devagar e ela me fitou por um longo tempo antes de dizer:
— Só eu sei o quanto também te amo Eduarda, mas não consigo te perdoar, pelo menos não agora. Meu coração está muito ferido com o que aconteceu, eu preciso de um tempo para curá-lo e conseguir te perdoar – falou com a voz cansada, me olhando profundamente nos olhos e desviando-os logo em seguida, observando a televisão desligada á sua frente.
Levantei do sofá derrotada, as consequências dos meus atos pareciam pesar diretamente sobre meus ombros que agora se encontravam curvados. Eu não podia culpar ninguém, a culpa era toda e completamente minha.
Peguei a minha blusa que estava no chão, vestindo-a sem me importar muito com isso e já estava chegando á porta de sua casa quando Manuela pareceu despertar de seu transe:
— Não vai, fica comigo essa noite – pediu baixinho
— Mas, e seus pais?
— Viajaram... eu não quero dormir sozinha, fica aqui por favor
— Claro que fico, meu bem – falei, voltando para junto dela e dando-lhe um beijo na testa – Não vou te deixar sozinha, nunca!
Manu se abraçou ao meu corpo, e fiquei ali, fazendo carinho em seu braço por um tempo que não sei precisar. Estávamos ambas perdidas em pensamentos, alheias á completa nudez de Manuela.
Fomos tiradas do silêncio sepulcral que tomava conta da casa pelo toque do meu celular.
Olhei no visor e atendi de pronto. Era a minha mãe querendo saber onde eu havia me metido. Tinha esquecido que apenas deixara Jéssica em casa sem explicação alguma, antes de sair como uma louca atrás de Manuela.
Tranquilizei dona Drica, explicando que estava com Manu e que dormiria em sua casa, caso ela autorizasse. Mediante o fato de que o pais de Manu tinham ido viajar, minha mãe deixou que eu dormisse por lá para não deixá-la sozinha.
Desliguei o telefone, e, quando olhei para Manuela, ela já vestira suas roupas.
— Era a minha mãe, ela mandou um beijo para você – falei um pouco sem graça
— Obrigada – respondeu e logo bocejou, demonstrando seu cansaço
— Manu, porque você não toma um banho enquanto eu preparo algo pra gente comer? Já tá tarde, e eu aposto que você não comeu nada
Ela balançou a cabeça em acordo e virou-me as costas, nem se importando que eu não sabia cozinhar praticamente nada.
Se ela estava magoada, a culpa era minha.
Se ela estava machucada, a culpa era igualmente minha.
Não havia nada que eu pudesse fazer para mudar o que já havia acontecido. Mas se eu pudesse, tomaria a sua dor para mim. Sentia raiva de mim só de saber que a tinha feito chorar, que a tinha decepcionado enormemente.
Caminhei para a cozinha e fiz alguns sanduíches, uma das poucas coisas que eu conseguia preparar e que fossem minimamente comestíveis. Coloquei-os em um prato e fiquei à espera de Manuela, que apareceu meia hora depois, com um pijama confortável e os cabelos presos no alto da cabeça, em um coque malfeito.
Comemos em silêncio, e depois Manu deixou que eu tomasse um banho antes de irmos dormir. Saí do banheiro e vesti uma camiseta larga e uma calcinha minhas que estavam em sua casa. Manu e eu dormíamos uma na casa da outra de vez em quando, sem segundas intenções, apenas a vontade de passar mais tempo com a outra. Desse modo, havia roupas minhas em sua casa e roupas suas na minha.
Já me preparava para pegar algumas coisas para dormir no sofá quando Manuela me chamou:
— Deita aqui comigo – falou fracamente
Ela já estava deitada e bateu com a mão no colchão, indicando o espaço ao seu lado. Concordei e me enfiei debaixo das cobertas, mantendo certa distância para não incomodá-la.
Manu apagou o abajur e virou-se de costas para mim, encolhendo-se. Eu não tinha sono algum, não consegui pregar o olho por boa parte da madrugada até Manu virar-se, ainda meio dormindo, e me abraçar. Passei meus braços por seu corpo pequeno, e ela se aninhou sobre o meu peito, dormindo tranquilamente. Passei mais um tempo velando seu sono antes de finalmente, sentindo o calor do seu corpo contra o meu, adormecer.
— Não posso te perder, Manuela – sussurrei, deixando as lágrimas caírem livremente por meu rosto até ser tomada pela exaustão
Tive uma noite conturbada, sonhos desconexos em que Manuela aparecia chorando, me acusando, mas eu não podia ouvir suas palavras, apenas via o desprezo e a decepção em seus olhos azuis.
Fui acordada pelo seu toque em meu braço. Abri meus olhos, dando de cara com duas safiras gélidas acima de mim.
— Vai embora, Eduarda, por favor, vai embora – diferente da noite anterior, não havia raiva em seu olhar, apenas uma imensa mágoa
Me levantei em silêncio, me troquei, peguei meu celular sobre o criado-mudo e depositei um beijo no topo da cabeça de Manuela.
— Se cuida – falei antes de sair do quarto.
Assim que bati a porta da frente, o desespero tomou conta de mim. Passei pelo porteiro sem nem olhá-lo para evitar perguntas. Não podia ir para casa naquele estado, então peguei um ônibus e fui para a casa da Ana, eu precisava de um colo.
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