In Love With Her

26 Uma decepção após a outra


MANUELA

Estava acordada há poucos minutos, mas continuava deitada na cama, ao lado de Eduarda, observando cada traço de seu rosto sereno. Era impressionante como ela quase nunca alterava aquela tranquilidade transmitida por sua expressão facial. A pequena cicatriz no queixo, resultado de um tombo de uma árvore que denunciava as suas muitas peraltices quando criança; o tom negro de sua pele que tanto me encantava; a boca pequena e de lábios bem desenhados que eu adorava beijar...

Tudo isso me fazia amá-la a cada dia mais, mesmo que magoada, mesmo que com o coração ferido, eu faria de tudo para conseguir perdoá-la. Vontade de esquecer tudo aquilo era o que não me faltava, o problema é que enquanto eu estivesse sentindo a dor da traição, não conseguiria ficar em paz com ela sem a sombra da mágoa que me rondava.

Assustei-me com o barulho de um telefone vibrando e emitindo um som que indicava uma mensagem recebida. Era o celular da Duda que estava debaixo da cama. Peguei o aparelho, e, quando vi o nome no visor, o sangue me subiu à cabeça, e não pensei duas vezes antes de abrir a mensagem e ler seu conteúdo.

“Obrigada por ontem, sabe o quanto significou pra mim. Sei que deve estar brava pelo que aconteceu com a Manu, não era pra ela ter descoberto assim, mas eu preciso te ver hoje

Eu estava disposta a perdoar Eduarda, mesmo não admitindo traição de forma alguma. Eu amava demais aquela garota e, por ela, passaria por cima daquele maldito beijo. Meu amor era infinitas vezes maior que a minha mágoa ou até mesmo a minha raiva, o único problema era que eu poderia passar por cima uma vez, mas duas vezes em menos de 24h?

Era pedir demais do meu coração, que já tinha apanhado muito e que mais uma vez estava sendo castigado pelo amor. Será que eu não podia ter um pouco de tempo para assimilar as coisas?

Porra!

Nem um dia eu tive para lidar com uma decepção e já vinha outra em cima? Eu queria tentar, queria muito, mas aquela droga de mensagem jogou tudo por terra, fazendo meu coração fechar-se em dores novamente.

Minhas lágrimas esforçavam-se para cair dos meus olhos, mas eu lutei bravamente, não queria que Eduarda me visse chorando de novo, ainda mais por aquela vadia, eu não daria esse gosto a ela novamente.

Passei a mão nos cantos dos olhos, contendo as lágrimas que escaparam e me levantei rapidamente da cama, acordando Duda logo em seguida.

— Vai embora, Eduarda, por favor, vai embora – pedi antes que as lágrimas viessem novamente.

Duda arregalou os olhos, ainda atordoada, sem saber o que havia acontecido para eu agir daquela forma com ela. Ela estava alheia aos meus sentimentos naquele momento, mas respeitou o meu pedido e levantou-se da cama, rapidamente trocando-se e pegando suas coisas em silêncio.

Pela cara que Eduarda fez, ela pensou que tudo voltaria ao normal depois do que havia acontecido na noite anterior. Sinceramente, mesmo que magoada, eu também cheguei a cogitar a possibilidade de esquecer o que havia acontecido, mas aquela mensagem de Márcia deletou do meu cérebro qualquer resquício de racionalidade que ali pudesse existir. Eu não pensava em nada, apenas queria Eduarda longe das minhas vistas.

Eu podia ver em seus olhos toda a confusão que estava a sua cabeça, mas não conseguia explicar nada, quando ela visse a mensagem entenderia, eu não estava em condições de falar mais nada sem que o choro viesse à tona

— Se cuida – depositou um beijo no topo da minha cabeça e me deixou sozinha em casa.

Permiti-me desabar quando ouvi a porta bater. Fui tomada por um choro compulsivo assim que ela me deixou a sós com a minha decepção.

Por que a Duda tinha que me trair? Porque tinha que ser logo com a Márcia? O que estava acontecendo? Por que eu fui fraca a ponto de me apaixonar de novo, mesmo depois de tudo o que havia sofrido nas mãos da Natália? Estava tudo tão bem quando eu não me apegava a ninguém, por que a Eduarda tinha que aparecer?

As perguntas atropelavam-se umas às outras em minha cabeça. O pior de tudo é que eu não tinha resposta para nenhuma delas. Eram todas perguntas retóricas, o que me machucava ainda mais.

A mensagem que a professora de biologia mandara para Duda não me saía da cabeça, e, com ela, outros questionamentos surgiam.

Há quanto tempo elas estavam juntas? Duda mentiu quando disse que tinha sido um único beijo? Por que a Eduarda estava fazendo isso comigo? Será que eu me enganei sobre o caráter dela?

As dúvidas martelavam na minha cabeça, acabei desabando novamente sobre a cama e chorei até pegar no sono de novo.

Acordei já passava de meio dia, a cabeça doía por conta do choro, e eu não demorei muito para perceber que estava com fome, uma vez que o meu estômago deu sinais de vida assim que abri os olhos.

Ignorando a minha fome, me dirigi para o banheiro e tomei um longo banho, tentando lavar do meu corpo e da minha mente tudo que havia acontecido. Com sorte, talvez a água levasse consigo as lembranças dos últimos acontecimentos, inclusive do orgasmo maravilhoso que a garota que eu amo havia me proporcionado naquela noite. Não queria lembrar de nada, absolutamente nada.

Vesti uma roupa qualquer e fui para a cozinha, sabia que não conseguiria ficar em paz enquanto não matasse a minha fome. Era engraçado pensar que mesmo com o coração partido – mais uma vez – o meu estômago ainda exercia um poder inacreditável sobre mim.

Abri a geladeira e fiquei ali parada, analisando tudo que havia em seu interior e nada me interessou. Eu não tinha ânimo para cozinhar, então peguei minha carteira e saí de casa, sem rumo certo, apenas queria um lugar para comer em paz.

Quando me dei conta, estava nas imediações do shopping onde fui com Duda, Ana e os meninos da primeira vez que saímos todos juntos. Era bem perto de casa. Decidi ir até lá e comer na praça de alimentação mesmo.

Fui à procura de um restaurante fast-food, pouco me importando com as coisas ou pessoas a minha volta.

Geralmente, quando eu não estava “bem do coração”, como Júlia costumava dizer, a primeira coisa que eu fazia era arrastá-la para o Mc Donald's mais próximo e desabafar sobre todas as minhas frustrações enquanto engordava quilos e mais quilos em hambúrguer. Mas em BH, nem isso eu poderia fazer, todos os amigos que eu fiz no tempo em que estava morando ali eram também amigos de Duda, e eu não queria forçar uma situação chata com ninguém, então estava sozinha com uma mente fervilhante e um coração machucado.

O shopping não estava muito cheio para uma tarde de domingo, havia apenas umas poucas pessoas espalhadas pelas mesas da praça de alimentação.

Surpreendi-me ao avistar Isabella em um canto mais afastado, concentrada em algo que digitava fervorosamente em seu notebook.

Fiquei em dúvida se me aproximava dela e a cumprimentava ou fingia que não tinha visto. Afinal, nos conhecíamos há apenas um dia, e talvez ela não quisesse ser incomodada.

Como que ciente da minha hesitação, Isa levantou os olhos da tela do computador para beber do copo térmico ao seu lado e, despretensiosamente, olhava as coisas à sua volta até me ver e abrir um sorriso. Chamou-me com a mão para que eu me aproximasse, e, sem escolha, parei na frente da mesa que ela ocupava. Eu estava um tanto sem graça e esperei que ela se pronunciasse.

Isabella levantou-se e, sem cerimônia alguma, me cumprimentou com um abraço, como se fôssemos velhas amigas. Senti-me estranha com o seu gesto, mas, ao mesmo tempo, confortável com aquele abraço vindo de uma quase completa desconhecida. Isa pareceu adivinhar que eu precisava mesmo daquilo.

Depois de algum tempo, ela me soltou, ainda sorrindo, e desculpou-se:

— Desculpe por isso, acho que exagerei um pouco – corou ao falar

— Relaxa, tudo bem – respondi sorrindo

— O que fazes por aqui, guria?

— Vim procurar alguma coisa para comer – falei rindo – Não estava muito a fim de cozinhar hoje.

Quando falei em comer, Isa deu uma olhada no relógio e assustou-se com o avançado da hora.

— Nossa, já está tarde! Me distraí com alguns relatórios para a faculdade e nem vi a manhã passar. E, poxa, estou faminta! Me acompanha em um almoço?

— Não vou atrapalhar?

— Bah! Claro que não, quero companhia, odeio comer sozinha

— Sendo assim, eu aceito. Se importa se comermos por aqui mesmo? Eu estou louca por uma comida nada saudável, de preferência com fritura e muita gordura

— Por mim tudo bem, mas nada é como o churrasco da minha terra! Só de pensar me dá saudades, e a boca enche d'água – falou divertida

— Até nisso você é gaúcha? — perguntei balançando a cabeça

Eu não sei bem o que era, mas Isabella, mesmo sendo uma estranha para mim, conseguiu me distrair um pouco com o seu jeito de ser. Consegui esquecer por alguns momentos do que havia acontecido naquele dia que se iniciou horrivelmente mal para mim.

Fizemos os nossos pedidos no Mc Donald's e, enquanto esperávamos, conversamos sobre trivialidades. A loira era extremamente engraçada, e o papo com ela fluía naturalmente.

Nossos lanches chegaram, e continuamos conversando enquanto comíamos. Falamos bastante sobre a empresa que os pais de Isa haviam deixado de herança para ela e Henrique, seu irmão mais velho. Ela me explicou sobre o testamento do pai, que deixava claro que eles teriam de assumir juntos a presidência da construtora assim que terminassem a faculdade.

— Mas como vocês farão para compartilhar a presidência? Deve ser complicado ter dois presidentes para uma única empresa – questionei a loira à minha frente

— Eu e o Rick já combinamos tudo. Por ser mais velho e ser formar primeiro, ele vai assumir a presidência da nossa matriz, lá em Porto Alegre, e eu serei a vice-presidente, ficando responsável pela filial daqui de Belo Horizonte.

— Entendi, deve ser uma baita responsabilidade tomar a frente de uma empresa desse porte

— Nem me fale, guria, nem me fale — riu mostrando uma fileira de dentes brancos e perfeitos

Terminamos de comer e ficamos perambulando pelo shopping, sem nada para fazer.

Fui pega de surpresa quando, num momento em que estávamos ambas em silêncio, Isabella soltou:

— Já falamos demais de mim, o que achas de falares agora do teu coração? — falou em um tom despreocupado – Percebi que tu tens evitado falar sobre isso, mas se quiseres desabafar, sou uma boa ouvinte – completou com um sorriso sincero no rosto

— Não é nada demais, Isa, apenas besteiras da minha cabeça – tentei desconversar

— Por que eu acho que tais a mentir? – debochou – Olha, eu sei que tu não me conheces, mas, acredite, pode confiar em mim, Manuela – parou me olhando nos olhos, e pude ver sinceridade em suas palavras

— Tudo bem, já que eu não posso falar com os poucos amigos que eu fiz aqui, acho que você serve

— Sinto-me lisonjeada – falou, e eu ri do seu jeito

Nos sentamos em alguns bancos, num canto mais isolado do shopping, não havia quase ninguém por ali.

Eu estava pensativa, ainda não havia dito nada. Pensava no que falar para Isabella, afinal, querendo ou não, ela era uma estranha. Fiquei com medo da sua reação caso eu contasse que era lésbica e acabei optando por omitir esse fato. Tudo que eu precisava era da visão de alguém que estivesse de fora, portanto, não precisaria me expor tanto assim, não citaria nomes nem nada que me denunciasse.

Olhei para Isa, e ela me sorria, esperando o meu tempo para falar. Suspirei antes de começar:

— Lembra que eu te disse que fui traída? — perguntei, e ela acenou com a cabeça – Bem, quando eu cheguei em casa ontem, encontrei alguém à minha espera, acabei cedendo, e nós conversamos, eu chorei, gritei, estava com muita raiva, mas depois de tudo isso, acabamos fazendo as pazes

— Eu vejo que fizeram as pazes – Isa riu, apontando para o meu pescoço

Eu, sem entender, levantei uma sobrancelha em interrogação ao que ela, ainda rindo, pegou um espelho dentro da bolsa e me entregou. Peguei o pequeno objeto e direcionei para o meu pescoço onde havia um enorme chupão.

Envergonhei-me, ficando corada como um tomate maduro e abaixei a cabeça. Duda nunca fazia aquilo, ela odiava, sempre dizia que as marcas deviam ser deixadas na mente, e não no corpo. Mas o desejo havia falado mais alto na noite passada, e nenhuma de nós duas raciocinava direito, eram apenas dois corpos ansiando por se entregar ao amor.

— Não fica vermelha, guria, isso é sinal que vocês fizeram as pazes. E como fizeram! – Isabella ria ainda mais do meu constrangimento

— Para com isso, Isabella! – reclamei, ficando ainda mais vermelha, mas sem conseguir conter o riso

— Tudo bem, continue, prometo não interromper de novo

— Ok... Bem, nós fizemos as pazes sim, por um tempo... Eu ainda não conseguia perdoar a traição, mas estava disposta a tentar – pausei, lembrando da mensagem

— E o que te fez mudar de ideia?

— Como você sabe que eu mudei de ideia? – perguntei desconfiada

— E não mudou? – perguntou sorrindo e arqueando uma das sobrancelhas

— Mudei – falei baixinho

— O que te fez mudar, Manuela? – tornou a perguntar, tentando entender

— Eu estava disposta a perdoar... Até ser acordada com uma mensagem da outra agradecendo pelo beijo e dizendo que queria outro encontro – falei com raiva – É mole ou quer mais?

— Caramba, guria! Agora te entendo – exclamou a gaúcha

— É isso, eu estou sem rumo agora, sabe? Não sei como agir diante disso

— O melhor agora é manter a calma e pensar bem antes de tomar qualquer decisão em relação ao seu relacionamento. Vocês já conversaram sobre isso?

— E você acha que eu tive cabeça para conversar quando vi aquela mensagem? Foi demais pra mim, não sei há quanto tempo eu estou sedo traída dessa forma por... — me cortei antes que dissesse o nome de Eduarda

— Pois bem, procure conversar e entender a situação, pode não ser bem o que tu tais a pensar – aconselhou-me

— Pra mim está tudo bem claro: eu venho sendo enganada, e não é de hoje

— Tu que sabes! – ela deu de ombros e eu logo dei um jeito de mudar de assunto

— Não quero mais falar disso, tô tentando não pensar a respeito por um tempo. Mas e a sua vida sentimental, como anda?

— Inexistente – disse divertida – Não namoro ninguém há muito tempo. Acho que os meus relacionamentos estão fadados a durar apenas uma noite – completou rindo

— Que horror! – me juntei à sua risada

Nós ainda ficamos um bom tempo no shopping, andando à toa, conversando sobre os mais variados assuntos, entrando em lojas para experimentar roupas que não iríamos sequer cogitar a possibilidade de comprar. Eu fazia de tudo para adiar a minha volta para casa, não queria ficar sozinha e lembrar do que tinha acontecido.

Tinha algo em Isabella que me fazia bem. Eu conseguia esquecer dos meus problemas por algum tempo. Ela era uma ótima pessoa pelo que pude perceber no pouco tempo que a conhecia.

Diverti-me muito com as suas histórias de “paixão à primeira vista e abandono na manhã seguinte”, como ela mesma dizia.

Isabella não disse, mas eu sabia que a sua lista deveria ser bem extensa. Com tamanha beleza, a loirinha deveria ter uma fila enorme de caras querendo sair com ela. Sem contar com a sensualidade natural que parecia exalar de cada poro do corpo perfeito da gaúcha.

Já era noite quando decidimos ir embora, e Isabella se ofereceu para me levar em casa novamente.

— Não precisa, Isa, eu moro aqui pertinho

— Deixa de ser chata, guria! Eu estou de carro e te deixo na segurança da sua casa em dois tempos

— É sério, não precisa se incomodar

— Não aceito não como resposta, ou tu aceita, ou te carrego a força. Tu que sabes – deu de ombros

— Sendo assim, tudo bem, você pediu com tanto carinho e delicadeza que me sinto obrigada a aceitar a sua carona – falei com sarcasmo, dando ênfase à palavra obrigada, e nós duas caímos na risada.

Isa me guiou até o estacionamento e desativou o alarme do seu carro. Meu queixo quase foi ao chão ao ver a Ferrari preta que apitou enquanto suas luzes piscavam.

— Você só pode estar de brincadeira! Você dirige isso? – perguntei incrédula

— Era do meu pai, na verdade, o carro favorito dele. Nós dois passávamos horas mexendo nesse motor e arrumando várias coisas para personalizar a Pepê

— Pepê?

— É... Penélope – disse rindo – Papai era meio louco e sempre arrumava um nome para tudo, isso deixava a minha mãe possessa – completou exibindo um sorriso saudoso antes de me indicar a porta do passageiro e entrar no carro logo em seguida.

— Quer ouvir música?

— Claro, vamos testar seu gosto musical! — brinquei, e ela apertou um botão no volante, ativando o moderno aparelho de som que havia no veículo

Logo a música começou a tocar, e eu não pude evitar o ataque de risadas ao ouvir “I'm in love with my car”, do Queen.

Era hilário, Isabella ficou vermelha de vergonha, claramente não era o que ela esperava que tocasse.

— Nossa, realmente... Me surpreendi com o seu gosto musical e com a profundidade dos seus sentimentos pela Pepê – falei entre risadas

— Eu... er... Eu... Droga, pai, até nisso tais a curtir com a minha cara? — perguntou-se olhando para cima enquanto sorria

Percebendo que eu não estava entendendo nada, Isa falou:

— Papai sempre colocava essa música quando dirigia, só para irritar a mamãe.

— Você era muito apegada a eles, não era?

— Sim, meu irmão e eu tínhamos uma relação invejável com nossos pais. Éramos amigos, sempre compartilhando tudo com eles, e sempre recebemos total apoio em nossas escolhas

— Queria que fosse assim com meus pais – murmurei

— O que tu disse?

— Ahn, nada, eu estava pensando alto

Em poucos minutos ela estava estacionando na porta do meu prédio.

— É aqui – falei

Isa desligou o carro e me olhou com um sorriso sincero nos lábios:

— Então, tais entregue, sã e salva

— Isa, obrigada por tudo. Por me ouvir, mesmo sem me conhecer direito, e por me distrair um pouco. Eu precisava mesmo disso

— Disponha. Sempre que precisar, é só chamar que eu e a Pepêzinha aqui estamos à disposição – falou me fazendo rir

— Tchau, Isa, foi muito bom te conhecer – disse já abrindo a porta do carro

— Igualmente, guria! — desci da Ferrari e já ia entrando no condomínio quando ela gritou – Converse com ela, pode não ser o que você está pensando!

Quando registrei o uso do pronome, ela já havia arrancado com o carro e seguido seu destino. Isabella percebera que eu falava de uma garota o tempo todo.

Balancei a cabeça e entrei para enfrentar a noite que me esperava em casa. Não queria me permitir pensar que Eduarda pudesse estar, naquele momento, nos braços de outra mulher.